Imprensa

História do melhor jornalismo
regional do País. Leiam! (170)

  DANIEL LIMA - 31/05/2019

Não custa repetir sempre e sempre, mesmo que de forma diferente: a transferência de parte dos arquivos da revista LivreMercado para as páginas digitais de CapitalSocial é uma sequência de aulas do melhor jornalismo regional que o Brasil já observou. Nesta edição mostramos mais quatro exemplares do que significa produzir textos que fogem do lugar comum. Vale a pena degustar o que se segue e, daí, acionar os links para uma leitura completa.

LivreMercado é CapitalSocial em forma impressa. CapitalSocial é LivreMercado em forma digital. Irmãos siameses que só não revolucionaram o mercado da informação regional porque a concorrência, por assim dizer, não teve competência para seguir as lições da história. Vejam matérias que abrem a temporada de fevereiro de 1999.

Primeira matéria 

 Seja qual for o resultado da medição de forças em que se desdobrou a demissão de 2,8 mil trabalhadores da Ford, o melhor que se tem a dizer sobre o assunto é que a conjuntura econômica está apenas acelerando o ritmo de cortes que a globalização exige de quem pretende ser competitivo. A Ford escorregou no tomate ao não negociar um programa gradual de demissões que outras montadoras instaladas na região há muito praticam, mas a decisão significa que, em vez de catastrófica projeção de fechamento da fábrica de São Bernardo, fortalece a política de viabilizar a unidade que produz o Ka, o Fiesta e a picape Courier, isto é, todos os modelos nacionais colocados à disposição do mercado. 

05/02/1999 - Origem de tudo é o Custo ABC

Segunda matéria

 Situada na Grande Milão, a cidade-irmã de Santo André, Sesto San Giovanni, já foi rotulada de Cidade do Trabalho. Na região da Lombardia, que representa 40% do PIB (Produto Interno Bruto) da Itália, os 85 mil habitantes de Sesto San Giovanni já não ouvem os apitos das antigas fábricas, com predominância de siderurgia e metalurgia. Só nos últimos 10 anos foram desativados 10 mil postos de trabalho. Já não há tantas bicicletas e um rio de 50 mil macacões azuis, como lembrou o prefeito Filipo Penati no seminário envolvendo políticos, empresários e sindicalistas promovido pela Prefeitura de Santo André e pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC no final de janeiro.

Hoje, são 20 mil sem-macacões e três milhões de metros quadrados de galpões abandonados que começam a ser subdivididos estrategicamente para dar lugar a pequenos empreendedores capazes de enterrar a decadência da grande indústria. Já não se respira no ritmo de fábricas que chegavam a ter 10 mil funcionários. Hoje, 85% das empresas de Sesto San Giovanni não têm mais do que 20 funcionários. O perfil é de prestação de serviços e pequenas indústrias de alta tecnologia, especialmente nos segmentos de informática e telecomunicações, com mão-de-obra qualificada.

05/02/1999 - Quando galpões significam soluções

Terceira matéria 

 Talvez a analogia seja cruel, mas já está sendo usada para propositalmente ferir suscetibilidades, despertar irritação e provocar reações de modo a levar lideranças do Fórum da Cidadania a contragolpear. O fato é que o conceito da entidade já não tem o brilho de outrora, quando foi criada há quase cinco anos e, como um furacão, varreu da face institucional do Grande ABC a poeira do desinteresse, do descompromisso e da insensibilidade a causas regionais. O Fórum da Cidadania viu seu poder de fogo debilitar-se a tal ponto que de fera virou pato. Daí a analogia. Por que pato? A resposta dos provocadores é simples: pato anda, pato corre, pato nada, pato voa, mas não executa nenhuma dessas tarefas com competência porque troca o foco pela dispersividade. Por isso é pato, não fera.

10/02/1999 - Um pato que vai voltar a ser fera? 

Quarta matéria

 Quem inventou a história de que beleza não se põe na mesa certamente nunca andou por Mauá. No máximo reagiu com espanto ao se deparar com favela de 20 mil habitantes situada à esquerda da principal entrada do Município. Retrato daquilo a que o somatório da pobreza, da especulação imobiliária e do crescimento desordenado condena a periferia das metrópoles e cidades limítrofes, o Jardim Oratório é apenas uma das áreas que podem ser beneficiadas pelo Plano Diretor, aprovado no final do ano passado pela Câmara Municipal. Para vislumbrar a Mauá do futuro, o instrumento traça diretrizes que possibilitam colocar pitada de charme e graça na cidade que sequer foi privilegiada pela natureza. Encostas de morros e declives acentuados, recheados pelo resultado da explosão demográfica, não formam conjunto arquitetônico e urbanístico digno da 16ª cidade do Estado em Valor Adicionado do ICMS.

05/02/1999 - Para colocar a beleza na mesa 

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