Sociedade

Afinal, qual é o seu lugar
nos nichos da sociedade?

  DANIEL LIMA - 04/04/2019

Vou fazer um teste com o leitor (e também comigo, porque ninguém é uma ilha) sobre um assunto que diz tudo em termos de cidadania. Um teste para valer, implícito na manchete logo acima. Um teste que tenha a sinceridade e a autocrítica como elementos essenciais. Sei que não é fácil domar o espírito individualista que nos move e nos cega, mas faça um esforço de consciência para responder o que apresentaremos em seguida. 

Em que nicho da sociedade você está? Se acha que a resposta é simples ou complexa demais, não custa ter um pouco de paciência. Vejam os quatro núcleos comportamentais em que dividi os moradores da região: 

 Sociedade Civil

 Sociedade Servil

 Sociedade Hostil

 Sociedade Imbecil

Por favor, não levem a mal e, apressadamente, reprimam suposta falta de diplomacia quando uso uma ou outra expressão mais dura. Reconheço que dentre as quatro tipologias, a última, “Sociedade Imbecil”, é um pouco pesada, meio fora do tom, mas, raciocinemos:  há tantos exageros cometidos a mão armada de ignorância por aí que “Sociedade Imbecil” é café pequeno. Tão pequeno quanto necessário. Enquanto passeava de manhã com minhas cachorras, não encontrei outra marca que sintetizasse o que pretendo passar e que, suplementarmente, exigia que não quebrasse a rima.

Vamos então senhoras e senhores, distinto público regional, ao esmiuçamento breve e providencial, porque elucidativo, dos nichos de sociedade que somos? 

Antes disso, uma explicação importante. Divido a sociedade em nichos porque a sociedade é mesmo de nichos. Qualquer uma das denominações que utilizei acima não caberia no comportamento geral e irrestrito do que convencionalmente chamamos de sociedade. 

Quem se refere a “Sociedade Civil” quando aborda questões da região (e do País como um todo) ou é tolo ou não tem semancol. Uniformizam-se por conveniência comportamentos sociais que jamais se harmonizaram.  Vamos então ao teste? Está preparado?

 Sociedade Civil

O nicho da Sociedade Civil são algumas ilhotas de conscientização política, no sentido mais amplo da expressão, em meio a um arquipélago de interesses outros. Quem se encaixa nesse nicho não vê cores partidárias, não tem veneração a dogmas, está sempre pronto a engrossar movimentos raros em que o futuro da região está em jogo. O nicho da Sociedade Civil é mal visto pelos demais, ou por parte dos demais nichos, porque fere a alma, o coração e tudo o mais daqueles que prefeririam mil vezes não ter algo a confrontá-los. Os nichos da Sociedade Civil são, portanto, uma afronta aos demais. Não se tolera publicamente tamanha concorrência. Inveja-se entre os demais nichos, no travesseiro da prestação de conta diária, tudo aquilo que os integrantes desses pequenos batalhões de comprometimento social exercitam. Por isso mesmo os nichos da Sociedade Civil se fragilizam a cada dia em meio ao tiroteio geral do salve-se-quem-puder.

 Sociedade Servil

O nicho da Sociedade Servil espalha-se por todos o território geral. Mandachuvas e mandachuvinhas são heróis dessa turma de preguiçosos sociais, quando não de cúmplices sociais. O senso crítico está inapelavelmente abalroado pelo individualismo ou pela ação de grupos de iguais e semelhantes que os representa. A Sociedade Servil é um caminhão de perdição que ameaça o futuro do conjunto da população ladeira abaixo da desindustrialização empobrecedora.  O nicho da Sociedade Servil forma opinião delituosa no sentido de responsabilidade com as novas gerações. O nicho da Sociedade Servil é frondoso porque os dirigentes de entidades em geral saíram em larga escala desse mesmo ambiente e, portanto, não aceitam desafios que coloquem em risco o que os levam a se perpetuarem nos cargos. O nicho da Sociedade Servil se renova muito lentamente, mas quem imagina que a mudança é para melhor está redondamente enganado. O nicho da Sociedade Servil aperfeiçoou-se ano após ano na tática e na estratégia de consolidar um projeto de poder, à direita ou à esquerda. São os guardiães dos poderosos de plantão. 

 Sociedade Hostil

O nicho da Sociedade Hostil é espécie de alma gêmea do nicho da Sociedade Servil, apenas com o sinal trocado. Os integrantes da Sociedade Hostil ocupam postos avançados principalmente nas redes sociais, contrapondo-se seletivamente aos temários dos igualmente usuários de redes sociais que defendem todos aqueles que não pretendem largar o osso das benesses de que desfrutam. O nicho da Sociedade Hostil é barulhento porque o que o move em direção paradoxalmente contraditória das atividades é substituir os integrantes do nicho da Sociedade Servil que tanto finge odiar.  Os barulhentos opositores de agora, salvo exceções, são candidatos potenciais ao uso de silenciadores no futuro, quando se tornarem Sociedade Servil. Sei que é uma complicação danada decifrar tamanha contradição, mas é assim que funciona. Ou seja: o Hostil de agora quer mesmo é ser Servil amanhã; e, portanto, não suporta a ideia de continuar a berrar em todos os cantos, sobretudo nas redes sociais, por muito mais tempo. O Hostil de agora defende mesmo é o revezamento de postos avançados na sociedade que somente os idiotas acreditam que seja majoritariamente Civil.

 Sociedade Imbecil

Refleti muito sobre o uso dessa expressão, mas Sociedade Imbecil retrata mesmo à perfeição o comportamento de pessoas que não se encaixam majoritariamente em qualquer uma das tipologias já mencionadas. Os integrantes da Sociedade Imbecil demoram a compreender o jogo dos poderosos de plantão e dos exércitos daqueles que dão sustentação a eles, bem como não sacaram as razões de o nicho da Sociedade Hostil existir de olho num horizonte de vantagens. O nicho da Sociedade Imbecil é incapaz de enxergar o óbvio de campanhas supostamente sociais direcionadas a parceiros de negócios. Gente que passa batida porque não aprendeu a ler as manchetes de jornais, por exemplo. O nicho da Sociedade Imbecil é alvo fácil dos manipuladores da Sociedade Hostil e da Sociedade Servil porque não apreendeu o alfabeto de integrar-se mesmo que defeituosamente às engrenagens da sociedade como um todo, ou seja, aos nichos sociais.

Conselho Especial

Não passa de coincidência o fato de escrever o texto nesta manhã e daqui a algumas horas, juntamente com meia dúzia valorosa de companheiros de jornada, estar no gabinete do prefeito Paulinho Serra, de Santo André, pela quarta vez desde que o tucano assumiu o Paço Municipal. Estaremos participando de um encontro decisivo que vai determinar o futuro do Conselho Especial de Assessoramento Econômico de Santo André.

Nas três vezes em que estive com o prefeito de Santo André tratei de assuntos exclusivamente relacionados ao que resumiria como responsabilidade social. Nas duas primeiras alertei sobre os riscos de aplicar a decisão aprovada pelo Legislativo de aumentar às alturas dos valores do IPTU.

Não só o alertei como levei uma proposta de solução no médio prazo. Uma proposta revolucionária que continua valendo. E continua valendo porque quem a executaria seria uma empresa especializada em potencial de consumo. 

Reunião decisiva 

Na terceira vez em que estive com o prefeito foi quando me assustei com a decisão dele de aceitar a formação do Conselho Especial. Fora até o Paço Municipal a convite do prefeito. Imagina que teria uma entrevista de bandeja, já que o tucano e este jornalista não são necessariamente diplomáticos no sentido hipócrita de ser quando se trata do futuro e do passado de Santo André. 

Nenhum jornalista da região (consultem os arquivos) fez tantas críticas ao prefeito Paulinho Serra ao longo dos dois anos de mandato. Todas estão registradas neste site. Todas relativas a questões administrativas. Paulinho Serra teve a sensatez de distinguir uma coisa da outra. 

O Conselho Especial é um desafio para a Administração Pública. Dependerá apenas do prefeito a execução do que tratamos informalmente.  Hoje o grupo que estará com o prefeito espera sair do gabinete com a função de animar o processo de recuperação econômica de Santo André. Uma consultoria especializada em competitividade municipal e os servidores públicos de Santo André colocariam a mão na massa. O Conselho Especial veio para colaborar, sem vínculo empregatício. 

Não sei qual o veredito do leitor a respeito do nicho em que se enquadra esse tipo de relacionamento. As más línguas já andaram a desfilar bobagens, porque medem a atuação de terceiros por conta do que são. Pretendemos, com os parceiros de jornada, indicar a consultoria especializada de primeira linha. Depois, só monitorar. Com ampla liberdade de opinião. E de cooperação. 

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