Imprensa

Parem de usar meu nome para valorizar marca que já afundou

  DANIEL LIMA - 12/03/2010

É desagradável o assunto que se segue, mas, dadas as condições ambientais, não há como fugir da raia, até porque não sou de fugir de raia alguma. O fato é o seguinte: há gente espalhada na praça industrializando mentiras que dão conta de que estaria este jornalista interessado em retomar o controle da revista Livre Mercado. Tudo não passa de imensa besteira.

Livre Mercado morreu desde o dia em que deixei sua direção editorial. Repassei-a em troca de dívidas da Editora Livre Mercado. O recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos, da Best Work Consultoria Empresarial, é o responsável pela publicação desde janeiro do ano passado.

O tempo, infelizmente, mostrou que além de arrivista, Walter Sebastião dos Santos não cumpre as obrigações contratuais.

É o que delicadamente poderia ser chamado de inadimplente, embora o Código de Processo Penal possa ser emprestado para tipificar com cores menos nobres as artimanhas de protelar pagamentos insistentemente.

Chacrinha certamente perguntaria a Walter Sebastião dos Santos se ele é inadimplente por natureza ou por safadeza.

Os credores podem muito bem responder. Como sou credor, afirmo com todas as letras que ele é inadimplente por safadeza. Seu esporte preferido é fazer de credores gato e sapato.

Estou documentadíssimo para enfrentá-lo em qualquer instância judicial. Será um prazer desmascará-lo oficialmente.

Da revista Livre Mercado (assim mesmo, com separação estúpida de dois verbetes que, por se complementarem, carecem de junção gráfica) não tenho o menor respeito. Muito pelo contrário. Diria que não serve nem para aquilo destinado aos jornais na maioria dos lares brasileiros que não conhecem papel higiênico.

Desde a tomada da cidadela por Walter Sebastião dos Santos, Livre Mercado foi totalmente descaracterizada. Walter Sebastião dos Santos é desses idiotas que simplificam tudo. Proclama ser uma moleza a seara jornalística, que qualquer um pode fazer um bom produto. Encontrou grupinho que lhe vendeu gato por lebre, substituindo conteúdo por plástica chinfrim.

Walter Sebastião dos Santos não conseguiu dar prosseguimento ao histórico da publicação, mesmo com vácuos editoriais latentes. A descontinuidade da revista se dá desde dezembro do ano passado. Alguns exemplares amostrais, para enganar trouxas, dão suposta aparência de circulação do produto. Ganha um pirulito quem entre os leitores deste site leu Livre Mercado nos últimos três meses.

Haveria mais de uma dezena de explicações para este jornalista passar ao largo de qualquer possibilidade de retomar a revista que idealizou, criou e dirigiu editorialmente por quase duas décadas, transformando-a no melhor produto regional impresso do País.

O acervo de LivreMercado (é assim que se escreve o nome da publicação, quando se referir ao período em que este jornalista estava à frente) é prova cabal e insofismável de que não se trata de slogan promocional ou marquetológico a afirmativa de que se tornou a melhor publicação regional do País.

Por isso mesmo estamos migrando parte do material impresso de LivreMercado. CapitalSocial já conta com mais de 500 artigos daquela revista entre os mais de 800 que constam dos arquivos digitais.

Também quero distância de Livre Mercado porque, além de todas as objeções ao desempenho recente da publicação, acrescento o erro crasso de apostar que o abrandamento da linha editorial capitalizaria muitos recursos financeiros.

Walter Sebastião dos Santos, autointitulado empresário que daria lições de adestramento administrativo à frente da publicação, garantia que ao retirar o tom crítico de LivreMercado, transformaria Livre Mercado em objeto de desejo dos anunciantes. Caiu do cavalo como caíram todos que acreditam no conto da Carochinha de que ufanismo e triunfalismo resolvem problemas de caixa das publicações. Além de não resolverem, reduzem a zero a credibilidade.

O desespero de Walter Sebastião dos Santos em tentar passar adiante a marca Livre Mercado incluiu uma central de boataria da qual os prevaricadores lançam o nome deste jornalista como suposto interessado.

Em resposta a todos aqueles que me procuram para confirmar a invencionice, digo com clareza meridiana de quem não procrastina a verdade em nenhuma situação: nem com um caminhão cheio de notas de 100 dólares aceitaria Livre Mercado de volta, porque os dólares desaparecem o abacaxi fica.

Para completar e sem qualquer resquício de ressentimento, porque fui feliz à frente da revista LivreMercado tanto quanto me sinto otário juramentado depois do negócio fechado com a Best Work e as descobertas de que a Editora Livre Mercado reunia um bando de oportunistas e ladrões: Livre Mercado (separadamente) é uma bomba para quem se meter a esticar o prazo de validade, porque a essência jornalística que a caracterizou ao longo dos anos morreu quando este jornalista deixou seu comando.

Quem acha que é fácil encontrar alguém que reúna minhas características, sem juízo de valor sobre isso, que saia a campo e tentem encontrar. Não bastasse minha saída, entrou em campo um pavão de ignorância e irresponsabilidade. Surpreendente seria se a caminhada tivesse outro desfecho.

Por fim, não me surpreende (embora me aborreça muito a ponto de escrever estas linhas sem qualquer pudor de elegância) essa enxurrada de questionamentos sobre meu suposto interesse por Livre Mercado. Essa bobagem me enche tanto quanto descobrir só recentemente, e com contínuas informações de vítimas, que meu nome foi usado durante muitos anos para mascarar ações de estelionatários travestidos de agentes de publicidade.

É uma pena que nenhuma das vítimas se disponha a servir de testemunha para levar adiante os casos na esfera judicial.

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