Imprensa

Debate Digital vai começar
com educador ligado ao Psol

  DANIEL LIMA - 18/10/2018

Pretendo participar de intensas interações com gente da sociedade regional que supostamente tem muito a contribuir para disseminar conhecimento sobre vários vetores de nossa mambembe regionalidade. Mambembe e mequetrefe, para ser mais preciso. Dois verbetes cujo uso jornalístico configura-se crime, segundo sentença de um meritíssimo que não entende bulhufas de jornalismo e muito menos de regionalidade. Mas é especialista em uso e abuso da autoridade.  

O novo projeto desta revista digital é o que chamo de Debate Digital. Vou procurar explicar nos próximos parágrafos. Já tenho inclusive um primeiro debatedor praticamente confirmado. 

Debate Digital oferece aos leitores muitas vantagens em relação às entrevistas convencionais que a imprensa em geral publica. Vou mais longe: não conheço um modelo semelhante no jornalismo nacional e internacional. Salvo engano, estamos inaugurando uma nova forma de fazer jornalismo, o que não é novidade para quem acompanhou a trajetória da revista LivreMercado, que revolucionou o conceito de comunicação social numa Província que segue presa a um modelo arcaico, obsoleto, típico dos anos 1950. 

Um modelo que prestigia acriticamente mandachuvinhas e mandachuvinhas. Quando não os transforma em heróis. É por isso, entre outros fatores, que estamos na pindaíba. Somos o microcosmo, do Brasil que parece ter começado a acordar nestas eleições. 

Afinal, o que vem a ser Debate Digital? Vou reproduzir os elementos regulamentares básicos para que não haja dúvida quanto ao projeto. 

1. Enviarei uma pergunta específica ao debatedor escolhido. Ele receberá o questionamento através de endereço eletrônico e terá 10 dias para enviar a resposta num total de até mil palavras. 

2. Terei igualmente 10 dias para a réplica, que também contará com o máximo de mil palavras. 

3. O debatedor volta a intervir, agora com a tréplica, novamente com mil palavras e no prazo de até 10 dias. 

4. Terei novamente 10 dias de prazo para nova contraposição, igualmente de mil palavras.

5. Possíveis novas rodadas de indagações poderão dar continuidade ao Debate Digital. O ciclo que se cumprirá será o mesmo verificado anteriormente, com direito a réplica e tréplica nas condições já especificadas. 

Fugindo do improdutivo  

A inovação de Debate Digital em relação a tudo que o leitor está acostumado a acompanhar na imprensa é que o contraditório ou a complementação prevalecerá sempre, em substituição ao convencionalismo de pergunta e resposta. Isso significa que os leitores poderão ter acesso a um conjunto muito mais substancioso de informações em forma de questionamentos e explicações numa via de mão dupla. 

Na tradição do formato de perguntas e respostas nem sempre as abordagens estão conectadas com a elucidação de fatos, conceitos, interpretações e tudo o mais. No Debate Digital a possibilidade de alcançar o objetivo de maior amplitude seria muito mais consistente. 

Pode ser que outros nomes sejam anunciados nos próximos dias. Certo mesmo é que a experiência de Debate Digital começará com o ex-vereador de Santo André Ricardo Alvarez, ex-candidato a prefeito. Ricardo Alvarez é um acadêmico que deverá proporcionar oportunidade especial ao cavoucamente do estágio do esquerdismo na região, dirigente que é do Psol de Guilherme Boulos. 

Origem na discordância 

Ricardo Alvarez é um formador de opinião na área educacional que precisa ter espaço fora do ecossistema para se manifestar. É o que pretendemos. Já acordamos preliminarmente sobre sua participação. Acertamos tudo num grupo do aplicativo Whatsapp a partir de posições antagônicas. As opiniões dele sobre o candidato Jair Bolsonaro não são exatamente as minhas. Como minhas opiniões sobre Guilherme Boulos não se aproximam das dele.  

Há alguns aspectos de Debate Digital que ainda estão sendo avaliados. Um já está mais que considerado: a cada fase de participação do entrevistador ou do entrevistado, travestidos de debatedores, o texto será publicado na integra nesta revista digital. Ou seja: os leitores poderão acompanhar atentamente as intervenções dos dois lados, do entrevistador que também atuará como debatedor e do debatedor que também poderá atuar como entrevistador. 

Vou explicar a gênese de Debate Digital. A novidade é que fugiremos do perfil tradicional, no caso o entrevistador que se limita a questionamentos. Vou exercer a função de forma muito mais ativa, ou seja, muito além da formulação de questões. Fosse diferente disso, convenhamos, a novidade de Debate Digital seria uma arrematada bobagem. Portanto, vou fazer mais que questionamentos: exercerei o direito de fustigar o entrevistado, buscando supostas brechas por onde interviria, e também serei questionado. Querem mais liberdade de expressão com responsabilidade social do que isso? 

A mecânica de Debate Digital, portanto, é de confrontação no sentido literal do verbete e também no espetro plástico, de elasticidade, ou seja, de complementação, retificação, ratificação e tudo o mais que o conhecimento proporciona. Daí ter definido que as partes terão a cada rodada até mil palavras para expor ideias, propostas e tudo o mais. 

Dividindo o peso

CapitalSocial tornou-se quase que uma via de mão única de posicionamento sobre o estágio social e econômico da região. A carga é muita pesada e precisa ser dividida e multiplicada. Darei nomes aos bois que se recusarem a participar dessa empreitada. É preciso tirar da toca do comodismo e da conveniência gente que poderia colaborar de forma mais incisiva com o futuro regional. Enfrentar este jornalista não é um bicho de sete cabeças. Há imensas possibilidades de os argumentos caminharem tanto por uma trilha sem atropelos como a uma avenida de desafios. O leitor que acredita que Debate Digital será um mar de tranquilidade, uma troca de gentilezas, está tão equivocado quanto quem entende que será um campo de batalha.

Vejam um caso reto e direto que se apresenta na primeira etapa de Debate Digital: a pergunta-chave a ser enviada ao acadêmico Ricardo Alvarez tratará da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), essa inutilidade regional que há mais de uma década se instalou em Santo André (e mais tarde em São Bernardo). Só o fato de enviar questionamento a Ricardo Alvarez com a qualificação de “inutilidade”, deverá colocar o parceiro de Debate Digital em posição antagônica. Querem algo melhor? 

Não custa lembrar que esse projeto foi antecedido -- também como inovação no jornalismo profissional -- por Entrevista Indesejada. Seguindo roteiro tradicional, de pergunta formulada e encaminhada ao possível entrevistado, obtivemos pouco retorno. A maioria dos alvos preferiu fugir da raia. Só o empresário Milton Bigucci, metido em variadas encrencas, inclusive na Máfia do ISS da Capital, recebeu ao longo dos anos sete versões diferentes de Entrevista Indesejada. Não respondeu a nenhuma. 

Fujões só perdem 

Quem sugere que Entrevista Indesejada se tornou inútil, ante a fuga dos entrevistados, não sabe os impactos que questionamentos produzem nos formadores de opinião. Não seria a recusa que apagaria os estragos. Aliás, estragos são maiores quando a tentativa de entrevista fracassa. Os questionamentos ganham forte lastro de constatações que causariam incômodo aos fujões. Recentemente a Folha de S. Paulo fez algo semelhante ao que Entrevista Indesejada propagou ao longo dos anos: publicou questões que um pretendido entrevistado se negou a responder. Se a Imprensa adotasse esse padrão de inconformismo como alternativa às tentativas de ouvir quem prefere o silêncio e o desprezo aos consumidores de informação, os desdobramentos seriam outros.

Desta vez, com Debate Digital, procuraremos interlocutores que possam participar do projeto sem temores maiores. Já sabemos que bandidos sociais não estariam mesmo dispostos a enfrentamentos que os colocariam em maus lençóis, porque eles sempre agem por baixo dos panos. 

Nossos alvos serão profissionais que têm o que dizer sobre o futuro da região. A expectativa de que encontraremos interlocutores virtuais decididos a fortalecer os laços de cidadania digital não será frustrante. Por mais que esse território tenha se transformado em Província, seria inconcebível chegar ao ponto de emudecimento irrestrito. Ricardo Alvarez é um teste emblemático. 

Leia mais matérias desta seção: