Economia

Todos se juntam
pela Oliveira Lima

  DANIEL LIMA - 05/02/1998

Quarta rua em trânsito de consumidores do Brasil, com média de 16 mil pessoas/hora, o Calçadão da Coronel Oliveira Lima, em Santo André, há muito não lembra mais os dias de glória que viveu nos anos 70 e 80, quando era frequentado pelas camadas mais altas da sociedade. O que antes simbolizava glamour, hoje está deteriorado em função da má conservação, ambulantes, batedores de carteiras, filas de desempregados e esvaziamento -- as duas principais lojas em faturamento, Americanas e Casas Bahia, fecharam as portas devido aos aluguéis exorbitantes.

Sensibilizados por esse quadro, comerciantes se uniram em busca de soluções e arrancaram da Prefeitura promessa de recuperação da área através da antecipação do cronograma do Projeto Centro, com obras de drenagem para contenção de enchentes, alterações no sistema viário, nova iluminação e reforço na segurança. Se cumprido o calendário, a principal veia comercial da cidade estará parcialmente revitalizada até final de 98. 

Pelo menos assim espera Ricardo Fioravante, secretário geral da SOL (Sociedade Oliveira Lima), entidade criada especialmente para pleitear melhorias para o calçadão. Este mês, tem início uma das principais obras do Projeto Centro: a contenção de enchentes, com a primeira fase da drenagem do córrego Carapetuba, que passa sob a rua Monte Casseros. Durante seis meses, o trecho entre as ruas Álvares de Azevedo e Bernardino de Campos estará interditado e o sentido da rua Elisa Fláquer será invertido. "Sabemos que haverá grande prejuízo para moradores, comerciantes e pedestres, mas os danos causados pelas enchentes são bem maiores" -- destaca. Segundo Ricardo, o comércio deve colaborar encontrando soluções de acesso e conscientizando lojistas e consumidores.

Outra intervenção do Projeto Centro que trará benefícios significativos à Oliveira Lima diz respeito ao sistema viário. As avenidas General Glicério e Arthur de Queiroz terão sentido invertido para bairro/centro, enquanto a mão da avenida Queiroz dos Santos será alterada para centro/bairro. Boa parte das linhas de ônibus que congestionam a Perimetral será transferida para esse binário, desafogando o trânsito da principal artéria da cidade. Ricardo revela que a SOL e a EPT (Empresa Pública de Transportes) estudam a criação de ônibus seletivos que operariam na região central com tarifas especiais. "A intenção é que comerciantes comprem lotes de passagens e repassem aos clientes, já que uma das principais queixas é relacionada a transporte coletivo e estacionamento" -- salienta. A entidade também pleiteia a implantação de novas linhas de ônibus comuns.

Segurança -- Um dos principais temores de quem frequenta o calçadão é a falta de segurança. Para combater esse problema, a SOL negocia soluções para aparelhar a Guarda Municipal através de convênios e artifícios jurídicos. "Desde o início da atual administração, a corporação voltou a patrulhar praças e conseguiu reduzir ocorrências" -- defende Ricardo. O secretário geral destaca que homens de plantão na praça Constante Rocco, na rua Monte Casseros, reduziram a zero o enorme número de roubos registrados no local, especialmente a cargas de caminhões. Também é solicitada ampliação dos horários de patrulhamento e limpeza pública, com serviços de varrição até as 19h30 e lavagem aos domingos.  

Poluição visual agride quem passa pelo calçadão. Para encontrar soluções urbanísticas, a Prefeitura contratou o arquiteto Cláudio Tozzi, responsável pelo projeto de reurbanização do Centro de São Paulo. Em três ou quatro meses, ele definirá diretrizes básicas para recuperação da região que, ainda este ano, receberá novo piso, tratamento de fachadas, sinalização, paisagismo e novos bancos e jardins. "É preciso resgatar a vocação do calçadão: um grande shopping a céu aberto com lojas para todos os gostos" -- afirma Ricardo, que não descarta a possibilidade de cobertura da rua como forma de revitalização. Outros passos no esforço para devolver os anos dourados à Oliveira Lima são a retirada de ambulantes e reciclagem dos lojistas, já em estudo pelo Senac e Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes. 

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