Política

Instituto DataDaniel aponta
viés de alta para Bolsonaro

  DANIEL LIMA - 09/10/2018

O Instituto DataDaniel de Análise de Pesquisas Eleitorais aponta uma novidade preliminar no segundo turno das eleições presidenciais. Ganhou viés de alta a projeção de oito pontos percentuais pró-Bolsonaro, registrada em primeiro de outubro (com margem de erro de dois pontos percentuais para cima e para baixo) como resultado final do segundo turno.

Isso significa que, quando as primeiras pesquisas eleitorais emergirem na praça, o capitão reformado do Exército deverá estar à frente do petista Fernando Haddad acima da vantagem sugerida. É melhor confiar no Instituto DataDaniel: acertei em cheio o placar final do primeiro turno ao apontar 47% para Jair Bolsonaro, com margem de erro de dois pontos percentuais. 

O Instituto Data Daniel é uma brincadeira séria que decidi criar como marca de incursões analíticas das pesquisas eleitorais. Há muitos e muitos anos tenho paixão e razão para traduzir pesquisas eleitorais que invariavelmente escondem o principal. Tenham a paciência de verificar o acervo desta publicação e constatarão essa verdade. Já desmascarei muita gente, principalmente na região. 

Fabricaram-se na região resultados preliminares extraordinariamente absurdos, cujos objetivos não eram outros senão o que em menor intensidade se verifica também em outras praças: induzir o leitor a acreditar em determinadas premissas a fim de favorecer o concorrente predileto da casa. A influência de pesquisas eleitorais já foi muito maior. Com a capilarização das redes sociais, está-se provando agora, há resistência dos eleitores. E aja resistência, porque os ataques em forma de cientificidade não param. 

Quebrando dominadores 

O ambiente digital está destruindo muitas fortalezas físicas tradicionais, inclusive o jornalismo abusivamente interesseiro. Não seria diferente com os institutos de pesquisas. Aliás, os resultados contraditórios são elementos mais que industrializadores de desconfiança. O eleitorado já se deu conta disso. 

Reparem o quanto Datafolha e Ibope se calaram após os resultados gerais do primeiro turno. Quebraram a cara em forma de desmonte dos números publicados no final de semana. Nem com margem de dois pontos percentuais escaparam do desmanche numérico. Talvez o fracasso também eleitoral, não bastasse presidencial, de Dilma Rousseff em Minas Gerais seja o mais emblemático. Ela liderava as pesquisas e ficou em quarto lugar.  

Os institutos de pesquisas usam a alegação de que indecisos se converteram em ondas surpreendentes no eleitorado nacional. Trata-se da ratificação, da comprovação, de que os responsáveis não captaram uma reação que vinha de longe que de alguma forma foi descartada nas sondagens eleitorais.   

Não preciso recorrer a exemplos que abundam na Internet (e não são fake news como agora virou moda argumentar na tentativa de desclassificar coisas sérias) para dizer com todas as letras que há pesquisas sérias e também há pesquisas, em larga maioria, manipuláveis. 

Para chegar à conclusão em primeiro de outubro de que Jair Bolsonaro ganharia a eleição presidencial no segundo turno com oito pontos de vantagem (56-44) tratei de alimentar meu cérebro com o máximo de informações multilaterais e de multiprotagonistas que ocupam espaços na mídia em geral. Não me fio apenas nos institutos de pesquisas. Faço um balanço cognitivo com base em tudo que ouço e reflito. Daí o Instituto de Análises de Pesquisas Eleitorais. Uma brincadeirazinha séria. Uma percepção isenta que, confesso, deriva de enorme esforço, quase de autocensura. Não escondo que torço pela vitória do PSL na corrida derradeira. 

Sacudidela providencial 

O Brasil precisa passar por uma sacudidela que jogue à escanteio muito do passivo que a classe política tradicional que se aboletou dos poderes impingiu à população desde a redemocratização. 

Avançamos pouco economicamente e também em vetores sociais. Somos um dos últimos na competição internacional quando se colocam os dados à mesa. Nem mesmo durante os anos falsamente dourados (de consumismo desenfreado, não de investimentos) do segundo mandato de Lula da Silva crescemos como os principais rivais internacionais de geoeconomias semelhantes. Ou seja: mesmo quando imaginamos que avançamos bastante, não registramos o mínimo suficiente para seguir no ritmo do ranking internacional. 

O principal elemento do entorpecimento nacional é o viés centro-esquerdista que prevaleceu no período de 30 anos, com PSDB e PT dividindo o prato de oportunismos eleitorais. Particularmente a região demorará muito mais para fugir desse enrosco. O sindicalismo está vinculado ao século passado e até hoje não encontrou contraofensiva que o coloque no devido lugar. 

Os políticos locais, bem como os representantes sociais, fogem de embates que Jair Bolsonaro escancara no campo econômico. Temos uma maioria massacrantemente covarde, sempre de olho em proveitos pessoais ou grupais. Uma maioria que ainda não entendeu que estamos encapsulados economicamente porque há tratamento privilegiado a segmentos da produção industrial.  

Rejeições entorpecedoras 

Uma das matérias mais lidas do mês passado desta revista digital (trata-se de uma contabilidade automática de algoritmos, sobre a qual não tenho a menor influência e nem conhecimento técnico) referia-se à crítica que fiz à insolvência argumentativa dos níveis de rejeição aos candidatos, confissão da própria representante do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari. 

Pois é: apesar da fragilidade metodológica reafirmada por aquela profissional, tanto o Ibope quanto o Datafolha insistiram em divulgar e os cronistas a interpretar o critério de rejeição como barreira ao crescimento do candidato Jair Bolsonaro. Tudo isso influenciou na transferência do eleitorado majoritário a uma vitória que só virá no segundo turno.  Fosse Jair Bolsonaro o demônio que o Ibope e o Datafolha precificaram nos níveis de rejeição anunciados, jamais ele teria avançado tanto rumo à vitória quase consolidada no primeiro turno. 

Aliás, como escrevi ontem, os resultados do primeiro turno colocam a nocaute declarações dos especialistas do Datafolha e do Ibope no sentido de que o segundo turno seria outro jogo, que começaria praticamente em zero a zero. O conceito de zero a zero até vale como premissa no mundo do futebol, no qual um Corinthians quase ameaçado de entrar na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro pode surpreender a todos e vencer o Cruzeiro no mata-mata da Copa do Brasil. 

Já em se tratando de política, e especialmente de votos, a história é outra. Corto o que me resta de cabelo se as primeiras pesquisas, por mais eventualmente manipuladas neste início de segundo turno, não apontarem supremacia elástica de Jair Bolsonaro. O desespero dos dirigentes petistas desde domingo é um indicativo de que a vaca, em circunstâncias normais, já foi para o brejo. 

Domínio da narrativa 

O DataDaniel identificou ontem, primeiro dia pós-primeiro turno, que Jair Bolsonaro deu sinais mais consolidados de que não se distanciará um milímetro do que é o principal elemento de conquista de mais votos.  

Entrevistado pelo Jornal Nacional, deixou claro que não aceitará as regras deliberadas por Fernando Haddad após o encontro em Curitiba com o presidiário Lula da Silva. Bolsonaro sustentará o discurso aquecido e de indignação contra o legado petista, sobretudo na área criminal. 

Ao candidato do PT a conciliação só traria vantagem, arrefecendo inclusive o impulso condenatório do legado que a população, em larga escala, aprova visceralmente. Tanto que os 18 milhões de votos que separaram os dois concorrentes identificam tudo isso e muito mais. 

A guerra do que chamo de “domínio da narrativa” começou a ser vencida por Jair Bolsonaro. O estoque de quase 20 pontos percentuais de vantagem do eleitorado no primeiro turno seria atirado no lixo do desencantamento. Bastaria que, em nome de suposta civilidade, que não passa de trapaça semântica do adversário, o capitão reformado aceitasse um jogo em que colocaria por terra imensa coleção de superioridades temáticas, como destrinchei neste espaço naquele texto de primeiro de outubro.

Fenômeno político 

Ainda vou escrever um texto em que procurarei mostrar as razões que me levaram a dizer ainda outro dia que Jair Bolsonaro é um dos maiores fenômenos da política nacional. Escrevi isso e muito mais antes das eleições de domingo, quando o então inexpressivo PSL contava com apenas um representante na bancada federal e agora, mais de 11 milhões de votos registrados no País, acima inclusive do PT com 10,5 milhões, formou tropa de aço com 50 deputados federais, aos quais se juntarão mais de uma dezena de parlamentares eleitos, mas que estão na corda bomba de partidos colhidos pelas cláusulas de barreira. 

A avalanche de votos é a pedra de toque que vai levar Jair Bolsonaro a multiplicar apoios no segundo turno. A percepção de um Brasil que já cansou de Estado obeso na economia e despreparado no social alavancou exércitos de bolsonaristas. 

Quem não se deu conta de que a população quer ter como representantes quem não faça uso excessivo de vaselinagem discursiva e de ações, como o PSDB de Geraldo Alckmin, foi colhido de calças curtas. João Doria, um tucano mais assanhado, tratou de abraçar, correndo, a onda de centro-direita, da meritocracia, e deverá passar a perna num finalista ao governo do Estado que está preso ao passado do estatismo intervencionista. 

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