Economia

São Caetano lidera ranking de
emprego; Santo André patina

  DANIEL LIMA - 29/08/2018

Pegue os sete municípios da região. Adicione três municípios importantes da Região Metropolitana de São Paulo, exceto a Capital. Complete o trabalho com os três municípios-sede das principais regiões metropolitanas de São Paulo. Temos o G-13, uma fração majoritária do G-22, grupo dos maiores municípios do Estado pesquisado sistematicamente por esta revista digital. 

Agora coloque a evolução e a quebra do estoque do mercado de trabalho com carteira assinada como foco. Pegue os últimos sete meses deste ano. Resultado? São Caetano detém a maior porção de novos trabalhadores contratados, seguido de perto por Barueri e São Bernardo. Santo André é uma grande decepção. Só supera Rio Grande da Serra que, como Ribeirão Pires, só está no agrupamento porque pertence à região. Entram de carona nas estatísticas. Não estariam no G-13 e no G-22 se não estivessem na geografia regional. 

Essa contabilidade desconsidera o saldo absoluto de empregos nos sete primeiros meses deste ano. Considera os números relativos em relação ao estoque anterior. 

Quando mais é menos 

São Bernardo é a terceira colocada no saldo geral de empregos formais com o total de 3.329 trabalhadores enquanto São Caetano é a primeira com 2.607. Como se explica? É que São Caetano tem menor estoque registrado pelo Ministério do Trabalho. Natural, porque reúne população arredondada de 150 mil habitantes, enquanto São Bernardo conta com 800 mil. O estoque de trabalhadores formais em São Caetano é de 106.408 carteiras assinadas, enquanto em São Bernardo são 242.232. Para superar o índice de contratações líquidas de São Caetano e assumir a liderança nesta temporada, São Bernardo precisaria contar com saldo 29% superior ao registrado. 

Tanto São Caetano quanto São Bernardo recuperaram apenas ínfima parte da grandeza do estoque de trabalhadores perdido desde o início da recessão no País por conta a melhoria gradual embora nada fantástica do setor automotivo. A reação da atividade após longas temporadas de decréscimo de produção e vendas se dá de forma menos intensa do que gostariam as montadoras e autopeças, mas emite sinais de consistência.  

O índice de recuperação do emprego industrial é maior em São Bernardo. Enquanto no quesito de recomposição do estoque de emprego geral São Caetano apresenta 2,45% contra 1,38% de São Bernardo, quando se vai ao emprego industrial São Bernardo avança mais, com 1,80% contra 1,17% de São Caetano. Entretanto, quando se observa o mesmo critério levando-se em conta os últimos 12 meses, São Caetano ainda está na frente com 0,35% de recuperação do estoque, contra 0,24% de São Bernardo. Tudo indica que à medida que o calendário gregoriano avançar, São Bernardo ultrapassará São Caetano porque depende em grau superior do setor automotivo – para o bem e para o mal. 

Santo André congelada

Sem indústria automotiva e com o setor de autopeças bastante limitado em representatividade após os estragos a partir dos anos 1990, principalmente, quando as empresas familiares praticamente desapareceram, inclusive em outros setores de manufatura, Santo André patina nos resultados do Ministério do Trabalho. A conclusão vale tanto para os primeiros sete meses deste ano quanto para os últimos 12 meses encerrados em julho. 

Antigo “viveiro industrial”, Santo André só supera a pequena Rio Grande da Serra no ranking dos 13 municípios selecionados. Nesta temporada o saldo geral de empregos confrontado com o estoque de dezembro do ano passado é praticamente zero, porque aponta 0,01% de avanço. No setor industrial sofreu perda de 0,32%. 

A situação de Santo André está melhor quando se consideram os últimos 12 meses: 0,44% de saldo geral e 0,50% de saldo industrial.  Rio Grande da Serra nem deveria ser considerada atenuante ao mau resultado de Santo André porque conta com número pouco expressivo de trabalhadores. São 1.253 em todos os setores, enquanto em Santo André o estoque é integrado por 242.380 carteiras assinadas. Ou seja: Santo André está alinhada com a maioria dos municípios do G-13 que oferecem melhoria nos estoques em relação junho do ano passado. 

Serviços em Barueri

Barueri, vice-líder no ranking de contratações líquidas nos primeiros sete meses deste ano, sempre considerando o estoque, tem registrado no Ministério do Trabalho 302.540 trabalhadores em todos os setores. O saldo geral na temporada de 1,95% é bastante superior ao saldo da indústria de transformação, com apenas 0,21%. 

A explicação é que Barueri conta com moderno setor de serviços, algo que não existe na Província do Grande ABC. 

A atividade de serviços em Barueri garantiu este ano 1.850 contratações de um total geral de 4.644. Em Santo André, para se ter uma ideia da diferença, foram contratados 762 trabalhadores em serviços, de um saldo geral de 14 carteiras assinadas. Santo André tem população praticamente três vezes maior que Barueri, mas sofre as consequências de um setor industrial bastante concentrado e de área de serviços marcantemente do tipo “call center”. 

Das 13 cidades listadas no ranking de estoque de empregos, apenas Rio Grande da Serra contabiliza déficit no balanço desta temporada quando se agregam empregos formais em todos as atividades. São 7,98% de queda. Nada que afete o saldo geral da região. O PIB do Município não passa de 0,2% do PIB Regional. 

Quando o balanço geral de estoque de empregos formais amplia o período para os últimos 12 meses a partir de junho do ano passado, além de Rio Grande da Serra também frequentam o clube dos deficitários Diadema, Ribeirão Pires, São José dos Campos e Osasco. Já quando se filtram os dados e se focaliza exclusivamente o estoque de emprego industrial nos últimos 12 meses, fazem parte dos ainda negativados Mauá, Sorocaba, Guarulhos, São José dos Campos e Rio Grande da Serra.  

Confrontos paulistas 

O saldo médio do emprego em geral com carteira assinada nos sete primeiros meses deste ano no Estado de São Paulo (1,34%) só é inferior aos três primeiros colocados do G-13 – São Caetano (2,45%), Barueri (1,95%) e São Bernardo (1,38%). Já no restrito setor de transformação industrial, o saldo médio paulista de 1,66% só é inferior ao 1,80% de São Bernardo. 

Nos últimos 12 meses, a partir de junho do ano passado, o saldo médio de contratações formais em todos os setores no Estado de São Paulo é de 0,46%, inferior somente aos 2,02% de São Caetano, aos 1,88% de Barueri, ao 1,05% de São Bernardo e ao 1,94% de Mauá. No emprego industrial, o saldo geral do Estado de São Paulo, de negativo 0,24%, só é melhor que o -0,77% de Mauá, o -1,27% de Sorocaba, o -0,70% de Guarulhos, o -1,86% de São José dos Campos e os -12,50% de Rio Grande da Serra. 

Veja o ranking do G-13, considerando-se as seguintes colunas sequenciais a cada Município: evolução percentual do estoque de empregos em geral neste ano; evolução percentual do estoque de emprego industrial neste ano; evolução percentual do estoque de empregos em geral nos últimos 12 meses e evolução do emprego industrial nos últimos 12 meses. 

1. São Caetano – 2,45 e 1,17 – 2,02 e 035 

2. Barueri – 1,95 e (-) 0,21 – 1,88 e 0,25 

3. São Bernardo – 1,38 e 1,80 – 1,05 e 0,24 

4. Mauá – 1,17 e (-) 0,90 – 1,94 e (-) 0,77 

5. Campinas – 1,14 e 1,45 – 0,65 e 0,74 

6. Diadema – 0,92 e 1,04 – (-) 0,21 e 0,03 

7. Sorocaba – 0,76 e (-) 0,63 – 0,49 e (-) 1,27 

8. Guarulhos – 0,63 e (-) 0,01 – 0,91 e (-) 0,70 

9. Ribeirão Pires – 0,27 e 4,00 – (-) 1,89 e 0,21 

10. São José dos Campos – 016 e 1,91 – (-) 0,43 e (-) 1,86

11. Osasco – 0,12 e 2,99 – (-) 2,20 e 0,76

12. Santo André – 0,01 e (-) 0,32 – 0,44 e 0,50

13. Rio Grande – (-) 7,98 e (-) 16,55 – (-) 12,23 e (-)12, 50

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