Economia

PT entrega PIB Industrial
da região abaixo de FHC

  DANIEL LIMA - 17/07/2018

O PIB dos Municípios Brasileiros de 2016 vai ser divulgado oficialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) somente no fim do ano, mas já se tem o resultado dos 13 anos de poder do Partido dos Trabalhadores quando se trata do PIB da Indústria da região, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2015. Em 2016, Michel Temer já tomava conta do poder federal, após assumir em maio do ano anterior por conta de derrapadas fiscais da presidente Dilma Rousseff ou, segundo versão petista, do golpe do impeachment. 

No geral, a indústria de transformação da região perdeu 7,64% em comparação ao último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. São Bernardo perdeu: 15,41%. É a Doença Holandesa Automotiva a maltratar a economia do Município em combinação com um sindicalismo de resultados exclusivamente corporativos. Montadoras e metalúrgicos são algo como a fome inclusive com benesses federais com a vontade de comer de privilégios trabalhistas que as demais atividades da região não alcançam – até porque não teriam como repassar aos preços dos produtos.

Superando tucano 

O resultado geral da região no PIB Industrial e particularmente de São Bernardo é catastrófico. Os oito anos do tucano Fernando Henrique Cardoso à frente do País significaram, particularmente para a região, uma das razões históricas da derrocada da economia regional. As outras foram o sindicalismo (e continua a ser, notadamente em São Bernardo) e a descentralização industrial incentivada pelo governo do Estado em apoio à guerra fiscal. Neste século, o trecho sul do Rodoanel Mario Covas se converteu em algoz da economia regional. 

Tudo era imaginável quando Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência da República para o petista Lula da Silva, menos que a região registrasse novas perdas de produção de riqueza no setor industrial. Vivia-se o que se imaginava o fundo do poço industrial. Nos oito anos de FHC a região perdeu um terço da produção industrial e arredondados 80 mil empregos formais. 

O pior de tudo é que, quando saltarem os dados da indústria de transformação no PIB dos Municípios em 2016, a região contabilizará mais perdas. A queda de 7,64% deverá ultrapassar os dois dígitos, porque o setor automotivo voltou a rebaixar a produção em relação ao ano anterior. E a economia nacional encolheu 3,8%. 

Explicando os números 

Para que ao final de 2015 (dados mais atualizados do IBGE) o PIB Industrial da região não registrasse valores monetários atualizados abaixo do último ano de Fernando Henrique Cardoso, seria necessário que chegasse a R$ 28.143.009 bilhões --- que vem a ser os nominais R$ 12.776.017 bilhões de 2002 acrescidos da inflação de 120,28% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE. Mas o resultado final daquela temporada chegou a R$ 25.993.400 bilhões. Daí a queda de 7,64%. 

Três dos sete municípios da região apresentaram perda do PIB Industrial no período de 13 anos petistas. São justamente os municípios mais poderosos. Quem mais sofreu não foi São Bernardo. A também automotiva São Caetano perdeu 39,32% na atividade que mais gera riqueza. Em 2002 o PIB Industrial de São Caetano era de R$ 2.303.332 bilhões. Deveria, com a correção monetária, chegar a R$ 4.621.593 bilhões em 2015, mas não passou de R$ 2.804.134 bilhões. 

Mas são os 15,41% perdidos por São Bernardo durante o governo Lula-Dilma que mais preocupam. Afinal, São Bernardo é três vezes maior que São Caetano na atividade industrial. Os R$ 5.089.675 registrados em 2002 deveriam ser R$ 11.211.536 ao final de 2015, mas não passaram de 9.483.045 bilhões. O PIB Industrial de São Bernardo representava 39,83% na composição regional em 2002, e caiu para 36,48% em 2015.

Além de São Bernardo e de São Caetano, também Santo André perdeu força no PIB Industrial no período analisado. O caso de Santo André é diferente: após três décadas seguidas de quedas, houve estabilidade na geração de riqueza industrial e durante os 13 anos petistas o Município perdeu apenas 1,54%. Santo André representa 19,22% do PIB Industrial da região. 

Já Ribeirão Pires, Diadema, Mauá e Rio Grande da Serra, apresentaram resultados positivos no período pesquisado. Ribeirão Pires cresceu 31,00%, Mauá 21,62%, Diadema 8,58% e Rio Grande da Serra 43,52%. Esses quatro municípios, entretanto, têm peso relativo baixo na contabilidade geral do PIB Industrial na região: em 2002 representavam 25,71% e em 2015 passaram a 27,83%.  

Vizinhança só cresce 

A perda de vitalidade do PIB Industrial da região no período petista contrasta com a evolução de Osasco, Barueri e Guarulhos no setor. Ou seja: a crise de produção está mesmo localizada e sacramentada na região de tantos problemas históricos e, nos últimos anos, de uma logística em franca desvantagem por causa do traçado do Rodoanel. 

Osasco é muito mais forte na área de serviços, mas mesmo assim avançou 20,51% no setor industrial. Guarulhos, fortemente industrializada, cresceu 22,85% nos 13 anos. E Barueri, cujo carro-chefe é o setor de serviços, avançou no setor industrial 3,47%. Juntos, os três municípios reduziram a distância no setor em relação à região: em 2002 a indústria de transformação dos sete municípios da região era 47,52% superior à soma de Osasco, Barueri e Guarulhos. Já em 2015 a diferença caiu para 30,87%. Uma queda superior a um ponto percentual ao ano. Ou de 35% no período. 

Empregos desabam

Foram para o ralo do desemprego em 2015, último ano de governo de Dilma Rousseff, 42.771 trabalhadores na região, dos quais 24.495 (57,27%) do setor industrial. Com isso, o estoque de empregados no setor industrial ao final da temporada caiu para 214.227 carteiras assinadas. Na temporada seguinte, 2016, do PIB que será anunciado no fim do ano, mais demissões foram confirmadas. A quebra do emprego industrial formal em 2015 se somou aos 19.828 trabalhadores do setor desligados em 2014. Um total líquido, porque representou a diferença entre contratações e demissões no período. 

Na média, o setor industrial da região perdeu em 2015 o total de 2.041 empregos a cada 30 dias. São Bernardo liderou a perda na temporada, com 8.952 trabalhadores demitidos. Diadema esteve próxima a isso, com 7.098 postos de trabalho dizimados. Em termos relativos, Diadema perdeu 13,17% do estoque de emprego industrial, enquanto São Bernardo viu desaparecerem 8,80%. No conjunto dos sete municípios da região, a variação negativa do emprego industrial em 2015 chegou a 10,26%, bem acima da média nacional, de 7,41%, da Região Metropolitana de São Paulo (8,54%), do Estado de São Paulo (8,25%) e da cidade de São Paulo (7,74). 

Leia mais matérias desta seção: