Imprensa

Quem vai merecer aprovação
na lista de 60 anos do Diário?

  DANIEL LIMA - 12/03/2018

O Diário do Grande ABC anunciou na edição de ontem que vai começar a revelar hoje e seguirá a publicar nos 59 dias subsequentes uma lista de 60 destaques individuais da região. Tudo para combinar com os 60 anos de circulação da publicação mais tradicional desta Província. É por isso que o ombudsman não autorizado está de volta. Quem da lista do Diário do Grande ABC vai merecer aprovação?  Tomara que sejam muitos porque, em contraposição à carência de coletivismo produtivo, esta Província ainda tem boas reservas de individualidades à procura de enredo regional. 

Vou explicar como pretendo chegar ao objetivo exposto tendo em vista que conto com duas prerrogativas intrínsecas à empreitada: gozo de liberdade de expressão e de liberdade física que alguns pretendem cassar e carrego experiência prática de comandar durante 15 anos a maior premiação regional do País, o Prêmio Desempenho. 

Não vou fazer maiores considerações sobre o projeto do Diário do Grande ABC. Sobremodo porque o texto explicativo deixa muitos vácuos. Que conceito central será utilizado para justificar as escolhas do jornal quando se refere àqueles que mais trabalham pela região? Aliás, é nesse ponto que carrego um grande ponto de interrogação. Os escolhidos trabalham pela região ou trabalham na região? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mais que isso: trabalham em que sentido? Nada melhor que aguardar, claro. 

Tenho cá comigo muita desconfiança. Os leitores vão entender as razões nos textos que produzirei ao longo das apurações e justificativas. 

Não aos colaboradores 

Segundo o jornal, profissionais ligados àquela empresa serão escalados à composição do time dos 60. Acho uma aberração. Nos 15 anos de Prêmio Desempenho jamais possibilitamos a qualquer profissional de imprensa que sequer concorresse aos troféus, cujo colégio eleitoral era formado por representantes da sociedade. Chegamos a contar com 250 conselheiros. Havia quem entendesse que era muita gente. Pouco mais de 200 eram quase nada perto dos mais de oito mil que definem os principais títulos do Oscar.

Entre os muitos jornalistas e dirigentes de empresas de comunicação da região o único a receber o Prêmio Desempenho foi Fausto Polesi, durante muitos anos comandante editorial do Diário do Grande ABC. Mas Fausto Polesi só concorreu (sim, ele concorreu com vários nomes sugeridos pelo Conselho Editorial) após deixar a Redação e o quadro de acionistas do jornal. Virou um dos Imortais do Grande ABC. 

A cada semana vou incorporar o ombudsman não autorizado que mora em meu peito para produzir escrutínios críticos da relação divulgada pelo jornal. Pelo que se depreendeu da notícia de ontem, a cada dia o jornal publicará o perfil de um dos eleitos. Ainda não decidi o dia específico da abordagem. Só sei que deverá contemplara leva anunciada na semana anterior. 

Enfermidade anual 

Não concordamos com a inclusão de profissionais do próprio jornal na lista de destaques de 60 anos da mesma forma que eventual introdução de chefes de Executivo repercutiria muito mal. O Prêmio Desempenho também não abria espaço a esse tipo de possibilidade. A credibilidade do evento poderia ser colocada em risco. A história da premiação não teria registrado grau de integridade e idoneidade jamais visto. 

Aliás, além de auditoria externa no exame das planilhas, os conselheiros se vigiavam ao receberem individualmente as planilhas de notas que, codificadas, impedia a quebra de sigilo. Um dia explico em detalhes essa operação de vigilância múltipla. 

O Diário do Grande ABC sofre de “Síndrome de Aniversário”. Geralmente a cada ano o jornal incrementa marketing direcionado a explorar a cronologia especial em relação primeiro número de circulação, em 11 de maio. 

Em 2015 coincidiu deste jornalista retornar ao jornal nesse período do ano. Publicou-se projeto arrojado de independência da publicação que, a partir de então, não teria mais condescendência com os improdutivos regionais, tanto individuais quanto institucionais.  

Tudo não passou de ilusão que compartilhei precariamente com o então diretor de Redação Sérgio Vieira. Afastei-me do cargo de consultor especial seis meses depois. Fiz questão de registrar desencanto em comunicado eletrônico a Sérgio Vieira e a dois diretores que igualmente empenharam esforço ao me contratarem, no caso Ronan Maria Pinto e Elaine Mateus. Passei bons momentos no Diário do Grande ABC. Mas não há bem-estar que pague a frustração de sentir que o rascunhado jamais seria desenhado.  

Apenas bom senso 

Espero que os 60 do Diário ultrapassem em larga escala as barreiras de desconfiança. Não é nada difícil escolher 60 nomes como símbolos de um Grande ABC de verdade, não da Província do Grande ABC em que se transformou. Para tanto, entretanto, é indispensável organizar um arrazoado teórico que filtraria os candidatos que iriam a escrutínio do bom senso, filho dileto do conhecimento e da seriedade nas escolhas.

Torço para que o Diário do Grande ABC a partir de amanhã, quando anunciará o primeiro dos 60, comece a se livrar para valer de embustes que ocupam persistentemente o noticiário regional. 

Há mais de 20 anos, precisamente em 1994, criamos o Prêmio Desempenho. De “Empresarial” gerou filhotes robustos nas áreas Social, Esportiva e Cultural, além de categorias individuais que consolidaram os chamados “Imortais do Grande ABC” naqueles setores, além de “Nossas Madres Terezas” e “Freis Galvão”.

Tenho, portanto, experiência de sobra no assunto. Foram 1.817 troféus entregues no período. Somamos mais de 50 mil convidados em diferentes locais de entregas de gala. Jamais escondemos o pulo do gato estratégico: os conselheiros, representantes da sociedade, decidiram tudo, seguindo cartilha de responsabilidade social. 

Foram momentos inesquecíveis. Virei o maior festeiro da região. Um absurdo, convenhamos: jamais fui de frequentar eventos, exceto os diretamente relacionados à Editora Livre Mercado. Mas isso é outra história.

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