Esportes

Santo André ainda espera por
milagre; São Caetano festeja

  DANIEL LIMA - 09/03/2018

Agora só faltam oito jogos da última rodada da fase classificatória da Série A do Campeonato Paulista. E o futebol da região vive momentos distintos. O São Caetano que flertou o tempo todo com o rebaixamento está garantido nas quartas de final diante provavelmente do São Paulo, além de garantir uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem. Já o Santo André, que no começo da disputa parecia correr em direção à classificação, espera por milagre para não ser rebaixado. Uma combinação de resultados improváveis, mas matematicamente possíveis, poderia levar o Santo André a festejar a sobrevivência como título. 

O São Caetano empatou de zero a zero no Estádio Anacleto Campanella com o Botafogo de Ribeirão Preto e precisou esperar quase três horas para comemorar a classificação e o reingresso no circuito nacional. O empate também de zero a zero em Campinas entre Red Bull e Ponte Preta salvou o São Caetano de possíveis complicações no jogo com o Bragantino neste domingo no Interior. Agora o confronto não passa de amistoso, embora siga decisivo para o mandante na luta por classificação.

O Santo André que perdera na quarta-feira para o Linense no Interior voltou a ser derrotado ontem à tarde mesmo sem entrar em campo: a Ferroviária empatou de zero a zero com o Bragantino em Araraquara. Derrota da Ferroviária colocaria mais uma equipe na lista de rebaixáveis, além de Santo André e Ponte Preta. No caso do Santo André, há fundas desvantagens. Mirassol e Linense fazem um confronto em que já está decretado um dos rebaixados. O Linense só escapa – e rebaixa o Mirassol -- se vencer fora de casa. 

Combinação improvável  

O time de Sérgio Soares joga neste domingo no Estádio Bruno Daniel com um Novorizontino que também busca classificação às quartas de final. Mas mesmo uma vitória não resolverá o drama em que se meteu. Lanterninha com oito pontos ganhos, iria a 11 e somaria duas vitórias (primeiro critério de desempate) na competição. O saldo negativo de seis gols (segundo critério de desempate) é muito elevado.

É preciso, portanto, vencer o Novorizontino e contar com derrota da Ponte Preta em Campinas diante da Ferroviária. A Ponte Preta é a única salvação do Santo André. A equipe de Campinas tem 11 pontos ganhos, duas vitórias e saldo negativo de dois gols. Portanto, quatro gols separam o Santo André da Ponte Preta. 

A distância precisa desaparecer na combinação de possível vitória do Santo André e de possível derrota da Ponte Preta. Se o Santo André vencer por discreta vantagem de um gol e a Ponte Preta perder por três gols, o time de Sérgio Soares estaria livre do rebaixamento pelo terceiro critério de desempate – melhor ataque. Marcou nove contra seis da Ponte Preta.

Subindo e descendo 

A degringolada do Santo André e a arremetida do São Caetano na reta de chegada do Campeonato Paulista têm muitas explicações. 

No São Caetano o que pesou para valer foi a troca de treinador. A equipe jogava estupidamente abaixo do potencial individual porque o coletivo não alcançara o nível exigido na competição. Bastou Pintado chegar e arrumar o conjunto para que as individualidades aparecessem. Mas o que influiu mesmo foi o coletivismo. Ontem, diante do Botafogo, o São Caetano fez a melhor apresentação no campeonato. Poderia ter vencido um adversário forte que também deve disputar as quartas de final.  

Com o Santo André a queda de desempenho tem explicação antagônica à do São Caetano: enquanto o conjunto se sobrepunha às intempéries dos adversários, tudo indicava que não haveria risco de rebaixamento. Mas bastou a equipe chegar ao limite coletivo possível para que as individualidades não respondessem às necessidades impostas pelos concorrentes. Daí a experimentos foi um passo. 

A patética derrota diante da Ferroviária expôs um Santo André desequilibrado em todos os aspectos. Jogar com quatro zagueiros na linha de defesa, abrindo mão de laterais, foi um gesto de desespero do técnico Sérgio Soares. O time desandou na tentativa de encontrar uma fórmula mágica. 

Campeonato Paulista é uma competição de tiro curto e exige nervos de aço. Sobretudo na luta contra o rebaixamento. Não é exagero afirmar que é uma competição de cartas marcadas por conta do calendário nacional. Quem não faz parte do circuito brasileiro de futebol e só joga para valer mesmo durante três meses mantém contrato fixo com o terror.

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