Economia

Desindustrialização leva região
a perder riqueza sobre rodas

  DANIEL LIMA - 23/02/2018

A desindustrialização da Província do Grande ABC é uma enfermidade que se manifesta incontrolável de várias maneiras. A fragilidade regional ainda não encontrou antídoto em forma de organização institucional voltada para o Desenvolvimento Econômico. Temos mostrado quase à exaustão ao longo dos anos o que as autoridades e a mídia de maneira geral escondem, como se fosse possível passar em branco um elefante em praça pública. 

Agora detectamos mais um ponto de vulnerabilidade decorrente da hecatombe econômica que começou para valer no início dos anos 1990, embora a origem tenha sido mesmo que de forma menos ostensiva o movimento sindical liderado por Lula da Silva no final dos anos 1970. 

O que decidimos chamar de riqueza sobre rodas da região, medida pelo volume dos valores arrecadados com o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) é alarmante. Comparamos o G-7, no caso a região, com o G-3M, grupo formado por Osasco, Barueri e Guarulhos, nossos vizinhos na Região Metropolitana de São Paulo, e também com o G-3 do Interior, integrado por Campinas, São José dos Campos e Sorocaba. O resultado desse G-13 é acachapante para a região. Perdemos de lavada e comprometemos vantagem enorme construída antes da debandada industrial.  

Enfraquecimento notório 

A base dessa operação que não deixa dúvidas sobre o enfraquecimento regional observado, constatado e analisado em tantos outros indicadores econômicos, são os números oficiais registrados em 1995, primeiro ano completo pós-lançamento do Plano Real, e a ponta representada por 2017. Ou seja: a comparação envolve dois extremos. 

No embate com os três municípios da Grande São Paulo beneficiados direta e indiretamente neste século com a chegada do trecho oeste do Rodoanel, o resultado é que a arrecadação do IPVA é 67% favorável aos concorrentes. Quando o confronto é com os três municípios que sediam as regiões metropolitanas de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, a vantagem dos adversários é de 25,39%. 

A tradução dessas equações é elementar: o volume do IPVA na Província do Grande ABC nos últimos 22 anos foi duramente inferior àquelas áreas.  A riqueza sobre rodas da região nesse período tornou-se muito mais modesta que a de seis dos principais municípios paulistas. Com essas mudanças, as três cidades do Interior que constam da pesquisa apresentam média superior a da região na arrecadação por habitante, enquanto a soma de Guarulhos, Osasco e Barueri chega mais perto da média regional. 

Mais investimentos privados 

Tradução dessas mudanças: a massa de recursos financeiros despendidos à aquisição e manutenção de veículos automotores na região corre em velocidade bastante inferior àquelas duas áreas geoeconômicas, para as quais convergiram maiores nacos de investimentos privados nas duas últimas décadas. 

Nessa espécie de G-13 (sete municípios da região, três do outro lado da Grande São Paulo e três do Interior), o volume arrecadado de IPVA em 1995 pela região representava 46,03% do total. O G-13 gerou R$ 88.242.553 milhões de IPVA em 1995. Na outra ponta, em 2017, o valor total do G-13 chegou a R$ 1.386.189.623 bilhão. Um crescimento nominal de 1.470,88%. A participação relativa da região caiu de 46,03% para 34,11%. Perda de 15 pontos percentuais, ou 26%. A região teve crescimento médio no período de 1.054,00%, contra 1.472,70% da soma de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos e 3.203,43% do conjunto formado por Barueri, Guarulhos e Osasco. Perdemos de goleada, portanto, para os vizinhos metropolitanos e por um placar menos contundente dos interioranos. 

O total de arrecadação do IPVA dos sete municípios da região em 1995 registrou R$ 40.979.556 milhões. Já na ponta da pesquisa, em 2017, alcançou R$ 472.907.977 milhões. Campinas, Sorocaba e São José dos Campos saíram de R$ 36.187.850 milhões em 1995 para R$ 574.414.806 milhões em 2017. Barueri, Osasco e Guarulhos deram um salto muito maior: de R$ 11.075.347 milhões em 1995 para R$ 365.866.840 milhões. 

Consumismo lulista 

Na região, Diadema e Mauá registraram os maiores aumentos relativos de riqueza sobre rodas, num movimento sincronizado com o consumismo dos anos falsamente dourados do governo de Lula da Silva na presidência da República. Diadema cresceu nominalmente 3.598,50% e Mauá 3.927,00%. Santo André, São Bernardo e São Caetano, naturalmente mais sedimentados economicamente, avançaram bem menos: respectivamente 1.107,38%, 991,01% e 635,82%. Ribeirão Pires também avançou significativamente, com 2.543,82% de aumento de arrecadação, enquanto Rio Grande da Serra registrou 1.299,96%. 

Esses resultados, entretanto, não interferiram intensamente no ranking de riqueza sobre rodas da região, medido pela divisão do valor total do repasse do imposto aos municípios pelo governo do Estado (50% para cada lado) pelas respectivas populações. São Caetano lidera com a média de R$ 349,01 por habitante. O resultado é mais que três vezes superior aos R$ 106,57 de Diadema, aos R$ 95,86 de Mauá e quase cinco vezes aos R$ 71,00 de Rio Grande da Serra, endereço mais pobre da região. São Bernardo ocupa o segundo lugar no ranking regional de riqueza sobre rodas com média por habitante com R$ 211,60. Santo André fica em terceiro lugar com R$ 188,58.

Quem na Grande São Paulo ameaça a liderança de São Caetano no ranking de arrecadação do IPVA por habitante (e mesmo assim bastante distante) é Barueri. A média local é de R$ 262,07. Guarulhos registrou R$ 134,96 na temporada passada, enquanto Osasco chegou a R$ 162,90. A média por habitante do G-3 Metropolitano em 2017 é de R$ 158,01. Um pouco abaixo dos R$ 171,76 da média por habitante dos sete municípios da região. 

Já o chamado G-3 do Interior conta com a maior média de arrecadação per capita do IPVA no G-13, superando, portanto, da Província. São R$ 215,04 arrecadados por habitante no ano passado. Campinas lidera o agrupamento interiorano e só fica atrás de São Caetano entre os 13 participantes do estudo. São R$ 237,34 por habitante, contra R$ 211,20 de Sorocaba e R$ 181,14 de São José dos Campos. 

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