Sociedade

“Lista de Emkes” é exemplo
que região jamais esquecerá

  DANIEL LIMA - 21/02/2018

Foi no final de 2000 quando o norte-americano Mark Emkes deixou o comando da Bridgestone Firestone em Santo André. Alçou voos ainda maiores. Fosse Santo André dotada de memória formal, Mark Emkes há muito teria sido homenageado. Seu nome deveria marcar alguma obra de forte apelo econômico e social. O título de cidadania é pouco. Ele o recebeu de um Legislativo na maioria formado por petistas, então alardeadamente avessos ao capitalismo. 

Por mais que fizessem com nova indicação, os vereadores fariam pouco. Mark Emkes foi o maior executivo estrangeiro da iniciativa privada que Santo André e a região já conheceram. Qualquer outro nome lembrado por merecimento não lhe chegará aos pés. Ele salvou a fábrica da Bridgestone/Firestone em Santo André. 

Ter saudade de Mark Emkes é expressar reconhecimento. Eu o conheci bem de perto graças ao então também executivo da BF, José Batista Gusmão, espécie de abre-alas do executivo. Foi por sugestão de Gusmão que produzi uma matéria de sensibilidade à flor da pele. É inesquecível a Reportagem de Capa “A lista de Emkes”, publicada em janeiro de 1999. O título de capa da publicação fazia referência explícita a um filme que estourou em 1993 nas bilheterias do mundo inteiro, (“A Lista de Schindler”) – indicado a 12 categorias do Oscar – ganhou sete.  

Comprometido com os recursos humanos, Mark Emkes salvou a fábrica da multinacional em Santo André.  Possivelmente a empresa teria sido substancialmente reduzida sem a intervenção de Emkes. Como, aliás, a maioria das multinacionais da região. Ao opor-se à miniaturização da fábrica, Emkes ganhou o coração e o empenho dos trabalhadores. 

Mark Emkes aposentou-se como CEO da Bridgestone Américas (Norte, América Central e do Sul) em fevereiro de 2010. A empresa atingiu naquele ano, com 50 mil colaboradores, U$ 12 bilhões de vendas. Mais tarde, a convite, tornou-se Comissário de Finanças e Administração para o Estado de Tannessee. Comandou um orçamento de US$ 33 bilhões. Permaneceu dois anos e quatro meses no cargo. Em 2012 foi conduzido ao Nashville Business Hall of Fame. Também atua no conselho de administração de quatro empresas de capital aberto. Virou membro do Executive Board of the Middle Tennessee Council of the Boy Scouts of America. Atua como presidente do Comitê de Remuneração.   

Reproduzo na sequência a Reportagem de Capa com Mark Emkes. É uma leitura obrigatória para quem busca referência de compromisso com o amanhã numa região que não dá conta do hoje. Nem é preciso seguir integralmente a lição de Mark Emkes. Estaremos felizes e satisfeitos se apenas alguma parcela do legado que arrebata a alma venha a ser praticada. Leiam vários trechos da Reportagem de Capa que, na página interna, ganhou o título de “Esses homem salvou três mil empregos em Santo André”.

Versão cinematográfica 

 A guerra fiscal produziu no Grande ABC uma versão econômica da racial Lista de Schindler da Segunda Guerra Mundial. Presidente e diretor-geral da Bridgestone Firestone do Brasil, o norte-americano Mark Emkes recebeu no ano passado até homenagem do belicoso Sindicato dos Borracheiros, algo absolutamente inédito na história das relações sempre tormentosas entre capital e trabalho no Grande ABC. Da lista de Emkes constam três mil empregos diretos dessa multinacional de capital japonês. São os funcionários da fábrica de Santo André, que contribuem para equilibrar a apertada disputa do mercado nacional da Bridgestone Firestone com outros dois pesos pesados mundiais, a italiana Pirelli e a norte-americana Goodyear.

Rumo ao Sul do País 

 Se tivesse cedido à tentação de participar da guerra fiscal, a empresa já teria colocado um dos pés no Rio Grande do Sul, onde as concorrentes estão se expandindo. A decisão provocaria gradual refluxo de investimentos em São Paulo e sacramentaria irreversível processo de evasão industrial, rotina que outras grandes e médias empresas promoveram ao longo das duas últimas décadas na região. A diferença entre a Lista de Schindler com a qual Steven Spielberg arrematou recorde de estatuetas do Oscar e a lista de Emkes de que só agora o Grande ABC toma conhecimento está no próprio símbolo da operação de salvamento. Enquanto o industrial alemão Oskar Schindler transformou dispendiosa fábrica de utensílios domésticos em reduto humanitário de judeus para impedir que o nazismo fizesse outros milhares de vítimas, o executivo norte-americano está reestruturando uma fábrica inteira para lhe dar a única arma racionalmente capaz de competir no mercado globalizado e assegurar empregos — produtividade, muita produtividade.

Competitividade internacional 

 O desafio de assegurar a capacidade de competição internacional à fábrica da Bridgestone Firestone em Santo André é responsabilidade que Mark Emkes chamou para si com a certeza de que sairá vitorioso, mas ele sabe que a tarefa não depende apenas da direção da companhia. Divide-a com os funcionários e também com a rede de 500 revendedores, que garantem 50% dos US$ 500 milhões faturados no ano que acabou de se encerrar. (...) A opção preferencial e única por Santo André não decorre de qualquer gesto de paternalismo desse executivo que comanda a unidade desde julho de 1997, quando deixou a presidência da companhia no México. Seus argumentos tiveram ressonância junto ao sindicato dos trabalhadores. Sem a colaboração do sindicato, a Bridgestone Firestone teria tomado outros rumos. “Arrumaria as malas se o sindicato não quisesse colaborar” — garante Emkes.

Questão de pragmatismo 

 E olha que para tomar outros rumos não é preciso mais que um impulso de pragmatismo, que os resultados dos balanços costumam pressionar. Num mercado onde cada ponto percentual de participação nas vendas significa milhões de dólares, é preciso reunir muita sensibilidade social e confiança nas inter-relações entre capital e trabalho para não se deixar seduzir pela guerra fiscal. A diferença entre a média salarial dos funcionários da Bridgestone Firestone de Santo André e de seus concorrentes favorecidos por incentivos fiscais no Rio Grande do Sul — que começarão a produzir juntamente com as novas montadoras de veículos — chegará a 50%. (...) Em tempos de estabilidade monetária, não resta saída senão rebaixar os custos de produção com metodologia, novos processos e equipamentos, organização, empenho, reciclagem profissional, planejamento estratégico, engenharia de vendas e outras alternativas. É isso que a Bridgestone Firestone de Mark Emkes está realizando.

Homenagem dos borracheiros 

 A homenagem prestada pelo Sindicato dos Borracheiros ao executivo é apenas um retalho do imenso tecido cooperativista que tem envolvido empresa e trabalhadores. A própria circunstância em que se deu a inusitada premiação retrata a proximidade entre um capital pressionado por competitividade e um trabalho inquieto com o quadro de desemprego. O encontro de negócios deveria reunir apenas executivos da Bridgestone Firestone e representantes da rede de centros automotivos na paradisíaca Ilha de Comandatuba, na Bahia. Para surpresa dos lojistas, eles dividiram a atenção da empresa com um grupo de sindicalistas especialmente convidados. Mark Emkes trouxe mais que boas lembranças da Bahia. No amplo gabinete da fábrica da Avenida Queirós dos Santos ele aponta para dois troféus — um entregue pelos revendedores e outro pelos sindicalistas — que simbolizam as marcas mais profundas de seus 18 meses de gestão à frente da Bridgestone Firestone. 

Popularidade com funcionários 

 A popularidade de Mark Emkes entre os funcionários facilita as negociações sindicais. “Temos diferenças com o sindicato, mas nada que não seja contornável” — explica. (...) Tanto que — mais uma vez algo inédito na história sindical da região — até cafezinho o executivo da Bridgestone Firestone tomou no sindicato, convidado que fora para conhecer a sede dos trabalhadores. Na realidade, o convite para conhecer o sindicato foi um gesto de respeito e de reciprocidade do qual Mark Emkes se fazia merecedor. Ou não é digno de encontros mais amenos, mais descontraídos, mais amistosos, um executivo que tem a sensibilidade de, mês sim, mês sim, receber em seu gabinete um grupo de trabalhadores sorteados no chão de fábrica para falar pessoalmente com o presidente da companhia sobre tudo que quiserem, inclusive de trabalho? E sempre acompanhados por pelo menos um dos integrantes do comitê de fábrica, ligado oficialmente ao sindicato.

Visitas surpresas 

 Mark Emkes não prescinde de visitas surpresas às linhas de produção, mas são esses encontros mensais com trabalhadores que alimentam sua preocupação em saber com quem está dividindo a responsabilidade de alcançar as metas planejadas. Essas reuniões são tão informais, tão descontraídas, que até fotos do grupo são distribuídas pelo presidente da companhia. Cada participante ganha uma cópia, que passa a constar do álbum de família. Em todas as poses Mark Emkes tem sempre sorriso nos lábios. 

Subindo degraus 

 (...) O executivo lembra que 60% dos trabalhadores já demonstraram empenho e dedicação às novas atribuições que lhes são exigidas. Espera, confiante, que o índice suba a 90%. Quem não se enquadrar, certamente não terá as mordomias oferecidas por esse Schindler do Grande ABC porque, nesse caso, em vez de poupar almas, estaria sacrificando trabalhadores dedicados com a perda de competitividade.

Saída pela produtividade 

 (...) A fórmula compensatória de Mark Emkes para os custos adicionais de produção da fábrica de Santo André em relação à concorrência, e que fortalece sua filosofia de responsabilidade social, é reproduzida pelo próprio executivo: “Se um trabalhador chega em casa e diz para a mulher que seu salário vai ser cortado em 30%, certamente ela vai cortar a cabeça dele. Então a única saída é trabalhar mais, é aumentar a produtividade para compensar esse desequilíbrio” — metaforiza. É esse o discurso simples e direto que tem transmitido aos trabalhadores e representantes sindicais. É justamente essa meta de produtividade — 30% de ganhos entre 1998 e 2001 — que se torna o desafio de eficiência na empresa. (...) Mark Emkes é originariamente um profissional de vendas com sensibilidade para lidar com pessoas. Sejam funcionários administrativos e operacionais, sejam empreendedores das revendas autorizadas. Nada escapa a observações. É extremamente prático.

Secretária mata a charada 

 O recrutamento da própria secretária, uma nissei trilíngue, foi decidido numa simples apresentação do organograma da empresa. A outra moça que esperava pela entrevista nem foi ouvida depois que a primeira pretendente ao cargo não teve dúvidas em apontar o quadradinho que simbolizava os clientes como foco mais importante para a visão estratégica da companhia. Inclusive acima do espaço reservado ao próprio presidente.

De portas abertas 

 (...) É por dar ouvidos a todo tipo de ideia que Mark Emkes garante que a porta de seu gabinete está aberta para todos. Recebe pessoalmente os revendedores, além de sistematicamente visitá-los em incursões que lembram suas aparições no chão de fábrica. Quer ouvir queixas, propostas, projetos. Fortalecê-los em suas respectivas regiões comerciais, eliminando o atravessador, foi uma das iniciativas após essas entrevistas. Emkes parte do princípio acaciano de que a Bridgestone Firestone só será mais forte no mercado de reposição se os responsáveis pela comercialização dos produtos praticarem preços competitivos, se derem atendimento diferenciado, se tratarem cada vez melhor as mulheres que invadiram redutos antes só frequentados por marmanjos, como os centros automotivos.

Experiência diferente 

 (...) A experiência que Mark Emkes vive num Brasil sem inflação e de moeda estável nada tem de parecida com a rápida passagem pela mesma fábrica entre 1989 e 1990, logo depois de a japonesa Bridgestone incorporar a norte-americana Firestone por US$ 2,6 bilhões. Emkes atuou como diretor de vendas, mas aquele foi um período do qual prefere não falar. Trocou o Brasil pelo cargo de presidente da Bridgestone Firestone do México, até que em julho de 1997 foi requisitado a comandar a fábrica de Santo André. (...) “Antes, com a crise inflacionária, quem se dava melhor era o mais esperto. Muita gente fez dinheiro com os olhos fechados. Não era tão difícil obter lucro. Os níveis de estoques eram estratégicos para render faturamento. Hoje é bem mais difícil. É indispensável saber quanto custa, por quanto pode ser vendido. Tornou-se mais fácil conhecer os custos, mas muito mais difícil rebaixá-los. Quem não tem custos competitivos se complica” — ensina.

Revigoramento da fábrica 

 (...) O que poderia representar o fim da Firestone em Santo André, uma fábrica caminhando para o obsoletismo tecnológico, traduziu-se em revigoramento com a chegada da Bridgestone e a gestão de Mark Emkes. Investimentos de US$ 30 milhões iniciaram o processo de modernização da linha de produção da Firestone e permitiram o lançamento da primeira unidade produtiva da Bridgestone, de pneus de passeio. 

Motorista define time 

 Chefe de família multinacional, na qual sua nacionalidade norte-americana de Illinois se mistura à espanhola da mulher e às mexicana e brasileira do casal de filhos, Mark Emkes dá prova definitiva de que se sente tão bem por aqui que não lhe resta outra saída senão tornar a Bridgestone Firestone cada vez mais competitiva. Ele decidiu, ao desembarcar em Cumbica, que torceria para valer pelo time do motorista que o conduziria ao hotel. Não deu outra. O motorista era um fanático corintiano. Mas a paixão por pneus e veículos é mais antiga. Embora tenha nascido em Champanhe, Illinois, Emkes se criou no Estado de Indiana, não muito longe do legendário circuito de Indianápolis. Formado em Economia pela Universidade de Depauw, em Indiana, com mestrado em Comércio Exterior pela Escola Americana de Administração Internacional do Arizona, Emkes iniciou carreira internacional na Firestone Internacional em 1976, depois de administrar por dois anos revendas próprias da marca nos Estados Unidos. Durante uma década ele construiu carreira como executivo de vendas tanto no âmbito doméstico americano como na área de exportação, com passagens pelos Emirados Árabes Unidas e Espanha. Além de presidente da Bridgestone Firestone brasileira, Emkes responde pela vice-presidência corporativa da Bridgestone Firestone Inc., nos Estados Unidos, é membro do conselho de diretores da unidade da Costa Rica e integra uma organização de jovens presidentes de empresas.

Despedida emocionante

No final de 2000 Mark Emkes deixou formalmente Santo André. Foi homenageado numa festa inesquecível. Os principais trechos da matéria (“Chegou o dia do adeus a Emkes”) publicada na edição de LivreMercado estão na sequência. Foram novos momentos de emoção. Uma pena que a região não tenha proporcionado mais motivos de emocionar. Suprimiram o verbete do léxico de cidadania regional.  

Três anos inesquecíveis 

 Os três anos que o norte-americano Mark Emkes passou à frente da Bridgestone Firestone foram marcantes. Por isso, sua despedida tem de ser especial. Neste dia 10, na Mansão Padoveze, em Santo André, Emkes será homenageado por pelo menos quatro centenas de convidados em jantar de gala. Promovido à presidência de Operações Internacionais da BF das três Américas, Mark Emkes agora está baseado nos Estados Unidos. Sua substituição no Brasil pelo argentino Vito De Florio provavelmente pouco mudará a rota de investimentos da unidade de Santo André. Afinal, a fábrica estará diretamente sob sua influência. Mas isso não significa que a região continuará com Mark Emkes. Inconformados assessores e amigos tentam provar o contrário. Pura tática inconsciente para reduzir o impacto da perda. Poucos executivos de companhias multinacionais se comprometeram tanto com a região e particularmente com Santo André como Mark Emkes. Tradicionalmente, comandantes de corporações de grande e médio porte fizeram e ainda fazem da região simples entreposto profissional. Preferem relacionamentos pessoais e sociais na Capital tão próxima e bem mais atraente. Criou-se a cultura de que só São Paulo dá status social com a diversidade de opções de eventos voltados para negócios e entretenimento. A metrópole cosmopolita superaria largamente a província suburbana.

Como ninguém 

 (...) Seus três anos de Brasil foram intensamente vividos tendo Santo André como epicentro de operações. Nenhum outro profissional estrangeiro foi tão ovacionado. Capa de LivreMercado em janeiro de 1999, Mark Emkes viveu nos meses seguintes as maiores emoções da vida. Virou Empresário do Ano da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), Executivo do Ano do Prêmio Desempenho de LivreMercado, Melhor das Melhores da mesma premiação com o case/reportagem A Lista de Emkes e, no mês seguinte, recebeu a indispensável unanimidade conferida ao título de Cidadão Andreense de uma Câmara de Santo André coalhada de socialistas. A distinção ganhou conotação ainda mais especial porque partiu do vereador do PT, José Montoro Filho, e do apoio da bancada do partido, a indicação ao título. 

Prêmio consagrador 

 A consagração de Mark Emkes foi o Prêmio Desempenho. O case/reportagem da BF recebeu dos membros do Conselho Consultivo a maior média de notas da história. A Lista de Emkes contou a saga do presidente brasileiro para manter a fábrica da Bridgestone Firestone em Santo André. Havia fortes pressões para transferência da unidade por causa dos custos salariais, da beligerância sindical e também do grau de obsolescência de máquinas e equipamentos. 

Abrindo caminhos 

 José Batista Gusmão, o executivo mais próximo de Mark Emkes durante os três anos de Brasil, não disfarça o sentimento de perda. Faz elogios ao substituto, mas Emkes foi especialíssimo para quem está na BF há 28 anos. É ao mesmo tempo detalhista e estratégico. Transformou as mulheres dos donos das distribuidoras da marca em aliadas decisivas, levando-as a participar dos negócios. Também motivou o público feminino a frequentar com mais assiduidade os revendedores ao liderar mudanças intestinas. Da fachada ao layout. Dos equipamentos ao atendimento. As revendas deixaram de ser guetos machistas. 

Pagando a aposta 

 Um exemplo de que Mark Emkes foge da multidão de executivos que perdem o contato com a base está na aposta feita informalmente com um operário da BF sobre o resultado final de um jogo de futebol. Emkes perdeu e fez questão de pagar o valor simbólico de R$ 1. A mudança de horário de trabalho do funcionário não alterou o compromisso assumido. Poderia ter mandado alguém levar o dinheiro. Mas fez questão de esperar pelo turno das 22h, quando se dirigiu à fábrica para entregar o dinheiro e cumprimentar o ganhador. A fábrica não falou sobre outra coisa durante muito tempo. 

Boleia de caminhão 

 O Mark Emkes de chão de fábrica é o mesmo Mark Emkes da boleia de caminhões pelas estradas brasileiras, do Mark Emkes que toma a máquina fotográfica ou a filmadora da equipe contratada pela BF e sai à cata de flagrantes como um alegre estudante, o mesmo Mark Emkes que não se esquece da data de aniversário do motorista do caminhão com quem viajou e lhe manda uma caixa de chocolate, o mesmo Mark Emkes que retribui a caricatura de um artista do Nordeste com uma carta carinhosa enviada de próprio punho dias depois, o mesmo Mark Emkes que acabou com as greves na fábrica, o mesmo Mark Emkes que fez desaparecer o privilégio de gerentes e diretores da empresa serem servidos por garçons enquanto o restante ia de bandejão, o mesmo Mark Emkes de tantas outras histórias que sacudiram uma fábrica até então pouco produtiva e constrangedoramente formal. Não faltará emoção na despedida do norte-americano mais abrasileirado que já apareceu no Grande ABC. Levem lenços, por favor.

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