Esportes

Santo André pode tudo nas
últimas rodadas. Inclusive cair

  DANIEL LIMA - 16/02/2018

O futuro do Santo André é uma intrigante interrogação ao faltarem cinco jogos para o encerramento da fase classificatória da Série A do Campeonato Paulista e depois da derrota de anteontem diante da Ferroviária por dois a um em Araraquara. Estaria o time de Sérgio Soares habilitado a disputar o mata-mata ou terminaria a competição fora da próxima etapa, mas também longe do rebaixamento? Ainda há a alternativa de que possa ser assombrado pelo descenso. Tudo isso se deve aos limites técnicos da equipe e ao contexto classificatório tanto do grupo do qual faz parte quanto da classificação geral – que determinará os dois rebaixados. 

A situação do Santo André é diversa da do outro representante da região no principal campeonato regional do País – o São Caetano que declaradamente foge do rebaixamento. 

Como se observa, mais que os três pontos a separar as duas equipes na classificação geral (que definirá os rebaixados) o que pesa na equação favorável ao Santo André (na comparação com o rival) são as peculiaridades da competição e, também, o amadurecimento tático mais rápido. Enquanto o São Caetano passa o que passa (mostramos isso num texto publicado ontem), o Santo André parece ter atingido o limite possível de rendimento. A Ferroviária expôs ou confirmou esse patamar. 

Normalidade imperou 

O Santo André só decepcionou em Araraquara quem ainda não se deu conta de que já teria atingido padrão de rendimento coletivo e individual que dificilmente será elevado de forma a surpreender. 

A vitória diante do Corinthians foi o ápice entre outras razões porque times grandes sempre despertam empenho acima da média. Em condições normais de tempo e temperatura, como o confronto com a Ferroviária que passou e do Bragantino neste sábado à tarde no Estádio Bruno Daniel, a lógica do jogo normal prevalece. 

O maior problema do Santo André não é necessariamente de ordem tática. O time está bem mecanizado para executar boa parte das lições repassadas pelo técnico Sérgio Soares. Entretanto, há ingrediente que dificilmente será contemplado: a equipe não tem o que chamaria de junção de intensidade e força física para chegar a algo mais, mesmo se considerando que a classificação ao mata-mata não é improvável porque o grupo que ocupa tem baixo desempenho. Tudo é possível, portanto. 

Dois grandes obstáculos 

A opção preferencial do técnico Sérgio Soares por um time leve, solto, que valoriza a posse de bola, as triangulações e tudo o mais, esbarra nesses dois obstáculos. Quando se exige do Santo André mais força coletiva e dose maior de agressividade, a frustração prevalece. 

Por isso, no jogo em Araraquara, quando dominou o segundo tempo após um primeiro tempo abaixo do esperado, a equipe recorreu excessivamente aos cruzamentos em busca do centroavante Lincom. Embora esteja bem preparado fisicamente e mantenha o oportunismo em dia (tanto que fez o gol no primeiro tempo, de cabeça, após cobrança de escanteio) Lincom não pode tudo. Os adversários estão cada vez mais aparelhados de planilhas que exigem cuidados especiais com esse tipo de jogada convencional do futebol. 

Ainda falta ao Santo André acabamento técnico ao meio de campo que, além de marcar com razoável poder, deveria servir de opção mais constante ao ataque. Nenhum dos jogadores escolhidos por Sérgio Soares para as penetrações centrais tem rendido o necessário. Tinga está discreto demais e mesmo o segundo volante Dudu Vieira não repete as incursões como antes. Em Araraquara, como em outros jogos, foi mais útil como lateral. 

Há quem tenha visto fantasmas técnicos e táticos em Araraquara. O Santo André não rifou a bola em proporção alarmante. Pelo contrário: procurou construir jogadas pelas laterais e manteve o controle da bola durante praticamente todo o segundo tempo, embora se descuidasse defensivamente a ponto de o time mandante ter levado perigo em dois ou três contragolpes. 

Destino incerto 

Mesmo após terem sido consumidas sete rodadas da competição – o que parece pouco, mas é mais de 50% do itinerário classificatório ou de rebaixamento – o Santo André não é um time que possa ser definitivamente avaliado em termos de destino matemático. Justamente porque tem fortes condicionantes no arranjo coletivo e individual, tudo pode acontecer. 

Se valesse a classificação dos oito primeiros colocados, independentemente de agrupamento, a equipe não teria futuro tendo o mata-mata como alvo. Entretanto, o regulamento favorece a obtenção de uma vaga mesmo em situação de desvantagem numérica geral. 

Tanto que a equipe de Sérgio Soares é a 13ª colocada entre os 16 participantes, embora esteja a apenas dois pontos da Ponte Preta, vice-líder do Grupo B, liderado pelo São Paulo, três pontos à frente e um jogo a menos, contra o Ituano, adiado para a semana que vem. Os dois primeiros se classificam. 

Fica, portanto, a impressão de que o Santo André poderá, apesar das vantagens relativas à classificação, ficar fora de uma disputa subsequente que daria mais visibilidade e prestígio. Possivelmente nos dois próximos jogos, contra o Bragantino e, em seguida, o Santos na Vila Belmiro, as contradições sobre o futuro próximo do Santo André prevalecerão. 

O rebaixamento estaria praticamente descartado se vencer o Bragantino, ao mesmo tempo em que a perspectiva à primeira fase de mata-mata poderia se fortalecer. Uma derrota ou empate no Estádio Bruno Daniel serviria de alerta como indicativo de que cuidar da queda viraria prioridade. 

Chance de gol 

O site Chance de Gol, que faz ensaios sobre probabilidades diversas em várias competições, aumentou a cotação de rebaixamento do São Caetano após a rodada no meio de semana. O time do técnico Pintado lidera a tabela com 80,5% de disputar a Série B do ano que vem. O segundo mais forte concorrente ao rebaixamento é o Linense, mesmo depois do empate de um a um com o Palmeiras: 46,3% de probabilidades. Apenas três pontos à frente do São Caetano e com cinco rodadas em aberto, o Santo André do Chance de Gol corre risco de apenas 8% de rebaixamento. As demais equipes sensíveis à queda têm pontuação bem inferior. 

O São Caetano tem quatro pontos ganhos na classificação geral, contra cinco do Linense, seis do Mirassol, sete do Santo André e do Ituano e oito do Novorizontino e do Bragantino. A Ferroviária tem nove pontos e ocupa a oitava colocação na classificação geral. 

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