Imprensa

Desastre do ICMS fica para
amanhã. Volkswagen na fita

  DANIEL LIMA - 21/06/2017

Mudança de planos editoriais: fica para amanhã a análise prometida para hoje sobre o desastroso comportamento do ICMS repassado aos municípios da Província do Grande ABC. Escolhi um determinado período por ser mais apropriado à dimensão do tamanho da crise regional. E acaba de entrar na fita, também para a edição de amanhã, uma análise da anunciada chegada de investimento da Volkswagen do Brasil em São Bernardo -- a unidade de produção do Polo, veículo competitivíssimo da companhia alemã no mercado internacional. 

Certamente o leitor nota que não me refiro a “matérias” mas a “análises”. É disso que invariavelmente CapitalSocial trata. Quem dá notícia e notícia rasa para não dizer notícia sem alma são os veículos tradicionais. Na Província do Grande ABC é raríssimo alguém do jornalismo impresso e digital meter-se a decodificar declarações de terceiros interessadíssimos em puxar para a própria brasa de eficiência a sardinha de informações que envolvem nuances variadas. 

Pois é disso que trataremos nesta quinta-feira especificamente no caso da Volkswagen de São Bernardo, capitalizadíssimo pelos marqueteiros do prefeito Orlando Morando. Entre os marqueteiros incluem-se propagadores de notícias em jornais. 

Gostaria de parafrasear Caetano Veloso e afirmar que assim como a Praça Castro Alves é do povo e o céu é do avião, o Polo da Volkswagen é de Orlando Morando, mas não é bem assim. Aliás, não é nada disso. Mas vamos aprofundar o temário amanhã. 

Compartimentos sociais 

Espero, sinceramente, atribuir muitos méritos tanto ao prefeito de São Bernardo quanto aos demais por iniciativas próprias mobilizadoras de recursos arrecadatórios e de empregos. Entretanto, minha alma de jornalista não engole tentativas de manipulações que, devo admitir, dão certíssimas. O conjunto da sociedade é formada majoritariamente por gente que não faz qualquer movimento de reflexão crítica ao se defrontar com informações. E a camada minoritária reflexiva é dividida em pelo menos três compartimentos sociais. 

O primeiro é integrado pelos que sabem que estão sendo embromados mas fazem de conta que tudo que leem e ouvem é verdadeiro porque têm comprometimento politico-ideológico acumpliciador. 

O segundo é dos que sabem que o que estão consumindo de informações não faz bem à digestão intelectual, mas se calam porque não querem arrumar adversários ou inimigos. No máximo, engrossam os batalhões de desertores de leituras locais, ou se tornam detratores discretos desses mesmos veículos.

O terceiro pedaço social é formado por consumidores de informações que se recusam a dar credibilidade a resultados obtidos por agentes públicos porque colocam a ideologia acima da racionalidade. Aliás, esse filão é numericamente muito expressivo nestes tempos de polarizações que negam o óbvio indesejável e protegem o profano irrebatível.  

Incentivos fiscais 

Para completar, estou tentando decifrar uma matéria que o Diário do Grande ABC publicou na edição de hoje sobre o interesse do prefeito Orlando Morando articular-se com o governo do Estado em busca de alternativas vinculadas a investimentos tendo o ICMS como um dos atrativos. Juro por todos os santos que não sei e nem imagino como o titular do Paço de São Bernardo pretende mexer nesse vespeiro. 

Aliás, e agora posso revelar o que lhe respondi ao me adiantar a informação em durante a visita que lhe fiz na semana passada: a Lei de Responsabilidade Fiscal é impeditivo praticamente invencível em municípios já consolidados economicamente. Também o alertei sobre algo semelhante que o então prefeito recém-eleito Aidan Ravin anunciou em Santo André e deu com os burros legais nágua. 

Estou a desconfiar de que Orlando Morando não sabe o que fazer efetivamente com a economia da Capital da região em constante degringolada. O ICMS de amanhã é um convite renovado ao tucano, no sentido de que já passou da hora de articular força-tarefa voltada ao Desenvolvimento Econômico de São Bernardo. Não será com a estrutura e a equipe improvisada e vinculada aos resultados eleitorais do ano passado que alcançará resultado positivo que inicie retomada do progresso que se escafedeu. 

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