Imprensa

Morando agride bom senso
ao colocar Fuabc no pedestal

  DANIEL LIMA - 20/06/2017

Nesta que é a quarta matéria da série de análises da Entrevista Especial de CapitalSocial com o prefeito Orlando Morando, de São Bernardo, restringimos as perguntas e as respostas à Fundação do ABC (Fuabc), clube formado pelos comandantes dos paços municipais de Santo André, São Bernardo e São Caetano para administrar a área de saúde. Como se sabe, estamos destrinchando as respostas de Orlando Morando em várias edições. Afinal, nada menos que 24 questões centrais foram enviadas ao titular do Paço de São Bernardo. 

Com orçamento de mais de R$ 2, 3 bilhões previstos para esta temporada, a Fundação do ABC é listada entre os 10 pontos mais cruciais de interrogações que precisariam ser retiradas dos gestores públicos. Mas para o prefeito de São Bernardo, como se verá na sequência, a instituição tem histórico de acertos e méritos. Nada mais agressivo ao bom senso. 

Passamos de imediato às perguntas e às respostas da Entrevista Especial. “Meus comentários” ficam para o encerramento de uma análise que contempla as respostas do prefeito de São Bernardo:

A pergunta de CapitalSocial 

Quais iniciativas o senhor tem tomado, como prefeito de São Bernardo e prefeito dos prefeitos, para tornar mais transparente a Fundação do ABC, considerada caixa-preta de longa data como escoadouro de empreguismos, corporativismo e mandraquismos?

A resposta de Orlando Morando 

Desde que iniciamos trabalho à frente da Prefeitura e do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC priorizamos o respeito ao dinheiro público, mostrando de maneira explícita que não toleramos desrespeitos. Dessa forma, seguimos a fiscalizar todos os órgãos, cobrando e adequando gestão.

A pergunta de CapitalSocial 

Afirmamos categoricamente há muito tempo que a Fundação do ABC é a única regionalidade que deu certo na Província do Grande ABC porque contempla mutuamente todos os partidos políticos e suas ramificações sociais. O senhor entende que há exagero nessa conceituação?

A resposta de Orlando Morando

A Fuabc tem mostrado ao longo dos anos acertos e méritos. 

Meus comentários

Sempre resguardando a individualidade e a institucionalidade do prefeito Orlando Morando como premissa à aridez de conteúdo nas respostas, é importante lembrar o outro lado da moeda que a democracia representativa impõe a um representante público eleito pela população: a responsabilidade de ser transparente, elucidador e republicano. Qualificações frustradas não só nas duas respostas sobre a Fundação do ABC, mas a quase todo o conjunto da Entrevista Especial. 

Se o prefeito de São Bernardo – e também prefeito dos prefeitos da região por conta de ser o prefeito do Clube dos Prefeitos desde janeiro – dedicasse à mais que nebulosa Fundação do ABC um décimo do espalhafato marquetológico em assuntos muito menos relevantes para o conjunto da sociedade, aquela organização teria novo rumo. 

Quando afirmo que a Fundação do ABC é a única regionalidade que deu certo na história de divisionismos político-administrativos da Província do Grande ABC, é claro que estou sendo sarcástico. É de conhecimento geral e irrestrito entre quem acompanha as atividades políticas na região que a Fundação do ABC é um convite ao desperdício, ao corporativismo, ao empreguismo, ao clientelismo e a tudo que se possa imaginar como insumos que seriam prioritariamente desnudados e aniquilados por gestores públicos comprometidos com novas configurações éticas e morais. 

As respostas de Orlando Morando são um escárnio para os eleitores que o colocaram na Prefeitura mais importante da região (e que mais financia os recursos supostamente administrados pela Fuabc) e também aos eleitores que preferiram não comparecer às urnas em outubro do ano passado, ou votaram no candidato Alex Manente. 

Ou seja: para um jovem prefeito que se anunciou reformista, a Fundação do ABC é um dos desafios que se apresentam como teste de fogo. Orlando Morando não suportou a primeira bateria. Saiu chamuscadíssimo.  

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