Imprensa

Caso Celso Daniel: amanhã
vamos destruir outra farsa

  DANIEL LIMA - 20/06/2017

Não sei até quando vai, mas que vai-vai e se vai tem de ir mesmo porque se não for seria sinal de que tudo está perdido a ponto da versão farsesca quase unanime entre os formadores de opinião e entre os ignorantes (o que nesse caso são a mesma coisa da coisa mal explicada porque desenhada para ser mal explicada) tornar-se verdade absoluta no campo minado de manipulações. Os leitores tiveram dificuldade de entender o longo parágrafo cheio de armadilhas? Foi proposital. 

Assim é o caso Celso Daniel -- pelo menos entre aqueles que não tiveram a humildade ou a curiosidade de acompanhar a série de textos deste jornalista -- em contraponto ao livro farsesco do jornalista Silvio Navarro, lançado durante a efervescência da Operação Lava Jato, numa clara tentativa de pegar carona na credibilidade dos federais. 

Amanhã, quarta-feira, dia de muito futebol, chegaremos à décima edição da série que desmascara a politização do assassinato de Celso Daniel tendo por base furada os desvios financeiros da gestão do petista. Uma coisa é uma coisa (a gestão repleta de complicações do PT em Santo André), outra coisa é outra coisa (o sequestro seguido de assassinato). 

No fundo, no fundo, o que oponho ao livro de Silvio Navarro é, em grande parte, muito do que escrevi nesta revista digital quanto na revista LivreMercado. Ou seja; o que ofereço aos leitores são textos mais que consolidados. Novidade requentada em formato de livro é a narrativa do jornalista e também editor do site UOL. 

Fontes governamentais 

Silvio Navarro caiu na besteira de se fiar em fontes de informação doutrinadas então pela força-tarefa do Ministério Público Estadual que o governador do Estado, Geraldo Alckmin, plantou em Santo André para melar o jogo de crime comum, de sequestradores mequetrefes, constatado por forças policiais tanto do governo do Estado tucano quanto por policiais federais do governo Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República.

O capitulo de amanhã da série “Versão farsesca da morte do prefeito Celso Daniel” trata de especulações sobre a suposta troca da calça utilizada pelo prefeito de Santo André. Criou-se mais uma polêmica para levar o crime à direção político-administrativa. O viés de confusão tinha objetivo subjacente que o livro de Silvio Navarro expõe também de forma subjacente: a troca de calça do prefeito indicaria que o então mais importante quadro petista no Estado de São Paulo e um dos cinco principais do País teria sido assassinado possivelmente a mando de amigos.  

Também se fez muita confusão sobre a cueca que Celso Daniel usava naquela noite de sexta-feira, 18 de janeiro de 2002, quando foi apanhado nos Três Tombos, em São Paulo. Sobre isso vamos reservar capítulo específico. 

Lava Jato não muda história

O resumo da ópera (e os leitores terão a oportunidade de constatar amanhã) é que se criou após o assassinato de Celso Daniel uma versão rocambolesca que não se sustentou jamais. Tanto que, por mais que a Operação Lava Jato tenha se metido em busca da verdade dos fatos (e isso é muito apreciável, porque sou Lavajatense de carteirinha), jamais encontrou sustentação factual e documental entre aqueles que se candidataram a buscar guarida em delações premiadas – caso, por exemplo, do marqueteiro Marcos Valério, que cumpre longa jornada de prisão. 

Então ficamos assim: quem quer saber tudo sobre a calça que Celso Daniel usava naquela noite fatídica deve ler mais um capítulo da farsa impressa do caso Celso Daniel. E, para não deixar dúvida, sempre reproduzimos a versão oficial do livro de Silvio Navarro e, em seguida, nosso contraditório. 

Aos apressados de sempre, dois importantes avisos que poderão parecer cabotinismo mas que não passam de prévia explicação para evitar enxurradas de mensagens vagabundas: jamais tive compromisso com o PT (basta recorrer ao acervo desta publicação e observar minha avaliação sobre a agremiação e suas ramificações sindicais) e tampouco com outros partidos políticos. Sou jornalista sem partido e escravo do interesse público. 

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