Imprensa

Quatro críticas e um criminoso:
adivinhe quem é o criminoso?

  DANIEL LIMA - 08/09/2016

Os leitores estão convidados, para não dizer convocados, a lerem este artigo do começo ao fim. Não só a lerem, mas a refletirem profundamente sobre os insumos que caracterizam essa proposta. Vou reproduzir de forma escalonada quatro textos. Três versam sobre a queda de Dilma Rousseff e a ascensão de Michel Temer. O outro trata de uma questão regional, ligada ao Clube dos Construtores do Grande ABC. Os três textos sobre o governo federal são recentes, de dois de setembro. O que trata do Clube dos Construtores é de fevereiro de 2013.

Não vou fazer suspense sobre o objetivo deste artigo, até porque quero que os leitores assumam desde os primeiros parágrafos a condição de árbitros. É a liberdade de expressão, o interesse público e a informação com responsabilidade social que estão em jogo.

Um dos textos foi criminalizado. O autor, este jornalista, recorre em segunda instância. A ação foi movida pela Associação dos Construtores do Grande ABC, a qual chamo de Clube dos Construtores. A iniciativa judicial data de agosto de 2013, quando o então presidente Milton Bigucci ainda não havia sido colhido por série de escândalos. Bigucci se utilizou daquela entidade para repetir o que fizera anteriormente, como pessoa física e sempre se utilizando do mesmo artifício – a semântica das palavras e expressões utilizadas por este jornalista. Jamais por conta das irrefutáveis denúncias que fiz.

Vamos então à prova dos nove. Vejam os leitores se a criminalização deste jornalista por conta do texto que segue abaixo (os demais contaram com a mesma linhagem autoral) corre na raia da democracia informativa.

Comparem as mensagens. Interpretem quem é mais ou menos ácido, mais ou menos deliberadamente decidido a posicionar-se como fonte de informações aos leitores. Leiam, leiam, e vejam com os próprios olhos se não existe algo interpretado de forma pouco convencional em detrimento de quem tem a missão de promover justiça no sentido amplo da palavra. Vamos aos primeiros trechos das respectivas reflexões: 

 Deste jornalista – Enquanto o presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC, Milton Bigucci, segue desfilando números fantasiosos do mercado imobiliário, como o fez mais uma vez nas páginas de jornais de ontem, mais os pequenos e médios empresários do setor, na totalidade de empresas familiares que há muito atuam na região, se sentem desprezados e desrespeitados. Essa é a conclusão de CapitalSocial após ouvir novamente pequenos empreendedores que têm receio de se exporem publicamente. Eles consideram Milton Bigucci permanente ameaça à competitividade no mercado. Além de grande porte do conglomerado MBigucci, o dirigente tem relações próximas a uma série de instituições que comandam a política, a mídia e instâncias públicas para sustentar uma realidade fictícia.

 De Vladimir Safatle, colunista da Folha de São Paulo – Coube a Dilma Rousseff a oração fúnebre da Nova República. Com seu “Só temo a morte da democracia”, termina mais de 30 anos de uma redemocratização falha e bloqueada. Ela terminou em meio a um processo farsesco, que seguiu todos os ritos jurídicos apenas para tentar esconder que não tinha sustância alguma. Ao final, Dilma foi afastada por um crime que nunca fora visto como crime, mas como uma prática normal utilizada por todos os presidentes da república e por 17 governadores em exercício sem maiores consequências. Mesmo o Ministério Público acabou por reconhecer não haver crime de responsabilidade, mas isto já não fazia a menor diferença. 

 Do Editorial do jornal O Estado de São Paulo – Se “a mais firme, incansável e energia oposição que um governo golpista pode sofrer” – como prometeu em seu discurso de despedida a ex-presidente Dilma Rousseff – inclui insuflar irresponsavelmente a escalada de violência nas ruas, como tem acontecido em São Paulo e outras capitais do País, a própria banida e as chamadas “forças progressistas” que se alinharam contra o impeachment terão de assumir que a barbárie é um meio plenamente justificado para defender “os interesses populares”. Esse, na verdade, é um argumento daqueles que pregam a adoção de regimes de força ou o emprego de meios do terror para dobrar a sociedade e seus desejos – ou “sonhos”, como gostam de dizer. 

 De Reinaldo Azevedo, colunista da Folha de S. Paulo – Os petralhas deixaram o poder. Não sinto saudade antecipada nem terei crise de abstinência. Sei que continuarão rondando. É da natureza rapace das hienas. Não estão só no PT. A rosa teria igual perfume se tivesse outro nome, a exemplo do monturo moral caso se chamasse rosa. O petralhismo é uma legião. Está no PSOL, no PSTU, na Rede – nesse caso, vem acompanhado com uma espuma de Banco Central independente e uma redução de ecologia balsâmica. Mas a crença é a mesma. A cozinha molecular de Marina Silva tem a idade do atraso. 

 Deste jornalista – Para esses empresários, chega ao limite do deboche mais uma entrevista coletiva em que Milton Bigucci fez um balanço considerado fantasioso do mercado imobiliário da Província do Grande ABC. Segundo o dirigente da Associação dos Construtores, a região superou em 2012 as expectativas ao atingir a venda de 9.407 imóveis, uma alta recorde de 28.7% sobre os números de 2011 e, mais uma vez, causou inveja à Capital vizinha, que no mesmo período apresentou avanço de apenas 4,8%. O espalhamento de micos imobiliários na região e o quadro macroeconômico, com quebra de milhares de empregos industriais, são apenas alguns pontos que ridicularizam a numeralha biguccina. Pequenos e médios empresários do setor imobiliário repetem uma denúncia que CapitalSocial frequentemente transmite: as planilhas montadas por Milton Bigucci não têm engenharia estrutural alguma que possa ser minimamente levada a sério. Trata-se de uma investida puramente de marketing, sem fundamentação científica. Não há quadros de especialistas, muito menos metodologia, quanto mais planificação, para a Associação dos Construtores aferir com segurança o pulso do mercado imobiliário da região. Milton Bigucci é acusado mais uma vez de fazer de cada balanço anual do setor na região uma prova permanente de inventividade à qual também se submete o Secovi, o Sindicato da Habitação, principal financiador da estrutura funcional da Associação dos Construtores. Nada mais autoexplicativa: a entidade conta com reduzidíssimo quadro de filiados. 

 Segue Vladimir Safatle, colunista da Folha de S. Paulo – Veio então a tese do julgamento pelo “conjunto da obra”. Bem, em um país onde Alckmin, Pezão, Beto Richa, Marcone Perillo e José Sartori governam sem serem incomodados, afastar alguém pelo “conjunto da obra” só pode ser piada. Não é por acaso que um processo como esse só poderia ser levado a cabo por uma advogada afeita a discursos evangélico-fascistas e um advogado filho de um integralista. Na verdade, Dilma caiu porque a Nova República já não existia de fato. Dilma e seu partido nunca entenderam que o sistema de conciliações e de “governabilidade” ruíra desde 2013. Eles nunca entenderam que o país precisa livrar-se de uma era histórica baseada na inércia resultante da obrigação de sempre compor com o atraso, sempre respeitar os interesses das oligarquias, até o ponto em que todos os que ocupassem o poder se desfigurassem, tornando-se irreconhecíveis. Até o último momento, foi questão de negociar o que não se negocia com quem vê a política só como um negócio. 

 De volta ao Editorial do Estadão – O que está acontecendo nas ruas – mas também em repartições públicas e universidades – é extremamente preocupante. Em primeiro lugar, porque pode ser o prenúncio de uma grava disruptura política e social cuja simples possibilidade é preciso exorcizar. Em segundo lugar, porque ocorre no momento em que a pacificação nacional é indispensável para que toda a energia do governo e da sociedade se concentre no enorme desafio de reconstrução nacional. A ex-presidente já se havia dedicado, com sua incompetência, arrogância e sectarismo, a levar o País à beira do abismo. Alardeando sua condição de “mulher honesta”, ela se beneficiou sem hesitação do ambiente de corrupção generalizada que sempre esteve ao seu redor tanto para se reeleger como, no primeiro mandato, para manter uma base parlamentar que coonestou todas as barbaridades da “nova matriz econômica”. Agora ela própria dá um passo adiante, incitando os brasileiros à divisão, por todos os meios. Despenca no abismo que ela própria abriu a seus pés, mas quer ser seguida pela Nação. 

 De volta Reinaldo Azevedo, colunista da Folha – Um bando de vagabundos, protegidos por boa parte da imprensa paulistana, voltou a causar tumulto em São Paulo no pós-impeachment. Como sempre, meia dúzia de gatos pingados. Como sempre, depredaram agências bancárias. Como sempre, queimaram lixeiras. Como sempre, atacaram a polícia. Uns tontos picharam a porta desta Folha com a palavra “golpista”. Justamente a Folha, o maior celeiro de colunistas de esquerda do país. Há mais colunistas de esquerda na Folha do que no “Granma”, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba. Esquerdista é assim: não respeita clube que o aceita como sócio. Esquerdistas são como Gleisi Hoffmann: pensam que a Casa que os abriga não tem moral. 

 De volta, este jornalista – A propósito, CapitalSocial vem há muito tempo exercendo a função social própria do jornalismo e a exigir transparência do comando na Associação dos Construtores. A resposta do dirigente é sempre a mesma: silêncio total, como se não tivesse de prestar contas à sociedade. Um acinte, porque o setor imobiliário tem imbricamento direto com os interesses da comunidade. Tanto tem que o governo federal aperfeiçoa mecanismos legais para incrementar financeiramente a atividade, um dos setores responsáveis pelo brilho mesmo que opaco do PIB (Produto Interno Bruto) dois últimos anos.  O anonimato dos pequenos e médios empresários faz parte do acordo que CapitalSocial aceitou como contrapartida à tomada de pulso do setor, já que o oficialismo da Associação dos Construtores é mais que suspeito, é um desrespeito à sociedade. 

 De volta, Vladimir Safatle, da Folha – Por isso, aqueles que falavam das conquistas democráticas da “estabilidade política” nacional que acordem para a realidade. Vocês foram enganados. Não poderia haver estabilidade real sustentada por políticos saídos da ditadura militar e por um partido, como o PMDB, que era, afinal, uma oposição criada pela própria ditadura para acomodar oligarquias descontentes e políticos tradicionais confiáveis. O Brasil achou que poderia virar uma democracia sem se confrontar com seu passado autoritário recente, sem expurgar seus representantes e seus filhos. Ele acorda agora com um “governo” que é apenas uma associação de corruptos contumazes tentando desesperadamente se salvar, liderados por um “presidente” citado três vezes na Operação Lava Jato como beneficiário direto de corrupção e condenado pelo TER-SP por doações ilegais. Uma figura especializada em conspiração, acostumada aos bastidores escuros do poder, liderando uma casta política disposta a usar de toda violência estatal necessária para compensar sua falta absoluta de legitimidade e seu medo atávico de eleições.

 Mais Editorial do Estadão – Dilma Rousseff, finalmente, carta fora do baralho, apesar da trama urdida por Renan Calheiros com apoio dos petistas e a benevolência de Ricardo Lewandowski, para lhe garantir a manutenção dos direitos políticos. Ela muito dificilmente conseguirá ter voz ativa em qualquer articulação política de oposição ao governo. Mas os insensatos frequentemente sofrem a tentação do abismo e, infelizmente, não perdem a capacidade de convencimento e arregimentação de quem pensa – ou pensa que pensa – como eles. O discurso de despedida da ex-presidente, por exemplo, é um claro estímulo à extrapolação dos limites legais para as manifestações de protesto contra o governo. 

 De novo, Reinaldo Azevedo, da Folha – A PM teve de recorrer a bombas de gás. Sabem como é...A democracia de uniforme precisa de meios de dissuasão. Leio no “O Estado de S. Paulo” que na quarta-feira à noite “em menos de dois minutos, os policiais lançaram 10 bombas”... Não entendi se o jornalista acha muito ou acha pouco...Se o bando estiver quebrando um banco, atacando um prédio público ou tentando rachar a cabeça se adversários, como de hábito, acho pouco. Se estiver lendo os Evangelhos e atrapalhando o trânsito, acho muito. Eis um vício, um sestro, uma deformação mesmo, típica da imprensa paulistana. A PM está sempre errada, mesmo quando certa. Entendo a razão: boa parte da mão de obra é contratada entre formados de jornalismo que tiveram aulas com professores do PSOL e do PSTU. Há até moderados dando aula. São os petistas... Mesmo quando manifestantes batem em jornalistas, estes sempre compreendem por que estão apanhando. Eis o tipo de gente que o PT e Dilma mobilizam com a sua conversa mole de golpe. 

 Mais deste jornalista – O descrédito da Associação dos Construtores, há mais de duas décadas sob o controle de Milton Bigucci, já levou parte desses empreendedores a sugerir a formação de uma nova entidade, mas a resposta não prosperou. Pretende-se, apesar das armadilhas legais protecionistas criadas durante a longa gestão de Milton Bigucci, desalojar o eterno presidente do cargo. Trata-se de um desafio e tanto. O entorno de Milton Bigucci, que inclui também, desde algum tempo, o suporte político do prefeito Luiz Marino, opõe muitas dificuldades ao rompimento do cerco de proteção que o torna utilíssimo à manutenção de interesses cruzados. O Escândalo do Marco Zero, área pública de São Bernardo arrematada de forma irregular pela MBigucci, exemplifica bem o estágio de cumplicidade a envolver a Prefeitura e o presidente da Acigabc. O Procurador-Geral do Município engavetou a denúncia, após declarar a CapitalSocial que se tratava de desvio gravíssimo a determinar punições a servidores públicos. 

 De novo, Vladimir Safatle, da Folha de S. Paulo – Não por acaso, no dia do golpe (mais um 31, agora 31 de agosto) não vimos massas nas ruas a comemorar a queda do governo, mas o prenúncio de um Estado policial: manifestantes sendo presos e espancados por uma PM cujo comportamento é digno de uma manada de porcos. Por isso, não se enganem mais uma vez. Esse é apenas o primeiro golpe. Quem fez o que fez não está contando voltar para casa depois de dois anos. O verdadeiro projeto é acabar com as eleições presidenciais. Isso será feito tirando de cena candidatos indesejáveis ou empurrando pela goela do país um regime parlamentarista que seria a coroação final de um Congresso de oligarcas e corruptos que conseguem sobreviver utilizando-se dos mais impressionantes casuísmos e dos meandros da partidocracia. Um Congresso incapaz de afastar indivíduos como Eduardo Cunha quer agora governar o país de forma imperial. 

 Mais Editorial do Estadão – Cabe às autoridades constituídas reprimir a baderna e impedir que a desordem se torne rotina. É preciso distinguir o legítimo e democrático direito a manifestação no espaço público da baderna que atenta contra o direito da população de viver seu cotidiano em paz. No primeiro caso, o poder público tem o dever de oferecer aos cidadãos a garantia de se manifestar pacificamente. No segundo, tem a obrigação de impedir a ameaça potencial ou a ação daqueles que infringem a lei. Baderna nas ruas, longe de ser uma forma legítima e democrática de manifestação popular, é um grave atentado ao direito fundamental que os cidadãos, o povo, têm de viver em paz. 

 Mais do colunista Reinaldo Azevedo, da Folha de S. Paulo -- O único golpe a que se assistiu na quarta-feira foi o desferido por Ricardo Lewandowski ao ignorar a letra explícita da Constituição. O parágrafo único do artigo 52 da Carta não deixa margem a interpretações. Vota-se a “perda do cargo, COM inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”. E ponto! 

 Mais deste jornalista, o criminoso – Pulverizados e desorganizados, mais de meia centena de pequenos empreendedores do setor imobiliário estão à deriva, segundo informações de vários de seus representantes. A quase totalidade dessas organizações já integrou a Associação dos Construtores, mas se afastou quando se constataram privilégios e exclusivismos sempre com o protagonismo de Milton Bigucci. Há demandas que simplesmente não passam pelos corredores das prefeituras. Quem não tem padrinho está morando pagão. O caso do terreno entre a Avenida Kennedy e Avenida Senador Vergueiro, delituosamente arrematado pela MBigucci, contribuiu ainda mais para novos afastamentos. Há inconformismos quanto à modalidade de participação adotada pelo dirigente da MBigucci. Nenhum associado ou ex-associado da entidade com sede em São Bernardo recebeu qualquer comunicado, em julho de 2008, sobre o leilão daquela área. O assunto foi tratado a sete chaves. 

 Mais Vladimir Safatle, da Folha de S. Paulo – Mas enquanto mudava de casa, as ruas do Brasil foram ocupadas por aqueles que podem enfim lutar a verdadeira luta e abandonar as ilusões que nos venderam. Os escombros da primeira experiência de longa duração da esquerda brasileira mostrará como os últimos 13 anos foram apenas um ensaio geral. No entanto, será necessário que a esquerda faça aquilo que ela teima ridiculamente em não fazer, a saber, uma profunda e dura autocrítica. 

 Mais Editorial do Estadão – Agrava a configuração criminosa das manifestações de crescente violência nas ruas o fato de que, como se tem visto em São Paulo, os confrontos com a policia são deliberadamente provocados pelos próprios baderneiros, que têm sistematicamente descumprido os acordos previamente estabelecidos com a política a respeito de percursos a serem cumpridos, exigência óbvia de qualquer esquema de segurança. O que se viu na quarta-feira nas ruas de São Paulo e ontem em pleno recinto do Senado Federal – onde baderneiros interromperam os trabalhos de uma comissão presidida pelo senador Cristovam Buarque – são exemplos de que os movimentos “populares” estão a transgredir de forma abusiva os limites estabelecidos pela lei. Pois não há “direito” que justifique a violência nas ruas ou a ela sobreviva. 

 Mais Reinaldo Azevedo, colunista da Folha de S. Paulo – A menos que o senhor presidente do Supremo me apresente um tratado sobre o sentido derivado da palavra “com”, ele rasgou a Constituição. Quero discutir gramática com Lewandowski Cabe mandato de segurança. Cabe ADPF. Rodrigo Janot terá a coragem? Qualquer decisão que não atrele a inabilitação à perda do mandato é exercício picareta do direito. Se o fundamento teve uma aplicação torta (e teve!) no caso Collor de Mello, dois erros não fazem um acerto. Em dobradinha com Renan Calheiros, Lewandowski resolver sobrepor um artigo meramente procedimental do Regimento Interno do Senado a um fundamento constitucional. Nas ruas, os dilmistas queimam lixo e pneus; no Senado, Lewandowski e Renan Calheiros queiram a Constituição. 

 O trecho complementar do artigo deste jornalista -- Há contestações contundentes contra o presidente da Associação. Ele é acusado de infiltrar-se nos corredores de administrações públicas em nome da Associação dos Construtores, mas agir sempre e preferencialmente em nome de seus interesses empresariais. Ou seja, a Associação dos Construtores não passa de um ramal da MBigucci. A privatização da entidade causa revolta, o afastamento de associados do setor de construção é compulsório, mas há vozes que ponderam no sentido de que a situação só beneficia Milton Bigucci, que se sente ainda mais confortável para agir. CapitalSocial cumpre rigorosamente a função social que o exercício do jornalismo recomenda, apesar de encontrar inúmeras dificuldades para manter a sociedade informada sobre o comando da Associação dos Construtores. CapitalSocial entende que a atuação de Milton Bigucci é nociva a qualquer universo que tenha como conceito o critério de responsabilidade social. As tentativas do empresário de silenciar este jornalista reverberam como palavra de ordem de resistência, porque é assim que a mídia mais responsável reage aos ditadores de plantão. E Milton Bigucci com o vezo judicialista de acreditar que é vítima de um processo no qual de fato é vilão de corpo e alma não deixará de constar da pauta deste veículo de comunicação. Mesmo que tente transformar essa medida saneadora em perseguição, uma velha tática defensivista que pretende desclassificar quem não se atemoriza. Os pequenos negócios familiares do setor de construção civil e milhares de proprietários de habitações não podem continuar a ser manipulados por uma entidade que não honra os conceitos éticos de seus idealizadores.

 Agora o trecho final do artigo de Vladimir Safatle na Folha de S. Paulo – Uma autocrítica em relação à vergonhosa marcha de corrupção que afogou seus governos. Autocrítica em relação à crença nessa política que teme em implementar processos de democracia direta e transferência de poder, preferindo se chafurdar nas negociações com coalizões à venda. Por fim, autocrítica em relação a si mesma, a suas estruturas organizacionais arcaicas dignas dos anos 1950. Nunca na história brasileira foi tão importante o exercício da imaginação, da autoanálise, da insubmissão e do destemor. Que estejamos então á altura do momento e mostremos que o Brasil é maior do que Temer e seus comparsas. 

 Agora o trecho final do Editorial do Estadão – Se as autoridades – de modo especial o governador paulista, sempre hesitante nesse assunto – não tiveram a coragem de adotar medidas duras, mas necessárias para impedi-las, essa escalada da violência alimentada pelo ressentimento e pelo revanchismo colocará em risco, real e imediato, as liberdades fundamentais dos cidadãos. 

 Trecho final do artigo de Reinaldo Azevedo na Folha de S. Paulo – Dias desses, chamando-me várias vezes de cachorro, Guilherme Boulos, a hiena, perguntou no site da Folha o que eu escreveria quando o PT se fosse. Em país em que há Lewandowski, Boulos e Renan, infelizmente, fala-se menos de rosa do que de monturo moral. Ah, sim!? Tchau, petralhas. É só o começo.

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