Imprensa

Já imaginaram se Bigucci fosse
o alvo dessa matéria? (Parte 2)

  DANIEL LIMA - 23/11/2015

O ideal para a plenitude de compreensão desta série de artigos é que a Parte 1 seja consumida mesmo que parcialmente, porque explica o objetivo desta ação jornalística. Resumidamente, para quem não quer acessar o link abaixo, o conceito é simples: o chefe do Clube dos Especuladores Imobiliários do Grande ABC é absolutamente refratário à democracia da informação e se utiliza do poder econômico de milionário para tentar calar este jornalista. Por força do dinheiro e de habilidades impressionantes, Bigucci transformou evidentes derrotas judiciais em vitórias de Pirro. Ele pensa que vai me intimidar.

 

Não posso me calar diante de pelo menos três fortes motivos que justificam e, mais que isso, exigem minha ação jornalística, a qual exerço há 50 anos?

 

a) Milton Bigucci é um contraventor social quando se levam em contas suas lambanças negociais denunciadas pelo Ministério Público do Consumidor de São Bernardo e o Ministério Público Estadual que apura a Máfia do ISS. Não vou estender seus pecados a outros assuntos mais que conhecidos e que constam desta revista digital.

 

b) Milton Bigucci dirige uma entidade de classe que de entidade de classe não tem nada. Trata-se de um clube mequetrefe, ou seja, sem importância nenhuma, embora estabeleça, por forças ocultas e também omissas, juízos de valor sobre o mercado imobiliário, inundando-o de mentiras e de falsas pesquisas. Uma entidade que não resiste a uma auditoria que leve em conta o respeito à cidadania em forma de informações que não mistifiquem o uso e a ocupação do solo regional.

 

c) Milton Bigucci é uma figura pública e como tal está sujeito a chuvas e trovoadas profiláticas da atividade jornalística. Não tem choro nem vela. Goste ou não.

 

 

Posto isso, vamos então ao segundo artigo que mostra o quanto seria temeroso ao veículo de comunicação e ao autor responsável se o alvo fosse o arbitrário e centralizar Milton Bigucci, que se pretende colocar acima de qualquer suspeita e de qualquer crítica.

 

Vamos ao texto assinado pelo jornalista e escritor Guilherme Fiuza para a revista Época, edição de julho deste ano. Antes, claro, um esclarecimento: meus artigos sobre Milton Bigucci são brincadeirinha inocente perto do tom adotado por Guilherme Fiuza. A acidez daquele jornalista, se colocada a julgamento pelos mesmos juízes que avaliaram meus textos sobre Bigucci, o colocaria irremediavelmente atrás das grades, embora seja expressão do mais que verdadeiro sentimento de indignação do povo brasileiro. Nos casos de meus artigos sobre Milton Bigucci, depreendo que a indignação regional esteja morta e enterrada ou chegou a tal estado de descrença em relação às instituições que deveriam colocar pontos finais em tantas malandragens que simplesmente entregaram os pontos.

 

Vamos aos principais trechos do texto de Guilherme Fiuza:

 

  Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras que ficou famoso por proibir máscaras de Carnaval com sua estampa, foi condenado a cinco anos de prisão. Por quê? Porque usou propina do petrolão para comprar um apartamento em Ipanema. A pergunta que o gigante adormecido se recusa a fazer é: não pode usar propina do petrolão para comprar apartamento, mas pode para se eleger presidente do Brasil? A resposta é: pode, mas não pode. Uma resposta estranha. Não pode, porque o tesoureiro afastado do PT João Vaccari Neto está preso sob acusação, entre outras, de injetar propinas do petrolão na campanha de Dilma Rousseff. E pode porque a presidente supostamente beneficiada pela propina não é sequer investigada. Pois bem: após a torrente de evidências levantadas pela Operação Lava Jato sobre formação de caixa para o PT a partir da corrupção na Petrobras, Ricardo Pessôa, o homem-­bomba das empreiteiras, solta a língua. Pagou R$ 7,5 milhões à campanha presidencial de Dilma em 2014 para não perder negócios com a Petrobras. Essa revelação, feita em regime de delação premiada, expõe de forma contundente o esquema de sangria da maior empresa brasileira em favor do partido governante. (...) A bomba de Ricardo Pessôa deve, portanto, ensejar no mínimo a abertura de investigação sobre a legitimidade do mandato presidencial de Dilma Rousseff – obtido em circunstâncias que levaram à prisão o então tesoureiro do PT. Só que não... Numa sinfonia tipicamente brasileira, onde as verdades dançam conforme o DJ do comício, um pas de deux entre o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal celebra o milagre da inocência de Dilma. Abobado como sempre, o Brasil assiste aos rodopios jurídicos dos bufões oficiais e murmura para si mesmo: “É, não tem como investigar a presidenta...”. Pobre país. Tem seus espasmos de protesto, mas não sabe nem o que escrever na cartolina. O STF é transformado em sucursal do PT, com ninguém menos que Dias Toffoli – o juiz de estrelinha – presidindo o processo da Lava Jato, e o Brasil indignado passa lá longe gritando contra a corrupção (sabe-se lá qual). Deve ser glorioso você fazer toda uma carreira de bajulação a Lula e companhia, tornar-se feliz para sempre na corte suprema e assistir tranquilo pela TV aos protestos cívicos. Deve distrair mais do que novela. Agora Nestor Cerveró, diretor de negociatas e facilitador da sucção petista, é condenado na Lava Jato sem uma gota sequer de respingo no Palácio. Protagonista do escândalo de Pasadena, uma das refinarias que encobriram desfalques bilionários na Petrobras, ele concretizou o negócio a quatro mãos com Dilma, a inocente. A decisão bizarra foi assinada por ela, como presidente do Conselho de Administração da companhia – em 2006, quando o esquema do petrolão já tinha três anos de peripécias montadas por prepostos do PT, coincidentemente o partido de Dilma. A presunção de inocência dela já fez o apresentador inglês John Oliver cair na gargalhada. Deve ser engraçado mesmo, para quem vê de fora. Se Cerveró usasse a máscara carnavalesca de Dilma, estaria livre. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou, a respeito do ajuste fiscal, que o governo petista está pagando seus pecados. Não é verdade. Quem está pagando os pecados do governo petista são os contribuintes. E os companheiros continuarão pecando alegremente até que o Brasil acorde da anestesia – e exija a única medida realmente saneadora à disposição no momento: a investigação de Dilma e Lula. 

 

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