Imprensa

Clube dos Construtores de
volta com saída de Bigucci

  DANIEL LIMA - 04/11/2015

Promessa aos futuros dirigentes do Clube dos Especuladores Imobiliários do Grande ABC, denominação que, por razões mais que consolidadas, atribuo à Acigabc, a Associação dos Construtores e Incorporadores: quando Milton Bigucci deixar a presidência e não sequestrar a nova diretoria, cassarei o mandato nominativo em favor da nomenclatura anterior -- Clube dos Construtores e Incorporadores do Grande ABC. Nem pensar em utilizar a marca de batismo, de mau gosto tanto no conjunto sistematizado de letras quanto na pronúncia.  Há quem indevidamente aponta o uso de "Clube" de forma pejorativa. Trata-se, inclusive como no caso do Clube dos Prefeitos, de modernidade jornalística que tem como princípio facilitar a comunicação com os consumidores de informações. Clube dos Especuladores é sim uma marca que coloca a imagem da entidade sob suspeição. Como, aliás, por questão de coerência e justiça, não poderia deixar de ser diante de tudo que já escrevi sobre a atuação do chefão do grupo imobiliário que não representa a categoria.

 

Conto com fontes diversas que relatam as mudanças que estão a acontecer no Clube dos Especuladores Imobiliários. Sabe-se que a decisão de Milton Bigucci deixar o cargo é definitiva. A permanência do dirigente, após os escândalos de que participou como empresário, tornou-se insustentável. O Clube dos Especuladores já não era lá essas coisas em matéria de participação associativa e ficou ainda pior. Talvez o deserto seja uma boa referência.

 

Há dúvidas apenas sobre a participação do filho Milton Bigucci Júnior. Há condicionalidades que afastariam Bigucci Júnior de qualquer instância executiva da entidade, independentemente de seus valores profissionais. A marca Bigucci precisaria ser exorcizada da hierarquia decisória da entidade para que haja possibilidade de ocorrerem novos e auspiciosos fatos. Mas há indicações de que Bigucci Júnior terá espaço no processo de desintoxicação dos longos anos de domínio de Bigucci pai. Entre outras razões, pondera-se que o filho tem qualidades interpessoais que o pai não tem.

 

Recolhendo informações

 

Não quero me estender sobre o que estou armazenando de informações da sucessão no Clube dos Especuladores Imobiliário e também da pretendida criação de uma nova entidade regional, que reuniria apenas construtores e incorporadores, inclusive de pequenos representantes da classe, localizados em Santo André e sistematicamente desprezados pelos grandes e médios do setor. Não quero estragar a festa de construir uma narrativa completa, a qual comporta inclusive, por enquanto, controvérsias. Como a possibilidade de Milton Bigucci desaparecer de qualquer instância estatutária que pressuponha ativismo.

 

Certo mesmo é que vou dar informações substanciosas sobre o futuro diretivo do mercado imobiliário na região. Ainda sinto que existem muitos buracos a preencher.  A atividade que reúne mais de 40 mil trabalhadores no setor de construção civil e milhares de pequenos empresários precisa ser vista com mais atenção e responsabilidade por instâncias públicas, privadas e sociais. O mercado imobiliário não pode seguir fragmentado. O divisionismo só favorece quem se apropria de sua representação.

 

Quando deixar para valer a chefia do Clube dos Especuladores Imobiliários Milton Bigucci vai poder constatar o que é uma tradição de cobertura jornalística deste profissional de comunicação: exceto nos casos notórios em que se meteu em lambanças como empresário, e mesmo assim sem a eloquência determinada pela sobreposição de funções que exerce, ele perderá muito do espaço que ocupa nesta publicação digital.

 

Exemplos não faltam

 

Foi assim com tantos outros, para o bem e para o mal deles mesmos. Não seria diferente, portanto, com Bigucci. Perguntem, por exemplo, quantas vezes apareceram neste espaço o nome de centenas de empresários do setor imobiliário que jamais ocuparam instância diretiva? O anonimato institucional em que certamente Milton Bigucci mergulhará é o melhor antídoto contra a obrigatoriedade de o jornalismo independente relatar os acontecimentos. Custe o que custar. Inclusive ações judiciais descabidas na tentativa de amedrontamento. O velho Gabriel se sentiria ultrajado se um filho seu fugisse à luta digna de enfrentamento.  

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