Imprensa

O que vem após 1999?
Já encontrei duas saídas

  DANIEL LIMA - 29/10/2015

Não faltam leitores a me chamar a atenção para um deslize cronológico cometido na edição de ontem sobre o comportamento do PIB Geral que coloca Santo André na lanterninha absoluta entre os municípios mais importantes do Estado. Escrevi que os números se referem ao novo século, porque a base de comparação é 1999 e a ponta é 2012. Ou seja: os dados referem-se ao comportamento da economia regional -- em contraponto à economia de 15 dos municípios mais industrializados do Estado -- entre o ano 2000 e 2012. Chamaram-me a atenção à lógica de que o século XXI começou em 2001. Com razão. Enveredei pelo ano 2000 como marco do novo século porque assim se comportou a maioria dos mortais à ocasião da virada do ano de 1999. Jornalismo permite algumas licenças poéticas, por assim dizer, mas os leitores puristas estão corretíssimos.

 

No fundo, no fundo, o que me faltou foi um pouco mais de racionalidade em contrapeso à emoção memorial dos festejos do novo século na virada de 1999. Fiquei preso a uma armadilha social e não tive capacidade de buscar alternativa que sintetizasse um mote de comunicação assimilável por todos os leitores sem provocar eventual ira dos que não admitem pedaladas em hipótese alguma, inclusive no calendário gregoriano.

 

Artigo esclarecedor

 

Virada do século e virada do milênio são assuntos polêmicos, daí entender que não cometi crime de lesa credibilidade ao adiantar os ponteiros do relógio demarcador da estatística sobre o comportamento do Produto Interno Bruto regional.  O jornalista Carlos Sardenberg escreveu a propósito em abril de 2007. Vejam alguns trechos do artigo:

 

 Do capitalismo para o capitalismo.  A grande desilusão do século é o socialismo.  A virada para o século 20 foi comemorada em grande estilo na passagem de 1900 para 1901. Grandes festas também ocorreram no ano anterior, como no Rio de Janeiro, mas dominou a opinião segundo a qual 1900 só podia ser o décimo ano da última década do século 19. (...). A ciência determinava a virada para 1901 – e isso não era o fim de coisa alguma. (...) Os cariocas, que haviam comemorado de véspera, convenceram-se ao longo do ano e voltaram às ruas em 31 de dezembro de 1900.  Já na nossa virada, não houve quem convencesse que a grande festa deveria ter sido há três semanas, no alvorecer de 2001, e não um ano atrás, como ocorreu não apenas no Rio, mas no mundo todo.

 

Saídas encontradas

 

Não uso trechos do artigo do jornalista que atua na Rede Globo de Televisão para limpar minha própria barra. Dei uma esticada na interpretação do novo século segundo o ponto de vista jornalístico e não esperava que fosse tão contestado. Ótimo. A partir de agora, quando me referir ao período subsequente a 1999, que é o pomo da discórdia, vou utilizar a expressão “Anos 2000”. Ou novo milênio. Mas que meu subconsciente – e o da maioria dos leitores – está preso à ideia fixa de que o novo século começou mesmo em 1º de janeiro de 2000, disso não tenho dúvida.

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