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Quantos empregos industriais
Província perdeu em setembro?

  DANIEL LIMA - 22/10/2015

Vai ser anunciado nos próximos dias o balanço do emprego em geral -- e do emprego industrial em particular -- do Ministério do Trabalho. Quantos postos de trabalho do setor de transformação industrial a Província do Grande ABC perdeu em setembro, aumentando o rombo no casco de uma embarcação que naufraga nas ondas da desindustrialização combinada com a recessão econômica? Façam suas apostas, senhores e senhoras. Não acreditem em saldo. A lógica é de novo déficit.

 

Segundo o conglomerado Ciesp/Fiesp, que representa a indústria paulista, com base nos dados das unidades locais, a região perdeu no mês passado 1.250 postos de trabalho no setor. É provável que o buraco seja maior com a chegada do Ministério do Trabalho em cena, porque a metodologia é outra.

 

O que mais incomoda o PT na região é a ameaça de que, com Dilma Rousseff, a agremiação regrida o estoque de empregos industriais com carteira assinada ao patamar do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso.

 

Se houver superação daquela numerologia nefasta, viveremos o pior dos mundos, porque, pelo menos durante a gestão FHC o Brasil como um todo passou por grandes transformações. O erro do tucano foi tratar esta Província com desdém, acentuando a desindustrialização.

 

Fizemos ainda outro dia um balanço sobre o comportamento do emprego industrial na região desde 1995, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência da República, passando pelos oito anos de Lula da Silva e chegando a Dilma Rousseff destes dias tenebrosos. A conclusão é que perdemos até agora com Dilma Rousseff nada menos que 24.523 postos de trabalho. Sobram 36.030 carteiras assinadas ativas para que a escolhida por Lula da Silva deixe a região, ao encerrar o mandato (mandato?), com o mesmo estoque de trabalhadores industriais de Fernando Henrique Cardoso.


Basta perder 900 empregos industriais em média por mês até o final do mandato constitucionalmente programado para que Dilma Rousseff chegue ao fundo do poço de Fernando Henrique Cardoso sem, entretanto, ter alcançado nada que se assemelhe à herança bendita do tucano. Herança bendita sim. FHC fez estragos na região mas alterou significativamente determinados quesitos de gestão fiscal da Nação. Tanto que Lula da Silva, eleito em 2002, tratou de dar prosseguimento a muitas políticas econômicas, introduzindo com a esperteza e a sensibilidade inegáveis sua poção de inclusão social bombada pelo mundo em festa das commodities.

 

Sofrimento automotivo

 

Se depender da indústria automotiva, carro-chefe da economia regional, é melhor não engatar previsões otimistas. Está mais uma vez nos jornais que o setor desaba na exata medida em que o desemprego aumenta, a confiança empalidece, os escândalos são apurados e os políticos fazem as lambanças de sempre.

 

O jornal Valor Econômico de hoje oferece cardápio informativo indigesto. Diz que nos últimos quatro anos a indústria nacional de veículos perdeu R$ 41,9 bilhões em faturamento e cortou remessas de lucro a suas matrizes em US$ 3,6 bilhões. Ao mesmo tempo, o setor passou a depender dos controladores estrangeiros para financiar necessidades de capital de curto prazo, o que já levou à captação de mais de US$ 3,3 bilhões via empréstimos corporativos apenas neste ano.

 

A reportagem do Valor Econômico vai mais longe e preocupantemente para quem depende tanto da indústria sobrerrodas. O quadro aponta queda de 1,1 milhão de vendas de veículos nos últimos quatro anos, com redução semelhante de produção. Quem acredita que o setor estará livre desse calvário em pouco tempo é melhor prestação atenção ao que disse um dirigente da General Motors: se 2015 tem sido dramático para a indústria automobilística, 2016 poderá ser um ano ainda pior. A GM está trabalhando com queda da demanda de 20% no planejamento dos negócios do ano que vem.

 

Ociosidade crescente

 

Quem acredita, também, que já foi transcrito tudo de ruim, espere a sequência da reportagem do Valor Econômico: “A indústria brasileira de veículos comerciais pesados – entre caminhões e ônibus – está operando com ociosidade superior a 70%. Já nas contas da GM, que incluem as fábricas de carros, o excesso de capacidade nas montadoras nacionais chegou a 51%.

 

Como se vê, nem mesmo com o esquizofrênico PPE (Programa de Proteção ao Emprego) a Província do Grande ABC vai deixar de acumular perdas sensíveis de trabalhadores industriais. Nosso sindicalismo não está nem aí, nossos gestores públicos estão mais preocupados com a reintrodução da CPMF e também com o liberar geral o vergonhoso do sistema de perdão de juros e multas de dívidas ativas de empresários milionários. Enquanto isso, nossos pequenos empresários comem o pão que o diabo amassou sem ter, inclusive, o apoio da mídia regional para cobrar os irresponsáveis que colocaram o País na zona de rebaixamento da economia mundial. Já os mandachuvas e mandachuvinhas locais nada fazem de prático na área econômica, exceto para os próprios bolsos.  

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