Imprensa

Luiz Marinho solta franga verbal ao
ressuscitar anedótico Aeroportozão

  DANIEL LIMA - 17/06/2014

O prefeito Luiz Marinho perdeu a compostura verbal, depois de ver escoar pelo ralo do oportunismo a decência ética em várias questões administrativas: deu entrevista ao jornal Repórter Diário para ofender este jornalista e todos aqueles que acreditam que não passa de lorota a proposta de construir um aeroporto internacional em São Bernardo.

 

Marinho foi contraditório na entrevista ao jornalista Leandro Amaral, mas destilou o desequilíbrio emocional de quem se encontra sitiado por série de irregularidades administrativas. Falou, falou, mas manteve a obscuridade que cerca a ideia de plantar sobre a vegetação, as águas e a riqueza animal dos mananciais de São Bernardo um empreendimento privado que, para ser o que o prefeito pretende e anuncia que seja, deverá ocupar área semelhante à do território de São Caetano, ou seja, 12 milhões de metros quadrados.

 

Sob o título “Marinho projeta aeroporto em São Bernardo nos moldes de Cumbica”, o jornal Repórter Diário, em versão digital, destaca uma entrevista com o prefeito que só perde para o congênere de Santo André, Carlos Grana, o título de líder atual do Observatório de Promessas e Lorotas. Perder para Grana não é nenhum indicativo de qualificação gerencial. O titular do Paço de Santo André é imbatível em ilusionismo gerencial.

 

Luiz Marinho disse ao Repórter Diário que conta com o projeto executivo do aeroporto projetado para São Bernardo. “A princípio, o espaço será para o transporte de cargas – uma espécie de aeroporto industrial – para aproveitar a logística tendo em vista a proximidade do Município com o Porto de Santos e as ferrovias” – escreveu o Repórter Diário. Aí, na sequência, veio o destempero de um prefeito que abomina contraditório. Ele carrega os vícios de sindicalista que impunha vontades aos dirigentes das montadoras e de autopeças, contando com as costas largas de trabalhadores sempre em estado de greve:

 

 “Muita gente que não acredita, aguarde. Não é um “aeroportozinho” como alguns imbecis falam. Será um aeroportozão, o próximo aeroporto metropolitano. Não é um aeroporto de brincadeira, ironizou Luiz Marinho diante das críticas que alguns fizeram ao projeto. O prefeito disse que os moldes da construção serão semelhantes ao Aeroporto Governador André Franco Montoro, conhecido como Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, escreveu o jornalista Leandro Amaral.

 

Atestado de lucidez

 

As declarações de Luiz Marinho são endereçadas a mim. Sou um imbecil juramentado na opinião do prefeito da maior cidade da região. Partindo de quem partiu, com a ficha corrida de delitos administrativos apontados pela mídia, diria que as declarações de Luiz Marinho são um atestado de lucidez a quem pretende ofender. 

 

Faltou ao repórter Leandro Amaral dar nome ao imbecil, único profissional de comunicação da região a enfrentar um prefeito com sede ditatorial pela mão única da informação. Atribuir a “alguns” a postura crítica à invencionice do aeroporto internacional em São Bernardo é desprezar os leitores. A utilização dos verbetes “aeroportozinho” e “aeroportozão”, de autoria deste jornalista, seria suficiente para reconhecer o endereçamento do destempero do prefeito. Marinho só não tem coragem de dizer com todas as letras o que faço como profissional de comunicação: não omito a identidade de quem julgo importante à informação.

 

O complemento da entrevista do Repórter Diário com Luiz Marinho mostra o quanto o prefeito de São Bernardo é manipulador: “O governo brasileiro pode determinar que seja transformado em aeroporto de passageiros. Inicialmente é para suprir uma dificuldade logística do Estado de São Paulo e do Brasil”, observou Marinho.

 

Questões a esclarecer

 

Para não esticar demais o assunto, recomendo aos leitores que devassem as estranhas da temática nos links abaixo, todos fartamente contributivos ao desmonte de uma farsa. Gostaria de fazer pessoalmente ao prefeito de São Bernardo uma série de perguntas sobre o terminalzinho comercial a que ao máximo se limitará o empreendimento projetado no entroncamento da Rodovia dos Imigrantes e o Trecho Sul do Rodoanel. Só algumas perguntas, as quais, repito, faria pessoalmente caso Luiz Marinho não fosse o que é de verdade, um ditador que se acha dono não só de São Bernardo como também de toda a Província do Grande ABC. O imbecil aqui, que tanto incomoda, levanta as seguintes questões preliminares:

 

a) Qual é a dimensão da área supostamente reservada para receber o Aeroportozão tão difundido?

 

b) O espaço, enquadrado na legislação de proteção ambiental, terá suficientes mecanismos de sustentabilidade para impedir desmandos e desastres ecológicos?

 

c) Quem são os parceiros capitalistas do empreendimento anunciado e como eles chegaram à Administração Municipal?

 

d) Esses parceiros capitalistas atuarão de forma autônoma, sem qualquer relação legal com a Prefeitura, ou serão parceiros que dividirão recursos e responsabilidades?

 

e) Por que, até agora, projeto executivo pronto segundo o próprio prefeito, não foram divulgados todos os detalhes das negociações?

 

f) Como essas negociações com empreendedores privados escolhidos a dedo se deram sem que a ética e a moralidade pública fossem preservadas?

 

g) Qual o histórico de propriedade da área em que se pretende plantar o Aeroportozão? Quem eram e quem são os atuais proprietários?

 

h) Como assegurar que a área reservada não faz parte de uma negociata imobiliária previamente concatenada para beneficiar irregularmente os agentes responsáveis pelo negócio?

 

i) A quem pertencem as áreas no entorno do anunciado empreendimento?

 

j) Como explicar que um administrador público e assessores atuem politicamente no governo federal para abrir espaço no território local a um empreendimento que favorecerá um grupo empresarial até agora desconhecido sem que isso dê claros sinais de ações nada republicanas?

 

k) Como o prefeito pretende sensibilizar as instâncias legais e também as representações sociais na demolição da estrutura de preservação dos mananciais tendo-se em vista que, em Parelheiros, na Zona Sul da Capital, projeto menos ambicioso está sendo obstado pela comunidade e também pela legislação municipal?

 

l) Quem o prefeito designou para defender os interesses da Administração junto aos empreendedores?

 

m) Se o projeto goza de legitimidade moral e ética, por que razão até agora não foi detalhado à sociedade, sobretudo numa entrevista coletiva com amplas possibilidades de contraditórios?

 

Marinho chegará lá?

 

Poderia estender os questionamentos ao prefeito Luiz Marinho, mas devo reconhecer que, pelo menos sob esse ângulo, o ângulo da transparência, sou algo hibrido que reúne os defeitos de fabricação e de comportamento dos imbecis e dos idiotas: sou um imbediota completo. Sim, um imbediota completo, porque mantenho a ilusão de que um ex-sindicalista acostumado ao mandonismo forjado pela retaguarda de um coletivo bovinamente decidido a amplificar a voz dos donos dos podres poderes seria capaz de compreender que o mundo inteiro não está a lhe dizer amém.

 

Mesmo assim, fica o desafio ao prefeito de São Bernardo: marque hora, local e endereço para que o Aeroportozão que virou Aeroportozinho e agora não passa de um projeto de Terminalzinho de carga e descarga seja esmiuçado democraticamente, sem subterfúgios semânticos. Venha debater com esse imbediota, caro prefeito, porque você só tem a ganhar: passará do estágio em que se encontra há muito tempo, e que nenhum neologismo seria suficiente para expressar o que seja, para o patamar de imbediota no qual já estou há quase 50 anos de profissão. Soltar a franga verbal, caro prefeito, tem seu preço.

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