Imprensa

Ombudsman vai estender análise
a mais publicações da Província

  DANIEL LIMA - 10/06/2014

Mais publicações da Província do Grande ABC vão contar nestas páginas com análises do ombudsman não autorizado depois que a Copa do Mundo terminar. Para que não digam que o Diário do Grande ABC e o Diário Regional estariam sendo privilegiados (ou castigados) decidi ouvir ponderações de terceiros e incluirei na lista todos os demais jornais impressos que mereçam avaliações quando de manchetíssimas importantes -- mesmo os não-diários.

 

Para refrescar a memória dos leitores, vou investigar o conteúdo e outros atributos apenas da manchetíssima de cada jornal impresso. Manchetíssima é a manchete das manchetes de primeira página. Enveredar por outras páginas e manchetes não dá porque o tempo é curto.

 

Aos leitores que perguntam sobre a exclusão de publicações digitais do foco do ombudsman a resposta é simples: ao longo de uma jornada as manchetíssimas dos jornais digitais se alteram frequentemente e em muitos casos não têm relação alguma com regionalidade. Sim, relação com a regionalidade porque não abriremos mão de manchetíssimas de conteúdo regional.

 

Por isso mesmo a atividade de ombudsman não será necessariamente diária e tampouco abarcará todos os veículos numa mesma data. É muito mais que provável que uma manchetíssima do Diário do Grande ABC de hoje não obrigue análise da manchetíssima do Diário Regional também de hoje. A competição não será entre dois ou mais veículos de comunicação de uma mesma data, mas, sobretudo, de um determinado veículo de comunicação consigo próprio, sempre sob o ponto de vista do leitor, o qual representarei. Não perderei a oportunidade de, ante a coincidência de um mesmo tema num determinado dia abordado por dois ou mais jornais, abarcar a análise dos veículos envolvidos.

 

Ainda não defini critérios à atuação do ombudsman. Nem alinhavei os pontos cardeais das medidas. Certo mesmo é que não haverá novidades para quem me conhece. Há certos princípios e conceitos dos quais não abrimos mão. As notas não serão obra do acaso, mas o resultado do encadeamento objetivo e subjetivo de avaliações.

 

Sem academicismo

 

Quem achar que vou me apegar a eventuais descuidos ortográficos pode tirar o cavalinho da chuva. Não tenho o viés acadêmico de procurar falhas gramaticais como agulha em palheiro. Valem muito mais outros quesitos. Um texto bem concatenado não quer dizer que seja um texto apreciável. Os medíocres costumam escrever sem falhas formais.

 

Quando escrevi que preferencialmente a manchetíssima de um jornal de um dia não concorrerá com a manchetíssima de outro jornal do mesmo dia quero dizer que o balizamento que definirá a abordagem do trabalho e a nota consequente não estarão plugados na concorrência convencional, de um contra o outro. Eventualmente pode ocorrer esse tipo de confronto, mas o mais comum será a avaliação individual de cada produto.

 

Se tivesse que revelar um segredo antes de dar o pontapé inicial nessa disputa de manchetíssimas diria que a nota média nesse quesito das publicações às quais dedicarei atenção é bastante baixa. Maltrata-se a manchetíssima de cada dia. Não se lhe dá o tratamento adequado de foco principal da vitrine de publicação. Embora o atenuante da correria do dia a dia de fechamento editorial minimize a responsabilidade dos editores de primeira página, a estrutura básica das médias de notas baixas se concentra nas fragilidades da cadeia de produção editorial.

 

Não existe milagre numa edição de jornal diário: quando não se organiza  metodologia que feche o cerco em torno de um texto denso, instigante, o que se apresenta no fechamento final é um quebra-galho editorial que muitas vezes não justifica o pódio de manchetíssima. Os jornais impressos costumam mostrar a cara na qualidade das manchetíssimas entregues aos leitores ao longo dos tempos. Sem trepidações. Uma manchetíssima de boa qualidade hoje não assegura a boa qualidade de amanhã. Sem estrutura editorial equilibrada, a exceção não costuma virar regra. 

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