Economia

Bigucci repete balanço enganoso à
frente do Clube dos Construtores

  DANIEL LIMA - 20/02/2014

Comandante há mais de duas décadas do desmoralizado e inoperante Clube dos Construtores e Incorporadores do Grande ABC, o empresário Milton Bigucci, velho conhecido de guerra de irregularidades no setor, reuniu a Imprensa para mais uma vez desfilar fantasias numéricas mal-ajambradas. O balanço do mercado imobiliário da Província do Grande ABC em 2013 é mais uma vez um amontoado de imprecisões, mistificações e vazios. Mas quem disse que, mesmo em desgraça com algumas mídias, Milton Bigucci é contestado? A força publicitária do mercado imobiliário desmonta a ideia de que existe liberdade de expressão no jornalismo. Existe mesmo é liberdade de coerção.

 

Atuando como agente de marketing que pretende fazer crer que o mercado imobiliário é um mar de rosas, como se micos não se espalhassem por todo o território regional, Milton Bigucci disse aos incautos que o setor apresentou o melhor resultado da história no ano passado, levando-se em conta que a história da atividade na região começa em 2006, quando o Clube dos Construtores iniciou pesquisas sobre lançamentos e vendas de imóveis, principalmente ou sobretudo apartamentos.

 

A quantidade de imóveis comercializados pouco importa à compreensão de mais um capítulo que desmascara o empresário Milton Bigucci, apontado pelo Ministério Público do Consumidor de São Bernardo como campeão de irregularidades no setor. Sem contar que o conglomerado MBigucci está atolado até o pescoço no escândalo do ISS e do IPTU da Capital. Nada que surpreenda, levando-se em consideração que Milton Bigucci se juntou a outros empresários para arrematar de forma fraudulenta o terreno onde constrói o empreendimento Marco Zero, em São Bernardo.

 

Às favas, a realidade

 

O recorde divulgado por Milton Bigucci tem contorno e conteúdo de quem pouco se importa com a realidade dos fatos. Os 10.054 unidades vendidas no ano passado, sempre segundo o dirigente, seriam um número histórico porque superariam os anos anteriores. O que Milton Bigucci não disse porque não lhe interessa dizer é que quando iniciou o que chama de produção de dados estatísticos do mercado imobiliário da região (os quais não passam de embuste), tanto Diadema quanto Mauá não constavam dos estudos. E tampouco o programa popular Minha Casa, Minha Vida, que foge da proposta de mensurar o setor dentro dos conceitos de oferta e demanda convencionais.

 

Ora bolas, apenas a título de analogia: imagine o leitor que Santo André venha a ser anexada por São Bernardo como Município, e, um prefeito espertíssimo, de São Bernardo, saia a público para dizer que o PIB de São Bernardo quase dobrou em poucos anos. A comparação é aberrativamente simplória porque as estatísticas industrializadas por Milton Bigucci são aberrativamente simplórias. E a Imprensa cai de quatro ante tamanha insensatez.

 

Mas quem pensa que Milton Bigucci patrocina essas patifarias informativas que mexem com o bolso da sociedade com a candura dos inocentes, não sabe da missa um terço. Tudo é deliberadamente preparado e repetido a cada temporada para anabolizar uma atividade que insiste em tentar bater recordes de valorização do metro quadrado, embora as condições macroeconômicas se apresentem como obstáculos.

 

Houvesse uma legislação que obrigasse os insensatos do mercado imobiliário a pagarem por imóveis os valores de metro quadrado que anunciam ao público em anúncios, entrevistas e outras formas de comunicação, a irresponsabilidade de manipulação de preços acabaria num instante. Uma Lei de Responsabilidade Imobiliária cairia como luva para reduzir drasticamente a ação eticamente criminosa de agentes especulativos.

 

O balanço do mercado imobiliário divulgado por Milton Bigucci também é manco, caolho e indecente como instrumento de informação porque não tem respaldo técnico e científico. Jamais Milton Bigucci abrirá as planilhas do comportamento do setor porque tudo é feito de improviso, num sistema de captação de dados que se divide entre a fragilidade metodológica e o esfarelamento estrutural.

 

Um time de catados

 

Fosse um time de futebol, as estatísticas do Clube dos Construtores seriam um catado, porque são um mal-ajambrado ajuntamento de dados. Chutam-se números ao prazer da especulação imobiliária.

 

Já desafiamos o dirigente a tornar público o acervo que supostamente daria sustentação às pesquisas. Ele jamais respondeu ou responderá porque a matéria-prima que instrumentaliza os encontros com a Imprensa carrega o vício do autoritarismo e do obscurantismo como elementos imprescindíveis à verborragia corporativista que ignora os interesses dos pobres consumidores de informação.  

 

É uma pena que os empresários sérios e responsáveis do setor imobiliário da região sigam a decisão de se afastarem o quanto podem de tudo sob o controle de Milton Bigucci, sobretudo o Clube dos Construtores. Ali Bigucci dá as cartas e joga de mão desde a queda do Muro de Berlim. O ditatorialismo que exerce há tanto tempo afastou os bons empresários da instituição. Chegou-se ao ponto de, mesmo desmoralizado como agente econômico porque metido em diversas irregularidades que contaminam os empreendedores do setor, Milton Bigucci não se afasta da entidade por falta de substituto. Todos os homens sérios do setor imobiliário querem distância da entidade.

 

Pois é esse mesmo dirigente empresarial que vira e mexe aparece na mídia para enganar o distinto público, porque, insisto, as pesquisas que exibe são um atentado à responsabilidade social.

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