Economia

Faltam três fábricas da GM para PT
zerar déficit de emprego industrial

  DANIEL LIMA - 22/01/2014

Ainda falta o equivalente a três fábricas da General Motors de São Caetano para zerar o estoque de empregos industriais abatidos na Província do Grande ABC (sobretudo em São Bernardo) desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Houve reação durante quase todos os oito anos de mandato do petista Lula da Silva, mas novos dados do Ministério do Trabalho colocam a gestão de Dilma Rousseff no paredão: registrou-se perda líquida pela segunda vez. No ano passado foram destruídos no setor 1.687 postos de trabalho com carteira assinada. Um volume que, somado aos 25.509 empregos que desapareceram no saldo a partir de janeiro de 1995, eleva o universo a 27.196 trabalhadores que tiveram de se virar em outras atividades. A fábrica da General Motors em São Caetano conta com 9.155 trabalhadores. Durante o governo FHC, a Província perdeu o equivalente a nove fábricas da GM.

 

Para variar, e enquanto o prefeito Luiz Marinho segue com alguns planos prestidigitadores, São Bernardo ocupou disparadamente a liderança de perda líquida de emprego industrial na temporada passada. Foram para o ralo 1.475 postos de trabalho. Ou seja: de cada 100 empregos industriais decepados na região, 87,4 estavam localizados nas fábricas de São Bernardo. A Capital regional do automóvel perde postos de trabalho mesmo numa temporada de alta produção e vendas do setor automotivo. Não se trata de catástrofe episódica: desde que o Plano Real chegou, São Bernardo é disparadamente líder em perda líquida de emprego industrial. Foram destruídos 21.684 do total de 27.196 da Província do Grande ABC. Quase 80% do total regional.

 

São Bernardo não reage

 

Esses números de São Bernardo são emblemáticos do baixo aparelhamento técnico e de profissionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entregue a um acadêmico experiente como Jefferson José da Conceição, com experiência principalmente no setor sindical, mas praticamente isolado da organizacional voltada a outros setores. A falta de objetividade de São Bernardo com o desenvolvimento econômico é o retrato fiel da baixa sensibilidade da liderança política do Município. Luiz Marinho foi forjado nas lides sindicais e dificilmente entenderá a importância do empreendedorismo como fonte de riqueza. Tanto que resolveu construir o Museu do Trabalho e do Trabalhador, como se o Empreendedor fosse abstração à dinâmica econômica. 

 

A expectativa de que gestores petistas poderiam zerar o déficit de emprego industrial na Província do Grande ABC torna-se pouco provável. Quando assumiu em janeiro de 2003 o presidente Lula da Silva recebeu uma herança de 81.444 postos de trabalho dinamitados na economia da região. Foram os anos 1990 de abertura econômica e descentralização automotiva a açodar a Província, no rescaldo dos excessos sindicais dos anos 1980.

 

Entre janeiro de 2003 e dezembro do ano passado, período em que Lula da Silva (até dezembro de 2010) e Dilma Rousseff (de janeiro de 2011 a dezembro de 2013) ocuparam a presidência da República, a Província do Grande ABC contratou 54.141 trabalhadores para o setor de transformação industrial, média anual de 4.921. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso a Província perdeu 81.327 trabalhadores industriais, média anual de 10.165 postos de trabalho.

 

Quando Fernando Henrique Cardoso deixou a Presidência da República em dezembro de 2002, a Província do Grande ABC contava com 195.216 empregos industriais formais. No final do ano passado, depois de uma década e um ano no poder federal, o PT acumulava 249.357 postos de trabalho de saldo na indústria. Quando da implementação do Plano Real, a Província do Grande ABC contabilizava 276.660 postos de trabalho industrial com carteira assinada.

 

Vejam os números históricos do emprego industrial com carteira assinada na região:  

 

 São Bernardo contava com 119.867 empregos industriais em 1994, caiu para 83.484 em 2002, subiu para 99.658 em 2012 e caiu para 98.183 no ano passado. O déficit a partir do Plano Real é de 21.684 postos de trabalho, ou 79,73% do total da região. 

 

 Santo André contava com 41.392 empregos em 1994, caiu para 29.005 durante o governo FHC e subiu para 39.048 com o PT. Um saldo negativo de 2.344 empregos.

 

 São Caetano contava com 26.136 empregos industriais em 1994, caiu para 14.527 em 2002, subiu para 21.688 em 2012 e subiu para 21.822 no ano passado. Saldo negativo no período de 4.314 carteiras assinadas.

 

 Diadema contava com 61.286 empregos industriais em 1994, caiu para 43.849 em 2002, subiu para 57.458 em 2012 e caiu para 56.569 no ano passado. Déficit de 4.217 empregos.

 

 Mauá contava com 15.842 trabalhadores em 1994, aumentou para 17.454 ao final do governo FHC, subiu após 10 anos de PT para 22.217 em 2012 e caiu para 22.144 no ano passado. Saldo positivo de 6.302.

 

 Ribeirão Pires contava com 11.466 empregos industriais em 1994, caiu para 6.226 em 2002, subiu para 11.137 em 2012 e caiu para 10.809 no ano passado. Saldo negativo de 657 postos de trabalho.

     

 Rio Grande da Serra contava com 671 empregos industriais em 1994, subiu para 778 em 2002, subia para 919 em 2012 e caiu para 889 no ano passado. Saldo positivo de 218 trabalhadores. 

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