Economia

Cooperação é a
base dos plásticos

  MALU MARCOCCIA - 05/11/1998

Todos concordaram. É preciso desentupir os canais de diálogo entre os três elos do setor petroquímico da região: a primeira geração representada pela central de matérias-primas PQU (Petroquímica União), produtores de resinas plásticas e transformadores dessas resinas em produtos acabados. Como fazer isso? Também houve  consenso no 1º Seminário do Setor Plástico do Grande ABC realizado no mês passado em Diadema no sentido de aproximar as partes em torno de interesses comuns como compra de equipamentos e desenvolvimento de tecnologia, elaboração de cadastro com matérias-primas mais consumidas e quem as fornece, qualificação da mão-de-obra, implantação de um pólo de moldes e -- o maior dos objetivos -- transformar o Grande ABC em centro de excelência em plásticos.

 

Como viabilizar isso? Ai a roda começa a pegar. Para que tudo não acabe em pizza, a Câmara Regional constituiu subgrupo específico do setor e já nomeou como coordenador Adolfo Braga Neto, da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), e como vice Carlos Augusto César Cafu, do Sindicato dos Químicos do ABC. "É preciso estabelecer um modus operandi para tornar o processo permanente e sistemático. Não podemos criar um vazio entre o seminário e as ações práticas" -- proclama Eduardo Giorfi, gerente regional do Sebrae-SP, organismo que encomendou à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estudo sobre a cadeia petroquímica para viabilizar dentro do Proder (Programa de Geração de Emprego e Renda) formas de alçar os transformadores de plásticos, cerca de 70% de pequeno porte, com até 99 funcionários.

 

Neste 6 de novembro, o subgrupo dos plásticos, que estará dentro do grupo do setor petroquímico, já realiza o primeiro encontro tendo como lição de casa 13 propostas tiradas de equipes que se reuniram imediatamente após o seminário, na própria Fundação Florestan Fernandes. A pressa em achar caminhos para a cadeia se deve não só à relevância da PQU -- que responde por 40% do ICMS de Mauá e Santo André e está com a produção estrangulada porque depende de fornecimento de gás de refinaria, negado pela Petrobrás --, mas pelo potencial dos plásticos no Grande ABC.

 

Segundo a Unicamp, estão na região quase 10% de um setor brasileiro que emprega 190 mil pessoas em seis mil empresas. A Unicamp identificou na região 487 fabricantes, pesquisou 168 e aprofundou a lente sobre 24. Do universo total, Diadema sedia 197 (40,5%) e São Bernardo 96 (19,7%).

 

O grande problema desse parque é que não exercita a integração. Há  empresas de todos os portes e a diversificação vai de saquinhos de supermercados, embalagens de remédios e artigos de limpeza a sofisticadas peças de engenharia automotiva. Esse necessário inter-relacionamento dos três elos da cadeia nas compras, produção e até pool de exportação a Unicamp carimbou de clusters (agrupamentos). "O ABC precisa começar a se ver como pólo plástico, para descobrir a força da cooperação como faz a Itália" -- incentiva a coordenadora do estudo, Maria Carolina de Souza.

 

A importância do setor pode ser traduzida pelos agentes que participaram do seminário de outubro. Representantes das três gerações da cadeia, Sebrae, Abiplast e Sindiplast, Sindicato dos Químicos, Fiesp (Federação das Indústrias), Instituto Nacional do Plástico, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e Senai Mário Amato e Colégio Clóvis Bevilácqua, escolas que cuidarão da qualificação de 12 mil trabalhadores da região.

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