Economia

PIB da Província come cada vez
mais poeira da Grande Campinas

  DANIEL LIMA - 10/01/2014

O conglomerado formado por 19 municípios e que tem Campinas como centro irradiador e catalizador de riquezas bateu com facilidade a Província do Grande ABC nos primeiros nove anos de governo federal do PT. A chamada Grande Campinas somava PIB (Produto Interno Bruto) levemente superior ao da Província do Grande ABC em dezembro de 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. Com a chegada de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, a Província movida à indústria automotiva reagiu de forma insuficiente para aplacar a tendência de direcionamento de mais e mais investimentos e produção à Grande Campinas. Se ao final de 2002 aquela região estava discretamente adiante da Província, com superioridade que significava 30% do PIB de Diadema, ao final de 2011 a vantagem chegou à soma do PIB de Diadema e de Mauá.

 

Apesar de sistemáticas constatações de que, sempre quando em confrontos regionais, a Província do Grande ABC emite sinais de que não acompanha o ritmo dos concorrentes, os administradores públicos locais não emitem qualquer sinal de reação consistente para estancar um processo insidioso de fragilização do tecido econômico e social de uma área com 2,8 milhões de habitantes. Não há diálogo entre os secretários de Desenvolvimento Econômico da Província. Os municípios são unidades estanques, separadas pela vaidade e pela falsa ideia de que podem resolver os problemas da região de forma individual. Sem contar que não faltam agressões à lógica desenvolvimentista, caso explícito de Santo André, onde a titular da secretaria é uma educadora sem qualquer experiência no setor produtivo.

 

Pior que isso: a modalidade de produzir marketing vazio de conteúdo mas disseminador de manchetes acríticas segue esfuziante. O Observatório de Promessas e Lorotas criado por CapitalSocial já reúne mais de uma centena de apontamentos dos atuais prefeitos. Levando-se em conta que apenas o titular do Paço Municipal de São Bernardo, Luiz Marinho, está em segundo mandato, projeta-se montanha de propostas que se acumularão inutilmente ao final de quatro anos.

 

A Grande Campinas é um dos principais macroendereços ao qual o setor privado industrial e também de serviços de valor agregado dirigiu investimentos desde que a Região Metropolitana de São Paulo começou a emitir sinais de desgaste de produtividade. Por isso, não surpreende o resultado de nova bateria de estudos de CapitalSocial, tendo como fonte primária de dados o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na produção do PIB (Produto Interno Bruto).

 

Diferença que se alarga

 

Em janeiro de 2003, quando Lula da Silva assumiu a presidência da República, o PIB conjunto do G-7, os sete municípios da Província do Grande ABC, era levemente inferior ao PIB dos 19 municípios da Grande Campinas. Apenas 3,54% de diferença favorável ao conglomerado interiorano. Ao final de 2011, após oito anos de mandatos de Lula da Silva e um ano de Dilma Rousseff, a Grande Campinas consolidava vantagem de 17,17% sobre a Província do Grande ABC.

 

Em valores monetários nominais, sem considerar a inflação, o que era R$ 1.315.86 bilhão de distância entre a Grande Campinas e a Província, saltou em 2011 para R$ 18.100.74 bilhões. Como Diadema contava com PIB de R$ 4.453,24 bilhões em 2002, a diferença entre a Grande Campinas e a Província do Grande ABC naquele 2002 era de apenas um terço da riqueza produtiva da cidade da região. Ao final de 2011, os mais de R$ 18 bilhões que separam as duas regiões significam o PIB de Diadema (R$ 11.786.62 bilhões) somado ao PIB de Mauá (R$ 7.633.78 bilhões).

 

O resultado decorre da ampla diferença da velocidade de crescimento de produção de riqueza. Enquanto os sete municípios da Província do Grande ABC avançaram nominalmente 150,73% no período de nove anos, a Grande Campinas alcançou 192,00%. Nada menos que 21,72% de diferença. Se a Grande Campinas e a Província do Grande ABC iniciaram uma disputa em terra batida praticamente em condições de igualdade ao final de nove anos os sete municípios locais passaram a comer poeira.

 

A Província do Grande ABC é formada por Santo André (crescimento de 112,63% do PIB no período de estudos), São Bernardo (crescimento de 175,79%), São Caetano (crescimento de 176,80%), Diadema (crescimento de 164,47%), Mauá (crescimento de 106,07%), Ribeirão Pires (crescimento de 154,72%) e Rio Grande da Serra (crescimento de 133,92%). Em 2002, a Província registrava PIB total de 34.817.50 bilhões, contra R$ 87.297.38 bilhões ao final de 2011. Um avanço nominal de 150,73%.

 

A Grande Campinas é formada por Campinas (crescimento de 171,96% do PIB no acumulado dos 11 anos), Americana (crescimento de 386,82%), Arthur Nogueira (crescimento de 158,85), Cosmópolis (crescimento de 121,04%), Engenheiro Coelho (crescimento de 192,45%), Hortolândia (crescimento de 593,94%), Indaiatuba (crescimento de 256,78%), Itatiba (crescimento de 155,23%), Jaguariúna (crescimento de 281,17%), Monte Mor (crescimento de 198,97%), Nova Odessa (crescimento de 265,60%), Paulínia (crescimento de 37,82%), Pedreira (crescimento de 164,36%), Santa Bárbara do Oeste (crescimento de 182,16%), Santo Antônio da Posse (crescimento de 171,55%), Sumaré (crescimento de 258,49%), Vinhedo (crescimento de 406,27%), Valinhos (crescimento de 191,24%) e Holambra (crescimento de 108,23%). Em 2002, a Grande Campinas registrava PIB de R$ 36.095.92 bilhões em valores nominais, ante R$ 105.398.12 bilhões em 2011, também em valores nominais.

 

Protagonismo regional

 

Não bastasse o fato de contar com maiores dimensões territoriais (são 3,673 quilômetros quadrados contra 840 quilômetros quadrados da Província do Grande ABC), a Grande Campinas também leva a vantagem de ser protagonista econômica e social, longe da penumbra da Capital do Estado, como os sete municípios locais. Tanto que enquanto no período de nove anos o resultado do PIB local foi fortemente influenciado pela indústria automotiva, concentrada em São Bernardo e em São Caetano, que subiram de 50% para 55% na geração de riqueza, na Grande Campinas houve descentralização do poder da Capital local, a cidade de Campinas. Tanto que em 2002 Campinas representava 41,28% do PIB daquela região, enquanto em 2011 caiu para 38,45%. A tendência é de contínua perda de participação relativa de Campinas naquele bloco de municípios sem, entretanto, apontar esvaziamento econômico.

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