Economia

São Bernardo e São Caetano salvam
PIB da Província na gestão petista

  DANIEL LIMA - 08/01/2014

Movidas principalmente à indústria automobilística, São Bernardo e São Caetano salvaram a lavoura do PIB da Província do Grande ABC num balanço de nove anos (de janeiro de 2003 a dezembro de 2011) da gestão do PT no governo federal. No período, o PIB da região cresceu por ano, em média, 4,83%, praticamente a metade do avanço médio do Brasil. Santo André e Mauá, dependentes do setor petroquímico, apresentaram os piores números. Diadema teve comportamento discreto.

 

Esses cinco municípios da região integram o G-20 Paulista, agrupamento organizado por esta revista digital para medir o comportamento das principais cidades do Estado de São Paulo e cujos resultados comparativos sobre os nove anos de Brasília petista vão ser igualmente publicados.

 

O período petista na presidência da República significa uma lufada de recuperação da economia da Província, apesar de o motor de geração de riqueza ratear nos últimos anos, quando houve perda do PIB em relação ao período imediatamente anterior. Predecessor da administração petista, o tucano Fernando Henrique Cardoso solapou um terço do PIB da região entre 1995 e 2002 com política de descentralização automotiva e abertura intempestiva no setor de autopeças. Mais de 80 mil empregos industriais desapareceram no período e, mesmo com a reação petista, ainda não foram repostos.

 

Consumismo ajuda muito

 

Embora os resultados gerais do PIB da Província do Grande ABC nos nove anos comprovados por estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sejam acalentadores para quem mergulhara em complicações macroeconômicas, convém manter a cautela. O balanço é fortemente influenciado pela política consumista da gestão petista, que encontra no setor automobilístico um veio que aparentemente começa a dar sinais de esgotamento, ou de forte desaceleração. O crescimento de produção e de vendas de veículos de passeio no Brasil a partir da chegada de Lula da Silva na presidência da República, e que seguiu com Dilma Rousseff, está na raiz da recuperação da região. Da mesma forma que a descentralização automotiva combinada com baixo consumo e abertura internacional, principalmente às autopeças, estraçalharam a rede de manufatura do setor na região. Em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, foi vendido 1.791 milhão de veículos de passeio no Brasil. Em 2011, foi praticamente o dobro. A região participa com estimados 20% do total de veículos fabricados no País.

 

O PIB da Província do Grande ABC em 2002 (contando os dados de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) alcançou em valores nominais R$ 34.817.50 bilhões, ante R$ 87.297.38 bilhões em 2011, conforme dados publicados recentemente pelo IBGE. O crescimento nominal, ou seja, sem considerar a inflação do período, foi de 150,73%, ante inflação de 74,71% medida pelo IGM-M (Índice Geral de Preços do Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. O crescimento real, descontando a inflação do período, foi de 43,51%.

 

Isso significa que a média de crescimento anual do PIB da região no período foi de 4,83%. Principalmente por conta de São Bernardo e de São Caetano que avançaram, respectivamente, em termos nominais, 175,59% e 176,80% no período. A participação relativa do PIB dos dois municípios na Província do Grande ABC subiu de 50,04% para 55,10% em nove anos. Ou seja: a influência do setor automotivo se faz cada vez mais prevalecente no desenvolvimento econômico da região, mesmo se considerando deficiências do PIB como ferramenta de medição de construção de riqueza.

 

Trata-se de uma espécie de Doença Holandesa contra a qual o melhor antídoto é fortalecer outras atividades produtivas. Eventuais e prováveis contratempos no setor automotivo, como o excesso de oferta que já se desenha no horizonte nos próximos anos, ante estabilidade de vendas, tornariam a economia da região mais vulnerável a sacolejadas nos campos tributários e de emprego, principalmente.

 

São Caetano bombando

 

Sede de uma das unidades de fabricação da General Motors do Brasil, e também de um centro tecnológico da multinacional norte-americana, São Caetano construiu o crescimento do PIB nos nove anos de governo petista sobretudo pelo avanço do setor industrial. Em termos nominais, o Município cresceu 279,56% na atividade, ante 176,80% no PIB Geral, que incorpora comércio, serviços e administração pública. São Caetano disparou no PIB Industrial, mesmo quando se compara com São Bernardo, sede de várias montadoras, com crescimento de 190,91% na atividade, ante 175,59% no PIB Geral.

 

O desempenho do PIB Industrial de Santo André desde a chegada do PT a Brasília é decepcionante, dando sequência a números sofríveis durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Vítima de concentração de produção em não mais que uma dezena de empresas, Santo André cresceu em termos nominais apenas 71,95% no PIB Industrial, ante 112,63% no PIB Geral.

 

Mauá também fracassou no período com o PIB Industrial registrando avanço nominal de 72,80%, ante 106,07% do PIB Geral. Tanto no caso de Santo André quanto de Mauá, o PIB Industrial cresceu abaixo da inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas (74,71% no período). Diadema apresentou comportamento relativamente satisfatório no PIB Industrial durante o comando federal petista: 158,72% de crescimento nominal, ante 164,47% do PIB Geral.

 

Embora o desempenho do PIB da Província do Grande ABC seja um bálsamo quando colocado em paralelo com o período de Fernando Henrique Cardoso, o confronto com os números gerais do Brasil não é dos mais satisfatórios. O PIB nacional entre 2002 e 2011 cresceu em termos nominais 213,86%, ao passar de R$ 1.320 bilhão para R$ 4.143 bilhões. Aplicado o IGPM, o PIB do País avançou no período 77,32%, ou a média anual de 8,59%, praticamente o dobro da marca registrada na Província do Grande ABC. Ou seja: a região avança em velocidade muito abaixo da média nacional. O PIB da cidade de São Paulo cresceu no mesmo período, em termos nominais, praticamente na mesma toada do PIB da Província: 153,78%. 

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