Sociedade

Manual para identificar quem é do
Grupo de Predadores da Província

  DANIEL LIMA - 27/05/2013

Quem faz parte do que chamaria do GPP (Grupo de Predadores da Província)? Arriscariam os leitores alguns nomes? Esperem, esperem. Antes disso, vou transmitir uma lista de atributos, entre aspas, que poderão ser considerados à consumação dos nomes que saltariam de imediato.

 

Não sei por que demorei tanto para criar o GPP, já que a maioria dos integrantes mais que conhecidos, e outros nem tanto, está na Província do Grande ABC há muito tempo. Muitíssimo tempo. Tempo suficiente para se aperfeiçoarem. Gente fina, como se sabe, é outra coisa.

 

Tive a ideia de preparar o GPP durante a corrida matinal deste domingo pelas ruas do Jardim do Mar, em São Bernardo. A terapia é inapelável. Basta correr para entrar em alfa. Não há mal que não cure nas corridas, seja sobre um par de tênis, seja na bicicleta ergométrica diante da TV que sempre tem uma programação gravada especialmente para agilizar o tempo. Conheço tanta gente que fez de bicicletas ergométricas decoração de gosto duvidoso exatamente porque não exercita a paciência e a inteligência de planejamento de uso.  Pedalar olhando para as paredes é deprimente. Pedalar assistindo a algum programa de TV ou mesmo ouvindo música é uma boa pedida.

 

É mamão com açúcar listar os predicados, entre aspas, dos integrantes do Grupo de Predadores da Província. Basta usar o que chamaria de teoria reversa, ou seja, pensar nos personagens para dar forma à teoria. A fauna de predadores da Província do Grande ABC é vasta. Pense naquele cara que foi sempre de oposição a um determinado partido e hoje se derrama entre antigos desafetos. Pense naquele outro que faz das tripas coração para se dar bem na vida, capaz de vender a mãe. E daqueles que dizem numa esquina o que não sustentam na outra? Incluo homens e mulheres como inspiradores do manual que se segue porque em matéria de safadezas a Província é unissex.

 

Tenho certeza que os leitores, com base no manual construirão listas e listas do GPP. Principalmente porque há um aspecto que deve ser considerado para valer: não é preciso mais que o preenchimento de um dos quesitos abaixo para enquadrar-se. Um quesito é suficiente.

 

Mal sempre acompanhado

 

Como não acredito que os predadores são elementos de deficiência única, exclusiva, e que, portanto, estão imunes a contaminações, porque o ambiente despudoramente oportunista é uma metástase, é mais que certo que outras qualificações, também entre aspas, acabarão identificadas pelos leitores, em eventual combinação com alguma que mais se ressalte.  O mal nunca está desacompanhado de outros males, como se sabe. 

 

Quando sentei ao computador imaginava que a teoria de enquadramento dos membros do GPP seria extensa, mas acabei me surpreendendo, sinceramente, embora também não seja curta demais. A dimensão da safadeza não está na quantidade, mas na dimensão dos quesitos.

 

Diria mais: observando-se minuciosamente a lista, tem-se como certo que a caracterização dos predadores se dá num circulo vicioso que não requer maiores detalhamentos. Até porque, uma coisa leva à outra.

 

Seria estupidez rematada retirar o núcleo de atuação dos predadores da Província do Grande ABC das administrações municipais, epicentro da orquestração de malandragens juramentadas. O Poder Público não é moradia exclusiva dos pecados, mas sem dúvida o mais emblemático, o mais antipedagógico a quem imagina uma sociedade sem tantas impurezas.

 

Entretanto, as entidades de classe, principalmente econômicas, empresariais e sindicais, não podem ser minimizadas. Seus dirigentes, em larga escala, são quase tão bons de bola quanto os gestores públicos. Nem poderiam ser diferente, convenhamos, porque o imbricamento entre organizações privadas e administrações municipais é automático, retroalimentador e visceralmente indomável. Sobretudo porque o instituto da reeleição aperfeiçoou de tal maneira o jeito de manter-se ou incluir-se no poder que opositores do passado acabaram dobrando a espinha sem nenhum compromisso com coerência. Vivemos praticamente uma quase unanimidade de pensamentos, completamente burra, a comprometer as próximas gerações.

 

A lista do GPP

 

 Utilizar recursos públicos para produzir informações que não têm relação alguma com a verdade ou mesmo que tenham alguma relação com a verdade mas está longe da verdade.

 

 Participar de entidades com o fim específico de obter vantagens individuais.

 

 Participar de entidades com o fim específico de obter vantagens individuais e também classistas.

 

 Organizar nichos de parceiros de ocasião para potencializar ganhos em instâncias de poder.

 

 Desdizer declarações e posicionamentos não por força da maturidade e da restauração do interesse público, mas de objetivos individuais e grupais interesseiros.

 

 Infiltrar-se nos veículos de comunicação, sobretudo como ponta de lança de interesses cruzados, para obter automática prioridade nas pautas encomendadas.

 

 Ultrapassar os limites de deboche social ao apresentar-se como filantropo, embora cometa as maiores barbaridades éticas nos negócios.

 

 Propagar regionalidade sem ao menos se dar ao trabalho de apresentar uma única ação efetivamente sólida que caracterize preocupação com a integração de instâncias e projetos.

 

 Desfilar informações, dados e interpretações açucarados em flagrante conflito com a realidade dos fatos.

 

 Desprezar iniciativas que tenham como escopo o enquadramento dos poderes públicos, principalmente das administrações municipais, num receituário de questionamentos e transparência.

 

 Associar-se sorrateiramente ao Poder Público tendo a garantia de que os movimentos jamais serão detectados.

 

 Criar uma lista qualquer mas sempre seletiva de queixumes sem grande importância contra determinada administração pública para disfarçar acordos intramuros.

 

 Montar engrenagem informal para demonizar determinadas e incômodas individualidades da sociedade, dando-se à operação suposto acabamento de integridade moral e ética.

 

 Sustentar a imagem de boa praça que leva o senso comum a sugerir alguém colaborativo a engrossar a fileira dos que não pretendem atrapalhar ninguém.

 

 Oferecer solidariedade seletiva, pensadamente a comprar consciência ou apoio em momentos de dificuldades, uma forma muito comum de aproximações circunstanciais que geram lucros por muito tempo.

 

 Sujeitar-se a determinações politicas da vez para seguir adiante em cargo de suposta relevância, porque o que interessa mesmo é o próprio bolso.

 

 Defender princípios democráticos que, quando postos em xeque, são deliberadamente negados, quando não brandidos como direitos privados imunes à curiosidade de terceiros.

 

 Dar a entender que, mesmo supostamente interpretando a vontade de um determinado grupo, está a propagar realidade do conjunto da sociedade.

 

 Ter certeza absoluta de que, por mais que engane, que dissimule, que destile meias verdades e mentiras inteiras, estará sempre e sempre protegido porque os interesses que representa jamais serão violados.

 

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