Entrevista Indesejada

De Nadai foge de entrevista como
Bigucci, Moura, Ronan e Walter

  DANIEL LIMA - 29/11/2011

Como era esperado, embora lamentado pela sociedade ávida porinformação, a Entrevista Indesejada preparada por CapitalSocial e enviada aoempresário Sérgio De Nadai não foi respondida. Imerso na Máfia da Merenda, umdos maiores escândalos envolvendo prefeituras de mais de três dezenas demunicípios de três Estados, principalmente de São Paulo, Sérgio De Nadaipreferiu o silêncio à prestação de contas à comunidade.

 

Sérgio De Nadai segue a trilha de Ronan Maria Pinto, MiltonBigucci, Valter Moura e Walter Sebastião dos Santos que também fugiram deEntrevista Indesejada.

 

Membro do Conselho Superior da Acisa (Associação Comercial eIndustrial de Santo André), Sérgio De Nadai está praticamente excluído daentidade após a divulgação do escândalo da Máfia da Merenda e da condenação daJustiça.

 

Apesar de a direção da entidade não se ter manifestadooficialmente sobre o assunto, sabe-se que Sérgio De Nadai será discretamenteafastado do Conselho Superior que conta com algumas personalidades doMunicípio, entre as quais Antonio José Monte, presidente da Coop, maiorcooperativa de consumo do País, e Wilson Ambrósio da Silva, com longa passagempelo Diário do Grande ABC.

 

Outros nomes de conselheiros da Acisa: Flávio Martins, MariaBeatriz Setti Braga, Duílio Pisaneschi, Mário Baptista, Zoilo de Souza Assis,Saul Gelman, Antonio Tite Girelli, Octavio Valejjo, Denise Apolinário, entreoutros.

 

Vícios corporativos

 

A presença de Sérgio De Nadai no Conselho Superior da Acisacarrega um velho vício das instâncias corporativas da Província do Grande ABC ede tantas outras localidades: a condição econômica do empresário com origem em Santo André soterrouqualquer objetividade crítica e o instalou num patamar institucional meramenteformal.

 

Trocando em miúdos: Sérgio De Nadai não acrescentou jamaisqualquer tijolinho de suposta luminosidade empresarial e corporativa na gestãoda Acisa, mas a força econômica e as articulações políticas principalmente nogoverno do Estado do PSDB há 16 anos serviriam para aproximações de dirigentesda entidade.

 

Como não teve atuação minimamente colaborativa ao longo dosanos a defenestração de Sérgio De Nadai seguirá um ritual silencioso, quaseenvergonhado, porque o custo-benefício se mostrou contraproducente. A simplesenunciação do nome do empresário nos corredores e salas de diretoria da Acisa,presidida pelo advogado Sidnei Muneratti, gera mal-estar.

 

Há sentimento coletivo de que a Acisa foi condescendentedemais com a presença meramente decorativa de Sérgio De Nadai em seus quadros,entre outras razões porque era de conhecimento geral que o empresário trafegavapor uma zona de risco nos escaninhos dos poderes públicos, utilizando-se demétodos sempre agressivos por confiar plenamente no respaldo de altos coturnospartidários.

 

Regras mais rigorosas

 

A presença virtual de Sérgio De Nadai na Acisa acabou porfortalecer um grupo de dirigentes que pretende aplicar regras mais rígidas deascensão de empresários e executivos no Conselho Superior. São os chamadoscardeais que ditam as regras estratégicas que a entidade deve adotarprincipalmente em questões internas e externas mais delicadas, como as eleiçõesmunicipais.

 

A Acisa já foi um centro de resistência ao esquerdismoestatizante, mas nos últimos anos assumiu políticas de relacionamento menosortodoxas, entre outras razões porque direita e esquerda aplicaram conceitosadministrativos semelhantes, embora façam de tudo para sugerir que sãoantípodas ideológicos.

 

Os excessos expositivos de Sérgio De Nadai, sempre à procurade holofotes, desagradavam imensamente a integrantes do Conselho Superior. Poroutro lado, não faltavam defensores do empresário, a argumentar a riqueza derelacionamentos políticos, os quais, entretanto, segundo oposicionistas, jamaisredundaram em fortalecimento da entidade.

 

No fundo, no fundo, a relação entre Sérgio De Nadai e aAssociação Comercial e Industrial de Santo André não passou de encenação: oprimeiro fingia que atuava em favor da entidade e a segunda imaginava que aidentidade do empresário lhe emprestava massa política.

 

A derrocada de Sérgio De Nadai com o desfecho aindaincompleto da Máfia da Merenda, escândalo que deverá ganhar novos capítulos comdecisões judiciais que se encaminham em muitos municípios, além de Jandira, naGrande São Paulo, poderá alterar de vez os rumos de avaliação e decisões daAcisa.

 

Mais transparência

 

Há quem defenda maior transparência no tratamento doescândalo. Não faltam associados preocupados com a tradição da entidade epressionam por moralidade institucional.

 

É possível que o ambiente de panos quentes sofra alteraçõesmediante empenho maior de associados em busca de esclarecimentos. E também dedirigentes que não gostariam de continuar numa instituição observada sob lentesde desconfiança por dispensar ao caso omissão pública.

 

Não falta quem afirme que todo o Conselho Superior daAssociação Comercial e Industrial de Santo André está sob suspeita. Oraciocínio é simples: o aparente descaso com a situação de irregularidadesempresariais envolvendo Sérgio De Nadai sugere que haveria outros escândalos aatingir outros representantes da entidade, daí o motivo de não se mexer umapalha sequer para dar respostas ao público.

 

É possível, por conta disso, que haja alguma movimentaçãooficial da Acisa que resulte em aparar as arestas publicamente. A continuadaomissão sobrepõe à Acisa descredenciamento em qualquer tentativa de recriminarestripulias da classe política, por exemplo.

 

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