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Economia

Salário industrial prevalece
frente à média geral no G-22

DANIEL LIMA - 20/05/2019

Santo André e São Bernardo registram maior desequilíbrio no ranking de remuneração de trabalhadores industriais em relação ao conjunto de assalariados da região. Os dois municípios têm o que chamaria de Índice de Assalariamento Industrial Exagerado. Mauá está em outro agrupamento, de Índice de Assalariamento Industrial Acentuado. Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra têm Índice Equilibrado. São Caetano tem Índice Superado.

Criei essas definições para analisar sob o ponto de vista de diferenças salariais os integrantes do G-22, grupo dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, exceto a Capital e com a inclusão de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra como representantes suplementares da região, o G-7 do G-22.

Afinal, de que se trata esse ramal de estudos sobre industrialização? Simples: são exagerado, acentuado, equilibrado e superado os índices que mede, a média salarial do setor de transformação industrial quando comparado com a média das demais atividades econômicas.

Predomínio industrial

Confrontei o resultado do salário médio mensal dos trabalhadores industriais dos municípios locais com o dos demais municípios do G-22 para procurar definir o mapa de valorização dos profissionais da região e a contraface da desigualdade igualmente salarial que alimenta a desigualdade social. São poucos os casos em que municípios contam com médias salariais do conjunto de trabalhadores acima da média salarial de quem atua na indústria de transformação.  

Quanto mais vantagens salariais os trabalhadores industriais registram em relação à média dos demais trabalhadores, mais se definem as grades de desigualdade.

Dividi em quatro categorias as distinções entre os trabalhadores dos municípios. Sempre pela média salarial que coloca de um lado o setor industrial e do outro os demais setores. Os dados contabilizados têm origem no Ministério do Trabalho e Emprego e são relativos a dezembro de 2017 – os mais atualizados.

Carteiras assinadas

São remunerações com carteira assinada. Ou seja, o mercado informal de trabalho não está nos estudos porque estatisticamente é mais frágil. As quatro divisões que definem o grau de remuneração de trabalhadores industriais e os demais são os seguintes: 

 Índice de Assalariamento Industrial Exagerado.

 Índice de Assalariamento Industrial Acentuado.

 Índice de Assalariamento Industrial Equilibrado.

 Índice de Assalariamento Industrial Superado.  

Os casos de Santo André e de São Bernardo são, no Grande ABC, os mais agudamente exagerados no ranking do G-22. Os salários industriais superam em média em mais de 30% as demais categorias econômicas.

Em São Bernardo a diferença entre o que recebe em média trabalhadores industriais e trabalhadores de outras atividades chega a 36,83%, enquanto em Santo André é de 31,59%. Somente os 44,36% de São José dos Campos, os 40,93% de Taubaté e os 37,17% de Sumaré são exemplares mais agudos que os dois representantes da região.  Também faz parte desse subgrupo Paulínia com os 33,02% de distância salarial.

A inclusão de Santo André no grupo fechado de recordistas de desigualdade salarial entre trabalhadores industriais e das demais atividades é surpreendente. Afinal, o Município é o único que não conta com característica comuns aos demais: não tem uma atividade econômica proeminente em relação às demais.

Talvez uma explicação seja a maior proporção de empresas de médio e grande porte em relação ao total do setor industrial. Santo André teve as pequenas empresas dizimadas desde a abertura econômica nos anos 1990.

Polos mais agressivos

São Bernardo conta com o setor automotivo forte, sobretudo com as montadoras de conquistas trabalhistas imensas. São José dos Campos é polo aeroespacial. Taubaté também é polo automotivo e Paulínia conta com grande concentração no setor químico-petroquímico. Santo André também conta com peso relativo elevado das áreas químicas e petroquímicas, mas não tão acentuadamente como os demais líderes em diferenças salariais do setor industrial.  

Já o Índice de Assalariamento Industrial Acentuado reúne os municípios de Jundiaí, com distância de 24,35%, Sorocaba com 28,67%, Piracicaba com 18,70%, Mogi das Cruzes com 32,21%, Guarulhos com 19,52%, Osasco com 20,29%, Mauá com 25,18%. Trata-se de economias menos dependentes de uma atividade econômica específica, mas fortemente geradoras de valor adicionado industrial. No caso de Mauá prevalece o Polo Petroquímico e as empresas do setor de transformação.

Os municípios que se enquadram no critério de Índice de Assalariamento Industrial Equilibrado são Campinas (12,16% de vantagem dos trabalhadores do setor frente às demais categorias), Ribeirão Pires (15,56%), Diadema (12,17%), Barueri (4,18%) e Rio Grande da Serra (-12,30%).

O último pelotão, do Índice de Assalariamento Industrial Superado, envolve quatro municípios do G-22: São Caetano (8,87% de desvantagem do salário industrial médio frente à média dos demais), Ribeirão Preto (28% de desvantagem), São José do Rio Preto (10,70% de desvantagem) e Santos (25,87% de desvantagem). Ou seja: esses quatro municípios contam com assalariamento industrial inferior à média das demais atividades.

A regra não vale para todos os municípios que estão no patamar exagerado ou mesmo no patamar acentuado de dependência de assalariamento industrial prevalecente, mas é recomendável que se preste muito atenção ao movimento do navio macroeconômico nacional e internacional.

Risco de perdas

Trata-se do seguinte: o Brasil está perdendo a cada ano mais e mais participação no mundo industrializado. Chegou a contar com 4,4% do mercado em 1980 e caiu para 2,2% nos últimos anos. A queda relativa e absoluta está relacionada à redução do grau de participação da indústria de transformação também internamente. Os últimos dados dão conta de que o PIB Industrial não passa de 12% do PIB Geral. No Grande ABC, o PIB Industrial é o dobro da média nacional. Mas acusa perdas a cada novo ano. A tendência de se aproximar da média nacional é o raciocínio mais lógico.

No quadro abaixo, mostramos o ranking de assalariamento médio dos trabalhadores industriais (na primeira coluna) e (na segunda coluna) os respectivos valores do assalariamento médio das demais atividades. Na terceira coluna, o resultado entre uma coisa e outra, ou seja, o percentual que distancia a média industrial da média geral.

1. Paulínia – R$ 6.961,62 e R$ 4.662,83 -- 33,02%

2. São José dos Campos – R$ 6.476,88 e R$ 3.603,51 – 44,36%

3. Sumaré – R$ 5.959,49 e R$ 3.744,53 – 37,17%

4. São Bernardo – R$ 5.839,72 e R$ 3.688,93 – 36,83%

5. Taubaté – R$ 5.172,32 e R$ 3.054,89 – 40,93%

6. Jundiaí – R$ 4.337,90 e R$ 3.281,51 – 24,35%

7. Sorocaba – R$ 4.281,53 e R$ 3.054,15 – 28,67%

8. Barueri – R$ 4.260,92 e R$ 4.082,74 – 4,18%

9. Campinas – R$ 4.223,61 e R$ 3.709,81 – 12,16%

10. Santo André – R$ 4.154,23 e R$ 2.841,97 – 31,59%

11. Piracicaba – R$ 4.012,08 e R$ 3.261,96 – 18,70%

12. Mauá – R$ 4.007,27 e R$ 2.998,30 – 25,18%

13. Guarulhos – R$ 3.910,19 e R$ 3.147,02 – 19,52%

14. Osasco – R$ 3.903,38 e R$ 3.111,46 – 20,29%

15. Diadema – R$ 3.638,23 e R$ 3.195,59 – 12,17%

16. Mogi das Cruzes – R$ 3.321,29 e R$ 2.550,29 – 23,21%

17. Ribeirão Pires – R$ 2.992,87 e R$ 2.527,09 – 15,56%

18. São Caetano – R$ 2.869,89 e R$ 3.124,67 – (-) 8,87%

19. Ribeirão Preto – R$ 2.786,41 e R$ 2.865,74 – (-) 2,85%

20. Rio Grande da Serra – R$ 2.665,69 e R$ 2.337,90 – 12,30%

21. Santos – R$ 2.630,46 e R$ 3.310,89 – (-) 25,87%

22. São José do Rio Preto – R$ 2.405,19 e R$ 2.662,51 – (-) 10,70%



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