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Economia

Poder de consumo: vamos de
mal a pior no Clube dos Ricos

DANIEL LIMA - 18/04/2019

Não tem escapatória: se a economia regional vai mal, e vai mal há muito tempo, o poder de consumo da população, tecnicamente chamado de potencial de consumo pela consagrada Consultoria IPC, do pesquisador Marcos Pazzini, só tem mesmo a perder. No Clube dos Ricos Paulistas, os 20 municípios mais fortes do Estado de São Paulo (exceto a desequilibradora Capital e com a inclusão de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, por comporem o Grande ABC), os representantes locais vão de mal a pior neste século.

Esta é a segunda análise com base no denso trabalho da Consultoria IPC, parceira de CapitalSocial e de LivreMercado ao longo dos anos. 

Potencial de Consumo é uma espécie de PIB (Produto Interno Bruno) do quanto cada Município, como seus moradores, tem para gastar num determinado período. O Grande ABC já foi bom, muito bom, nisso. Mas perde cada vez mais força. Quem mandou não cuidar do futuro?

No Clube dos Ricos Paulistas o Grande ABC perde feio para os municípios espalhados pela Grande São Paulo e o Interior mais próximo, para onde se deslocaram as maiores faixas de investimentos industriais. Ou seja: o G-7 (formado pelos sete municípios locais) não resiste a comparações com o G-15 (os demais municípios do Clube dos Ricos Paulistas). 

Caindo pelas tabelas 

Desde o começo deste século, em 2000, tomando-se por base os dados de 1999 coletados da Consultoria IPC, os municípios da região perderam profunda participação nacional no bolo de consumo quando comparados aos 15 que completam o G-22. 

Em 1999, o Grande ABC registrava 2,28420% de tudo que potencialmente se consumia no Brasil, enquanto o G-15 somava 6,25506%. Uma vantagem do G-15 de 63,48%. Já para este ano o Grande ABC registra poder de consumo de 1,70103%, enquanto o G-15 acumula 5,45759%. A diferença passou para 68,83%%. 

A perda do G-7 (Grande ABC) nos 20 anos pesquisados pela Consultoria IPC registra 25,04% no bolo nacional, enquanto os municípios do G-15 acumularam perda relativa de 16,17%. Ou seja: a velocidade de deterioração do potencial de consumo da região foi em média 35,52% maior que as dos demais municípios do G-22.

Os municípios paulistas, salvo exceções, têm cada vez menos participação no que poderia ser chamado de Campeonato Brasileiro de Poder de Consumo, que é o mapeamento anual formulado pela Consultoria IPC. 

O deslocamento de investimentos ao longo das últimas décadas em direção a diferentes geografias do País, movido principalmente à guerra fiscal, retira gradualmente a participação relativa de riqueza acumulada dos paulistas. Isso quer dizer entre outras coisas que eventual estabilidade de participação interna, ou seja, estadual, no poder de consumo, não assegura ter havido resistência à participação absoluta ou relativa, ou as duas, quando em confronto com o quadro nacional.

Balanço nacional 

Vou traduzir essa equação. Não é porque determinado Município Paulista tenha apresentado estabilidade ou mesmo crescimento no bolo de poder de consumo no Estado que eventualmente não tenha perdido no confronto é com números nacionais. Afinal, se o Estado de São Paulo perdeu quase 15% de participação relativa no bolo nacional de consumo, os municípios paulistas estão na raiz desse resultado. 

Nos 20 anos de dados que solicitei à Consultoria IPC, isto é, de 2000 a 2019, a participação relativa do Estado de São Paulo no potencial de consumo do País sofreu queda de 13,14%. Os 25,53% registrados pelo Grande ABC (G-7) desnudam a gravidade da situação decorrente do esvaziamento industrial que prossegue a ponto de apenas 22% dos trabalhadores com carteira assinada terem vínculo com o setor produtivo tradicional. Já os integrantes do G-15, do Clube dos Ricos Paulistas, sofreram perda média de 16,17% no mesmo período; ou seja, um resultado semelhante ao do Estado de São Paulo. 

Mais preocupante 

Isso quer dizer que a descentralização do poder de consumo internamente, no Estado de São Paulo, é bastante discreta no círculo do G-15, mas preocupante para o Grande ABC. 

O G-22 (Clubes dos Ricos Paulistas) tem poder de consumo nesta temporada de R$ 335.484.337 bilhões de um total do Estado de São Paulo de R$ 1.279.828.291 trilhão. Ou seja: a participação relativa do agrupamento organizado por este jornalista para medir o andar da carruagem da economia do Grande ABC em diversas modalidades corresponde a 26,21% dos paulistas. São 22 municípios num total de 645. A Capital do Estado, sozinha, conta com índice próximo a 30%. E a Região Metropolitana de São Paulo, de 39 municípios, inclusive a Capital, registra este ano potencial de consumo de R$ 598.440.049 bilhões – ou 46,76% do total estadual – e 12,76992% do País. 

A participação da Região Metropolitana de São Paulo no bolo nacional também sofreu perda inquietante no período de 20 anos: foram 25,04%, semelhante à média do Grande ABC. Em 1999 a Grande São Paulo contava com 17,03615% de tudo que potencialmente se consumia no País, e agora em 2019 são 12,76992%. Uma baixa e tanto.

Resumo da ópera: o Grande ABC e a Região Metropolitana de São Paulo como um todo são cada vez menos importantes na distribuição do poder de consumo do País. Já o Estado de São Paulo como um todo, menos atingido pela descentralização industrial da Grande São Paulo, sofre menos diante do quadro nacional. Mas também sofre. 



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