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Esportes

Uma decisão entre primo rico
e primo pobre em Diadema

DANIEL LIMA - 18/04/2019

Não é porque Santo André é economicamente o primo rico e Diadema o primo pobre que a dicotomia segue em frente e chega ao futebol. Neste domingo de manhã as cartas sociais se invertem na decisão de uma das vagas à Série A-1 (Primeira Divisão) do futebol paulista, quando o Água Santa precisa reverter derrota de dois a zero no jogo de ida contra o Santo André. 

O primo rico Água Santa de investidores que poucos conhecem e muitos preferem não apontar nem em pensamento enfrenta o primo pobre Santo André. Tanto é verdade que o Água Santa se preparou durante a semana em Mogi das Cruzes, no mesmo resort que a Seleção da Bélgica utilizou na Copa do Mundo disputada no Brasil. 

Fosse o futebol uma extensão da riqueza de cada Município, não um jogo cada vez mais jogado por agentes esportivos ávidos por negócios diversos, não haveria nem choro nem vela: o Santo André seria o favorito contra o bem mais jovem e por isso mesmo menos tradicional Água Santa. 

Mas como o futebol é cada vez um grande empreendimento, o Água Santa entra em campo com um time milionário para a estrutura média dos clubes da Segunda Divisão, que é de fato a Série A-2 do Campeonato Paulista. 

Riqueza versus pobreza

A riqueza de uma Santo André mesmo decadente continua a ser muito maior que a de uma Diadema que patina na tentativa de voltar a crescer economicamente. Enquanto 4,3% das famílias de Santo André são da classe rica, em Diadema o total não passa de 1,1%. A média nacional é de 2,5%. Ou seja: Santo André tem proporcionalmente quase o dobro da população de ricos do Brasil e quatro vezes mais que de Diadema, enquanto Diadema conta com duas vezes e meia menos que a média brasileira. 

Já entre miseráveis e pobres, Santo André registra nesta temporada, de acordo com o Índice de Potencial de Consumo da Consultoria IPC, 20,5% das famílias. Um pouco menos que Diadema, que soma 21,5% famílias. Ou seja: os desajustes sociais são semelhantes num Grande ABC em decadência de décadas, mas a desigualdade em Santo André é maior. Menos mal que uma sociedade menos desigual, mas predominantemente rebaixada em riqueza. 

Também os indicadores da classe média-média e da classe média baixa são mais generosos em Santo André. Há riqueza consolidada ao longo de décadas de desenvolvimento econômico. Diadema é retardatária porque pegou o bonde da industrialização com certo atraso e, em seguida, foi colhida no contrapé pelo processo de perda de investimentos do Grande ABC para outras regiões do Estado e do País. 

No campo é outra coisa 

Tudo isso não serve para nada quando a bola começar a rolar no Estádio Distrital do Inamar neste domingo de manhã em jogo que será transmitido ao vivo pelo SporTV. O Água Santa sai com desvantagem de dois gols, mas é pouco provável que, exceto os torcedores fanáticos do Santo André, alguém tenha coragem de dizer que tudo está decidido. 

Para um time cujo capitão Luizão saiu do gramado do Estádio Bruno Daniel espinafrando os companheiros (“achamos que o jogo era fácil e não foi”), os novos 90 minutos são um desafio e tanto. Como tem muito mais qualidade individual e durante o campeonato foi disparadamente o melhor conjunto entre os 16 participantes, classificando-se com facilidade como primeiro colocado, o Água Santa não é um adversário qualquer. 

A maior virtude do primo pobre Santo André, cuja folha de pagamento não chega a 30% dos valores pagos pelo Água Santa, é a meticulosidade e o intenso trabalho tático do técnico Fernando Marchiori. Esse gordinho que parece mais apropriado a um desses programas de televisão que debocham de tudo é um profissional que deve fazer carreira brilhante, segundo avaliação de dirigentes do Santo André. Mas ele também sabe que não pode fazer milagre. 

Braço e punhos 

Por isso, na decisão deste domingo, o treinador vai tentar extrair o máximo do peso ponderado rumo ao sucesso com a força do coletivo. O Santo André vai se defender com a vantagem de dois a zero debaixo de braço, mas não esquecerá de usar os punhos de contragolpes fatais para colocar a nocaute o primo rico que o subestimou no primeiro jogo. 

No outro jogo das semifinais da Série A-2 o XV de Piracicaba mais ofensivo vai enfrentar um retrancado e contragolpeador Internacional de Limeira no Estádio Barão de Serra Negra. O zero a zero do primeiro jogo dá mostras do quanto as duas equipes são antagônicas. O XV parece mais preparado para a vitória, até porque joga com o apoio da torcida. Mas todo mundo sabe que reta de chegada é reta de chegada. 



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