IMPRIMIR


Esportes

Pintado vai conseguir ser
Pintado e salvar o Azulão?

DANIEL LIMA - 11/02/2019

O São Caetano continua a ser uma equipe-gangorra, com altos e baixos durante cada jogo. Essa é a principal razão (além da teimosia do técnico Pintado em achar que o veterano Christian ainda é jogador de competição), para a equipe ocupar a última colocação na classificação geral da Série A do Campeonato Paulista. 

Ao restarem seis rodadas para o encerramento da etapa, o Azulão é fortíssimo candidato ao rebaixamento à Série B. No ano passado, em circunstâncias semelhantes, a equipe reagiu e chegou às quartas de final. O problema é que a solução encontrada (a contratação de Pintado) talvez não se repita agora. Ou seja: a substituição do comandante da equipe. 

A derrota de sábado à noite no Estádio Anacleto Campanella para o Oeste de Barueri por três a um é emblemática do estágio do São Caetano. A equipe dominou os primeiros 20 minutos, poderia ter feito gol, sofreu um gol anormal, numa falha estonteante do goleiro Jacsson e, para piorar, Pintado desmanchou imediatamente um meio de campo combativo e apoiador ao substituir Vinícius Kiss por Christian. Um desastre completo. Daí em diante o controle tático do jogo passou para o outro lado. E o outro lado soube liquidar o jogo usando contragolpes letais.

Solução equivocada 

O peso da substituição na queda de rendimento do São Caetano foi tão desastroso quanto o gol sofrido num lance de desatenção do goleiro. A diferença é que o primeiro gol do Oeste poderia ser diluído no decorrer do jogo se o técnico Pintado não metesse o bedelho numa troca açodada. 

Christian não é mais jogador profissional se for considerado que a atividade requer uma porção de atributos muito além da técnica e da suposta liderança. O ex-jogador do Corinthians, do Flamengo e do futebol turco não tem mobilidade, vitalidade, dinamismo e tudo o mais para ocupar o meio de campo. A docilidade da bola a seus pés contrasta com o comprometimento tático quando o adversário se mobiliza para interromper o circuito de criação e também quando procura o gol contrário. 

Futebol, como se sabe, não é uma vitrine para se apreciar o talento improdutivo. Ainda há gente na crônica esportiva que se comporta como visitante de museu. Futebol é luta de gladiadores físicos e técnicos.

Mais que o estorvo individual, ao entrar em campo Christian passa a congestionar o meio de campo, onde o jovem Vitinho, emprestado pelo Palmeiras, imperava até a mudança de Pintado. Aos poucos o setor foi se entregando ao adversário e Vitinho, de primeiro tempo ótimo, praticamente saiu escorraçado pela torcida ao final do jogo. Ou seja: Christian é uma individualidade que destroça também o conjunto do São Caetano. 

Pintado também precisa dar uma definição de equipe titular nos jogos que restam. Novas escalações saltam das planilhas a cada jogo. Poucos são os titulares desde o primeiro jogo contra o Corinthians. Mais precisamente o goleiro Jacsson e o zagueiro Joecio. As demais posições foram ocupadas por titulares provisórios. Inclusive Vinícius Kiss e Pablo à frente da zaga. 

Ganhar ou ganhar 

Os três pontos ganhos em seis rodadas e 18 pontos disputados não só colocam o São Caetano na lanterninha na classificação geral, mas também como candidato seriíssimo à Série B do ano que vem. Por isso mesmo os seis jogos que restam na fase classificatória devem ser encarados como finais. Ganhar do Bragantino no final de semana no Estádio Anacleto Campanella virou obrigação. 

O problema é como conciliar necessidade e equilíbrio tático-emocional. O time de Pintado desmancha-se de uma hora para outra. Sai de um estágio de bom rendimento, de bola trabalhada, de bola valorizada, para um festival de chutões e erros.

Único representante da região na Série A do Campeonato Paulista (Santo André, Água Santa de Diadema e São Bernardo disputam a Série B, que classifica os dois primeiros colocados ao acesso) o São Caetano sabe que aos poucos vão sobrando poucos adversários com quem vai competir essencialmente para fugir do rebaixamento. São Bento de Sorocaba e Botafogo de Ribeirão Preto parecem os mais prováveis desafortunados. Mas ainda há possibilidades de mudanças. As três próximas rodadas poderiam deixar o horizonte mais nítido. Nesse período, o São Caetano enfrenta Bragantino em casa, Guarani em Campinas e Mirassol também no Anacleto Campanella. Ganhar três pontos em 90 minutos passou a ser prioridade para um time que somou apenas três pontos de três empates em seis jogos nos quais saiu derrotado três vezes. 

A pergunta que se faz é se o São Caetano vai partir para uma solução típica do ano passado, que implicaria em encontrar algum novo Pintado para substituir um Pintado que deu certo quando tinha de dar para o time fugir do rebaixamento.

Quem seria o Pintado do Pintado numa eventual troca de treinador? Será que o próprio Pintado conseguirá repetir o Pintado do ano passado? Pelo que se vê em campo, talvez o problema do São Caetano seja mais que o treinador, mas o entorno do treinador. A insistência com Chystian não seria uma obra isolada. Contar com Christian no elenco é um atraso de vida porque o passado pressiona a escalação como titular, mas o presente e o contexto de um futebol cada vez mais competitivo desaconselham a medida. 



IMPRIMIR