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Imprensa
Mentiras sobre verdades (1)
DANIEL LIMA 21/08/2009
Acautelem-se todos que, por desventura, cruzarem o caminho da revista Livre Mercado comandada pelo recuperador de tributos Walter Santos. Vejam a lista de qualidades que este jornalista, ex-diretor editorial da revista LivreMercado, oferece de cardápio sobre Walter Santos, da Best Work Consultoria Empresarial:
Sequestrador semântico.
Estelionatário informativo.
Falsário financeiro.
Alcaguete acovardado.
Delinquente explicativo.
Sonegador de fatos.
Prevaricador contratual.
Estuprador do contexto.
Corruptor de dados.
Atravessador editorial.
Contraventor abusado.
Reincidente incontrolável.
Como notam, e podem contar, são 12 preciosidades numa mesma personalidade. E olhem que poderiam ser muito mais, mas as relaciono apenas por conta da matéria que a revista Livre Mercado de Walter Santos publicou na edição de agosto sobre o Prêmio Desempenho Empresarial e as relações negociais que envolveram a cessão da marca Livre Mercado à Best Work.
Quando escrevi “matéria publicada” incorri em imprecisão proposital mas necessária, porque de fato, de fato, não é uma matéria jornalística aquele excremento que consta da edição da revista dirigida por Walter Santos, cuja íntegra capturei no site da publicação, já que a revista física ainda não está circulando.
O texto em questão é de pobreza franciscana. Transmite a sensação de que foi escrito por um entre os muitos aprendizes que Walter Santos resolveu contratar para substituir a equipe de jornalistas competentes que lhe deixei, os quais contribuíram para produzir a melhor revista regional do País. Aprendiz orientado possivelmente por advogados de Walter Santos. Advogados que trabalham como mouros, em período integral. As trapalhadas de Walter Santos são monumentais.
Todos os pontos de delituosidades explícitas que relacionei como qualidades de Walter Santos serão destrinchados na próxima segunda-feira.
Apenas como aperitivo, acabo de enviar aos conselheiros editoriais da revista Livre Mercado uma das provas documentais de que me valho para alertar o público da tipologia desse novo empreendedor editorial no Grande ABC.
Os mais de duas centenas e meia de conselheiros que deixei de herança de credibilidade para Walter Santos receberam cópia de email da Gráfica Prol, credora da Best Work. O comunicado é emblemático. Narra sucintamente o cronograma de impropriedades éticas e financeiras da Best Work. Traduzindo: denuncia a emissão de cheques sem fundos da empresa de Walter Santos para protelar o pagamento de obrigações contraídas quando da cessão da marca Livre Mercado.
Outras ações semelhantes se consumaram ao longo de sete meses. Walter Santos jamais teria coragem de se reunir com empresas e pessoas físicas que constam do contrato de cessão da marca Livre Mercado como credores da Best Work.
O que vou escrever na próxima segunda-feira fundamentar-se-á em fatos e provas. Diferentemente, portanto, do que afirma Walter Santos na matéria mequetrefe de Livre Mercado. Não pretendia descer às minúcias nas relações tormentosas que tivemos ao longo dos últimos oito meses com esse arrivista empresarial, mas não há mais como protelar. O ataque covarde, mentiroso e igualmente autodestrutivo de Walter Santos nos obrigou a reagir publicamente. Até então, nas vezes em que ocupamos este espaço público ou nos emails enviados aos conselheiros, nos fixamos em vetores jornalísticos. Agora será diferente.
Tivesse adquirido um boteco qualquer, uma casa de massagem, um restaurante, qualquer coisa que não fosse de responsabilidade pública, Walter Santos não estaria nestas linhas. Talvez ele tenha se esquecido que adquiriu uma marca forte, respeitável e que, portanto, passou a ser observado com mais atenção. Quem consome informação precisa saber quem está por trás da informação.
O título deste artigo e da sequência que publicaremos segunda-feira é sintomático do conteúdo que vicejará. “Mentiras sobre verdades” significa a exumação dos pontos verdadeiros da matéria preparada por Walter Santos e publicada na revista Livre Mercado — e os correspondentes buracos de enganação ao distinto público leitor.
Confesso sem nenhuma empáfia que o embate com Walter Santos e seus advogados é uma tarefa tão confortável que não me exigiu mais que uma leitura apurada do texto em questão. Duelar contra sofismas provoca, entretanto, certo mal-estar na alma, porque se descobre ou se redescobre a mesquinhez em letra de fôrma. Mas também permite que a objetividade do contragolpe seja letal.
Também confesso constrangido que foi doloroso constatar que uma marca arduamente construída durante praticamente duas décadas tenha sido entregue a um profissional da malandragem semântica, a um usurpador dos fatos. Foi por isso, aliás, que reboquei da literatura criminal as metáforas da avaliação daquela agressão jornalística.
Sofro com tudo isso porque as circunstâncias não me deixaram saída além da aventura que se apresentou na forma e no conteúdo tosco de Walter Santos. Talvez este jornalista não mereça perdão por ter possibilitado a ascensão de um modelo de empreendedor editorial semelhante aos adversários que combati ao longo dos anos.
O que esperar de uma publicação que produz meias verdades, mentiras inteiras, mentiras sobre verdades, verdades sob mentiras?
Desafio Walter Santos a uma acareação pública diante de membros do Conselho Editorial, porque o caminho dos tribunais já está traçado. O recuperador de impostos não tem obrigação de fazer jornalismo de qualidade, embora isso seja uma pena, mas não pode traduzir a operação logística de fazer uma revista em algo semelhante ao objeto mal-cheiroso que encontramos em banheiros coletivos. Até porque, os leitores induzidos à leitura pelo “recall” dos bons tempos de LivreMercado, poderão recorrer ao Procon.
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