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Imprensa
Higiene mental
DANIEL LIMA 06/01/2009
Avesso a festejos de final de ano, passei os últimos 15 dias em casa, em São Bernardo. Li muito, assisti a muitos filmes, a reprises de futebol, corri, procurei não deixar o tempo ocioso me levar à prostração, à síndrome da vadiagem, enfermidade que se apropria precária mas insidiosamente dos workaholics. Ah!, também aproveitei para escrever a Reportagem de Capa de LivreMercado, a entrevista de páginas amarelas de LivreMercado, a seção Campo Aberto de LivreMercado, entre outras tarefas.
Estava esquecendo que dei um tapa no arquivo pessoal, reorganizando-o de forma suficiente a torná-lo menos enigmático para terceiros porque, para mim, é mamão como açúcar.
Aproveitei determinada tarde depois da corridinha e antes do almoço fora, enquanto meu filho ainda dormia, para fazer higiene mental: deletei de meu celular todos os nomes e telefones de gente que já não lembrava mais, de gente que jamais vou esquecer, de gente que não é gente, de gente que não tem mais nada a ver com minha vida, de gente com as quais devo limitar as relações somente às atividades profissionais; enfim, me livrei de um bocado de tranqueiras.
É claro que não vou expor à sanha curiosa dos leitores alguns dos nomes mandados para as profundezas do inferno, mas antecipo que muitos fizeram parte de minha vida no 2008 recentemente encerrado no calendário gregoriano. Gente que infelizmente ainda vai povoar minha vida neste 2009 porque há entre os malfeitores quem se lambuzou na intimidade do meu dia-a-dia profissional.
Me senti aliviadíssimo quando cheguei à ultima letra do alfabeto. A tarefa de demolição daqueles fantasmas impressos pela tecnologia foi proveitosa porque no fundo, no fundo, por mais que sentisse que me enganava com determinadas gentes, estava jogando ao espaço sideral, se assim me permitem o exagero, uma porção de porcarias.
A vantagem da faxina na agenda eletrônica é que agora, quando qualquer uma daquelas gentinhas se dispuser ao caradurismo de digitar meus números, o sistema inteligente e providencial tratará de barrá-las, porque, como se sabe, os numerais não ganharão a forma de identificação nominal.
Começo um novo ano sem ter dúvida quanto aos entulhos que me deixaram no ano passado e em anos anteriores, todos registrados naqueles telefones armazenados diabolicamente como a querer me fustigar a paciência e a alma. Entretanto, começo um novo ano psicologicamente com menos peso porque sei que não vou mais ser incomodado pela invasão daqueles bárbaros indecentes.
É claro que nem todos os mais de 200 nomes que deletei constavam desse espectro endemoniado. Diria, até, que integravam uma minoria. Mas não poderia deixar de eliminar os demais também, porque, francamente, não sei de fato que estavam fazendo ali, tão próximo de mim, dia e noite, noite e dia. Fiquei apenas com outra metade do total inicialmente identificado. Vamos ver quanto vou despachar no final deste ano.
Sobre o fato de não festejar o final do ano, Natal e Ano-Novo, um dia explico. Meu velho pai Gabriel, gente como ninguém, me deixou uma lição inesquecível sobre isso. Que sigo rigorosamente. É melhor aprender com os erros dos outros.
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