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	<title>Capital Social</title>
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		<title>José, o harém de sete mulheres  e a nova temporada de flores</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 18:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[José já foi dono absoluto da vida e da vontade de sete mulheres de seu harém. Pintou e bordou como nunca. Praticamente jamais teve contratempos incontornáveis, exceto em casos episódicos e distantes no tempo. Os poderes de José são afrodisíacos. As mulheres de José são diferentes entre si. Todas, entretanto, se acham dependentes de José. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José já foi dono absoluto da vida e da vontade de sete mulheres de seu harém. Pintou e bordou como nunca. Praticamente jamais teve contratempos incontornáveis, exceto em casos episódicos e distantes no tempo. Os poderes de José são afrodisíacos. As mulheres de José são diferentes entre si. Todas, entretanto, se acham dependentes de José. Inebriam-se com os galanteios de José. Umas mais que outras. Ultimamente, algumas ameaçaram desgarrar-se de José. Teriam descoberto outros homens na praça, todos a lhes oferecer o que tanto gostam &#8212; poder, prestígio &#8212; essas coisas que as mulheres mais ambiciosas gostam. Mas a fama do passado sustenta o José do presente. </p>
<p>Houve tempos em que José reinava soberano na força da conquista e nos métodos de manutenção das mulheres. José é espécie aparentemente indestrutível. José é José, por mais cambaleante que tenha andado, com dores aqui e acolá, consequência do desgaste natural dos anos e das mudanças socioeconômicas e culturais a que nenhum reino está imune.</p>
<p>As mulheres do passado geraram herdeiras que, dinasticamente, se submetem aos caprichos e anseios de José. A espada sobre a cabeça de comprometimento da reputação é a arma com que conta José para ter as mulheres a seus pés. Mas há mulheres que já não suportam submeter-se às vontades de José, como se Amélias fossem. </p>
<p>José, acusam essas mulheres, toma-lhes a vida, os desejos, a liberdade. Os parentes mais graduados dessas mulheres lhes puxam as orelhas, chamam-lhes a atenção. Sugerem comportamento mais edificante. Dizem que a virilidade de José já não é lá essas coisas, que a fama de sedução e de conquista se deve ao passado de juventude e beleza, de ausência de outras opções de masculinidade em alta, embora não desprezem a capacidade de José reoxigenar-se. Há sempre um tubo de balão de ensaio a que José recorre quando as forças parecem lhe abandonar.  </p>
<p>Maria, uma das mais futurosas do reino outrora encantado de José, já não se dobra tanto às vontades de quem pretende manter a ferro e fogo a tradição de benfeitor que exige contrapartidas. </p>
<p>Ultimamente, mais que não se dobrar, Maria revelou faceta pouco comum entre as mulheres do harém: recusou lambuzar-se no leito de José como suas antecessoras. Bateu o pé firme. Garantiu que não permitiria que José se hospedasse em sua casa. Maria e as demais mulheres de José formam um harém diferente: elas têm seus próprios domicílios no território ocupado por José, espécie de invasor para algumas e de protetor para outras. A frequência com que José se hospeda em cada casa das mulheres depende da situação. Em algumas, nem bate na porta. Por que bater na porta se José tem todas as chaves do domicílio? Até elevador privativo José tem-se utilizado numa das sete casas. </p>
<p>Maria bateu e bateu os pés contra o domínio sedutor de José. Resistiu o que pode, porque um José renovado, revitalizado por conta de cirurgias diversas, voltou mais forte. Sim, José bate forte quanto lhe convém e interessa, quando sente que alguma de suas mulheres está na retranca e lhe nega atenção. </p>
<p>Maria diz que não tem vocação para Amélia, para apanhar, apanhar e ficar silente. Maria é rebelde porque conta, entre outras, com as amigas Januária e Petrúcia. Maria, Januária e Petrúcia formam uma trinca que aprecia praticamente as mesmas cores. As cores de um arco iris graduadíssimo. Formaram&#8211;se no mesmo colégio, frequentaram o mesmo ambiente universitário, identificam-se em vários pontos. Maria tem ascendência sobre Januária e Petrúcia porque reúne maiores posses financeiras e também porque é a predileta de um parente poderosíssimo que reina provisoriamente longe do reinado de José, onde, de fato, fez fama.  </p>
<p>José desconfiou dessa irmandade. Por isso andou distribuindo recomendações a Maria, a Januária e a Petrúcia. Quer demovê-las do complô e atraí-las sem risco algum para seu leito. José não suporta ser desafiado. O domínio do espaço territorial que lhe entregaram de bandeja desde que assumiu o posto mor de controlador geral é questão de honra. </p>
<p>José tem métodos diferentes de convencimento. E não perdoa quem o desafia. Maria sabe disso, mas nem assim aquiesceu. Ultimamente, depois de encontro amistoso sem ser amoroso, porque José e Maria viviam às turras e o que mais se dizia é que o rompimento seria definitivo, ultimamente, como dizia, sinalizaram reaproximação. Mas há desconfiança mútua entre José e Maria. </p>
<p>Dizem os mais radicais que a paz não será duradoura. Maria é esperta e não está disposta a deixar José tomando conta da cozinha, da sala-de-estar, dos aposentos. Quer José apenas como amante precário, circunstancial, pontual, essas coisas. Tudo para amenizar as comentadas restrições de José. Não é que José andou dizendo que Maria não era nada disso? Que Maria mal sabia se vestir, usar batom, retocar a maquiagem? José não é um bom crítico de moda, de comportamento, de gastronomia. Mas, quando fala, as mulheres temem a repercussão entre formadores de opinião. </p>
<p>José tem certeza que Maria não se comportará como Cleusa, mais próxima da residência, do coração e de tantos outros pontos da anatomia de José. Cleusa lhe faz todos os gostos. Estende-lhe o tapete azul, instala-o na alcova ao som de valsa.  Se precisar, José terá todos os cuidados médicos de que eventualmente precise. Cleusa é especialista num dos ramos da medicina. Cleusa não serve muito para a saúde física de José porque seus pacientes são outros, de especificidade de gênero não compatível com José, que é, mesmo debilitado, garanhão de verdade. </p>
<p>Sabe-se que Maria, a rebelde, ou ex-rebelde, não tem afinidade maior com Cleusa, com Ernestina, também sua vizinha de residência, com Clodovina e com Oduvalina, as outras mulheres de José. </p>
<p>As razões são tão explicitamente claras quanto os motivos que aproximam Maria de Januária e de Petrúcia. O passado escolar, o passado universitário, o passado ideológico, o passado de relacionamentos e, principalmente, o entorno dos amigos, explicam a situação. </p>
<p>Maria, Januária e Petrúcia pertencem a um grupo de interesses semelhantes, mesmo que de vez em quando vaze alguma informação de que não são tão unidas assim. Cleusa, Ernestina, Clodovina e Oduvalina são mais conservadoras em tudo. Têm maiores afinidades entre si porque frequentaram ambientes semelhantes. Dizem que não gostam tanto do povo que as rodeia, mas isso é intriga da oposição. Não há mulher com a característica de Cleusa, Ernestina, Clodovina e Oduvalina que não goste de povo, porque o povo é sempre a maioria do reino de José. </p>
<p>As sete mulheres de José se reúnem de vez em quando em encontros sempre comemorados, sempre festejados. Até parece que as terras onde habitam são o paraíso. Fingem que se dão bem, que pensam no conjunto da comunidade às quais pertencem, esforçam-se em iniciativas que possam ajudar os habitantes. Entretanto, sabem no íntimo que os resultados serão sempre aquém do desejado. Mesmo entre os grupos em que se dividem, avermelhados e azulados, as sete mulheres cultivam idiossincrasias. José se farta com tanta divisão.  </p>
<p>Maria, Cleusa, Januária, Petrúcia, Ernestina, Clodovina e Oduvalina só não têm dúvidas sobre os anseios e ambições de José. Conhecem de cor e salteado. Suas antecessoras lhes repassaram muitas lições, senão diretamente, por terceiros. Algumas consideram José insaciável, outras dizem que já houve tempos mais indomáveis, quando José reinava com maior proeminência e não tinha dúvida em exigir-lhes o máximo de entrega e carinho.</p>
<p>Há contestações, mas íntimos do poder de José confidenciam que nunca houve naquelas terras um José tão devotado à causa de seguir com as sete mulheres a seus pés. Por isso, ao procurar Maria, José espera recolher as ovelhas desgarradas sob influência dela, no caso Januária e Petrúcia. </p>
<p>A temporada de flores, de muita colheita de flores, que abarrota as burras de José, cultivador maior da espécie mais requisitada pela comunidade, é o mote para a retomada do processo de sedução, em vez da coerção sutil ou descarada. José sabe que não há entre as sete mulheres quem não goste das flores do campo que ele garante que cultiva e distribui com esmero e certo exagero, porque se diz o único produtor da praça. </p>
<p>As sete mulheres acreditam piamente nos poderes de José, mas já acreditaram mais. Mesmo assim, não querem arriscar. Não há mulher alguma no reino de José que não aprecie o aroma das flores que se avizinham. Temem mesmo são os espinhos que José diz estar pronto a espalhar entre elas se não deixarem as portas abertas. As sete mulheres de José viram bichos quando comparadas às mulheres de Atenas.  Admitem até que sejam adeptas de manages, de bizarrices, de brinquedinhos que levantam o astral e outras coisas, mas mulheres de Atenas não. Isso as desmoralizariam.  </p>
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		<title>Falta transparência na gestão do  Fundo de Desenvolvimento Urbano</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/falta-transparencia-na-gestao-do-fundo-de-desenvolvimento-urbano/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 19:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Prefeitura de Santo André não pode simplesmente anunciar a dissolução do projeto Cidade Pirelli, como divulgou com pompa e circunstância o prefeito Aidan Ravin do alto dos interesses de especulação imobiliária gerada a partir dos benefícios concedidos pela administração de Celso Daniel há pouco mais de uma década.  
Há muitas pendências do projeto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Prefeitura de Santo André não pode simplesmente anunciar a dissolução do projeto Cidade Pirelli, como divulgou com pompa e circunstância o prefeito Aidan Ravin do alto dos interesses de especulação imobiliária gerada a partir dos benefícios concedidos pela administração de Celso Daniel há pouco mais de uma década.  </p>
<p>Há muitas pendências do projeto Cidade Pirelli que precisam ser esclarecidas. Falta transparência em quase tudo, tanto dos gestores públicos que se foram como dos que chegaram. </p>
<p>É o caso do Fundo de Desenvolvimento Urbano, ou simplesmente FDU, criado no mesmo pacote da Operação Urbana Pirelli, conforme a lei 7747 de 23 de novembro de 1998. </p>
<p>Há indicativos de que alguns vereadores de Santo André estão dispostos a botar o dedo nessa ferida de embromações que ganharam roupagem de desenvolvimento econômico por conta do anúncio de que as áreas da Operação Urbana Pirelli seriam fatiadas e negociadas com empreendedores decididíssimos a, entre outras vantagens, obter legítimos ganhos logísticos favorecidos pela proximidade com o trecho sul do Rodoanel, em Mauá.  </p>
<p>Tomara que as iniciativas dos vereadores não morram na praia, diante de pressões que já se fazem. </p>
<p>De qualquer modo, não acreditem que a Cidade Pirelli seja assunto morto e enterrado, como pretendem fazer crer os detentores de poder político, econômico e midiático no Grande ABC. Há desavergonhada movimentação de peças para a camuflagem e a dissimulação de questionamentos e esclarecimentos. </p>
<p>Se a Cidade Pirelli permanecer na obscuridade, o melhor é fechar as portas de Santo André. A própria companhia multinacional com sede na Itália tem obrigação ética e social de prestar informações.   Mas nada de prestação de esclarecimentos unilateral. A Câmara de Vereadores, por onde passou o projeto de Celso Daniel, é o ambiente mais adequado. Exceto se os legisladores atuais desprezarem a alternativa. Aí o melhor mesmo é chamar outras instâncias. Quem sabe a OAB de Santo André salte do muro e seu presidente, o jovem Fábio Picarelli, comprove na prática um novo modelo de gestão prometido durante a campanha que o levou à vitória. </p>
<p>Seria o fim da picada cometer-se novo crime de lesa-Santo André jogar na lata do lixo tudo que se definiu na Operação Urbana Pirelli, assinada pelo então prefeito Celso Daniel. Sobrepor àquela obra mal-acabada, para não dizer mal-iniciada, uma Operação Frankenstein, de vale-tudo ocupacional, não seria o pecado maior. A economia é dinâmica e o que parecia uma solução planejada há uma década se tornou elefante branco. </p>
<p>A empresa imobiliária detentora daqueles 142 mil metros quadrados não tem necessariamente a obrigação de bater no ferro frio da Cidade Pirelli, porque a Cidade Pirelli gestada pela multinacional italiana e pela administração de Celso Daniel se revelou frustrante. Até aí, tudo bem. Só não é possível admitir e aceitar que, com nova configuração econômica, aqueles terrenos valorizadíssimos pela Operação Urbana Pirelli apaguem todas as irregularidades que asseguraram a alavancagem de cada metro quadrado, principalmente porque alterou-se o padrão de construção.</p>
<p>A construção do Viaduto Cassaquera, que hoje custaria por volta de R$ 30 milhões, é, aparentemente, a maior de todas as transgressões da Cidade Pirelli. Consta da legislação que aquela obra era obrigação das empresas investidoras, em contrapartida às mudanças de uso e ocupação do solo daquela área. E quem pagou a conta, até prova em contrário, foi a Prefeitura de Santo André.  </p>
<p>O Fundo de Desenvolvimento Urbano foi o instrumento criado para praticar todos os atos necessários à realização da Operação Urbana Pirelli, em especial o da celebração de acordos, judicial e extrajudicialmente, com os proprietários de imóveis, necessários à implantação de qualquer melhoramento previsto naquela lei. </p>
<p>Mais que isso: o FDU centraliza todos os recursos arrecadados em função do disposto na legislação daquele empreendimento, em conta vinculada à Operação Urbana Pirelli. Também o FDU daria conta da aplicação de recursos no pagamento de desapropriações relacionadas à implantação das obras referidas naquela lei, bem como em projetos e obras referentes a programas de requalificação em outras áreas da cidade. </p>
<p>Como notaram os leitores, estou reproduzindo literalmente aqueles termos legais. Mas, tem mais informações sobre o FDU. O parágrafo 2° do Artigo 23 determinava que a Prefeitura de Santo André ficaria obrigada a publicar no órgão de imprensa responsável pelos atos oficiais do Município os valores arrecadados a título de contrapartida, bem como a destinação dada a esses valores. Cadê essas publicações?</p>
<p>As receitas do Fundo de Desenvolvimento Urbano estão especificadas no artigo 25 e seus parágrafos, casos de doações em geral ou vinculadas a operações urbanas instituídas por lei, contribuições e legados; recursos provenientes de outorga onerosa instituída por lei, cuja contrapartida seja estabelecida em pecúnia; rendimentos, abrangendo atualizações, juros e outros acréscimos provenientes da aplicação de seus recursos. </p>
<p>Não será fácil apanhar o touro bravio da Cidade Pirelli, porque situação e oposição em Santo André estão no mesmo barco. Aos petistas apeados do poder nas eleições de 2008 há a possibilidade de estilhaços comprometedores. Aos petebistas há mais de um ano no comando da Prefeitura, há suspeitas de favorecimento à especulação imobiliária. Quem é do ramo imobiliário e quem é do ramo público sabe que quando a fome e a vontade de comer se juntam, tudo pode acontecer. </p>
<p>Agora, cá entre nós: o silêncio da imprensa regional não é mesmo um desses casos que comprovam que a liberdade de expressão não passa mesmo de balela, porque o que manda mesmo é a liberdade da empresa? </p>
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		<title>Quero saber o que levou Jerson  Ourives embora de nossas vidas</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/quero-saber-o-que-levou-jerson-ourives-embora-de-nossas-vidas/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 19:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio no Diário do Grande ABC a notícia da morte de Jerson Ourives, secretário municipal de São Caetano na gestão de Luiz Tortorello. Dos 27 nomes escalados em 2001 para produzir a primeira versão de Nosso Século XXI, maior obra coletiva do Grande ABC, Jerson Ourives é o terceiro que vai embora fisicamente.  
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio no Diário do Grande ABC a notícia da morte de Jerson Ourives, secretário municipal de São Caetano na gestão de Luiz Tortorello. Dos 27 nomes escalados em 2001 para produzir a primeira versão de Nosso Século XXI, maior obra coletiva do Grande ABC, Jerson Ourives é o terceiro que vai embora fisicamente.  </p>
<p>O primeiro foi o prefeito Celso Daniel e o segundo o teatrólogo Milton Andrade. A notícia não especifica as causas que levaram<br />
embora esse homem tão calmo, tão discreto, tão placidamente convergente, mas duvido que tenham sido de ordem coronária, mesmo aos 68 anos. </p>
<p>Pensando bem, como garantir que não tenha sido uma travessura do peito se outro dia o sempre calmo, elegante e tranquilo Ricardo Gomes, técnico do São Paulo, teve um piripaque que quase o catalogou como estatística macabra do esporte? </p>
<p>Por que esse favorecimento de retirar da lista de ataque coronário os mortos de comportamento formalmente tranquilo se dizem os psicólogos que não há algo pior para a saúde, além de drogas em geral, do que interiorizar as emoções? É por isso que sigo à risca a herança mediterrânea, até porque é impossível contrariar a natureza sem que se pague alto preço: boto a boca no trombone quando me apertam o calo, quando roubam meu pouco dinheiro ou quando não consigo estabelecer diálogo com quem tem preguiça de pensar. Felizmente sou muito receptivo às desigualdades. Fosse um brutamontes comportamental, estaria perdido. </p>
<p>Sei lá por que o Diário do Grande ABC não revela, como a Folha de S. Paulo, a causa da morte daqueles que frequentam a página de necrológios. Deve ser algum critério editorial. Acho que a maioria dos leitores não aprova. Não há nada mais frustrante, além, evidentemente, da notícia ali estampada, do que desconhecer o que alguns poderiam chamar apenas de detalhe mas que, no caso, é essencial. </p>
<p>Morrer faz parte da vida mas morrer sem que se saiba de que se morreu é algo como um casamento sem consumação da carne, uma final de campeonato sem título, um remédio no qual se bota a maior fé de que vai acabar com a dor de cabeça e a dor de cabeça aumenta muito mais. </p>
<p>Espero demorar para morrer, embora não falte na praça quem garanta que já esteja nos extertores, inclusive porque colaboraram muito para me assassinarem em doses homeopáticas. Quando morrer, espero que o amigo Ademir Médici ou quem de direito não deixe de mencionar a motivação do desenlace. Gostaria de ser assassinado aos 94 anos por um marido ciumento, como costumam dizer os machões de carteirinha. É claro que é brincadeira.  </p>
<p>Espero mesmo é que o Diário do Grande ABC dedique à minha morte a mesma deferência com que me contemplou quando da produção do livro que comemorou os 50 anos daquela publicação. Embora mencionado por várias fontes como um colaborador digamos de alguma importância &#8212; de repórter esportivo a diretor de Redação em 16 anos de trabalho &#8212; a tesoura da censura excluiu-me dos textos. Soube da arbitrariedade depois da festa, à qual compareci a convite. Provavelmente faltaram sintonia e nexo entre editores do livro histórico e promotores da festa.   </p>
<p>Jerson Ourives sempre me pareceu gozar de ótima saúde. Participou, conforme registra o texto do Diário do Grande ABC, de inúmeras provas da São Silvestre. Insisto em duvidar que tenha ido embora por causa do coração. Talvez esteja até mesmo sendo indiscreto em reiterar curiosidade, que é a curiosidade da maioria dos leitores. </p>
<p>Quem, como eu, teve a sensibilidade de escolher Jerson Ourives para fazer parte daquele grupo muito especial de pensadores da região na produção de Nosso Século XXI, não se conforma como leitor. Se o jornalismo procura ser detalhista nas atividades de quem vive a vida, chegando-se ao extremo de propagar até mesmo o menu da festa de aniversário de alguma celebridade, por que se recusa a identificar o perfil morfológico da morte? </p>
<p>Mais que a razão da partida de Jerson Ourives, acho que pecamos muito com os mortos que de alguma forma participaram ativamente da sociedade. Especializamo-nos em ignorá-los ou minimizá-los. Morrer virou carne de vaca. As redações em geral pouco se lixam para os mortos que não são celebridades. Preferem mesmo essas mesmas celebridades com suas estripulias em vida. Deitam e rolam quando essas celebridades morrem, desde que tenham continuada vida de celebridade. </p>
<p>Os anúncios fúnebres da maioria dos jornais são anúncios mortos, sem vida gráfica, sem plástica. Na Baixada Santista, na Tribuna de Santos, os mortos que ocupam espaços gráficos ganham detalhes e até fotografias. Nada pior que imaginar que o morto do anúncio sem foto não é de fato o morto de verdade. Já houve casos por aqui, de anúncios frios, que a homonímia decretou a morte de vivos e a ressurreição dos mortos. Houve um caso que até condolências manifestei a familiares, para então descobrir que fora o pai levado pelo destino, não o filho, também conhecido por &#8220;júnior&#8221;. Mantive as condolências, é claro, porque cabrito bom não berra, mas senti que fiquei como cara meio desenxavida. </p>
<p>Aliás, está aí uma das razões de não ter colocado meu nome em nenhum dos dois filhos que imaginam ser eu o pai. Já basta o peso do nome com que me batizaram. Há muitos herdeiros nominais que se lascaram na vida por conta das travessuras dos pais. Minhas travessuras jornalísticas, de não pertencer ao grupo de maria-vai-com-as-outras, custam caro.  Para completar, jamais, de fato, pensei em algo tão pretensiosamente dinástico. Com perdão àqueles que o fizeram sem essa porção de arrogância social. </p>
<p>Mas quero saber sim as razões que levaram embora o amigo Jerson Ourives, um homem incapaz de um gesto mais rude. O meu amigo Ademir Médici está em dívida comigo. E com os leitores do Diário do Grande ABC. </p>
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		<title>Escândalo da Cidade Pirelli exige  sim devassa do Ministério Público</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/escandalo-da-cidade-pirelli-exige-sim-devassa-do-ministerio-publico/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 20:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A construção do Viaduto Cassaquera, inaugurado em meados de 2008, às portas das eleições municipais, é a cara mais desavergonhada do escândalo da Cidade Pirelli. Um escândalo de tamanho político e monetário ainda impossível de ser diagnosticado. Faltam peças importantes de um emaranhado documental de difícil acesso. 
Até prova em contrário, não há o mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A construção do Viaduto Cassaquera, inaugurado em meados de 2008, às portas das eleições municipais, é a cara mais desavergonhada do escândalo da Cidade Pirelli. Um escândalo de tamanho político e monetário ainda impossível de ser diagnosticado. Faltam peças importantes de um emaranhado documental de difícil acesso. </p>
<p>Até prova em contrário, não há o mais tênue contraponto de que foi com dinheiro público que se ergueu aquela obra que constava dos planos de administradores de Santo André desde os anos 1950. </p>
<p>O problema é que a Operação Urbana Pirelli, apresentada em forma de projeto de lei aprovado pelo Legislativo de Santo André em 1998, determinava que aquela multinacional e seus parceiros comerciais do megaprojeto urbanístico se responsabilizavam pela obra. O Cassaquera custaria hoje não menos que R$ 30 milhões. </p>
<p>Somente o Ministério Público poderá dar um jeito de colocar ordem nessa farra com recursos públicos, já que pairam sobre grupos políticos sérias desconfianças de que não estariam nada interessados em levar adiante qualquer tipo de investigação. O projeto Cidade Pirelli evoca constrangimento, porque é um ovo de serpente que causaria complicações multilaterais no âmbito de financiamento irregular de campanhas eleitorais e enriquecimento ilícito. </p>
<p>Há sérias desconfianças de que a maioria da imprensa vai se calar porque tanto petistas quanto petebistas &#8212; ou tanto lulistas quanto serristas &#8212; têm enorme influência nas diretrizes editoriais. Os escândalos que envolvem conjuntamente os dois partidos são descartados nas operações de guerra pelo domínio da opinião pública, sob o risco de autofagismo eleitoral. </p>
<p>Não conviria aos correligionários voluntários ou remunerados dos dois conglomerados partidários botar a mão nessa cumbuca em ano eleitoral. A ordem de engavetar qualquer iniciativa já teria sido dada tanto por homens ligados ao ex-prefeito João Avamileno quanto por assessores de Aidan Ravin. Faltou combinar com o Ministério Público, de olhos grudados na questão por conta de informações deste CapitalSocial. </p>
<p>Tomara que alguma iniciativa de representante menos dócil do Legislativo de Santo André se apresente, porque, convenhamos, ficaria muito incômoda a omissão deliberada sabendo-se, como se sabe, que esta publicação digital está diariamente na caixa postal dos parlamentares. Assim como está também nas caixas postais dos principais dirigentes públicos de Santo André. Inclusive da vice-prefeita Dinah Zeckcer que, em 2002, pronunciou-se como vereadora em defesa de informações sobre a Cidade Pirelli, que já fazia água.  Não é possível que agora a um passo do poder máximo do Município, Dinah Zeckcer se mantenha equidistante do caso ou, mais que isso, integre o pelotão do abafa. Por isso, pronunciamento oficial demarcará seu território ético. </p>
<p>São tantas as nuances do escândalo da Cidade Pirelli que a melhor alternativa mesmo é a mão forte do Ministério Público. É preciso ter acesso à documentação completa. Há muitas interrogações importantes sobrepostas a algumas certezas estruturalmente sólidas. </p>
<p>Entre as certezas está o Viaduto Cassaquera, relacionado nas obras que a Pirelli e o consórcio de empresas que ocupariam aquela área de então 200 mil metros quadrados assegurariam como contrapartida à Operação Urbana que, em última instância, elevou às alturas o potencial de construção imobiliária. </p>
<p>O fracasso da Operação Urbana Pirelli, que determinou a dissolução da Cidade Pirelli, é uma outra questão, de ordem econômica ou macroeconômica, mas o ativo físico está ali, liberadíssimo para a especulação imobiliária, como anunciou na semana passada uma empresa paulistana que já esteve ligada societariamente à Pirelli. Na platéia e também no púlpito, com discurso ufanista, estava o prefeito Aidan Ravin.</p>
<p>Tenho a impressão que determinadas autoridades públicas acreditam piamente que o Grande ABC é formado por um bando de debilóides que não estão nem aí com o cheiro da brilhantina, tal o grau de abuso midiático ao se anunciar a desativação formal do projeto Cidade Pirelli e ao se aclamar nova proposta, de retaliamento dos terrenos beneficiados pela legislação sob a condicionalidade da efetivação daquele empreendimento.</p>
<p>Trocando em miúdos, o que se decidiu em termos práticos com a dissolução do projeto Cidade Pirelli é o rompimento dos termos contratuais que determinaram os índices urbanísticos que alavancaram o preço do metro quadrado. Sem o cumprimento de contrapartidas que incluíam o financiamento do Viaduto Cassaquera pela iniciativa privada, maximizaram-se os valores dos terrenos que, agora, estão em vias de reestruturação ocupacional sob as bênçãos da administração de Aidan Ravin. </p>
<p>Há outros vetores do projeto Cidade Pirelli que ainda serão abordados neste espaço. Esperamos que, enquanto isso, as providências legais sejam tomadas. Esperar que entidades de classe do Grande ABC e particularmente de Santo André se manifestem e se mobilizem é acreditar em Papai Noel. Estamos entregues às baratas da anorexia cidadã combinada com interesses particulares sob o guarda-chuva de representatividade empresarial, sindical, social e cultural. </p>
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		<title>De volta a 1996 com matérias  que ajudaram a fazer história</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 22:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Detentor do direito de uso do acervo de LivreMercado, revista que idealizei e que comandei durante 19 anos, adotei novo critério de migração daquele material impresso para estas páginas digitais. Trata-se da seleção dos trabalhos mais sensíveis à economia e à sociedade do Grande ABC por ordem cronológica, a partir de novembro de 1996, edição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Detentor do direito de uso do acervo de LivreMercado, revista que idealizei e que comandei durante 19 anos, adotei novo critério de migração daquele material impresso para estas páginas digitais. Trata-se da seleção dos trabalhos mais sensíveis à economia e à sociedade do Grande ABC por ordem cronológica, a partir de novembro de 1996, edição 80. Essa é a data base dessa iniciativa porque foi quando decidi aposentar o formato tablóide da publicação, substituindo-o pelo formato e também pelo papel convencional de revista.</p>
<p>Esta iniciativa não significa que deixaremos de utilizar a alternativa de aproveitamento temático. Contamos com quase 800 trabalhos postados que seguiram a essa filosofia. Os dois movimentos são complementares e valiosíssimos. O primeiro estabelece vantagens situacionais. O segundo remete a contextos mais completos.</p>
<p>Apenas os idiotas de carteirinha e os invejosos de plantão, ou os descerebrados contumazes, negariam o óbvio: a revista que dirigi durante praticamente duas décadas com grupo de jornalistas comprometidos com a sorte do Grande ABC, jamais deixará de constar do patrimônio regional como uma jóia a ser preservada. Mais que preservada: uma jóia a ser permanentemente avaliada, debatida, questionada, aplaudida &#8212; porque essa é a finalidade da transposição daquele acervo para estas páginas digitais.</p>
<p>É sempre uma emoção renovada reler trabalhos que aparentemente se perderam no tempo. A consulta que tenho feito em altas horas para selecionar matérias mais relevantes é frutífera.</p>
<p>Tenho à disposição a possibilidade de recuperar o tempo que parecia disperso, quase incontrolável, descartável. Devo essa arqueologia jornalística a duas mulheres que, exatamente por serem mulheres, asseguraram a preservação dos trabalhos. Maria Luiza Marcoccia, ex-quase tudo na Editora Livre Mercado, ao selecionar e arquivar cuidadosamente meia dúzia de cada edição de LivreMercado, e Maria Aparecida Nascimento ao capturar e organizar com metodologia específica os textos nos arquivos digitais.</p>
<p>Então, para encurtar a conversa, ficamos assim: sem data pré-determinada para abastecer a curiosidade e o interesse cultural dos leitores, vamos anunciar sempre em bloco, por edição, as matérias selecionadas no passado daquela que foi disparadamente a melhor revista regional do País. Nenhuma publicação regional &#8212; e nesse ponto valem jornais e o que mais quiserem &#8212; sequer chega aos pés da LivreMercado dos bons tempos, porque foram duas décadas de contínuo acompanhamento, questionamento e esclarecimentos sobre a economia e a sociedade regional. Cada edição estava comprometida em coerência e conhecimento com as anteriores &#8212; e com as que ainda viriam.</p>
<p>Uma pena que, diante das circunstâncias que me levaram a abrir mão da marca LivreMercado, depois de série escandalosa de roubalheiras na Editora Livre Mercado, o recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos tenha assassinado o produto. Isso mesmo, assassinado, porque, embora se esforce para passar adiante a publicação, imaginando-a um boteco, ele já deve ter descoberto que não se brinca com coisa séria. E LivreMercado sempre foi séria, apesar, reconheço, de ter contado em áreas fora de minha jurisdição legal, com oportunistas juramentados.</p>
<p>Voltando ao foco desta novidade, disponibilizamos aos leitores quatro das matérias publicadas naquela edição de novembro de 1996 que, repito, marcou o início da fase de formato revista de LivreMercado. A Reportagem de Capa, que tratou dos planos do recém-eleito prefeito de Santo André, Celso Daniel, já está à disposição dos leitores há muito tempo. Agora inserimos as matérias que se abrem à leitura a um simples clique. Boa leitura.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/nem-capital-nem-trabalho-cidadania-e-mesmo-o-futuro/">Nem capital, nem trabalho. Cidadania é mesmo o futuro</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/polo-petroquimico-pode-receber-agua-industrial/">Pólo petroquímico pode receber água industrial</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/economia-e-maior-desafio-de-candidatos-socialistas/">Economia é maior desafio de candidatos socialistas</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/novos-empreendedores-desconhecem-armadilhas/">Novos empreendedores desconhecem armadilhas</a></p>
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		<title>Falta apenas saber o tamanho  do escândalo da Cidade Pirelli</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 19:46:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de ler e reler atentamente tudo que se refere ao projeto da Cidade Pirelli que consta de meus arquivos, não tenho dúvida em afirmar: trata-se de escândalo que precisa tanto ser dimensionado em valores monetários quanto especificado na distribuição de responsabilidade a agentes públicos e privados. 
Certo também é que tanto os petistas apeados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ler e reler atentamente tudo que se refere ao projeto da Cidade Pirelli que consta de meus arquivos, não tenho dúvida em afirmar: trata-se de escândalo que precisa tanto ser dimensionado em valores monetários quanto especificado na distribuição de responsabilidade a agentes públicos e privados. </p>
<p>Certo também é que tanto os petistas apeados da Prefeitura de Santo André quanto os petebistas que agora estão ali colocaram prestígio e credibilidade na reta. </p>
<p>Espero que a imprensa não deixe de colocar o assunto em pauta e, mais que isso, tratá-lo com isenção, sem meias verdades que possam ser manipuladas para dar a impressão de que pretende-se esclarecer o caso, quando de fato o objetivo é abafá-lo. </p>
<p>O show de horrores do projeto Cidade Pirelli é amplo, mas vamos revelá-lo aos poucos, sempre na expectativa de que o Ministério Público de Santo André confirme as informações de bastidores e imprima velocidade e cuidado nas análises. </p>
<p>Tenho sérias dúvidas sobre o interesse da bancada situacionista e da bancada oposicionista na Câmara Municipal de Santo André em levar adiante as investigações. As irregularidades podem atingir em cheio tanto a gregos que se foram do Executivo como a troianos que estão no Paço Municipal. A gregos porque se omitiram no não-cumprimento dos pressupostos aprovados pela Câmara Municipal em 1998. Aos troianos porque assumiram a Prefeitura e não tiveram o cuidado de observar atentamente o legado dos antecessores, juntando-se aos detentores privados das áreas que compunham a Cidade Pirelli para alardear investimentos ali completamente fora do eixo com que foi concebido. </p>
<p>Desconfio que vá se promover nestes próximos dias uma jogada de múltiplas faces para procurar dissuadir os interessados em levar às últimas consequências a retirada dos nós ainda submersos. </p>
<p>Será que as entidades de classe empresarial, social, cultural e sindical, especialistas em corporativismo, que só se preocupam com suas próprias genitálias, vão sair da toca e levar adiante o desvendar dos problemas que envolvem a Cidade Pirelli? Será que a OAB de Santo André vai se manifestar? Duvideodó mil vezes. Somos uma sociedade falida. Impera por aqui uma acomodação geral e irrestrita.</p>
<p>Certo mesmo, pelas informações que me chegam, é que o Ministério Público está atento e que iria mergulhar em todo o aparato documental que sustentou a chamada Operação Urbana Pirelli que, entre outras decisões, beneficiou a empresa com isenção de IPTU daqueles mais de 200 mil metros quadrados prometidos para erguer um conjunto de investimentos que reuniam hotel cinco estrelas, empresas ambientalmente sustentáveis e tecnologicamente avançadas, entre outros bens. </p>
<p>Os leitores mais tradicionais deste espaço e também quem acompanha a carreira deste jornalista sabem que não frequento o calabouço do sensacionalismo midiático, muito menos estou em busca de audiência precária, sem compromisso com o amanhã. Se fosse permitido definir-me em tom bastante popular, lembraria aquele bordão de programa humorístico: só escrevo quando tenho absoluta certeza. E a certeza advém de pesquisa, de ouvir pessoas diretamente envolvidas nos problemas ou nas soluções. </p>
<p>Vou fazer suspense para, a partir desta terça-feira, começar a revelar as facetas nebulosas do projeto Cidade Pirelli. O mínimo que recomendaria às autoridades competentes é que saiam do imobilismo. Estou decidido a pegar esse touro a unha. </p>
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		<title>Santo André esbanja futebol;  São Caetano mantém toada</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 19:45:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O Santo André já está com o passaporte carimbado às semifinais da Série A do Campeonato Paulista, mas o São Caetano, 10 pontos abaixo na classificação, não está marcando passo. O que separa as duas equipes é o ponto fora da curva do rendimento do Santo André, muito acima de qualquer expectativa superlativa, inclusive do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André já está com o passaporte carimbado às semifinais da Série A do Campeonato Paulista, mas o São Caetano, 10 pontos abaixo na classificação, não está marcando passo. O que separa as duas equipes é o ponto fora da curva do rendimento do Santo André, muito acima de qualquer expectativa superlativa, inclusive do técnico Sérgio Soares e deste jornalista que, com duas rodadas, já antecipava que a equipe poderia surpreender.</p>
<p>Da mesma forma que o Santo André não pode se encantar com o sucesso precoce, o São Caetano não deve precipitar-se na avaliação do desempenho e acelerar o passo de resoluções que demandam tempo, paciência e muito cuidado, porque, principalmente, perdeu o técnico Antonio Carlos e parte da Comissão Técnica. A Série A do Campeonato Paulista serve de preparação às equipes médias que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro. Exceto em caso de viabilidade de disputar o título, como parece ser a campanha do Santo André.</p>
<p>Além de todas as qualificações que a equipe de Sérgio Soares exibe como vice-líder da Série A do Campeonato Paulista, e também como melhor ataque ao lado dos mágicos da bola do Santos, há um componente que não pode ser desconsiderado: mesmo nos piores momentos da equipe durante um jogo, como o primeiro tempo de ontem contra o Botafogo, e também no início do segundo tempo, há sempre uma bondosa alma a protegê-lo.</p>
<p>Se Deus ajuda quem cedo madruga, os deuses do futebol ajudam quem joga para o ataque para valer. O Santo André só exagera na dose de confiabilidade, porque descuida-se muitas vezes além da conta. A vitória no meio de semana contra o Palmeiras chegou a ser colocada em xeque quando estava 2 a 1 e a equipe insistia em atacar e atacar. Já ontem contra o Botafogo, o técnico Sérgio Soares reforçou o meio de campo após marcar o segundo gol, com a entrada de Ricardo Conceição, o Botafogo se abriu e outros dois gols foram marcados.</p>
<p>Já o São Caetano que perdeu para o Corinthians em Barueri atuou conforme o figurino preferido do técnico Roberto Fonseca, que montou o Botafogo de Ribeirão Preto para a mesma competição. Cuidou da defesa com extremo vigor e procurou o contragolpe. A promessa de que atacaria o tempo todo foi apenas uma bravata publicada nos jornais.</p>
<p>O São Caetano deu azar porque pegou um Corinthians às portas de um início de crise e que precisava dar resposta à torcida. E foi o que fez, jogando com muito mais empenho do que anteriormente, principalmente contra o Botafogo no meio da semana. Tanto que interditou o gol de Felipe para os contra-ataques do São Caetano. Mano Menezes é especialista em sistema defensivo.</p>
<p>A ausência de Everton Ribeiro, emprestado pelo Corinthians, foi um complicador a mais. Nenhum outro jogador do elenco, dos conhecidos até agora, tem a mesma capacidade de imprimir velocidade e fazer da bola companhia para arremetidas individuais a partir do meio de campo. Sem Everton Ribeiro e sob massacrante marcação defensiva do adversário, os atacantes Vanderlei e Eduardo ficaram isolados do restante da equipe. A opção pelas laterais também não funcionou, porque o Corinthians soube neutralizar.</p>
<p>A maturação mais rápida do Santo André em relação ao São Caetano aparentemente contraria a lógica do futebol porque o Ramalhão foi muito mais remontado entre o final do ano passado e esse início de temporada do que o Azulão.</p>
<p>Afinal, por que então o time de Sérgio Soares engrenou mais rapidamente?</p>
<p>Justamente porque a criatividade e o improviso ofensivo desabrocham com maior facilidade quando se tem os jogadores recrutados com essas características.</p>
<p>O São Caetano é um time menos multiplicador e mais redutor de espaços que o Santo André, ou, invertendo a equação, o Santo André é mais multiplicador e menos redutor de espaços que o São Caetano.</p>
<p>São duas escolas diferentes e como tal contrapõem modelos também diferentes de equacionamento das linhas. A opção preferencial do Santo André pelo ataque surpreende a maioria dos adversários que ainda está se arrumando para a temporada de 2010 e, por isso mesmo, cuida principalmente do sistema defensivo. O Santo André se expõe mais, mas, em contrapartida, aposta nos erros ofensivos dos adversários menos vocacionados para construir resultados com semelhante desembaraço e aptidão.</p>
<p>Provavelmente o tempo e reforços vão equalizar os dois cenários, ou seja, o Santo André deverá se tornar menos moleque taticamente e o São Caetano menos careta ofensivamente. A chegada de Luciano Henrique é um sopro de agressividade que deverá dar uma roupagem mais densa ao sistema ofensivo do São Caetano, desobstruindo espaços para o talento de Vanderlei e a agressividade de Eduardo e Luciano Mandi. A solidariedade de meio-campistas e atacantes deverá dar mais solidez à marcação do Santo André.</p>
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		<title>Ministério Público estaria pronto  para agir no caso Cidade Pirelli</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/ministerio-publico-estaria-pronto-para-agir-no-caso-cidade-pirelli/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 19:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[A implosão do projeto Cidade Pirelli, que, depois de mais de uma década de enrolação, acabou se transformando em monumental especulação imobiliária, deverá tomar a agenda do Ministério Público em Santo André.
A se confirmar a informação de que já há mobilização do MP para esclarecer a situação, as perspectivas não serão nada agradáveis para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A implosão do projeto Cidade Pirelli, que, depois de mais de uma década de enrolação, acabou se transformando em monumental especulação imobiliária, deverá tomar a agenda do Ministério Público em Santo André.</p>
<p>A se confirmar a informação de que já há mobilização do MP para esclarecer a situação, as perspectivas não serão nada agradáveis para a administração pública de Santo André. Houve renúncia fiscal embutida na aprovação do projeto durante o governo do prefeito Celso Daniel, em novembro de 1998, decisão condicionada à efetivação da proposta. Mais de meia centena de residências foram desapropriadas para atender à modernização do sistema viário. Não é preciso conhecer o mercado imobiliário para saber que tudo isso representou valorização do metro quadrado daquela área. Obras de infra-estrutura estão para imóveis assim como o gol para um centroavante.</p>
<p>Espera-se que a administração de Aidan Ravin colabore na eventualidade de o Ministério Público de fato botar a mão nessa massa de complicadíssimas ramificações. Entre as razões que devem sensibilizar o governo Aidan Ravin estão supostos constrangimentos legais que demarcariam a substituição da Cidade Pirelli por um emaranhado de investimentos sem semelhante lógica ocupacional e que poderia causar sérios prejuízos aos cofres públicos.</p>
<p>Acredita-se que a vice-prefeita Dinah Zeckcer seja ponta-de-lança de esclarecimentos e empenho da administração de Santo André diante da, acredita-se, iminente intervenção do Ministério Público. Afinal, apesar do cargo de expectativa, Dinah Zeckcer é influente no Executivo municipal. Não bastasse o organograma, Dinah Zeckcer tem histórico de preocupação com o destino da Cidade Pirelli. Ou seriam ilusão de ótica as declarações que ela, então na oposição de Celso Daniel, deu ao Diário do Grande ABC de 10 de junho de 2002, quando inquerida sobre a demora para o início das obras?</p>
<p>Vejam o que disse a então vereadora e hoje vice-prefeita:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Dinah Zekcer (PTB) disse que os vereadores aprovaram o projeto em 1998 para autorizar a Cidade Pirelli, porém a Câmara tem recebido poucas informações sobre os planos: &#8220;Precisamos de explicações do secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura (Irineu Bagnariolli Júnior) sobre o assunto. Queremos que ele venha à Câmara justificar tal demora&#8221; &#8212; afirmou a petebista.</p>
<p>Exceto se a hoje vice-prefeita não reúna qualidades republicanas, o que seus leitores refutam, nos próximos dias provavelmente se pronunciará sobre os novos planos para a ocupação de 142 mil metros quadrados que restaram da área reservada para a Cidade Pirelli.</p>
<p>Recorri aos meus arquivos na noite passada, antes da novela das nove e da edição do BBB. A pasta de &#8220;Cidade Pirelli&#8221; estava ali no sótão, pronta para ser consultada. Me debrucei sobre o material. Até mesmo cópia do projeto de lei encaminhado pelo prefeito Celso Daniel consta de meus arquivos.</p>
<p>A ordem cronológica das páginas do Diário do Grande ABC (nenhum outro veículo de comunicação da região escreveu sobre o assunto durante muitos anos, exceto a revista LivreMercado, então sob meu controle editorial) é uma festa para quem quer recuperar o passado. Vejam uma parte da sequência do material:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> &#8221;Cidade Pirelli&#8221; começa a surgir em 2 anos &#8212; 7 de dezembro de 1997.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Cidade Pirelli vai à Câmara em 20 dias &#8212; 4 de abril de 1998.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Câmara de Santo André aprova construção da Cidade Pirelli &#8212; 13 de novembro de 1998.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Projeto Cidade Pirelli traz fôlego de serviços à região &#8212; 6 de abril de 1999.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> UniABC compra clube da Pirelli para fazer faculdade &#8212; 24 de outubro de 2001.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Câmara questiona demora em início do projeto Cidade Pirelli &#8212; 10 de junho de 2002.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Projeto &#8220;Cidade Pirelli&#8221; será retomado &#8212; 9 de março de 2004.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado33.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Cidade Pirelli continua no rascunho&#8221; &#8212; 6 de novembro de 2005.</p>
<p>Embora o ato de desistência da Pirelli possa ter sustentação legal, e os aplausos do Executivo de Santo André à apresentação de proposta de negociação das áreas anteriormente empacotadas para o projeto possam estar isentos de maliciosidade, há caroço demais nesse angu preparado há mais de uma década.</p>
<p>No mínimo, o que se espera das autoridades, inclusive do Ministério Público, é completa faxina investigativa. Ou seria estupidez imaginar que o acordo firmado entre o então governo de Celso Daniel e a direção da Pirelli não previa contrapartidas de apoio e de responsabilidade que, inclusive, abarcassem a desativação da proposta?</p>
<p>Depreendo da leitura do material que embasou o projeto de lei assinado por Celso Daniel que há pontos obscuros a serem levantados por especialistas, no caso o Ministério Público e sua ramificação na área de Cidadania. Por isso, as informações que dão conta da possibilidade de se obter esclarecimentos diretamente nas fontes, no caso a Prefeitura e a Pirelli, são mais que bem-vindas. Sobretudo porque partiram da leitura deste site.</p>
<p>Prometo aos leitores que vou dedicar algumas horas deste final de semana para me aprofundar nos meus arquivos e ler com atenção redobrada cada linha do que encontrar. Não estou à caça de bruxas, até porque não acredito em bruxas, mas &#8212; como dizem meus ancestrais espanhóis &#8212; que elas existem, ah! existem.</p>
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		<title>Muneratti diz que carga tributária  sacrifica mais o pequeno varejo</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/entrevista-especial/muneratti-diz-que-carga-tributaria-sacrifica-mais-o-pequeno-varejo/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 18:05:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[O advogado Sidnei Muneratti, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) não considera a disparidade de forças entre pequenos e grandes varejistas um problema que justificaria o alto índice de desaparecimento de empresas. Para o dirigente que durante muitos anos atuou na multinacional Pirelli, o nó a ser desatado na economia brasileira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O advogado Sidnei Muneratti, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) não considera a disparidade de forças entre pequenos e grandes varejistas um problema que justificaria o alto índice de desaparecimento de empresas. Para o dirigente que durante muitos anos atuou na multinacional Pirelli, o nó a ser desatado na economia brasileira está na excessiva carga tributária. Para Sidnei Muneratti, &#8220;cabe ao pequeno varejo papel importante, ou seja, especializar-se identificando necessidades locais e fidelizando clientes a partir de um modelo de atendimento personalizado&#8221;.</p>
<p><strong>Estatísticas de empresas especializadas apontam que, cada vez mais, em todos os setores do comércio varejista, acentua-se a concentração econômica, com um grupo de grandes organizações avançando cada vez mais no controle da massa de consumo. Como o senhor observa essa situação?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> O avanço das grandes organizações varejistas ocupando enormes espaços de mercado, sendo que algumas destas grandes empresas, inclusive, estão presentes em boa parte do planeta, é um fato econômico típico da globalização e dos moderníssimos aparatos tecnológicos que permitem refinado controle de gestão. Porém, não obstante esse aspecto, cabe ao pequeno varejo papel importante, ou seja, especializar-se identificando necessidades locais e fidelizando clientes a partir de um modelo de atendimento personalizado, haja vista que o atendimento das grandes corporações é impessoal e as ofertas pautadas em imensos lotes homogêneos. Assim, podem perfeitamente conviver, no mesmo espaço, os grandes e pequenos negócios. Aliás, os shoppings centers são o exemplo vivo dessa afirmação.</p>
<p><strong>Especialistas em varejo afirmam que a carnificina entre os pequenos e médios ainda não terminou e que agora o que está chegando é a exterminação gradual por conta do regime de substituição tributária, do governo estadual. Já há sintomas desse aperto fiscal entre os comerciantes de Santo André?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> Se o ponto de vista que apontamos acima, (também exposto por importantes especialistas do varejo), for verdadeiro, podemos supor que o promotor da carnificina, não somente no varejo, mas em todo o meio empresarial, não é a concorrência, já que existe espaço de mercado com criatividade e planejamento para todos os níveis de investimento, mas sim, o enorme volume da carga tributária brasileira. Culpar a substituição tributária, a meu ver, também é esconder a verdadeira realidade, pois com a substituição, muda-se tão somente a forma de pagar o mesmo imposto. Assim, com foco na questão, somos forçados a declarar que não será sonegando impostos que o industrial ou comerciante vai sobreviver, mas por meio de positiva e decisiva participação em entidades, como a Acisa, que poderão conduzir o governo a diminuir a sanha tributária. Friso que não estou simplesmente formalizando um discurso demagógico. As reduções de IPI, por exemplo, são recentes e demonstraram-se eficazes e foram frutos da pressão de órgãos empresariais, inclusive a Acisa. Esta postura não deve ser adotada somente em tempos de crise; merece ser exercida a todo o tempo.</p>
<p><strong>Entre todos os fatores que pesam desfavoravelmente à sobrevivência do pequeno negócio do varejo, qual o senhor considera o mais nocivo? Seria a carga tributária? O despreparo técnico-administrativo? A concorrência dos grandes conglomerados?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> Boa parte da pergunta foi respondida, mas vale ressaltar que a concorrência, desenvolvida no âmbito do capital privado, é sinônimo de mercado livre, fundamental para a indústria e o comércio. Tributos adequados, de sua parte, são necessários para o melhoramento da sociedade. Assim, torna-se missão de todo o empresário a prática excelente de sua responsabilidade específica, ou seja, planejar o investimento, pesquisar o mercado, dotar-se de qualidade e bons recursos. Portanto, neste cenário, é a capacitação do empresário que o diferenciará, permitindo-lhe o sucesso. A Acisa, por meio do Projeto Empreender, instrumento que visa o melhoramento contínuo do micro e pequeno empresário, dotando o empreendedor de técnicas modernas de gestão, é campo visível dessa realidade.</p>
<p><strong>Experiências internacionais vitoriosas com a reserva de parte dos recursos do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para dinamizar atividades econômicas de áreas geográficas sobre as quais foram recolhidos o imposto jamais foram aplicadas no Brasil. Não estaria na hora de potencializar essa modalidade de investimentos de uma fonte tributária sob o controle das prefeituras, inclusive com a participação de representações da sociedade, associações comerciais, por exemplo?</strong></p>
<p><strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> A Acisa apóia todas as boas iniciativas no sentido de se criar mecanismos de dinamização das atividades econômicas e a fórmula apresentada parece ser uma delas. Sem dúvida, é hora de empunhar essa bandeira.</p>
<p><strong>Verificou-se no Grande ABC um complicador terrível durante o processo de desindustrialização dos anos 1990: trata-se do aumento descomunal de unidades de comércio e serviços. Uma combinação quase letal. Além disso, o constrangimento da massa salarial e de renda, que provocou a queda do PIB per capita da região, foi sobreposto por concorrência ainda mais numerosa, de pequenos negócios lançados por ex-industriários, e também com a chegada de grandes conglomerados. O que fazer?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> Realmente sofremos um forte processo de desindustrialização. Entretanto, clamar e insistir para o retorno das empresas que migraram é uma atitude desesperada e sem sentido. Devemos, isto sim, nos preparar para uma nova realidade econômica da região que permita a atração de empreendimentos de alta qualificação tecnológica e baixa contribuição de poluição ambiental, porém com forte necessidade de recursos humanos especializados. Aliás, já se oferece na região do ABC um excelente campus universitário. Assim, em vista da transformação de parte dos terrenos da Rhodia, uma indústria que reunia operários especializados, em Universidade Federal, que hoje passa a reunir especialistas em sofisticados conhecimentos, podemos imaginar que não estamos diante de um desastre, mas, possivelmente de um indicador auspicioso para a cidade.<br />
Quanto à chegada dos grandes conglomerados, como os hipermercados e shoppings, tal se deu principalmente pela constatação do amplo mercado consumidor do Grande ABC. Ou seja, somos uma rica região para o comércio, o que se confirma pela implantação de novos shoppings e pela ampliação dos existentes. E em relação ao setor supermercadista, a Coop (cuja origem é Santo André) continua inaugurando novas unidades na região, o que sem dúvida é muito bom para o comércio local. E, finalmente, transformar operário em empreendedor, desde que capacitado, só pode ser saudável para a comunidade.</p>
<p><strong>Como o senhor avalia a possibilidade de associações comerciais e unidades do Ciesp da região criarem uma instância à parte das respectivas corporações que representam, cujo eixo seja exclusivamente questões institucionais do Grande ABC que digam respeito a no mínimo mais de um Município? Não seria esta a fórmula mágica para manter a autonomia de cada entidade, dentro dos padrões históricos de atividades, e, paralelamente, abrir uma vereda de atuação coletiva com base num conjunto de temas?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> As associações comerciais da região já se reúnem periodicamente para discutir e juntar forças no senso de melhorar o ambiente regional do comércio e da indústria. O entrosamento com os Ciesps é perfeito, diria até mesmo histórico. Em todos os momentos em que é necessária a atuação conjunta, nos reunimos evidenciando a vontade do empresariado local. Aliás, o mais recente exemplo desta união foi o Diálogo do Grande ABC, que, sem dúvida, foi o estopim para as soluções que ajudaram o Brasil a enfrentar a crise de 2008/2009. Assim, a formalização de uma nova corporação, a meu ver, não é necessária para a atuação coletiva, pois, as entidades, que são centradas na região, não perdem foco nem identidade pertencendo a grandes redes de representação, como a Fiesp ou a Facesp; pelo contrário, na maioria das vezes é fator de sucesso.</p>
<p><strong>Quem procura o Grande ABC para investimentos não consegue encontrar dados regionais confiáveis. No máximo há retalhos municipais nem sempre confiáveis. Falta ao Grande ABC um banco de dados que seja confiável tanto para possíveis investimentos como para consultas de estudantes, professores, imprensa. Esta saída não estaria exatamente vinculada à instância que estamos propondo?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> Esse realmente é um problema recorrente na região. E de muitos anos. Sem informações básicas sobre a região é evidente que diminui, sensivelmente, a capacidade de atração de novos investimentos. É absolutamente necessária a criação de um organismo que venha suprir essa falta e que atenda com suas informações a região do ABC. Propomos, e temos como compromisso desta gestão da Acisa, o desenvolvimento de um projeto que possa atingir esses objetivos. Inspiramo-nos no Instituto de Estudos Metropolitanos, atualmente quase desativado, mas ainda vivo no coração e mente do jornalista Daniel Lima. Tenderíamos, e o Daniel é parceiro fundamental para tanto, a juntar as nossas inteligências locais, fartas e presentes nas nossas academias, e patrocinar um empreendimento com tal objetivo, com a certeza do apoio dos nossos parceiros regionais.</p>
<p><strong>Qual é o posicionamento do senhor a respeito da ausência de um Conselho Consultivo no Clube dos Prefeitos? Considera dispensável essa instância voluntária de poder ou até entende que em vez de posição apenas consultiva também poderia ser deliberativa? Ou seja: há espaço para a sociedade representada por instituições econômicas e sociais no Clube dos Prefeitos ou a centralidade de decisões exclusiva dos chefes de Executivo é mesmo a melhor alternativa?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> No estatuto atualizado do Consórcio Intermunicipal, no Título IV, Capítulo IV que engloba os artigos do 46 ao 53, está prevista a existência de um Conselho Consultivo como parte da estrutura administrativa. Cabe, portanto, à sociedade e seus agentes a cobrança da efetiva participação do Conselho nas deliberações e como apoio às decisões do Consórcio.</p>
<p><strong>Defendemos há muito tempo o que chamamos de Planejamento Estratégico para o Grande ABC. O que parece essa proposta para o senhor que durante muitos anos atuou numa multinacional obrigatoriamente doutrinada a buscar resultados?<br />
</strong><br />
<strong>Sidnei Muneratti &#8211;</strong> Esse é um aspecto fundamental. Existem experiências mundo afora e mesmo no Brasil que demonstram que governar exige competências distintas em política e gestão. E é importante separar as duas coisas. A prática da gestão eficiente se faz com o planejamento de curto, médio e longo prazos suportados por uma definição estratégica dinâmica, compartilhada e apropriada por toda a sociedade. E, no Grande ABC, já houve uma iniciativa nesse sentido que, infelizmente, foi descontinuada muito antes que pudéssemos avaliar sua efetividade. Foi o Projeto Cidade Futuro de Santo André, que continha entre suas virtudes um processo de reavaliar periodicamente as condições de planejamento.</p>
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		<title>Cidade Pirelli implode e se  torna especulação imobiliária</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 20:18:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>A bem da verdade e para que não se compre gato por lebre, o resumo da ópera é o seguinte: o projeto Cidade Pirelli, lançado há mais de uma década em Santo André, tornou-se retumbante fracasso. O PT é um dos responsáveis, mas o que se anuncia agora no governo petebista de Aidan Ravin não passa de especulação imobiliária. Teremos a substituição de um espaço planejado por um fatiamento catastrófico de planejamento urbano.</p>
<p>Entretanto, como tudo é possível, principalmente na atividade imobiliária, a mais criativa maneira de ganhar e de perder dinheiro, não deve ser descartada a possibilidade de que a emenda fique melhor do que o soneto quando se observar o resultado final apenas sob ângulo econômico-financeiro. Mesmo assim, a realidade dos fatos não pode ser subjugada por interesses individuais e corporativos, quando não políticos e partidários. A morte da Cidade Pirelli e o lançamento de um projeto imobiliário ao gosto dos especuladores retratam esse Grande ABC desprovido de capital social.</p>
<p>O desmonte da Cidade Pirelli, como o desmonte daquela que seria a Cidade Tognato, em São Bernardo, entre tantos outros projetos alardeados no Grande ABC nos anos 1990 para esconder ou dissimular a desindustrialização, mostra o quanto seguimos na periferia da Capital. Mais que isso: estamos submetidos às rebarbas das três regiões metropolitanas interioranas, no caso a Grande Campinas, a Grande São José dos Campos e a Grande Sorocaba.</p>
<p>Estamos tão desmobilizados, senão idiotizados, que até mesmo o eterno presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), Milton Bigucci, decidiu mudar de mala e cuia para a Capital tão fosforescente. Assumiu de vez o Complexo de Gata Borralheira.</p>
<p>Sei que é dolorido escrever tudo isso, mas é muito mais doloroso e pecaminoso tentar enganar o distinto público. Estou de olhos abertíssimos nos especuladores econômicos. Eles seguem a mesma toada de sempre: procuram vender ilusões aos incautos ou douram demais a pílula.</p>
<p>Infelizmente, aquilo que seria o mais arrojado e moderníssimo centro comercial, de prestação de serviços e residencial do Grande ABC, e que remetia a resultados no Primeiro Mundo, virou porção de áreas disponíveis à sanha de mercadores imobiliários.</p>
<p>O noticiário (sempre raso) de hoje dá conta de que a Pirelli colocou à venda cinco terrenos em Santo André, que totalizam 142 mil metros quadrados. Não se informa se essa área não sequencial pertencia à Cidade Pirelli, mas é de acreditar que sim. O projeto inicial da multinacional que ajudou a colocar Santo André como forte reduto de classe média contemplava 270 mil metros quadrados. Onde estariam os mais de 130 mil metros quadrados fora do pacote da Pirelli? São ocupados por uma empresa de call center e pela antiga Pirelli Cabos, sob a identificação de Prysmian.</p>
<p>O projeto Cidade Pirelli foi o cruzamento de interesses do PT de Celso Daniel e da multinacional italiana que pretendia compensar o esvaziamento de produção industrial em Santo André com avançado conglomerado de prestação de serviços. Publicações especializadas deram amplo espaço ao projeto. A revista Exame São Paulo reservou reportagem de três páginas sob o título &#8220;Charme italiano&#8221;. Retirar Santo André da penumbra do terciário de baixo valor agregado era uma das obsessões de Celso Daniel. A Cidade Pirelli comportaria um campus para 15 mil universitários, torres corporativas, prédios de pequenos escritórios, empresas de tecnologia, complexo hoteleiro, lojas, serviços, restaurantes e cinemas cercados por árvores e amplos gramados.</p>
<p>A Pirelli idealizadora da Cidade Pirelli queria uma réplica do projeto Bicocca, em Milão. Lá, a multinacional fez do histórico parque industrial da matriz, na periferia de Milão, moderno bairro planejado de 750 mil metros quadrados. Ali estão a sede administrativa da Siemens, do Deutsche Bank e da própria Pirelli. Também fazem parte do ambiente milanês edifícios de apartamentos e o campus da Universidade de Milão, além de parques, serviços de lazer, equipamentos esportivos e o Teatro degli Arcimboldi.</p>
<p>Celso Daniel sonhava com algo assim para Santo André, mas, morto em janeiro de 2002, deixou a realização para gerações futuras de administradores públicos. Duvido, entretanto, que, vivo, conseguisse comandar institucionalmente a empreitada, da mesma forma que o projeto Eixo Tamanduatehy naufragou após sua morte. A explicação é simples: o Grande ABC tem enormes dificuldades para competir com outras porções do Estado que, entre outras vantagens, contam com a possibilidade de incrementar a guerra fiscal sem torná-la bumerangue.</p>
<p>O que li hoje sobre o futuro de áreas reservadas inicialmente para a Cidade Pirelli é inquietante. Está ali impresso que teremos espécie de feira livre para a ocupação daqueles terrenos, que, pelo noticiário, serão retalhados conforme o interesse dos clientes. Tudo sob o pó de pirlimpimpim do trecho sul do Rodoanel.</p>
<p>A salvação da lavoura da economia do Grande ABC em forma de Rodoanel é uma balela. Essa serpentina que interligará a região ao lado oposto da Grande São Paulo, de cara para o gol das principais rodovias estaduais, é, com o perdão do clichê, uma faca de dois gumes &#8212; como escrevi pioneiramente há muitos anos. Diria que, pelos desajustes, descasos e ignorância, a face de evasão de empresas é mais cortante que a face de atração de investimentos. Ainda mais que oportunistas de plantão trataram de reservar nacos enormes de vastas áreas para especulação imobiliária, tornando o acesso ao pequeno e médio negócio façanha impossível.</p>
<p>Quem conhece minimamente a história do Grande ABC e viveu intensamente os projetos propagandeados nos últimos 20 anos só tem mesmo de sentar e chorar com a implosão da Cidade Pirelli. E sentar e chorar de novo com a perspectiva de especulação imobiliária do plano de negociação das áreas remanescentes.</p>
<p>O PT de Santo André tem muita culpa no cartório porque não reuniu capacidade de articulação para efetivar ou adaptar o projeto Cidade Pirelli sob novas perspectivas, ou no mínimo por não ter reunido a mídia ainda enquanto governo para explicar juntamente com a direção da Pirelli as razões que determinavam o congelamento dos planos. A sociedade embalada pela perspectiva da Cidade Pirelli não poderia ser subestimada numa prestação de contas.</p>
<p>O PTB de Aidan Ravin não pode escapar de forma alguma do enforcamento moral pelo fracasso do projeto Cidade Pirelli porque, 15 meses depois de assumir o Paço Municipal, vem a público para avalizar a decisão daquela multinacional sem contrapor novo plano, adaptado às circunstâncias locais e macroeconômicas.</p>
<p>Um bom governo, um governo de fato preocupado com o futuro do Grande ABC, já teria iniciado o mandato com uma proposta de retomada dos debates sobre a Cidade Pirelli. O que se apresenta, num casamento que pode ser espúrio com a proposta de aprovação de uma legislação voltada para a guerra fiscal, é um tremendo chute dos fundilhos de todos que caíram no conto de uma Santo André menos provinciana.</p>
<p>Vamos de mal a pior, infelizmente.</p>
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		<title>BBB é como futebol: tem muito  mais graça para quem entende</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 18:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a experiência de uma única edição (exatamente a que está no ar) mas com o senso crítico sempre à flor da pele (porque a vida não tem graça sem questionar suas matizes) não tenho medo de dizer que o Big Brother Brasil e as transmissões de futebol são irmãos siameses: tem graça e desperta a atenção de todos que acompanham e de certa forma entendem do riscado. E o número de telespectadores bons de tela aumenta cada vez mais.</p>
<p>No caso do futebol, meu aprendizado é remoto, vem dos tempos de criança, com meus familiares me induzindo a torcer pelo maior de todos, que não necessariamente é o campeão de tudo.</p>
<p>No caso do BBB, foi a audiência de meus filhos mais jovens e a libertação da escravatura da revista LivreMercado, que consumia todos os minutos de minha vida, que determinaram minha adesão.</p>
<p>E sem falsos pudores, mas também sem cair no extremo de construir ídolos precários e lotar ginásios esportivos para saudá-los, afirmo com segurança que se trata de um programa fantástico para quem quer entender a vida como ela é, embora muitos imaginem que se trate apenas de falsificações comportamentais de caça ao tesouro.</p>
<p>Antes que leitores mais conservadores crucifiquem este telespectador do BBB, antecipo uma peça desse jogo de xadrez explicativo: não deixo de registrar uma certa porção de culpa por dedicar perto de 40 minutos diários ao programa, por isso mesmo cultivo rotina diária de muita leitura. Assim, habilito-me emocionalmente ao suposto constrangimento intelectual de acompanhar o BBB.</p>
<p>Trocando em miúdos: faço minha poupança cultural diária como as empresas ambientalmente responsáveis dirigem os negócios em relação ao crédito de carbono para, mais à noite, gastar com a mundanidade do BBB. Os opositores que se danem, porque recriminam o programa preconcebidamente, sem se darem a oportunidade de detestá-lo ou não após experimentar. A antiga máxima de &#8220;não vi e não gostei&#8221; prevalece entre aqueles que fecham os olhos a tudo que imaginam desaprovar.</p>
<p>O que mais me encanta no BBB são as articulações dos participantes. Um ou outro pode sobrepor à emoção quantidade maior de racionalidade, de jogo mesmo, mas é muito difícil me convencer que, durante todo o tempo, por conta do estresse do confinamento e das idiossincrasias do grupo, é possível resistir ao &#8220;eu&#8221; interior. Mais que isso: duvido que o &#8220;eu&#8221; interior deixe de aflorar e de esculpir o comportamento psicológico e social de cada um dos membros dessa confraria em busca de R$ 1,5 milhão.</p>
<p>Não bastasse o show de bola na forma de um apresentador insuperável, porque Pedro Bial é dessas espécimes humanas que aliam talento e carisma como poucos, o BBB não é obra do acaso, da seleção natural dos contendores. Está ali, isto sim, estratificada a própria sociedade.</p>
<p>Aqueles jovens são o espelho desse Brasil varonil com suas virtudes e contradições. O entretenimento é a parte mais visível do BBB e tem de ser exatamente assim para os telespectadores, mesmo para os telespectadores que já entenderam a mecânica dos litigantes. Mas para a Globo se trata de bem orquestrada máquina de audiência e faturamento lubrificada com extrema competência. Nada mais justo, nada mais profissional. Nada mais garantidor de que em matéria de TV o Brasil seguirá com uma emissora de nível internacional.</p>
<p>Também acho que a televisão brasileira deveria dar mais ênfase a questões sociais e culturais, porque de maneira geral a programação é lastimável, mas a Globo precisa ser excluída do caos. Afinal, se há algo a se tirar o chapéu na mídia brasileira é para a emissora dos Marinhos. Os conceitos, critérios e instrumentos que a levaram ao posto de maior indústria cultural do País estão muito acima da média nacional. Variáveis do BBB em outras emissoras são insuportavelmente amadores, caricatos.</p>
<p>Ainda não caí nem cairei na armadilha de sedução do BBB 24 horas, porque tenho muito o que fazer. Não assinaria nada 24 horas, nem jogos de meu time do coração, nem os melhores filmes produzidos pelos melhores diretores, porque a vida não pode ser monotemática, sob pena de tédio. Entretanto, reservar menos de uma hora noturna à programação é exercício de distensão emocional. Com direito a interpretar os participantes desse fenomenal jogo de interesses, de bondades, de mentiras, de manipulações, de tudo que se encontra aqui fora, nessa sociedade tão pervertida e tão ingenuamente crédula como os integrantes do BBB.</p>
<p>A exata compreensão da personalidade individual e dos movimentos grupais dos participantes do BBB representa muito mais que o entendimento desse jogo. Quando se percebe o papel de cada protagonista, acabamos por chegar à conclusão de que eles, invariavelmente ao longo de cada jornada, são ludibriados por si mesmos ao imaginarem que estão atuando sob determinado script, porque, de fato, são exatamente aquilo que gostariam de não ser nessa competição supostamente de encenação.</p>
<p>A Globo é tão cirúrgica na ocupação da casa mais vigiada do Brasil (viram como estou a repetir o bordão do Bial?) que não cometeria a tolice de levar a milhões de lares brasileiros um único padrão comportamental dos participantes. Já imaginaram que saco seria ter réplicas e réplicas do impagável Dourado, do dissimulado Dicesar, do centrado Cadu, da doce Cláudia, da combativa Lia, da extravagante Maroca, do pensador Michel, do inseguro Eliéser, do delicado Serginho e da recatada ou ex-recatada Fernanda? (Viram como conheço de cor e salteado os 10 finalistas até o paredão de ontem à noite?)</p>
<p>É bobo quem pensa que a Globo dá ponto sem nó lógico na disputa pela manutenção da audiência. Se os homens que dirigem o futebol brasileiro seguissem o figurino do BBB, os jogos de futebol teriam muito mais audiência. Mas aí já é uma outra história.</p>
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		<title>Entrevista Indesejada começa  com Valter Moura, da Acisbec</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/entrevista-indesejada-comeca-com-valter-moura-da-acisbec/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 18:17:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Aprovada a proposta, a primeira Entrevista Indesejada deste site terá como protagonista o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura. Outros nomes já estão na lista e todos serão questionados, gostem ou não. Procurarei me enroscar com alguns personagens que aparecem muito na mídia (e que também não aparecem na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aprovada a proposta, a primeira Entrevista Indesejada deste site terá como protagonista o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura. Outros nomes já estão na lista e todos serão questionados, gostem ou não. Procurarei me enroscar com alguns personagens que aparecem muito na mídia (e que também não aparecem na mídia, mas mandam um bocado!) mas não contrapõem produtividade institucional numa região que ziguezagueia entre uma economia dependente demais dos humores automotivos e uma baixa representatividade nas esferas estadual e federal &#8212; apesar de avanços nos últimos anos por conta da presidência de Lula da Silva e suas ramificações locais.</p>
<p>Nos próximos dias encaminharei ao dirigente da Acisbec questões de fundamental importância para a economia daquele Município e também do Grande ABC. Valter Moura está no comando da Acisbec há muitos anos. Minha dúvida, que poderia ser dirimida por algum leitor, é se chegou ao posto antes ou logo após a vitória de Fernando Collor de Mello à presidência da República, em 1989. Retifico: já consultei meus arquivos e descobri que Valter Moura assumiu a Acisbec quando Collor de Mello não passava de traço nas pesquisas eleitorais. Ele está no poder há 21 anos. O déficit institucional da Acisbec com Valter Moura é tremendo.</p>
<p>Sem rodeios, acho inconcebível uma liderança, em qualquer esfera de governabilidade, perpetuar-se no poder. Mais que perpetuar-se, tornar-se tão frágil no poder. Valter Moura virou uma espécie de símbolo de ineficiência que outras entidades de classe empresarial, sindical, social e cultural também construíram. A diferença é que Valter Moura emblematiza um individualismo rastaquera.</p>
<p>Só esse detalhe &#8212; a longevidade do dirigente &#8212; bastaria para dizer o quanto é inquietante a situação. Será que Valter Moura é tão imprescindível assim em São Bernardo ou exerce o poder com tamanha competência que é impossível substituí-lo sem incorrer-se em graves prejuízos para o Município? Ou no fundo no fundo Valter Moura é uma das ramificações de antigas práticas verde-amarelas de continuísmo por tempo indeterminado mas que aparecem na mídia bradando contra eventual movimentação em favor de um terceiro mandato presidencial?</p>
<p>Tudo será perguntado a Valter Moura, inclusive o que os leitores de CapitalSocial pretenderem perguntar, desde que não encaminhem questões ofensivas.</p>
<p>Jamais permitiria que descambe a ofensas, como acompanho em tantos endereços eletrônicos, principalmente. Não pretendemos transplantar Entrevista Indesejada para a zona sombria de guerra santa de Entrevista Ofensiva. A agressividade de sites e blogs que fazem tudo pela audiência se tornou lugar comum no jornalismo digital. Entretanto, não duvidem que maledicentes de plantão preferirão fechar os olhos e execrar os objetivos de Entrevista Indesejada.</p>
<p>Há gente com enormes dificuldades para compreender o trabalho jornalístico. Pastores, médicos, advogados, enfermeiras, gestores públicos e tudo o mais têm suas respectivas missões. Jornalistas também. E a missão jornalística, para mim, vai muito além de interesses individuais ou coletivos. Minha oração ou minha reza é a elaboração de textos que de alguma forma auxiliem na elevação do senso crítico da sociedade. Da mesma forma que pastores religiosos procuram elevar o disposito espiritual dos fiéis. Cada um deve ter seu espaço preservado e valorizado. Sem sectarismos. Pouco me lixo para minorias organizadas e especializadas em pressionar diretamente o alvo de suas chamadas de consciência ou, o que é mais frequente, o entorno castrador de financiamento da missão jornalística. Já há jornalistas medíocres demais na praça, quando não os oportunistas e chantageadores. Prefiro mudar de profissão a fraudar a expectativa dos leitores igualmente libertos do jugo dos profanadores dos ideais republicanos.</p>
<p>A vantagem que Entrevista Indesejada terá sobre entrevistas convencionais é que um certo grau de camaradagem que permeia a relação entre imprensa e entrevistados, exceto em situações muito agudas, não será repetido. E não será mesmo, porque a etiquetagem de Entrevista Indesejada é auto-explicativa. A Entrevista é do jornalista, o adjetivo Indesejada é, obviamente, do entrevistado.</p>
<p>Valter Moura e todos que forem listados nessa iniciativa de CapitalSocial não terão alternativa mais interessante senão responderem às questões encaminhadas. O silêncio será condenatório. Vou mais longe: se souberem responder, terão a oportunidade de esclarecer muitos pontos provavelmente obscuros, muitas questões mal-aparadas, muitas especulações que carecem de informações.</p>
<p>Escolhi Valter Moura iniciador desta nova etapa por várias razões, mas outros nomes caberiam perfeitamente no figurino. Primeiro, pela longevidade à frente da entidade que representaria os comerciantes e prestadores de serviços, além de indústrias de São Bernardo. Segundo, porque Valter Moura é especialista em comentar a economia do Grande ABC com frequência na mídia. Terceiro, porque tem jogo de cintura fantástico para se equilibrar entre direita e esquerda, principalmente no campo político-partidário de São Bernardo. Está sempre do lado dos vitoriosos, articulados ardilosamente por ele e o filho, também dirigente da Acisbec e, pelo andar da carruagem, seu sucessor dinástico.</p>
<p>Quero crer que colocarei Valter Moura contra a parede, mas não existe nesse propósito nenhum tipo de sadismo. Pelo contrário: gostaria de ter como respostas profundidade de ações que estariam subavaliadas pela mídia regional que se pauta em larga escala pela superficialidade.</p>
<p>Eventual negativa de Valter Moura e de qualquer outro indicado à Entrevista Indesejada não representaria arquivamento. Pelo contrário: manteremos o questionário durante longo tempo nas páginas deste CapitalSocial como espécie de provocação à democratização da informação. Democratização da informação que ganha a forma de o entrevistado responder o que lhe foi perguntado. Ou de suportar o peso de espaços em branco onde deveria haver prestação de contas.</p>
<p>Também o novo formato de Entrevista Indesejada será menos condescendente com o entrevistado do que o usual das entrevistas convencionais. As respostas que fugirem do questionamento ou que apresentarem informações que conflitem com a realidade conhecida serão reapresentadas ao entrevistado. Ou seja: Entrevista Indesejada não permitirá enrolações. Será uma grande oportunidade para se fazer justiça com os injustiçados e de permitir o julgamento daqueles que se consideram acima do bem e do mal.</p>
<p>Valter Moura está no paredão. Este jornalista foi o primeiro a submeter-se a esse modelo de jornalismo, quando respondeu tudo aos conselheiros de LivreMercado numa das edições daquela publicação em 2008, e que está disponível neste site sob o título <a href="http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/cidadania-perde-de-goleada-para-bbb/">Cidadania perde de goleada para BBB</a>.</p>
<p>Para completar, e já que o assunto é economia do Grande ABC, chamo a atenção dos leitores para a leitura do texto que segue sublinhado. Trata-se de entrevista (convencional, porque não haveria instrumental justo para tipificação diferente) que fiz para a edição de dezembro de 2006 na revista LivreMercado (aquela que continua viva, porque a Livre Mercado que a sucedeu, de fato, morreu) com o pequeno supermercadista Gilberto Wachtler, hoje vereador em Santo André. Poucas foram as oportunidades em que um entrevistado demonstrou tamanho conhecimento de sua especialidade e igualmente tamanha sensibilidade nas respostas. Quem tem um mínimo de paixão pelo Grande ABC não deve apenas ler o que se segue &#8212; precisa imprimir para releitura nos momentos em que se sentir eventualmente pouco inspirado.</p>
<p>Vale a pena acompanhar <a href="http://www.capitalsocial.com.br/entrevista-especial/pequeno-varejista-esta-entregue-a-propria-sorte/">Pequeno negócio varejista está entregue à própria sorte</a>.</p>
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		<title>Santo André continua sobrando;  São Caetano acerta na escolha</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/santo-andre-continua-sobrando-sao-caetano-acerta-na-escolha/</link>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 19:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Jogos no mesmo dia mas em horários diferentes permitiram, finalmente, que observações sobre o Santo André e o São Caetano na Série A do Campeonato Paulista não fossem prejudicadas por intermitentes cortes e substituições de imagens que a simultaneidade de transmissões televisivas estimula. E o que se viu no final de semana foram duas boas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jogos no mesmo dia mas em horários diferentes permitiram, finalmente, que observações sobre o Santo André e o São Caetano na Série A do Campeonato Paulista não fossem prejudicadas por intermitentes cortes e substituições de imagens que a simultaneidade de transmissões televisivas estimula. E o que se viu no final de semana foram duas boas notícias para o futebol da região: o Santo André deu um show de bola na Portuguesa, atazanando o adversário o tempo todo com futebol visceralmente ofensivo, e o São Caetano, apesar da derrota em Ribeirão Preto, encontrou-se com um espelho que acena com a garantia de que acertou em cheio ao contratar o técnico Roberto Fonseca, ex-treinador e organizador do Botafogo local.</p>
<p>Primeiro sobre o Santo André, valem algumas novas observações, além da estrutural de que joga, ao lado do Santos, o futebol mais alegre, descontraído, atrevido e demolidor do Campeonato Paulista. O armador Bruno César já aparece como o principal destaque individual da equipe, depois de começo vacilante e fora de forma, embora Gil siga a trajetória de discreta e indispensável peça de marcação e apoio ao ataque.</p>
<p>Resta saber o que fará o técnico Sérgio Soares quando algumas opções se apresentam tanto em forma de reforços como de recuperação médica. A retomada da titularidade de Nunes deve ser posta em xeque. O centroavante de mobilidade escassa colocaria em risco a ciranda do ataque, embora ofereça o contraponto da opção aérea em jogadas não necessariamente de bola parada. Nunes parece, nestas alturas do campeonato, mais talhado como opção no banco de reservas do que como dono da camisa de titular.</p>
<p>Pelo menos no jogo com a Portuguesa o sistema de marcação do Santo André foi mais agudo, apertando o cerco e diminuindo os espaços. Resta saber se a mobilização em torno da recuperação da bola em todos os cantos foi obra de um efetivo avanço de consciência coletiva do grupo ou decorreu de eventual cansaço físico do adversário, que jogou no meio da semana pela Copa do Brasil em Roraima. Não se pode desprezar também o fato de que a Portuguesa joga em câmara lenta.</p>
<p>Já o São Caetano perdeu para um bem organizado Botafogo em Ribeirão Preto quando mais merecia estar na frente. Depois de um primeiro tempo equilibrado, com duas equipes de atitudes semelhantes, de posse de bola, de cuidados defensivos e de ataques comedidos, no segundo o São Caetano estava melhor com o avanço em bloco da defesa e compactação dos setores. Entretanto, uma estranha substituição do armador Everton Ribeiro pelo volante Adriano e um erro de passe na intermediária defensiva proporcionaram ao Botafogo um contragolpe fatal. Nada pior para o São Caetano porque os espaços se fecharam de vez e os contragolpes ficaram mais explícitos como tática do Botafogo, dono do melhor sistema defensivo da competição.</p>
<p>O encontro do criador Roberto Fonseca com a criatura Botafogo transmite a sensação de que o São Caetano acertou em cheio na escolha do substituto de Antonio Carlos Zago. Trata-se, em princípio, de dois treinadores com ideias semelhantes e, a bem da verdade, antípodas do modelo adotado por Sérgio Soares e Dorival Júnior: primeiro cuidar da defesa, segundo reforçar a marcação no meio de campo e terceiro, atacar o adversário, preferencialmente em alta velocidade.</p>
<p>Somente o futebol poderia explicar o fato de que, por enquanto, perante a grande mídia, o São Caetano aparece com mais destaque do que o Santo André, apesar de o Ramalhão realizar campanha superior e estar às portas da classificação às semifinais. A goleada frente ao Palmeiras deu visibilidade ao São Caetano. Já o Santo André não construiu o edifício de sucesso até agora com a luminosidade que os confrontos com os grandes times permitem. Daí a mídia maior subestimar ou não se dar conta de que o time de Sérgio Soares está atuando de forma brilhante, irresponsavelmente brilhante.</p>
<p>Os jogos com Corinthians, São Paulo e Palmeiras poderão confirmar a trajetória de sucesso do Santo André rumo à classificação. Ou a equipe entregaria a rapadura diante de adversários preparados por treinadores menos receptivos à liberalidade tática e mais pontiagudos na engenharia da eficiência mortal? A vulnerabilidade defensiva do Santo André, minimizada contra a Portuguesa por conta de intensa guerrilha de marcação, pode ser o calcanhar de Aquiles no confronto contra esses três grandes, como o foi contra o Santos, no Estádio Bruno Daniel.</p>
<p>A perspectiva do São Caetano continua positiva se não se deixar levar por eventual ciumeira de rivalidade com o Santo André. A corrida do Azulão não é contra o relógio no Campeonato Paulista, mas a favor do relógio da Série B do Campeonato Brasileiro. Como aliás deve ser a corrida do Santo André.</p>
<p>E nesse ponto a contratação de Luciano Henrique, ex-Sport Recife, mostra que a direção técnica está atenta, porque desde o ano passado faltava mesmo uma opção de ponta de lança pela direita para fazer por ali o que Everton Ribeiro faz tão bem pela esquerda. Sem contar que além de Vanderlei cada vez mais em forma, surge Luciano Mandi que, deslocando-se entre as duas pontas com pernas longas e cabeça erguida, revela-se um atacante com potencial promissor.</p>
<p>O maior problema de Santo André e de São Caetano parece não ser mais fazer uma boa campanha na Série A do Campeonato Paulista, mas impedir que vários de seus principais destaques batam asas ao final da competição. O técnico Antonio Carlos Zago já antecipou à direção do Palmeiras que alguns reforços de que a equipe precisa estão em São Caetano. Aposto em três nomes. Everton Ribeiro não está entre eles porque é do Corinthians. O lateral Arthur, Luciano Mandi e Vanderlei são os mais cotados. No Santo André, Gil, Bruno César e Rodriguinho também estão na mira de equipes da Série A do Brasileiro.</p>
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		<title>Quando a Justiça do Trabalhador  será também do Empreendedor?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/quando-a-justica-do-trabalhador-sera-tambem-do-empreendedor/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 18:43:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa baita coincidência, preparava-me para escrever sobre a Justiça do Trabalho geralmente mais sensível às demandas dos empregados, quando leio no jornal Valor Econômico desta sexta-feira uma reportagem cujo título é auto-explicativo: &#8220;Empregados pagam dano moral a empresas&#8221;. Leio com avidez a matéria e chego à seguinte conclusão: há juízes cada vez mais preocupados sim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa baita coincidência, preparava-me para escrever sobre a Justiça do Trabalho geralmente mais sensível às demandas dos empregados, quando leio no jornal Valor Econômico desta sexta-feira uma reportagem cujo título é auto-explicativo: &#8220;Empregados pagam dano moral a empresas&#8221;. Leio com avidez a matéria e chego à seguinte conclusão: há juízes cada vez mais preocupados sim com uma equivalência de forças entre reclamações de empregados e argumentos de empresas, mas o universo de resultados que acolhem representantes do capital é muito ínfimo.</p>
<p>Por experiência própria, e pela oportunidade que a vida me oferece de escrever em nome de pequenos negócios, afirmo com todas as letras: a Justiça do Trabalho transforma-se em Justiça do Trabalhador porque é presa de quadrilhas organizadas deliberadamente voltadas para extorquir empreendedores. Tudo sob a tutela da legislação getuliana anacrônica, detalhista e irreal, como prova a geração de mais de dois milhões de ações trabalhistas por ano, um recorde nacional. Desse total, 99,99% representam interesses supostamente contrariados de empregados.</p>
<p>É tão cínico o conjunto de reclamações que ex-empregados utilizam para dar vazão a incursões sustentadamente desonestas que sobra a certeza de que há no mercado fórmulas prontas para ganhar ares de veracidade. Esse tal de &#8220;assédio moral&#8221;, então, virou farra de boi sonso.</p>
<p>Como são coitadinhos os ex-funcionários! Eles transmitem a sensação de que viviam em campos de concentração, mesmo que fotos e filmagens provem o contrário em eventos de aniversário e de confraternização.</p>
<p>Consultem a Justiça do Trabalho e vejam com os próprios olhos como os empreendedores são desumanos. Há uma epidemia de assediadores morais, enquanto em horário nobre de televisão (e aqui não vai juízo de valor algum) os Big Brothers falam palavrões com a naturalidade de quem respira. O puritanismo seletivo de ex-empregados é tão sinceramente emocionante quanto a indignação de emissoras de rádio em demagógica defesa de comportamento conservador de caça às bruxas aos desiguais. O marketing travestido de intolerância pavimenta com requinte um modelo de jornalismo pernicioso.</p>
<p>É impressionante como tudo se repete nas peças trabalhistas. São enredos de mesmices enganadoras sem que haja na legislação nada que leve os fraudadores dos fatos à responsabilidade civil. Lembra-me um advogado amigo que há sim a contrapartida às mentiras industrializadas por ex-empregados, mas as dificuldades operacionais, os custos para o enquadramento criminal dos meliantes reclamatórios e o tempo sempre prolongado para decisões são tão complicados, dispendiosos e cansativos que nem vale a pena a iniciativa.</p>
<p>Já que a Justiça do Trabalho é por natureza protetora do trabalhador, daí derivando aberrações de ex-empregados facilmente capturáveis por advogados em busca de novos vilões, por que então não temos a Justiça do Empreendedor? Ou estaria equivocado ao sustentar que a Justiça do Trabalho de fato é a Justiça do Trabalhador e que, portanto, caberia perfeitamente no ordenamento jurídico uma instância que se contrapusesse à vertente do trabalho? Um exagero provocativo deste jornalista? Claro que sim, mas com a finalidade reta e direta de sustentar inconformismo.</p>
<p>Sei que vão argumentar que o arcabouço jurídico do País já contempla tudo isso, mas no âmbito laboral, repito, a contaminação paternalista do princípio de que o trabalhador tem sempre razão acaba por se manifestar na maioria dos casos, por mais senso de Justiça e atenção que os juízes dediquem a cada ação reclamatória.</p>
<p>Chegamos a tal ponto de refinamento que a maliciosidade dos defensores de ex-empregados consagra a máxima de que o melhor mesmo é inflar a reclamação trabalhista como fórmula inescapável para a obtenção confortadora de parte das demandas. É o mesmo princípio dos vendedores de quinquilharias em faróis. Eles pedem valores astronômicos e os reduzem à medida que o motorista mantém desinteresse na compra. A diferença é que a decisão final compete exclusivamente ao motorista e os vendedores não têm às costas gente especializadíssima numa nova modalidade de extorsão com proteção constitucional.</p>
<p>A Justiça do Empreendedor poderia ser célere e igualmente penalizadora. Não faltariam questões que colocariam ex-empregados em dificuldades. Não faltam modalidades de delitos corporativos, muitos dos quais só emergem aos olhos, ao coração e principalmente aos bolsos dos empreendedores muito tempo após as ocorrências. As quadrilhas organizadas corporativas protegem cuidadosamente seus membros. Distribuem benesses aos mais próximos e ameaça os mais resistentes de demissão. Qualquer semelhança com o modus operandi de quadrilhas organizadas nas periferias metropolitanas não é mera coincidência.</p>
<p>Vou citar alguns exemplos que mostram o quanto empregados não são sempre anjos nas relações trabalhistas e que nem por isso pagam por seus crimes, porque, repito, as dificuldades de denúncia e de atendimento dessas mesmas denúncias demandariam recursos financeiros e tempo geralmente incompatíveis para quem precisa manter vivo um pequeno empreendimento sem sair do foco do produto ou serviço prestado.</p>
<p>Chefias acumpliciadas com funcionários na industrialização de horas extras, por exemplo? Chefias associadas com funcionários para infiltrar cheques em branco em meio a cheques previamente conferidos para que assinaturas inadvertidas ganhem a forma de desvio financeiro tanto da empresa em questão como da conta pessoal do diretor. Desvios de materiais de escritório em proporções escandalosas. Uso indevido de computadores e telefones para interesses pessoais que passam ao largo do dia-a-dia corporativo. Divisionismos internos por razões pessoais que implicam em quebra de produtividade no trabalho. Associação com bandidos externos para programar assalto de vale-refeição e vale-transporte, de modo a configurar tecnicamente apenas mais um caso de segurança pública. Desrespeito a clientes e fornecedores com promessas, mentiras, manipulações e uso de nomes de terceiros para ameaças de retaliação.</p>
<p>São tantas as artimanhas de empregados que contribuem para a derrocada de empreendimentos &#8212; e que não se desdobram juridicamente porque, além de protegidas por chefias manipuladoras é preciso correr atrás de recursos para manter o negócio funcionando &#8212; que só mesmo as dificuldades de integrarem-se num plano de valorização corporativa na Justiça do Trabalho explicam o desfecho condenatório na maioria das ações trabalhistas.</p>
<p>Fossem as instituições empresariais menos inoperantes e caso se dedicassem a modernizar as questões trabalhistas como ponto de honra para uma reação conjunta de denúncia dos modelos descaradamente fraudadores de reclamações xerocopiadas, quem sabe a Justiça do Trabalho seria uma cidadela de amadurecimento das relações entre empregadores e empregados, não, invariavelmente, apesar de todo o esforço e competência dos juízes, a fortaleza de abusos que se perpetuam impunemente.</p>
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		<title>Quem gostaria de ter acesso  a entrevistas indesejáveis?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/quem-gostaria-de-ter-acesso-a-entrevistas-indesejaveis/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 20:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Vai depender de manifestação confidencial dos leitores a execução de uma proposta editorial para este site que certamente causará alvoroço em cidadelas indevassáveis a questionamentos. Trata-se do seguinte: que tal série de entrevistas potencialmente indesejáveis com dirigentes públicos, privados, sociais e culturais do Grande ABC?
Explico a diferença entre entrevista consensual e entrevista indesejável.
Entrevista consensual é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vai depender de manifestação confidencial dos leitores a execução de uma proposta editorial para este site que certamente causará alvoroço em cidadelas indevassáveis a questionamentos. Trata-se do seguinte: que tal série de entrevistas potencialmente indesejáveis com dirigentes públicos, privados, sociais e culturais do Grande ABC?</p>
<p>Explico a diferença entre entrevista consensual e entrevista indesejável.</p>
<p>Entrevista consensual é comum nos meios de comunicação. O entrevistado é procurado pelo entrevistador antes da formulação das questões. Estabelece-se modus vivendi que elimina embaraços. Evita-se, por assim dizer, algo mais contundente. Não necessariamente prevalece ambiente de camaradagem, de levantar de bola, mas também não se aplica o princípio de dente por dente, olho do olho. Entrevista consensual é como divórcio consensual. Estabelecem-se regras de convivência.</p>
<p>Entrevista indesejável é raridade na Imprensa entre outros motivos porque não se realiza de fato. O potencial entrevistado que se sente incomodado acaba fugindo da raia. Não se dignará sequer a responder uma das questões, quanto mais todas. É o jornalismo em formato de divórcio litigioso.</p>
<p>Entrevista indesejável não pode ser confundida com entrevista coercitiva, porque não se obriga o entrevistado a responder. Entretanto, há certa semelhança em nome da responsabilidade social. O entrevistado da entrevista indesejável pode negar-se a responder, sim, mas aí é que entra a novidade que pretendo adotar neste site caso leitores se manifestem favoravelmente à modalidade, sob a garantia de que não revelarei seus nomes.</p>
<p>A diferença entre entrevista indesejável e entrevista coercitiva é que a primeira pode não ser respondida, mas todas as perguntas serão levadas ao conhecimento dos leitores, enquanto a segunda destrói a alternativa de publicar apenas as perguntas e se acomoda no plano de intenções não realizadas e, portanto, descartadas. É o vácuo completo onde deveria existir no mínimo uma repulsa.</p>
<p>Não achamos justo formalizar uma proposta editorial de entrevista coercitiva porque o contraponto é a não publicação das perguntas sem respostas. Preferimos, em último caso, a versão de entrevista indesejável, de perguntas compulsoriamente publicáveis quando não respondidas.</p>
<p>Vou traduzir a suposta barafunda dessa inovação jornalística difícil de operacionalizar na mídia convencional, impressa, mas que não provoca maiores prejuízos espaciais na mídia digital: se leitores deste site se manifestarem favoravelmente à introdução dessa novidade, já na semana que vem enviarei a primeira bateria de perguntas a um entrevistado que se sentirá desconfortável, sem dúvida, porque lhe serão encaminhados pontos de análise sobre os quais provavelmente jamais foi levado a responder.</p>
<p>Há de fato carga de constrangimento em entrevistas indesejáveis, não vamos negar, mas o que será do jornalismo se prevalecerem como prevalecem de forma quase massacrante perguntas adocicadas ou no mínimo digeríveis sem complicações maiores?</p>
<p>É melhor para os leitores contar com todas as respostas de perguntas que não invadam o terreno mais acidentado ou não contar com resposta alguma de entrevistado nada disposto a questionamentos mais ousados?</p>
<p>Confesso que faço esse tipo de sugestão de caso pensado. Isso quer dizer que tenho sim alguns alvos na mira de um jornalismo independente que não se conforma com o estado paquidérmico da institucionalidade do Grande ABC. Tem gente demais em cima do muro da inoperância de classe, mas cuja imagem não sofre abalo diante da consolidada constatação de que estamos de mal a pior nos confrontos com a mobilização institucional de outras áreas do Estado.</p>
<p>Convém ressalvar que, posto em execução esse projeto, só identificaremos com a chancela de entrevista indesejável os casos de escancarada sonegação de respostas. Quem contrapor às perguntas o desdém da omissão será sim identificado neste site, bem como os leitores terão acesso durante muito tempo ao buraco proporcionado pela negativa à entrevista. As perguntas estarão aqui à espera de respostas. Não nego que o sentido implícito da estratégia será o desgaste do entrevistado fugidio. Querem pior castigo que o buraco negro de respostas não emitidas? A emenda soará pior que o soneto, porque a indagação ganhará foro de verdade sólida.</p>
<p>Quem se comportar conservadoramente sobre essa estratégia editorial desconhece a opção preferencial deste jornalista pela transparência. Está num dos trabalhos deste CapitalSocial (<a href="http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/cidadania-perde-de-goleada-para-bbb/">Cidadania perde de goleada para BBB</a>) uma entrevista que concedi aos então conselheiros da revista LivreMercado. Na ocasião, me coloquei à disposição na Internet para responder a qualquer tipo de indagação sobre o trabalho à frente daquela publicação que, infelizmente, depois que passou para as mãos inábeis e os olhos gordos do recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos, entrou para a clandestinidade de veículos de comunicação que não se encontram nem mesmo em feira livre. Quem não tem medo da verdade não foge de qualquer pergunta.</p>
<p>Levada adiante, entrevista indesejada será de fato uma grande oportunidade inclusive para, quem sabe, acabar com a desconfiança de que há determinadas figuras do Grande ABC que jamais se quedariam ao jogo democrático da informação independente. Quem sabe eles surpreendam e respondam sem hesitar.</p>
<p>Creio que o pior de tudo de uma suposta entrevista indesejável é indesejável de fato se tornar &#8212; sem resposta e colocada à execração pública neste site.</p>
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		<title>Grande Campinas cresce em  ritmo 39% superior ao Grande ABC</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/grande-campinas-cresce-em-ritmo-39-superior-ao-grande-abc/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 20:49:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[A raia do PIB (Produto Interno Bruto) em que o Grande ABC sofre duros revezes para a Grande Campinas, como antecipei no texto Grande ABC versus Grande Campinas, quem está na frente? é insofismável prova de que os sete municípios da região que somam 2,65 milhões de habitantes encontram-se encalacrados frente aos 19 municípios do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A raia do PIB (Produto Interno Bruto) em que o Grande ABC sofre duros revezes para a Grande Campinas, como antecipei no texto <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/grande-abc-versus-grande-campinas-quem-esta-na-frente/">Grande ABC versus Grande Campinas, quem está na frente? </a>é insofismável prova de que os sete municípios da região que somam 2,65 milhões de habitantes encontram-se encalacrados frente aos 19 municípios do Interior de população semelhante.</p>
<p>Ou seja: o G7 (o Grande ABC) está perdendo cada vez mais terreno para o G19 (a Grande Campinas). Nos oito anos contados entre janeiro de 2000 e dezembro de 2007, o crescimento médio anual do PIB do Grande ABC foi de 1,53%, contra 2,53% da Grande Campinas. A velocidade de avanço do G19 é 39% superior a da região.</p>
<p>Tracem uma linha de tempo mais prolongada e projetem o quanto o Grande ABC se distanciará da Grande Campinas em duas décadas. Não se trata de perspectiva pessimista.</p>
<p>A tendência é que a diferença de velocidade será ainda maior e o distanciamento de valores monetários prolongar-se-á igualmente superior porque o Grande ABC está numa porção geográfica de congelamento expansionista pelo bloqueio natural da Serra do Mar e pela escassez de áreas livres das amarras ambientais, além das deseconomias de escala da Região Metropolitana de São Paulo &#8212; entre outros fatores menos votados.</p>
<p>Já a Grande Campinas flui entre as principais rodovias do Estado e com fartura de terrenos que facilita entre outras iniciativas a chamada guerra fiscal de atratividade industrial mais consistente e sedutora do que municípios do Grande ABC conceberam de afogadilho para contragolpear.</p>
<p>Mais argumentos para corroborar a incômoda situação do Grande ABC frente a Grande Campinas: a economia daquela área do Interior do Estado é muito mais diversificada em matrizes industriais do que a do Grande ABC, movida à indústria automotiva e dependente demais também do pólo petroquímico. A Grande Campinas tem tudo isso e muito mais, como indústria de tecnologia de ponta e de química fina, infra-estrutura de atratividade na forma do Aeroporto de Viracopos em projeto de expansão e o trem-bala, entre tantas outras variáveis.</p>
<p>A comparação entre as duas áreas geoeconômicas está restrita aos oito anos mencionados. Faltam dados consistentes do começo dos anos 1990 entre outras razões por conta da mudança da moeda nacional. Mas é certo que reúno condimentos numéricos que sustentam a supremacia de 30% do Grande ABC no começo daqueles anos. Estar 11% atrás no outro extremo do confronto, no caso 2007, não é nada agradável.</p>
<p>A sustentação deste artigo leva em conta a atualização dos valores monetários do PIB individual e regional da Grande Campinas e do Grande ABC. Entre janeiro de 2000 e dezembro de 2007, a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas alcançou 110,4%. Nesse período ponta a ponta o Estado de São Paulo obteve crescimento do PIB de 26,09%, o que significa 3,26% ao ano, nível superior, portanto, aos 2,53% da Grande Campinas e ao 1,53% do Grande ABC.</p>
<p>Isso tem o seguinte significado: o Grande ABC não consegue crescer em média por ano metade do registrado no Estado de São Paulo e ficou a cada ano um ponto percentual abaixo da Grande Campinas. O PIB atualizado do Grande ABC em dezembro de 2007 registrava R$ 63.884,252, contra R$ 70.718.821 da Grande Campinas. Uma diferença de exatos R$ 6,8 bilhões. Para se ter ordem de grandeza desse número final, basta dizer que praticamente é a soma dos PIBs de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires e Mauá.</p>
<p>Qual seria a posição do Grande ABC e da Grande Campinas na ponta inicial, tendo sempre como base o ano de 1999?</p>
<p>Em valores nominais, ou seja, sem se considerar a inflação do período de oito anos, o Grande ABC apresentava em 1999 PIB de R$ 26.884.252, contra R$ 27.950.787 da Grande Campinas. Ou seja: a Grande Campinas exibia vantagem de R$ 1.066.535, o que equivalia a quase o PIB de Ribeirão Pires, que era de (sempre em valores nominais de 1999) de R$ 1.335,226. Resumo dessa ópera: em oito anos a Grande Campinas acumulou vantagem do PIB de Mauá e Rio Grande da Serra somados, já que o PIB de Ribeirão Pires não entra na conta novamente. Daí a superioridade de exatos 11,3% ao final de 2007. Em valores atualizados, o PIB do Grande ABC de 1999 (sempre é bom lembrar que é o ano da base de comparação que abrange o período de 2000 a 2007) alcançava em valores monetários de dezembro de 2007 o total de R$ 56.736.947, enquanto o da Grande Campinas chegava a R$ 58.808.455.</p>
<p>Esta abordagem de enfrentamento entre as duas mais ricas áreas do Estado, depois da Capital, terá vários desdobramentos. Um dos indicadores mais importantes e que para muitos estudiosos é mais relevante até que o próprio PIB, de deformações congênitas, é o Potencial de Consumo, especialidade do IPC Target, empresa dirigida pelo estudioso Marcos Pazzini, parceiro há muitos anos do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual idealizado por este jornalista. O mesmo IEME que está sendo reestruturado para retomar o posto de maior banco de dados analíticos da mídia nacional.</p>
<p>Posso antecipar aos leitores que o Potencial de Consumo do IPC da Target confirma a supremacia da Grande Campinas sobre o Grande ABC, numa virada de jogo semelhante à do PIB. Nada que surpreenda, porque o Potencial de Consumo e o PIB guardam muitas semelhanças quando se confrontam municípios ou regiões com as características da Grande Campinas e do Grande ABC. Mas há situações em que o Potencial de Consumo do IPC Target desmascara o artificialismo do PIB. Quanto menor o quociente do Potencial de Consumo dividido pelo PIB, menos riqueza relativa está sendo acumulada pela população local. Mas isso já é outra história.</p>
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		<title>Grande ABC versus Grande  Campinas, quem está na frente?</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 21:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Levante o braço o leitor que acredita que no jogo da economia o Grande ABC de sete municípios, 2,65 milhões de habitantes e um território de 840 quilômetros quadrados está ganhando a disputa com a Grande Campinas, de 2,7 milhões de habitantes, quatro vezes mais área territorial e 19 municípios.
Se o leitor levantou o braço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Levante o braço o leitor que acredita que no jogo da economia o Grande ABC de sete municípios, 2,65 milhões de habitantes e um território de 840 quilômetros quadrados está ganhando a disputa com a Grande Campinas, de 2,7 milhões de habitantes, quatro vezes mais área territorial e 19 municípios.</p>
<p>Se o leitor levantou o braço é porque está confiante no potencial do Grande ABC com base em informações espalhadas sem critério ou provavelmente porque estão embaladas pela chegada do trecho sul do Rodoanel, pela divulgação de investimentos (duvidosos) dos possíveis fornecedores do Pré-Sal, por essa história mal-contada de um mecenas sul-coreano que investiria os tubos em Santo André, pela propagação de intenções de constituição do Pólo Tecnológico do Grande ABC e por tantas outras bandeiras de triunfalismo acenadas ao sabor de interesses diversos.</p>
<p>Em seguidos textos que começo a preparar de forma esparsa mas complementar vou traduzir estudos que estou realizando em horas mortas mas muito vivas para confirmar situação que se delineou ao longo dos anos 1990 e se consolidou na primeira década dos anos 2000.</p>
<p>O Grande ABC que levava vantagem de 30% no que comumente se denominou o principal indicador econômico de uma Nação, no caso o PIB (Produto Interno Bruto) foi caindo a cada temporada e encerrou 2007 em desvantagem de 11% na disputa com a Grande Campinas.</p>
<p>Não é pequeno o rombo na sociedade como um todo numa região que estava 30% à frente e agora se vê 11% atrás.</p>
<p>Isso mesmo: o veículo econômico e social do Grande ABC medido pelo PIB que trafegava em velocidade 30% superior ao da Grande Campinas no começo dos anos 1990 ficou para trás.</p>
<p>Pior que ficar para trás é constatar que não há mudança de marcha significativa nos últimos tempos a apontar inversão de colocação.</p>
<p>Pior ainda: tudo se encaminha para a dilatação da vantagem à chamada Região Metropolitana de Campinas.</p>
<p>Perdemos para a Grande Campinas a vice-liderança estadual na geração de riquezas e serviços. Entre outros motivos essa queda se deve aos duros revezes provocados pela política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. Já cansamos de analisar os efeitos das besteiras que o governo FHC provocou no Grande ABC.</p>
<p>Escrevi sobre o assunto não só na revista LivreMercado que eu comandava (e que virou lixo antes de desaparecer nas mãos inábeis do recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos), nos veículos digitais que assino há mais de uma década e também nos livros que escrevi, entre os quais &#8220;República Republiqueta&#8221; e &#8220;Meias Verdades&#8221;.</p>
<p>Uma ultrassonografia da economia do Grande ABC sempre em contraponto com a da Grande Campinas vai dar maior precisão nos diagnósticos. Seria pura bobagem compilar dados da região e deixar de confrontá-los com aquela área para a qual se dirigiu boa parte das indústrias que evadiram da Grande São Paulo. Restringir os dados ao Grande ABC como se fôssemos um principado, não garantiria a compreensão exata do que passamos no período analisado.</p>
<p>Há várias modalidades de indicadores sobre os quais providenciarei o confronto entre o Grande ABC e a Grande Campinas. Fossem as lideranças da região mais responsáveis coletivamente, há muito já teríamos elaborado planejamento estratégico para reagir. É o que tanto a Região Metropolitana de Campinas como outras áreas do Estado promovem em busca de fortalecimento municipal e regional.</p>
<p>Ficamos nesse ziriguidum desafinado de ensaios que se esgotam nas próprias e mal-tratadas linhas com que são concebidos, quando são concebidos.</p>
<p>Um exemplo: tenho em mãos projeto de guerra fiscal que a Prefeitura de Santo André pretende implantar para dinamizar uma economia debilitada ao longo de três décadas. É um calhamaço de muito esforço e pouca luz. A guerra fiscal de Santo André provavelmente nem passará pelo Legislativo. E se passar vai ser algo tão inexpressivo que não contribuirá com nada para alterar o rumo dos acontecimentos.</p>
<p>O Grande ABC econômico dormiu tanto nas últimas décadas, acreditou tanto na retroalimentação compulsória de suas forças vocacionais, deu-se ao luxo de acreditar no Papai Noel da riqueza perene que, ao acordar, não se dá conta de que o trem desenvolvimentista já passou há muito tempo na estação dos acomodados.</p>
<p>Grande ABC versus Grande Campinas é uma oportunidade para todos colocarem em dia a realidade regional. Que melhorou com Lula da Silva, é verdade, mas está muito aquém de outras áreas. Dependemos demais da indústria automotiva, nossa irrecuperável doença holandesa.</p>
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		<title>Ramalhão de futebol moleque;  Azulão sob nova expectativa</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/ramalhao-de-futebol-moleque-azulao-sob-nova-expectativa/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 18:49:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Encerrado o segundo circuito da Série A do Campeonato Paulista, a participação de São Caetano e Santo André é melhor que o esperado. O Ramalhão está em segundo lugar com 21 pontos e o Azulão em sexto com 17. Ao final do primeiro circuito o Santo André estava em quarto com nove pontos e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Encerrado o segundo circuito da Série A do Campeonato Paulista, a participação de São Caetano e Santo André é melhor que o esperado. O Ramalhão está em segundo lugar com 21 pontos e o Azulão em sexto com 17. Ao final do primeiro circuito o Santo André estava em quarto com nove pontos e o São Caetano em sexto com oito. Convém lembrar que cada circuito é formado de cinco jogos. O Campeonato Paulista reúne cinco circuitos. O último tem apenas quatro jogos. Depois vêm as fases semifinal e final. </p>
<p>O São Caetano pagou o preço da competência ao exceder-se em eficiência contra o Palmeiras. No dia seguinte perdeu praticamente toda a Comissão Técnica. É claro que tudo isso é força de expressão. Antonio Carlos Zago se foi por conta do que fez na temporada passada ao assumir uma equipe na zona de rebaixamento na Série B do Brasileiro para levá-la ao sétimo lugar. Pelas contas que fiz em termos de produtividade, se a Série B tivesse começado quando ele chegou ao São Caetano, a equipe teria subido à Série A.  </p>
<p>Já o Santo André de futebol moleque semelhante ao do Santos, sem os craques extraclasse do Santos, caminha para uma campanha provavelmente inesquecível. A vice-liderança não é obra do acaso. A recuperação do fracasso na Série A do Campeonato Brasileiro parece definitiva. </p>
<p>Pelo andar da carruagem teremos dois times fortíssimos na Série B do Brasileiro. </p>
<p>Uma grande dúvida paira sobre o São Caetano &#8212; e é pertinente. Trata-se do seguinte: quem vai ocupar o lugar de Antonio Carlos Zago? </p>
<p>Tomara que seja alguém do mesmo perfil, porque o grupo que está disponível e que vem fazendo boa campanha no Campeonato Paulista foi moldado sob prismas preferenciais do treinador que agora está no Palmeiras. </p>
<p>Antonio Carlos é adepto de futebol de marcação forte, de volume de jogo, de contragolpes, de responsabilidade coletiva. Experiente jogador que passou por grandes clubes e que também atuou fora do País, Antonio Carlos observa a equipe sob cuidados táticos. O individualismo espetaculoso não lhe apetece, embora também não abra mão de valores que demarquem o território da individualidade como aliada do conjunto. Vanderlei e Everton Ribeiro são provas disso. </p>
<p>A escolha do substituto de Antonio Carlos Zago é a travessia da ponte do São Caetano para o restante da temporada. Se errar na mão, poderá colocar tudo a perder. É claro que não é fácil encontrar alguém com as especificidades do ex-zagueiro. Quando faço essa afirmação não estou necessariamente consagrando um técnico que mal iniciou a carreira. O que quero dizer é que o choque da mudança de comando não pode ser impactante demais, além do que já é por natureza. Imaginem se o São Caetano contrata um substituto que seja a antítese de Antonio Carlos? Alguém que prefira um futebol menos cuidadoso coletivamente, mais ostensivamente ofensivo. Alguém, em suma, que seja o homem errado na hora errada. </p>
<p>Querem que cite um exemplo emblemático de que não seria a competência, simplesmente a competência, que determinaria uma boa escolha do São Caetano? </p>
<p>Imaginem o São Caetano dirigido por Sérgio Soares, o técnico que mais uma vez está provando no Santo André que, como o ex-titular do comando do São Caetano, sabe organizar uma equipe. O problema é que Sérgio Soares, muito mais que Antonio Carlos, precisa de tempo e de um ambiente inteiramente favorável para aplicar as virtudes que o colocam como profissional comprovadamente montador de grupo. Nas vezes em que pegou o bonde andando, deu-se mal. E poderia se dar mal agora, tanto quanto alguém de seu perfil, se pegar um São Caetano moldado técnica e taticamente de forma diametralmente oposta à do Santo André. </p>
<p>Entre Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares há um abismo. O treinador do Santo André joga francamente no ataque, despreza riscos de contragolpes, usa e abusa de triangulações curtas, de passagens de bola, de toque em movimentação constante. Já Antonio Carlos Zago prefere a jogada mais longa, mais veloz no sentido vertical. Um Sérgio Soares no São Caetano montado por Antonio Carlos Zago possivelmente seria um desastre. E a recíproca é verdadeira. Daí a sugestão de que se encontre espécie de clone do treinador que agora está no Parque Antártica. </p>
<p>Quem sabe não esteja na escola gaúcha o profissional ideal para assumir o São Caetano? Uma vasculhada por lá, entre os times médios, não seria interessante? O Santo André não trouxe Mano Menezes antes de o Grêmio descobri-lo porque lhe faltavam recursos financeiros. E o Mano Menezes daqueles dias de XV de Campo Bom, adversário da semifinal da Copa do Brasil de 2004, não era assim tão Mano Menezes. </p>
<p>Diferenças à parte, Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares são provas provadas de que em futebol não há modelo único de sucesso. Como tudo na vida, não há protótipo de vencedor nem de perdedor. O que circunstancialmente é um desastre para um determinado modelo de profissional, em outra situação é a grande solução. O vencedor de hoje não é necessariamente o vencedor de amanhã. O homem é suas circunstâncias, já diziam os filósofos. </p>
<p>Está aí Muricy Ramalho como exemplo. Três títulos brasileiros e uma carreira brilhante foram jogados ao lixo por cronistas movidos por resultados tópicos e também por interesses nem sempre explícitos. Como tantos outros profissionais de tantas outras áreas, maus resultados são uma porta aberta a exageros. A sociedade é implacável principalmente com os vencedores, mas é leniente com perdedores contumazes que eventualmente encontram o caminho do sucesso episódico. Poucos observam a carreira de um profissional sob temporalidade longa. Preferem o aqui e agora. </p>
<p>Faltando nove rodadas para o encerramento do Campeonato Paulista, uma coisa é certa: dificilmente o Santo André e o São Caetano deixarão de apetrecharem-se para a Série B do Campeonato Brasileiro, que é o que mais interessa. As possibilidades de participarem das semifinais do Paulista existem, mas não podem ser tratadas de forma traumática. O Santo André não transmite nenhum sinal de que esteja preocupado com a responsabilidade de chegar às semifinais. Joga um futebol quase irresponsável, repito. O São Caetano é menos encantador, mas nem por isso menos eficiente. </p>
<p>Ainda considero que o time ideal seria a fusão dos dois estilos. Talvez isso venha com o tempo nesta própria temporada, porque já há claros sinais de que as jogadas começam a fluir de forma mais natural. A compactação entre os setores, que encurta espaços para os adversários, já começa a aparecer. Estou confiante desde as primeiras rodadas.   </p>
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		<title>Carnaval regional: Diário recupera  proposta veiculada há cinco anos</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 18:12:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ficaria sinceramente feliz se algum jornalista pudesse comprovar que se antecipou a mim na proposta de realização de carnaval regional no Grande ABC, temário sobre o qual o Diário do Grande ABC se debruça providencialmente nestes dias, embora cometa o equívoco de suposta abordagem inédita.
É natural que o maior veículo de comunicação impressa da região [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ficaria sinceramente feliz se algum jornalista pudesse comprovar que se antecipou a mim na proposta de realização de carnaval regional no Grande ABC, temário sobre o qual o Diário do Grande ABC se debruça providencialmente nestes dias, embora cometa o equívoco de suposta abordagem inédita.</p>
<p>É natural que o maior veículo de comunicação impressa da região cometa pecados, porque todos os jornais cometem. Principalmente porque as redações descartam e contratam jornalistas na velocidade de hélice de avião.</p>
<p>A bem da verdade, não custa nada reiterar e provar que foi este jornalista, na edição de 9 de fevereiro de 2005, o autor da idéia e do texto mais bem fundamentado sobre a importância de carnaval regional.</p>
<p>Se houver prova provada de que outro jornalista se embrenhou anteriormente por essa passarela, ficaria mesmo satisfeito porque descobriria que pelo menos em matéria de carnaval alguém pode se rivalizar comigo em questões que tratam da integração regional.</p>
<p>Escrevi aquele artigo em 9 de fevereiro de 2005 na coluna &#8220;Contexto&#8221;, espaço que criei assim que assumi a direção de Redação do Diário do Grande ABC, em 21 de julho de 2004. Deixei o Diário, ou o Diário me deixou, em abril de 2005. Ou seja: não tive tempo para monitorar mais de perto a possível operacionalidade daquela proposta.</p>
<p>Entretanto, do alto de minha sinceridade, diria que se tivesse me mantido à frente daquele jornal até hoje, duvido que a situação seria diferente e que o carnaval do Grande ABC deixasse de ter o mesmo destino de tantas outras atividades muito menos sazonais: uma manifestação explícita de separatismo territorial, com desdobramentos culturais incontroláveis. O Grande ABC não tem vocação à regionalidade em quase nada porque lhe falta capital social.</p>
<p>Não temos cidadania regional. Temos apenas consumidores regionais.</p>
<p>Tomara que agora, que as circunstâncias são outras, o requentamento do assunto pela direção editorial do Diário do Grande ABC encontre efetivo respaldo das autoridades públicas, mas não seriam apenas esses representantes da sociedade que fariam a bola rolar.</p>
<p>Se a comunidade carnavalesca não comprar a idéia, tudo vai para o beleleu e daqui a alguns anos, provavelmente com novos jornalistas a ocupar a Redação do Diário do Grande ABC, mais uma vez teremos a recuperação do assunto sob suposta novidade à agenda da regionalidade.</p>
<p>Ao final deste texto vou chamar à leitura do artigo que escrevi há cinco anos nas páginas do Diário do Grande ABC e que, mais tarde, em 5 de abril daquele mesmo 2005, repliquei na newsletter CapitalSocial Online, precursora deste site.</p>
<p>No dia seguinte ao texto que elaborei e que ganhou roupagem nova num editorial preparado, se não me engano, por Rita Camacho, um dos meus braços mais importantes daquela jornada profissional, o Diário do Grande ABC repercutiu a proposta. Sob o título &#8220;Consórcio discute Carnaval unificado&#8221;, a matéria assinada por Ângela Corrêa, Ilenia Negrin, Luciana Sereno e Sucena Shkrada Resk reunia vários entrevistados. Seleciono alguns parágrafos daquele trabalho:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Willian Dib, vai apresentar aos prefeitos da região a ideia de fazer um carnaval unificado. &#8220;Essa discussão será levada a todos os prefeitos no Consórcio, no sentido de contemplar cada vez mais o público e fazer dessa importante data uma festa ainda maior e mais bonita para região&#8221;, declarou Dib por meio da assessoria de imprensa. (&#8230;) A maioria dos carnavalescos das escolas do ABC abraçou a proposta e apontou o fomento ao turismo e melhoria estruturais das agremiações como os principais resultados positivos da regionalização do Carnaval a médio prazo (&#8230;) Aberta a discussão, não faltam sugestões dos sambistas. Para ensaiar a unificação, o presidente da Unidos da Vila Nogueira, de Diadema, Elpídio Madureira de Souza, sugere que haja a apoteose das campeãs de cada cidade. &#8220;O Carnaval seria mais acirrado. Haveria uma bela disputa&#8221;, avalia Carlos Lima, presidente da Raposa do Campanário, campeão em 2005 em Diadema. (&#8230;) O presidente da Palmares, de Santo André, Luís Gonzaga, acredita que a unificação do Carnaval vai espantar os &#8220;aventureiros do samba&#8221;. &#8220;Acho ótimo que a gente regionalize. As escolas que desaparecerem nesse processo não vão fazer falta. Aí nós vamos conseguir separar quem trabalha sério, fazendo trabalho de base na comunidade, de quem só fica correndo atrás de subvenção&#8221;, sustenta enfático. (&#8230;) A unificação também colocaria um breque em desfiles feitos por atacado. Neste ano, a Seci, que levou o título de campeã de Santo André ontem, e a Acadêmicos do Taí, da elite de São Bernardo, entraram nas avenidas com o mesmo desfile: samba-enredo e fantasias idênticas. Motivo: provável falta de verba para financiar dois desfiles. Como as duas desfilaram em dias diferentes, domingo e segunda-feira, as fantasias e alegorias foram reaproveitadas &#8212; escreveram os jornalistas do Diário do Grande ABC naquele 10 de fevereiro de 2005.</p>
<p>Hoje, 19 de fevereiro, data imediatamente após o encerramento do Carnaval, o Diário do Grande ABC traz a seguinte manchete da página do Caderno Setecidades: &#8220;Carnaval regional deve ser discutido na próxima reunião do Consórcio&#8221;. O texto é muito menor e menos abrangente que o de 2005, mas tem as mesmas digitais. Agora é o prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi, presidente do Consórcio Intermunicipal, que promete levar adiante a proposta requentada.</p>
<p>Tenho sérias dúvidas sobre a execução de qualquer projeto no sentido de acabar com o divisionismo carnavalesco. O Grande ABC não prioriza nada que dê muito trabalho, por melhor que seja a intenção de quem comanda o Consórcio de Prefeitos.</p>
<p>Acesse o artigo que escrevi em fevereiro de 2005. Na versão original, da coluna &#8220;Contexto&#8221;, era apenas &#8220;Carnaval regional&#8221;. Virou <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/carnaval-regional-e-questao-de-cidadania/">Carnaval regional é questão de cidadania </a></p>
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		<title>Indústria regional paga mais que  média nacional; setor público, não</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/industria-regional-paga-mais-que-media-nacional-setor-publico-nao/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 19:46:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[A média de remuneração dos trabalhadores privados com carteira assinada em cada um dos sete municípios do Grande ABC é maior que a média brasileira, mas quando se desloca o eixo de comparação para o emprego público, há diferenças consideráveis. Apenas São Bernardo, São Caetano e Diadema conseguem, sempre na média de vencimentos, superar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A média de remuneração dos trabalhadores privados com carteira assinada em cada um dos sete municípios do Grande ABC é maior que a média brasileira, mas quando se desloca o eixo de comparação para o emprego público, há diferenças consideráveis. Apenas São Bernardo, São Caetano e Diadema conseguem, sempre na média de vencimentos, superar a média nacional. Ou seja: o trabalhador do setor privado do Grande ABC é privilegiado em relação ao trabalhador do setor privado brasileiro. Mas no campo público, há reparos a fazer.</p>
<p>Se o confronto de média salarial do setor privado do Grande ABC for com a média do setor privado dos 645 municípios paulistas, a situação também será diferente, com Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra ficando abaixo. Já no confronto entre o funcionalismo público de cada Município do Grande ABC e a média estadual, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra caem na tabela. Agora, se a comparação for entre os trabalhadores do setor privado do Grande ABC e o funcionalismo público do Estado, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Diadema estão aquém dos valores médios. Ou seja: esses três municípios do Grande ABC perdem no emprego privado para o emprego público do Estado.</p>
<p>Já foi o tempo em que individual e coletivamente o Grande ABC superava largamente tanto a média paulista quanto a média brasileira na administração pública e no emprego industrial. Tempos anteriores ao desmanche da classe média-média durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. A classe média-baixa inventada pelos alquimistas do governo federal não tem nada a ver com a convencional definição de classe média.</p>
<p>Trabalho com dados brutos do Ministério do Trabalho e do Emprego, com base na realidade expressa em dezembro de 2008. As mudanças provocadas pela crise econômica a partir de outubro de 2008 não devem ter afetado a correlação de forças no ano passado a ponto de interferir diretamente na interpretação dos dados.</p>
<p>O Grande ABC colecionava ao final de 2008 contingente de 255.452 empregos industriais com carteira assinada. A cada 100 empregos formais no Grande ABC, 34,82% estavam sob o controle das indústrias, maiores geradoras de riqueza. Tanto são as maiores geradoras de riqueza que o salário médio dos trabalhadores do setor é disparadamente maior em relação a outras atividades econômicas. Menos quando enfrentam o funcionalismo público. Vejam a diferença favoravelmente ao emprego industrial formal no Grande ABC em 2008 em relação à média salarial do universo de trabalhadores de todas as atividades no mesmo Grande ABC:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Santo André, 41,48%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Bernardo, 48,42%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Caetano, 69,69%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Diadema, 10,31%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Mauá, 30,05%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Ribeirão Pires, 29,25%.<br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Rio Grande da Serra, 33,09%.</p>
<p>Portanto, quando se ouve ou se lê especialista em porcaria nenhuma proclamando que não há problema com a perda de empregos industriais, porque o emprego do setor de serviços é altamente compensador, desconfiem. Não só desconfiem: descartem. Nesta região e neste País de terciário de baixo valor agregado, a regra geral é de definhamento da média salarial com a quebra da coluna vertebral do emprego industrial com carteira assinada.</p>
<p>A numeralha exibida acima tem de ser observada com certa reserva. Ilações sem conhecimento das especificidades de cada território municipal do Grande ABC têm tanta consistência quanto um prato de gelatina. Algumas conclusões parecem, entretanto, óbvias:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Há forte desequilíbrio em Santo André, São Bernardo e, principalmente em São Caetano, entre a média dos vencimentos dos trabalhadores industriais e a média dos assalariados de todos os setores, incluindo-se a massa de vencimentos do setor público. Mas as razões são diferentes: São Bernardo tem a liderança salarial tão pronunciada do emprego industrial por conta das montadoras e autopeças; São Caetano porque também tem montadoras e autopeças e principalmente porque o setor terciário, principalmente de serviços, é intensamente forte na formalização de empregos de salários baixos; e Santo André porque mantém um grupo de 20 grandes indústrias que passaram por duras transformações, enxugando quadros, e um terciário igualmente de baixo valor agregado dos demais municípios. A desigualdade salarial entre categorias de trabalhadores é um fosso que se consolida nas relações pessoais, comprometendo de vez a potencialidade de desenvolvimento de capital social.</p>
<p>O menor número de trabalhadores industriais &#8212; quando se confronta com o total de carteiras assinadas no Grande ABC &#8212; está concentrado disparadamente em Santo André e em São Caetano, endereços que mais sofreram com a desindustrialização iniciada nos anos 1980. Dos 174.341 empregos formais em Santo André, apenas 21,23% (37.170) estão nas indústrias. Em São Caetano os números são semelhantes: 23,42% do total de 108.844 trabalhadores formalizados são detentores de empregos industriais (25.494). Em São Bernardo, do total de 263.467 empregos, 37,57% (98.990) são industriais. Os demais municípios, sempre na mesma ordem, de total de empregos e de participação relativa de empregos industriais: Diadema, 102.811 no total e 58.509 (56,90%) na indústria; Mauá, 58.495 no total e 25.379 (43,38%) na indústria; Ribeirão Pires, 22.504 no total e 8.615 (38,28%) na indústria; e Rio Grande da Serra, 3.004 no total e 1.295 (43,11%) na indústria.</p>
<p>No total, o Grande ABC contava com 733.466 empregos com carteiras assinadas em dezembro de 2008, dos quais 34,82% do setor industrial (255.452) e 399.977 (54,53%) de comércio e serviços.</p>
<p>A má notícia é que a tendência de redução da média de participação do emprego formal industrial no Grande ABC não está esgotada. Ainda haveremos de perder novos batalhões, porque a média estadual de ocupação no setor, de 22,51% só está no presente de Santo André e São Caetano. Os demais municípios deverão passar por emagrecimento não só por conta da descentralização industrial em direção ao Interior do Estado mas também porque investimentos tecnológicos e em processos têm a contrapartida da quebra de empregos industriais. Como a média nacional de participação relativa do emprego industrial formal no conjunto da massa de assalariados é ainda menor que a média paulista &#8212; exatamente 18,53% &#8212; a perspectiva de encolhimento no Grande ABC não é chutometria.</p>
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		<title>Voto Forasteiro, Voto Regional e  Voto Omisso no Teatro Grande ABC</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 19:47:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Atenção distinto público. Vamos abrir as cortinas para a apresentação do maior espetáculo teatral do Grande ABC. Vamos receber com entusiasmo os três mais importantes protagonistas das eleições para deputado estadual e deputado desta temporada. Com os senhores, o Voto Omisso, o Voto Forasteiro e o Voto Regional.
Voto Omisso &#8211; Me botaram numa fria dessas sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atenção distinto público. Vamos abrir as cortinas para a apresentação do maior espetáculo teatral do Grande ABC. Vamos receber com entusiasmo os três mais importantes protagonistas das eleições para deputado estadual e deputado desta temporada. Com os senhores, o Voto Omisso, o Voto Forasteiro e o Voto Regional.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> Me botaram numa fria dessas sem que eu soubesse. Disseram que a programação era um show musical do Zeca Pagodinho e de repente me vejo aqui no palco. O que vou fazer?</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Não vou dizer para você se virar nos 30 porque não sei o tempo que ficaremos aqui, mas é bom para você aprender, porque Voto Omisso tem mesmo é que se danar. Não pense em se esconder porque aqui não cola.</p>
<p><strong>Voto Forasteiro &#8211;</strong> Seja qual for o resultado desse negócio, vou me dar bem. Nessa República de Gatas Borralheiras, quem tem notoriedade sempre se dá bem. Principalmente quando vem de fora. Santo de casa não faz milagre. Não precisam me aplaudir, por gentileza. Sei que vocês gostam mesmo de apanhar.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8212; </strong>Não é que já estamos no ar? Quero dizer, no palco com microfone e tudo? O público está acompanhando tudo o que falamos. Ora bolas, já que está acompanhando, vou em frente. Vou dar uma de Vicente Matheus e dizer logo de cara o seguinte: quem sai na chuva é para se queimar. Sou Voto Omisso porque assim é que os políticos e a sociedade me tornaram. Sou efeito, não causa. Se não voto em nenhum dos candidatos do Grande ABC é porque ninguém consegue me sensibilizar. E se não me sensibilizam, que se danam.</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Peraí, peraí Voto Omisso. Não concordo com sua desculpinha esfarrapada. Sou a prova provada de que há gente comprometida com a sorte do Grande ABC. Voto Regional sou eu, ou seja, represento os candidatos da região na disputa por uma vaga no Legislativo Estadual e no Legislativo Federal. A chamada Bancada do Grande ABC é uma aberração matemática. Ou você vai dizer que não. Afinal, temos quase dois milhões de eleitores e poderíamos contar com pelo menos meia dúzia de deputados federais e uns 15 estaduais. Infelizmente, não passamos de alguns gatos pingados. Na instância federal só temos o Vicentinho. E não me venham falar que o Lula é de São Bernardo, que isso não tem nada a ver com nosso caso.</p>
<p><strong>Voto Forasteiro &#8211;</strong> Agradeço tanto ao Voto Omisso quanto ao Voto Regional por ter no Grande ABC um manancial de sucesso. O Voto Omisso para deputado estadual e para deputado federal, que chega a 50% do total, é a prova provada de que o Grande ABC é o descaso em forma eleitoral. O Voto Regional é tão debilitado, tão corporativo, que não passa mesmo de Voto de Cabresto. Voto Regional deveria ser resultado de cidadania regional. Se o Grande ABC não se enxerga como região, como esperar que o Voto Regional sobreviva em densidade suficiente? Mais que isso: como esperar que o Voto Omisso não seja tão volumoso?</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> É muito fácil criticar, mas ninguém se põe no meu lugar. Sou Voto Omisso porque vivo na periferia de uma Capital que concentra todos os holofotes nas eleições ao governo do Estado e para a presidência da República. Também os candidatos a deputado estadual e a deputado federal que dominam as cúpulas partidárias concentram as luzes nos programas de TV e de emissoras de rádio de maior audiência. No fundo, em vez de Voto Omisso eu deveria ser chamado de Voto Apagão, porque vivo nas trevas da democracia, que não se manifesta apenas no voto, mas também no acesso a serviços públicos e a tanta coisa que só os incluídos conhecem bem.</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Você tem certa dose de razão, caro Voto Omisso, mas isso não salva sua alma pecadora de insensibilidade. Afinal, poderia muito bem se informar mais, ir em busca de dados dos candidatos da região. Esse discurso recheado de assistencialismo não deve ser o salvo-conduta para tudo.</p>
<p><strong>Voto Forasteiro &#8211;</strong> Acho que o Voto Omisso não deve ir atrás de dados dos candidatos do Grande ABC. Quanto menos você souber deles, mais votos eu terei. Não há quem resista a dar uma certa lustrada egocêntrica no ato de votar quando aparecem nomes reluzentes, inclusive do campo artístico, do mundo futebolístico. A ignorância adora o verniz da celebridade.</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Você está enganado, Voto Forasteiro. O Voto Omisso não o auxilia em nada, porque Voto Omisso é Voto Omisso sempre. Voto Omisso, como o próprio nome diz, é voto que não se consolida. É voto que não aparece nas urnas. Não vira Voto Regional nem Voto Forasteiro. É a ignorância em forma eleitoral.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> Podem me chamar de tudo, menos de ignorante. Voto Omisso é o Voto de resistência a tudo isso que está aí. A gente não vota em ninguém mesmo. Na verdade, meu sonho era ser Voto Rebelde, que não teria destino algum não porque não soubesse o que fazer, mas exatamente porque saberia o que deveria fazer e não acreditaria que alguém pudesse fazer. Mas como vou me transformar em Voto Rebelde se não sei como sair da condição genética de Voto Omisso?</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Bons tempos foram aqueles nos quais de alguma forma eu fui valorizado. Quem não se lembra da atuação do Fórum da Cidadania? Muita gente graduada saiu às ruas para panfletar motoristas e pedestres a votar em candidatos do Grande ABC. Conseguimos colocar 13 representantes em Brasília e em São Paulo. Foram nossas maiores bancadas. Mas tudo não passou de exceção à regra. Até porque aquelas bancadas praticamente pouco fizeram.</p>
<p><strong>Voto Forasteiro &#8211;</strong> Se querem saber de fato minha opinião, caros espectadores, diria que nem deveria estar aqui neste palco. Chova ou faça sol, meu lugar nas urnas está garantido. E não é só aqui no Grande ABC não. Onde houver gente interessada em potencializar de brilho o voto, estarei presente. Voto Forasteiro é voto de prestígio.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> Não estou muito enfronhado nesse negócio de definição de voto, mas pelo que entendi do Voto Forasteiro, sobrou a impressão que não sou nada perto dele. É isso mesmo?</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Desculpe a franqueza, caro Voto Omisso, mas é daí para pior. Aliás, não é perto dele que você não vale nada. É perto de mim também. Aliás, mais perto de mim do que perto dele, porque sua posição compromete o futuro da região na medida em que fica na toca do desinteresse. É claro que não quero transformar você em Voto Forasteiro. Quero que você se torne Voto Regional como eu, mas seu enclausuramento é de doer.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> Enclausuramento? Você chama exclusão social de enclausuramento?</p>
<p><strong>Voto Forasteiro &#8211;</strong> O que vocês dois precisam entender, e a platéia que nos acompanha também, é que só existo porque me alimento de todos vocês. Indistintamente. Quando falam por aí que vocês têm Complexo de Gata Borralheira, é a pura realidade. Vocês acham que quem concorre pelo Grande ABC não é lá essas coisas e então caem nos meus braços de forma acrítica, sem nenhuma preocupação em questionar até que ponto estou interessado em contribuir com suas expectativas.</p>
<p><strong>Voto Regional &#8211;</strong> Fico até certo ponto surpreso com sua franqueza, caro Voto Forasteiro. Mas não deveria, porque sei que você pode falar o que bem entender que nada vai abalar as estruturas de sustentação de sua vitalidade. Sei que adoramos fingir senso de responsabilidade regional, mas, no fundo, no fundo, nossa sociedade, inclusive essa que está a nossa frente, um miniuniverso dos 2,6 milhões de habitantes dos sete municípios do Grande ABC, adora lustrar as botas de quem vem de fora e de trançar as penas de quem é daqui. Essa é uma velha deformação sociológica que se manifesta em várias áreas. Na política não seria diferente.</p>
<p><strong>Voto Omisso &#8211;</strong> Estão vendo, senhores e senhoras, como tenho toda razão em me manter longe desse tipo de debate? Se o próprio Voto Regional abre a mala de ferramentas para dizer que o povo vota mal, que não valoriza a região, por que eu, com tantas preocupações na vida, que nem sei direito o que significa esse tal de deputado estadual e esse tal de deputado federal, vou esquentar a cabeça? Mal me dou conta de votar para presidente e para governador, isso quando voto. O resto que se dane.</p>
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		<title>Leituras de Carnaval para quem  quer entender o Grande ABC</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 20:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[São novos 52.918 caracteres, o equivalente a 14,3 páginas em formato revista, editadas sem estardalhaço gráfico. É isso que reservamos aos leitores deste site revolucionário na imprensa regional para compensar estes dias de Carnaval. São três matérias que resgatamos da revista LivreMercado dos tempos em que este jornalista comandava a área editorial. Foram 19 anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São novos 52.918 caracteres, o equivalente a 14,3 páginas em formato revista, editadas sem estardalhaço gráfico. É isso que reservamos aos leitores deste site revolucionário na imprensa regional para compensar estes dias de Carnaval. São três matérias que resgatamos da revista LivreMercado dos tempos em que este jornalista comandava a área editorial. Foram 19 anos de zelo intenso. Escolhemos esses três trabalhos jornalísticos porque também marcaram a trajetória daquela publicação que afunda sob o comando empresarial de quem não entende nada de jornalismo.</p>
<p>É impossível compreender e interpretar a estrutura social, econômica, cultural e institucional do Grande ABC sem os textos que estamos inserindo em CapitalSocial desde o primeiro dia de setembro do ano passado. Provamos com esse novo minidescarregamento.</p>
<p>A primeira das três matérias leva a assinatura da jornalista Malu Marcoccia, profissional exageradamente discreta num ambiente regional e nacional de celebridades sem talento.</p>
<p>Malu Marcoccia realizou em maio de 1997 &#8212; portanto há 13 anos &#8212; uma entrevista com o então diretor de Recursos Humanos da Volkswagen do Brasil, Fernando Tadeu Perez. O conteúdo é premonitório. Tadeu Perez abriu a mala de ferramentas dos custos da unidade da VW em São Bernardo. Disse em detalhes o que não afirmara a nenhum jornalista anteriormente. Falou dos custos da atividade automotiva na região. Incluiu questões ligadas à produtividade, que muita gente, principalmente sindicalistas, não leva em conta nas reivindicações.</p>
<p>Acompanhem a entrevista com Fernando Tadeu Perez e constatem o quanto aquelas páginas foram oportunas para o entendimento do quadro socioeconômico no Grande ABC. Com esse texto, abrimos uma temporada que se intensificará este ano. Uma temporada de recuperação de dezenas de matérias produzidas ao longo de duas décadas envolvendo a indústria automotiva e o setor de autopeças no Grande ABC. Sempre com a marca registrada da análise, da interpretação.</p>
<p>A segunda matéria recuperada dos arquivos digitais pela ordem cronológica e que também estará acessível neste espaço foi uma entrevista que fiz pela Internet com o especialista em cadeias produtivas João Luiz Zuñeda, executivo da MaxiQuim, consultoria de Porto Alegre contratada em 1999 para aprofundar um estudo encomendado pelo Sebrae sobre a cadeia petroquímica da região.</p>
<p>O resumo daquele material jornalístico foi impresso nas primeiras linhas: o Grande ABC está perdendo a disputa pela competitividade no setor de plástico porque falta integração de interesses. Mais: o consultor disse que as conclusões do trabalho, apresentadas em abril de 2001, não tiveram ações efetivas. Exatamente porque prevalecem o municipalismo e a improvisação nas pastas de Desenvolvimento Econômico.</p>
<p>O pior dos mundos, entretanto, não estava congelado naquele texto. Quase 10 anos depois do estudo encomendado pelo Sebrae e quase sete anos após a matéria assinada por este jornalista, a situação do Grande ABC no setor de plástico segue a toada de negligência. Também vamos acrescentar a este site outras matérias do segmento de plástico.</p>
<p>Para completar o minipacote de jornalismo qualificado que inserimos neste CapitalSocial, vale a pena acompanhar o texto que este jornalista escreveu para a edição de janeiro de 2005, quando o ex-secretário de saúde José Auricchio Júnior assumiu a Prefeitura de São Caetano. Reparem os leitores os ângulos de abordagem, que, como em tantas outras reportagens-análise daquela revista, fugia completamente da mesmice de outras publicações.</p>
<p>Sem qualquer temor de ser mal-interpretado, ou mesmo de ser visto por um ou outro leitor sob olhares de desconfiança e de imodéstia, a publicação desses textos neste mundo digital &#8212; que também é material quando se recorre ao mecanismo de impressão &#8212; faz parte da obrigação inerente de quem tem experiência suficiente em jornalismo para não sonegar ou deixar encostados nos arquivos digitais e impressos trabalhos que ajudam a compreender o Grande ABC que vivemos.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sem-categoria/uma-corrida-contra-o-relogio-na-volkswagen/">Uma corrida contra o relógio na Volkswagen</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sem-categoria/falta-integracao-e-custo-atinge-a-competitividade/">Falta integração e custo atinge a competitividade</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/auricchio-esta-preparado-para-dirigir-sao-caetano-dualistica/">Auricchio está preparado para dirigir São Caetano dualística?</a></p>
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		<title>Não deixe de votar no Grande ABC,  eis uma ideia às próximas eleições</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/politica/nao-deixe-de-votar-no-grande-abc-eis-uma-ideia-as-proximas-eleicoes/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 18:46:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A fuga das galinhas de votos nos candidatos do Grande ABC nas eleições proporcionais para deputado estadual e deputado federal preocupa muito mais os concorrentes bem informados do que a evasão de votos em direção a adversários sem intimidade local e regional, os chamados forasteiros tão duramente criticados por aparecerem como meteoros por aqui em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A fuga das galinhas de votos nos candidatos do Grande ABC nas eleições proporcionais para deputado estadual e deputado federal preocupa muito mais os concorrentes bem informados do que a evasão de votos em direção a adversários sem intimidade local e regional, os chamados forasteiros tão duramente criticados por aparecerem como meteoros por aqui em períodos eleitorais.</p>
<p>O candidatíssimo a deputado estadual Raimundo Salles, do alto de mais de 70 mil votos e alguns milímetros aquém de Aidan Ravin no primeiro turno das eleições em Santo André, fala com a certeza de quem vai às estatísticas para modular a carga estratégica da campanha que informalmente já está nas ruas. E o que ele fala tem contornos que ultrapassam a simples menção de números.</p>
<p>Raimundo Salles, político vocacionado a viver intensamente a disputa de cada voto, não se conforma com o fato de que perto da metade do eleitorado do Grande ABC se abstém de depositar votos em qualquer concorrente à Assembléia Legislativa e à Câmara Federal. Repetimos: de cada 10 votos disponíveis, quase metade vai para o ralo, sem destinatário algum.</p>
<p>É de fato um desperdício e tanto. Entre outros elementos explicativos o quadro encontra campo fértil na profundeza de complicações sociológicas que dita a baixa regionalidade dos sete municípios locais. Sei lá se seria diferente caso o Grande ABC fosse de fato um único Município, como nos primórdios do século passado. Talvez a situação não fosse radicalmente outra, porque a sociologia de fato pesa muito mais do que a geografia no mercado eleitoral. Vivemos também na penumbra de campanhas eleitorais nas emissoras de rádio e televisão. Somos eleitores de segunda categoria quando se trata de conhecer mais e melhor os candidatos que nos representam nas disputas.</p>
<p>Não é novidade para quem vive de votos que a votação em candidatos do Grande ABC pelo eleitorado do Grande ABC está historicamente muito abaixo do esperado.</p>
<p>Entretanto, jamais em toda a história recente se ressaltou essa face de desprestígio, desconhecimento, descaso ou seja lá o que for. Tanto é verdade que confesso que, ao ouvir de Raimundo Salles, em rápido diálogo, alguns dados sobre o grau de apatia ao voto para deputado estadual e deputado federal, minha ficha demorou um certo tempo para cair. Nada mais surpreendente, porque fui condicionado o tempo todo a raciocinar de forma amenizadora ou estudadamente menos impactante.</p>
<p>A fuga das galinhas dos votos nos candidatos do Grande ABC sempre passou pela minha cabeça como um fato consumado porque havia a concorrência dos chamados forasteiros. Nunca me dei conta ou parei para refletir sobre a fuga das galinhas dos votos nos candidatos do Grande ABC pela larga autopista da não-votação em qualquer concorrente, de qualquer localidade.</p>
<p>Resumo da ópera: historicamente nos damos mal por duas vertentes, a primeira dos candidatos forasteiros e a segunda dos votos omissos.</p>
<p>Nem mesmo o Fórum da Cidadania nos melhores tempos, tempos de mobilização da classe média do Grande ABC, nem mesmo o Fórum da Cidadania conseguiu transmitir essa mensagem de fuga das galinhas de votos pelo buraco da prioridade que se dá à escolha do governador e do presidente da República. Daí, inclusive, a explicação à minha interpretação manquitola. Ou seja: &#8220;Vote no Grande ABC&#8221; e &#8220;Vote com Qualidade no Grande ABC&#8221;, motes instrumentalizados para seduzir o eleitorado, não se referiam especificamente ao desperdício de votos negados, mas à efetivação do voto em candidatos alienígenas.</p>
<p>Por isso mesmo sugiro que nas eleições deste ano os candidatos a deputado se unam e joguem limpo, claro, direto e reto com os eleitores. &#8220;Não deixe de votar nos candidatos do Grande ABC&#8221; é muito mais abrangente e instigante que &#8220;Vote no Grande ABC&#8221; ou &#8220;Vote com Qualidade no Grande ABC&#8221;, mensagens de um passado não tão recente mas de aprendizado importante.</p>
<p>Diria mais: uma campanha institucional que quantifique o número de votos negados a cada uma das últimas eleições a deputado estadual e a deputado federal da região provocaria certo estresse positivo no eleitorado. Afinal, como obter maior representatividade naquelas duas instâncias legislativas se o eleitor não alarga a viabilidade aos pleiteantes locais?</p>
<p>Acredito que a mídia de maneira geral poderia engrossar as fileiras dessa campanha ou de algo semelhante para massificar no eleitorado do Grande ABC a importância de reduzir o grau de ociosidade da votação nos candidatos locais. Ociosidade sim, porque, como uma fábrica com capacidade para produzir 100 parafusos por hora mas que não passa da metade, o eleitorado do Grande ABC produz pouco mais de 50 votos. Precisamos, portanto, de produtividade maior.</p>
<p>Confesso que não disponho de dados estatísticos que, introduzidos neste texto, dariam a dimensão exata do quanto somos mais perdulários em relação a outras localidades.</p>
<p>Uma comparação não só com a Capital do Estado mas com outros municípios e regiões seria esclarecedora. Com esses dados teríamos mais argumentos e quem sabe até poderíamos provocar impacto que atingiria em cheio o âmago da autoestima regional.</p>
<p>Sim, porque ninguém tira de minha cabeça que a conclusão de que o Grande ABC joga na lata do lixo da omissão algo como 30% a mais de votos nos candidatos locais em relação à média do Estado, ajudaria a sensibilizar o eleitorado a fortalecer nossos grupos de representantes naquelas duas casas de leis. Com a vantagem de que, com maior participação do eleitorado, as possibilidades de acompanhamento da trajetória de cada eleito e eventualmente de verdadeiras bancadas da região seriam potencialmente maiores.</p>
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		<title>FHC versus Lula: quem ganha  essa disputa é a Folha de S. Paulo</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 19:35:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Já faz algum tempo que a Folha de S. Paulo está mostrando uma das veredas pelas quais o jornalismo diário impresso obrigatoriamente terá de percorrer para amenizar os novos tempos tecnológicos de influência visceral nos hábitos de leitura e, sobretudo, na sobrevivência das publicações. Além da informação propriamente dita, a Folha de S. Paulo abre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já faz algum tempo que a Folha de S. Paulo está mostrando uma das veredas pelas quais o jornalismo diário impresso obrigatoriamente terá de percorrer para amenizar os novos tempos tecnológicos de influência visceral nos hábitos de leitura e, sobretudo, na sobrevivência das publicações. Além da informação propriamente dita, a Folha de S. Paulo abre espaço para análises que dão suporte à interpretação dos leitores. No caso das críticas veiculadas no Estadão de domingo em artigo assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao governo do presidente Lula da Silva, a intervenção da Folha de S. Paulo foi cirúrgica. Os outros jornais ficaram em cima do muro do repasse convencional dos enunciados de FHC e da reação dos petistas.</p>
<p>Não tenho dúvida de que o maroto evangelho de neutralidade de jornais diários, que contamina os demais veículos de comunicação, é uma das explicações para os desatinos gerais, de políticos a empresários, de sindicalistas e acadêmicos, enfim, de todos aqueles que protagonizam o noticiário.</p>
<p>Os interesses econômicos, políticos e sociais se sobrepõem ao compromisso republicano de informar qualificadamente. A utilização malandra da semântica de suposta neutralidade para manter os jornalistas rasantes nas informações é difundida nas escolas de jornalismo e imposta em redações de jornais, exceto quando convém ao dono do negócio da informação atingir adversários. Nesses casos, os textos são ardilosamente editorializados.</p>
<p>Sou avesso ao jornalismo comodotizado de informação fria e relatorial. Já escrevi muito sobre isso. Jamais me pendurei na falsa ética da neutralidade programada para sofismar. Jornalista precisa ter comprometimento com os fatos, e esse comprometimento se manifesta com base em conhecimento, em valor agregado tão escasso e desprezado.</p>
<p>Empresa jornalística séria não pode ser confundida com partido político. Já cansei de dizer a alguns homens públicos que não existe nada pior que distorcer os fatos. É preferível enfrentar a realidade de uma situação incômoda a correr do prejuízo dobrado. Essa conceituação não tem exclusividade no ambiente político. Está aí a Toyota em asfixiante saia justa depois de tentar esconder problemas técnicos de veículos produzidos nos Estados Unidos.</p>
<p>Brincar com a realidade é a pior forma de conduzir a imagem de um administrador. Não é por outra razão que tive e ainda tenho dificuldades em lidar com determinados agentes públicos, privados e sociais. A maioria é corporativista, individualista, partidária e exerce o direito inalienável de procurar impor interesses e o obtém na medida em que interlocutores da mídia por razões diversas aceitam as regras do jogo.</p>
<p>A intervenção do jornalista Gustavo Patu na análise da Folha de S. Paulo sobre o artigo assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é preciosa. Creio que os leitores apreciariam os pontos mais importantes do trabalho.</p>
<p><strong>Sobre Pobreza &#8212; </strong>Fernando Henrique disse: &#8220;Com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007&#8243;. A explicação do jornalista: &#8220;Após a queda brusca no primeiro ano do Plano Real, a taxa de pobreza se manteve quase estável entre 1996 e 2002, só voltando a cair de forma aguda sob Lula&#8221;.</p>
<p><strong>Sobre o Salário Mínimo &#8212; </strong>Fernando Henrique disse: &#8220;De 1995 a 2002 houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5&#8243;. A explicação do jornalista: &#8220;Metade do aumento se deve ao reajuste concedido no primeiro mandato (de FHC) por pressão do Congresso, contra a vontade do governo&#8221;.</p>
<p><strong>Sobre Rendimentos &#8212; </strong>Fernando Henrique disse: &#8220;Hoje, o rendimento médio real dos trabalhadores se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real&#8221;. A explicação do jornalista: &#8220;O rendimento médio dos trabalhadores é inferior ao de 1998 porque caiu a partir do segundo mandato de FHC, só voltando a subir em 2005, sob Lula&#8221;.</p>
<p><strong>Sobre a Dívida pública &#8212; </strong>Fernando Henrique disse: &#8220;Foi esse temor (do mercado com o programa de Lula) que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003&#8243;. A explicação do jornalista: &#8220;Os temores do mercado também foram alimentados pelo forte aumento das dívidas interna e externa ao longo do governo tucano (51,32% do PIB no fim da gestão FHC&#8221;.</p>
<p>Se um ex-presidente da República, detentor de currículo acadêmico que extasia a intelectualidade do País, é capaz de preparar um artigo com deformações e imprecisões apontadas pelo jornalista da Folha de S. Paulo, o que esperar de tantos outros agentes públicos, privados e sociais? A manipulação informativa que impera na mídia verde-amarela é a regra geral. A intervenção lúcida e respaldada em fatos é exceção.</p>
<p>Não foi por outra razão que há sete anos escrevi o livro &#8220;Meias Verdades&#8221;, com a exposição de mais de três dezenas de casos publicados em jornais (da região e da Capital) sobre o uso indiscriminado da mídia para proveito próprio dos entrevistados. Mais que isso: em muitas situações daquele livro, o que se observa também é que havia um encontro das águas de interesses do veículo de comunicação e das fontes de informação. Tudo sob medida.</p>
<p>A desculpa esfarrapada de determinados donos de jornais, através de ventríloquos também conhecidos por editores de conteúdo ou assemelhados é sempre a mesma quando se coloca em xeque a pasteurização das reportagens: reservam para as páginas de editoriais a interpretação do noticiário.</p>
<p>Na maioria dos casos tudo não passa de encenação, de trucagens. O direcionamento do noticiário supostamente neutro é a plataforma sobre a qual giram os conceitos do editorialista. Além disso, a visibilidade gráfica das páginas de noticias é muito mais atraente que a discrição dos espaços reservados aos editoriais.</p>
<p>As páginas de noticiário estão para as vitrines feericamente iluminadas de lojas de shopping center assim como os espaços de opinião estão para as áreas de estoque dessas mesmas lojas.</p>
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		<title>É complicado ver nossos times  ao mesmo tempo na mesma TV</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/e-complicado-ver-nossos-times-ao-mesmo-tempo-na-mesma-tv/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 18:13:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Insisto na teoria nada conformista e muito menos conservadora de que o que mais deve interessar ao São Caetano e ao Santo André na Série A do Campeonato Paulista é a Série B do Campeonato Brasileiro. Quanto mais próximas as duas equipes ficarem das quatro vagas de semifinalistas do principal campeonato regional do País, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Insisto na teoria nada conformista e muito menos conservadora de que o que mais deve interessar ao São Caetano e ao Santo André na Série A do Campeonato Paulista é a Série B do Campeonato Brasileiro. Quanto mais próximas as duas equipes ficarem das quatro vagas de semifinalistas do principal campeonato regional do País, mais teremos a esperança de que, com juízo, poderão repetir o desempenho no segundo semestre. Participar das semifinais ou finais do Campeonato Paulista seria o máximo, mas o raciocínio não pode ser simplificado porque teria a contrapartida de, ao destacarem-se aos olhos de investidores do futebol, São Caetano e Santo André correriam o risco de perder peças importantes na disputa nacional subsequente.</p>
<p>Os sete gols que Santo André e São Caetano marcaram no final de semana fora de casa, sofrendo apenas um, restaura a confiança abalada no meio da semana com derrotas para duas das grandes equipes do País. Menos no caso do Santo André, evidentemente, que merecia melhor sorte contra o Santos de um Dorival Júnior sem constrangimento de reforçar a marcação quando percebeu que a vitória poderia ir para o brejo.</p>
<p>Não me lembro de Santo André e São Caetano terem obtido num mesmo final de semana, em jogos simultaneamente fora de casa, resultados tão expressivos.</p>
<p>O problema todo para quem pretendia assistir aos dois jogos no Sportv é que a coincidência de horário me obrigou a mudanças constantes de sintonia. Já estou ficando craque em matéria de passar de um canal para outro para ver se consigo entender dois jogos em horários que se trombam. Tão craque que cheguei à conclusão que, por mais que acredite estar reduzindo a margem de erro de substituir momentos mortos de um determinado jogo por situações vivíssimas de outro, não consigo, de fato, entender na plenitude da razão o que mais aprecio no futebol: o desenvolvimento tático dos confrontos.</p>
<p>Nem poderia ser diferente, convenhamos. Além das restrições espaciais da tela de televisão, a intermitente troca de canais rompe a integralidade de um jogo. A leitura tática de um jogo é algo como orgasmo, que não pode ser interrompido.</p>
<p>Domingo, portanto, foi um tormento e, pelo visto, de acordo com as primeiras informações, neste sábado será repetida a dose. Vou ter que me virar para captar o máximo de jogo vivo dos dois confrontos.</p>
<p>Prefiro a simplicidade do televisor único à multiplicidade do sãopaulino Abílio Diniz, que dispõe de infinidade de aparelhos ligados em canais diferentes em sua sala-de-estar. Provavelmente ficaria maluco com tamanho assédio. Duvido que a fórmula que aquele empresário adotou garanta avaliação dos jogos. Provavelmente ele seja adepto da multiplicação dos jogos porque não os observa com olhares críticos. Por isso prefiro ficar com um só aparelho e dois jogos entrecortados.</p>
<p>Por não ter o poder da ubiquidade televisa (e muito menos pessoal, evidentemente) jogo na retranca quando se trata de avaliações individuais. Enveredo com certa segurança na estrutura tática das equipes, porque é o conjunto da obra que decide. Entenda-se por conjunto da obra o somatório de vários jogos, de observações que se completam como um mosaico. Também desse conjunto derivam avaliações individuais mais notórias, como é o caso de Vanderlei no São Caetano e de Gil no Santo André.</p>
<p>Está mais que desenhado o perfil das duas equipes. O Santo André é uma opereta técnica de movimentação intensa no ataque com avanços no sistema defensivo. O São Caetano é o contra-regra nada convencional que deixa as digitais de sua especialidade num momento de quase silêncio de uma obra musical, quando surpreende os espectadores com manobra repentina de impacto cortante. O Santo André são as notas musicais que parecem repetitivas, mas sempre encantam. O São Caetano é a sinalização permanente de uma contra-ofensiva para a qual o adversário cada vez mais se prepara.</p>
<p>Traduzindo: o Santo André prima pela vocação incondicional ao ataque, tornando-se até certo grau quase irresponsável, enquanto o São Caetano é a astúcia do contragolpe planejadamente preparado ao atrair o adversário que se imagina com o controle do jogo.</p>
<p>Nessa contabilidade não entra o jogo com o São Paulo. O São Caetano cometeu equívoco preparatório duplo: não percebeu que os jogadores do São Paulo anunciaram nos dias que antecederam ao jogo que fariam espécie de prévia da estréia na Libertadores e foi a campo no primeiro tempo sem a competitividade que um time grande, do outro lado do gramado, merece. A dormência do São Caetano custou caro, menos como resultado numérico, mais pela recaída tática.</p>
<p>Por enquanto, e mesmo com as limitações já anotadas, o Santo André parece estar em estágio superior de arrumação tática. Entretanto, talvez esse parecer não seja o mais correto. Por fazer da criatividade a fonte da bateria tática, o Santo André de jogadores leves e criativos do meio de campo para a frente transmite a idéia de que se arrumou como conjunto mais rapidamente que o São Caetano. Não rejeito, entretanto, a possibilidade de estar equivocado. Afinal, por trás do jeito mais moleque de jogar, o Santo André sugere a idéia de que sofre menos para conter os adversários, o que não é uma verdade que vale para todos os jogos. É uma verdade que cai bem diante de equipes de menor poderio técnico. Já o São Caetano é mais introspectivo, mais defensivo, fica menos exposto de fato ao adversário do que a pressão contrária leva a crer. Não fosse o São Paulo no meio do caminho diria que essa afirmativa não teria fissuras.</p>
<p>Como estamos apenas na sétima rodada da Série A do Campeonato Paulista e, portanto, ainda restam 12 jogos para cada uma das equipes, tudo indica que Santo André e São Caetano vão entrar no Brasileiro em situação jamais vista nas temporadas anteriores, com times organizados, esculpidos taticamente, e, provavelmente, muito melhores do que o estágio que já alcançaram no Campeonato Paulista.</p>
<p>Só faltará, provavelmente, maior apoio do torcedor.</p>
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		<title>Vicentinho e Morando expõem  linguagem da disputa eleitoral</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/politica/vicentinho-e-morando-expoem-linguagem-da-disputa-eleitoral/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 19:17:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[O deputado federal petista Vicentinho Paulo da Silva e o deputado estadual tucano Orlando Morando foram envolvidos outro dia num trabalho jornalístico que sintetiza estes tempos pré-eleitorais. Representantes dos dois partidos que chefiam instâncias mais poderosas do País &#8212; o governo federal e o governo do Estado de São Paulo &#8212; Vicentinho e Morando revelaram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O deputado federal petista Vicentinho Paulo da Silva e o deputado estadual tucano Orlando Morando foram envolvidos outro dia num trabalho jornalístico que sintetiza estes tempos pré-eleitorais. Representantes dos dois partidos que chefiam instâncias mais poderosas do País &#8212; o governo federal e o governo do Estado de São Paulo &#8212; Vicentinho e Morando revelaram o quanto os tempos mudaram. Ao tratarem das próximas eleições presidenciais, mostraram com sinais trocados perfis estereotipados de petistas e tucanos. Vicentinho, ex-sindicalista, transparece diplomacia e tranquilidade. Orlando Morando, empresário do ramo de supermercados, sugere pedras na mão.</p>
<p>Independente da personalidade ocasional ou consolidada de cada um, mais branda de um lado, mais intrépida de outro, tanto Vicentinho quanto Morando mostraram-se bons combatentes, conceito que não carrega juízo de valor intrínseco, mas apenas tático e estratégico.</p>
<p>Mas nem tudo o que disseram significa necessariamente o que parecem dizer. Vou explicar.</p>
<p>A fonte de minha incursão é a reportagem do jornal impresso e eletrônico Repórter Diário. Sob o título &#8220;Vicentinho não crê na candidatura Serra; Orlando rebate&#8221;, a reportagem de Leandro Amaral deveria servir de exemplo para os leitores entenderem a linguagem de quem ocupa espaços na mídia em ano eleitoral, principalmente.</p>
<p>Para o entendimento do trabalho jornalístico, repasso os primeiros parágrafos da reportagem:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT) esbanja otimismo quando o assunto é sucessão do Planalto. O motivo da euforia é o resultado das últimas pesquisas eleitorais Vox Populi e CNT/Sensus que apontam o crescimento da ministra Dilma Rousseff (PT) e a estagnação do governador José Serra (PSDB) na corrida presidencial. Ele acredita que o chefe do Palácio dos Bandeirantes não pleiteará a cadeira do presidente Lula. O parlamentar aposta que a candidatura petista, tonificada pelo apoio incondicional do presidente da República, fará Serra permanecer no embate paulista.</p>
<p>Agora, as declarações de Vicentinho:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Dilma está muito bem, graças a Deus. Ela está bem de saúde e já empata com Serra nas pesquisas. Eu sou capaz de apostar que o Serra não sairá candidato se a Dilma continuar crescendo. O Serra é muito esperto. Para ele sair candidato a presidente, ele precisa sair com mais segurança.</p>
<p>Segue a matéria:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O deputado destaca, porém, que o confronto com Serra seria mais favorável ao PT do que a disputa contra o governador de Minas Gerais. Vicentinho ressalta que Aécio Neves é uma incógnita e, por isso, complicaria qualquer estratégia de campanha. Vicentinho compara Aécio ao ex-presidente Fernando Collor: &#8220;Melhor adversário para a Dilma é o Serra. O Aécio ainda é uma incógnita para o Brasil. Eu me lembro da época do Collor. Era um governador desconhecido, bonito e com bons argumentos. Ele foi para rua e o povo facilmente votou. Eu conheço caso de pessoas que falam em votar pelo candidato ser bonito. O Aécio é bonito, é um governador de Estado e, por isso, eu não sei o que poderá acontecer&#8221;.</p>
<p>A possibilidade do governador José Serra desistir da candidatura presidencial é uma tecla exaustivamente utilizada pelos situacionistas que, dependendo do andar da carruagem das prévias eleitorais, poderá tornar-se profecia autorealizada. É natural que Vicentinho não perderia a oportunidade de martelar essa idéia-força que, mesmo que não vire realidade, desgasta ou procura desgastar a imagem do governador, colocando-o no córner dos indecisos. Ou mesmo no agrupamento de quem só se lança numa batalha com a certeza de vitória.</p>
<p>Já quando faz comparações do governador Aécio Neves com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o que Vicentinho quer mesmo é transferir ao eventual reserva tucano à candidatura presidencial uma sutil característica de zebra recheada de inseguranças e complicações, como o político alagoano, cassado pelo Congresso Nacional. Mais que isso: quando fala da beleza plástica de Aécio Neves, Vicentinho provavelmente quer remeter os leitores a derivações especulativas sobre supostos hábitos do ex-presidente. Aécio teria parentesco com Collor de Mello em algo que os enólogos praticam à exaustação. A diferença é que nenhum dos dois é especialista em decifrar os segredos de vinhos ao simples aspirar do aroma.</p>
<p>Agora, às declarações do deputado estadual Orlando Morando ao Repórter Diário. Reparem no tom beligerante:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O deputado estadual Orlando Morando (PSDB) rebateu as afirmações do petista. Segundo ele, o governador paulista constrói com &#8220;naturalidade&#8221; a candidatura buscando o consenso exemplificado na desistência de Aécio da disputa presidencial. &#8220;O Vicentinho deveria estar mais preocupado com o PT. Ele não precisa dar palpite, pois não precisamos da opinião dele&#8221;, disse. &#8220;Não vamos entrar no jogo do PT de uma antecipação eleitoral. Já basta a vergonha da ministra Dilma em utilizar as atividades do governo para fazer campanha&#8221; &#8212; sustentou. Sobre a preferência petista, exposta por Vicentinho, em ter como adversário José Serra, Morando foi taxativo. &#8220;Ele parece comentarista de futebol, pois comenta o jogo que acabou. O Aécio não será candidato. O Serra vai ficar no governo até 31 de março&#8221; &#8212; escreveu o Repórter Diário.</p>
<p>Agora, as considerações sobre Orlando Morando:</p>
<p>Faltaram boas maneiras para responder às declarações de Vicentinho Paulo da Silva. O figurino verbal não combina com a elegância com que Orlando Morando geralmente se apresenta publicamente.</p>
<p>A arremetida de Orlando Morando na pregação de que os petistas anteciparam a agenda eleitoral tem a mesma lógica estratégica da uniformidade do discurso petista de que José Serra pode abandonar a corrida antes mesmo da formalidade cronológica de desincompatibilidade prevista pela legislação. Ou seja: quando diz que a ministra Dilma Rousseff já está jogando o jogo em busca de votos, Orlando Morando diz tanto a verdade quanto esconde outra realidade, a de que José Serra entrou no mesmo jogo faz tempo. Basta ver como se intensificaram os compromissos de desgastante agenda e, mais que isso, o volume de publicidade de obras do Estado nas emissoras de TV em horário nobre.</p>
<p>Vicentinho Paulo da Silva e Orlando Morando simbolizam a uniformidade do discurso de situacionista e opocionista na arena nacional. O politiquês transmitido na reportagem é reprodução fiel de tantos outros protagonistas ou figurantes de partidos que começam a se engalfinhar para garantir os melhores nacos orçamentários. Essa linguagem muita própria dos agentes públicos nem sempre é decifrada pelos consumidores de informação.</p>
<p>Mas nem por isso a classe política deixa de gozar de tão pouco prestígio da sociedade, principalmente da classe média tradicional, conforme constatam diferentes pesquisas. Mas nada que não se resolva temporariamente durante a campanha eleitoral. Principalmente nos programas de televisão, quando candidatos transformam-se em produtos detalhadamente esculpidos por marqueteiros.</p>
<p>Nada muito diferente, convenhamos, do padrão comportamental dessa mesma classe média que exercita em público fundamentos de civilidade e idoneidade mas em larga escala prevarica no particular.</p>
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		<title>Revista Livre Mercado está à venda.  É melhor não chamar o Chacrinha</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/revista-livre-mercado-esta-a-venda-e-melhor-nao-chamar-o-chacrinha/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 19:08:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ano depois de adquirida a marca, de prometido o céu e muito mais, o recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos colocou extraoficialmente a revista Livre Mercado à venda. Extraoficialmente porque o anúncio não foi publicado em nenhum veículo de comunicação. Nem o será. Mas nos bastidores o que Walter Sebastião dos Santos mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um ano depois de adquirida a marca, de prometido o céu e muito mais, o recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos colocou extraoficialmente a revista Livre Mercado à venda. Extraoficialmente porque o anúncio não foi publicado em nenhum veículo de comunicação. Nem o será. Mas nos bastidores o que Walter Sebastião dos Santos mais faz é procurar por interessados. O mínimo que posso dizer é que o mais recomendável é não invocar o espírito do maior animador de auditório de todos os tempos, Chacrinha, porque a resposta não seria nada diplomática.</p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>Walter Sebastião dos Santos quebrou a cara com a revista Livre Mercado que adquiriu deste jornalista porque recebeu uma fábrica de Coca Cola e por vaidade e egocentrismo a transformou em distribuidora de Tubaína. Para refutar a informação de que está tentando vender a publicação, só tem uma saída: acumular mais prejuízos com a manutenção mesmo que capenga de edições erráticas. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>A derrocada de Livre Mercado de Walter Sebastião dos Santos era esperada. Não seria este jornalista irresponsável ao divulgar a informação de que o dono da Best Work Consultoria Empresarial pretende desfazer-se daquela marca. Conto com fontes seguras, inclusive internas da empresa com sede em São Paulo. Tanto é verdade que ao ter confirmada a iniciativa de Walter Sebastião dos Santos, não resisti a uma brincadeira séria. Disse ao interlocutor que não aceitaria Livre Mercado nem se acompanhada de um caminhão de dólares. Completei a frase com programada ironia: o caminhão de dólar se acaba e a revista fica. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>De fato, para valer mesmo, Livre Mercado de Walter Sebastião dos Santos já está fora do mercado convencional de comunicação. A revista desapareceu das praças. Nem mesmo os pontos de desova sem custos &#8212; padarias, lanchonetes, bares e assemelhados &#8212; têm sido abastecidos. Por isso, chega a ser estranho vender ou pretender vender algo que não existe de fato. Nos meus tempos, LivreMercado era distribuída rigorosamente nos bairros de classe média, para quem se voltava a publicação. Só eventualmente e mesmo assim de forma suplementar, aceitava descarregar algum percentual de cada edição em pontos comerciais igualmente de classe média. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>Walter Sebastião dos Santos adquiriu uma marca de brilho intenso, esmeradamente cultivada durante duas décadas. A LivreMercado (é assim mesmo, LivreMercado tudo junto, não a Livre Mercado de agora, separada) que lhe repassei porque recebi de herança uma Editora Livre Mercado aos pandarecos estruturais, essa LivreMercado morreu desde a primeira edição sob o controle de Walter Sebastião dos Santos. Trocaram o conteúdo comprometido com o passado, com o presente e o futuro do Grande ABC pelo modismo vulgar e superficial da estética supostamente mais moderna. Toda a equipe de redação que constava do expediente da publicação nos últimos bons tempos ganhou cartão vermelho. Walter Sebastião dos Santos prefere trabalhar com medíocres. Só assim ele imagina sobressair-se na atividade.  </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>Por mais que faça restrições ao conjunto da sociedade do Grande ABC, que não difere profundamente da escassez reflexiva da sociedade brasileira, há alguns milhares de consumidores de informações com apetrecho intelectual para discernir o bom do ruim, o revolucionário do trivial. Walter Sebastião dos Santos preferiu o atalho fácil de páginas plasticamente mais leves, planejadas por gente que de jornalismo não entende bulhufas. Priorizou marquetólogos e subestimou fazedores de bom jornalismo. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>Falou mais alto para aquele recuperador de impostos que não tem por hábito cumprir contratos assinados (e o desafio publicamente a me questionar na Justiça sobre essa afirmativa e qualquer outra que já lhe tenha feito) o reducionismo ignorante de quem observa o ramo jornalístico com as lentes embaçadas e incapaz de distinguir um bom texto de um texto ordinário, uma boa pauta de uma pauta qualquer. O aventureirismo de Walter Sebastião dos Santos guarda estreita relação com tantos outros tipos de empresários que se metem em seara alheia com a empáfia de especialista.  </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>A combatividade e também o comprometimento social da revista LivreMercado sob os cuidados editoriais deste jornalista foram subestimados por Walter Sebastião dos Santos. Mais que subestimados, foram solapados. Acreditava o recuperador de impostos que se daria bem na praça com uma metodologia editorial de servilismo que lhe alavancasse clientes para sua recuperadora de tributos. A revista seria uma ponte para o negócio de tributos, daí a opção por uma linha editorial primariamente adocicada. Alheio às facetas do jornalismo, incorreu na bobagem de confundir reflexões críticas com indisposições insanáveis. O jornalismo medíocre de bajulação ou espertamente negocial de chantagem jamais constou do léxico profissional deste jornalista. Faço jornalismo como ganha-pão, não por vaidade, intermediação econômica ou qualquer outra modalidade tão em voga nestes últimos tempos. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário?</p>
<p>Só escrevo sobre a revista Livre Mercado porque faço parte de um cordão de profissionais de jornalismo que, sob a inspiração do decano da atividade, Alberto Dines, comandante do Observatório da Imprensa, entende que a mídia tem sim de falar da mídia. Complementaria dizendo que a mídia tem sim de falar da mídia, mas os interlocutores têm de ser necessariamente do ramo, não pistoleiros de aluguel. </p>
<p>Por que é melhor não chamar Chacrinha como intermediário? </p>
<p>Fiz repetidamente a mesma pergunta para chegar ao desfecho que se segue:</p>
<p>O Velho Guerreiro que fazia de seu programa de auditório a mais descontraída e alegre sala-de-estar das famílias brasileiras nos anos 1970 e 1980, costumava atirar à platéia todo tipo de fruta:</p>
<p>&#8220;Quem quer laranja?&#8221;</p>
<p>&#8220;Quem quer melancia?&#8221;</p>
<p>&#8220;Quem quer banana?&#8221; </p>
<p>Se requisitado fosse para anunciar o propósito de Walter Sebastião dos Santos, Chacrinha não teria dúvidas de preferir o literalmente original:</p>
<p>&#8220;Quem quer abacaxi?&#8221;. </p>
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		<item>
		<title>Apenas São Caetano aumenta  Índice de Participação no Estado</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/apenas-sao-caetano-aumenta-indice-de-participacao-no-estado/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 12:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[O repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelo governo do Estado caiu 19,19% no Grande ABC no período de 1997 a 2008, último dado disponível na Secretaria da Fazenda. A base de comparação é 1996. Ou seja: são 12 anos de intervalo entre o período de fertilidade do Plano Real, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelo governo do Estado caiu 19,19% no Grande ABC no período de 1997 a 2008, último dado disponível na Secretaria da Fazenda. A base de comparação é 1996. Ou seja: são 12 anos de intervalo entre o período de fertilidade do Plano Real, que estava bombando, e os fogos de artifício que saudaram o segundo ano da reeleição do presidente Lula da Silva. O PIB cresceu 1,1% em 1996 e 5,1% em 2008.</p>
<p>A queda do ICMS é recorrente no Grande ABC e vem desde muito, muito mesmo. Por isso, alguns dados seletivamente organizados para tentar pinçar individualidades e desprezar o conjunto da obra não devem ser levados a sério até que se apresentem sustentáveis.</p>
<p>Falando sem rodeios: quando algum representante da Prefeitura de Santo André destila números que, espertamente, abrangem a administração petista, da qual não tenho nem quero procuração de defesa, o melhor é desconfiar. A queda de Santo André não é única na região. Dependendo do período, é menor que a de outros municípios nestes últimos 12 anos.</p>
<p>Santo André não é um caos no suposto arquipélago de bem-aventurados do Grande ABC. Faz parte, goste-se ou não, do remelexo geral.</p>
<p>Estatística para alguns é a arte de enganar trouxas, descuidados ou ingênuos.</p>
<p>Principalmente quando vetores políticos e partidários entram em campo com carregamentos de interesses. São cortinas de fumaça para proselitismo fácil.</p>
<p>Nem mesmo a informação de que decresceu a participação da indústria de transformação no repasse do ICMS, como se afirmou, referindo-se a Santo André, corresponde a verdade inabalável.</p>
<p>Primeiro, porque a informação recheada de restrição aos antecessores pode esconder manipulação tácita. Que tipo de manipulação? Outros municípios também podem apresentar a mesma enfermidade, o que por si só descaracteriza exclusividade e, portando, eventuais guetos de incompetência na atratividade de investimentos. Não há guetos de descuidos a investimentos industriais no Grande ABC. Trata-se de infecção generalizada com motivações tanto locais quanto externas.</p>
<p>Segundo, porque na medida em que um Município, Região, Estado ou País ganha musculatura em outras atividades econômicas, como é principalmente o caso de Serviços, o refluxo industrial é consequente. Nem mesmo a Capital paulista, maior concentração industrial do País, fica imune a essa constatação.</p>
<p>Resta saber se esse declínio é apenas relativo ou absoluto, ou seja, se quando confrontado com outros endereços apresenta fadiga de material mas quando comparado com seus próprios números precedentes, consegue pelo menos a estabilidade.</p>
<p>Ouso dizer, amparado pelo contexto econômico do Grande ABC, que nenhum Município local escapou de perda absoluta e relativa nos últimos 15 anos.</p>
<p>A intensidade depende do perfil dominante em cada Município. E em todos esses locais houve acréscimo das atividades de serviços, que se refletem na chamada Receita Tributária Própria, que avançou tremendamente desde que acabou a farra da espiral inflacionária pré-Plano Real, quando os administradores públicos perderam a varinha de condão de ganhos no mercado financeiro por um lado e do protelamento de pagamento de fornecedores de outro.</p>
<p>O confronto do repasse do ICMS para o Grande ABC tendo como base de comparação o período de 1996 e 2008 é proposital porque marca três gestões completas de administrações públicas eleitas em outubro de 1996 e que conseguiram manter-se diretamente ou com sucessores à frente dos respectivos Paços Municipais. Casos de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Diadema também entraria no circuito se se considerar Gilson Menezes aliado dos petistas. Em Mauá, o PT ficou fora da Prefeitura nos quatro anos iniciados em 2004, como em Ribeirão Pires e em Rio Grande da Serra.</p>
<p>Mais importante mesmo que o desempenho individual dos municípios do Grande ABC no período é o resultado coletivo. Esses 12 anos significaram a perda de quase 20% do repasse do ICMS, o que combina com a queda do PIB (Produto Interno Bruto, que mede a geração de riqueza), do Valor Adicionado (que mede a produção de riqueza em larga escala semelhante ao PIB) e do Potencial de Consumo (que mede a acumulação de riqueza).</p>
<p>Para azar de quem insiste em particularizar a perda de riqueza do Grande ABC, como se fosse possível um ou outro Município manter-se incólume na tempestade de complicações econômicas, a participação relativa alterou-se pouco nesses 12 anos pesquisados. Vejam quanto era o naco de cada Município em 1996 no bolo interno de ICMS do Grande ABC e quanto ficou em 2008:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Santo André, de 15,47% para 12,65%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Bernardo, de 44,89% para 46,62%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Caetano, de 10,50% para 16,03%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Diadema, de 15,32% para 13,35%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Mauá, de 11,22% para 9,61%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Ribeirão Pires, de 2,29% para 1,46%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Rio Grande da Serra, de 0,028% para 0,027%.</p>
<p>Perceberam que apenas São Bernardo e São Caetano ganharam pontos percentuais no período? Na verdade, essa equação não está integralmente correta. O método ponta a ponta pode esconder o risco de medir momentos especialmente favoráveis a determinados municípios. Em 2008 a indústria automobilística estava bombando. São Caetano e São Bernardo têm nessa atividade, por força das montadoras de veículos, usinas de produção de Valor Adicionado, base dos cálculos para se chegar ao índice que contempla o repasse do ICMS.</p>
<p>Todos os demais municípios perderam o jogo do ICMS no Grande ABC sobretudo porque não tiveram o respaldo da industrialização em alta escala de veículos automotivos.</p>
<p>A indústria de autopeças em Santo André entrou em parafuso nos anos 1980 e 1990, primeiro por conta da ação sindical e depois por causa das travessuras do governo Fernando Henrique Cardoso, que abriu as portas para conglomerados internacionais num período de juros elevadíssimos, moeda valorizada e rebaixamento de alíquotas de importação. Uma calamidade. Diadema passou por algo semelhante, mas se safou em parte porque tem variedade setorial e, principalmente, capilaridade de pequenas e médias empresas industriais.</p>
<p>O Índice de Participação no bolo do ICMS do Grande ABC caiu 19,19% nos 12 anos analisados. Vejam a participação individual de cada Município no Estado de São Paulo em 1996 e em 2008:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Santo André, de 1.73741% para 1.27658%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Bernardo, de 4.27950% para 3.55678%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> São Caetano, de 1.16882% para 1.21246%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Diadema, de 1.42040% para 1.11432%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Mauá, de 1.26471% para 0.87254%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Ribeirão Pires, de 0.26003% para 0.15118%.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Rio Grande da Serra, de 0.04054% para 0.03645%.</p>
<p>Quem acha que vai resolver isoladamente o problema econômico de seu Município no Grande ABC, imaginando-se abençoado por Deus, continuará a cair do cavalo. A sazonalidade de ganhos eventuais por conta de atividades privilegiadas pelo quadro econômico nacional e internacional é apenas isso, sazonalidade, que vem e vai. Estabilidade mesmo é outro negócio.</p>
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		<title>Mais 15 textos para reforçar o  acervo jornalístico no Grande ABC</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/mais-15-textos-para-reforcar-o-acervo-jornalistico-no-grande-abc/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 19:58:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabiam os leitores que o Sindicato dos Moveleiros de São
Bernardo realizou incursão em Ribeirão Preto em 1987 em busca de novas clientelas, armando o barraco naquela sede
metropolitana para a realização de um salão de móvel que se
pretendia prospectivo?
Sabem os leitores como funcionava a Anapemei, Associação
Nacional de Pequenas e Médias Empresas Industriais, com sede em Santo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabiam os leitores que o Sindicato dos Moveleiros de São<br />
Bernardo realizou incursão em Ribeirão Preto em 1987 em busca de novas clientelas, armando o barraco naquela sede<br />
metropolitana para a realização de um salão de móvel que se<br />
pretendia prospectivo?</p>
<p>Sabem os leitores como funcionava a Anapemei, Associação<br />
Nacional de Pequenas e Médias Empresas Industriais, com sede em Santo André, preparada para tentar minimizar as dores dos pequenos negócios industriais num contexto de guerra de guerrilhas com o sindicalismo?</p>
<p>O que diriam os leitores sobre 100 mil pessoas que se<br />
deslocaram em 1987 à inauguração do primeiro centro de<br />
compras da região, o Mappin Shopping ABC?</p>
<p>Sabem quem foi o primeiro jornalista a anunciar, naquele fevereiro de 1988, que a Petroquímica União seria privatizada? Foi o mesmo jornalista que, menos de dois meses depois, acompanhou uma reunião dos representantes das principais empresas do setor químico e petroquímico que, ao serem informados sobre a nova configuração societária da Petroquímica União, não deixaram de<br />
criticar o Estado. Quem diria que duas décadas depois a mesma Petroquímica União, então sob o guarda-chuva da Quattor, acabou nos braços da Braskem, empresa do Grupo Oderbrecht, e da Petrobras, detentora de 49% das ações, num capitalismo híbrido que também pode ser chamado de estatismo híbrido, tipicamente chinês?</p>
<p>Em março de 1988 mostrei a situação decorrente dos estragos do fracasso do Plano Cruzado e do Plano Bresser.</p>
<p>Quem acredita que é recente o movimento dos vereadores do Grande ABC para reforçar o Clube dos Prefeitos, como se<br />
pretendeu no ano passado, precisa ler a matéria que escrevi em março de 1997. Já lá atrás o vereador Vanderlei Siraque, um dos mais dinâmicos da história dos Legislativos do Grande ABC, iniciara uma jornada que também se mostrou inglória.</p>
<p>E o que teria escrito este jornalista em junho de 1997 (portanto há 13 anos) sobre a Carta do Grande ABC, formulada pelo presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Santo André, Celso Daniel?</p>
<p>Querem mais do passado para entender o presente e projetar o futuro?</p>
<p>Em agosto de 1997, escrevi sobre os planos do recém-eleito<br />
prefeito de São Bernardo, Maurício Soares. Que promessas fez o prefeito que administrava a cidade pela terceira vez?</p>
<p>Pouco tempo depois, também em 1997, acompanhei<br />
pessoalmente um encontro que o prefeito Celso Daniel realizou no Teatro Municipal de Santo André. A atração daquela tarde foi o maior garoto-propaganda da modernização do Estado, o consultor norte-americano Ted Gaebler, co-autor do livro &#8220;Reinventando o Governo&#8221;.</p>
<p>Querem mais passado? Que tal a matéria de junho de 1997,<br />
quando o prefeito Celso Daniel aprovou no Legislativo projeto de redução de 6,25% dos salários dos servidores estatutários e também dos comissionados?</p>
<p>O que dizer então daquele texto de novembro de 1997 quando analiso o workshop realizado no Sesi de Santo André com membros do Fórum da Cidadania, quando denunciei mais uma vez que a instituição vivia situação paradoxal, porque ao gradual processo de fortalecimento contrapunha-se uma maioria de entidades de fragilidade inquietante.</p>
<p>As três últimas matérias desta nova leva de reminiscências são mais recentes.</p>
<p>Em abril de 2005 conto a saia justa em que me enfiei quando ouvi de um conselheiro editorial do Diário do Grande ABC (instância criada por mim, então Diretor de Redação daquele veículo, mas logo em seguida desativada) a razão de ser ele o único representante negro entre 101 membros.</p>
<p>Em outra matéria, agora assinada por André Marcel de Lima e datada de novembro de 2005, o foco está na Universidade<br />
Federal do Grande ABC, sempre sob a interpretação que vai<br />
muito além do encantamento provinciano da maioria que se<br />
satisfaz simplesmente com o fato de a instituição estar sediada na região, embora seja, como bem definiu o especialista em Educação, Valmor Bolan, espécie de barriga de aluguel.</p>
<p>Para completar a lista de um passado que não pode ser<br />
esquecido, reapresento a íntegra de uma entrevista coletiva que concedi aos membros do Conselho Editorial da revista<br />
LivreMercado, publicada em março de 2008, quando respondo a um feixe de 30 questões.</p>
<p>Foi uma avalanche de indagações. Não fugi de nenhuma<br />
resposta. Naquele tempo, LivreMercado era LivreMercado, não Livre Mercado como hoje. E o comandante de Redação era jornalista, não um recuperador de impostos. Mais que isso: LivreMercado vivia desconforto estrutural mas seguia sendo a melhor revista regional do País, enquanto Livre Mercado praticamente está morta e desativada, desfigurada, acéfala e entregue à própria sorte. Virou zumbi editorial que ninguém consegue encontrar fisicamente em lugar algum, embora o site reproduza páginas sem vida.</p>
<p>Agora, a relação das novas matérias disponíveis:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/maioria-assegura-sobrevida-a-gestao-de-celso-daniel/">Maioria assegura sobrevida à gestão de Celso Daniel</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/celso-daniel-requisita-estrela-para-reinventar-santo-andre/">Celso Daniel requisita estrela para reinventar Santo André</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/mauricio-soares-ja-nao-tem-ilusoes-sobre-acao-do-estado/">Maurício Soares já não tem ilusões sobre ação do Estado</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/tudo-pronto-petroquimica-uniao-vai-se-libertar-do-controle-estatal/">Tudo pronto: Petroquímica União vai se libertar do controle<br />
estatal</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/pos-plano-bresser-tem-efeitos-semelhantes-ao-pos-cruzado/">Pós-Plano Bresser tem efeitos semelhantes ao pós-Cruzado</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/moveleiros-de-sao-bernardo-seguem-perigosa-rota-do-interior/">Moveleiros de São Bernardo seguem perigosa rota do Interior</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/um-morumbi-quase-lotado-para-conhecer-o-primeiro-shopping/">Um Morumbi quase lotado para conhecer o primeiro shopping</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/anapemei-e-centro-de-formacao-intelectual-de-empreendedores/">Anapemei é centro de formação intelectual de empreendedores</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/anapemei-e-centro-de-formacao-intelectual-de-empreendedores/">Desaquecimento da economia preocupa empresas paulistas</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/cidadania-perde-de-goleada-para-bbb/">Cidadania perde de goleada para BBB</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/conselheiro-negro-solitario-e-extremamente-exuberante/">Conselheiro negro, solitário e extremamente exuberante</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/ufabc-precisa-de-correcao-de-rota/">UFABC precisa de correção de rota</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/um-paradoxo-que-incomoda-demais-o-forum-da-cidadania/">Um paradoxo que incomoda demais o Fórum da Cidadania</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/detalhismo-e-dispersividade-atravancam-camara-regional/">Detalhismo e dispersividade atravancam Câmara Regional</a></p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/vereadores-querem-voz-e-vez-no-consorcio-de-prefeitos/">Vereadores querem voz e vez no Consórcio de Prefeitos</a></p>
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		<title>Refluxo de regionalidade começou  antes da morte de Celso Daniel</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 19:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornal digital e impresso ABCD Maior está realizando trabalho que os demais veículos da região deveriam tornar pauta obrigatória se regionalidade fosse prioridade: está ouvindo alguns agentes públicos e privados dos anos Celso Daniel, tendo como plataforma de ação o oitavo aniversário da morte do único gestor metropolitano que o Grande ABC já conheceu. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal digital e impresso ABCD Maior está realizando trabalho que os demais veículos da região deveriam tornar pauta obrigatória se regionalidade fosse prioridade: está ouvindo alguns agentes públicos e privados dos anos Celso Daniel, tendo como plataforma de ação o oitavo aniversário da morte do único gestor metropolitano que o Grande ABC já conheceu. Depois de Klinger Sousa, eis que foi entrevistado o titular do curso de Economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Francisco Funcia. Nada profundo, como no caso da entrevista de Klinger Sousa.</p>
<p>Não me lembro de Francisco Funcia como protagonista de programações pró-regionalidade com Celso Daniel, mas isso não o desclassifica. Por mais que tenha acompanhado tangencialmente a trajetória regional do então prefeito de Santo André, sempre haverá informações subsidiárias a fortalecer a biografia do petista. Um acadêmico com o lastro de Francisco Funcia será sempre bem-vindo em regionalidade.</p>
<p>Seguem algumas frases que sublinhei logo à primeira leitura da entrevista disponível no site do ABCD Maior e que, como faço na maioria dos casos em que julgo imprescindível, logo transportei para o papel:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Se formos resgatar o legado do Celso, uma de suas grandes realizações foi o Consórcio Intermunicipal. Mas para se ter uma idéia, demorou 20 anos para termos uma legislação, aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional, que permitiu uma operacionalização da gestão regional dos consórcios. Nesta perspectiva, entendemos os motivos pelos quais Celso era um homem à frente de seu tempo. Isso é evidente. Sua morte abrupta truncou um processo que vinha sendo implementado pioneiramente em todo o Brasil. Este truncamento não ocorreu pela ausência de interesse dos gestores, mas principalmente por essa cultura que prioriza a lógica municipal, o que cria uma certa dificuldade de pensar determinados eixos, como o transporte, o saneamento e a coleta de resíduos. Esses eixos, como tantos outros, devem ser pensados pela lógica regional &#8211;afirmou Francisco Funcia.</p>
<p>Agora, faço as devidas intervenções.</p>
<p>A principal é que, diferentemente do que afirma o ex-secretário de Finanças de Ribeirão Pires, não foi a morte de Celso Daniel que fez refluir a regionalidade no Grande ABC. Bem antes disso, dois anos antes, ao perceber-se espécie de bobo de uma corte municipalista que desdenhava prioridade às questões regionais, Celso Daniel voltou-se à administração de Santo André.</p>
<p>Num bate-papo de duas horas num restaurante em Santo André, Celso Daniel confessou certa desilusão com a baixa participação de agentes públicos e privados regionais. Não nominou nenhuma autoridade, mas não escondeu certo desencanto. O Grande ABC sonhado por Celso Daniel morrera muito antes do desaparecimento físico de Celso Daniel. Os anos 2000 só aprofundaram essa viuvez. Não é por outra razão que, ao escalonar o tempo socioeconômico do Grande ABC, afirmei que os anos 2000 formam a Década da Orfandade.</p>
<p>O professor da Universidade Municipal de São Caetano tem toda razão quando afirma:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Não existe regionalismo sem esta construção com São Paulo, e nenhuma outra região pode pensar diferente. Não temos essa autonomia nos dias de hoje, em que muito se fala de mercados globalizados &#8212; disse o acadêmico.</p>
<p>Nesse ponto, a clarividência de Celso Daniel era estonteante. São Paulo jamais deixou de estar na órbita de compartilhamento e de competitividade do Grande ABC. Compartilhamento em questões que ultrapassassem os limites municipais e regionais. Competitividade no sentido de que a região não poderia ficar eternamente com as sobras da Capital.</p>
<p>Uma entrevista com Celso Daniel em 2001 numa viagem de ônibus da delegação de dirigentes e conselheiros do Santo André para um jogo em São Carlos foi esclarecedora. Celso Daniel queria ver o terciário de Santo André reestruturado para atender o setor industrial com maior aptidão. Ele queria agregar mais valor ao setor de serviços de Santo André, elevando os níveis de interatividade com áreas manufatureiras, tradicionalmente demandadoras de contratos com empresas da Capital muito mais aparelhada.</p>
<p>O professor Francisco Funcia também se equivoca ao analisar o histórico de guerra fiscal no Grande ABC. Suas declarações ao ABCD Maior:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Este (a guerra fiscal) é um sério problema e outra perda que tivemos com a morte de Celso. Ele e os prefeitos de sua época trabalharam muito forte para tentar unificar a área de impostos, como o ISS (Imposto Sobre Serviços) e outras alíquotas. Este era um compromisso para impedir a guerra fiscal na região e, logo nos anos seguidos a sua morte, tivemos infelizmente algumas ações contrariando tal integração. Principalmente entre os anos de 2004 e 2006, tivemos não digo um retrocesso total, mas algumas medidas que os municípios tomaram para estimular a vinda de empresas por meio de algumas isenções fiscais de natureza tributária.</p>
<p>Agora, vamos aos fatos históricos:</p>
<p>Primeiro, antes mesmo de Celso Daniel eleger-se prefeito de Santo André pela segunda vez, em outubro de 1996, a guerra fiscal foi instalada no Grande ABC. Sutil, discreta, mas deflagrada por Antonio Dallanese, então prefeito de São Caetano. Algumas atividades, na área de informática, foram beneficiadas com a drástica redução de alíquotas que, até então, eram reservas de mercado de Barueri, Itapecerica da Serra e outros municípios da Grande São Paulo.</p>
<p>Segundo, o movimento liderado por Celso Daniel para harmonizar tanto o Grande ABC como também a Capital em torno de alíquotas iguais para as mesmas atividades, foi bombardeado inicialmente por Luiz Tortorello, em São Caetano, e depois por Maurício Soares, em São Bernardo. Eles intensificaram a guerra fiscal com a abertura de espaço para atividades mercantis, construção civil e tantas outras. Atraíram representações de grandes empresas que seguem com sede formal nesses municípios.</p>
<p>Terceiro, a desilusão de Celso Daniel se consolidou de vez quando seu próprio partido retirou de Santo André e levou para Rio Grande da Serra uma empresa de previdências privada, beneficiária do rebaixamento tributário.</p>
<p>A harmonia fiscal no Grande ABC sempre foi uma balela. Trata-se de um jogo de faz-de-contas no qual cada administração pública desenha a partitura, define o maestro, regulamenta os ensaios e executa os clássicos de traição aos demais. E tudo isso começou nos anos 1990, não em 2004, como afirma o acadêmico.</p>
<p>Tudo que se refere a Celso Daniel, tanto no campo administrativo-político quanto no criminal, me mantém ativíssimo. Futuras gerações ainda darão àquele político o reconhecimento devido.</p>
<p>Para completar: o ex-prefeito João Avamileno também foi ouvido pelo ABCD Maior sobre a atuação de Celso Daniel. Não consegui capturar nada que fosse importante em suas declarações. Sempre educado, o ex-titular do Paço de Santo André minimizou até mesmo as respostas à seletividade crítica de Klinger Sousa.</p>
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		<title>São Caetano e Santo André chegam  bem ao final do primeiro circuito</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 17:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Santo André e São Caetano encerraram o primeiro circuito da Séria A do Campeonato Paulista com saldos positivos. O Santo André está no chamado G4 e o São Caetano vem logo em seguida, em sexto lugar. Poderia ser melhor. Mesmo errando, o São Caetano poderia ter vencido o Monte Azul no final de semana. Menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Santo André e São Caetano encerraram o primeiro circuito da Séria A do Campeonato Paulista com saldos positivos. O Santo André está no chamado G4 e o São Caetano vem logo em seguida, em sexto lugar. Poderia ser melhor. Mesmo errando, o São Caetano poderia ter vencido o Monte Azul no final de semana. Menos mal que saiu de uma derrota de 2 a 0 para um empate satisfatório. Para o leitor entender o significado de circuito, dividi o campeonato em cinco etapas, cada uma com cinco jogos. Apenas a etapa final contará com quatro jogos, porque cada equipe disputará 19 partidas na competição.</p>
<p>O aproveitamento das equipes do Grande ABC no primeiro circuito é superior a 50% (exatamente 56,6%), o que sugere certo conforto porque se distancia da zona de rebaixamento, que engolfará os quatro últimos colocados e cuja marca histórica de degola é de 33%. O problema dos times da região é que não enfrentaram nenhum dos quatro grandes até agora. E historicamente, sobremodo no caso do Santo André, a produtividade cai nesses encontros.</p>
<p>As turbulências começam neste meio de semana quando o Santo André enfrenta um Santos que tem pouca ciência tática mas muita virtude técnica e o São Caetano joga com um São Paulo ainda à procura de formato tático e que por isso mesmo recorre à velharia aérea herdada de Muricy Ramalho.</p>
<p>Mais importante mesmo é constatar a evolução do São Caetano e do Santo André. As equipes estão confirmando a expectativa de que têm tudo para terminar a competição preparadas para a Série B do Campeonato Brasileiro, que é o que de fato importa. Essa projeção não deve ser traduzida como descaso a eventuais reforços. Nada disso. Mas a estrutura tática e técnica está se delineando.</p>
<p>No Santo André, em vez de Branquinho, que joga com a cabeça baixa e por isso mesmo compromete a visão periférica e sensibilidade ao conjunto, individualizando demais as jogadas, quem é o cerne técnico-tático chama-se Gil, falso ponta-direita que compõe e dá densidade ao meio de campo e também alimenta o contragolpe &#8212; como no segundo gol de ontem contra o Ituano. Gil é desses jogadores que passam despercebidos aos olhos que se fixam apenas na bola, quando de fato é a movimentação coletiva e a capacidade de intervir sem grandes alardes que costumam fazer a diferença. Principalmente para quem não é craque.</p>
<p>Quem dá o tom, a régua e o compasso no São Caetano é um Vanderlei cada vez mais lépido, mais clarividente, mais contundente. Um atacante que, a continuar no ritmo de evolução técnica, provavelmente não terá outro destino senão um grande time. Vanderlei consegue ser múltiplo no ataque. Desloca-se às costas dos zagueiros, abre espaços pelas laterais e, quando preciso, torna-se contundente como atacante que vem de trás. É incompreensível que ainda não tenha explodido como talento na arte de infernizar a vida de zagueiros. Talvez lhe falte apenas sequência de jogos. Assim ele definirá de vez um estilo aterrorizador: parece movimentar-se com lentidão mas de fato, verdadeiramente, é estupendamente racional na redução ou ampliação de espaços.</p>
<p>Ainda é muito cedo para traçar o destino de Santo André e São Caetano na Série A do Campeonato Paulista, mas não é exagero dizer que as perspectivas para o Campeonato Brasileiro são motivadoras porque a modelagem está se definindo. Basta que dirigentes afoitos ou sedentos de personalismo não metam os pés pelas mãos.</p>
<p>Vou traduzir o que quero dizer: há dirigentes que não suportam o sucesso de uma equipe. Principalmente quando se atribui a maior parcela desse sucesso aos treinadores que são, em última instância, os responsáveis maiores pelo planejamento, montagem e estruturação dos elencos.</p>
<p>Como são personalistas e não se satisfazem com a condição de dirigentes, esquecendo-se portanto que sucessos e fracassos também lhes são creditados ou debitados, exageram em medidas intervencionistas.</p>
<p>Principalmente porque escancaram as portas para empresários que, quando vislumbram equipes potencialmente vencedoras numa temporada, querem que querem incorporar ativos técnicos &#8212; no caso jogadores cujos direitos federativos lhes pertencem. O cerco nas equipes que começam a dar sinais de que podem brilhar é intenso e se não houver controle de gestão, a bagunça estará instaurada. Não é diferente o comportamento que atinge as equipes que se vêem em maus lençóis, porque não faltam empresários milagreiros com receitas redentoras.</p>
<p>Em suma, o futebol nestes tempos inescapáveis de empreendedorismo privado é um pulsar constante de interesses multilaterais que costumam sequestrar quem não tem preparo para resistir a pressões. O Santo André e o São Caetano não terminaram por acaso a última temporada com elencos de mais de quatro dezenas de jogadores. Quanto maior o elenco, mais complicações gerenciais e mais possibilidades de o ambiente deteriorar-se.</p>
<p>Ao enxugarem os quadros para esta temporada e ao entregarem aos técnicos Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares a independência relativa que deve definir a função, tanto os dirigentes do Santo André quanto do São Caetano reconheceram os descaminhos da temporada anterior e, portanto, demonstraram amadurecimento. Agora precisam estar preparados para novos assédios.</p>
<p>Que não se perca a perspectiva de que o que mais interessa mesmo é a Série B do Campeonato Brasileiro. O Campeonato Paulista é um ótimo campo de provas.</p>
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		<title>Como acreditar nos indicadores  do unilateral mercado imobiliário?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/economia/como-acreditar-nos-indicadores-do-unilateral-mercado-imobiliario/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 18:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[O mercado imobiliário é tão sensível ao bolso e ao próprio futuro dos consumidores que deveria receber tratamento diferenciado. As forças privadas deitam e rolam sem constrangimento e nenhum tipo de restrição. Prevalece o domínio de informações imprecisas das forças empresariais, representadas por entidades que exprimem a coalização de interesses particulares. A sociedade e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mercado imobiliário é tão sensível ao bolso e ao próprio futuro dos consumidores que deveria receber tratamento diferenciado. As forças privadas deitam e rolam sem constrangimento e nenhum tipo de restrição. Prevalece o domínio de informações imprecisas das forças empresariais, representadas por entidades que exprimem a coalização de interesses particulares. A sociedade e o Poder Público ficam à margem de tudo.</p>
<p>Por isso mesmo a sociedade é potencialmente vítima de maus empresários, inclusive de maus empresários que se instalam em entidades de classe como supostas lideranças e também como beneméritos num jogo de falsidades que chega a arrepiar o bom senso.</p>
<p>À parte a competência individual e corporativa de muitos desses empreendedores, as facilidades encontradas são campo fértil a locupletações de espertalhões travestidos de capitalistas.</p>
<p>Se a mídia como um todo, que enfrenta dura borrasca, tivesse algo semelhante em termos de tratamento inclusive de várias instâncias governamentais, com generosidades fiscais e tributárias, provavelmente não haveria a quebradeira geral e irrestrita dos últimos anos. A vantagem dessa suposição é que os veículos poderiam ser menos vulneráveis às forças políticas. A desvantagem é que a incompetência seria premiada.</p>
<p>É claro que não estou generalizando, mas o mercado imobiliário garante a festa de quem não está nem aí com certos pudores e se apresenta como uma pedra no sapato de quem segue à risca o receituário de empreendedor responsável. Há um salve-se quem puder genuinamente tupiniquim que não leva em conta nenhuma fronteira de civilidade e respeito.</p>
<p>A ganância está em primeiro, em segundo e em terceiro lugares. O lobby dos empresários é fortíssimo nas esferas governamentais. Há negociatas que deveriam impedir qualquer um dos protagonistas a sequer mencionar os políticos como agentes do mal. Eles o são fartamente e movem sobre os detentores de votos pressões inapeláveis porque, invariavelmente, lhes são presas desde o passado de aspirantes a cargos públicos.</p>
<p>Não pretendo revogar a lei da oferta e da procura, mas quando há flexibilidade excessiva nos relacionamentos e interesses específicos se sobrepõem ao conjunto da população, só pode dar o que deu nos Estados Unidos e que se espalhou por todo o mundo, aquele curto-circuito de subprimes. A mistura de mercado imobiliário e sistema financeiro sem limites é o pior dos mundos.</p>
<p>A proteção que o mercado imobiliário conta da mídia é escandalosa. Contrapartidas em forma de anúncios são a moeda de troca ao silêncio. Um exemplo de alto risco está plantado em Santo André, num empreendimento imobiliário de mais de 300 unidades de médio-alto padrão.</p>
<p>A megaconstrução num amplo terreno que serviu a uma empresa química, com passivo ambiental elevadíssimo, foi sustentada por influências político-partidárias regadas a bonificações financeiras. Está ali incubada uma versão de ricos do conjunto Barão de Mauá, mas é proibido tocar no assunto e quem o faz é perseguido. Houve até quem extraísse vantagens para calar-se. Politicamente não era tarefa das mais agradáveis a denúncia de irregularidades porque os próprios proprietários de apartamentos não querem ver os ativos desvalorizados. Tomara que o futuro não coloque tudo a perder. A gambiarra ambiental que sustentou a liberação da obra não passa mesmo de gambiarra.</p>
<p>São tantas as questões que envolvem a ética, a moralidade, os interesses financeiros e a segurança do mercado imobiliário que se lamenta o desinteresse das autoridades públicas e da sociedade em mobilizarem-se para enquadrar a atividade numa zona de responsabilidade social. Deita-se e rola sem a menor cerimônia. E isso vale para o Brasil inteiro, casa da sogra do capitalismo selvagem.</p>
<p>Esperar que as entidades representativas de empresários do mercado imobiliário tenham a generosidade de abrir as comportas do interesse público significa acreditar que os fornecedores de quentinhas liderem movimento para esvaziar os presídios superlotados. Compete ao Poder Público e à Sociedade, em conjunto com as forças de mercado, equilibrar um jogo completamente desigual.</p>
<p>Talvez o mais correto seria corrigir o título deste artigo porque de fato o Grande ABC não tem indicadores do mercado imobiliário, como de resto outras áreas do País. O que se publica nos jornais e revistas são números rasos, sem cientificidade alguma. Manipulam-se números como os alquimistas da inflação nos tempos da ditadura militar. Os responsáveis pelas informações não encontram barreira porque são os donos da bola, do campo, da torcida, do árbitro e de tudo o mais.</p>
<p>A única força que de alguma forma contribui para reduzir a carga de especulação no mercado imobiliário é a capacidade de compra dos consumidores. Mas, mesmo assim, as forças de pressão são mais poderosas mesmo. O marketing do mercado imobiliário é avassalador. Tanto que empreendedores do setor que não suportam os excessos de parceiros afastam-se de movimentos institucionais da categoria. A baixa representatividade dessas entidades é a prova do crime dos excessos cometidos ao longo dos anos em proveito individual. Por isso não passam de espécie de clubes fechados ao contraditório e ao diálogo sadio com a sociedade.</p>
<p>Vou dar apenas um exemplo da nocividade do mercado imobiliário sem freios sociais: o trecho sul do Rodoanel está chegando, mas os efeitos econômicos que poderiam ser expressivos acabaram abatidos por conta de especuladores que, de posse do mapeamento dos melhores espaços, trataram de privatizá-los como reserva de negociações.</p>
<p>Também o caos nas grandes e médias cidades não teria a dimensão que as águas de verão expõem se a terra não fosse tão desavergonhadamente objeto de um capitalismo sem compensações. Sem contar, é claro, as áreas de mananciais, que, para variar, agora ganham nova rubrica de paternalismo, com promessa de regularização do que é fundamentalmente uma agressão à natureza e ao que se convencionou chamar de qualidade de vida.</p>
<p>Uma sociedade só terá de fato maturidade quando resolver colocar um apito final num jogo de protagonista único, que faz o que bem entende e ainda propagandeia benemerência.</p>
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		<title>Veja é prova de um dos muitos  tropeços de Augusto Nunes</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/veja-e-prova-de-um-dos-muitos-tropecos-de-augusto-nunes/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 18:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Não vou esticar demais a corda dos fatos para ressaltar a irresponsabilidade informativa do jornalista Augusto Nunes (Veja.com) no caso Celso Daniel. Comentarei apenas um dos vetores com a independência partidária e ideológica que ele não tem porque faz parte de uma confraria de direita semelhante às confrarias de esquerda do jornalismo verde-amarelo: tudo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou esticar demais a corda dos fatos para ressaltar a irresponsabilidade informativa do jornalista Augusto Nunes (Veja.com) no caso Celso Daniel. Comentarei apenas um dos vetores com a independência partidária e ideológica que ele não tem porque faz parte de uma confraria de direita semelhante às confrarias de esquerda do jornalismo verde-amarelo: tudo o que o outro lado da porteira de poder exercitar como supostamente suspeito deverá ser traduzido como crime e, desta forma, condenado sem dó nem piedade.</p>
<p>Apenas a título complementar: Augusto Nunes e suas estripulias no caso Celso Daniel (desconheço eventuais estripulias desse veterano jornalista em outras questões, mas pelo tamanho dos dedos de imprecisões se conhece o gigantismo de bobagens) me deixam cada vez mais seguro de que fiz muito bem em incentivar minha filha Lara a abandonar a Faculdade de Jornalismo no ano passado, logo após o fim do diploma para o exercício da profissão. Já imaginaram entregar uma profissional recém-formada ou mesmo já experiente à sanha deformadora de Augusto Nunes? Ou de donos de veículos de comunicação que sustentam tantos Augustos Nunes?</p>
<p>Vamos ao que mais interessa &#8212; um dos escorregões de Augusto Nunes sobre o caso Celso Daniel. Ele escreveu na Veja.com de novembro do ano passado:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> (&#8230;) Foi um crime político, berraram em coro os Altos Companheiros já no momento em que o corpo foi encontrado numa estrada de terra perto da capital. A comissão de frente escalada pelo PT para o cortejo fúnebre, liderada por José Dirceu, Aloízio Mercadante e Luiz Eduardo Greenhalg, caprichou no visual. O olhar colérico, os trajes de quem não tivera tempo nem cabeça para combinar o paletó com a gravata, o choro dos inconsoláveis, os cabelos cuidadosamente desalinhados &#8212; todos os detalhes da paisagem endossavam a discurseira. Até ali, sabia-se o que tinha contado o empresário Sérgio Gomes da Silva, o &#8220;Sombra&#8221;, ex-assessor de Celso Daniel (&#8230;) A letra decorada pelo PT garantia que Celso Daniel fora assassinado por motivos políticos. Dirceu e Mercadante lembraram que panfletos atribuídos a uma misteriosa organização ultradireitista haviam prometido a execução de dirigentes petistas. Greenhalgh informou que o presidente Fernando Henrique Cardoso não tomara as devidas providências. Animados com a indiferença do governo, como recitou o trio, os carrascos resolveram agir. Celso Daniel foi o primeiro &#8212; escreveu melodramático Augusto Nunes.</p>
<p>O veterano jornalista da Veja.com não sabe o que escreve, por isso vou orientá-lo a seguir a cartilha dos fatos consumados. E, repetindo texto anterior, o desafio a um debate público para esclarecer todos os pontos do caso Celso Daniel. Sei que ele não aceitará. Muito menos os promotores criminais escalados pelo governo do Estado para tumultuar um jogo em que o PT ajudou a complicar na medida em que politizou o sequestro. Tudo, convenhamos, dentro das regras flexíveis de disputas políticas.</p>
<p>A colocação do crime na bitola política é uma farsa do jornalista da Veja.com. Acompanhei atentamente os acontecimentos a partir daquele sábado de manhã no Paço Municipal, quando praticamente toda a cúpula nacional do PT desembarcou em Santo André.</p>
<p>A &#8220;discurseira&#8221;, como afirma Augusto Nunes, de suspeição a um agrupamento de ultradireita jamais ganhou ênfase. Nenhuma manchete de vulto se imprimiu nos grandes jornais. Desde o início os petistas partiram forte e firme sim em direção à política de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin, prorrogação dos Direitos Humanos deixados por Mário Covas com o leniente Marco Vinício Petrelluzzi no comando da secretaria.</p>
<p>O desgaste provocado pela crítica petista desencadeou, de imediato, a reverberação de duas ondas sincronizadas:</p>
<p>Primeiro, no dia seguinte ao enterro de Celso Daniel, Marco Vinício Petrelluzzi foi defenestrado do cargo, substituído pelo linha dura Saulo de Castro Abreu Filho. O governador sentiu o peso das críticas porque, entre outros pontos, os casos de sequestro quadruplicaram no Estado. Iniciou-se ali nova jornada na criminalidade paulista que, até o final de 2008, poupou a vida de mais de 35 mil pessoas. A base de cálculos foram os assassinatos em 2001.</p>
<p>Segundo, iniciaram-se estudos e planejamentos para contragolpear as críticas petistas naquele ano eleitoral e, dias depois, começaram a vazar informações sobre supostas propinas na administração de Celso Daniel e, também, a possibilidade de Sérgio Gomes da Silva ter planejado o sequestro, em vez de ter sido vítima. Tudo muito bem executado, conforme escrevi já há algum tempo. Tanto que a versão de culpabilidade de Sérgio Gomes é de domínio público.</p>
<p>Tenho em meus arquivos tudo ou quase tudo sobre o caso Celso Daniel. Tanto sobre o que escrevi e analisei quanto de terceiros. Entre estes, edições da revista Veja, da mesma Editora Abril do desinformado Augusto Nunes. O que escreveu Veja na edição de final de semana imediatamente após o enterro de Celso Daniel?</p>
<p>A Reportagem de Capa foi caudalosa. Páginas e páginas da revista de maior tiragem do País trataram do assassinato. E em todas as páginas o tom foi sempre o mesmo: o caos do sistema de segurança pública no País, do qual São Paulo era a vitrine mais estilhaçada. Foram milhares de caracteres produzidos pelos jornalistas e consultores de Veja. E apenas num breve trecho, houve referência à elucubração de Augusto Nunes:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Até sexta-feira à noite não havia uma explicação clara para a morte do prefeito de Santo André, sequestrado quando saía com um amigo de uma churrascaria em São Paulo e assassinado 24 horas depois. Em virtude de outro crime de morte em que a vítima foi um prefeito do Partido dos Trabalhadores, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, de Campinas, Interior de São Paulo, chegou-se a cogitar de uma conspiração política destinada a matar integrantes do partido de Lula. A morte de Celso Daniel, segundo essa interpretação, teria sido um crime político. Os próprios líderes do PT, no entanto, admitem que essa é a mais fraca das hipóteses a ser investigadas &#8212; escreveu Veja, Edição 1.736.</p>
<p>O descuidado e deflorador da verdade Augusto Nunes não pode nem mesmo tergiversar sobre os fatos, atribuindo à Veja imprecisão informativa. Todos os jornais e as demais revistas semanais de informações seguiram a mesma trilha &#8212; a trilha do caso como acontecimento criminal, não político.</p>
<p>Mais tarde, foram os promotores criminais de Santo André que politizaram o caso, mas não no sentido configurado por Augusto Nunes. Eles negam hoje que o tenham feito, mas há páginas de jornais que confirmam minhas afirmações. Eles disseram que o crime foi político no sentido de que havia imbricamento dos fatos com supostas propinas na gestão da Prefeitura de Santo André. Na realidade, se as denúncias dos promotores criminais fossem confirmadas, o crime não seria nem comum nem político &#8212; seria um crime político-administrativo.</p>
<p>O texto que Augusto Nunes assinou na Veja.com é, repito, um amontoado de bobagens. Peguei apenas um ponto específico para dar a dimensão do quanto aquele jornalista se deixa levar pelo fígado. Mentir descaradamente sobre o caso Celso Daniel não é a melhor maneira de atingir o governo Lula da Silva. Há tantos buracos, naturais em qualquer administração, que, quando abordados com ciência e competência, enobrecem a profissão e se encaixam em pressupostos de responsabilidade social.</p>
<p>Não cobrarei nada de Augusto Nunes ou de quem quer que seja por possíveis aulas do caso Celso Daniel. Tenho obrigação de repassar conhecimentos porque me empenhei como nenhum outro jornalista para levar claridade onde só havia trevas ou um estudado plano diversionista que custou a destruição da imagem de um inocente.</p>
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		<title>Será que a onça da Cidade da  Criança não está protestando?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/politica/sera-que-a-onca-da-cidade-da-crianca-nao-esta-protestando/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 18:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Dá vontade de dizer que não quero saber e que tenho raiva de quem de fato sabe quem está com a razão, se tucanos ou petistas. O que posso assegurar sobre a reinauguração da Cidade da Criança, em São Bernardo, é que botaram uma onça bem próxima de minha janela. Dizem que é onça, parece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dá vontade de dizer que não quero saber e que tenho raiva de quem de fato sabe quem está com a razão, se tucanos ou petistas. O que posso assegurar sobre a reinauguração da Cidade da Criança, em São Bernardo, é que botaram uma onça bem próxima de minha janela. Dizem que é onça, parece que é onça pelo urro que invade meu quarto, mas também pode ser um leão tupiniquim sem o charme do leão da Metro. </p>
<p>Minha janela dá de frente com a jaula da onça que dizem ser de mentirinha e que faz a alegria de crianças, jovens e adultos. Não mais que 20 metros separam-nos. A distância não vale para transtornos psicológicos. A onça urra matematicamente a cada intervalo previamente programado. Parece estar à minha cabeça. </p>
<p>O que mais lamento é que ainda não tive disposição para visitar pessoalmente aquela atração da Cidade da Criança e, assim, dizer com firmeza que se trata mesmo de onça de brincadeirinha. Desde que o parque abriu as portas e desde que as visitas se tornaram constantes, aquele grunhido (seria grunhido mesmo?) dá sensação de que corro risco de morte em pleno coração civilizado de São Bernardo. </p>
<p>Morar na vizinhança da Cidade da Criança para quem já morou na periferia de Mauá pode parecer exemplo de mobilidade social. No meu caso garanto que era mais feliz nos tempos de Vila Vitória. O silêncio era total naqueles dois cômodos de fundo de fundo de quintal. </p>
<p>O máximo que ouvia nas horas de descanso era a algazarra de galos atrás de galinhas num amplo quintal de terra batida. Não me consta que na Cidade da Criança reaberta pelo PT sob condenação tucana existam galos e galinhas. Mas que a disputa pela paternidade e a efetividade da obra virou uma farra de galinheiro, não tenho dúvidas. </p>
<p>Faz tempo que estou com vontade de entrar nessa seara de tucanos e petistas. Li absolutamente tudo sobre o que a Imprensa já publicou. Li e arquivei. Juro que não consigo formar juízo de valor sobre quem acertou o alvo, se a solução tucana enquadrando a Cidade da Criança como novo patrimônio educacional de São Bernardo ou a alternativa petista de retomar a Cidade da Criança na área de turismo. </p>
<p>Parece que a solução petista é mais ajuizada juridicamente, porque o Tribunal de Contas do Estado não engoliu a migração de recursos orçamentários para a Cidade da Criança, alterando-se para tanto, ou pretendendo-se alterar, a finalidade do espaço da molecada, que deixaria de ser de entretenimento para se colocar na prateleira educacional. </p>
<p>Há tantos interesses em jogo e tantas imprecisões jornalísticas que não cometerei a besteira de emitir opinião peremptória. Sei lá se como castigo os funcionários da Cidade da Criança soltariam aquele bicho que dizem ser apenas de brincadeirinha. Já imaginou se onça em carne e osso resolve invadir minha janela? </p>
<p>Já pensaram ter de me virar para me safar de uma onça ou de um leão, seja o que for? Como vou explicar a meus filhos que aqueles rugidos (seriam rugidos?) não passavam de brincadeirinha? </p>
<p>Ainda não tive pesadelo com a onça de mentirinha da Cidade da Criança. Acho que tanto o prefeito Luiz Marinho como seu antecessor, William Dib, já perderam muitas noites de sono para arranjar argumentos que justifiquem as declarações que fazem diretamente ou através de terceiros escalados em ataques estudados para desgastar o adversário. </p>
<p>Quem tem razão, afinal, nessa disputa pela configuração temática, enquadramento orçamentário e pela funcionalidade operacional da Cidade da Criança?</p>
<p>Por que será que os jornais não fazem uma matéria sem resquício partidário, ouvindo todos os lados, investigando detalhes, percorrendo aquela área para saber de fato quantos brinquedos estão em funcionamento? Será que as declarações de um ex-secretário, escalado para dar pau na administração de Luiz Marinho, é garantia de informação isenta? E os artigos do secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, que afirmam exatamente o contrário, também são sustentáveis? </p>
<p>Poderia o leitor alegar que sendo eu jornalista e estando incomodado com tudo isso, inclusive com os urros (urros?) da onça de mentirinha, por que não embrenhar-me no caso e, finalmente, com isenção, retirar todas as interrogações que permeiam a questão?</p>
<p>Tem razão o leitor mais atrevido ou esperançoso que me quer ver vasculhando esse cipoal de complicações partidárias, mas me recuso a atender a sugestão. </p>
<p>Nem morto pela onça de mentirinha vou ouvir os dois lados para tratar da Cidade da Criança, por mais emblemática que seja essa disputa. </p>
<p>Tenho mais o que fazer. Tanto nas noites dos chamados dias úteis quanto nos finais de semana a Cidade da Criança é referência de minhas corridas profiláticas à alma e ao coração. Dou macrovoltas no Jardim do Mar sempre tendo a Cidade da Criança como ponto-chave de romantismo de corredor amador. </p>
<p>Não quero ficar traumatizado com a ideia de que, naquele espaço que contorno com minhas pernas pressupostamente de atleta existe um manancial de idiossincrasias que possam contaminar minha alma. Para mim, a briga que permeia a Cidade da Criança está localizada simbolicamente no Paço Municipal com extensão nos redutos petistas e tucanos, não da molecada. </p>
<p>Por mais que já tenha lido sobre a Cidade da Criança no campo político-partidário, não transponho as controvérsias para aquele território de lazer e entretenimento que agora, nos finais de semana, está lotadíssimo de gente predominantemente da periferia. </p>
<p>Se escrevo sobre a Cidade da Criança agora é porque o assunto começou a me incomodar. Quando qualquer coisa me incomoda a solução que me recomendo é o descarrego ou desopilamento textual. Quando escrevo os males espanto. </p>
<p>Sei lá quantos ingressos andam distribuindo para revitalizar a ocupação da Cidade da Criança. Só sei que a periferia em peso ocupa o Jardim do Mar. Nada mais justo, porque é preciso recuperar o tempo perdido daquele espaço fechado e maltratado.</p>
<p>Quantos anos nos últimos anos minhas corridas que colocam mais vida em meus anos vivenciaram o silêncio da Cidade da Criança fechada?</p>
<p>Quantas vezes tive de responder, sem perder o passo da corridinha providencial, que aquele endereço de sonhos estava fechado à visitação? </p>
<p>Só quem observava a reação dos pais e das crianças geralmente em veículos de alguns anos de uso pode avaliar o quanto a Cidade da Criança ainda embala sonhos, principalmente das camadas mais populares. </p>
<p>De fato mesmo só estou inquieto é com o barulho que invade meu quarto. Aquela onça (seria mesmo onça?) me parece meio rouca de tanto se manifestar. </p>
<p>Será que a onça não estaria indisposta com tanto falatório sobre a Cidade da Criança?</p>
<p>Querem saber de uma coisa? É melhor ouvir a onça de mentirinha na janela. Talvez seja a manifestação mais verdadeira de protesto contra essa polêmica mal-ajambrada que já encheu a paciência. </p>
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		<title>Por que Klinger Sousa protege  Aidan da herança de Celso Daniel?</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 19:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Menino de ouro do prefeito Celso Daniel, cantado em verso e prosa como natural sucessor no Paço Municipal, mas atropelado pelo imponderável da morte daquele que seria um dos homens mais importantes do primeiro mandato do governo Lula da Silva, Klinger Sousa concedeu entrevista ao jornal digital ABCD Maior no último dia 24. Valem a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Menino de ouro do prefeito Celso Daniel, cantado em verso e prosa como natural sucessor no Paço Municipal, mas atropelado pelo imponderável da morte daquele que seria um dos homens mais importantes do primeiro mandato do governo Lula da Silva, Klinger Sousa concedeu entrevista ao jornal digital ABCD Maior no último dia 24. Valem a pena algumas observações.</p>
<p>O trabalho jornalístico comporta restrição ao título &#8220;Klinger avalia herança de Celso Daniel&#8221;. O legado do petista é tão vasto que não pode ser resumido a algumas questões. Mas isso é observação sem importância. Apenas pentelhação.</p>
<p>O substancial é que fiquei intrigadíssimo com as respostas de Klinger Sousa: como é possível passar o tempo todo sem ao menos resvalar na administração de Aidan Ravin?</p>
<p>É possível que um petista supostamente de carteirinha, um ex-secretário de Serviços Municipais que, quando do assassinato de Celso Daniel, já atuava como supersecretário, ignore os 12 meses do sucessor do PT na Prefeitura de Santo André?</p>
<p>Estaria Klinger Sousa desconsiderando o governo Aidan Ravin ou o avalia relevante a incursões pessoais e profissionais que achou melhor poupá-lo?</p>
<p>Repetindo: como pode um ex-agente público combativo e criativo passar o tempo todo sem ao menos fazer qualquer observação sobre Aidan Ravin, a ponto de não pronunciar o nome do prefeito de Santo André uma vez sequer?</p>
<p>Pode alegar que um ano é muito pouco para um novo prefeito, no que concordo, mas um ano é muito tempo quando se trata de analisar algo tão importante como o Eixo Tamanduatehy, lançado há mais de uma década.</p>
<p>Estaria Klinger Sousa mais próximo do petebista do que se possa imaginar?</p>
<p>Mais pesa a perplexidade à omissão de Klinger Sousa quando se constata que a engrenagem sobre o qual girou a bateria de perguntas do repórter Júlio Gardesani é o projeto Eixo Tamanduatehy, definido pelo ex-secretário como &#8220;a maior intervenção urbanística no Brasil&#8221;.</p>
<p>Esse, caro Klinger Sousa, foi o grande equívoco do Eixo Tamanduatehy, sem dúvida uma extraordinária prova do visionarismo de Celso Daniel. Equívoco por quê? Porque enfatizou muito mais aspectos arquitetônicos do que econômicos, num momento em que o Grande ABC passava por maus bocados.</p>
<p>Quero crer que arquitetos de nomeada nacional e internacional contratados para desenhar aquele pedaço de uma Santo André ultramoderna não compreenderam as reais intenções de Celso Daniel. Seria ingenuidade demais acreditar que Celso Daniel tão inquieto com o futuro do Grande ABC tenha consolidado um conceito em que a beleza plástica e a funcionalidade arquitetônica do Eixo Tamanduatehy suplantassem a racionalidade econômica?</p>
<p>O tempo todo o Eixo Tamanduatehy foi propagado em ação de marketing como tesouro arquitetônico, subestimando os valores desenvolvimentistas. Fiz observações neste tom já naquela oportunidade.</p>
<p>Ao descarregar o caminhão de melancia de responsabilidade do fracasso do Eixo Tamanduatehy na administração do petista João Avamileno, Klinger Sousa repassa apreciação biliar. Tem razão o ex-secretário sobre o rebaixamento da qualidade técnica e intelectual do secretariado que João Avamileno remontou após a morte de Celso Daniel e, principalmente, após as prévias eleitorais de 2008, mas nem se o ex-metalúrgico fosse mágico conseguiria levar adiante a grandiosidade prevista por Celso Daniel. Apenas Celso Daniel e seu grupo conseguiriam executar parte daquele sonho em forma de projeto. Sem a liderança de Celso Daniel, até as porções mais pragmáticas do Eixo Tamanduatehy viraram pó.</p>
<p>Devemos todos estar conscientes de que, salvo fenômeno econômico que nos últimos 20 anos não ousou aparecer no Grande ABC, nada indica que ocorrerá qualquer coisa que se assemelhe revolucionário no uso e ocupação do solo com fortes influências desenvolvimentistas. Por isso, forçar a barra em cima de João Avamileno é excesso do ex-secretário. O afrouxamento da gestão petista em Santo André seguiu o curso natural da vida depois da singularidade de Celso Daniel esvair-se. Aliás, a estatura da gestão de João Avamileno não diferiu da dos antecessores de Celso Daniel, que projetava uma Santo André dos próximos 20 anos, pelo menos. Os demais se satisfaziam com o aqui e agora.</p>
<p>Já com Aidan Ravin o petista Klinger Sousa foi generosíssimo, poupando-o nominalmente de lamentações, mesmo quando critica a precariedade de preservação do Parque Celso Daniel, os estragos nos corredores verdes, os reparos na área de educação. Dá-se a impressão que João Avamileno segue prefeito de Santo André.</p>
<p>Quando indagado sobre a retomada do projeto Eixo Tamanduatey, Klinger Sousa simplifica. Afirma que a proposta pode sim ser retomada, mas sobre outras diretrizes, &#8220;pois não tem mais sentido pensar o projeto como ele havia sido concebido&#8221;.</p>
<p>É verdade que uma década pode comprometer a concepção central da proposta, até porque, como já disse, os vetores urbanísticos desconectaram-se da viabilidade de investimentos entre outras razões porque o Grande ABC vivia situação de fundas perdas econômicas. Entretanto, esperava de Klinger Sousa, uma boa cabeça pública, resposta mais prospectiva. Talvez não pretendesse dar consultoria gratuita à administração de Aidan Ravin.</p>
<p>Já que não o fez, faço eu: o Eixo Tamanduatehy com as adaptações providenciais ditadas pelos novos tempos de dinheiro farto no mercado nacional, poderia ser reformulado para pegar carona no afluxo que o trecho sul do Rodoanel vai proporcionar alguns quilômetros à frente, na área central de Mauá, um dos três pontos de saída e entrada dessa serpentina viária que promete mudanças radicais na mobilidade urbana da metrópole.</p>
<p>Quem acredita, entretanto, que o prefeito Aidan Ravin ressuscitará o Eixo Tamanduatehy ou batizará algo semelhante com outra logomarca para fugir do espectro petista e de Celso Daniel?</p>
<p>Quem acreditar estará cometendo grandiosíssimo engano porque, infelizmente, Aidan Ravin não reúne agrupamento técnico para desenhar uma nova Santo André econômica e social numa área geográfica degradada, sub-valorizada e, agora muito mais que quando da concepção do Eixo Tamanduatehy, potencializada para atrair investimentos em moradias, fábricas limpas, comércios e serviços de qualidade. A Jacú-Pêssego, prolongamento do trecho sul do Rodoanel em direção à Zona Leste de São Paulo, fortalece essa projeção. Tudo porque somaria aquela área de três milhões de habitantes ao potencial natural disponível do chamado lado de cá da Avenida do Estado.</p>
<p>Com toda a liberdade que me permite dialogar à distância com Klinger Sousa, a entrevista ao jornal ABCD Maior deixou uma enorme interrogação. Poupar Aidan Ravin ou qualquer um que fosse o substituto de João Avamileno num questionamento que trata da herança de Celso Daniel ganha a forma de um buraco negro incompreensível ou lamentavelmente compreensível.</p>
<p>Já sobre a gestão de Luiz Marinho, que encerra a entrevista, Klinger Sousa foi telegráfico e cauteloso, distribuindo comedidos elogios ao chefe do Executivo de São Bernardo e a seus secretários, além de projetar com certa desconfiança o futuro do menino dos olhos de Lula da Silva. Ou estaria equivocado este jornalista ao interpretar a seguinte frase (&#8221;Ele tem todas as condições de pensar a região com uma perspectiva propostiva para retomarmos este brilho que o governo de Celso Daniel tinha. Ainda não vi isso acontecer, mas é uma perspectiva, devido a pessoa do Marinho e às pessoas que trabalham na Administração de São Bernardo&#8221;) como algo que parece mais diplomático do que enfático?</p>
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		<title>Sansão seria o time ideal de  Santo André e São Caetano</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 19:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora seja muito cedo para definir o perfil de cada uma das equipes após três rodadas da temporada, ouso dizer que o São Caetano e o Santo André que estão disputando a Série A do Campeonato Paulista oferecem a perspectiva de que adotarão ferramentais táticos e técnicos diferentes neste primeiro ano de nova década. Melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora seja muito cedo para definir o perfil de cada uma das equipes após três rodadas da temporada, ouso dizer que o São Caetano e o Santo André que estão disputando a Série A do Campeonato Paulista oferecem a perspectiva de que adotarão ferramentais táticos e técnicos diferentes neste primeiro ano de nova década. Melhor seria se fosse possível fundir os predicados das duas equipes para se chegar ao Sansão, um time que representasse o Grande ABC nas competições. </p>
<p>O São Caetano que ganhou sete dos 10 pontos é um time mais sólido, porque pouco mexeu na estrutura tática do grupo titular que encerrou a temporada passada. O técnico Antonio Carlos Zago coerentemente está aperfeiçoando o estilo. </p>
<p>O Santo André, praticamente refeito depois do desmanche do final de ano, optou por mais habilidade e leveza. Ganhou metade dos pontos que disputou até agora. O técnico Sérgio Soares, também coerentemente, quer voltar ao passado tático de glória. </p>
<p>O ex-zagueiro Antonio Carlos quer um São Caetano mais forte no sistema defensivo.</p>
<p>O ex-meiocampista Sérgio Soares quer um Santo André mais envolvente no ataque. </p>
<p>Sei que é arriscado antecipar resultados classificatórios e nem vou fazê-lo, mas não custa especular um pouco sobre o que vi nas primeiras rodadas. </p>
<p>Para começar, não vi tudo. Acompanhei parte dos jogos das duas equipes pela televisão, com restrição de visão periférica que, de alguma forma, é compensada com focalização mais precisa. </p>
<p>Assistir a jogos pela TV e mesmo assim não integralmente não é a melhor maneira de construir teorias. Só o faço porque gosto de desafios. Já vi tanta bola a ponto de entender que, mesmo ao acompanhar fragmentos de jogos, é possível montar um mosaico de dados que acabam redundando em teorias. Serei comedido, é claro, porque a situação assim o exige. Talvez a ousadia destas linhas seja melhor que a omissão tácita de não-comprometimento. </p>
<p>Para mim, a maior graça do futebol, além de gols, é o apetrecho tático e estratégico por trás de cada equipe. Vitórias ou derrotas por acaso são exceções no futebol cada vez mais esquadrinhado fora das quatro linhas. Principalmente pela tecnologia manipulada por espiões especializados em antecipar movimentos individuais e coletivos.   </p>
<p>O Santo André é um time mais agradável de ver jogar neste início de temporada, há mais virtuoses no campo ofensivo, mais diversidade de repertório de ataque, mas demonstra também vulnerabilidades. O Santo André despreza a marcação mais solidária, regateia a acumulação de valores na intermediária e reúne baixo comprometimento destrutivo dos jogadores de meio de campo e de ataque. Talvez a fase inicial de preparação explique tudo isso e o tempo corrija, mas a vocação ofensiva e liberal parece mais evidente ao se avaliar a característica individual de boa parte dos titulares. </p>
<p>O São Caetano apresenta-se menos brilhante individualmente, ainda é reticente nas estocadas de contragolpe, mas tem racionalidade tática que faz a diferença. Parece amadurecer no processo de solidez defensiva, especialidade do técnico Antonio Carlos Zago. </p>
<p>Se no ano passado, na Série B do Brasileiro, o São Caetano terminou em sétimo lugar na classificação final mas em terceiro entre as melhores defesas, a sensação que transmite para esta temporada é que aperfeiçoará de tal maneira esse veio que será muito difícil bombardear o gol de Luiz. O mesmo Luiz que entre as traves é um grande goleiro, mas tem dificuldade de cortar bolas alçadas próximas à pequena área, como nos dois gols que sofreu contra o Santo André.</p>
<p>Tanto o técnico Antonio Carlos Zago como Sérgio Soares seguem à risca um mantra do futebol, que é a obsessão pela posse de bola. </p>
<p>Propagandeada por Carlos Alberto Parreira, especialista em produzir equipes que fazem do girar da bola no gramado um intermeio para chegar com contundência ao gol adversário, a teoria da posse de bola encontra nos dois treinadores das equipes da região o evangelho básico da arrumação tática.</p>
<p>Sérgio Soares fez da aparente malemolência do Santo André arma fatal para chegar à Série A do Campeonato Brasileiro. Antonio Carlos, novato na profissão, pegou o São Caetano em situação emergencial no ano passado, entre os últimos colocados, e, sem ter podido escolher os jogadores com os quais pretendia contar e sem tempo para preparação do grupo com dois jogos por semana, imprimiu filosofia que jamais chegou próxima do controle da bola, mas suficiente para melhorar a equipe. </p>
<p>Não gosto de retirar o caráter coletivo de análises de futebol, embora algumas individualidades precisem ser ressaltadas porque fortalecem ou enfraquecem os valores globais das equipes. </p>
<p>No caso do São Caetano é flagrante que o atacante Vanderlei, que atuou pelo Santo André no ano passado, é o ponto de apoio de inventividade e inteligência e que o meio-campista Everton Ribeiro é um motorzinho que dá o toque de velocidade que os contragolpes exigem. A maioria dos titulares é formada sob as luzes de pragmatismo técnico e tático. </p>
<p>No caso do Santo André, desponta neste começo de temporada o mesmo Branquinho que no ano passado fez sucesso no Botafogo de Ribeirão Preto, embora a expectativa maior do técnico Sérgio Soares repouse no armador Bruno César, de semelhança física e estilo de Ricardinho, que tanto sucesso fez no Corinthians. Branquinho arrebentou a boca do balão ontem de manhã e Ricardinho repetiu os jogos anteriores de muita lentidão, pouca mobilidade e propensão a deixar o adversário jogar às suas costas. Talvez esteja fora de ritmo, além de precariedade física, mas se insinua como um meia de ligação qualificado. </p>
<p>Insisto em dizer que tudo isso não passa de mera especulação, mas uma especulação com alguma base. Base suficiente para dizer que o time ideal para um hipotético Sansão, que seria uma equipe só, formada por São Caetano e Santo André, seria conciliar a competitividade de Antonio Carlos Zago com a liberdade ofensiva do técnico Sérgio Soares. Aí teríamos um time mais equilibrado, mais contundente, mais alegre, menos previsível. Com esse Sansão imaginário que se apresenta inicialmente nesta temporada, teríamos um time para disputar os primeiros lugares. </p>
<p>A temporada vai responder à pergunta principal à qual quero chegar: quem fará melhor campanha no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro? </p>
<p>Muita água há de rolar sob essa ponte de exposições, mas não tenho dúvida em dizer que se não faltar equilíbrio diretivo a tendência é de que Santo André e São Caetano entrarão no Brasileiro com possibilidades de surpreender as demais equipes. </p>
<p>Quanto falo em equilíbrio quero dizer principalmente que não pode aflorar nos dirigentes a falta de foco no material de que dispõem, analisando cada executor de função tática com cuidado, ouvindo atentamente os profissionais que contrataram para comandar os elencos. Se cometerem o erro de inflarem os grupos com contratações a torto e a direito, pressionados que sempre serão por interesses de terceiros, vão acabar desmontando uma base estrutural que parece interessante. </p>
<p>Fazer boa campanha no Campeonato Paulista é a plataforma sobre a qual o São Caetano e o Santo André podem saltar para o sucesso na Série B do Brasileiro. Não há vestibular mais concorrido.</p>
<p>Um dia desses escreveremos especificamente sobre uma fusão de Santo André e São Caetano (e quem sabe com a inclusão do São Bernardo da Série B do Paulista também), algo que há mais de uma década José Carlos Brunoro ousou sugerir. No estágio em que chegou o futebol que se confunde com marketing que se confunde com negócios que se confunde com audiência, a sugestão deixou de ser uma aberração para se converter em algo que vale a pena ser estudado. Ou não?  </p>
<p>Alguém por acaso já tem sugestão do nome, além de Sansão, que serve inclusive para a incorporação do São Bernardo?   </p>
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		<title>Por que apenas Aidan Ravin omite  mensagem sobre Celso Daniel?</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 18:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornal eletrônico (e semanalmente impresso) ABCD Maior solicitou aos prefeitos do Grande ABC uma mensagem dos oito anos da morte de Celso Daniel. Queria um enunciado que expressasse o legado daquele que se tornou o maior gerenciador da região, como estou cansado de afirmar.
O jornal ABCD Maior obteve resposta de todos os prefeitos. Menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal eletrônico (e semanalmente impresso) ABCD Maior solicitou aos prefeitos do Grande ABC uma mensagem dos oito anos da morte de Celso Daniel. Queria um enunciado que expressasse o legado daquele que se tornou o maior gerenciador da região, como estou cansado de afirmar.</p>
<p>O jornal ABCD Maior obteve resposta de todos os prefeitos. Menos do prefeito de Santo André, o petebista Aidan Ravin.</p>
<p>Antes de tentar decifrar o enigma da omissão de Aidan Ravin, passo aos leitores as declarações dos prefeitos que não se permitiram descaso.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De Luiz Marinho, petista, prefeito de São Bernardo:<br />
&#8220;Administrador inovador e político corajoso, Celso Daniel mudou a cara do ABCD e faz falta&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De José Auricchio Júnior, petebista, prefeito de São Caetano:                    <br />
&#8220;Era um administrador altamente capacitado. Foi uma grande perda para a política brasileira&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De Clóvis Volpi, do PV, prefeito de Ribeirão Pires:<br />
“Ele nos deixou sua capacidade de organização e aglutinação. A maior perda política do ABCD&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De Kiko Teixeira, tucano, prefeito de Rio Grande da Serra:<br />
Não tínhamos afinidade partidária, mas o respeitava muito. Tinha um espírito avançado&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De Mário Reali, petista, prefeito de Diadema:<br />
&#8220;Seu legado é o da ousadia planejada, que não perdeu contato com as realidades local e regional&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> De Oswaldo Dias, petista, prefeito de Mauá:<br />
&#8220;Celso era um grande político, que tinha na questão regional sua militância maior&#8221;.</p>
<p>Repassadas essas declarações ao ABCD Maior, insisto na seguinte pergunta:</p>
<p>Por quê o prefeito Aidan Ravin não se pronunciou sobre Celso Daniel?</p>
<p>Por que o prefeito Aidan Ravin, que se utilizou do espólio administrativo de Celso Daniel durante a campanha que o levou à Prefeitura, preferiu silenciar-se diante da solicitação da direção editorial do ABCD Maior?</p>
<p>Sei que vão dizer, principalmente os maltrapilhos intelectuais, que estou a perseguir a administração de Aidan Ravin. Sei disso, porque faz parte da entourage desclassificar os críticos sérios, mas deixo isso pra lá porque o que interessa mesmo é retirar de Aidan Ravin uma explicação para a omissão.</p>
<p>Provavelmente ele não a dará, porque Aidan Ravin mantém distância quilométrica daqueles que não o bajulam.</p>
<p>Antes de tentar entender os motivos da omissão de Aidan Ravin, procurarei analisar as declarações dos sensatos.</p>
<p>É difícil escolher a melhor declaração dos prefeitos, porque Celso Daniel era abrangente na grandeza intelectual e administrativa para ser resumido num pensamento enxuto.</p>
<p>Juro que teria muitas dificuldades de fazê-lo. Talvez se insistissem, repetiria o que escrevi, agora com outras palavras, quando, sob forte emoção, preparei aquele texto em 21 de janeiro de 2002 para o então CapitalSocialOnline, veículo digital que mantinha para compensar diariamente os 30 dias que separavam uma edição e outra da revista LivreMercado.</p>
<p>O que escrevi naquele 21 de janeiro e que definiria Celso Daniel com outras palavras hoje?</p>
<p>Que Celso Daniel era um Pelé entre os políticos do Grande ABC porque não necessariamente era detentor da melhor qualidade individual dos melhores prefeitos ao longo da história, mas, como se aproximava de todos no que tinham de melhor, estourou na praça como a maior liderança da região.</p>
<p>Traduzindo: Pelé não cabeceava tão bem como Baltazar, não dominava os segredos da grande área como Romário, não passava em velocidade como Dirceu Lopes, não chutava com a cientificidade espacial de Rivelino, não tinha a contundência de Pepe na bola parada, não lançava como Gerson, não driblava como Canhoteiro, mas reunia todas essas qualidades e outras mais que disparava como melhor do ofício.</p>
<p>Celso Daniel era o Pelé dos prefeitos, como o Pelé dos gramados se tornou o melhor entre todos os craques, exatamente porque concentrava, mesmo que em densidade um pouco inferior, as maiores qualificações de todos eles.</p>
<p>Se o leitor me apertasse para escolher uma entre as seis declarações dos prefeitos que reconheceram as virtudes de Celso Daniel, optaria pelas palavras de Mário Reali, prefeito de Diadema, as quais valem a pena ser repetidas:</p>
<p>&#8220;Seu legado é o da ousadia planejada, que não perdeu contato com as realidades local e regional&#8221;.</p>
<p>Chegamos agora ao vazio de Aidan Ravin. Supondo que não tenha qualquer tipo de restrição a Celso Daniel, nem mesmo a ciumeira natural dos políticos, ainda mais dos políticos da mesma seara eleitoral, o mínimo que se pode dizer é que sua assessoria de Imprensa é uma calamidade.</p>
<p>Se a questão é outra, se o problema é de foro íntimo do prefeito de Santo André, então danou-se, porque Aidan Ravin se mostrará completamente despreparado para reconhecer quem o supera largamente e o superará sempre, porque nem que morra e reviva mil vezes, dificilmente chegará próximo do conjunto de qualificações de Celso Daniel. Como tantos outros políticos.</p>
<p>A lamentar, tanto num caso quanto noutro (e espero que não hajam outras alternativas) o cheiro de oportunismo de utilizar a história de Celso Daniel na campanha eleitoral para seduzir a classe média mais informada.</p>
<p>Talvez o enunciado de Aidan Ravin não fizesse muita diferença em meio a outras declarações publicadas no ABCD Maior. Entretanto, o vazio que constou daquela página na Internet enseja inquietação que só o tempo tratará de decifrar: estaria Aidan Ravin movido pela idéia de que vai ficar para a posteridade como Celso Daniel e, portanto, não encheria a bola de possível concorrente? Se a resposta for positiva, francamente, chegamos ao extremo do narcisismo político.</p>
<p>No fundo, no fundo, ainda acredito que Aidan Ravin não tem mesmo é assessoria para fazê-lo compreender que não existiria obstáculo algum na condução da Prefeitura de Santo André se tivesse a humildade de reconhecer que Celso Daniel é um fora-de-série ao qual todos os políticos devem render reconhecimento, principalmente porque não há ameaça alguma objetiva de o homenageado usufruir dos depoimentos, já que, até prova em contrário, não está mais entre nós.</p>
<p>O desmonte de vários programas lançados por Celso Daniel – e inclusive a contemporaneidade urbanística que deu a Santo André ares menos provincianos &#8212; não deveria ser levado em conta nesse momento particularmente especial que marca o oitavo ano sem o grande líder dos anos 1990 no Grande ABC.</p>
<p>Seria remorso, então, o motivo do silêncio?</p>
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		<title>Que besta quadrada é o  jornalista Augusto Nunes!</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Calma leitores, calma leitores, porque não estou sendo mais desrespeitoso ou supostamente desrespeitoso com o veterano jornalista Augusto Nunes, hoje blogueiro da Veja.com, do que ele o foi ontem com o ministro Nelson Jobim. &#8220;Aqui entre nós, amigos: que besta quadrada é o Nelson Jobim!&#8221;, escreveu Augusto Nunes no alto da coluna que assina no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Calma leitores, calma leitores, porque não estou sendo mais desrespeitoso ou supostamente desrespeitoso com o veterano jornalista Augusto Nunes, hoje blogueiro da Veja.com, do que ele o foi ontem com o ministro Nelson Jobim. &#8220;Aqui entre nós, amigos: que besta quadrada é o Nelson Jobim!&#8221;, escreveu Augusto Nunes no alto da coluna que assina no endereço eletrônico da Editora Abril. </p>
<p>Tomo emprestado dele a frase cortante, que foge às minhas características que não são lá muito delicadas, para voltar ao caso Celso Daniel, uma de minhas especialidades. Augusto Nunes não passa de aprendiz desastrado.</p>
<p>Duvido que seja desastrado involuntário, porque reúne experiência para acreditar que possa dar um nó nos leitores manipulando a capacidade de sedução embutida na marca pessoal. Fosse foca, desses que saem das faculdades certos de que são jornalistas de verdade, os desatinos até seriam compreensíveis.</p>
<p>Não há em regra jornalistas inexperientes a procurar atualizar as informações ou resgatar o histórico do caso Celso Daniel. Principalmente os jornalões colocam em campo profissionais orientadíssimos para sustentar a fantasiosa versão de crime político. Uma tranqueira informativa que não resiste à realidade dos fatos. </p>
<p>Se esses jornalistas estivessem preocupados com a responsabilidade social inerente à profissão, poderiam saber muito mais do que escondem e jogar às traças o que veiculam. Basta visitarem meu site. E olhem que o material que disponibilizei até agora não significa 10% de tudo que escrevi no período. Tenho guardado acervo que pretendo transformar em livro.  </p>
<p>Um profissional com a biografia de Augusto Nunes &#8212; pelo menos a biografia profissional que se conhece &#8212; não pode incidir na besteira juramentada de seguir escrevendo bobagens sobre o caso Celso Daniel, sempre com a assessoria recalcitrante e psicologicamente comprometida dos irmãos biológicos do maior prefeito que o Grande ABC já contou &#8212; e também com o auxílio de promotores criminais que atuaram no caso a mando do governo do Estado. Esse foi o troco de Geraldo Alckmin para melar a investida do PT contra o descaso que dominava a área de Segurança Pública, politizando-a durante e após o sequestro naquele início de 2002. </p>
<p>Vou explicar o por quê de irmãos ideológicos. Tanto Bruno Daniel quanto João Francisco não tinham afinidades com Celso Daniel. Houve um pouco antes do assassinato uma tentativa de aproximação de João Francisco com o irmão famoso, mas nada que apagasse o passado de ressentimentos. João Francisco era seletivíssimo nas visitas a Celso Daniel no Paço Municipal de Santo André. Geralmente garimpava favores. Já Bruno Daniel afastara-se de Celso Daniel desde que, na primeira gestão do petista, entre 1989 e 1992, rompera relações por conta de ser preterido a uma secretaria e, principalmente porque sua mulher, Marilena Nakano, titular de Educação, pretendia socializar a gestão municipal de cabo a rabo.  </p>
<p>Havia tanta sincronia ideológica entre Celso Daniel e seus irmãos como entre Dilma Roussef, Paulo Maluf e Heloisa Helena. Aliás, João Francisco e Bruno Daniel também não se toleravam. A ideologia sempre entrava em campo e acionava o cartão vermelho de relacionamento. Era difícil conciliar o extremista de direita João Francisco e o extreminista de esquerda Bruno Daniel. Celso Daniel saiu de uma esquerda um pouco mais radical mas nem tanto quanto a esquerda radical de Bruno Daniel para uma centro-esquerda abjeta tanto para um quanto para outro irmãos. O que incomodava os irmãos biológicos era a flexibilidade ideológica de Celso Daniel numa banda comedidamente larga que jamais comprometeu a coerência de um socialista em busca da modernidade. </p>
<p>Feitas essas observações, hão de entender os leitores a razão de definir Bruno Daniel e João Francisco como irmãos biológicos. Eles só se encontravam nas enfadonhas festas de aniversário da família Daniel &#8212; ou no caso específico de João Francisco no Paço Municipal.  </p>
<p>Por isso e por muito mais, há diferenças abissais entre mim e Augusto Nunes quanto à vida e à morte de Celso Daniel. Augusto Nunes não ouviu os dois lados, não reuniu dados, informações e vivências precedentes ao sequestro seguido de assassinato, não leu os depoimentos dos sequestradores, entre tantos outros elementos. E principalmente, ao contrário deste jornalista, trabalha o tempo todo na raia da partidarização e da politização. Augusto Nunes escreve subordinado ao cabresto de Veja. Escrevo subordinado ao cabresto de conhecimentos livres de qualquer injunção política, ideológica, financeira e o escambau. </p>
<p>Augusto Nunes, portanto, é muito mais esperto do que Daniel Lima. Ele escreve o que parte do leitorado em forma de eleitorado quer ler. Escrevo o que o leitorado e o eleitorado precisam ler. </p>
<p>Augusto Nunes não consegue entender &#8212; e jamais entenderá porque é refém ideológico &#8212; que a morte de Celso Daniel é uma coisa completamente distinta do suposto esquema de propina na Prefeitura de Santo André. </p>
<p>Reúno tanto material do caso Celso Daniel que deixo de lado a falsa modéstia para afirmar com segurança que não há nenhum jornalista que ao menos chegue perto do conjunto de informações que detenho. Foram mais de dois milhões de caracteres produzidos entre 2005 e 2007. Sem contar os anteriores. </p>
<p>Por isso, a propósito dos artigos que Augusto Nunes escreve sazonalmente sobre o caso Celso Daniel, só tenho a lamentar. Ele segue sempre a mesma toada entojada e viciada dos irmãos biológicos. Amontoa mentiras inteiras e meias verdades. De vez em quando, para não perder a credibilidade que imagina ter quando trata do caso, acrescenta alguma verdade. Nada mais que um truque manjadíssimo de jornalismo de pau mandado. </p>
<p>A primeira vez que li alguma coisa de Augusto Nunes sobre o caso Celso Daniel me provocou gargalhadas incontroláveis. Já faz algum tempo e meus arquivos impressos me oferecem a prova do crime. Augusto Nunes escreveu que uma das razões para suspeitar da definição de crime comum era o fato de Celso Daniel e Sérgio Gomes terem jantado em São Paulo. Alheio ao Complexo de Gata Borralheira do Grande ABC, alheio às especificidades provincianas do Grande ABC, alheio às medidas de segurança informativa fora do ambiente especulativo do Grande ABC, Augusto Nunes considerou um despropósito um jantar na Capital, como se o Grande ABC não reunisse variedade de opções gastronômicas. </p>
<p>Fosse mais repórter e menos articulista de orelhada, Augusto Nunes pouparia os leitores de tamanha estultice. Todo mundo está careca de saber que determinados assuntos envolvendo determinados integrantes da vida política, social e empresarial do Grande ABC são debatidos e resolvidos exatamente onde Celso Daniel e Sérgio Gomes foram naquela noite de 18 de janeiro de 2002 &#8212; na cinderelesca Capital do Estado, a menos de 50 quilômetros (ida e volta) de Santo André. Celso Daniel e Sérgio Gomes sempre buscaram o anonimato de jantar em São Paulo. Raramente eram vistos em restaurantes no Grande ABC. Tantos outros fazem o mesmo. </p>
<p>Talvez um dia destes pegue ponto por ponto daquele artigo de 2 de novembro do ano passado escrito por Augusto Nunes (&#8221;O caso insepulto assombra o PT&#8221;).  </p>
<p>Hoje fico por aqui com o seguinte desafio a Augusto Nunes e aos promotores criminais que atuaram no Caso Celso Daniel: escolham o espaço público ou privado que quiserem, preparem as baterias e me convidem para um debate sério e responsável sobre a vida e a morte do prefeito de Santo André. </p>
<p>Vou trucidá-los, no sentido figurado, é claro, com a enxurrada de informações, dados e provas materiais sobre a distinção entre uma coisa e outra, ou seja, a administração da Prefeitura de Santo André e o sequestro seguido de morte. </p>
<p>Parem, por favor, de fazer chanchadas ideológicas do caso Celso Daniel. </p>
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		<title>Assassinato de Celso Daniel salva um Pacaembu inteiro em sete anos</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 18:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Marco zero na reestruturação da política de segurança pública do Estado de São Paulo, entregue às baratas de Direitos Humanos que se confundiram com negligência e frouxidão, o assassinato de Celso Daniel completa oito anos neste 20 de janeiro com saldo de ter poupado a vida de pelo menos 33.335 paulistas em sete anos, entre 2002 e 2008. Somente por isso, fosse a Imprensa menos óbvia, repetitiva, comodotizada e desatenta, já valeria a pena lembrar a data. Toda a obra intelectual e administrativa do maior prefeito que o Grande ABC já conheceu, portanto, poderia ser jogada às traças, como o foi pela maioria dos veículos de comunicação desde que Celso Daniel foi morto. Preferiu-se, sempre, o espólio da espetacularização do crime.  </p>
<p>Vou explicar como cheguei a um Pacaembu inteiro de potenciais vítimas que escaparam de homicídios no Estado de São Paulo. Do total, nada menos que 2.821 seriam contabilizadas nos sete municípios do Grande ABC. Quantidade suficiente para lotar o Teatro Municipal de Santo André em show artístico de sessão única durante uma semana inteira. </p>
<p>Antes de detalhar a metodologia que culminou com o Pacaembu lotado de sobreviventes da criminalidade paulista é preciso reforçar os enunciados preventivos a eventuais leitores precipitados ou mal acostumados com textos digitais e impressos quase sempre superficiais. </p>
<p>O rompimento da política de segurança pública do governo Geraldo Alckmin naquele janeiro de 2002, quando Celso Daniel foi encontrado morto numa estrada vicinal de Juquitiba, na Grande São Paulo, virou a gota dágua que faltava para transpor os limites do copo de paciência de algo entalado nos comandos policiais. O secretário Marco Vinício Petrelluzzi, nomeado em fevereiro de 1999 pelo então governador Mário Covas, não agradava às forças policiais. As tropas estavam desaparelhadas, é verdade, os soldos seguiam ritual ofensivo às responsabilidades funcionais e à qualidade de vida do efetivo, sem dúvida, mas a contrapartida a eventuais excessos nos embates com facções criminosas era extremamente desestimulante. </p>
<p>Marco Vinício Petrelluzzi foi demitido logo após o catártico sepultamento do corpo de Celso Daniel. Mais de 100 mil pessoas foram às ruas de Santo André. O crime teve repercussão internacional. Só alguns dias mais tarde é que se iniciou o plano diversionista de conduzir o enredo de crime comum para o campo político-administrativo. Afinal, a disputa pelo governo do Estado dominaria a pauta política daquela temporada. Celso Daniel era um dos homens de ouro do candidato Lula da Silva à presidência da República. Coordenador-geral do programa de governo do petista, após consagrar-se no encontro nacional do partido dois meses antes em Recife, Celso Daniel era estrela ascendente. Eleito Lula da Silva, seria o ministro do Planejamento, que teria status valorizadíssimo no organograma do Palácio. Antonio Palocci o sucedeu com semelhante discrição mas, embora bem articulado, sem o mesmo brilho. </p>
<p>Quando Celso Daniel morreu naquele janeiro de 2002 e o Partido dos Trabalhadores fez um escarcéu tremendo contra o caos criminal em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin lançou mar adentro a indumentária politicamente correta de Direitos Humanos. Apeou da secretaria o cortez Petrelluzzi e nomeou o implacável promotor público Saulo de Castro Abreu Filho. Daí em diante o governador paulista endureceu para valer o jogo e os números gerais de criminalidade despencaram. Também colaborou para esse resultado o acordo entre facções criminais e policiais civis e militares de preservação das cidadelas de tráfico de entorpecentes. Criaram-se códigos de honra que só são quebrados quando alguém pisa na bola da ganância e da esperteza. Aí o pau quebra.  </p>
<p>Quando deixou o cargo, Marco Vinício Petrelluzzi carregou comboio de críticas &#8212; até porque, defenestrado, tornou-se símbolo da reação de um Geraldo Alckmin visto como leniente. Os índices de sequestro sob Petrelluzzi aumentaram em quase 400% no Estado. Havia clamor público à troca de comando na Secretaria de Segurança Pública. O ambiente para o titular da Secretaria de Segurança Pública seguir no cargo era delicadíssimo. Geraldo Alckmin agiu com o pragmatismo dos dirigentes esportivos que, pós-derrota importante, entregam a cabeça do treinador aos torcedores organizados e à mídia provocativa. </p>
<p>Homicídios dolosos são o pedaço mais substancial do tecido de análise de Segurança Pública. A letalidade dos casos dispensa explicações e não há risco de subnotificações expressivas, mesmo admitindo-se desvios estatísticos por conta de métodos de registros e contabilidade viciados, como se denunciaram ainda recentemente. </p>
<p>O impacto das estatísticas de homicídios pode levar qualquer governo ao estresse político e administrativo, com abalos no senso de percepção da sociedade. Naquele janeiro de 2002 de Celso Daniel estirado no chão de terra batida de Juquitiba, os estragos na imagem do governo do Estado foram contundentes. Se homicídios naturalmente já incomodam qualquer governo, imaginem homicídio decorrente de sequestro. Com agravante de sequestro de político importante. Uma combinação gravíssima.</p>
<p>Foi por essas e outras que os petistas resolveram atacar na coletiva à imprensa realizada no Paço Municipal de Santo André quando Celso Daniel estava sequestrado naquele sábado, 19 de janeiro de 2002. </p>
<p>Daí a decisão tucana de contra-atacar e carregar dúvidas sobre o enredo do crime. A mídia comprou acriticamente a contra-ofensiva.  Para desgraça de Sérgio Gomes da Silva, primeiro-amigo do prefeito, que dirigia a Pajero abalroada pelo bando de marginais pés-de-chinelo &#8212; conforme definição de policiais civis que chefiaram as investigações e concluíram, em três inquéritos, por crime comum.  </p>
<p>Feita a troca de comandante e de metodologia, adotando-se linha dura, e também contando com o despertar da maioria dos municípios de regiões metropolitanas paulistas que passaram a investir mais em segurança pública, bem como o governo federal, o que tivemos nos últimos anos foi um despencar dos casos letais. </p>
<p>A base de cálculos para chegar a mais de 33 mil vidas poupadas no Estado de São Paulo são homicídios dolosos registrados no ano imediatamente anterior ao assassinato de Celso Daniel: em 2001, a Secretaria de Segurança Pública apontou 12.475 assassinatos no Estado de São Paulo, dos quais 949 no Grande ABC. Se adotássemos a média de homicídios de cinco anos anteriores, a base de cálculo seria ainda maior, mas faltam números estaduais no portal da SSP. Os do Grande ABC tenho nos arquivos. Chegamos a perto de 1,5 mil assassinatos numa única temporada. </p>
<p>Voltando à contabilidade explicativa, em 2008 o total de homicídios no Estado de São Paulo caiu para 4.426, poupando-se, portanto, 8.049 vidas em relação à temporada de 2001. No Grande ABC foram 369 assassinatos, ou 580 vidas preservadas em relação a 2001. </p>
<p>Como cheguei, então, às mais de 33 mil potenciais vítimas salvas pela repercussão e pelas providências pós-morte de Celso Daniel? Somei todos os assassinatos registrados entre 2002 e 2008 (53.990) e dividi por sete (os sete anos pesquisados), chegando à média anual de 7.712. Contrapondo esse resultado aos 12.475 casos registrados em 2001, cheguei à redução média anual de 38,18%. Um pouco menos que a redução média anual registrada no Grande ABC (42,46%). </p>
<p>Quando se acrescentarem os números do ano passado, ainda não disponíveis no site da Secretaria de Segurança Pública, teremos lotado o Pacaembu. Quem quiser imagem mais realista do que isso significa, espere até o dia 24 de fevereiro próximo quando o Corinthians estréia na Taça Libertadores. </p>
<p>A morte de Celso Daniel completa oito anos hoje sob o silêncio do descaso generalizado de uma sociedade que não preserva a memória nem de quem teve a estatura pública do maior prefeito da história do Grande ABC. Não terá sido em vão. É um consolo para tentar preencher o vazio institucional de políticas integracionistas de um Grande ABC dividido em sete pedaços diferentes e, apesar dos esforços individuais, incapaz de juntar-se em projeto comum. </p>
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		<title>Rotatividade sorteada é melhor  saída para Clube dos Prefeitos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 18:43:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Só existe um maneira de evitar que o controle presidencial do Clube dos Prefeitos do Grande ABC permaneça na bitola estreita de jogo de cartas partidárias marcadas ou no mínimo um jogo em que, legítimos ou não, interesses partidários aflorem e dominem a cena: que seja aprovada uma resolução dos atuais comandantes dos Paços Municipais que introduza como cláusula pétrea o critério de rotatividade sorteada. O sistema convencional, adotado desde 1990, quando da criação do Clube dos Prefeitos, de rotatividade relativa e politizada, não é o mais recomendado. </p>
<p>Os conflitos entre petistas e tucanos autênticos ou disfarçados que dominam a cena regional como consequência de nuances eleitorais que se aproximam precisam ser minimizados. A saída é o consenso em torno da rotatividade programada. </p>
<p>É fácil sim de resolver essa pendenga que destila mais idiossincrasias no ambiente da principal entidade pública do Grande ABC ou daquela que deveria ser a principal entidade pública do Grande ABC: sorteia-se para as próximas três administrações &#8212; os dois anos dos atuais mandatários e os oito anos dos mandatos que virão a partir de 2012 &#8212; a ordem cronológica presidencial por Município.  </p>
<p>Será que interessa aos atuais prefeitos, ou aos prefeitos que em conjunto detêm o controle temporário do Clube dos Prefeitos, essa prova de desprendimento em favor de menos ebulição e mais racionalidade à frente da instituição? </p>
<p>Tenho dúvidas, mas acredito no bom senso do prefeito Clóvis Volpi, virtual sucessor de José Auricchio Júnior, de São Caetano. O titular do Paço de Ribeirão Pires é o indicado pelos demais três prefeitos não-petistas da região. Com o próprio voto, alcançaria a maioria necessária num colégio eleitoral de apenas sete titulares. </p>
<p>Por mais que se tente argumentar que o almoço realizado há 15 dias entre os quatro prefeitos tucanos ou aliados dos tucanos no Grande ABC foi apenas um encontro informal, ninguém resistirá à lógica de que se tratou de fato de uma prévia do resultado a ser homologado para o comando do Clube dos Prefeitos. </p>
<p>Além de Clóvis Volpi e de José Auricchio Júnior, também participaram Aidan Ravin (de Santo André) e Kiko Teixeira (de Ribeirão Pires). Os prefeitos petistas não foram convidados. Argumenta-se que tanto Oswaldo Dias (de Mauá) quanto Luiz Marinho (de São Bernardo) estavam em férias e que Mário Reali, de Diadema, corria atrás da tentativa de atenuar as dores da mãe, que acabou falecendo neste último domingo. </p>
<p>Não acredito na versão de encontro informal quando se percebe que o noticiário do Diário do Grande ABC foi declaratório na definição do resultado de uma votação formalmente marcada apenas para fevereiro. </p>
<p>Tratou-se sim de posicionamento público de tucanos e tucanos dissimulados para manter a visibilidade do Clube dos Prefeitos na tonalidade azul, contra o vermelho petista. </p>
<p>Talvez não fosse diferente se o PT contasse com maioria de votos. Provavelmente agora os petistas comecem a entender porque se utilizaram tanto marketing e aparatos eleitorais da pesada no segundo turno que levou Aidan Ravin à mais surpreendente vitória no País, depois de terminar o turno inicial com apenas 21% dos votos válidos. </p>
<p>A expectativa de que o Clube dos Prefeitos passe a contar, portanto, com lideranças previamente definidas por Município, enseja outra vantagem, além de reduzir a carga de adrenalina nos bastidores: permitiria ao representante do Executivo que ocupará a presidência na sequência cronológica sorteada provável maior interação com temáticas ali debatidas, além de, claro, preparar-se tendo o tempo como aliado.</p>
<p>Quem conhece as entranhas do Clube dos Prefeitos sabe que o presidente se dedica arduamente ao mandato, enquanto os demais atuam como vice-prefeitos, em cargo de expectativa. É por isso que o Clube dos Prefeitos produziu tão pouco em duas décadas de atividades. Aliás, já escrevi sobre isso e até formulei proposta de mudança que, como se sabe, foi descartada. </p>
<p>Já que a eleição de Clóvis Volpi está tão encaminhada quanto a convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Seleção Brasileira (ou seria Dunga um cabeçudo que preferiria o tosco Júlio Batista, por exemplo?) nada mais providencial que o próximo presidente do Clube dos Prefeitos tomar a iniciativa de levar adiante a proposta de rotatividade programada. Do sorteio para se definir os próximos cinco comandantes da instituição, ficariam de fora tanto ele quanto o atual presidente, José Auricchio Júnior. </p>
<p>Com o rodízio instalado e com a definição dos próximos 10 titulares por sorteio, obter-se-ia outra vantagem: não haveria espaço para a reeleição. </p>
<p>Parece tão simples tudo isso, não é mesmo? Esse é o problema quando se está em jogo a disputa por votos para deputado, governador, senador e Presidente da República. Quem está com a faca e o queijo na mão de uma maioria inescapável joga para o futuro eventuais mudanças que, com novos personagens, acabam se perpetuando porque sete é número ímpar e alguma agremiação partidária &#8212; como o PT no passado &#8212; vai comandar as ações estratégicas.</p>
<p>Clóvis Volpi tem uma grande oportunidade para mudar esse histórico de mesmice e de conflituosidade. Se José Auricchio Júnior não o fizer antes, mandato que ainda exerce. </p>
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		<title>Maior homenagem a Celso Daniel  é relembrar legado regionalista</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/maior-homenagem-a-celso-daniel-e-relembrar-legado-regionalista/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 19:16:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevi tanto sobre Celso Daniel &#8212; muito mais que qualquer outro jornalista deste País &#8212; que às vésperas de se completarem oito anos desde que seu corpo foi encontrado numa estrada vicinal em Juquitiba, na Grande São Paulo, a melhor homenagem que poderia fazer àquele que foi o maior prefeito do Grande ABC é relembrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevi tanto sobre Celso Daniel &#8212; muito mais que qualquer outro jornalista deste País &#8212; que às vésperas de se completarem oito anos desde que seu corpo foi encontrado numa estrada vicinal em Juquitiba, na Grande São Paulo, a melhor homenagem que poderia fazer àquele que foi o maior prefeito do Grande ABC é relembrar o quanto foi superlativo. </p>
<p>Quando afirmo que Celso Daniel é o maior homem público da história do Grande ABC não cometo injustiça alguma a eventuais concorrentes. Celso Daniel foi folgadamente o gerenciador público que mais pensou e se dedicou à regionalidade. Não vejo nenhum outro que se aproxime dele. Se foi o melhor prefeito de Santo André é outra história. Do Grande ABC, foi disparadamente. A abundância intelectual de Celso Daniel era tão intensa que, mesmo sem dirigir o Município economicamente mais importante da região, título que cabe a São Bernardo, transbordou em influência. </p>
<p>O assassinato de Celso Daniel foi traumático para quem sonhava com um Grande ABC menos provinciano. E o dia seguinte se tornou lamentável, porque o Grande ABC mais provinciano ficou. </p>
<p>Recupero nos arquivos da revista LivreMercado que dirigi por 19 anos &#8212; e cujo acervo editorial pertence a mim &#8212; o texto que preparei ainda sob forte emoção durante os dias que se seguiram ao assassinato do então prefeito de Santo André. Não há registro de algo semelhantemente denso. Movam céus e terra, procurem no Google e vejam que do Celso Daniel administrador público a mídia, de maneira geral, pouco sabe. </p>
<p>Quanto mais me envolvo com determinado assunto, mais esqueço os ponteiros do relógio, mais desprezo o final de semana, mais me desligo do restante do mundo. Por isso, quando Celso Daniel foi encontrado morto naquele domingo, 20 de janeiro de 2002, juntei todas as forças para preparar tanto a Reportagem de Capa de fevereiro de LivreMercado como também para dar continuidade e encerramento a uma empreitada que, coincidentemente, iniciara naquela sexta-feira, 18 de janeiro, algumas horas antes de Celso Daniel ser sequestrado: começara a escrever o livro &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221;. </p>
<p>Quando fechei editorialmente a edição de fevereiro, naquele final de janeiro, além da Reportagem de Capa que analisava o legado de Celso Daniel à frente da Prefeitura de Santo André e também de instâncias regionais, encerrava o último capítulo de &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221;. Estava física e emocionalmente extenuado. Mas com o sentimento de dever cumprido. </p>
<p>Em 16 de abril daquele mesmo ano, numa noite de gala no Teatro Municipal de Santo André, lançamos &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221; após leitura dramática de atores de verdade, gente de gabarito. Como Milton Andrade, que acaba de nos deixar. </p>
<p>O livro ganhara dramaticidade e cristalizou-se como homenagem a Celso Daniel. A criminalidade naqueles dias no Estado de São Paulo de sequestros fluviais fizera uma vítima graduadíssima. Tanto que caiu o secretário de Segurança Pública que expressava a filosofia de Direitos Humanos e entrou em campo um linha-dura. Entretanto, os indicadores criminais do Estado só melhoraram com investimentos em infra-estrutura de apoio às ações policiais e participação dos próprios municípios. </p>
<p>Incorporar aquele texto que preparei para LivreMercado a este endereço de jornalismo é uma oportunidade de ouro que o oitavo aniversário da morte de Celso Daniel obriga.  </p>
<p>Nenhum outro jornalista conseguiu infiltrar-se tanto na vida administrativa de Celso Daniel, porque, entre outras razões, o assassinato reduziu a importância que deixou para as próximas gerações: de maneira geral, a Imprensa se preocupou apenas com o espetáculo policial do crime, iniciando-se, já em janeiro, mesmo que sutilmente, série de especulações sobre a motivação do caso. Algo que se avolumou na sequência até chegarmos a extremismos de irresponsabilidade que se perpetuaram na imaginação da sociedade.</p>
<p>É verdade também que meu trabalho foi facilitado porque vinha acompanhando atentamente Celso Daniel. Ao contrário do que imaginam os leitores, tive com ele alguns embates que jamais ultrapassaram o terreno da civilidade &#8212; como todos os meus eventuais embates não ultrapassam. </p>
<p>Para dizer a verdade, a grandeza de Celso Daniel aos meus olhos se fortaleceu na exata medida em que o vi maduro às críticas como também a refazer o receituário gerencial que aplicou na primeira gestão à frente da Prefeitura de Santo André, entre 1989 e 1992, quando o PT ainda vivia fase de puberdade político-administrativa. Alguns arroubos de um socialismo já em desuso em praças internacionais mais arejadas foram   reformatados quando Celso Daniel voltou à Prefeitura, após vencer as eleições de 1996. </p>
<p>Celso Daniel estava muito à frente da maioria dos políticos tupiniquins que agem com a soberba dos intocáveis. Não esqueço daquela tarde no auditório do então Imes de São Caetano, quando se pretendia debater os 10 anos da criação do Clube dos Prefeitos, entidade que este jornalista ainda chamava de Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Irritei-me como palestrante com a placidez de um Celso Daniel de discurso extremamente morno, cor-de-rosa. Até parecia que o Grande ABC vivia momentos de glória. Cheguei à redação e produzi um texto ácido contra a política de boa-vizinhança de Celso Daniel. Mas, convenhamos, ele estava certo em proteger seus pares de gerenciamento público tanto quanto eu estava corretíssimo na tonalidade mais forte que apresentei. Vivíamos mundos diferentes. </p>
<p>Dias depois, lá estava o prefeito de Santo André, o grande homem público do Grande ABC, entre os três mil convidados da festa de lançamento da primeira versão do livro &#8220;Nosso Século XXI&#8221;, que coordenei e organizei juntamente com a jornalista Malu Marcoccia. </p>
<p>Celso Daniel era um dos 27 articulistas do ensaio. Acompanhado de Ivone Santana, ocupou a mesa individual para atender aos convidados. Foi a maior noite de autógrafos coletivos do Grande ABC. </p>
<p>Celso Daniel, como os demais articulistas, também foi ao palco para receber homenagem. Na semana seguinte, cumprimentei Celso Daniel com brevidade mas com carinho após a inauguração do prédio da Justiça Federal em Santo André. Celso Daniel estava acompanhado do segurança. Dei-lhe um abraço e soltei uma frase que jamais esquecerei, porque foi a última que lhe pude dirigir e a primeira no tom afetuoso que ele tanto merecia: &#8220;Esse é o maior prefeito da região&#8221;. Coisa estranha, porque jamais mantive com Celso Daniel tratamento que não fosse quase cerimonioso.   </p>
<p>Vou postar amanhã neste espaço aquela histórica reportagem pós-morte de Celso Daniel. Uma homenagem sincera a quem está fazendo muita falta ao Grande ABC. Há algumas primas-donas por aqui que não serviriam para lustrar os sapatos de Celso Daniel, mas agem como imperadores, arrogantemente presos a mandatos conferidos pelo povo, é verdade, mas que mais dia, menos dia, vão se encerrar. E não deixarão saudade. </p>
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		<title>Fantástico recoloca trânsito  na pauta do bom jornalismo</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 19:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Somente um louco &#8212; como alguns idiotas ou covardes juramentados fazem alusão a este jornalista &#8212; teria a desfaçatez (que não passa de senso de responsabilidade social) de alçar à Reportagem de Capa, em maio de 2001, algo que desse suporte à implantação do sistema de radares. Vivíamos em plena efervescência de críticas ao modelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Somente um louco &#8212; como alguns idiotas ou covardes juramentados fazem alusão a este jornalista &#8212; teria a desfaçatez (que não passa de senso de responsabilidade social) de alçar à Reportagem de Capa, em maio de 2001, algo que desse suporte à implantação do sistema de radares. Vivíamos em plena efervescência de críticas ao modelo de gerenciamento de trânsito de Santo André, então sob o controle de Celso Daniel. Sim, os radares eram a face mais visível e controvertida do que parte da mídia interessadíssima em queimar o prestígio de Celso Daniel chamava de &#8220;indústria da multa&#8221;, uma meia-verdade que se pretendia verdade inteira.</p>
<p>Meia-verdade porque havia exageros, como há até hoje em qualquer um de mais de três centenas de municípios que adotaram sistemas semelhantes, mas o bem maior, a vida humana, estava acima de tudo.</p>
<p>A partidarização contaminava o ambiente em Santo André. Por isso, sair em defesa de um trânsito minimamente organizado era heresia para os conservadores. É por essas e outras razões semelhantes que há conservadores que querem me ver pelas costas. Eles jamais admitiram ser contrariados. É por essas e outras que se construiu minha fama de polêmico. Como se cumprir rigorosamente os bons fundamentos do jornalismo social fosse sinal de anomalia, inclusive de debilidade emocional.</p>
<p>Para os conservadores de direita ou para os supostos revolucionários de esquerda que não admitem o contraditório, bem-aventurados pela biologia são apenas os fazedores de média da mídia, é claro.</p>
<p>Volto ao passado porque assisti domingo a reportagem do Fantástico, da Globo, sobre as 100 mortes diárias contabilizadas no trânsito verde e amarelo. A montanha de vítimas não é novidade, até porque já foi bem maior, mas sempre choca, sobretudo quando se coloca o peso da competência de profissionais e da influência da melhor emissora de TV do País a serviço de um bem precioso, como a informação socialmente indispensável.</p>
<p>Não resisti à ideia de republicar neste veículo aquela matéria de capa que pautei e foi muito bem produzida por Vanilda de Oliveira, repórter de LivreMercado naquele maio de 2001 &#8212; portanto há quase 10 anos. Esse material espelha bem o que foram os 19 anos de LivreMercado, revista que morreu no ano passado, substituída por Livre Mercado, do contabilista Walter Sebastião dos Santos.</p>
<p>Competia-me a edição do material, ou seja, dar a embalagem editorial daquele texto. Não tive dúvida em instalar na capa o secretário de Serviços Urbanos de Santo André, Klinger de Souza, confortalmente debruçado sobre um equipamento de radar e um título provocativo: &#8220;Dói, mas salva&#8221;. Mal conhecia o secretário até então, segundo vereador mais votado no Grande ABC na temporada anterior, menino dos olhos de Celso Daniel para a sucessão municipal. E provável sucessor de Celso Daniel não fosse a pedra no caminho de Celso Daniel. Uma pedra no caminho que neste 18 de janeiro vai completar oito anos.</p>
<p>Sei muito bem o que ouvi de terceiros &#8212; porque diretamente a quase totalidade dos detratores não tem peito para ofensa porque sabe que terá troco &#8212; quando a revista começou a circular. Os embates entre esquerda e direita em Santo André sempre foram emblemáticos. Como sempre fiquei à margem de disputas eleitorais, sem jamais ter-me filiado a qualquer partido, senti-me plenamente à vontade para pautar aquela reportagem e, mais que isso, repassar o conceito que prevaleceria no texto sem torturar a verdade dos fatos: as virtudes da política de trânsito em Santo André seriam sempre mais importantes que os defeitos, embora estes não pudessem e não devessem ser, jamais, deslocados ao acostamento da responsabilidade informativa.</p>
<p>Aquela reportagem que assumidamente trataria da defesa da humanização no trânsito era a cara editorial deste jornalista que jamais fica em cima do muro &#8212; para desgosto dos pobres de espírito e dos manipuladores de fatos e versões; ou para os falseadores do jornalismo autêntico, que fazem da média requentada ou da denúncia seletiva espécie de salvo-conduto para continuar gerindo seus veículos de comunicação sob a estrita obediência de ditames negociais nada republicanos.</p>
<p>Uma década pode parecer pouco tempo para muitas coisas, mas para reformular o ambiente social na avaliação dos efeitos de políticas de trânsito é mais do que suficiente a reviravoltas. Mesmo com o continuado exagero em alguns pontos que não passam mesmo de pegadinhas, há conscientização geral de que veículo não pode ser ferramenta de abusos de motoristas desalmados ou descuidados.</p>
<p>Entretanto, naquele 2001, a barulheira orquestrada por uma minoria organizada que politizava a questão transmitia a sensação de que toda a população de Santo André estava em pé de guerra contra os radares. Uma tremenda bobagem, como mostram os números daquela reportagem sob o título que também está logo abaixo nesta página inicial de CapitalSocial: <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/doi-no-bolso-mas-ajuda-a-salvar-vidas/">Dói no bolso, mas ajuda a salvar vidas</a>.</p>
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		<title>O que teremos depois da  Década da Orfandade?</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 19:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho a menor sombra de dúvida de que a expressão que mais se aproxima da realidade do Grande ABC entre os anos 2000 e 2009 é Década da Orfandade. A dúvida que tenho é o que virá nesta nova fornada do calendário gregoriano que se iniciou neste 2010 e se seguirá até 2019. 
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho a menor sombra de dúvida de que a expressão que mais se aproxima da realidade do Grande ABC entre os anos 2000 e 2009 é Década da Orfandade. A dúvida que tenho é o que virá nesta nova fornada do calendário gregoriano que se iniciou neste 2010 e se seguirá até 2019. </p>
<p>O que nos reserva o futuro regional? Já está na hora de reação, porque o poço tem secado faz um bocado de tempo. Depois da Década da Industrialização nos anos 1950, passando pela Década da Consolidação nos anos 1960, chegamos à Década do Inconformismo nos anos 1970, atingimos a Década do Estremecimento nos anos 1980, até alcançarmos a Década do Esvaziamento nos anos 1990. Depois da Década da Orfandade, o que teremos? &#8212; insisto na pergunta. </p>
<p>Teremos finalmente a Década da Recuperação?</p>
<p>Ou viveremos mais um longo capítulo de derrocadas com a Década da Frustração? </p>
<p>Talvez fosse desnecessário, mas não custa repetir que tudo a que me refiro se prende ao Grande ABC de sete municípios e de 2,6 milhões de habitantes. Não vejo Município por Município quando se trata de qualquer coisa que faça referência ao Grande ABC. Exceto quando o individual for importante para o coletivo. </p>
<p>Meus olhos, portanto, são como os olhos do consumidor, do trabalhador, do investidor. Grande ABC é uma coisa só. </p>
<p>O problema é que, forçados pelas circunstâncias de que têm de responder aos respectivos eleitores, os administradores públicos não dão muita bola para o que ocorre além das fronteiras municipais. Sem massa de regionalistas minimamente respeitável, jamais eles se mobilizarão de fato além-fronteiras. </p>
<p>Por que Década da Orfandade?</p>
<p>A resposta é temporalmente apropriada, porque o enquadramento dos anos que começaram em 2000 e se encerraram em dezembro último se refere à luminosidade do homem público que mais pensou e trabalhou em torno do Grande ABC &#8212; até que se cansou antes mesmo de morrer. Completa-se na próxima quarta-feira o oitavo aniversário da morte física de Celso Daniel. </p>
<p>E apesar de todas as tentativas, a morte doutrinária está longe de ocorrer. Pelo menos resistirá enquanto houver um único regionalista que tenha vivido a experiência pessoal ou profissional de acompanhar os passos de um Celso Daniel que despertava tanto respeito, admiração e entusiasmo quanto inveja e idiossincrasias. É sempre assim e será sempre assim a reação dos medíocres de carteirinha. </p>
<p>O Grande ABC viveu uma Década da Orfandade porque os legados de regionalismo de Celso Daniel ficaram relegados a terceiro plano. Algumas ações públicas caricaturais provam que não adianta nada o repasse da fórmula da macarronada da Nona sem a Nona na cozinha. </p>
<p>Celso Daniel deixou as estruturas de um Grande ABC que precisava se encontrar com o sentido de regionalidade mas ninguém foi capaz de desenvolver políticas públicas que chegassem próximas do mínimo indispensável. </p>
<p>Tanto que continuamos nadando, nadando e morrendo na praia. O trecho sul do Rodoanel é um bom exemplo da incúria regional e metropolitana: vai chegar agora em março e não tivemos capacidade alguma de preparar o terreno para ganhos sistêmicos planejados a potencializar os pontos positivos e amenizar os riscos de a mão de investimentos privados seguir invertida, favorecendo outras áreas geoeconômicas, agora com mais mobilidade logística.  </p>
<p>A Década da Industrialização dos anos 1950 marcou a chegada de montadoras de veículos e de um parque de autopeças robusto. </p>
<p>Nos anos seguintes, da Década da Consolidação, entre 1960 e 1969, tivemos um Grande ABC com notável crescimento econômico e social. Mobilidade social mesmo diante de fluxo migratório intenso foi mais que possível. </p>
<p>No final dos anos 1970 tivemos a força grevista dos metalúrgicos comandados por Lula da Silva. Daí a Década do Inconformismo. As relações entre capital e trabalho eram tremendamente desiguais. </p>
<p>A Década do Estremecimento marca os anos 1980, porque foi um período de espalhamento do ímpeto sindical, que atingiu indistintamente grandes, médias e pequenas empresas. Com direito a exageros de lado a lado e de cristalização de ambiente bélico nas relações trabalhistas. </p>
<p>Os anos 1990 foram os mais tormentosos para o Grande ABC, daí a Década do Esvaziamento. Perdemos mais de 100 mil empregos industriais com carteira assinada. Menos Fernando Collor de Mello com a abertura dos portos, e mais Fernando Henrique Cardoso com medidas de sustentação do Plano Real e de desconsiderar o gradualismo como ação preventiva ao tecido industrial, promoveram um desastre econômico nesse território. Perdemos um terço do Produto Interno Bruto industrial. 	</p>
<p>Repetindo, então, o ciclo econômico e social do Grande ABC desde que as primeiras montadoras de veículos chegaram a este território:</p>
<p>Década da Industrialização, Década da Consolidação, Década do Inconformismo, Década de Estremecimento, Década do Esvaziamento e Década da Orfandade. </p>
<p>Notaram que já há quatro décadas estamos patinando e despencando, patinando e despencando?</p>
<p>Notaram que estamos sobrevivendo economicamente, com todos os percalços sociais que isso significa, graças principalmente aos alicerces já deteriorados que construímos entre os anos 1950 e 1970? </p>
<p>Temos comido o pão que o diabo amassou ao longo das últimas quatro décadas e não somos capazes de reagir porque a ficha demora a cair aonde o pão escasseia mas não falta. </p>
<p>Despencamos no ranking de geração de riquezas mas ainda enchemos o peito para gargantear grandeza. De participação no PIB nacional de 4,78% em 1970 caímos para 2,39% em 2007 (últimos dados disponíveis) &#8212; e ainda achamos que somos os tais. </p>
<p>Perdemos em números relativos e em números absolutos. </p>
<p>Ou seja: somos menos importantes para o Brasil porque o Brasil mesmo fraquejando cresceu mais que o Grande ABC e somos menos importante para o Brasil também porque perdemos capacidade de produzir riqueza quando nossos números são confrontados com nossos próprios números. </p>
<p>Somente os incautos ainda oferecem credibilidade a ladainhas de palanque que alardeiam, por exemplo, que somos a melhor esquina do Brasil, só porque o Rodoanel está prestes a chegar por aqui. Como a melhor esquina do Brasil se nada, absolutamente nada, foi organizado para preparar essa mesma esquina para a chegada do Rodoanel?</p>
<p>Mais que isso: entregaram essa suposta esquina à sanha de especuladores imobiliários.  </p>
<p>Não vejo nada no horizonte regional, nem mesmo no cantado caráter salvacionista do Pré-Sal, que possa me embalar no sentido de que teremos uma Década da Recuperação a partir deste 2010. Onde falta institucionalidade, o sentimento de periferia, de gataborralheirismo, dificilmente desgruda da alma. </p>
<p>Falta honestidade à maioria dos agentes públicos, privados e sociais para dizer à sociedade o que lastimam nos bastidores: o Grande ABC, mesmo nesta etapa de intensa atividade automotiva, é um ponto fora da perspectiva de um Brasil aparentemente pronto para decolar rumo aos primeiros postos do ranking internacional &#8212; como é a perspectiva de chegar ao quinto maior PIB do planeta ao final de 2015. </p>
<p>Longe de apresentar-se como leitura pessimista ou catastrofista, o que nos move a costurar o futuro é o latente inconformismo por não sermos capazes de produzir uma sociedade com grau de rebeldia que possa sacudir as lideranças que se encastelam em postos-chave. </p>
<p>As individualidades que tentam aqui e acolá alterar o rumo dos acontecimentos são duramente punidas e muitas acabam se dobrando à maioria quase absoluta que mantém um jogo de espelhos embaçados, disformes, mas, por ser maioria, se acha perfeitamente adequada à plástica comunitária. Os esquisitos são os outros, normais apenas em sociedade mais maduras e responsáveis.  </p>
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		<title>Alô, alô, inconformados!</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A arma dos acovardados sociais que permanecem em silêncio &#8212; quando não em tratativas divisionistas &#8212; diante de fatos que exigem tomada de posição é apontar os poucos que se manifestam como supostos agentes do mal, contra os quais, aliás, não faltam injúrias e difamações. Por isso é ótimo anunciar que no pequeno batalhão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A arma dos acovardados sociais que permanecem em silêncio &#8212; quando não em tratativas divisionistas &#8212; diante de fatos que exigem tomada de posição é apontar os poucos que se manifestam como supostos agentes do mal, contra os quais, aliás, não faltam injúrias e difamações. Por isso é ótimo anunciar que no pequeno batalhão de regionalistas que não perdem o senso de responsabilidade social está a escritora e agitadora cultural Dalila Teles Veras. Pobre Dalila que, como este pobre Daniel, insiste em sensibilizar gente que perdeu completamente o respeito pelos cargos que exercem, pelos descendentes que deixarão.</p>
<p>O texto que Dalila Teles Veras escreveu no final do ano passado e que está publicado no endereço eletrônico pelo qual responde como reduto em defesa da cultura regional é um bálsamo para este jornalista.</p>
<p>Tomei conhecimento do assunto ontem, quando efetivamente voltei de férias, e me dei ao trabalho diário de vasculhar os endereços eletrônicos de minha seletiva preferência. Lá está Dalila, inesgotavelmente contundente, para fazer um balanço no Núcleo Estratégico de Cultura do Clube dos Prefeitos.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Para quem, como eu, participa da vida cultural da região há 30 anos, é sempre desanimador constatar que, após a luta para galgar dois degraus, despencamos cinco. É como se estivéssemos praticando um alpinismo constante num terreno improvável, no qual jamais se alcança o topo, típica tarefa de Sísifo &#8212; escreveu Dalila Teles Veras.</p>
<p>Seria ótimo se além de Dalila outras cabeças pensantes do Grande ABC se mobilizassem para ocupar veículos digitais já disponíveis ou blogs a serem construídos. Precisamos aumentar a densidade de inconformismo e não podemos depender dos veículos de comunicação tradicionais ou mais recentes do Grande ABC, porque a maioria não tem compromisso com a essencialidade de liberdade de expressão &#8212; apenas com a liberdade de expressão que interessa ao dono do negócio.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Em março de 2008, o Grupo de Trabalho Cultura no Consórcio, coordenado pela primeira vez por um representante da sociedade civil, conseguiu o feito de reunir sete secretários municipais de cultura que, à época, encontravam-se no último ano de suas respectivas gestões públicas e curiosamente sequer se conheciam pessoalmente, muito menos haviam, até então, levantado quais possibilidades de ação integrada regional. Pois bem, houve ali uma demonstração de vontade em fazer valer as propostas (apresentadas pela sociedade civil) de revisão do Planejamento Estratégico Regional no eixo da cultura, visando a ações integradas regionais, à cultura como centralidade e transversalidade. Essa vontade foi igualmente manifestada no início deste ano de 2009 pelos secretários que representam as atuais administrações, à época, recem-empossados, bem como durante a Oficina de Planejamento Estratégico do Núcleo Estratégico Cultura promovida pelo Consórcio, realizada nas dependências do Senac. (&#8230;) Apesar dos nítidos esforços do setor administrativo do Consórcio que contratou funcionário com a função específica de acompanhar, sistematizar informações e lhes dar o devido encaminhamento às propostas do NE, pouco se avançou. A apresentação pela sociedade civil do projeto de um Censo Cultural regional amplo, de caráter analítico e quantitativo foi acatada e passou-se a aperfeiçoar esse projeto. Assim como esse, outros projetos e intenções foram debatidos e, lamentavelmente, nenhum deles concluídos. De concreto mesmo, conseguimos que a agenda cultural regional (limitada, até o momento, às atividades bancadas pelo poder público) fosse incluída no Portal do Consórcio. É muito pouco, convenhamos, para dois anos de trabalho &#8212; escreveu Dalila Teles Veras.</p>
<p>Os inconformistas do Grande ABC, entre os quais seria este jornalista hipócrita de carteirinha se não se colocasse nas primeiras filas, não podem mais seguir rumo ao cadafalso do que muitos consideram exotismo intelectual, quando não comportamental, enquanto os prevaricadores, os omissos, os descompromissados, riem às gargalhadas. O desabafo de Dalila Teles Veras na área de cultura é apenas uma fração da ressonância muito mais ampla que outros especialistas de outras atividades humanas certamente acondicionam no saco de paciência de observação do cenário regional que, um dia, certamente, também explodirá.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" />  Tudo continua patinando, simplesmente porque os senhores (as) secretários (as) habitam alguma espécie de cápsula (tomara que seja hiperbárica e esteja oxigenando seus cérebros) que os deixa inacessíveis e incomunicáveis. (&#8230;) A inteligência regional, que não é chamada nem ouvida, está sendo jogada no ralo por essa gente que aceitou um cargo, apenas por vias políticas, via de regra, não sabe exatamente o que fazer com ele. Sua idéia de cultura é a mais simplória possível. Eventos, eventos, eventos&#8230;. Balcão e agenda. (&#8230;) Chega de torrar caraminguás destinados à cultura, contratados a peso de ouro, com a justificativa esfarrapada de que &#8220;é disso que o provo gosta&#8221;. O povo só não gosta do que não conhece e também, por outro lado, conhece coisas que são solenemente ignoradas e descartadas por essa gente que acha que sabe o que o povo gosta &#8212; escreveu Dalila Teles Veras no mesmo artigo.</p>
<p>Ocorre-me a idéia de um levante forjado por gente de boa vontade, com capacidade, discernimento e independência para colaborar de forma crítica, bastante crítica, na reestruturação do ambiente regional. Imaginar que os males que nos atacam estão restritos aos braços econômicos ou ao cérebro cultural é um tremendo engano. Somos um corpo em contínuo processo de metástase. Num momento como esse, de iniciar de um novo calendário gregoriano, a intervenção de Dalila Teles Veras torna-se providencial, porque nos estimula a não esmorecer.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Estou desanimada, é bem verdade (como tantos&#8230;). Estou desanimada, realmente desapontada em ver, a cada mudança de administração pública, apagada a memória de tudo quanto foi discutido e realizado nas gestões anteriores. Estou farta de ouvir gente que não se preocupa com indicadores, desconhece a cidade e suas pulsações, mas jamais desce do palanque, como se permanecesse em eterna campanha para eleição. (&#8230;) Ainda que &#8220;persona non grata&#8221;, continuarei a participar de todo e qualquer movimento que vise a valorização da causa do livro, da leitura, da memória, da cultura, enfim. Espero que a inteligência regional a que me refiro, pessoas com quem convivi/convivo (e também as que não conheço pessoalmente, mas sei que existem), igualmente desapontadas, também não desistam nem se calem &#8212; completou Dalila Teles Veras.</p>
<p>Para completar, estou começando a me interessar por um movimento de gente intelectualmente qualificada para contribuir criticamente com o Grande ABC. A responsável por essa alucinação é Dalila Teles Veras. Ou seriam os oportunistas que saltam de galho em galho para manter seus cargos, seus salários, suas ambições, e nos gozam a todos, pobres inconformistas?</p>
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		<title>Voltando a enxugar gelo?</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:10:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tomara que não, tomara que não, porque não tem coisa pior na vida comunitária do que sentir que estamos eternamente enxugando gelo institucional. E jornalismo é uma função complexa, pelo menos para quem leva a sério a importância de tentar ajudar a mudar algumas ordens estabelecidas. Volto de 15 dias de férias bem mais aliviado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tomara que não, tomara que não, porque não tem coisa pior na vida comunitária do que sentir que estamos eternamente enxugando gelo institucional. E jornalismo é uma função complexa, pelo menos para quem leva a sério a importância de tentar ajudar a mudar algumas ordens estabelecidas. Volto de 15 dias de férias bem mais aliviado do que na temporada anterior. O tempo é mesmo o senhor da razão.</p>
<p>Vamos ao que interessa de fato. E o que interessa de fato é saber se passaremos este 2010 a enxugar gelo no Grande ABC. Elaboro de supetão uma lista de alguns pontos sobre os quais seria ótimo se a região conseguisse oferecer respostas efetivas, acabando-se em muitos casos com o jogo de conveniência, de espertezas, de malandragens, de vagabundagem geral e irrestrita que nos tornam repetitivamente iguais a cada nova temporada, numa sinfonia de improdutividade geral e irrestrita.</p>
<p>Vamos então a alguns desejos de Ano Novo?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Aidan Ravin faça menos marketing e mais obras, porque a sinfonia antipetista tem prazo de validade, como, aliás, qualquer sinfonia anti qualquer coisa, e também porque não há marketing que se sustente apenas pelo marketing. Mesmo numa sociedade tão sofrivelmente reflexiva como a nossa.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Luiz Marinho comece a enxergar o Grande ABC como um todo, porque só assim poderá um dia ser comparado a Celso Daniel, que também pretendeu chegar ao governo do Estado.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito José Auricchio Júnior consolide identidade própria que o catapulte à história de São Caetano, depois de se livrar com coragem e muito trabalho do fantasma de Luiz Tortorello.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Oswaldo Dias tire Mauá das manchetes de saúde alquebrada e ajude a dar respostas ao caos viário na área central quando da chegada do trecho sul do Rodoanel.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Kiko Teixeira não faça apenas do dinheiro alheio, do governo do Estado e do governo federal, o capital de popularidade em Rio Grande da Serra. Há diferença muito grande entre chefe de Executivo e síndico condominial.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que Clóvis Volpi assuma o comando do Clube dos Prefeitos do Grande ABC e prove mais uma vez, com todo o talento individual, que não há mesmo remédio milagreiro de regionalidade efetiva sem o comprometimento da sociedade da região.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a Associação Comercial e Industrial de São Bernardo não seja objeto de louvação desbragada por conta da novelesca inauguração de sede própria, já que do ponto de vista organizacional e estrutural está a quilômetros de distância das necessidades vitais da classe.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o mercado imobiliário tenha alguns sensores que impeçam arroubos de empresários que podem industrializar bolha setorial de consequências inimagináveis.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a mobilização da Frente dos Parlamentares do Grande ABC, o nosso Clube dos Vereadores, não seja mais um furo nágua de proselitismo, como insinuou o final da temporada passada.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC cresça e apareça sem o mascaramento de vender ilusões de pólos tecnológicos que não saem das manchetes de jornais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o novo presidente da OAB de Santo André bote o bloco na rua para saber tim tim por tim tim o que de fato se passou no financiamento da campanha que consagrou Aidan Ravin prefeito em Santo André.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o deputado estadual Orlando Morando seja valorizado por ter trabalhado intensamente pelo trecho do Rodoanel que está chegando ao Grande ABC, mas que não se torne porta-voz de análises enviesadas de olho nas urnas eleitorais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a direção da Universidade Federal do Grande ABC deixe de lado a tentativa de garantir que tem de fato olhado para o território regional quando até as cadeiras da reitoria sabem que a disposição em construir relação sólida com os meios de produção do Grande ABC não ocupa a grade curricular.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que os precatórios parem de infernizar a vida do prefeito Mário Reali numa Diadema domadora das feras de criminalidade que a estigmatizaram.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o Legislativo de São Bernardo tenha sensibilidade para separar interesse político-eleitoral de responsabilidade social nos entrechoques para neutralizar o poder de influência local e regional do governo Luiz Marinho.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que as colunas sociais de jornais e revistas não sejam repetição eterna, enfadonha e irritantemente preguiçosa de figurinhas carimbadas da sociedade regional, muitas das quais apenas produtoras de marolas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a sociedade dê mais valor às Madres Terezas e aos Freis Galvão do que às celebridades empavonadas e endinheiradas que fazem filantropia de migalhas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o Santo André tenha aprendido a lição de que no futebol o passado mesmo que imediato e vitorioso muitas vezes não passa mesmo de uma roupa velha e desbotada sem espaço no desfile de competência da nova temporada.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a sociedade desconfie daqueles que riem à toa e confortavelmente nos endereços gastronômicos mais disputados porque, como lembrou ainda outro dia um intelectual numa entrevista deliciosa, os mafiosos jamais mostram os dentes publicamente, exceto em extravagantes gargalhadas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que as manipulações sobre o PIB do Grande ABC encontrem portas fechadas em redutos cuja responsabilidade social não pode ser objeto de entreguismo ético.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que bem ou mal o Grande ABC se sustente o quanto puder na indústria automotiva, mas que jamais se afaste da imperiosidade estratégica de buscar saídas para o quadro de doença holandesa que já fez muitos estragos e não arrefecerá jamais se não houver alternativas econômicas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a imprensa regional saia da mesmice da comoditização e salte para a qualificação analítica, porque essa história de relatar, relatar, relatar e relatar é para escrivão da Polícia.</p>
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		<title>Boas festas, boas leituras</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/boas-festas-boas-leituras/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 16:27:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Como se já não bastasse o acervo migrado de veículos nos quais exercitamos jornalismo, num processo que coloca este site como melhor endereço regional do País, resolvemos ir mais adiante ainda: corremos contra o relógio e o calendário e decidimos superar a barreira de 600 artigos antes que os festejos de final de ano chegassem. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como se já não bastasse o acervo migrado de veículos nos quais exercitamos jornalismo, num processo que coloca este site como melhor endereço regional do País, resolvemos ir mais adiante ainda: corremos contra o relógio e o calendário e decidimos superar a barreira de 600 artigos antes que os festejos de final de ano chegassem. Até outro dia não passavam de 540. De uma vez incluímos nesta data outros 66 artigos. Pena que ainda não conseguimos descobrir dispositivo tecnológico para medir a produção física dos textos e, dessa forma, traduzir em páginas padrão em formato de revista.</p>
<p>Com a contribuição indispensável de nossa assessoria, que, de fato, colocou a mão na massa, entramos em férias com uma enxurrada de textos. Tanto que chegamos ao total de 648 trabalhos jornalísticos. Não demorará para que, ainda no primeiro semestre de 2010, seja selecionado o milésimo artigo.</p>
<p>Revolucionário como endereço eletrônico, porque alia aos principais temas do Grande ABC do momento um conteúdo histórico sempre sob o rigor da contextualização cada vez mais rara no jornalismo comoditizado destes tempos, CapitalSocial incorpora mais e mais insumos jornalísticos para despertar o interesse de leitores mais qualificados.</p>
<p>Todos os novos textos postados passaram por releitura. Retirá-los do armazenamento original e instalá-los organizadamente neste site foi extenuante. Além da experiência profissional para dar a cada texto o encaminhamento temático correto, exigiu-se de minha assessoria muita transpiração, disciplina e operacionalidade. Felizmente conseguimos.</p>
<p>As novas opções de conteúdo de CapitalSocial são mais que uma saborosa alternativa a quem não gosta de desperdiçar tempo. Lutamos contra o plasma da leitura apressada no mundo digital, sabemos disso. Se já no universo físico de jornais descambou a bobagem do consumo rápido de informações, o que esperar do campo digital, palco de evoluções saltitantes, fragmentadas, dispersivas?</p>
<p>Decidimos apostar no internauta que vai muito além do clique descompromissado ou direcionado a prospecções tão céleres quanto segregadas. Apostamos em leitura qualificada num contexto de informações resguardadas por múltiplas faces de regionalidade. Acreditamos na informação que vira conhecimento. Daí o mote deste site &#8212; leitura para ser impressa.</p>
<p>A experiência no jornalismo impresso comprometido com a sociedade do Grande ABC pesa nestes momentos. A divisão deste endereço no que chamamos de editorias permite aos leitores facilidades do jornalismo impresso. Nossas páginas virtuais estão definidas tematicamente para facilitar a leitura. Basta escolher o cardápio explicitado no alto da primeira página, ou página inicial.</p>
<p>Acreditamos que ainda não chegou a 10% o potencial de suprimento histórico deste site, levando-se em conta o passado deste jornalista e de integrantes da equipe que comandou na revista LivreMercado.</p>
<p>O recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos conseguiu em menos tempo do que se supunha tornar LivreMercado um rastro de saudade. Felizmente, todo o acervo da publicação que dirigi, principalmente os textos mais emblemáticos das mudanças sociais e econômicas, está a salvo. Mais que a salvo: está sendo transposto a este site.</p>
<p>A relação abaixo de matérias que acabamos de integrar a este site é o resultado do esforço para surpreender mesmo os leitores mais assíduos. São tantos os novos textos que não há como resistir à leitura nestes dias de festejos e pós-festejos.</p>
<p>É impossível conhecer o Grande ABC em suas entranhas locais e, igualmente, no contexto nacional e internacional de grandes mudanças que ocorreram nas duas ou três últimas décadas, sem o aparato analítico de CapitalSocial.</p>
<p>Sabemos que o que apresentamos tanto com novas postagens como com as anteriores ainda está muito distante do manancial de resgate, mas, acreditem, está muito acima de outros endereços convencionais e virtuais, pela simples razão de que jamais nos conformamos e nos submetemos a ser simples repositórios de declarações de terceiros.</p>
<p>Boas festas, boas leituras. E vejam o que incluímos no site:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/sera-que-celso-daniel-aceitaria-a-ressurreicao/">Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/quanto-custa-produzir-nossos-celsos-danieis/">Quanto custa produzir nossos Celsos Daniéis?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/caso-celso-daniel-nem-tudo-que-brilha-e-ouro/">Caso Celso Daniel: nem tudo que brilha é outro</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/entrevistas-coletivas-com-celso-daniel-e-com-washington-olivetto/">Entrevistas coletivas com Celso Daniel e Washington Olivetto</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/sao-caetano-e-capital-de-servicos-do-grande-abc/">São Caetano é Capital de Serviços do Grande ABC</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/iptu-pesa-pouco-no-bolso-e-muito-na-politica/">IPTU pesa pouco no bolso e muito na política</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/guerra-fiscal-ganha-ares-de-salvacao-mas-a-realidade-e-bem-diferente/">Guerra fiscal ganha ares de salvação, mas realidade é bem diferente<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/diadema-tudo-pelo-social-diadema-e-o-economico/">Diadema: tudo pelo social. Diadema: e o econômico?</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/vocacao-industrial-requer-planejamento/">Vocação industrial requer planejamento<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/ciranda-politica-de-gilson-e-joses/">Ciranda política de Gilson e Josés<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/administracao-publica/vermelha-de-tijolo-em-tijolo/">Vermelha de tijolo em tijolo<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/lideranca-de-luiz-marinho-nao-pode-ser-desperdicada/">Liderança de Luiz Marinho não pode ser desperdiçada<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/pl-usa-tv-para-exigir-de-empresas-o-que-e-obrigacao-do-estado/">PL usa TV para exigir de empresas obrigação do Estado<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/vote-num-grande-abc-de-compromissos-assinados/">Vote num Grande ABC de compromissos assinados</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/grande-abc-vai-as-urnas-para-eleger-lula-da-silva/">Grande ABC vai às urnas para eleger Lula da Silva</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/por-que-sao-caetano-deu-tantos-votos-a-eneas/">Por que São Caetano deu tantos votos a Enéas?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/teremos-lula-economico-ou-lula-assistencialista/">Teremos Lula econômico ou Lula assistencialista?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/estado-da-grande-sao-paulo-e-a-solucao/">Estado da Grande São Paulo é a solução<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/um-pato-que-vai-voltar-a-ser-fera/">Um pato que vai voltar a ser fera?</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/como-sacudir-sociedade-do-breque-de-mao-puxado/">Como sacudir sociedade do breque de mão puxado?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/agencia-nao-pode-ter-a-cara-individualista-como-agora/">Agência não pode ter a cara individualista como agora<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/breve-relato-sobre-anunciada-morte-do-forum-da-cidadania/">Breve relato sobre anunciada morte do Fórum da Cidadania<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/sao-bernardo-ganha-uma-sao-caetano-em-sete-anos/">São Bernardo ganha uma São Caetano em sete anos<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/ciesps-tambem-estao-em-divida-com-a-comunidade/">Ciesps também estão em dívida com a comunidade</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/ja-imaginaram-a-regiao-com-uma-unica-entidade-empresarial/">Já imaginaram a região com uma única entidade empresarial?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/os-caes-de-aluguel-de-nossa-sociedade/">Os cães de aluguel de nossa sociedade</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/marketing-cultural-e-bom-negocio/">Marketing cultural é bom negócio<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/em-que-tipo-de-cidadao-afinal-voce-se-enquadra/">Em que tipo de cidadão, afinal, você se enquadra?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/um-casarao-agora-cheio-de-historias/">Um casarão agora cheio de histórias</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/montoro-garante-saida-a-invasores-do-centreville/">Montoro garante saída a invasores do Centreville</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/informalidade-domina-as-esquinas-do-grande-abc/">Informalidade domina esquinas do Grande ABC<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/contrapontos-para-testar-nosso-grau-de-maturidade/">Contrapontos para testar nosso grau de maturidade</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/grande-abc-e-lider-absoluto-em-roubo-e-furto-de-veiculos/">Grande ABC é líder absoluto em roubo e furto de veículos</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/sociedade/nossos-jovens-promissores-transformados-em-placas/">Nossos jovens promissores transformados em placas</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/o-que-esperar-nestes-tempos-de-contracao/">O que esperar nestes tempos de contração?<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/bomba-sao-caetano-lidera-precarizacao-de-assalariados/">Bomba! São Caetano lidera precarização de assalariados<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/ipc-icms-pib-e-va-so-derrota/">IPC, ICMS, PIB e VA: só derrota<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/exclusivo-medimos-o-quanto-perdemos-desde-o-plano-real/">Exclusivo: medimos o quanto perdemos desde o Plano Real<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/sao-paulo-e-amostra-do-caos-metropolitano/">São Paulo é amostra do caos metropolitano<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/evasao-esta-expressa-no-fluxo-de-veiculos/">Evasão está expressa no fluxo de veículos<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/ibge-consagra-nossos-estudos-sobre-a-regiao/">IBGE consagra nossos estudos sobre a região</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/ja-nao-somos-uma-brastemp/">Já não somos uma Brastemp</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/concorrencia-em-excesso-faz-mal/">Concorrência em excesso faz mal<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/sao-jose-campinas-e-sorocaba-ja-empatam-com-o-grande-abc/">São José, Campinas e Sorocaba empatam com Grande ABC<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/estamos-perdendo-mobilidade-social/">Estamos perdendo mobilidade social<br />
</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/por-que-a-grande-sao-paulo-perdeu-tantas-industrias/">Por que a Grande São Paulo perdeu tantas indústrias?<br />
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</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/comercio-vive-nova-fase-com-impactos/">Comércio vive nova fase com impactos<br />
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</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/veja-como-sera-o-grande-abc-por-volta-de-2020/">Veja como será o Grande ABC por volta de 2020</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/economia/regiao-precisa-ajustar-o-ritmo-a-onda-de-mudanca/">Região precisa ajustar o ritmo à onda de mudanças<br />
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</a><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/imprensa/tempos-de-regionalidade-de-primeira-pagina/">Tempos de regionalidade de primeira página</a></p>
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		<title>Vá pentear macaco!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 18:26:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Não encerraríamos a jornada de jornalismo digital nesta temporada, prevista para esta quarta-feira, dia 23 de dezembro, sem invadir mais uma vez a grande área do último anúncio do PIB dos Municípios Brasileiros, do IBGE. Há tempo para sufocar mais um pouco o triunfalismo rastaquera quem tenta dar cores mais vivas a um Grande ABC [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não encerraríamos a jornada de jornalismo digital nesta temporada, prevista para esta quarta-feira, dia 23 de dezembro, sem invadir mais uma vez a grande área do último anúncio do PIB dos Municípios Brasileiros, do IBGE. Há tempo para sufocar mais um pouco o triunfalismo rastaquera quem tenta dar cores mais vivas a um Grande ABC que melhorou nos últimos anos por conta da indústria automotiva, mas ainda está distante dos bons momentos.</p>
<p>A má notícia é que, mesmo com um ataque formado por Ronaldo, Kaká e Luiz Fabiano, que simbolizariam as montadoras de veículos locais, o Grande ABC vê aumentar a desvantagem em relação à Região Metropolitana de Campinas, uma das áreas de concorrência no Campeonato Nacional de Produção de Riqueza.</p>
<p>O adversário tem mais conjunto, reúne vários craques também e, principalmente, tem em campo um goleiro de categoria, enquanto jogamos com camisa um improvisado e outros jogadores igualmente fora de função técnico-tática. Não somos um time de verdade. Somos um agrupamento disforme.</p>
<p>Mesmo considerando apenas a privilegiada plataforma de embarque de 2003 e estendendo-se a numerologia a dezembro de 2007, conforme os estudos do IBGE, o Grande ABC perdeu a corrida para a Grande Campinas na geração de riqueza.</p>
<p>A média de crescimento daqueles 19 municípios do Interior do Estado nesse período chegou a 62,6%, contra 53,8% do Grande ABC. Ou seja, 8, 8 pontos percentuais ou 14,6% de diferença.</p>
<p>Não é pouca coisa, convenhamos, quando se sabe que a demografia é semelhante, com 2,6 milhões de habitantes de cada lado. Mais que isso, e agora estendemos o período de confronto sem descer a detalhes: quando da implantação do Plano Real, em meados de 1994, o Grande ABC contava com PIB um terço superior ao da Grande Campinas. A virada da biruta da competitividade sistêmica, que faz da chamada São Paulo Expandida a principal rota, jogou o Grande ABC para escanteio. Tanto que nem mesmo durante os últimos anos, os mais férteis das últimas duas décadas, reagiu à altura dos principais competidores. A Grande Campinas está 11% acima do nível do PIB do Grande ABC.</p>
<p>A vitória da Grande Campinas sobre o Grande ABC não é novidade e só está sendo colocada nestes termos agora, mais uma vez, para enfatizar uma realidade que precisa ser repetida à exaustão sempre que oportunistas aparecem para vender ilusão.</p>
<p>Que melhoramos depois de piorar seguidamente nos anos Fernando Henrique Cardoso não resta dúvida. Entretanto, estamos na condição daquele paciente que parecia desenganado e de repente lhe aplicaram terapia restauradora. Resta saber até quando vamos sustentar sinais de restabelecimento.</p>
<p>Enquanto a indústria automotiva continuar bombando graças a um ex-metalúrgico que está na Presidência da República, tudo bem, ou quase tudo bem. Dá para segurar as pontas. Mas segurar as pontas com os atacantes em questão é pouco. Precisamos de um time forte, que apenas e tão somente uma reestruturação produtiva planejada e executada com ciência será capaz de assegurar.</p>
<p>Desta feita, os números da Região Metropolitana de Campinas não foram compilados por mim. Por conta de complicações de final de ano, tratei de me virar para buscar números daquela área e os consegui junto à PUC (Pontifícia Universidade Católica) local. Só por esse detalhe se verifica o fosso de cultura informativa e de regionalidade entre a Grande Campinas e o Grande ABC.</p>
<p>Aqui, não há instância acadêmica, nem mesmo pública ou privada, que tenha preocupação com o andar da carruagem regional. Este jornalista, há duas décadas, prospecta sistematicamente esse terreno, raiz de incursões críticas que somente mal-informados, desinformados ou deformados detestam. A ausência de uma espécie de observatório econômico regional confiável talvez seja proposital, porque não interessa ao Grande ABC mostrar as planilhas nem sempre agradáveis. É mais fácil tentar manipular.</p>
<p>Estamos perdendo o jogo para a Grande Campinas como estamos perdendo também para a Grande Sorocaba, para a Grande São José dos Campos, para a Grande São Paulo (sem o Grande ABC) e para a Grande Baixada Santista. Faço essas afirmações com dados apresentados em vários capítulos da série &#8220;Metamorfose econômica&#8221;, disponível neste site. E tudo o que os leitores encontram decorre de inúmeras matérias publicadas ao longo dos anos em vários veículos.</p>
<p>O PIB do Grande ABC ao final de 2007 registrava R$ 63,7 bilhões. Já o da Grande Campinas alcançava R$ 70,7 bilhões. Dos 19 municípios da Grande Campinas, apenas Monte Mor, Paulínia e Cosmópolis avançaram entre 2003 e 2007 em velocidade inferior à média do Estado de São Paulo. Já o conjunto dos sete municípios do Grande ABC ficou abaixo da média paulista. Nem mesmo o crescimento individual de São Bernardo acima da média paulista ameniza a discreta performance do Grande ABC no ranking estadual.</p>
<p>Por série de razões, temos de estar mais que preparados para ver a distância entre a economia do Grande ABC e da Grande Campinas alargar-se. Contamos com apenas 840 quilômetros quadrados de área, contra quatro vezes mais daqueles endereços. Somos periferia da capital da metrópole, a Cinderela São Paulo, enquanto Campinas é o centro nervoso de uma região sem os mesmos problemas de qualidade de vida da Grande São Paulo. A logística da Grande Campinas é um convite a investimentos. A logística encalacrada do Grande ABC é um estorvo que nem mesmo o trecho sul do Rodoanel será capaz de contornar.</p>
<p>Dependemos excessivamente da indústria automotiva, contra a diversificação produtiva da Grande Campinas. Não resistimos à guerra fiscal que ainda se pratica naquelas paragens de industrialização mais recente e, portanto, sem amarras que possam ferir empresas já instaladas. Nossa guerra fiscal é autofágica, porque interna. E sem poder de sedução, porque perde feio para outras guerras fiscais.</p>
<p>Poderíamos desfilar extensa serpentina de motivos para enfiar o rabo entre as pernas antes de pretender enfrentar a Grande Campinas em competitividade econômica. A tendência de perda do vice-campeonato estadual em geração de riqueza está mais que confirmada. Pena que alguns insistam em pintar o cenário com cores fortemente ufanistas. Seria melhor se penteassem macacos.</p>
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		<title>Quebrando a rotina</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 18:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Passei uma parte da manhã de sábado numa programação pouco comum para quem tem disciplina férrea nos finais de semana, que consiste em reservar o tempo para mais leitura, mais corrida para cuidar do corpo e da mente e também para o lazer, principalmente filmes e futebol. 
Passei parte da manhã de sábado com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei uma parte da manhã de sábado numa programação pouco comum para quem tem disciplina férrea nos finais de semana, que consiste em reservar o tempo para mais leitura, mais corrida para cuidar do corpo e da mente e também para o lazer, principalmente filmes e futebol. </p>
<p>Passei parte da manhã de sábado com um azougue de intelectualidade, um bólido de coragem, um caminhão de coerência, um turbilhão de entusiasmo, um transatlântico de magnetismo pessoal. </p>
<p>Passei uma parte da manhã de sábado, com o doutor em sociologia Valmor Bolan, diretor da Escola de Administração Educacional e de Relações Institucionais da Anhanguera e reitor da Unia, em Santo André. </p>
<p>Valmor Bolan em campo é certeza de que o placar da normalidade morna não terminará em branco.</p>
<p>Valmor Bolan é tudo aquilo que alguém poderia desejar para sair da proteção do conforto enganoso e se atirar nas trincheiras da produtividade intelectual.    </p>
<p>A performance de Valmor Bolan é um oásis para este jornalista que não consegue compreender e muito menos aceitar que formadores de opinião consumam-se num silêncio desolador sobre questões fundamentais, no Grande ABC ou no Brasil. </p>
<p>Valmor Bolan rompe todos os paradigmas do lugar comum. Fala com todas as letras e acentua com a voz metálica de sempre, capitalizadora das atenções de sempre, o quanto há de contraditório na área universitária brasileira com a bem-vinda massificação do ensino gratuito do Prouni e o desperdício de recursos com a proliferação de universidades federais que seguem a mesma toada das unidades que as precederam, embora os executivos educacionais tentem diferenciá-las. Executivos federais é força de expressão. Os acadêmicos à antiga têm horror à terminologia que lembre o mundo empresarial.</p>
<p>Valmor Bolan não manda recados. Fala publicamente &#8212; como o fez durante o discurso de sábado na Unia, quando aquela escola recentemente somada à rede Anhanguera completou 40 anos de introdução do Ensino Superior. </p>
<p>Valmor Bolan foi o único aliado, o único especialista em educação que, quando este jornalista resolveu botar o dedo na ferida da instalação da Universidade Federal do Grande ABC, enfrentou o politicamente correto abjeto da sociedade amorfa e desancou a estrutura filosófica daquela instituição. </p>
<p>Criativo como sempre, abusado na medida certa, contestador por natureza, Valmor Bolan foi fundo na transmissão da imagem que atribui tanto à UFABC como a instituições assemelhadas construídas antes e durante o governo Lula da Silva: trata-se de barriga de aluguel. </p>
<p>Sim, barriga de aluguel porque a UFABC e tantas outras organizações assemelhadas, repita-se, são um festival de romantismo acadêmico ostensivamente contrárias ao desenvolvimento econômico, mas que ganham o palco da admiração do gueto formado pelos próprios dirigentes e professores. Atraem milhares de alunos, mas não têm qualquer intimidade com a realidade local. </p>
<p>A UFABC é um corpo estranho em Santo André que ganhará ramificações em outros municípios do Grande ABC. Distancia-se da realidade local, dos atores locais, tanto quanto os dramas da Represa Billings das balas perdidas no Rio de Janeiro.  </p>
<p>Vou resgatar matérias que produzi sobre o mundo particular da UFABC no Grande ABC, inclusive a entrevista com Valmor Bolan. A situação continua praticamente a mesma. Há alguma encenação de regionalidade no dia a dia da UFABC mas de fato, comprometimento com o futuro regional, nada, absolutamente nada. </p>
<p>E tudo continua como antes porque a sociedade local é incapaz de se mobilizar, menos para acompanhar em espaço público a participação de um dos finalistas do Big Brother que mora em São Bernardo ou para promover festas corporativas ou pessoais de fundo marquetológico. </p>
<p>Se bate forte na inoperância regional da UFABC e em tantas outras unidades federais de ensino dissociadas das necessidades e da cultura dos endereços em que se instalaram, e se apresenta como proposta a composição de uma rede mais racional e menos dispendiosa de escolas de tecnologia com raízes nas vocações locais, Valmor Bolan não economiza elogios ao Prouni. </p>
<p>O especialista em Ensino Superior desfila números e resultados, fala da caça aos ricos que procuram fraudar dados socioeconômicos para estudarem gratuitamente, condena o preconceito dos mesmos ricos contra a doutrina massificadora do ensino, questionando inclusive a badalada USP (Universidade de São Paulo) de pífia participação comunitária.</p>
<p>Valmor Bolan diz tudo o que pensa e sabe. Uma raridade nestes tempos em que a maioria nem diz o que pensa nem sabe o que deveria saber. </p>
<p>A quebra da rotina no final de semana valeu a pena. Aceitar o convite de Valmor Bolan para sentar à mesa diante de mais de duas centenas de professores numa festa informal, emocionante e pavimentadora da expectativa de que nem tudo está em dissolução no Grande ABC foi uma oportunidade especial que este jornalista experimentou para retemperar a confiança de que dias melhores certamente virão. Até porque, institucionalmente, chegamos ao fundo do poço da sem-vergonhice total. </p>
<p>A quarentinha Unia é um endereço particularmente agradável para este jornalista. Foi ali que já faz algum tempo desloquei a caravana de regionalidade de batalhão intangível de leitores, numa noite de autógrafos de lançamento do livro Complexo de Gata Borralheira. </p>
<p>A mesma professora a cujos alunos fui apresentado naquela noite, Heleni de Paiva, estava presente no encontro do último final de semana, entre outros mestres que, segundo Valmor Bolan, obtiveram na última pesquisa de satisfação dos alunos um índice médio de aprovação semelhante ao do presidente Lula da Silva junto ao eleitorado nacional: a nota média daqueles professores atingiu a 80 pontos, revela orgulhoso um Valmor Bolan que saiu daquela festa para outros dois programas de uma agenda que parece não ter final de semana, numa corrida maluca contra o calendário gregoriano que já vivi intensamente também, mas de uns tempos para cá virou passado. Para azar dos sanguessugas.   </p>
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		<title>PIB festivo esconde problemas</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 18:33:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinto muito mas, mais uma vez, prefiro a contramão da lucidez ao entusiasmo seletivo da mão única do noticiário triunfalista que dá conta do comportamento do PIB do Grande ABC entre 2003 e 2007. A situação do nosso G7, mesmo nesse período lulista de forte recomposição de parte da riqueza perdida com a crise econômica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sinto muito mas, mais uma vez, prefiro a contramão da lucidez ao entusiasmo seletivo da mão única do noticiário triunfalista que dá conta do comportamento do PIB do Grande ABC entre 2003 e 2007. A situação do nosso G7, mesmo nesse período lulista de forte recomposição de parte da riqueza perdida com a crise econômica iniciada em outubro do ano passado e, principalmente, ao longo dos anos FHC, está longe de ser cantada com ênfase.</p>
<p>Principalmente quando os alquebrados intérpretes dos números esquecem um dado fundamental a qualquer análise: o valor da moeda nacional, o real, não pode deixar de ser deflacionado entre dois pontos distintos de tempo. A moeda nacional já não envelhece como a pele das mal informadas ou das pouco cautelosas ou das muito vaidosas mulheres que se bronzearam artificialmente por muitos anos, mas também não representa a experimentação revolucionária de uma alquimia que mantém eternamente o fulgor da juventude física. </p>
<p>Quando se esquece que, como o corpo, as moedas também sofrem de fadiga de material, cai-se na armadilha da patetice. Quem escreve sobre economia possivelmente não precisa entender tudo de economia, mas o mínimo que se espera é que não ignore fatores da gerontologia monetária, vítima preferencial de vírus inflacionários.  </p>
<p>O crescimento do PIB do Grande ABC de 53,8% entre 2003 e 2007, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) supera o da China no mesmo período por causa da desconsideração da inflação no período. É claro que essa constatação extratifica a tremenda barrigada em forma de congelamento de células inflacionárias. O problema é que não é a primeira vez que a Imprensa comete tamanho descuido. Todo ano é tudo sempre igual.   </p>
<p>Para não criar mais zonas de conflito, porque mais embaixo vou expor os números do comportamento da economia do Grande ABC sob os efeitos naturais do desgaste da moeda nacional, sigo a mesma trilha dos dados não deflacionados. </p>
<p>O crescimento nominal (diversamente de crescimento real, que implícita o desconto inflacionário) do PIB do Grande ABC está distante de gerar euforia. Afinal, 53,8% é menos que o crescimento nominal do PIB do Estado de São Paulo (55,69%), endereço da Federação que, como analisamos há alguns dias, avança em velocidade muito aquém da média nacional. Parece pouco, mas o PIB do Grande ABC ficou 3,5% abaixo do PIB paulista. Muito mal para uma região que viveu nos últimos anos os melhores momentos econômicos da indústria automotiva, carro-chefe da engrenagem social de mais de 2,6 milhões de habitantes.  </p>
<p>Em resumo, o que quero dizer é que o Grande ABC festejado por conta da ressurreição da indústria automotiva nestes tempos de generosos benefícios fiscais e creditícios do governo Lula da Silva, não consegue alcançar a velocidade média de crescimento dos paulistas que, por sua vez, perdem o jogo para várias unidades da Federação. </p>
<p>Saímos da desindustrialização absoluta e relativa e do esvaziamento econômico absoluto e relativo para a desindustrialização e o esvaziamento econômico relativo. Menos mal, é claro, mas longe do ideal.  </p>
<p>Desindustrialização absoluta no sentido convencional é quando um território como o Grande ABC sofre perdas líquidas de geração de riqueza em relação a outros endereços, com a retirada de empreendimentos em volume de produção maior que a chegada. Passamos por isso durante mais de duas décadas, quando despencamos no ranking paulista e no ranking brasileiro. </p>
<p>Já desindustrialização relativa significa a manutenção ou mesmo o acréscimo da produção da indústria de transformação de riqueza numa disputa tanto estadual quanto nacional sem, entretanto, acompanhar o ritmo daquelas áreas. Cresce-se menos, portanto.  É o que tem ocorrido nos últimos anos com o Grande ABC, desde a chegada de Lula da Silva a Brasília. </p>
<p>Esvaziamento econômico absoluto é quando um território perde riqueza no conjunto do PIB que o envolve, na soma de atividades industriais, de serviços e agropecuárias. Isso significa que há refluxo do PIB quando os números das atividades que o compõem não resistem às intempéries. Em muitos casos o crescimento do setor de serviços e de agropecuária não compensa quedas da indústria de transformação. </p>
<p>Esvaziamento econômico relativo é quanto um território, mesmo com a manutenção ou com o crescimento do PIB, não acompanha a média de territórios estaduais e nacionais. É o que tem ocorrido com o Grande ABC nos últimos anos.  </p>
<p> Há muitos outros sintomas claros de que a economia do Grande ABC que consta do PIB (o que não significa apenas a indústria de transformação, é bom reforçar esse ponto) mesmo num período de crescimento absoluto de geração de riqueza não consegue fazer frente a outros endereços. </p>
<p>Dos 32 municípios do Estado de São Paulo que registraram em 2007 (último ano da pesquisa do IBGE) mais de R$ 4 bilhões de PIB, apenas oito apresentaram rendimento abaixo do conjunto de sete municípios do Grande ABC. </p>
<p>Se retirarmos da relação de 32 municípios mais importantes do Estado os cinco relativos ao Grande ABC (Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra estão abaixo do limite monetário estabelecido) restariam 27 endereços municipais. </p>
<p>Desse total, 19 apresentaram crescimento superior ao conjunto do Grande ABC. Ou seja: 70% dos maiores municípios do Estado de São Paulo fizeram o Grande ABC engolir poeira nos números do PIB entre 2003 e 2007. </p>
<p>Outro ponto que agrava a numerologia do Grande ABC quando confrontada com o Estado e também individualmente com os municípios mais importantes do território paulista é que, mais que qualquer outra atividade, a indústria automotiva, coração da economia do Grande ABC, estava tremendamente reprimida em 2003, ano-base do novo período de análise do PIB pelo IBGE, enquanto em 2007, no outro extremo da pesquisa, o setor vivia em lua de mel com a demanda, por conta de facilidades de crédito. </p>
<p>Ora, se mesmo em situação tão vantajosa o Grande ABC fortemente automotivo não assumiu a liderança estadual de avanço no PIB, o foguetório precisa ser relativizado, além de contextualizado em valores monetários sólidos. </p>
<p>Para completar, e conforme o prometido, eis que revelo a inflação entre janeiro de 2004 e dezembro de 2007, já que os dados anunciados pelo IBGE se referem ao período do PIB de 2003 a 2007: o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas registrou 27,30% de inflação. Isto quer dizer que o Grande ABC cresceu de fato no período não os 53,8% divulgados, mas sim 26,50, o que resulta em 6,62% ao ano em vez de supostos 13,45%. </p>
<p>Voltarei ao assunto antes das férias que começam na próxima quarta-feira. O assunto merece porque há prevaricadores de plantão. </p>
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		<title>São Bernardo fora do Top 10</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 20:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda estou dando tratos à bola para produzir material mais denso. Tivesse o dia todo livre para escrever, garanto que o texto já estaria pronto. Mas os contratempos acabaram por adiar a análise, embora não a abortasse inteiramente. Tanto que não tem sentido o foguetório sobre os números do PIB (Produto Interno Bruto) do Grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda estou dando tratos à bola para produzir material mais denso. Tivesse o dia todo livre para escrever, garanto que o texto já estaria pronto. Mas os contratempos acabaram por adiar a análise, embora não a abortasse inteiramente. Tanto que não tem sentido o foguetório sobre os números do PIB (Produto Interno Bruto) do Grande ABC no contexto nacional, após o anúncio oficial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O principal foco escolhido para este artigo é a contínua queda da principal economia local no ranking nacional, um retrato sem retoque da situação regional. No Campeonato Brasileiro de Geração de Riqueza. São Bernardo caiu para o 12° lugar. Os demais municípios da região seguiram a mesma rota de declínio, sempre que se compara a economia do Grande ABC de 2007, que reúne os últimos dados do IBGE, com a de 1970. São Bernardo era a quinta colocada quando o Brasil ganhou o título de tricampeão mundial de futebol. </p>
<p>Não esperem maiores informações numéricas neste texto porque não costumo escrever sem fechar todas as possibilidades de escorregões. Certo mesmo e que dispensa maiores investigações, até porque já tenho em mãos calhamaço de matérias que produzi ao longo dos anos para a revista LivreMercado (não confundir com a pobre &#8220;Deus me livre&#8221; que, dizem, ainda circula no Grande ABC) que me assegura confortável posicionamento crítico. </p>
<p>O que estamos observando nos últimos anos sob o comando federal de Luiz Inácio Lula da Silva e incentivos à produção automobilística é que o Grande ABC vem conseguindo segurar níveis de participação relativa no bolo nacional de geração de renda e riqueza. </p>
<p>Manter o nível de participação relativa não é tudo que possa ser cantarolado em verso e prosa como redenção do período mais complicado de nossa história, que, todos sabem ou deveriam saber, registrou-se no governo dinamitador de Fernando Henrique Cardoso. Sem contar que há número cada vez mais volumoso e importante de contestadores internacionais do conceito de PIB, que poderia ser simplificado para efeito de entendimento como a contabilização da indústria de quentinhas para presidiários como alguma forma influente nos resultados finais. Supostamente, uma cidade que dependesse em larga parcela de produção de alimentos para presidiários registraria PIB muito maior que uma cidade vizinha dedicada à cultura. </p>
<p>Mas, voltemos ao foco da questão: sustentar o nível de participação não quer dizer muita coisa além de sorriso conformista. Fomos ao fundo do poço da desindustrialização no período pós Plano Real, embora os ataques ao nosso vigor industrial, centro nervoso da estabilidade econômica do Grande ABC, tenham-se iniciado um pouco antes, no governo Fernando Collor de Mello e também durante a gestão de governadores do Estado que, sob o pretexto caolho de desincentivar a ocupação industrial da Grande São Paulo, esqueceram o outro lado da moeda de sustentabilidade social. </p>
<p>Querem pior resolução para um problema de ocupação de espaço em apartamento apertado que atirar janela abaixo o televisor de LCD, a mobília recentemente adquirida, a geladeira novinha em folha, em vez de redefinir os espaços internos com planejamento? Pois foi o que fizeram os governos paulistas nas últimas três décadas; deixaram a Região Metropolitana de São Paulo ao deus-dará ao mesmo tempo em que incentivaram a evasão industrial sem o menor critério de contrapartidas.  </p>
<p>Já coloquei na agenda do final de semana uma vasculhada nas informações sobre os novos números do PIB brasileiro. Vou rastrear também tudo o que já escrevi ao longo dos últimos 20 anos. Antecipo com a segurança de quem não despreza a memória intangível mas prefere mesmo as provas documentais que o foguetório que soltaram não se justifica. Exceto se o conceito de manutenção do posto de quarto colocado no ranking nacional, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, for colocado no altar da satisfação absoluta. </p>
<p>Até mesmo essa quarta posição (e não terceira como deu em manchete na edição desta quinta-feira o Diário do Grande ABC), contrariando o próprio texto, não é a verdadeira e insofismável colocação do PIB do Grande ABC. Afinal, se consideramos para análises gerais os sete municípios como endereço único (e concordo plenamente com isso para efeitos econômicos, não institucionais), não é sensato utilizar dois pesos e duas medidas porque a Grande Porto Alegre, a Grande Belo Horizonte, a Grande Coritiba e a Grande Salvador, por exemplo, também deveriam ser interpretadas como megacidades. </p>
<p>Para completar parcialmente minha investida neste assunto, lembro que, quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo em 1970, a participação relativa do Grande ABC no Campeonato Brasileiro de Geração de Riqueza alcançava 4,57%, contra 2,45% de 2007. Números expostos desta forma parecem frios demais. Por isso recorreremos a alguns exemplos do que ficamos para trás.  Como se a queda de São Bernardo do quinto para o 12° posto não fosse já suficientemente preocupante. </p>
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		<title>O que será do Sansão?</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 19:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O que será do Sansão no próximo ano? Sansão é a versão regional de São Caetano e Santo André no futebol. Final de temporada e despontar de novos horizontes significam momentos de reflexão, principalmente para equipes que não têm tanta disponibilidade de recursos financeiros quando comparadas aos donos da mídia. 
A associação de reformulação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que será do Sansão no próximo ano? Sansão é a versão regional de São Caetano e Santo André no futebol. Final de temporada e despontar de novos horizontes significam momentos de reflexão, principalmente para equipes que não têm tanta disponibilidade de recursos financeiros quando comparadas aos donos da mídia. </p>
<p>A associação de reformulação de elenco e de contratação de reforços é um desafio que exige cautela sem renúncia à ousadia. O São Caetano aparentemente revela menos traumas do que o Santo André, porque o sétimo lugar na Série B acabou caindo bem para um time que flertou com o rebaixamento no primeiro turno, enquanto a queda à Série B foi uma hecatombe para um time que passou toda a Série A desfilando sonhos de Libertadores. </p>
<p>Vou ficar apenas no âmbito esportivo envolvendo Santo André e São Caetano, embora no fundo da alma pense em outras coisas, mas essas outras coisas não cabem agora. O que quero mesmo nesse momento é acreditar que tanto um quanto outro vão dar mais alegria aos torcedores na próxima temporada, tanto no Campeonato Paulista quanto no Brasileiro. </p>
<p>Ainda bem que o São Caetano não perdeu a liderança do técnico Antonio Carlos Zago. A autoridade do treinador parece ter assentado a poeira gerencial da equipe. Como duvidar disso se ainda outro dia o presidente Nairo de Souza disse ao Diário do Grande ABC o que normalmente se esperaria que dissesse apenas num confessionário: que o clube errou demais na substituição de treinadores ao sabor de resultados e no volume de jogadores contratados por conta da natural rotatividade imposta pelo mundo empresarial do futebol. </p>
<p>Se o presidente do São Caetano ocupa espaço na imprensa para dizer o que disse, e se disse tudo o que disse porque provavelmente precisava desopilar a mente, que expectativa se poderia gerar para a próxima temporada? </p>
<p>Que o São Caetano volte mais forte dentro de campo. E olhem que esse voltar mais forte poderia ter sido consagrado nesta temporada, mas a equipe deu tremendo azar. Ou não é pisar no tomate do destino perder jogadores tão importantes como perdeu justamente naquele ciclo de jogos decisivos contra adversários mais bem colocados na tabela? </p>
<p>Aquela série de jogos contra seis equipes diretamente envolvidas na disputa por uma das vagas ao acesso &#8212; a primeira das quais contra o Vasco da Gama, que abriu a série de contusões graves &#8212; quebrou a espinha dorsal da reação empreendida pelo grupo depois de manter-se insistentemente entre os rebaixáveis no primeiro turno. </p>
<p>Espero não estar enganado quanto ao futuro mais próximo do São Caetano. A julgar pela permanência de Antonio Carlos, com ampla liberdade de conceber o planejamento e a execução da proposta de fortalecimento da equipe em 2010, e também pelo recolhimento do trem de pouso da empáfia de Nairo de Souza, tudo indica que já no Campeonato Paulista a equipe poderá surpreender. </p>
<p>Ou não estaria pronto para oferecer resultados acima da expectativa um grupo de jogadores que tem um treinador qualificadíssimo na arte de transformar o sistema defensivo no aprisionamento dos adversários? Afinal, mesmo com toda a instabilidade na Série B do Brasileiro, o São Caetano terminou como terceira defesa menos vazada. </p>
<p>Já o Santo André ainda não mostrou todas as patas de planejamento. Transmite a diretoria a sensação de que tanto pode enxugar o elenco ao extremo e ficar com sobra qualificada de jogadores que já constam do elenco como, também, pode seguir na toada de experimentos caudalosos que em resumo levam ao treinador um ambiente de complicações. </p>
<p>Quem tem jogadores demais com semelhante perfil profissional, onde todos se acham no direito de reivindicar a titularidade, de fato assina um contrato de risco na formatação do time principal. Essa foi uma das razões de o Santo André ter sido rebaixado nesta temporada. Não é todo treinador nem todo dirigente que suporta pressões de bastidores, compulsórias no mundo da bola. Também é assim em qualquer ambiente corporativo mais competitivo. Nem sempre os melhores são contemplados. Há falastrões que deitam e rolam ao engravidarem parceiros de trabalho.  </p>
<p>Vamos aguardar os próximos capítulos do noticiário esportivo para entender melhor o que vem por aí. Tomara que São Caetano e Santo André honrem a junção de iniciais e a metáfora de Sansão. Precisamos de um futebol forte dentro e fora de campo. Quanto ao fora de campo, qualquer dia desses escreveremos a respeito. </p>
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		<title>Encontros inesquecíveis</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 18:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma sugestão aos prefeitos dos sete municípios do Grande ABC que poderia ser levada adiante e será levada adiante se seus assessores tiverem bom senso e os próprios prefeitos quiserem como espero que queiram estar mais próximos das respectivas sociedades que os elegeram: que tal programarem para a segunda metade de janeiro, em duas semanas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma sugestão aos prefeitos dos sete municípios do Grande ABC que poderia ser levada adiante e será levada adiante se seus assessores tiverem bom senso e os próprios prefeitos quiserem como espero que queiram estar mais próximos das respectivas sociedades que os elegeram: que tal programarem para a segunda metade de janeiro, em duas semanas, dia sim, dia não, entrevistas coletivas para prestarem contas da temporada anterior?</p>
<p>Para dar caráter de regionalidade implícita, já que muito do que ocorre num determinado Município da região repercute na vizinhança, os encontros poderiam ser realizados na sede do Clube dos Prefeitos, também conhecido por Consórcio Intermunicipal. </p>
<p>Mais ainda: a programação seria coroada com um oitavo encontro, desta feita reunindo todos os prefeitos numa mesma mesa. A temática, nesse caso, seria regional, com base em tudo que se propagou do Clube dos Prefeitos durante a última temporada e no desvendar de outras pautas. </p>
<p>Como tive a ideia de encontros individuais e também do coletivo dos prefeitos no momento em que me pus à frente do computador sem saber o que redigir nesta manhã em meu escritório domiciliar, avanço nas possibilidades da programação. </p>
<p>Ocorre-me agora a sugestão de que as reuniões tanto poderiam ser por combustão espontânea dos prefeitos que, com os respectivos assessores, organizariam a programação, como também por alguma ou por algumas instituições municipais com assemelhados na região, casos das associações comerciais e industriais e também dos Ciesps (Centros das Indústrias). Há uma terceira vertente, de fato a mais apropriada, que reserva a agenda para o próprio Clube dos Prefeitos, antes que este ano se finde. Ninguém melhor que os próprios prefeitos para se arranjarem no calendário de janeiro, após descanso de final de ano. </p>
<p>Já imaginaram evento no qual cada um dos prefeitos da região teria tempo delimitado de três horas, pelo menos, liberando-se o ingresso apenas aos representantes da mídia para evitar claques encomendadas a eventuais desvios de finalidade?</p>
<p>Francamente, não acredito que algo semelhante venha a fazer parte do calendário anual de cidadania do Grande ABC. Haverá alegadas dificuldades de conciliação de agendas. Fossem o gerenciamento público municipal e o enquadramento regional mais valorizados, a segunda quinzena de janeiro de cada ano seria reservada para a recuperação de fatos e informações e também para análises e, principalmente, à explicitação de projetos e propostas para o futuro. </p>
<p>Fosse prefeito de qualquer uma das cidades do Grande ABC não teria dúvida em aceitar e propagar a proposta porque se há algo que um chefe de Executivo deve exercitar é a interatividade com a mídia, ponte entre eleitores e eleitos. E que melhor oportunidade de esclarecer pontos, dirimir dúvidas, colocar os pingos nos respectivos &#8220;is&#8221; senão democratizando informações?</p>
<p>Como profissional de jornalismo que defende o preceito constitucional de liberdade de expressão com a contrapartida de preparo técnico à função de jornalista, garanto que não perderia um desses encontros. O que perguntaria aos prefeitos? Há questões tanto municipais quanto regionais a serem postas à discussão, e nada melhor que expô-las publicamente. Quem sabe emissoras de rádio e de TV fechada do Grande ABC decidissem transmitir cada um dos eventos?</p>
<p>Ao prefeito Aidan Ravin, de Santo André, não tenho dúvidas sobre uma das indagações que faria sem pestanejar: por que não se opõe às denúncias de trambicagens de financiamento da campanha eleitoral se em tantas outras questões houve sempre réplica?</p>
<p>Ao prefeito José Auricchio Júnior, de São Caetano, questionaria sobre as dificuldades orçamentárias futuras por conta da perda de parte da arrecadação do terminal da Petrobrás, deslocado à Mauá, e das preocupantes repercussões de mudanças societárias da General Motors nos Estados Unidos?</p>
<p>Ao prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo, a dúvida que exigiria incisiva resposta se prende às iniciativas que estariam sendo tomadas para atenuar a fadiga de material da indústria automobilística cada vez mais geradora de Valor Adicionado mas, em contraponto, economizadora de mão-de-obra. </p>
<p>Ao prefeito Oswaldo Dias perguntaria sobre as medidas contra o projetado caos que o desembocar dos veículos que trafegarão pelo ramal complementar do trecho sul do Rodoanel provocará no centro urbano de Mauá. </p>
<p>Ao prefeito Clóvis Volpi dirigia uma questão que parece ainda não estar concretamente definida como plano de ação sistêmico, que consiste na dúvida hamletiana de que Ribeirão Pires deve jogar-se de corpo e alma na ocupação industrial ou o turismo de negócios é a melhor saída?</p>
<p>Ao prefeito Kiko Teixeira não faria pergunta alguma porque o autoritarismo juvenil com que comandou o Clube dos Prefeitos só se rivaliza com a inoperância de políticas de desenvolvimento econômico de Rio Grande da Serra, pouco levada em consideração pela população local porque os investimentos sociais com dinheiro de terceiros (União e Estado) encobrem a baixa aptidão gerencial. </p>
<p>A todos os chefes de Executivos, no encontro suplementar, indagaria sobre a fórmula orçamentária que adotariam para introduzir investimentos regionais comandados pelo Clube dos Prefeitos agora formalizado como organização jurídica legalmente constituída. </p>
<p>Estou tão certo de que esses encontros seriam inesquecíveis que não tenho a mínima esperança de que sejam possíveis. Principalmente porque temos em larga escala uma imprensa pouco provocativa no sentido construtivo do verbete e uma sociedade pouco interessada de fato em tudo que a afeta diretamente. Menos, é claro, quando há nítida diferenciação entre o individual e o coletivo. </p>
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		<title>Pepitas jornalísticas</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 20:19:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis que resolvi observar com mais atenção o conteúdo daquela pasta de papelão que há muito tempo carrego comigo a cada mudança de endereço profissional. Sei lá quanto tempo de uso já tem aquela sanfona disciplinadamente compartimentada em ordem alfabética. Passa dos 20 anos, seguramente, porque o material que a recheia e lhe dá forma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que resolvi observar com mais atenção o conteúdo daquela pasta de papelão que há muito tempo carrego comigo a cada mudança de endereço profissional. Sei lá quanto tempo de uso já tem aquela sanfona disciplinadamente compartimentada em ordem alfabética. Passa dos 20 anos, seguramente, porque o material que a recheia e lhe dá forma suficiente para que não murche é uma parte da produção de textos nos três anos seguidos em que atuei como contratado (fora os 10 anos como free-lancer) na sucursal do Grande ABC da Agência Estado, empresa que abastece ainda hoje os jornais o Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e imensa rede de veículos no País. São centenas de títulos.</p>
<p>Resolvi separar algumas matérias. Encaminhei-as à digitação, porque pretendo instalá-las também neste site. Tenho preciosidades que ajudam a entender as transformações sociais e econômicas no Grande ABC.</p>
<p>Nem me dava conta de tudo isso que testemunha mudanças profundas na região. Escrevi sobre os mais diferentes assuntos durante aqueles três anos na Agência Estado, principalmente de economia e esporte. Uma rápida releitura de alguns textos é suficiente para a confirmação do que muitos não percebem: perdemos muitas indústrias de prestígio. Logomarcas reluzentes deixaram imenso vazio na geografia regional.</p>
<p>Seguramente, estão disponíveis na pasta sanfonada perto de 100 reportagens que redigi e, em seguida, Angela Maria Guimarães (ou seria outro o sobrenome referente ao &#8220;G&#8221; de AMG que aparece ao final de cada texto?) redigitou no aparelho de telex, para envio à central de operações da Agência Estado? Sim, naqueles anos da segunda metade da década dos 80, não havia computador nem internet. Escrevia numa velha Remington, como todos os companheiros de jornalismo naquele sobrado da Rua General Glicério, em Santo André.</p>
<p>A barulheira infernal daquele dedilhar permanente de letras seria insuportável nestes tempos de silêncio quase total das engenhecos tecnológicas que revolucionaram o mundo das comunicações. Mas quem disse que não somos as nossas circunstâncias?</p>
<p>Tanto somos que o batucar personalizado de parágrafos e parágrafos de cinco, seis jornalistas, numa pequena sala, ganhava a força psicológica de uma escola de samba, embora de escola de samba, de fato, não houvesse nada naqueles erráticos sons decorrentes da velocidade individual de transmitir para o papel o que vinha à cabeça em forma de conhecimentos e informações.</p>
<p>Sentia-me, de qualquer forma, numa passarela, embalado pelo ritmo de uma produção individual dependente sim do entusiasmo coletivo porque, quando a sala se esvaziava a cada começo de noite, o som da produção lembrava a mesma escola em retirada.</p>
<p>Formávamos um time de verdade, embora sem a mesma cumplicidade dos tempos de repórter e editor de Esportes do Diário. Nada mais natural, porque quatro quintos de meus 15 anos de Diário foram de convivência com praticamente os mesmos jornalistas esportivos. Mas o grupo que atuava na sucursal do Estadão deixa saudade pela disciplina com que cada um se lançava à pauta diária.</p>
<p>Não diria que o resgate de parte do material daqueles tempos e a consequente inserção neste site seja algo como a escolha de Sofia, mas numa primeira etapa me fixei em pouquíssimos textos, aqueles que julgo mais longevos ou emblemáticos daquele período. Querem um exemplo? A chegada das duas primeiras lojas do McDonald&#8217;s no Grande ABC, mais precisamente em Santo André e em São Bernardo. Vejam alguns trechos da matéria redigida em 30 de setembro de 1987:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O enorme M amarelo que integra a paisagem urbana de 46 países que abrigam cerca de 9.600 lojas já começa a despontar no ABC Paulista. A rede de refeições rápidas McDonald&#8217;s, com 18 lojas em São Paulo e uma em Campinas, está chegando a Santo André e a São Bernardo do Campo. Num investimento de US$ 3 milhões, a McDonald&#8217;s espera contabilizar nas duas novas unidades, que estarão funcionando até janeiro, nada menos que 500 mil pedidos mensais, 100 mil acima da loja do Center Norte, em Santana, que detém a liderança de faturamento da Restco Comercial de Alimentos, representante desta rede internacional em São Paulo.</p>
<p>E a chegada do Mappin Shopping ABC, então, retratada no texto de 2 de dezembro de 1987?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Quase um Morumbi lotado marcou a inauguração do Mappin Shopping ABC e, depois disso, diariamente, mais que um Pacaembu igualmente lotado passa pelas escadas rolantes do empreendimento que está revolucionando o setor de comércio e de serviços do ABC Paulista, região com dois milhões de habitantes e renda familiar média estimada em 7,5 salários mínimos/mês. As 100 mil pessoas que literalmente invadiram o Mappin Shopping ABC e as 60 mil que diariamente percorrem os 56 mil metros quadrados construídos fazem a alegria da diretoria da empresa. Afinal, trata-se da consagração de um meticuloso plano de expansão que tem como resultado a incorporação do Mappin não só como novo elemento socioeconômico da região mas o divisor de águas que certamente inserirá as áreas comercial e de serviços do ABC num patamar mais moderno.</p>
<p>Pouco tempo depois, em 23 de fevereiro de 1988, despachei para a Agência Estado uma nova matéria sobre a economia do Grande ABC. Leiam os primeiros parágrafos:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O setor comercial do ABC Paulista já não é mais o mesmo. Um misto de deslumbramento e susto modificou essa região de dois milhões de habitantes e o quarto potencial de consumo do País, atrás apenas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte. O deslumbramento é da população, depois que, nos últimos meses, se instalaram em Santo André e em São Bernardo do Campo o Mappin Shopping ABC, o ABC Shop Center e duas lojas do Grupo McDonald&#8217;s e que, nesta quinta-feira, festejará a inauguração de uma Loja Eldorado &#8212; um amplo hipermercado e um grande magazine. A constatação de que o ABC Paulista deixou o provincianismo no setor é o motivo do susto dos comerciantes que acompanham, atônitos, o esvaziamento de tradicionais pontos comerciais.</p>
<p>Essas matérias estão sendo digitadas para integrarem-se a este site porque têm importância que excede o tempo. Mostram os primórdios das invasões bárbaras que ocorreram nos setores comercial e de serviços do Grande ABC.</p>
<p>Mais tarde, por obra do destino, pude, durante duas décadas à frente da revista LivreMercado, dar sequência a esse inventário, agora com a radicalização das mudanças que atingiram em cheio o setor industrial, centro nervoso da sociedade regional. Desaparecida a revista Livre Mercado em janeiro deste ano, cedendo lugar à &#8220;Deus me livre&#8221;, que, segundo dizem alguns, ainda circula no Grande ABC, mantenho-me antenado neste site.</p>
<p>Aguardem pela inserção das matérias dos tempos da Agência Estado. Saímos do provinciano econômico nas áreas de comércio e de serviços e penetramos lenta mas implacavelmente num estágio de canibalismo que parece não ter fim, com desastrosos efeitos sociais fartamente apontados ao longo dos tempos por LivreMercado.</p>
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		<title>Aidan judicializado</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 18:56:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-aliados do então candidato a prefeito de Santo André, Aidan Ravin, resolveram mudar de tática para provar o que esperam sejam elementos necessários ao impeachment do ex-vereador que surpreendeu a todos com a vitória em outubro do ano passado. O empresário Hélio Tanaka, principal articulador da ofensiva denunciatória de impropriedades na prestação de contas da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ex-aliados do então candidato a prefeito de Santo André, Aidan Ravin, resolveram mudar de tática para provar o que esperam sejam elementos necessários ao impeachment do ex-vereador que surpreendeu a todos com a vitória em outubro do ano passado. O empresário Hélio Tanaka, principal articulador da ofensiva denunciatória de impropriedades na prestação de contas da campanha de Aidan Ravin, anuncia ter solicitado mudança de data do pronunciamento oficial à Polícia Federal, previsto para esta terça-feira, ao mesmo tempo em que recorreu ao Judiciário para cobrar de Aidan Ravin a dívida financeira de campanha.</p>
<p>Ao esticar para janeiro o depoimento à Polícia Federal, instruído que foi pelo advogado Everson Tobaruella, especialista em legislação eleitoral, Hélio Tanaka ganha tempo para analisar em detalhes as declarações de seis vereadores petistas já chamados à Capital.</p>
<p>Paralelamente ao mergulho naqueles depoimentos, Hélio Tanaka busca o respaldo do Judiciário para obter de Aidan Ravin o pagamento de compromissos financeiros. Tudo começou quando o então candidato sem muitas possibilidades de chegar ao segundo turno apareceu na gráfica em Itu para solicitar reforço de material a ser distribuído aos eleitores de Santo André. Aidan Ravin cresceu nos últimos dias de campanha o suficiente para impedir que o petista Vanderlei Siraque fechasse a disputa e também para tomar o segundo lugar de Raimundo Salles. O esvaziamento da candidatura de Newton Brandão foi sincronizado com a subida de Aidan Ravin.</p>
<p>A mudança de plano do vôo que pretende desalojar o titular da Prefeitura de Santo André por ilícito eleitoral acabou surpreendendo quem imaginava que se limitava à esfera da Polícia Federal a tentativa de Hélio Tanaka de acertar as contas com Aidan Ravin e vários companheiros de jornada catapultados a importantes cargos no Paço Municipal.</p>
<p>O ingresso com ação de cobrança na Justiça é tratado como golpe de mestre porque reúne farta documentação que comprovaria a relação negocial entre o candidato Aidan Ravin e o proprietário da gráfica no Interior do Estado. Embora não pormenorize o manancial de provas incriminatórias à prestação de contas da campanha de Aidan Ravin, Hélio Tanaka sugere que há combustível para atear fogo no paiol de fragilidades gerenciais que marcaram aquela candidatura.</p>
<p>Em suma, não haveria argumentos e contraprovas que pudessem retirar Aidan Ravin da zona de apreciação do Judiciário. Mais que isso: quando se confrontarem documentos juntados por Hélio Tanaka e os números da prestação de contas da campanha eleitoral de Aidan Ravin, um buraco vai se abrir no chão da legalidade formal. E aí, espera Hélio Tanaka, todos terão conhecimento de que jamais teria percorrido a sinuosidade de corredores obscuros para, segundo a versão do Paço Municipal, chantagear o prefeito Aidan Ravin.</p>
<p>Como se esse desdobramento fosse necessário. Prefeito de Santo André e assessores silenciam-se persistentemente sobre a questão. Nenhum comunicado, nenhum encontro com a imprensa, nenhuma informação, nenhum desafio a um debate público com os acusadores, nada, absolutamente nada, consta da trajetória já prolongada das denúncias de Hélio Tanaka.</p>
<p>Das duas uma: ou o dono da Gráfica em Itu e apoiador ostensivo da candidatura de Aidan Ravin é um espertalhão que não merece crédito, ou o prefeito Aidan Ravin teme o passado de candidato despreparado a nuances legais de prestação de contas na Justiça Eleitoral e está sendo orientado a fazer ouvidos de mercador até quando for possível.</p>
<p>Como era de se esperar, nem o atual nem o eleito presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Santo André se manifestam sobre as ondas revoltas da moralidade das eleições em Santo André. Tanto José Sinésio quanto Fábio Picarelli não colocam a mão na cumbuca porque interesses cumulativos entre as mais distintas organizações municipais impedem medidas de esclarecimento. É muito mais fácil e cômodo aplaudir as ações da OAB em Brasília. Os gritos por moralidade e justiça ecoam muito melhor longe dos interesses individuais e corporativos locais.</p>
<p>A zona cinzenta da possível argumentação de José Sinésio de que está em fim de mandato e de Fábio Picarelli de que ainda não assumiu de fato e de direito o controle da OAB de Santo André vai ruir a partir de janeiro próximo, quando da troca de comando na entidade.</p>
<p>José Sinésio poderá continuar lavando as mãos agora sem o risco de ser chamado de omisso, mas Fábio Picarelli certamente terá de posicionar-se. Mas dificilmente o fará porque há embricamentos entre a OAB e o Poder Executivo em Santo André que impediriam ações que criassem qualquer tipo de embaraço ao prefeito Aidan Ravin.</p>
<p>Imaginar que entidades de classe empresarial, social e cultural perfilariam em defesa da transparência das contas da campanha que levou Aidan Ravin à condição de principal autoridade municipal de Santo André é superestimar uma sociedade totalmente desorganizada, individualista, alienada e, quando não, controlada por estranhas ramificações detentoras de modus operandi fartamente contemplado no Código de Processo Penal.</p>
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		<title>Até tu, Marcelinho?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 18:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcelinho Carioca concedeu entrevista à chegada da delegação do Santo André em São Paulo após a derrota para o Internacional de Porto Alegre com a costumeira fidelidade e coerência que os contemporâneos de treinamentos e vestiários lhe conferem. Marcelinho disse, em resposta às razões do rebaixamento do Ramalhão, que faltou planejamento para disputar a Série [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelinho Carioca concedeu entrevista à chegada da delegação do Santo André em São Paulo após a derrota para o Internacional de Porto Alegre com a costumeira fidelidade e coerência que os contemporâneos de treinamentos e vestiários lhe conferem. Marcelinho disse, em resposta às razões do rebaixamento do Ramalhão, que faltou planejamento para disputar a Série A e que também houve precipitações ou algo semelhante com a negociação de meia dúzia de jogadores da equipe base que disputou o Campeonato Paulista. </p>
<p>Provavelmente o que mais dói no presidente Ronan Maria Pinto nestes dias pós-rebaixamento são as frases de Marcelinho Carioca. Exceto se não esperava outra coisa de um Marcelinho que também tem parcela de responsabilidade nesse latifúndio de decepções.  </p>
<p>Até recentemente Marcelinho Carioca parecia um boneco animado com dispositivo de gravação pronto a reproduzir aos repórteres de campo sempre a mesma resposta depois de um bom resultado do Santo André na Série A. Enchia a bola de Ronan Maria Pinto no começo, no meio e no fim de cada frase. Embalava-o o sonho da Taça Libertadores e, com isso, potencializar ainda mais o eleitorado que pretende amealhar para chegar à Câmara Federal e, mais tarde, à Prefeitura de Santo André. </p>
<p>O que quero dizer é que se tem alguém sem credibilidade para analisar a queda do Santo André é justamente Marcelinho Carioca. Não só ele, mas todos que cercaram Ronan Maria Pinto de elogios, de frases feitas, de engomação verbal, de tudo que deva ser interpretado como mensagens de devoção &#8212; e nada de advertência.  </p>
<p>O embevecido Ronan Maria Pinto não foge da raia, diz que errou mas que aprendeu. Provavelmente será mais receptivo às críticas nas próximas temporadas. </p>
<p>Ronan Maria Pinto acreditou em todos o tempo todo e o tempo que é o senhor da razão tratou de colocar a situação em ordem. O Santo André caiu por causa de uma montanha de motivos fora e dentro de campo, como todo time que cai, mas o que mais pesou mesmo foi a troca de treinadores. </p>
<p>Vá lá que não ficasse com Sérgio Soares, que comandou a equipe no acesso à Série A no ano passado, mas a chegada de Alexandre Galo nada acrescentou, exceto um acentuado divisionismo no elenco sempre sob a influência de Marcelinho Carioca. Sérgio Soares chegou tarde e não pode imprimir na equipe a personalidade tática que a levou ao sucesso no ano anterior e que também, por recall, manteve em bom nível o rendimento no Campeonato Paulista. </p>
<p>A substituição de técnico, como a troca de executivo numa empresa e de gestor público na atividade governamental, não pode ser encarada como rotina. É certo que não há verdade absoluta sobre a influência de um treinador competente num grupo de jogadores na medida em que prolonga permanência, mas as probabilidades de somar resultados positivos são comprovadamente bem maiores que os solavancos de troca intermitente de comandante. </p>
<p>Há momentos de choques com a chegada de nova chefia que valem a pena, principalmente em situações que cobram impactos para eliminar zonas de conforto exagerado ou de idiossincrasias exacerbadas, mas nem sempre o tiro é certeiro. Na maioria dos casos sai pela culatra. </p>
<p>Mais importante agora do que debater as razões da queda do Santo André é redesenhar o figurino do clube-empresa para a próxima temporada.</p>
<p>Os acontecimentos de 2009 precisam ser avaliados, esmiuçados até, para que não se repitam no ano que vem. Entretanto, cair na real de que se está de volta à Série B do Brasileiro e que a Séria A do Campeonato Paulista não é galinha morta, embora parte dos concorrentes seja estruturada em cima da hora, é questão de sobrevivência. O trauma da queda não pode estender-se indefinidamente mas fingir que não ficaram marcas indeléveis de complicações seria o cúmulo do exagero. Modular o passado recente de fracasso e o futuro necessário de sucesso é, portanto, a grande tacada. </p>
<p>O Santo André começará 2010 com o peso dos desajustes de 2009, mas não pode deixar-se aprisionar pelo afundamento na principal competição do País. </p>
<p>A recomposição do elenco e principalmente do time base para o primeiro semestre do ano que vem é o novo desafio. E nesse ponto a direção acertou primeiro por recontratar Sérgio Soares já com olhos postos em 2010 e também ao trazer um profissional de administração esportiva, Carlito, como facilitador na captura de reforços. </p>
<p>O modelo gerencial do Santo André e da maioria dos clubes puramente esportivos ou igualmente empresariais não me agrada porque, no fundo, no fundo, é a eternização de presidencialismo absolutista disfarçado tanto por colaboradores voluntários como por acionistas submissos. Esse, na verdade, é o preço que se paga porque se entrega a apenas um dirigente praticamente todas as peças de um quebra-cabeças de responsabilidades e decisões.</p>
<p>No mundo futebolístico os resultados não são cientificamente garantidos com base no passado de sucesso nem irremediavelmente sacramentados por causa de fracasso anterior.  Aliás, o Santo André é prova viva disso. </p>
<p>Entretanto, com organização, metodologia e definição de metas é possível amansar o burro bravo do imponderável com razoável eficiência, evitando-se catástrofes como o rebaixamento. </p>
<p>Futebol é algo tão sujeito a chuvas e trovoadas que o melhor que os dirigentes podem fazer é reduzir o grau de instabilidade de resultados, porque erros são quase compulsórios. Não fosse assim, os times, todos os times, não passariam o final e o começo do ano negociando jogadores que deram com os burros nágua, mesmo que, quando contratados, tenham sido cuidadosamente submetidos a avaliações e invariavelmente festejados como soluções. </p>
<p>Marcelinho Carioca tem razão quando fala na falta de planejamento e no excessivo contingente de jogadores negociados, mas não tem o direito de fazer comentários porque passou o tempo todo repetindo a toada bajulativa a quem o idealizou candidato.  </p>
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		<title>Transparência sacralizada</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 18:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[A tentativa de sacralizar o Portal da Transparência que a administração Aidan Ravin exibe em página na Internet é algo tão manipulador quanto acreditar na eficiência de uma equipe de futebol que mantém a posse de bola durante muito mais tempo que o adversário. Tanto a transparência pode ser apenas ou principalmente uma jogada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tentativa de sacralizar o Portal da Transparência que a administração Aidan Ravin exibe em página na Internet é algo tão manipulador quanto acreditar na eficiência de uma equipe de futebol que mantém a posse de bola durante muito mais tempo que o adversário. Tanto a transparência pode ser apenas ou principalmente uma jogada de marketing quanto o tempo a mais de domínio de bola não passaria de inútil tentativa de encontrar um jeito de jogar contra adversário mais organizado e objetivo.</p>
<p>A relativização da importância do Portal da Transparência tanto da administração de Aidan Ravin como de Gilberto Kassab em São Paulo, o caso mais divulgado dessa tática de sedução dos eleitores e contribuintes, é o contraponto de ponderações ao endeusamento da iniciativa.</p>
<p>Não faltam editorialistas que se jogam nas águas gélidas do<br />
deslumbramento acrítico mesmo com as evidências de que dados relatoriais expõem situações específicas que induzem a erros de julgamento. Como é o caso de um médico da Prefeitura de Santo André de vencimentos salariais confundidos com rescisão contratual que ganharam ampla publicidade. Nos tempos pré-presidenciais de Collor de Mello estaria entregue à sanha popular como representante da classe de privilegiados marajás.</p>
<p>O uso da Tecnologia da Informação para estabelecer proximidade com colaboradores, consumidores ou contribuintes é caminho sem volta em diferentes ambientes corporativos. A abertura das contas na atividade pública está-se tornando compulsória.</p>
<p>Entretanto, da mesma forma que seria um acinte ignorar as ferramentas básicas de comunicação com a sociedade, o endeusamento engajado se converteria em estupidez completa.</p>
<p>Acreditar que a transposição de dados para a tela de computador é prova de gestão democrática e a salvo de corrupção significa instalar a tecnologia em patamar canônico. No máximo, o repasse de dados da administração pública significa que o gestor em questão conta com planilhas detalhadas de receitas e despesas, não que tanto receitas quanto despesas, principalmente as despesas, sejam transparentes e eticamente contratadas na origem.</p>
<p>Sei lá se o governo do Estado tem algum portal de transparência. Se o tiver, provavelmente os detalhes do contrato com o consórcio responsável pela ponte do trecho sul do Rodoanel que desabou nas imediações da Rodovia Regis Bittencourt não especificam pecados técnicos que a imprensa denunciou após o acidente.</p>
<p>Quem tem a pretensão de colocar uma gestão pública acima de qualquer suspeita apenas porque há um endereço eletrônico disponível a qualquer instante para se aferirem despesas e receitas está preparadíssimo para sentar-se no banco de reservas do Flamengo no lugar do técnico Andrade só porque a televisão torna igualmente transparente a movimentação dos 11 jogadores da equipe rubronegra. O buraco é muito mais embaixo, como se sabe.</p>
<p>O senso crítico do contribuinte não avançará um milímetro sequer por conta de numeralha. Se a ordem é democratizar a informação, sugiro que a administração Aidan Ravin libere a participação de contribuintes ou não com análises críticas dos dados disponíveis. Como os jornais e revistas costumam abrir espaços para os leitores, com a diferença de que não haveria critérios discricionários nem privilegiados. Mas que também não se permitisse a participação de profissionais da agressão e do deboche, que os blogs, de maneira geral, industrializam em busca de audiência.</p>
<p>Vou mais longe na proposta, retirando-se portanto o portal da<br />
transparência de Aidan Ravin e de eventuais outros prefeitos da zona da obscuridade analítica: um comitê formado por voluntários reconhecidamente apetrechados no destrinchamento de informações públicas filtraria a avaliação das informações. Será que o prefeito Aidan Ravin topa? Seria ótimo.</p>
<p>Decifrar os gastos públicos não é obra para amadores. Será que os gestores públicos também topariam publicar dados comparativos? Quando criei o Instituto de Estudos Metropolitanos, laboratório virtual que pretendo reativar na medida em que contar com parceiros, colocamos à disposição dos leitores nada menos que 15 indicadores diversos, de criminalidade a sociais, de finanças e econômicos, reunindo 77 municípios. Formulamos quatro microindicadores distintos mas também interdependentes, que geraram um macroindicador.</p>
<p>Expusemos e analisamos permanentemente os números envolvidos. Com o IEME descobrimos, por exemplo, o quanto o Grande ABC iludia a platéia ao afirmar que os valores despendidos por proprietários de veículos eram os mais salgados do Estado. Provamos que quando se correlacionavam custos de uma apólice de veículos semelhantes com o índice de furtos e roubos, pagava-se e paga-se proporcionalmente menos no Grande ABC.</p>
<p>Qualquer portal de transparência só será digno dessa denominação quando a sociedade estiver comprometida de fato não apenas como consumidora de informações invariavelmente herméticas, mas como ativa questionadora dos dados.</p>
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		<title>Fundação Milton Andrade</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 20:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[O melhor mesmo é não confiar na memória, porque a memória do povo é curta, tão curta quanto a cidadania. Fosse diferente, o Brasil não seria o que é, uma Brasília em estado bruto, embrutecido, ampliada e estuprada em responsabilidade social. 
Por isso, o movimento de artistas e intelectuais que reivindicam o nome de Milton [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O melhor mesmo é não confiar na memória, porque a memória do povo é curta, tão curta quanto a cidadania. Fosse diferente, o Brasil não seria o que é, uma Brasília em estado bruto, embrutecido, ampliada e estuprada em responsabilidade social. </p>
<p>Por isso, o movimento de artistas e intelectuais que reivindicam o nome de Milton Andrade à Fundação das Artes de São Caetano é providencial, justo, meritório e, certamente, não terá do prefeito José Auricchio Júnior outra decisão senão a confirmação. </p>
<p>Tomara que não seja apenas uma confirmação formal da denominação Fundação das Artes Milton Andrade. A medida merece cerimônia especial, com direito a placa denominativa, a familiares presentes, a amigos e aficcionados a postos. Quem sabe até com telão com alguns dos melhores momentos de Milton Andrade como artista elástico?</p>
<p>E olhem que tudo isso vai contra minha natureza, de não ser chegado a lantejoulas cívicas. </p>
<p>Até hoje, se querem saber a verdade, não sei onde estava com a cabeça quando fui receber na Câmara Legislativa de Santo André o título de Cidadão Andreense e, um pouco depois, na Câmara de São Bernardo, a Medalha João Ramalho. </p>
<p>Acho que foram momentos em que não estava batendo bem, porque sou avesso a festas embora, prestem atenção os leitores, considero-as fundamentais a terceiros que mereçam. </p>
<p>Não fosse assim, teria sido este jornalista estúpido completo, porque ao longo de 15 anos de Prêmio Desempenho Empresarial, de Prêmio Desempenho Social e de Prêmio Desempenho Cultural, entreguei exatamente 1.718 troféus. Todos com o suporte de decisões da sociedade, na forma de Conselho Editorial, e sempre com auditoria externa à verificação das planilhas. No Prêmio Desempenho, ao contrário de tantos outros, jamais houve maracutaia. Pode ter havido e acredito que houve injustiças, de gente que eventualmente não deveria receber a premiação, de gente que foi esquecida, mas maracutaia não. Felizmente, Milton Andrade o recebeu em vida e muito antes da doença manifestar-se.  </p>
<p>No fundo, no fundo, acho que dono de veículo de comunicação não deveria receber título algum durante o período em que está na ativa. Não faltam séquitos de puxa-sacos para lustrar o ego de quem acreditam ter o poder de oferecer contrapartidas. No Prêmio Desempenho que comandei com punhos de ferro, proprietário de veículo jamais foi agraciado. O regulamento não permitia. Fausto Polesi, que comandou a redação do Diário do Grande ABC durante mais de quatro décadas, só foi submetido à votação e alcançou o título de Imortal depois de ter deixado aquela publicação. </p>
<p>A melhor homenagem que costumam me prestar, se se pode chamar de homenagem o que vou revelar, é a demanda ainda grande por exemplares de &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221;, um dos livros que escrevi mas sem dúvida o meu xodó literário, porque resume de forma sarcástica, abusada e politicamente incorreta uma realidade histórica do Grande ABC. São pouquíssimos exemplares de que disponho. Muitos estudantes já copiaram páginas à exaustão. Minha dúvida está entre atualizá-lo e partir para uma segunda edição ou reproduzi-lo da forma original neste site. </p>
<p>No caso específico de Milton Andrade, não se trata de lantejoulas cívicas a homenagem sugerida por artistas e intelectuais. Milton Andrade, que se foi no último dia primeiro de dezembro, é sinônimo de multicultura. Por isso não custa nada assegurar materialmente sua obra para a posteridade. A Fundação das Artes é pedida sob medida, porque foi seu criador, incentivador e diretor. </p>
<p>Recebi da agitadora cultural Dalila Teles Veras a informação do movimento pró Fundação Milton Andrade. Mais que a informação: recebi cópia da carta enviada ao prefeito de São Caetano, com duas páginas de assinatura. </p>
<p>A mesma São Caetano que concedeu a Milton Andrade o título de cidadania quando já se insinuava que a enfermidade que o atacara não o deixaria em paz, ou o levaria à paz inabalável, não pode deixar de acrescentar à inscrição da Fundação das Artes o nome desse itapirense rebelde. Mais que rebelde, é claro. Como escreveu em agosto de 2007 a sempre bem articulada Dalila Teles Veras: &#8220;Desnecessário aqui dizer, em especial, para os 2,3 milhões de habitantes desta região, que é Milton Andrade, seu morador ilustre que há mais de quatro décadas participa intensamente, com inteligência e ousadia, de sua vida cultura, em suas múltiplas expressões&#8221;. </p>
<p>Esse fragmento de texto de Dalila Teles Veras foi retirado do blog que anunciava a concessão do título de Cidadão Sulsancaetanense a Milton Andrade, por iniciativa do vereador Horácio Neto. &#8220;De tudo que realizou (como ator, administrador cultural, advogado, crítico, professor de literatura, escritor, dentro outros), Milton soube, mais do que tudo, fazer amigos. E foram eles (algumas centenas, dos mais representativos em todas essas áreas) que lotaram o auditório da Fundação das Artes na noite de ontem para aplaudir e retribuir a generosidade que Milton sempre repartiu com eles&#8221; &#8212; escreveu Dalila. </p>
<p>Agora é só repetir aquela festa &#8212; sem corpo mas de alma presente do grande homenageado.</p>
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		<title>Cuidado, Ademir Medici</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 17:58:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornalista Ademir Medici, que dignifica o jornalismo no Grande ABC recheado de piratas, tem de tomar cuidado para não sentir ferroadas de zangões de plantão avessos a críticas.  
Ferroadas de zangões, nesse caso, é metáfora, claro, porque zangões de fato não ferroam ninguém. No caso dos zagões políticos, ferroam até demais, mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornalista Ademir Medici, que dignifica o jornalismo no Grande ABC recheado de piratas, tem de tomar cuidado para não sentir ferroadas de zangões de plantão avessos a críticas.  </p>
<p>Ferroadas de zangões, nesse caso, é metáfora, claro, porque zangões de fato não ferroam ninguém. No caso dos zagões políticos, ferroam até demais, mas o fazem de forma tão dissimulada que transmitem a sensação de que são como os zangões biológicos.  </p>
<p>Ademir Medici, memorialista que está entre os Imortais do Grande ABC, premiação de valor inestimável porque foi concedida pela sociedade na forma do Conselho Editorial da Editora Livre Mercado (não confundam com a pobre revista Livre Mercado destes tempos de recuperador tributário) deu de cutucar a onça do governo Aidan Ravin com a vara curta de uma reivindicação.  </p>
<p>Ademir Medici quer ver o prédio do Nosso Bar preservado pelo Poder Público. Nada de extravagante, levando-se em conta as características externas do imóvel que em 2014 vai completar 100 anos no centro velho de Santo André. </p>
<p>Não é improvável a administração Aidan Ravin ceder à demanda do jornalista, embora o secretário de Cultura tenha se manifestado, como apontou Ademir Medici, de forma generalista, gélida e distante demais no email enviado ao proponente. </p>
<p>Aidan Ravin tem faro fino para o marketing, por isso dificilmente se deixará pressionar por Ademir Medici sem dar resposta convincente. Talvez até não faça nada, porque tanto Aidan Ravin quanto outras autoridades públicas nacionais não estão nem aí com patrimônio histórico, mas não se descarta a possibilidade de o chefe do Executivo de Santo André dar um jeitinho de sugerir que vai tomar providências. </p>
<p>Quem ainda não entendeu o que quero dizer vai entender agora: duvido que Aidan Ravin deixe esse rabo de complicações crescer além do que lhe interessaria para, na sequência, agir com o estardalhaço habitual, porque se tem algo que o prefeito de Santo André sabe fazer como poucos é marketing. O portal da transparência é mais um caso emblemático dessa política de comunicação, mas escreveremos sobre o assunto em outra oportunidade. </p>
<p>O que talvez coloque Aidan Ravin em posição mais conservadora e que tolha a vontade imensa que já tem de fazer uma média requentada com o Nosso Bar seja o que viria a seguir. E o que viria a seguir? Uma enxurrada de demandas assemelhadas, porque há muito patrimônio histórico a ser preservado numa Santo André mais que quatrocentona. </p>
<p>Não vou entrar no mérito da iniciativa de Ademir Medici, porque não sou especialista em patrimônio histórico, mas se o grande jornalista que o Diário do Grande ABC preserva como fonte inesgotável de enquadramento do passado da região em página diária diz que é importante, só tenho de acreditar. </p>
<p>O que sei por experiência própria de observador da cena regional é que Santo André jamais se recuperará daquela que considero a maior barbaridade já cometida num passado não muito distante. Estou me referindo à destruição irresponsável do Estádio Américo Guazzelli, onde Pelé marcou o primeiro gol de uma série de 1280. Sim, o gramado e as arquibancadas do Estádio do Corinthinha, como era mais conhecido, foram para o beleleu por conta de uma associação trágica de insensatez, ignorância, ganância e desprezo à história. </p>
<p>O cuidado que Ademir Medici tem de tomar quando mexe nesse formigueiro não é fruto de imaginação. Há uma rede de proteção ao prefeito de Santo André que procura neutralizar quem ousa opor-lhe algum tipo de crítica. Essa mesma rede é especializada em táticas nem sempre nobres que afetam a reputação de oponentes circunstanciais ou não. </p>
<p>Imaginem os leitores se Aidan Ravin fosse Lula da Silva e um Diogo Mainardi estivesse de plantão a lhe espicaçar a alma? </p>
<p>Talvez falte mesmo um Diogo Mainardi na vida de Aidan Ravin, mas não creio que há disponível no Grande ABC um jornalista com semelhante característica porque além de talento é necessário também a retaguarda de mídia ideológica e independente e, além disso, predisposição ao massacre. </p>
<p>Talvez o prefeito de Santo André não participe direta ou indiretamente da rede de deformadores de informações, mas seus aliados são tão ciosos do dever de sustentar a cidadela conquistada que todo e qualquer tipo de análise que fuja do elogio justo ou do puxassaquismo descarado é vista com extrema desconfiança. Um dos rótulos que mais propagam é de que a administração está sendo vítima de profissionais comprometidos com outras legendas partidárias. </p>
<p>Provavelmente Aidan Ravin esteja pagando o preço de relacionamentos complexos porque é novato na arte da política e também porque coloque no mesmo saco gregos e troianos da imprensa regional.</p>
<p>Não custa nada alertar Ademir Medici porque não faltarão aqueles que, dadas às características digamos menos beligerantes de seu trabalho, já estejam preparando arsenal de maledicências para colocá-lo na zona de suspeição. </p>
<p>Espero que o desfecho do Nosso Bar não seja uma ação pontualmente de marketing, mas sim uma definição de políticas mais consistentes de preservação das riquezas patrimoniais que Santo André detém. Algo muito difícil de acreditar também se o caso se desse em qualquer outro Município do Grande ABC. Não temos cultura preservacionista. </p>
<p>O desmanche da manjedoura de gols de Pelé é a prova suprema dos descasos históricos. </p>
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		<title>Fora a matemática!</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 16:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Como não acredito em conceitos matemáticos desenhados por gente especializada em números que transforma estudos esportivos em marimbondos enlouquecidos, procuro outra vereda para tentar estabelecer algum juízo de valor das possibilidades de o Santo André safar-se da Série B do Campeonato Brasileiro na próxima temporada. 
Os quase 100% atribuídos ao Santo André como probabilidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como não acredito em conceitos matemáticos desenhados por gente especializada em números que transforma estudos esportivos em marimbondos enlouquecidos, procuro outra vereda para tentar estabelecer algum juízo de valor das possibilidades de o Santo André safar-se da Série B do Campeonato Brasileiro na próxima temporada. </p>
<p>Os quase 100% atribuídos ao Santo André como probabilidade de queda pelos estatísticos de plantão não me dizem nada. Eles já o fizeram com relação ao Fluminense e todos viram no que deu. E também o fizeram em relação ao Palmeiras e, igualmente, deram com os burros nágua. </p>
<p>Qual seria de fato a situação classificatória do Santo André na competição, matemática fora, agora que três resultados interdependentes decidirão se seguirá na Série A? </p>
<p>Como se sabe, o time de Sérgio Soares precisa vencer o Internacional em Porto Alegre e contar também com a derrota do Botafogo para o Palmeiras no Engenhão e do Coritiba para o Fluminense no Couto Pereira. Dá para tomar um Kaiser antes? &#8212; perguntaria o torcedor mais equilibrado. </p>
<p>Vejo o Santo André fora do rebaixamento à Série A da mesma forma que vejo o São Paulo tetracampeão da competição. O quanto isso significa em termos matemáticos é o que menos me interessa. Quero mesmo é fazer conjecturas técnicas. </p>
<p>Para ganhar o título da temporada o São Paulo precisa vencer o Sport e torcer para que Flamengo, Palmeiras e Internacional não vençam. Se o técnico Ricardo Gomes praticamente jogou a toalha nas entrevistas que concedeu após a goleada diante do Goiás, domingo passado, por que Sérgio Soares deveria agir diferentemente? </p>
<p>Apenas o Diário do Grande ABC, das leituras que fiz dos jornais de segunda-feira passada, tratou a rodada do final de semana como restauradora para o Santo André. Passou-se mensagem de expectativa de salvamento que os números classificatórios e as especificidades da rodada não endossam. </p>
<p>Jogasse o Santo André em casa, o Botafogo no Parque Antártica e o Coritiba no Maracanã, as possibilidades de safar-se seriam bem maiores, mas nem por isso redentoras. Menos mal que o Ramalhão não tenha de enfrentar um Internacional desesperado por uma vaga na Taça Libertadores, já garantida.</p>
<p>Uma leitura mais que otimista da rodada de domingo está alimentando as parcas esperanças de o Santo André continuar na principal vitrine do futebol brasileiro. Que cenário seria esse?</p>
<p>Imaginem que o Internacional, atingido em cheio por uma vitória rapidíssima do Flamengo no Maracanã diante de um Grêmio desinteressadíssimo, resolvesse afrouxar o ritmo e relegasse o jogo a um simples amistoso? Seria a oportunidade do Santo André conquistar os três pontos. </p>
<p>Mas o que pergunto é o seguinte: será que o Internacional vai se deixar abater por eventual definição rápida do resultado no Maracanã, que aumentaria a suspeita de malandragem do Grêmio? Não estaria o Internacional preparado para esse cenário e decidido, por conta disso, a ganhar o jogo de qualquer forma para, pelo menos no ambiente beligerante do Sul, propagandear um título moral, como a Seleção Brasileira de Cláudio Coutinho na Copa da Argentina, ao mesmo tempo em que infligiria toneladas de desconfiança e de traição para soterrar a credibilidade do velho rival? </p>
<p>Alguém acredita que o Internacional vencedor contra o Santo André e prejudicado por eventual corpo mole do Grêmio no Maracanã vai deixar barato a possibilidade de retaliar o arqui-inimigo? Por isso, a possibilidade de o Internacional entregar a rapadura motivacional contra o Santo André não é lá algo plausível. O Santo André, portanto, que conte com suas próprias virtudes se quiser surpreender. </p>
<p>Voltando ao cenário otimista de o Santo André vencer o Internacional em Porto Alegre, ainda faltariam os resultados em Curitiba e no Rio de Janeiro. </p>
<p>A derrota do Botafogo seria a consequência de um Palmeiras motivadíssimo, depois de ameaçado com a notícia de que no mesmo horário, na Vila Belmiro, o Cruzeiro vencia o Santos e obrigava o time de Muricy Ramalho a somar pelo menos um ponto. Esse é o problema, porque basta um ponto conquistado pelo Botafogo para estreitar-se ainda mais a sobrevivência do Santo André na competição.  </p>
<p>O Botafogo poderá até safar-se com o empate, mas para o Santo André não existe condicionalidade: uma das quatro últimas posições ainda estaria em disputa. No caso do Botafogo não somar ponto, o Santo André teria ainda de concentrar a torcida contra o Coritiba, que sequer pode empatar com o Fluminense, senão a vaca ramalhina iria para o brejo. </p>
<p>Como quebrar o ímpeto do Coritiba se a equipe da capital paranaense só depende das próprias forças para não manchar o centenário de fundação com um ingresso na Série B? Só mesmo o Fluminense, além do Palmeiras, poderia salvar o Santo André. Um Fluminense extraordinariamente reestruturado pelo técnico Cuca e que, verdade seja dita, não merece o rebaixamento depois de saga fabulosa de recuperação. </p>
<p>É possível que desde a implantação de pontos corridos e de 20 concorrentes participarem da Série A do Campeonato Brasileiro o limite de 45 pontos ganhos não seja suficiente para fugir do rebaixamento. Nas temporadas passadas quem chegou a 45 pontos em 38 jogos respirou fora da zona de rebaixamento. Nesta rodada de domingo, a estatística só seria fortalecida com a derrota do Botafogo ou com a derrota do Coritiba, que somam 44 pontos, número ao qual chegaria o Santo André em caso de vitória no Sul. Na Série B, o dique dos 45 pontos não foi rompido. </p>
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		<title>Voltando às eleições</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 20:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[O segundo turno das eleições municipais do ano passado no Grande ABC foi disputadíssimo. As prefeituras de Santo André, São Bernardo e Mauá estavam em jogo com orçamentos milionários, poder político que ultrapassa as fronteiras locais e uma evidente implicação de regionalidade. Mais que tudo isso, a bem da verdade: estava em disputa o controle [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O segundo turno das eleições municipais do ano passado no Grande ABC foi disputadíssimo. As prefeituras de Santo André, São Bernardo e Mauá estavam em jogo com orçamentos milionários, poder político que ultrapassa as fronteiras locais e uma evidente implicação de regionalidade. Mais que tudo isso, a bem da verdade: estava em disputa o controle institucional do Grande ABC, pelo menos o controle institucional formal, porque do resultado final sairia o grupo que dominaria tecnicamente o Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Por mais que tenha poucos recursos financeiros e ficha de serviços prestados aquém do que se propaga, o Clube dos Prefeitos goza de etiquetagem respeitável para os padrões reverenciais acríticos da cultura nacional. Ou alguém tem dúvida de que em larga escala instituições públicas ou privadas são excelente forma de glamourização de individualidades, da mesma forma que, paradoxalmente, essas mesmas individualidades que compõem o coletivismo organizado não conseguem reproduzir a soma dos valores de cada um? Mas essa é uma outra histórica.</p>
<p>O que interessa nesse caso é que tucanos e assemelhados estavam ganhando o jogo por 3 a 1, depois que a São Caetano de José Auricchio Júnior, a Ribeirão Pires de Clóvis Volpi e a Rio Grande da Serra de Kiko Teixeira consagraram aliados do governo do Estado, enquanto Diadema de Mário Reali fez o único gol dos petistas.</p>
<p>A maioria de sete votos no Clube dos Prefeitos estava numericamente mais próxima de tucanos e assemelhados porque, convenhamos, depois dos 3 a 1 do primeiro turno, bastaria mais um para se alcançar a maioria. Entretanto, as pesquisas eleitorais indicavam que o PT ganharia as três cidadelas que restavam no segundo turno e, com isso, assumiria as rédeas táticas da instituição.</p>
<p>O que apresento aos leitores neste site cuja longevidade e acessibilidade proporcionadas pelo mundo digital vão muito além da precariedade física e da restritividade consultiva do papel é o conjunto de matérias e análises que preparei para publicação numa edição especial da revista LivreMercado (não confundam, por gentileza, com essa porcaria que está por aí com o mesmo nome, mas que não passa, de fato, de &#8220;Deus me livre&#8221;) que circulou em dias imediatamente anteriores à realização do segundo turno.</p>
<p>A decisão de trazer para o mundo digital o que se limitava ao impresso prende-se a várias razões. Uma das quais é a possibilidade de desmascarar versões de candidatos que propagam ilusões reclamatórias para justificar derrota. Querem exemplo claro? Na projeção estatística dos resultados do segundo turno em Santo André, São Bernardo e Mauá, contamos com resultados de três institutos de pesquisas: o contratado pela Editora Livre Mercado (Instituto Brasmarket), o contratado pelo Diário do Grande ABC (Ibope), e o contratado pelo Repórter Diário (Scenso). Foi sob essa base de dados associados que preparamos a análise crítica da disputa que viria nos dias seguintes.</p>
<p>E por que tomamos aquela decisão se tínhamos plena confiança (como continuamos a ter) no Instituto Brasmarket? Simplesmente porque sabíamos que período eleitoral tem relação estreita com guerra civil, quando tudo se permite, inclusive o assassinato de reputações. Ao dar transversalidade numérica à análise do segundo turno, quebramos a coluna vertebral dos prevaricadores éticos.</p>
<p>Foram quase 100 mil caracteres produzidos por este jornalista àquela edição especial. Para ser exato, escrevemos 93.966 num período de complicações empresariais terrível, quando águas imundas de permissividades corporativas atingiam em cheio o convés da Editora Livre Mercado. Piratas travestidos de salvadores da pátria já tinham, inclusive, adentrado a embarcação, com ordens de sabotagens que culminaram com o encerramento das atividades da melhor revista regional que o País já produziu.</p>
<p>A melhor revista regional só mudou de nome, porque todo o acervo que a consagrou está sendo disponibilizado neste site, enquanto todo o conhecimento dos recursos humanos que a compunham foi para o espaço. Para desespero de quem comprou uma fábrica da Coca Cola e a transformou em Tubaína.</p>
<p>Seguem abaixo os tópicos sobre os quais os leitores poderão fazer escolhas de prioridade de leitura do material distribuído na Editoria de Eleições.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/pesquisas-dao-vitorias-aos-petistas/">Pesquisas dão vitórias aos petistas</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/pt-pode-ficar-com-82-do-pib/">PT pode ficar com 82% do PIB</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/manente-da-mais-forca-a-marinho/">Manente dá mais força a Marinho</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/siraque-conta-com-mais-votado/">Siraque conta com mais votado</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/oswaldo-ganha-mais-impulso-com-diniz/">Oswaldo ganha mais impulso com Diniz</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/brasmarket-antecipa-primeiro-turno/">Brasmarket antecipa primeiro turno</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/o-que-faz-diferenca-na-escolha/">O que faz diferença na escolha?</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/quanto-pesa-prestigio-de-lula/">Quanto pesa prestígio de Lula?</a><br />
<img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/politica/conselho-coloca-pt-nas-prefeituras/">Conselho coloca PT nas Prefeituras</a></p>
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		<title>Lembrando Milton Andrade</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 19:26:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[A morte do multicultural Milton Andrade jamais colocará um ponto final na carreira de quem tanto dignificou o sentimento de cidadania e regionalidade. Muito mais que isso: esse brilhante profissional ajudou a mostrar a céticas platéias extra-muros que não somos apenas (ou fomos no passado) apertadores de parafusos, com todo o respeito que a atividade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A morte do multicultural Milton Andrade jamais colocará um ponto final na carreira de quem tanto dignificou o sentimento de cidadania e regionalidade. Muito mais que isso: esse brilhante profissional ajudou a mostrar a céticas platéias extra-muros que não somos apenas (ou fomos no passado) apertadores de parafusos, com todo o respeito que a atividade ligada ao passado industrial do Grande ABC merece. Também contávamos e contamos com cérebros.</p>
<p>As lembranças que tenho de Milton Andrade são inúmeras, mesmo sem ter tido o prazer de conviver com ele o mínimo necessário. Teria muito a ganhar se de vez em quando tirasse umas horas para conversar com esse agitador cultural. Mas não estou sozinho na orfandade, porque nenhum agente de comunicação terá tido intensidade informativa para analisar Milton Andrade sem cometer o erro da subestimação. Por isso, o faremos dentro das possibilidades que nos restaram.</p>
<p>Para começar, reproduziremos na Editoria de &#8220;Sociedade&#8221; um texto maravilhoso de Malu Marcoccia, publicado na edição de janeiro de 1998 na revista LivreMercado (não confundir com a &#8220;Deus me livre&#8221; destes últimos tempos, sob o comando do recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos).</p>
<p>Sob o título &#8220;Um polivalente cultural&#8221;, Malu Marcoccia mostra com clareza a diferença entre jornalista de fato e de direito e jornalista apenas de fachada. Uma profissional à altura do entrevistado, diria.</p>
<p>Um outro texto que recuperamos e expomos à saciedade dos leitores foi escrito do próprio punho por Milton Andrade e integra o livro &#8220;Nosso Século XXI&#8221;, Versão 1, lançado em dezembro de 2001 num completamente lotado Clube Atlético Aramaçan.</p>
<p>Sob o título &#8220;Aparelho cultural está desatualizado&#8221;, Milton Andrade discorre sobre o setor no Grande ABC. &#8220;O Grande ABC, que até aqui sobreviveu à nebulosa pré-história cultural, espera neste século novo por uma cultura nova. Uma cultura que contemple a preservação de bens e de documentos indispensáveis à leitura do seu passado e que possibilite o registro fiel do tempo em que vive, através da arte&#8221; &#8212; eis um dos trechos do artigo bem à moda de Milton Andrade, crítico sem deixar de ser prospectivo, ácido sem perder a ternura.</p>
<p>Não sei se deveria revelar aos leitores mas como não costumo esconder quase nada, eis que fiquei intrigado ao preparar este texto. Procurei nos arquivos deste site o artigo de Milton Andrade preparado para a edição de &#8220;Nosso Século XXI&#8221;. Infelizmente, não encontrei. Como pode? Decidi conferir, agora com a edição impressa em papel. Dos 27 convidados a participar daquela até então maior obra coletiva do Grande ABC (superada em 2008 por uma segunda versão, agora com 36 participantes) apenas e incrivelmente o ensaio de Milton Andrade não constava do acervo digital.</p>
<p>Não me perguntem a razão. Minha assessoria também não consegue explicar. Não acredito que algum hacker tenha boicotado o site, retirando-lhe uma pedra preciosa. Finalmente me dei conta de que buscar explicações seria perda de tempo. Movi-me no sentido de sanar o problema. Capturei o texto em outro arquivo e solicitei a consequente introdução neste site.</p>
<p>Agora só falta os leitores conhecerem um pouco mais de Milton Andrade, essa figuraça de voz grave, de olhar sempre atento, que preenchia todos os espaços que a inteligência e o carisma permitiam.</p>
<p>Meus sentimentos de gratidão a Milton Andrade vão além do fato de ter acompanhado sua performance mesmo à distância na maioria das vezes, inclusive como discreto personagem de telenovelas da Globo.</p>
<p>Quando ele travestiu-se do personagem de São Caetano na obra Complexo de Gata Borralheira, em leitura dramática naquela noite de 16 de abril de 2002 num Teatro Municipal de Santo André completamente lotado, jamais me senti tão recompensado pelo faro fino de Euclides Rocco, o teatrólogo que o escolheu para personificar o quase aristocrático Município do Grande ABC.</p>
<p>Milton Andrade foi extraordinário. Como os demais municípios da região levados ao palco por outros experientes atores voluntários e ainda sob o impacto da morte do prefeito Celso Daniel, Milton Andrade proporcionou uma das maiores alegrias de minha carreira. Meus personagens ganharam vida.</p>
<p>Eleito democrática e transparentemente Imortal do Grande ABC, uma premiação que coordenei à frente do Conselho Editorial de LivreMercado, que, nos últimos tempos, chegou a contar com mais de 250 integrantes, Milton Andrade obteve em vida o reconhecimento da sociedade regional que jamais se permitirá esquecê-lo. Pelo menos enquanto este site estiver no ar.</p>
<p>A colaboração de Milton Andrade a &#8220;Nosso Século XXI&#8221; com uma bem elaborada proposta de fortalecimento da cultura regional é o testemunho do quanto pretendia ver um Grande ABC menos provinciano. &#8220;Já estamos no século XXI e é necessário que nos apressemos a vivê-lo mais bem aparelhados do que estamos. É preciso planejar o amanhã. Não fazer isso é muito maior falta de siso e de senso de ridículo do que tentar vislumbrar um pouco dos dias que virão&#8221; &#8212; escreveu o Imortal.</p>
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		<title>Até quando, até quando?</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 18:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem mora no Grande ABC e especialmente em Santo André não pode dar um passo adiante para compor uma frente ampla ou estreita em defesa da ética e da moralidade na vida pública por conta do que está acontecendo no Distrito Federal, um dos novos escândalos da República. Quem resolver bater no peito ou aplaudir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem mora no Grande ABC e especialmente em Santo André não pode dar um passo adiante para compor uma frente ampla ou estreita em defesa da ética e da moralidade na vida pública por conta do que está acontecendo no Distrito Federal, um dos novos escândalos da República. Quem resolver bater no peito ou aplaudir para valer a eventual derrubada do governador do DF está exagerando na dose. Diante do nariz de todos, mais precisamente no Paço Municipal, está o titular do Executivo que, acusado de cometer ilicitudes durante a campanha que o consagrou nas urnas, não faz nada para chamar à responsabilidade o empresário Hélio Tanaka, seu denunciante, ex-aliado, ex-financiador da campanha.</p>
<p>Ora bolas, se Aidan Ravin não faz nada, se parte da mídia lhe confere inequívoco apoio com o silêncio de quem finge que nada lê nem ouve, onde estarão os cidadãos de Santo André que também não reagem para punir um prefeito eventualmente prevaricador ou para botar atrás das grades um empresário tresloucado, vingativo e destruidor de reputações?</p>
<p>Que será que a Ordem dos Advogados do Brasil em Santo André vai fazer para botar ordem no galinheiro de informações compulsoriamente unilaterais do acusador? Com quem estará de fato a verdade?</p>
<p>Sairá o presidente Sinésio Correia em busca de canais de informações para dizer que reunirá extraordinariamente a diretoria em fim de mandato para convocar o empresário Hélio Tanaka ou terminará em silêncio o restante da jornada?</p>
<p>E o presidente recém-eleito, Fábio Picarelli, antecipará tecnicamente o mandato para defender a transparência de dados e informações do empresário que será ouvido pela Polícia Federal em 15 de dezembro?</p>
<p>Será que o escândalo no Distrito Federal não deveria servir de incentivo ao esclarecimento do caso em Santo André?</p>
<p>Será que a OAB de lá é melhor que a OAB de cá?</p>
<p>E as entidades de classe econômica, social, cultural e assistencial, que nada fazem? Vão continuar assistindo passivamente a intermitente série de acusações e denúncias contra Aidan Ravin?</p>
<p>O fato é que a permissividade com instâncias públicas no Brasil alcançou altitudes inimagináveis. Nas periferias das capitais, então, é um salve-se-quem-puder. É um vale-tudo despudorado. A ausência de mídia de massa é incentivo incontrolável à vadiagem de quem denuncia ou de quem é atingido.</p>
<p>Fosse o prefeito Aidan Ravin mais respeitoso com a população que o elegeu, o mínimo que empreenderia para colocar a eleição que o consagrou fora do eixo de irregularidades seria o chamamento da Imprensa para esclarecimentos.</p>
<p>Diriam os simplistas que seria demais tamanha ingenuidade do prefeito, porque Aidan Ravin como qualquer mandatário público navega ao sabor das pressões. E, como se sabe, não há nada que mereça essa contextualização em se tratando do declarado escândalo de financiamento da campanha eleitoral que o consagrou.</p>
<p>Lamentavelmente, o Grande ABC como um todo e Santo André nesse particular, não têm a menor vocação a esclarecimentos públicos. Vivemos nas trevas da cidadania, estilhaçados que fomos ao longo dos anos por uma associação sinistra de naufrágio social e esfacelamento da base industrial, temperados por um renitente, porque histórico, Complexo de Gata Borralheira.</p>
<p>A idéia do empresário Hélio Tanaka de fazer greve de silêncio no depoimento à Policia Federal, caso nada de novidade ocorra até lá, principalmente por parte da OAB de Santo André, deveria ser levada adiante mesmo, deixando eventual terreno da ameaça. A passividade com que Santo André acompanha o noticiário alimentado pelo empresário é o atestado da falência de responsabilidade social das organizações que se apresentam como ramificações da chamada sociedade civil.</p>
<p>Quem simplifica a possível veracidade de dados e provas contra o prefeito Aidan Ravin, atribuindo à série de inconformidades desvios corriqueiros na legislação eleitoral, desqualifica as normas legais e, mais que isso, subestima a capacidade de vampirismo de fontes de pressões articuladas fora do alcance da sociedade.</p>
<p>O prefeito Aidan Ravin deveria ser o primeiro a recorrer a instâncias legais para retirar da zona de desconfiança a engrenagem que o consagrou vencedor nas últimas eleições. Provavelmente só não o faz porque sabe que sociedade organizada é uma falácia, uma evasiva retórica esgrimida frequentemente para dar roupagem de politização a uma região que sempre confundiu corporativismo com cidadania.</p>
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		<title>OAB no caso Aidan?</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 20:03:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Administração Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Como antecipamos neste site, o empresário Hélio Tanaka, ex-aliado do então candidato a prefeito de Santo André, Aidan Ravin, vai ser ouvido pela Polícia Federal, em São Paulo, no próximo dia 15 de dezembro. Ele tem sérias denúncias a fazer e a comprovar contra aquele homem aparentemente derrotado que o procurou às vésperas das eleições, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como antecipamos neste site, o empresário Hélio Tanaka, ex-aliado do então candidato a prefeito de Santo André, Aidan Ravin, vai ser ouvido pela Polícia Federal, em São Paulo, no próximo dia 15 de dezembro. Ele tem sérias denúncias a fazer e a comprovar contra aquele homem aparentemente derrotado que o procurou às vésperas das eleições, em Itu, onde é proprietário de uma gráfica.</p>
<p>Aidan Ravin foi a Itu em busca de reforço de material de campanha para a reta de chegada de primeiro turno. Com isso e também contando com o esvaziamento de votos no candidato Newton Brandão, conseguiu impedir que o petista Vanderlei Siraque fechasse a disputa. Faltou pouco mais de um ponto percentual ao candidato petista.</p>
<p>As irregularidades apontadas por Hélio Tanaka são muitas, mas ele está desesperançoso. A mais recente novidade de Hélio Tanaka, anunciada ontem, é que vai tentar sensibilizar a OAB de Santo André. Ele quer que a instituição atue nos próximos dias como mediadora das denúncias, antecipando-se, portanto, ao depoimento à Polícia Federal.</p>
<p>Hélio Tanaka tem chumbo grosso contra o prefeito de Santo André, mas está isolado. A OAB é a parceira com a qual espera contar. Resta saber se contará. Os amigos mais próximos dizem que ele está perdendo tempo porque, entre outras situações que cercam o caso, a OAB não teria interesse em meter-se em assunto tão abrasivo.</p>
<p>De qualquer forma, a nova investida de Hélio Tanaka é um contragolpe que acerta em cheio o alvo das tentativas de desmoralização das provas que afirma possuir.</p>
<p>Para quem não quer ver o empresário indo à frente com densa documentação de impropriedades cometidas na campanha que levou Aidan Ravin à Prefeitura de Santo André, a melhor alternativa é desclassificá-lo. Colocá-lo no banco dos réus de suspeição de idoneidade, de suposto prevaricador, é pouco. Hélio Tanaka foi colocado pelo Paço de Santo André na sepultura rasa dos detratores e inconformados de plantão.</p>
<p>Por conta disso, Hélio Tanaka tem encontrado muitas dificuldades para colecionar parceiros institucionais. Ele confessa que não pretende ir à Polícia Federal apenas como denunciante solitário ou quase solitário dos desvios de financiamento da campanha eleitoral de Aidan Ravin. Ele quer se sentir seguro de que a comunidade de Santo André tem um mínimo de inquietude contra as arremetidas ao arrepio da legislação eleitoral do homem que surpreendeu o PT e ganhou a disputa no segundo turno.</p>
<p>O empresário diz com certa dose de desencanto que a Santo André que tem rastreado nos últimos tempos está longe da Santo André indispensável para elucidar eventuais dúvidas sobre a bateria de provas que dispõe para reafirmar em qualquer instância que Aidan Ravin infringiu agudamente as normas eleitorais.</p>
<p>Embora não falte a Hélio Tanaka solidariedade nos bastidores, ele lembra que publicamente o silêncio predomina em qualquer ambiente. Há espécie de blindagem que torna Aidan Ravin inatingível. Prevalecem os interesses políticos e econômicos transversais que emanam de qualquer Paço Municipal num País em que o Estado ocupa largo espaço. Daí a contra-ofensiva de representantes do Paço Municipal em atingir a honra do denunciante. Daí a decisão de Hélio Tanaka chamar a OAB para um jogo que em outros tempos a OAB já teria tomado a iniciativa.</p>
<p>Embora prefira não invadir o terreno de suposições, Hélio Tanaka admite dificuldades para sensibilizar a Ordem dos Advogados do Brasil, que até o final do ano será comandada por José Sinésio Correia, candidato derrotado nas últimas eleições por Fábio Picarelli, que assumirá apenas em janeiro. Teria José Sinésio a iniciativa de encerrar o mandato colocando a mão nesse vespeiro? E Fábio Picarelli, anteciparia de fato a posse com a aceitação informal do pleito do ex-aliado do prefeito de Santo André?</p>
<p>Ganhará de presente um vale Papai Noel quem acreditar tanto numa quanto noutra alternativa.</p>
<p>Alguns ex-colaboradores da campanha de Aidan Ravin que se mantêm próximos de Hélio Tanaka são enfáticos na recomendação de que o principal denunciante de irregularidades na disputa pela Prefeitura de Santo André deve esperar pouco da OAB local. No mínimo, asseguram, porque o temário é controvertido e a instituição não teria interesse em aceitar o desafio de assumir os custos políticos e institucionais de cobrar esclarecimentos. Se já não se manifestou antes, o que esperar agora que a Polícia Federal está atuando no caso, depois de ouvir seis vereadores do Partido dos Trabalhadores?</p>
<p>E é justamente o depoimento que prestará à Polícia Federal que Hélio Tanaka utiliza como âncora de desejado suporte de representações de Santo André que poderiam caracterizar algo que foge da individualidade ou de interesse grupal de ex-colaboradores do vencedor das eleições.</p>
<p>Não está fora de cogitação Hélio Tanaka dar um troco na sociedade de Santo André que se diz tão interessada em ética e em moralidade mas que, até prova em contrário, se cala indolentemente diante do noticiário. Hélio Tanaka acena com uma espécie de greve de silêncio quando estiver na Polícia Federal. Não por falta de argumentos, elementos e documentos. Simplesmente porque uma sociedade sem aptidão sequer para conferir de que lado está a razão merece mesmo é ser esquecida.</p>
<p>Será que a OAB de Sinésio ou de Picarelli se manifestará?</p>
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		<title>Doença holandesa</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 17:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Grande ABC acentua sintomas do que chamo de doença holandesa da economia, com fundas repercussões sociais. Os novos investimentos anunciados pelas montadoras de veículos com unidades na região &#8212; General Motors, Ford e Volkswagen &#8212; são um prato cheio para a torcida organizada de editoriais que não enxergam além da próxima esquina de interesses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Grande ABC acentua sintomas do que chamo de doença holandesa da economia, com fundas repercussões sociais. Os novos investimentos anunciados pelas montadoras de veículos com unidades na região &#8212; General Motors, Ford e Volkswagen &#8212; são um prato cheio para a torcida organizada de editoriais que não enxergam além da próxima esquina de interesses marquetológicos. Paradoxalmente, quanto mais se consolidar a indústria automotiva do Grande ABC, mais a doença holandesa se manifestará. Há meio século a atividade se tornou vaca premiada de arrecadação de impostos.</p>
<p>É claro que é muito melhor ter as unidades automotivas do Grande ABC renovadas em produtos, em tecnologia e em qualificação da mão-de-obra, mas isso é muito pouco. Os executivos das montadoras não têm nada a ver com isso. A responsabilidade maior é das autoridades públicas e lideranças econômicas locais.</p>
<p>Está certo que as mais fundas resoluções não estão ao alcance dos orçamentos municipais, que é preciso a participação do governo do Estado e do governo federal num plano de guerra para reestruturar o mosaico industrial do Grande ABC, mas quem pode sensibilizá-los de fato são os agentes políticos e econômicos locais. Entretanto, isso dá trabalho, exige disciplina, dedicação, visão de longo prazo e, como se sabe, a maioria está mesmo de olho na próxima eleição, ano que vem.</p>
<p>Há pelo menos meio século os administradores públicos do Grande ABC não têm vocação para o desenvolvimento econômico entre outros motivos porque a indústria automotiva dá suporte tributário, embora há muito já foi para o brejo a importância relativa na sustentação de empregos.</p>
<p>O caso do Grande ABC de doença holandesa é a dependência exagerada da produção e da comercialização de veículos. Além de estabelecerem patamar de rendimentos salariais que o tempo provou inabsorvíveis pelos demais setores, montadoras e autopeças empinam sempre em ciclos a arrecadação de impostos, como nestes tempos de incentivos fiscais providenciais do governo federal. Quando a maré baixa chega, é uma loucura.</p>
<p>Com as facilidades arrecadatórias do setor automotivo, advém o desprezo público por novas fontes de produção e de emprego. Até porque, por ser uma doença holandesa capilarizada em forma de autopeças, o custo relativo de produção e de emprego no Grande ABC sobrerrodas sufoca as demais atividades. Esse contraponto é fatal no confronto com outros municípios de industrialização tardia mas moderna, sem sequelas sociais clamorosas.</p>
<p>Ao transplantar para o Grande ABC uma expressão da literatura econômica internacional o fiz de propósito e provocativamente. Acho que a primeira vez que utilizei a expressão &#8220;doença holandesa&#8221; foi no texto que preparei como um dos articulistas da segunda versão de &#8220;Nosso Século XXI&#8221;, lançado no ano passado pela Editora Livre Mercado.</p>
<p>O fato é que a doença holandesa do Grande ABC é grave, porque, entre outras consequências, disfarça uma evidente desindustrialização provocada por outros setores industriais. Quem acredita que a debandada industrial se encerrou está redondamente enganado. Tenho fontes que lidam com a realidade dos fatos, nos campos de batalha de competitividade prática, que asseguram sequência do movimento de retirada.</p>
<p>Essa debandada não aparece na mídia porque pequenas e médias empresas não aparecem na mídia principalmente porque não há espaço para más notícias quando o jornalismo é transformado em agência de desenvolvimento econômico. E também porque nas estatísticas de Valor Adicionado os investimentos das grandes companhias em tecnologias, processos e recursos humanos elevam a produção e a produtividade que mascaram as deserções.</p>
<p>Num texto que preparei já há algum tempo (exatamente em 27 de março de 2002 e que foi publicado na revista Livre Mercado, não a &#8220;Deus me livre&#8221; do recuperador de impostos Walter Sebastião dos Santos) procurei traduzir de forma didática e inédita o que chamei de várias faces da desindustrialização. Aproveito este novo artigo para republicar aquele trabalho. Infelizmente, o Grande ABC provinciano não consegue associar uma boa notícia, que são os investimentos das montadoras locais, com um quadro de debilidade estrutural do setor industrial.</p>
<p>Muito pelo contrário: atira-se ao lixo o passado recente e remoto que afetou a base produtiva do Grande ABC e se lambuza na pontualidade de investimentos das fabricantes de veículos.</p>
<p>Polianas de plantão hão de dizer que está este jornalista jogando areia na engrenagem da auto-estima regional. Esse é um velho truque para desclassificar a crítica embasada que, diferentemente do elogia fácil e da omissão renitente, tem de fato compromisso com o amanhã.</p>
<p>Provavelmente os professores da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira e Nelson Marconi, sofreram o mesmo tipo de crítica depois de publicarem na edição de quarta-feira do jornal Valor Econômico um artigo (&#8221;Doença holandesa de desindustrialização&#8221;) que se antepõe ao oba-oba do crescimento econômico brasileiro. A análise é profunda, explicativa e tecnicamente imbatível. Eles concluem sem firulas:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A desindustrialização do Brasil é, portanto, clara. A mudança desse cenário exige uma nova política de administração da taxa de câmbio. Os economistas convencionais, entretanto, ignorando a experiência mundial e brasileira, dizem ser impossível administrar a taxa de câmbio no longo prazo. Enquanto a sociedade brasileira não perceber o equívoco dessa posição antinacional, o governo não se sentirá com forças suficientes para adotar uma política mais decisiva de administração da taxa de câmbio e de neutralização da doença holandesa. Em consequência, as taxas de crescimento per capita do Brasil continuarão a ser aproximadamente a metade da observada nos países asiáticos dinâmicos. Teremos algumas euforias, como o que está voltando a ocorrer hoje, mas esses períodos de prosperidade aparente e efêmera não serão suficientes para levar o Brasil a crescer de forma sustentada no longo prazo &#8212; escreveu Bresser-Pereira, também ex-ministro de Estado.</p>
<p>No fundo, no fundo, adaptadas as condições sobre as quais os dois professores prepararam a bateria de argumentos, a situação da indústria do Grande ABC é semelhante à do Brasil. As montadoras de veículos não têm culpa no cartório, mas são sequestradas já há meio século por gente que detesta assumir responsabilidades no campo econômico.</p>
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		<title>Temperamento e caráter</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 19:25:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Distinguir temperamento de caráter é equação aparentemente simples, mas a maioria cai na besteira de trocar os pés da aparência pelas mãos da consequência. Qu