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Esportes
Time-celebridade
DANIEL LIMA 30/05/2007
Rebaixado à Série B do Campeonato Paulista, o Santo André provavelmente aprendeu no sofrimento uma lição preciosa para os times médios que provavelmente jamais serão grandes e que, se bobearem, miniaturizam-se e desaparecem: não pode dar sopa para o azar de dissensões diretivas que possam influenciar o rendimento em campo. O Santo André só caiu para a Série B do Paulista porque se imaginou imune a crises, como novo-rico que gasta sem critério. Menos mal que depois de dois tropeços na Série B do Campeonato Brasileiro tenha se recuperado parcialmente com a vitória diante do Remo, em Belém do Pará. Melhor ainda que sinalize reforços suficientes para dar a volta por cima. No caso, dar a volta por cima significa inclusive a possibilidade de chegar à Série A do Brasileiro do ano que vem, plataforma de embarque ao retorno à Série A do Paulista.
O estigma de time-celebridade vai perseguir o Santo André como persegue tantos outros clubes de médio porte que saltaram episodicamente ao estrelato estadual ou nacional.
O título da Copa do Brasil em junho de 2004 foi o orgasmo impagável do planejamento iniciado dois anos antes e compatibilizado por recursos financeiros advindos principalmente da administração Celso Daniel.
Aquela conquista serviu para dar visibilidade ao clube e retirar circunstancialmente a condição de queridinho do Grande ABC que o São Caetano com muita justiça e competência alcançou e mantém.
Entretanto, de lá para cá o Santo André murchou feito balão em festa de São João, com efeitos semelhantes aos que provocam esse artefato que leva o setor petroquímico à tensão absoluta: muito prestígio individual foi chamuscado ao sabor de maus resultados e de idiossincrasias diretivas. A administração do futebol não é diferente da administração de qualquer outra atividade mercantil, até porque cada vez mais esporte de competição é negócio. Uma vacilada aqui vai custar caro um pouco mais à frente.
O Santo André caiu para a Série B do Paulista quando se deixou envolver por briguinhas diretivas que retiraram o foco do futebol. A glória da Copa do Brasil inebriou dirigentes e conselheiros que superestimaram influência nos resultados. A roda-viva do futebol profissional coloca a nocaute pretensiosos sem intimidade com o mundo da bola e também desnorteia pretensiosos que têm intimidade com o mundo da bola mas se acham os maiorais.
Diferentemente do São Caetano que, mesmo na Série B do Campeonato Brasileiro, mantém o status de clube emergente, tanto que decidiu o título estadual desta temporada, o Santo André precisa reencontrar com engenharia e discernimento o rumo perdido depois da Copa do Brasil. A queda do São Caetano sugere acidentalidade. A do Santo André, irreversibilidade.
Aquela final contra o Flamengo num Maracanã lotado e de audiência de 47 pontos na TV Globo foi algo como uma última etapa do Big Brother.
O Santo André só vai voltar à telinha de grande audiência se substituir a febre por holofotes pelo suor da reorganização.
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