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Esportes
Recuperando a história
DANIEL LIMA 16/10/2009
Embora fosse vista pela maioria como revista econômica, porque a marca assim a identifica, de fato LivreMercado era múltipla. Foram várias as incursões esportivas. E o Santo André virou três vezes Reportagem de Capa, principalmente por conta do projeto de substituição da desgastada engrenagem convencional do futebol, de clube-clube, pelo esperado dinamismo de clube-empresa.
É esse legado de várias publicações que recuperaremos nos próximos tempos neste site. Vamos reproduzir, na respectiva categoria e para a posteridade permitida pela Internet, as matérias mais emblemáticas que anteciparam a mudança de roupagem jurídica do clube que já foi o mais popular do Grande ABC.
Ainda não me dei ao trabalho de reler integralmente aquelas matérias-chave de um conceito que, infelizmente, está sendo muito mal aplicado.
O que significa essa conclusão?
Que o clube-empresa com o qual sonhava em Santo André corre a léguas de distância da raia da modernidade.
O Santo André virou uma sociedade limitada que, na prática, não passa de corporação com dono, personalizada. No caso, o empresário Ronan Maria Pinto. Tanto quanto o Diário do Grande ABC, também de Ronan Maria Pinto, quanto a empresa que detém o maior bolo da concessão de transporte coletivo de Santo André, igualmente de Ronan Maria Pinto.
Nada necessariamente contra um clube com dono, porque muitos o são de fato, até mesmo os chamados clubes-clubes, porque o regime presidencialista e a passividade diretiva induzem a isso. Os vice-presidentes e diretores, os conselheiros e os torcedores, são apenas apêndice. As exceções confirmam a regra.
No fundo, no fundo, o problema não é um clube profissional de futebol tornar-se empresa de futebol, mas sim perder a sensibilidade de entender que já que é negócio e negócio exige resultados, por que então não estruturar-se como corporação para obter o máximo possível de retorno e, principalmente, atuar de forma socialmente responsável?
O Santo André perdeu uma grande oportunidade de fortalecer-se institucionalmente nas duas últimas temporadas de resultados bastante positivos nos gramados. Agora que vai mal das pernas, sente o custo da ausência de representatividade nas arquibancadas. Virou motivo de chacota de cronistas menos condescendentes, de gente da mídia que não tem preocupação em agradar.
O melhor cartão postal do Grande ABC, por força da visibilidade da Série A do Campeonato Brasileiro, transformou-se em bumerangue por conta dos maus resultados, do péssimo posicionamento na tabela e sobretudo da apatia nas arquibancadas.
Infelizmente o melhor modelo de clube-empresa que se sugeriu ao Santo André, de pulverização social das ações, como defendia o então presidente Jairo Livolis, fechou de tal maneira o circuito de investidores que só poderia dar no que deu: mantém de fato uma estrutura tão diminuta e centralizadora quanto nos tempos de clube-clube, com a diferença de que o apelo público da agremiação restringe-se, com as limitações já mencionadas, aos gramados, já que, diretivamente, é gerenciado com extremo ímpeto econômico, para não dizer comercial.
Depois de chegar à glória de dois acessos seguidos, à Série A do Campeonato Paulista e à Série A do Campeonato Brasileiro, o Santo André de Ronan Maria Pinto mergulha num mar de inquietações. A ameaça de rebaixamento é um bom teste para saber até que ponto a carga de passionalidade do passado de clube-clube reunia ou não mais salvaguardas do que nestes tempos empresariais.
Seria o Santo André no modelo antigo de clube-clube menos suscetível a crises de proporções graves do que o Santo André clube-empresa que raciocina e delibera além dos limites puramente esportivos?
Trocando em miúdos: estaria o Santo André clube-empresa diretivamente preparado para os reveses do futebol em relação ao Santo André clube-clube que se manteve durante 40 anos seguindo o evangelho conservador de preocupação maior com os resultados dentro de campo?
Trocando em mais miúdos ainda: até que ponto o Santo André clube-empresa, eventualmente apeado da Série A do Brasileiro, não comprometerá as próximas temporadas, por causa de investimentos além da conta, diferentemente do Santo André clube-clube do passado, que não se permitia ultrapassar os limites orçamentários muito mais modestos?
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