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Esportes
Quatro jogos depois, São Caetano
está mais inteiro que o Santo André
DANIEL LIMA 27/05/2010
Como era de se esperar, porque vivem situações diferentes, o São Caetano está bem mais inteiro que o Santo André na Série B do Campeonato Brasileiro. As quatro primeiras rodadas da competição não me deixam mentir. Isso não assegura que quando se chegar à sétima rodadas o que se vê agora em campo se confirmará na classificação. Mas que tem tudo para confirmar, isso tem.
O São Caetano está mais inteiro. Partiu para o fortalecimento do grupo de jogadores do Brasileiro sobre a plataforma do elenco que fez um Campeonato Paulista razoável o suficiente para não negociar os melhores valores e descobrir os buracos que precisava fechar.
O Santo André está bem menos inteiro. Partiu para a recomposição do grupo de jogadores no Brasileiro mergulhado no poço profundo do elenco que se desfez num Campeonato Paulista extraordinário para negociar os principais valores mas a situação o obrigou a correr atrás do prejuízo (ou do lucro) para cobrir todos os buracos que se abriram.
Por que as sete primeiras rodadas são delimitadas como marco desafiador?
Porque depois vem a parada técnica da Copa do Mundo e na volta, 40 dias depois, tudo pode acontecer. Pode ser um novo campeonato, quem sabe. Dependerá de como as equipes vão se preparar. Uma parada técnica interessante para o Azulão e para o Ramalhão, ainda em busca de estruturação tática. Os outros 18 competidores também deverão saber aproveitar o intervalo.
O técnico Sérgio Soares talvez esteja abusando da sorte. Transmite a sensação de que não dá bola para videntes, cartomantes, consultores e conselheiros. Continua a colocar o time no ataque como se dispusesse, já, de peças de reposição à altura dos jogadores negociados.
Em time que se reorganiza depois de tamanho desmanche o bom senso sugere que se cuide primeiro da defesa. Sérgio Soares segue com o Ramalhão no ataque. Sofreu sete gols nos dois últimos jogos sem que alguém possa levantar o dedo e contestar os estragos. O Santo André é um convite a sacoladas. Joga com a fama de vice-campeão paulista e futebol de candidato ao rebaixamento.
Pera-lá, pera-lá que não estou dizendo reto e direto que o Santo André será rebaixado. Nada disso. Estou apenas lembrando que a equipe deste começo de Série B joga muito abaixo do nível médio necessário. Talvez o Santo André pudesse estar mais equilibrado e, portanto, menos vulnerável a frases contundentes. O que fazer se Sérgio Soares insiste em ofensividade radical com grupo de jogadores que mal se conhecem?
É pouco provável que o Santo André do segundo semestre reprise o futebol do Campeonato Paulista. Há encaixes que não se explicam apenas com competência diretiva e técnica. O Santo André campeão da Copa do Brasil diante do Flamengo foi resultado de série de coincidências. Nada rigorosamente planejado para chegar a tanto. O Santos campeão brasileiro de 2002, quando revelou Diego e Robinho, saiu do balcão da necessidade porque, sem dinheiro para investimentos vultosos como fizera anteriormente, apelou para pratas da casa e promessas de fora.
Como sei que o treinador do Santo André é bom no que faz, e que jamais vai desistir de dar ao novo grupo de jogadores o mesmo desenho tático do virou pó, sou capaz de apostar que os resultados pós-parada técnica serão melhores. Possivelmente a partir daí o time justificará tanta fome ofensiva. Por enquanto, a liberalidade só tem causado estragos. A insegurança está contaminando até o goleiro Júlio César.
Até que ponto a possibilidade de o Santo André terminar a primeira fase do Campeonato Brasileiro — os sete fatídicos jogos — entre os quatro últimos colocados não encheriam de inquietação os dirigentes? Conviver 40 dias nas últimas posições é algo que liquidaria com a autoestima de uma equipe que iniciou a competição abençoada pelo vice-campeonato paulista? Perderiam os adversários o respeito pelo time paulista que se rivalizou com o Santos como sensação da temporada?
Já o São Caetano que vi principalmente contra o Bragantino, no Interior, me deixou entusiasmado. Tomara que o comportamento da equipe não tenha sido exceção à regra geral das próximas rodadas. Quando a parada técnica chegar o Azulão estará em estágio muito superior ao do Santo André. Isto significa que dará menos dores de cabeça ao técnico Sérgio Guedes na costura cuidadosa de sistemas que atormentem os adversários na continuidade do campeonato. O Azulão previsível dos últimos tempos parece esboroar-se na versatilidade técnica de vários dos reforços contratados. Everton Ribeiro está no centro de gravidade desse novo arcabouço.
O empate em Bragança Paulista foi bom resultado, mas injusto. O São Caetano merecia sorte melhor. Foi superior durante todo o tempo, contra 11 ou 10 jogadores. No primeiro tempo chegou a fazer exibição quase irretocável na marcação, com surpreendente poder ofensivo de movimentação intensa e número razoável de finalizações.
Parece que não é exagero observar que o São Caetano aproxima-se do equilíbrio havia muito solicitado. Se no Campeonato Paulista o time excedeu-se na força defensiva, a exemplo do que ocorreu na Série B do Brasileiro do ano passado, agora dá sinais de que está encontrando sintonia ofensiva. Ataca com mais jogadores. O meio de campo encosta mais no ataque sem renunciar à defesa. Os laterais viram alas intercaladamente. A dinâmica requer mecânica, que requer treinamentos. Nada melhor que a parada técnica.
Entretanto, a posição do Azulão e do Ramalhão na tabela, salta uma certa inquietude. As duas equipes estão fora da página principal da classificação, dos 10 primeiros. Ainda há três rodadas para reverter o quadro. Descer a ladeira e insistir na segunda página classificatória é distanciar-se do agrupamento que pretende chegar à Série A. Nada irrecorrível. O campeonato está apenas começando.
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