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Esportes
Índice de aproveitamento
DANIEL LIMA 31/08/2007
Sexta-feira, 31 de agosto de 2007 esp
Talvez seja porque o torcedor de futebol tenha dificuldades para entender linguagem um pouco mais sofisticada; por isso quando se projetam cenários de classificação das equipes a maioria da mídia, para não dizer a totalidade, indexa tudo aos pontos corridos.
Entretanto, os treinadores mais previdentes preferem outro tipo de análise, caso de Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho. Recorrem ao Índice de Aproveitamento, a divisão dos pontos conquistados pelos pontos disputados.
Dois exemplos domésticos: o Santo André acumulou em 21 rodadas da Série B do Campeonato Brasileiro (63 pontos) total de 24 pontos, que correspondem a 38%. O São Caetano, nos mesmos 63 pontos disputados, chegou a 27 pontos.
Para credenciar-se ao quadrangular final e, mais que isso, comemorarem uma das quatro vagas à Série A do Campeonato Brasileiro do ano que vem, tanto o São Caetano quanto o Santo André precisam de recuperação espantosa, que, simplesmente, os colocaria nas 17 rodadas que restam, muito acima da campanha acumulada pelo Criciúma, líder da competição com aproveitamento de 60% dos pontos, já que somou 38 em 63 possíveis.
Para chegar à Série A do ano que vem, o São Caetano precisa somar 64,7% de aproveitamento nos jogos que restam, de forma a chegar a 52% no Índice de Aproveitamento do quarto colocado atual, o Marília, que soma 33 pontos em 21 rodadas. A tarefa do Santo André é ainda mais complicada: precisa somar 70% dos 51 pontos que vai disputar até a última rodada para chegar aos 52% de aproveitamento do quarto colocado atual. Ou seja: terá de ganhar 10, empatar cinco e perder apenas dois dos jogos que lhe restam. Talvez até precise empatar seis e perder apenas um desses jogos.
Fossem o Santo André e o São Caetano colocados numa bolsa de apostas de acesso ao principal campeonato nacional, não passariam de grandes zebras porque é praticamente impossível que revertam o quadro e revirem a classificação.
Por isso, o melhor mesmo, o mais factível, o mais viável, é que tratem de fugir do rebaixamento. A tendência da pontuação é que ao final do campeonato o Índice de Aproveitamento de 38% será a margem de corte. Ou seja: quem não superar essa marca estará com um pé-na-cova. Para ter uma margem de manobra menos estressante, o Santo André precisaria chegar a 40% de eficiência, o que o obrigaria a conquistar pelo menos 22 pontos nos 51 que lhe restam. Com esses supostos 22 e os atuais 24, chegaria a 46 pontos que, divididos pelo total de 115 (soma de 38 jogos de turno e returno) alcançaria 40% de Índice de Produtividade e, assim, estaria livre de rebaixamento. O São Caetano precisaria ganhar 37% dos 51 pontos que ainda vai disputar para safar-se de queda.
Podem haver pequenas oscilações com eventuais mudanças desse quadro ao final da competição, mas essa margem de manobra é respeitada pelos treinadores previdentes. Daí recomendar-se um ou dois pontos percentuais acima do padrão médio do Índice de Produtividade que se verifica ao final de cada rodada.
Por isso tudo e por mais complexo que pareça, o que as comissões técnicas das equipes precisam fazer é adequar a contabilidade de acordo com as rodadas que restam. O passado dos jogos atormenta ou alivia a carga vindoura de compromissos no gramado mas não contamina as projeções de profissionais experientes que fecham o cerco em torno do que tem por vir, desprezando o que já não é possível alterar.
O São Caetano e o Santo André estão praticamente condenados a disputar a Série B do Campeonato Brasileiro mais uma vez no ano que vem. Mas não podem se descuidar porque a Série C é menos inviável que o acesso numa escala de probabilidades sem paixão.
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