- Tamanho da fonte: A- | A+
- Envie por e-mail
- Imprimir
Esportes
Entre os melhores
DANIEL LIMA 06/04/2009
A equipe que acaba de flertar com as semifinais da Série A do Campeonato Paulista e que no ano passado chegou à Série A do Campeonato Brasileiro está entre os melhores Santo André da história. Nem o fato de ficar a poucos metros da fita de chegada à semifinal do principal torneio estadual do País retira o brilho de uma campanha extraordinária, que dá sequência ao rendimento igualmente fantástico no Brasileiro da Série B.
Estar entre os melhores times que o Santo André já levou aos gramados em mais de quatro décadas de disputas não é tarefa fortuita, ocasional. Há planejamento, dedicação, empenho, inteligência e determinação que se refletem nos gramados. Do ponto de vista esportivo, de competição, de bola rolando, o Santo André é o time médio que todos os times médios gostariam de ser, que todos os times pequenos sonham alcançar e que todos os times grandes que de vez em quando desandam ao sair do prumo imaginam se tornar.
O Santo André que se vê nos gramados é um time completamente diferente dos grandes, finalistas do Campeonato Paulista. Tem mais alegria e racionalidade, combinação incompatível apenas para quem não viu a equipe em campo.
Não fosse a bobagem tática do jogo com o Santos na Vila Belmiro, quando substituiu a dinamicidade da movimentação coreográfica malemolente apenas para enganar os desatentos por um esquema excessivamente defensivo e castrador, com três volantes presos à marcação, possivelmente o Santo André teria chegado às semifinais. O confronto direto foi praticamente eliminatório.
A vaga acabou com o Santos que está longe de ter a mesma qualificação tática, o mesmo entrosamento, a mesma engenhosidade de mover-se por todos os cantos de um gramado, embora, sem dúvida, reúna alguns valores individuais mais elevados e mais recursos no banco de reservas.
Quais seriam os melhores times do Santo André ao longo da história, perguntariam os leitores — os mais antigos querendo matar a saudade, os mais novos curiosos por informações?
Pela ordem cronológica, listo as equipes a partir do título da então Segunda Divisão paulista de 1981, em jogos decisivos no Parque Antarctica, contra o XV de Piracicaba e o Paulista de Jundiaí. Tempos do presidente Breno Gonçalves. Foram jogos memoráveis que aplacaram a decepção de dois anos antes, quando, num Pacaembu com 20 mil andreenses, o Santo André bateu a Esportiva de Guaratinguetá mas não levou o título porque ali perto, no Parque Antarctica, o Taubaté superava o São José. No rebolo, disputa que envolvia o vice-campeão da Segunda e o penúltimo colocado da Primeirona, deu Marília.
Em 1984, agora sob a presidência de Lourival Passarelli, o Santo André chegou ao quadrangular decisivo do Campeonato Paulista da Série A e disputou a Série A do Campeonato Brasileiro. Tonho era o goleiro e quem quiser saber os outros titulares e reservas deve ouvir os torcedores e dirigentes mais antigos porque estou com minha memória embolada nestes dias.
Na década seguinte, tivemos um time que não chegou ao título, como a Seleção Brasileira de 1982, mas fez imenso sucesso na Série B do Campeonato Paulista. Invicto em 24 jogos, um recorde da competição, acabou derrotado pelo Matonense num jogo estranho, de arbitragem estranha, de expulsões estranhas, e acabou morrendo na praia. Vivíamos o ano de 1997 e Jairo Livolis era o presidente.
Neste novo século, ainda sob a presidência de Jairo Livolis, a equipe campeã da Copa do Brasil em 2004 entrou sem contestação no firmamento do Ramalhão. Agora, esse grupo de jogadores, comissão técnica e dirigentes, ingressa no que chamaria de clube dos melhores times que o Santo André já produziu. Ronan Maria Pinto é o presidente.
Sei lá se na pressa deste texto esqueci algum outro grupo de atletas que tenha encantado tanto quanto os destacados. O critério que utilizei para chegar a esse resgate combina a eficiência tática e técnica dentro de campo com os resultados práticos, contabilizados na classificação.
O time de 1997 é exceção que confirma a regra, porque seria impensável retirá-lo do pódio apenas porque não chegou ao objetivo mais importante da temporada. Como, aliás, não chegou o Santo André da Série A do Campeonato Paulista deste ano, porque a semifinal seria o corolário de uma campanha excelente. Um corolário dispensável em nome da coerência e da compreensão de que da mesma forma que o futebol de vez em quando premia a mecanicidade tática e técnica de um agrupamento obediente mas burocrático, como a Seleção Brasileira campeã do mundo em 1994 com o jogo irritante de Carlos Alberto Parreira, também castiga a plástica, a organização e a inventividade com travessuras no placar em momentos decisivos.
A direção do Santo André precisa estar atenta às novas demandas por resultados, exatamente numa competição que se apresenta extremamente desafiadora à longevidade do projeto de fortalecimento da equipe, a Série A do Campeonato Brasileiro. Manter a toada que já dura um ano não é fácil, porque cada vez mais o Santo André será observado atentamente pelos adversários.
Tomara que jovens craques, desses de encher os olhos, continuem a brotar nas equipes de base. São meninos que encantam pela sem cerimônia com que enfrentam adversários badalados mas sem a mesma capacidade de incubar e lançar revelações.
Mais de Esportes
- Santo André esbanja futebol;
São Caetano mantém toada - Santo André continua sobrando;
São Caetano acerta na escolha - Ramalhão de futebol moleque;
Azulão sob nova expectativa - É complicado ver nossos times
ao mesmo tempo na mesma TV - São Caetano e Santo André chegam
bem ao final do primeiro circuito - Sansão seria o time ideal de
Santo André e São Caetano - O que será do Sansão?
- Até tu, Marcelinho?
- Fora a matemática!
- Marimbondos enlouquecidos
- Abraço de afogados
- Quem ama o Santo André?
- Sobrenatural de Almeida
- Testes de resistência
- Sinistralidade em alta
- Entre os enforcados
- Ronan, o absolutista
- Clássico na Série B
- Recuperando a história
- Boa notícia e má notícia
- Megalomania sob controle
- Complicações caseiras
- Rabeira disputadíssima
- Dois anos em cinco décadas
- Perspectivas inalteradas
- Crédito e desconfiança cabem bem
- Uma lição a ser aproveitada
- Cartão postal desbotado
- Excessos de um estatístico
- Emoções para valer
- Violência policial
- Descendo e subindo
- Subidas e descidas
- Maldição de debutante?
- Farra dos culpados
- O futuro do Ramalhão
- Marcelinho e Ronaldo
- Cartão postal (2)
- Cartão postal (1)
- Futebol superficial
- Entre os melhores
- Santo André forte
- Tango e outros ritmos (2)
- Tango e outros ritmos (1)
- Ramalhão melhor
- Tempos antigos
- Ao telefone
- Vale a pena?
- Marketing é consequência
- Politicamente incorreto
- Timão e Ramalhão
- Clube de investimentos
- Tudo ou nada
- Bicho-papão doméstico
- De pai para filho
- Ilusão de ótica
- Índice de aproveitamento
- Indicadores confiáveis
- Conselho de juízo
- Mais mais do mesmo
- Marcelinho Carioca
- Clube para todos
- Time-celebridade
- Reação demorada
- Celso e Serginho
- Salve, salve!
- Santo André lava a alma

Processando ...