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Esportes
Emoções para valer
DANIEL LIMA 25/08/2009
Tudo indica que o já iniciado segundo turno da Série A e o a ser iniciado segundo turno da Série B do Campeonato Brasileiro vão ser muito emocionantes para as equipes do Grande ABC, embora por motivos opostos.
Ao Santo André porque, diferentemente do que insistem em propagar jogadores e dirigentes, a disputa é mesmo para fugir do rebaixamento. A classificação para a Taça Libertadores, como alguns apregoam, é um sonho tão possível de realizar quanto ganhar na loteria, qualquer loteria. E mesmo a Copa Sul-Americana não pode ser levada a sério. Exceto se a equipe surpreender, como um São Paulo de Ricardo Gomes antes do Atlético Paranaense.
Ao São Caetano, este sim o São Paulo da Série B, porque a arrancada espetacular dificilmente será revertida, embora também não se deva aguardar continuidade sem tropeços. Terminar o campeonato entre os quatro primeiros é mais que provável. Nada melhor para uma equipe que já vinha sendo enterrada por alguns jornalistas que previam as profundezas da Série C na próxima temporada.
Se tivesse apenas uma bala, uma bala de prata, para apostar na sorte das equipes do Grande ABC nesta temporada, apostaria sem constrangimento que o São Caetano dificilmente deixará de chegar entre os quatro primeiros. Por mais que futebol provoque fraturas expostas em quem se aventura a palpitar, escrevo com o conhecimento de quem sabe que a tal máxima de que há sempre uma caixinha de surpresa nos gramados não passa de questões pontuais. No final da disputa prevalecem os melhores. Caso contrário, o Jabaquara seria campeão sempre.
Até outro dia estava entalado com a possibilidade de o Santo André ir para a degola, ainda desconfio de que possa mesmo, mas pelo menos nos dois últimos jogos, quando venceu o Botafogo no Rio e o Coritiba no Bruno Daniel, senti uma equipe mais humilde, recolhendo-se às limitações técnicas e, com cautela, explorando mais os erros dos adversários. O deslumbramento da Série A, o triunfalismo de chegar à Libertadores ou mesmo a certeza da Copa Sul-Americana fazem parte do passado. Pelo menos para os mais sensatos.
A ressurreição do São Caetano é notável. A equipe de Antonio Carlos mostra esfuziante melhoria a cada jogo. O equilíbrio entre qualidade técnica e empenho físico é o extrato da gestão do treinador. Sente-se um São Caetano pulsar o coração. Algo que há muito não se observava. Joga-se com alma, com determinação e com talento. A bola flui com naturalidade. Há compactação. É claro que ainda surgem buracos, ocorrem oscilações durante cada jogo, de vez em quando o adversário exerce controle indesejável, mas no todo o São Caetano é quem tem dado as cartas.
O Santo André começou a melhorar depois de rejuvenescer a equipe. Ficaram no banco de reservas jogadores cansados de guerra, incapazes de imprimir o ritmo durante todo o tempo. Ainda há equívocos táticos, como a tentativa de fazer do inesgotável Rômulo um faz-tudo, quando de fato é um bom ala, ou insistir no isolamento do lento centroavante Nunes. Ou de dar a Júnior Dutra funções de organização que as pernas compridas e sem grande intimidade com a bola, além da limitação de visão periférica, impedem. Antonio Flávio faz muita falta pela mobilidade lateral e pela agressividade. A defesa ganhou reforço com Sidney, que divide a função de volante com Fernando. O time de Galo ainda está longe do ideal. Mas restabelece-se do gradual desmanche tático na série de oito jogos sem vitória.
Décimo-quinto colocado na classificação da Série A, o Santo André está apenas uma linha acima da zona de rebaixamento. Tem 38,1% de Índice de Aproveitamento, um pouco abaixo da margem de segurança de 40%. Abaixo do Santo André na tabela só há equipes de tradição. Coritiba, Náutico e Botafogo estão na cola. Sport e Fluminense estão um pouco mais afastados. Para chegar à Libertadores, como projetam alguns dirigentes, o Santo André terá de alcançar previsíveis 58% de aproveitamento. Isso significa que dos 51 pontos que ainda vai disputar, no total de 17 jogos, terá de somar novos 42 pontos. Ou seja: de agora em diante, nos jogos que lhe faltam, tem de atingir 73,68% de Índice de Aproveitamento. Para se ter idéia da façanha, o líder Palmeiras acumulou até agora 63,5%. Seriam indispensáveis 14 vitórias em 17 jogos. É ou não é uma sorte grande?
Até mesmo para chegar à Copa Sul-Americana o Santo André precisará de esforços redobrados, porque, pelo índice atual, de 45% do Cruzeiro, o 12° classificado, terá de somar 52 pontos ao final das próximas 17 rodadas. Ou seja: 55% de Índice de Aproveitamento, que é a marca atual do Atlético Mineiro, sexto melhor classificado da competição.
A situação do São Caetano na Série B do Campeonato Brasileiro é menos desafiadora na luta pelo G-4 do Bem. Com Índice de Aproveitamento de 52,6%, precisaria ganhar 63% dos pontos que disputará nos 19 jogos do segundo turno. Um aproveitamento alcançado pelo vice-líder Atlético Goianiense ao final do primeiro turno. Como se sabe e mostrei isso há uma semana no texto “Descendo e subindo”, a marca de corte para chegar à Série A do próximo ano é o Índice de Aproveitamento de 58%. Confirmando a previsão, o Ceará ocupa o quarto lugar ao final do primeiro turno com 57,9%.
E já que o assunto é especulação classificatória, dificilmente o Vasco da Gama, campeão do primeiro turno da Série B, alcançará os números obtidos pelo Corinthians ao final da competição no ano passado. Com 68,4% de Índice de Aproveitamento, resultado de 39 pontos ganhos em 19 jogos, a equipe carioca só superará o Corinthians se no segundo turno somar 47 pontos, chegando a 75,4% de aproveitamento total. Ou seja: terá de consolidar 82,4% de aproveitamento no returno. Com novos 46 pontos igualaria a marca corinthiana, de 74,56%.
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