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Esportes
Conselho de juízo
DANIEL LIMA 17/07/2007
O Conselho Consultivo do Santo André Gestão Empresarial, identidade do clube-empresa que sucede o Esporte Clube Santo André como herdeiro de patrimônio cultural que não pode ser subestimado, teve tempo de se recuperar de uma bobagem sem tamanho.
Trata-se da tentativa canhestra e desrespeitosa de derrubar do andaime da hierarquia daquela instância o presidente do clube social e vice-presidente do clube-empresa, Celso Luiz de Almeida, por conta, vejam só, de tropeços da equipe no início da Série B do Campeonato Brasileiro, antecedidos, como se sabe, do rebaixamento à Série B do Campeonato Paulista.
Numa simplificação que beira a estupidez, entenderam por unanimidade burra aqueles conselheiros, em reunião preliminar, que Celso Luiz de Almeida deveria ser transferido da vice-presidência da diretoria executiva à função de membro do Conselho Consultivo, que representa o quadro de acionistas. Confundiram um cargo diretivo sem remuneração com uma atividade executiva remunerada. Tanto que até o nome de eventual substituto fora do quadro de acionistas foi sugerido e aprovado durante a reunião preliminar.
Um golpe tão inapropriado que, alguns dos próprios conselheiros, inclusive o presidente, Ronan Maria Pinto, trataram de corrigir em Assembléia Geral. Celso Luiz de Almeida foi mantido por maioria qualitativa e quantitativa de votos. Quantitativa quando se atribui peso igualitário a cada um dos acionistas presentes à assembléia. Qualitativa quando se considera a valoração financeira dos cotistas.
Como se observa, começou muito mal o Santo André Empresarial não só porque alguns conselheiros se deixam mover pelo fígado de resultados circunstanciais e, com isso, atropelam o organograma da instituição. Além disso, descontextualizam os resultados da situação de raquitismo orçamentário da associação. Não bastasse tudo isso, insistem em suprimir da pauta de reuniões o que para este jornalista é o principal ponto da transposição do clube associativo para o clube empresarial — a efetiva transmutação de um modelo de baixo empreendedorismo para um modelo de estrutura negocial.
A tentativa de esfaquear Celso Luiz de Almeida foi patética, além de despropositada. O cargo diretivo que ocupa, como todos os demais, não é remunerado e, portanto, não tem a obrigação da operacionalidade natural de executivos contratados. Além disso, o clube-empresa conta com profissionais para ação de campo, efetivo que poderá ser reforçado se houver dotação orçamentária para tanto.
A função que Celso Luiz de Almeida exerce, até que eventualmente o clube possa lhe pagar salários que o tornem legalmente profissional, é de espécie de consultor que, quando necessário, coloca a mão na massa. Como todos os demais membros da Diretoria Executiva e do Conselho Consultivo.
O que causa assombro é que quem conhece minimamente a história recente do futebol do Santo André, com resultados impressionantes em relação aos recursos financeiros disponíveis, como provam a conquista da Copa do Brasil, da Taça São Paulo de Futebol Júnior, do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro e mesmo do acesso à Série A do Campeonato Paulista, é que Celso Luiz de Almeida e o presidente Jairo Livolis fizeram muito com o pouco sempre disponível. A queda à Série B do Campeonato Paulista se deve à disputa fratricida pelo controle do clube social, que retirou o foco do futebol profissional.
O Santo André infelizmente sinalizou neste início de suposta gestão empresarial que pode cometer barbaridades ao sabor de interesses que pretextamente estão nas quatro linhas do gramado. Celso Luiz de Almeida é um dirigente de futebol muito mais valioso do que ele próprio imagina. Se fosse menos Ramalhão, já teria sido valorizado como merece em outros clubes que lhe reconhecem capacidade de gerenciamento medida entre outros vetores pela produtividade de investimento financeiro e retorno em forma de resultados nos gramados.
Tanto ele quanto o presidente Jairo Livolis só não estão autorizados pelo Divino a promover milagre. Por isso o Santo André enveredou para a gestão empresarial que, até agora, não se moveu um milímetro. E aí a responsabilidade é de todos os acionistas, por enquanto mais torcedores que empreendedores. Uma réplica mais exigente do Conselho Deliberativo do modelo ultrapassado e descartado de clube associativo.
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