- Tamanho da fonte: A- | A+
- Envie por e-mail
- Imprimir
Economia
Um Morumbi quase lotado para
conhecer o primeiro shopping
DANIEL LIMA 02/12/1987
Quase um Morumbi lotado marcou a inauguração do Mappin Shopping ABC e, depois disso, diariamente, mais que um Pacaembu igualmente lotado passa pelas escadas rolantes do empreendimento que está revolucionando o setor de comércio e de serviços do ABC Paulista, região de dois milhões de habitantes e renda familiar média estimada em 7,5 salários mínimos/mês. As 100 mil pessoas que literalmente invadiram o Mappin Shopping ABC e as 60 mil que diariamente percorrem os 56 mil metros quadrados construídos fazem a alegria da diretoria da empresa. Afinal, trata-se da consagração de um meticuloso plano de expansão que tem como elemento sócio-econômico da região, mas o divisor de águas que certamente inserirá a área comercial e de serviços do ABC num patamar mais moderno.
Se para a direção do Mappin os impactos iniciais da instalação de sua primeira loja de departamentos fora da Capital, tendo na orbita mais 44 lojas de terceiros, confirma todos os estudos de viabilidade desse projeto de US$ 50 milhões, para os centros comerciais tradicionais das sete cidades do ABC sobraram estilhaços. Fala-se em canibalismo comercial, tal a força de atracão do Mappin Shopping ABC. Em Santo André, grupo de comerciantes já se movimenta para formar associação de classe para traçar estratégias de reconquista de consumidores que o glamour do Mappin levou.
Sérgio Orciuolo, gerente de marketing do Mappin, não vê motivos para desespero da concorrência. Pelo contrário. Prevê completa reformulação nas áreas comerciais tradicionais como fórmula de aumento da demanda de consumidores. Tal qual ocorreu no Itaim que, em 1984, ganhou a então quarta loja Mappin e, a partir daí, transformou-se num disputadíssimo centro de compras, com moderno portfólio de produtos. Tão disputado que o Mappin decidiu que, já em 1988, erguerá um novo shopping na área contigua à loja de departamentos. Investidores não faltam. Antes mesmo de Santo André transformar-se no sucesso que é.
O Mappin já faz as contas sobre as receitas em Santo André e os resultados são animadores. A loja já fatura perto de 80% do Mappin Itaim, a segunda do ranking, atrás da unidade da Praça Ramos. A previsão é que, passado o período de maturação, naturalmente de dois a três anos, o Mappin ABC avançará para o segundo posto, já que o estrato social dessa região de mais de cinco mil indústrias e quase 30 mil lojas comerciais é saudável mistura do público-alvo do Mappin Praça Ramos (classes C e D), com o Mappin Itaim (classes A e B).
As lojas-ancora também participam do banquete do Mappin Shopping ABC, apesar de a produtividade de tráfego ser naturalmente baixa, dado o efeito novidade que consagra qualquer grande inauguração. Isto é: o índice de compra em relação à movimentação popular está aquém da média, o que será corrigido quando a intenção de compra prevalecer – raciocina Leonardo Kurcis, coordenador de projetos de expansão do Mappin.
Mesmo assim, quem mais está ganhando com a incessante lotação das escadas rolantes são as sete lojas destinadas à alimentação. Segundo Kurcis, a primeira semana foi suficiente par garantir o aluguel mínimo estabelecido em contrato. Um verdadeiro fenômeno, mesmo levando-se em conta que a maturação desse tipo de serviço é quase imediata. Diferentemente de bens de uso pessoal, de semiduráveis e duráveis que, nessa ordem, atingem em até três anos as metas pré-estabelecidas de comercialização.
Todo o projeto de comunicação concebido por Sérgio Orciuolo para tornar a presença do Mappin no ABC Paulista acontecimento histórico será cuidadosamente complementado com constante busca de novidades, tendo a participação popular como força motriz.
A chegada do Mappin foi cientificamente preparada a partir de junho último com a realização de shows musicais obedecendo a figurinos sociais ou circunstanciais. Na modesta Diadema, por exemplo, promoveu-se um show na Praça Central com uma dupla sertaneja – Tonico e Tinoco – e também com Sérgio Reis, aplaudido por 20 mil pessoas. Em Santo André, um público jovem de 35 mil pessoas levou agasalhos e muita animação para ouvir Sandra de Sá e Capital Inicial, Beto Guedes e Titãs. No classe-média Clube Atlético Aramaçan, em Santo André, Ney Matogrosso foi o destaque em uma noite de sábado.
No mesmo Aramaçan, a fina flor da sociedade do ABC participou de um chá beneficente. O Dia das Crianças, em São Bernardo, foi barulhentamente comandado por Sérgio Malandro.
“Com essa programação, criamos o clima desejado para que o interesse e a aceitação da marca Mappin se consolidassem de vez” – lembra Orciuolo.
Agora inicia-se a segunda etapa, adaptada do esquema que deu certo no Mappin Itaim: o aproveitamento de áreas internas e externas para a realização de shows e eventos musicais, além de competições esportivas inicialmente destinadas a colegiais. Sem contar as audições clássicas nostálgicas de piano das 12 às 14 horas e das 19 às 24 horas. No saguão do Mappin, oferecendo apoio logístico especial para as lojas de alimentação, atingindo diferentes consumidores, como os executivos do meio dia e os casais e familiares da noite.
As crianças têm playground à disposição e, a partir da semana que vem, quando o clima de natal estará definitivamente instalado, uma fábrica de brinquedos com personagens da época estará em plena atividade, “Produzindo em cores e ao vivo”, como diz Sérgio Orciuolo, muitos itens que vão embasbacar a petizada. Para não frustrar a expectativa, sorteios de hora em hora vão assegurar a distribuição de produtos dessa inovadora fábrica.
Renato Ciorlia Filho, gerente de planejamento do Mappin, considera “um grande achado” o enraizamento da empresa no ABC Paulista. O Mappin ABC, percebe-se claramente, virou a menina dos olhos da diretoria executiva. Nem poderia ser diferente, porque além de ser pioneiro no setor de shopping o empreendimento materializa a experiência de 74 anos de atividades no setor varejista. Especialmente o Mappin ABC, distribuído em três pisos, coloca-se ao nível das melhores lojas de departamentos do mundo. A atualização do projeto tratou dos mínimos detalhes.
Para exemplificar, enquanto os pisos são particularizados por produto, “tornando o ambiente de acordo com a casa do cidadão”, como diz Leonardo Kurcis, o teto ganhou um milagroso forro que, ao compactar o ambiente impede a dispersão de visão.
Mais de Economia
- Grande ABC perde para Estado
e Brasil em emprego industrial - O que o Piritubão tem a ver com o
contaminado Residencial Ventura? - Quem vai fazer alguma coisa
pela transparência imobiliária? - Grande Campinas ultrapassa o
Grande ABC no PIB de consumo - Ministério Público já investiga
escândalo da Cidade Pirelli - Um desafio aos irresponsáveis pela
construção do Residencial Ventura - Condomínio contaminado: entrega
de chaves a vítimas ou a otários? - Mercado imobiliário merece mais
atenção e respeito no Grande ABC - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (7ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (6ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (5ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (4ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (3ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (2ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (1ª parte) - Ganhei uma aliada na luta contra
predadores do mercado imobiliário - Aidan Ravin vai dar habite-se ao
explosivo Residencial Ventura? - Embarque nesse trem editorial e
curta mais 17 estações históricas - Exclusivo: caímos para o quinto no
ranking de Potencial de Consumo - O que esperar de lobos que
tomam conta do galinheiro? - Uma pena que nossa economia
não tenha a vitalidade do futebol - Recuperamos 40 páginas do
nosso coração econômico - Cidade Pirelli: um encontro com
a cúpula da OAB em Santo André - Cidade Pirelli é ótima oportunidade
para OAB mostrar independência - Falta transparência na gestão do
Fundo de Desenvolvimento Urbano - Escândalo da Cidade Pirelli exige
sim devassa do Ministério Público - Falta apenas saber o tamanho
do escândalo da Cidade Pirelli - Ministério Público estaria pronto
para agir no caso Cidade Pirelli - Cidade Pirelli implode e se
torna especulação imobiliária - Grande Campinas cresce em
ritmo 39% superior ao Grande ABC - Grande ABC versus Grande
Campinas, quem está na frente? - Indústria regional paga mais que
média nacional; setor público, não - Apenas São Caetano aumenta
Índice de Participação no Estado - Como acreditar nos indicadores
do unilateral mercado imobiliário? - Vá pentear macaco!
- PIB festivo esconde problemas
- São Bernardo fora do Top 10
- Doença holandesa
- Rabeira não identificada
- Paulistas na rabeira
- Mobilidade manipulada
- Locomotiva e vagões
- Primo rico, primo pobre
- Pólo de intenções (2)
- Coop, exceção e lição
- Pólo de intenções (1)
- Bala de prata
- Abaixo da inflação
- GM é caso sério (2)
- GM é caso sério (1)
- Melhor impossível
- Boicote automotivo (2)
- Boicote automotivo (1)
- Afinal, uma boa notícia
- Torcida organizada
- Gol de placa…
- Festa esclarecedora
- Mais que números
- Presente de grego
- O que esperar do Grande ABC
nestes tempos de contração? - Ganhamos mais ricos, menos
pobres e ficamos em terceiro - Fritos e mal pagos
- Nós a superar
- Mais desindustrialização
- Sindicalismo vs. FHC
- Terreno contaminado
- Do inferno aos céus
- A pílula do dia seguinte
- Nem gêmeos, nem siameses
- Grande ABC volta a ficar
atrás do potencial mineiro - Primos ricos,
primos pobres - Fatia maior de
um bolo menor - PIB do Grande ABC cai
quase à metade desde 1970 - Com dinheiro
dos outros - Lulacá! (Decididamente?)
- É bobagem transformar
Volkswagem em vilã nacional - Volkswagen
na lanterna - Grande São Paulo segue
marcha batida de perdas - Futuro anunciado finalmente
chega como centro tecnológico - Inovação em tamanho
maior sonha com pólo - Diadema quer ficar mais
perto do oceano Atlântico - Ford lança veículo popular
e salva empregos na região - Nosso exemplo já não
é suficiente como alerta? - Reagir após o Plano Real
é questão de sobrevivência - Um extenso refluxo de
investimentos na região - Terceiro lugar de volta,
mas com tamanho menor - Futuro é cada vez
mais de plástico - Avenida Pereira Barreto
pode ser muito melhor - Cai participação regional
no total de veículos leves - Mundo pertence cada vez
mais às multinacionais - Um presente para ser bem
aproveitado pelo Grande ABC - Base econômica
reflete perdas - Nosso PIB segue ladeira
abaixo. É hora de reagir - Garimpagem no setor moveleiro
- Grande ABC sente abalos no
epicentro da crise econômica - Filas emblemáticas
- Sindicalismo vs. FHC
- Cidadania e corporativismo
- Executivo sindical
- Passado ultrapassado
- Tralhas e gala
- Sobras históricas
- Safari urbano
- Arca de Noé
- Presente de grego?
- Mais transformações
- Fla-Flu empresarial
- Desastre anunciado
- Classe média
- Imposto desumano
- Modelo superado
- Décadas perdidas
- Somos peso pesado
no setor automotivo - Triângulo das Bermudas
- Humildade ramalhina
- Indiana Jones
- Da marcenaria para a movelaria
- Exportar móveis é o que importa
- Grande ABC mais pobre,
por isso menos desigual - Nem São Caetano segue o
crescimento médio do País - Mais trovoadas no
setor automotivo - Concorrência em excesso faz mal
- Mais chumbo grosso em
nosso coração econômico - Governo federal fecha os
olhos para o Grande ABC - Pequenos negócios refletem
declínio da classe média - Parceria para um pólo de qualidade
- Nosso futuro é de plástico
- Grandes projetos e obras,
perigos de entorpecimento - Falta integração e custo
atinge a competitividade - São José, Campinas e Sorocaba
empatam com Grande ABC - Estamos perdendo mobilidade social
- Logística, eis o nome do
problemão do Grande ABC - Vamos colocar a pauta do
Rodoanel na área econômica? - Lulacá, urgente!
- Bomba! São Caetano lidera
precarização de assalariados - Diadema e Mauá revelam
semelhanças e diferenças - Exclusivo: medimos o quanto
perdemos desde o Plano Real - Por que a Grande São Paulo
perdeu tantas indústrias? - São Paulo é amostra do caos metropolitano
- Evasão está expressa no fluxo de veículos
- Veja como será o Grande
ABC por volta de 2020 - IBGE consagra nossos estudos sobre a região
- IPC, ICMS, PIB e VA: só derrota
- Quando a generalização perde
a disputa para o específico - Armadilhas da desindustrialização
- Esqueceram Marinho e
trabalhadores na festa - Já não somos uma Brastemp
- Por que paramos de crescer
e não somos mais espelho? - Montadoras são
heroínas e vilãs - Entenda o capitalismo de
terceira classe do Grande ABC - Votuporanga dá lição de quem
sabe não espera acontecer - Moveleiros planejam pool de exportação
- Como se preparar para não
repetir erros do Grande ABC? - Peão, uma ova!
- Muro de Tecnologia separa
pequenas e grandes empresas - O que está por trás de especialidades
- Tudo para demolir
o mito de cidade - Agora com a cara, coragem
e marketing de verdade - Região precisa ajustar
o ritmo à onda de mudança - Quem disse que a
VW não tem futuro? - Cidade Pirelli é megaprojeto de
R$ 200 milhões de investimentos - Quando a união vai além da
força e gera desenvolvimento - Inspiração que vem da Europa
como forma de modernização - Região aprende com os gaúchos
e decide colocar mão na massa - FEI e Cetemo reforçam parceria
de reestruturação moveleira - Moveleiros querem uma virada no jogo
- Votuporanga ensina a lição e
fortalece mercado moveleiro - Rua Jurubatuba fecha às
20h30 e abre aos domingos - Quem salva os
pequenos negócios? - Minas atropela com crescimento
do PIB muito maior que São Paulo - Escravos do Real
- IBGE confirma inchaço
de nossas periferias - Indústria de Minas Gerais
atropela Estado de São Paulo - Musa proclama vocação econômica
e mobilização empresa-comunidade - Trecho sul do Rodoanel é
assunto para pauta regional - São Caetano e Diadema têm
realidades totalmente opostas - Montadoras não podem continuar
sendo referencial de reinvidicações - Entenda porquê o governo do
estado arrecada cada vez mais - Mão-de-obra tecnológica
exige cruzada regional - A Discreta Revolução
dos Shoppings Centers - Guerras que só
atrapalham região - Novos empreendedores
desconhecem armadilhas - Economia é maior desafio
de candidatos socialistas - Pólo Petroquímico pode
receber água industrial - Esvaziamento industrial da região
compromete poderio econômico - Desaquecimento da economia
preocupa empresas paulistas - Pós-Plano Bresser tem efeitos
semelhantes ao pós-Cruzado - Tudo pronto: Petroquímica União
vai se libertar do controle estatal - Comércio vive nova fase com impactos
- Um Morumbi quase lotado para
conhecer o primeiro shopping - Anapemei é centro de formação
intelectual de empreendedores - São Caetano prepara-se
para primeiro shopping - Primeiros McDonald’s chegam no Grande ABC
- Casas Bahia festeja 35
anos com muitos planos - Escombros do Plano Cruzado são visíveis
- Mappin Shopping já prepara desembarque
- Instituto desvenda números da região
- Moveleiros sofrem pós-Plano Cruzado
- Moveleiros de São Bernardo
seguem perigosa rota do Interior

Processando ...