- Tamanho da fonte: A- | A+
- Envie por e-mail
- Imprimir
Economia
Primeiros McDonald’s chegam no Grande ABC
DANIEL LIMA 30/09/1987
O enorme M amarelo que integra a paisagem urbana de 46 países que abrigam cerca de 9.600 lojas já começa despontar no ABC Paulista. A rede de refeições rápidas McDonald’s, com 18 lojas em São Paulo e uma em Campinas, está chegando a Santo André e a São Bernardo do Campo. Num investimento de US$ 3 milhões, a McDonald’s espera contabilizar nas duas novas unidades, que estarão funcionando até janeiro, nada menos que 500 mil pedidos mensais, 100 mil acima da loja do Center Norte, em Santana, que detém a liderança de faturamento da Retso Comércio de Alimentos, representante dessa rede internacional em São Paulo.
Liderados por Gregory Ryan, um norte-americano diplomado em hotelaria, os restaurantes McDonald’s atenderam em 1985 a 35,5 milhões de pessoas — o equivalente a 30% da população brasileira — garantindo faturamento de 27,8 milhões de dólares. “O trilho desse crescimento é, sem dúvida, o padrão de prestação de serviços da rede, que segue à risca as diretrizes de trabalhos estabelecidas pelos fundadores da organização nos Estados Unidos” – afirma Gregory Ryan. Além das duas lojas no ABC e da nova unidade na Avenida Paulista, já inaugurada, a McDonald’s também está se instalando em São José dos Campos. Nos planos de expansão para o ano que vem consta nova loja em Campinas e provavelmente a terceira no ABC, em São Caetano.
A McDonald’s de Gregory Ryan voltou os olhos para o ABC a partir de pesquisas na loja da Avenida Washington Luis, que constataram a assiduidade com que moradores dessa região incluem-se entre os consumidores. Juntando-se esse fato a indicativos socio-econômicos que colocam o ABC em posição privilegiada, como o quarto potencial de consumo do País e renda per capita de quase US$ 4 mil — isto é, mais do dobro da média nacional — Gregory Ryan não teve dúvidas em alocar recursos financeiros. Até janeiro as duas novas lojas estarão em atividade, o que enriquecerá os números dessa rede internacional. Números fantásticos, na verdade, porque demonstram que a cada 15 horas uma nova loja surge em algum ponto do mundo com um enorme M amarelo. Os restaurantes McDonald’s comercializam 145 hambúrgueres por segundo, o que totaliza mais de 60 bilhões em 32 anos de atividades. Enfileirados, os 60 bilhões de hambúrgueres circundariam o globo terrestre na linha do Equador 154 vezes.
Se os números internacionais da rede McDonald’s são impressionantes — tanto que a corporação apresentou no ano passado lucro líquido de US$ 480 milhões — a performance da rede paulista não é menos brilhante. Apesar de todos os problemas que colocam o Brasil em 63° lugar no ranking de qualidade de vida, a empresa comandada por Gregory Ryan apresentou no período de 12 meses, encerrado em 31 de agosto, a maior média de pedidos por loja da corporação no mundo. Foram exatamente, 1,039 milhão de pedidos, contra a extensa rede canadense de 526 lojas que alcançou a média de 552 mil pedidos, ou 480 mil pedidos nos Estados Unidos, onde estão estabelecidas 7.415 lojas. Quem mais se aproximou da McDonald’s de Gregory Ryan foi Hong Kong, com 1,03 milhão de pedidos. No balanço financeiro a McDonald’s Paulista ocupa a quinta colocação, por força da defasagem de preços dos produtos consumidos no Brasil e também do próprio poder aquisitivo nacional.
O segredo da McDonald’s Paulista nessa trajetória de crescimento após a implantação da primeira loja, em 1981 na Avenida Paulista, não é outro senão a própria filosofia internacional da rede, explicada por Gregory Ryan: “Quatro letras sintetizam o princípio básico de atuação da McDonald’s. É o QSLV — que representa a qualidade dos produtos, a rapidez do serviço, a limpeza das lojas e o justo valor para os preços” – afirma.
Foi assim, seguindo à risca a filosofia do criador da McDonald’s, que a rede paulista chegou a faturamento médio superior a US$ 1 milhão em cada uma das 18 lojas da capital. No acumulado de sete anos de instalação em São Paulo, considerando-se a confirmação da previsão para este ano, a McDonald’s Paulista terá faturado US$ 43 milhões, resultado da venda de 27 milhões de Big Mac, 32 milhões de hambúrgueres, 50 milhões de porções de fritas e 18 milhões de sundae, atendendo a 103 milhões de clientes. O quadro de funcionários saltou de 137 da primeira loja para a previsão de três mil, quando as unidades do ABC e São José dos Campos estiverem funcionando.
A implantação de ações comunitárias no ABC será deflagrada em breve, já que é estratégia do McDonald’s Paulista aproximar-se de segmentos dos diversos da sociedade. Shows musicais, visitas a creches, escolas e a entidades beneficentes integram o sistema de marketing do McDonald’s. “Somos uma empresa altamente democrática. Nosso público é de todas as classes sociais, embora tenha havido espero afastamento da classe D, por causa de problemas da nossa economia”. Na realidade, Gregory Ryan espera o que chama de uma grande resposta do ABC, uma região mista onde os setores comercial, de serviços e industrial indicam volume bastante respeitável de clientes.
Mais de Economia
- Grande ABC perde para Estado
e Brasil em emprego industrial - O que o Piritubão tem a ver com o
contaminado Residencial Ventura? - Quem vai fazer alguma coisa
pela transparência imobiliária? - Grande Campinas ultrapassa o
Grande ABC no PIB de consumo - Ministério Público já investiga
escândalo da Cidade Pirelli - Um desafio aos irresponsáveis pela
construção do Residencial Ventura - Condomínio contaminado: entrega
de chaves a vítimas ou a otários? - Mercado imobiliário merece mais
atenção e respeito no Grande ABC - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (7ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (6ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (5ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (4ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (3ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (2ª parte) - Eu não tenho coragem de morar
no Residencial Ventura (1ª parte) - Ganhei uma aliada na luta contra
predadores do mercado imobiliário - Aidan Ravin vai dar habite-se ao
explosivo Residencial Ventura? - Embarque nesse trem editorial e
curta mais 17 estações históricas - Exclusivo: caímos para o quinto no
ranking de Potencial de Consumo - O que esperar de lobos que
tomam conta do galinheiro? - Uma pena que nossa economia
não tenha a vitalidade do futebol - Recuperamos 40 páginas do
nosso coração econômico - Cidade Pirelli: um encontro com
a cúpula da OAB em Santo André - Cidade Pirelli é ótima oportunidade
para OAB mostrar independência - Falta transparência na gestão do
Fundo de Desenvolvimento Urbano - Escândalo da Cidade Pirelli exige
sim devassa do Ministério Público - Falta apenas saber o tamanho
do escândalo da Cidade Pirelli - Ministério Público estaria pronto
para agir no caso Cidade Pirelli - Cidade Pirelli implode e se
torna especulação imobiliária - Grande Campinas cresce em
ritmo 39% superior ao Grande ABC - Grande ABC versus Grande
Campinas, quem está na frente? - Indústria regional paga mais que
média nacional; setor público, não - Apenas São Caetano aumenta
Índice de Participação no Estado - Como acreditar nos indicadores
do unilateral mercado imobiliário? - Vá pentear macaco!
- PIB festivo esconde problemas
- São Bernardo fora do Top 10
- Doença holandesa
- Rabeira não identificada
- Paulistas na rabeira
- Mobilidade manipulada
- Locomotiva e vagões
- Primo rico, primo pobre
- Pólo de intenções (2)
- Coop, exceção e lição
- Pólo de intenções (1)
- Bala de prata
- Abaixo da inflação
- GM é caso sério (2)
- GM é caso sério (1)
- Melhor impossível
- Boicote automotivo (2)
- Boicote automotivo (1)
- Afinal, uma boa notícia
- Torcida organizada
- Gol de placa…
- Festa esclarecedora
- Mais que números
- Presente de grego
- O que esperar do Grande ABC
nestes tempos de contração? - Ganhamos mais ricos, menos
pobres e ficamos em terceiro - Fritos e mal pagos
- Nós a superar
- Mais desindustrialização
- Sindicalismo vs. FHC
- Terreno contaminado
- Do inferno aos céus
- A pílula do dia seguinte
- Nem gêmeos, nem siameses
- Grande ABC volta a ficar
atrás do potencial mineiro - Primos ricos,
primos pobres - Fatia maior de
um bolo menor - PIB do Grande ABC cai
quase à metade desde 1970 - Com dinheiro
dos outros - Lulacá! (Decididamente?)
- É bobagem transformar
Volkswagem em vilã nacional - Volkswagen
na lanterna - Grande São Paulo segue
marcha batida de perdas - Futuro anunciado finalmente
chega como centro tecnológico - Inovação em tamanho
maior sonha com pólo - Diadema quer ficar mais
perto do oceano Atlântico - Ford lança veículo popular
e salva empregos na região - Nosso exemplo já não
é suficiente como alerta? - Reagir após o Plano Real
é questão de sobrevivência - Um extenso refluxo de
investimentos na região - Terceiro lugar de volta,
mas com tamanho menor - Futuro é cada vez
mais de plástico - Avenida Pereira Barreto
pode ser muito melhor - Cai participação regional
no total de veículos leves - Mundo pertence cada vez
mais às multinacionais - Um presente para ser bem
aproveitado pelo Grande ABC - Base econômica
reflete perdas - Nosso PIB segue ladeira
abaixo. É hora de reagir - Garimpagem no setor moveleiro
- Grande ABC sente abalos no
epicentro da crise econômica - Filas emblemáticas
- Sindicalismo vs. FHC
- Cidadania e corporativismo
- Executivo sindical
- Passado ultrapassado
- Tralhas e gala
- Sobras históricas
- Safari urbano
- Arca de Noé
- Presente de grego?
- Mais transformações
- Fla-Flu empresarial
- Desastre anunciado
- Classe média
- Imposto desumano
- Modelo superado
- Décadas perdidas
- Somos peso pesado
no setor automotivo - Triângulo das Bermudas
- Humildade ramalhina
- Indiana Jones
- Da marcenaria para a movelaria
- Exportar móveis é o que importa
- Grande ABC mais pobre,
por isso menos desigual - Nem São Caetano segue o
crescimento médio do País - Mais trovoadas no
setor automotivo - Concorrência em excesso faz mal
- Mais chumbo grosso em
nosso coração econômico - Governo federal fecha os
olhos para o Grande ABC - Pequenos negócios refletem
declínio da classe média - Parceria para um pólo de qualidade
- Nosso futuro é de plástico
- Grandes projetos e obras,
perigos de entorpecimento - Falta integração e custo
atinge a competitividade - São José, Campinas e Sorocaba
empatam com Grande ABC - Estamos perdendo mobilidade social
- Logística, eis o nome do
problemão do Grande ABC - Vamos colocar a pauta do
Rodoanel na área econômica? - Lulacá, urgente!
- Bomba! São Caetano lidera
precarização de assalariados - Diadema e Mauá revelam
semelhanças e diferenças - Exclusivo: medimos o quanto
perdemos desde o Plano Real - Por que a Grande São Paulo
perdeu tantas indústrias? - São Paulo é amostra do caos metropolitano
- Evasão está expressa no fluxo de veículos
- Veja como será o Grande
ABC por volta de 2020 - IBGE consagra nossos estudos sobre a região
- IPC, ICMS, PIB e VA: só derrota
- Quando a generalização perde
a disputa para o específico - Armadilhas da desindustrialização
- Esqueceram Marinho e
trabalhadores na festa - Já não somos uma Brastemp
- Por que paramos de crescer
e não somos mais espelho? - Montadoras são
heroínas e vilãs - Entenda o capitalismo de
terceira classe do Grande ABC - Votuporanga dá lição de quem
sabe não espera acontecer - Moveleiros planejam pool de exportação
- Como se preparar para não
repetir erros do Grande ABC? - Peão, uma ova!
- Muro de Tecnologia separa
pequenas e grandes empresas - O que está por trás de especialidades
- Tudo para demolir
o mito de cidade - Agora com a cara, coragem
e marketing de verdade - Região precisa ajustar
o ritmo à onda de mudança - Quem disse que a
VW não tem futuro? - Cidade Pirelli é megaprojeto de
R$ 200 milhões de investimentos - Quando a união vai além da
força e gera desenvolvimento - Inspiração que vem da Europa
como forma de modernização - Região aprende com os gaúchos
e decide colocar mão na massa - FEI e Cetemo reforçam parceria
de reestruturação moveleira - Moveleiros querem uma virada no jogo
- Votuporanga ensina a lição e
fortalece mercado moveleiro - Rua Jurubatuba fecha às
20h30 e abre aos domingos - Quem salva os
pequenos negócios? - Minas atropela com crescimento
do PIB muito maior que São Paulo - Escravos do Real
- IBGE confirma inchaço
de nossas periferias - Indústria de Minas Gerais
atropela Estado de São Paulo - Musa proclama vocação econômica
e mobilização empresa-comunidade - Trecho sul do Rodoanel é
assunto para pauta regional - São Caetano e Diadema têm
realidades totalmente opostas - Montadoras não podem continuar
sendo referencial de reinvidicações - Entenda porquê o governo do
estado arrecada cada vez mais - Mão-de-obra tecnológica
exige cruzada regional - A Discreta Revolução
dos Shoppings Centers - Guerras que só
atrapalham região - Novos empreendedores
desconhecem armadilhas - Economia é maior desafio
de candidatos socialistas - Pólo Petroquímico pode
receber água industrial - Esvaziamento industrial da região
compromete poderio econômico - Desaquecimento da economia
preocupa empresas paulistas - Pós-Plano Bresser tem efeitos
semelhantes ao pós-Cruzado - Tudo pronto: Petroquímica União
vai se libertar do controle estatal - Comércio vive nova fase com impactos
- Um Morumbi quase lotado para
conhecer o primeiro shopping - Anapemei é centro de formação
intelectual de empreendedores - São Caetano prepara-se
para primeiro shopping - Primeiros McDonald’s chegam no Grande ABC
- Casas Bahia festeja 35
anos com muitos planos - Escombros do Plano Cruzado são visíveis
- Mappin Shopping já prepara desembarque
- Instituto desvenda números da região
- Moveleiros sofrem pós-Plano Cruzado
- Moveleiros de São Bernardo
seguem perigosa rota do Interior

Processando ...