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	<title>CapitalSocial &#187; Regionalidade</title>
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		<title>Rotina regional entre deserdados  sociais e incestos institucionais</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 14:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Os números foram apresentados, para variar, em estado bruto, sem valor agregado. Li em vários veículos impressos e digitais manchetes mais ou menos nestes termos: &#8220;Centro Público coloca 2.923 trabalhadores no mercado&#8221;. Trata-se do balanço recém-concluído do CPETR (Centro Público de Emprego, Trabalho e Renda) de Santo André. Diz a matéria que o número é 32% superior aos 2.205 colocados no mesmo período do ano passado.</p>
<p>Vamos fazer as contas: somando-se os empregos confirmados no primeiro semestre do ano passado e no primeiro semestre deste ano, o CPETR garantiu carteira assinada ao final dos dois semestres a 5.128 profissionais. Notícia a ser festejada? Qual nada, porque o universo de cadastrados, acumulado nos 12 meses correspondentes aos dois primeiros semestres, chega a 163.551 candidatos.</p>
<p>Feitas as contas dos contratados e dos que se habilitaram a dar os primeiros passos a encaminhamentos a empresas, o que temos é simplesmente o seguinte: apenas 3,13% dos desempregados que procuraram o CPETR conseguiram colocação. Convenhamos que é muito pouco.  </p>
<p>Os deserdados sociais do Grande ABC ainda são, entre os quais, muitos ex-trabalhadores do setor industrial que não se rencaixaram nas linhas de produção porque a competição é cada vez mais encardida. Ganham mais espaços jovens preparados para operar tecnologias que descartam os menos escolarizados e repõem cada vez número mais seletivo de trabalhadores.  </p>
<p>Uma das prioridades que as autoridades públicas deveriam estabelecer possivelmente no interior do Clube dos Prefeitos ganharia a forma de um banco de dados dos centros públicos voltados para o mercado de trabalho no Grande ABC. O que temos é a velha e surrada idiotice de cada um procurar o próprio caminho, em confronto suicida com a regionalidade que deveria racionalizar as operações. </p>
<p>Li recentemente não sei onde algo sobre a possibilidade de integração dos bancos de dados dessas unidades no Grande ABC, mas não houve desdobramentos. Até que ponto esse divisionismo atrapalha os interesses dos trabalhadores e das empresas? Um centro que controlasse o estoque disponível de mão-de-obra regional desempregada não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Muito menos eliminaria a descentralização de atendimento, de cadastramento e mesmo de preparação dos candidatos. Apenas colocaria ordem na bagunça da individualização operacional.   </p>
<p>De qualquer forma, o que impera na seleção, preparo e encaminhamento de mão-de-obra às empresas do Grande ABC não é nada diferente de tantas outras áreas. A ilusão de que o Grande ABC existe a partir da cabine de controle do Clube dos Prefeitos ou de qualquer instância pública que tenha o desprendimento de olhar além do próprio território municipal vale para tantas outras situações. </p>
<p>Continuamos pecando pelo sufocamento gerado pelo fundamentalismo municipalista. Exceto Celso Daniel durante pouco mais da metade do segundo mandato &#8212; quando descobriu que era um bobo de regionalismo na corte do autarquismo político-administrativo &#8212; o que prevalece são pressões locais para que cada chefe de Executivo não arrede pé do gabinete e, também, de cada metro quadrado do território percorrido para chegar até o Paço Municipal. </p>
<p>Por instinto de sobrevivência em primeira escala na tentativa de conseguir a reeleição e por acomodação típica de quem não quer se desgastar além da conta durante o mandato da reeleição, os chefes de Executivo fixam os olhos única e exclusivamente na faixa territorial que, mais tarde, poderá lhes assegurar eventual retorno triunfal.  </p>
<p>Quero dizer com isso que a causa regionalista é uma quimera? Com absoluta certeza e conhecimento de quem bate nesta tecla há pelo menos duas décadas. </p>
<p>Como não sou de jogar a toalha e muito menos cometerei haraquiri jornalístico de atirar no lixo pressupostos de regionalidade que, paradoxalmente, norteiam o Grande ABC como território interdependente em diversas atividades humanas, da economia à política, da cultura ao esporte &#8212; abarcando apenas nuances que não retiram certa homogeneidade estrutural &#8212; seguirei nessa guerra de guerrilhas para fazer cabeças menos provincianas. </p>
<p>Tanto que estou cada vez mais inclinado a acreditar numa alternativa que, colocada em prática com sensibilidade e empenho, poderia dar uma guinada gradual mas provocativa no comportamento regional. </p>
<p>Qual seria essa saída? Um grupo de voluntários dar suporte filosófico a uma empreitada de catequese regional que contasse com a adesão de diferentes áreas, mas principalmente da mídia. Algo que substituísse o Fórum da Cidadania dos bons tempos. Mais restrito em representações, mais focado em urgências, menos dado a estrelismos. </p>
<p>Algo que se desenhou na sala de reuniões da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) no começo dos anos 2000 para substituir um Fórum da Cidadania já moribundo. </p>
<p>Estou resgatando o resumo daquele encontro informal para compartilhar com os leitores. Acho que vale a pena ser consumido, embora não acredite, sinceramente, que, apesar de atualizadíssimo na concepção de regionalidade, possa ser aproveitado. </p>
<p>Tudo porque o Grande ABC caiu na vala comum da vadiagem social, com peças supostamente chaves que não pensam em outra coisa senão em lambuzarem-se em incestos institucionais. </p>
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		<title>Cadê a inteligência que se espera  de uma sociedade bombardeada?</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 12:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto o Clube dos Prefeitos do Grande ABC segue desfiladeiro abaixo na patética busca de definir planejamento estratégico para a região, montando superestrutura de 25 grupos temáticos que enxugam o gelo de teorias e experiências sem correspondentes respostas práticas, o andar da carruagem dos acontecimentos é outro. Estamos de mal a pior. Perdemos a capacidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto o Clube dos Prefeitos do Grande ABC segue desfiladeiro abaixo na patética busca de definir planejamento estratégico para a região, montando superestrutura de 25 grupos temáticos que enxugam o gelo de teorias e experiências sem correspondentes respostas práticas, o andar da carruagem dos acontecimentos é outro. Estamos de mal a pior. Perdemos a capacidade de interpretar os fatos que ocorrem no Grande ABC. No passado, havia forças que sabiam o que faziam, principalmente para tentar concentrar feixes de interpretações que pudessem lhes assegurar vantagens competitivas &#8212; mesmo que a custa da sociedade.</p>
<p>A incapacidade regional de entender o jogo da economia invade a todas as instâncias. Na mídia também. Os temários mais profundos são descartados. A polêmica entre a Volkswagen do Brasil e o setor de autopeças é prova disso. Certamente a maioria não sabe do que se trata. O que confirma a subalternidade da pauta regional a manipulações que visam a emburrecer a sociedade.</p>
<p>O assunto afeta diretamente os interesses do Grande ABC, mas não há vida prospectiva nos canais institucionais. Nossas instâncias associativas empresariais, principalmente, estão entregues às baratas. Ficam no ramerrame de prestação de serviços burocráticos ou em eventos de cunho comercial. Não enxergam a floresta de complicações macroeconômicas e macrossociais. Movimentam-se como quem pisa em ovos. Interesses particulares balizam ações corporativas.</p>
<p>Muito mais importante no passado do que no presente, a indústria de autopeças do Grande ABC, sempre subordinada aos ditames das montadoras de veículos, está ameaçada pela Volkswagen do Brasil. Alguns jornais paulistanos deram a matéria que passou em branco nos veículos locais: a ameaça da Volkswagen substituir fornecedores de componentes automotivos nacionais por estrangeiros, sob a justificativa de que uma parte das empresas de capital brasileiro insiste em reajustar preços apesar de não se comprometer com a entrega de produtos de qualidade e cumprimento de prazos.</p>
<p>À parte as motivações dos contendores, convém breve recuo no tempo para lembrar um dos temas mais caros que mantive à frente da revista LivreMercado. Durante duas décadas acompanhamos o movimento de peças sociais e econômicas do Grande ABC como nenhum outro veículo de comunicação em qualquer área regional do País.</p>
<p>Cansamos de denunciar a escandalosa destruição de empresas industriais de base familiar na região. Obras da maluquice de uma abertura comercial e de guerras fiscais do governo Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>As autopeças de origem familiar no Grande ABC desapareceram do mapa. Foram destruídas por políticas que privilegiaram grandes corporações. Anteriormente, como espécie de preparação à debacle, empresas familiares foram bombardeadas por um sindicalismo que não distinguia capacidade de respostas às reivindicações trabalhistas. Grandes, médias e pequenas indústrias formavam o mesmo saco de gatos de exigências. Um circo de horrores.</p>
<p>O movimento destrutivo não se deu exclusivamente no Grande ABC, mas atingiu mais intensamente o Grande ABC por concentrar maior contingente de empreendedores para atender às montadoras de veículos.</p>
<p>Segundo os últimos dados do Sindipeças, entidade que representa o setor, a desnacionalização das empresas que atendem às montadoras chegou a números exorbitantes. Hoje, 71% das autopeças sediadas no Brasil pertencem ao capital estrangeiro. A ameaça da Volkswagen poderá elevar esse índice ainda mais.</p>
<p>Fosse o Clube dos Prefeitos entidade de fato cerebral, dessas instituições com estudos atualizados sobre o Grande ABC, teríamos um retrato automático da indústria de autopeças na região. A que tipo de empreendedor estaria entregue a indústria de autopeças da região? Quantas empresas familiares se salvaram da borrasca fernandohenriquista?</p>
<p>Nada disso, infelizmente, está na pauta da rarefeita institucionalidade do Grande ABC. O rebaixamento intelectual é acintosamente humilhante. Entregou-se a pauta regional a bandoleiros políticos que não fazem outra coisa senão exporem, sem a menor cerimônia, objetivos pessoais e grupais. O noticiário político poderia ser adaptado às fofocas de zonas de meretrício. Fulanizaram os pontos sobre os quais deveriam convergir inquietações da sociedade.</p>
<p>No Grande ABC destes tempos de mediocridade total, vale muito mais a pena se a alma for pequena.</p>
<p>Sugiro aos leitores, para poupá-los de texto mais extenso, que utilizem o mecanismo de busca deste site. Escrevam &#8220;autopeças&#8221; e vejam o quanto de acervo temos para justificar a indignação destes dias.</p>
<p>Infelizmente, o passado do melhor jornalismo que o Grande ABC já produziu ao longo da história transformou-se em pesadelo para quem imaginava que o futuro não seria um compromisso tácito com a dissimulação e o descaso de quem está no comando político e social de 2,6 milhões de habitantes.</p>
<p>Mergulhamos, lamentavelmente, na mais ofensiva, insidiosa, tosca e sofrível trajetória institucional do Grande ABC.</p>
<p>Perdemos a capacidade mínima de gerenciar informações e de estabelecer reações, mesmo que, como nos anos 1990, tocadas por interesses enviesados.</p>
<p>A desarrumação geral da casa é consequência do passado de licenciosidades éticas e de individualismos insuperáveis.</p>
<p>Imaginem então o que teremos no futuro desse presente, se o futuro do passado é o que temos despudoradamente que enfrentar a cada dia nesse território de oportunistas?</p>
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		<title>Regionalidade em retalhos é a  Faixa de Gaza do Grande ABC</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 13:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Acompanhem alguns trechos de uma entrevista que vem a seguir. Leiam com atenção, porque vou fazer uma analogia com o que vivi e vivo no Grande ABC, tendo como contraponto principalmente a postura do Diário do Grande ABC ao longo dos tempos. Acompanhem:
 Há algo que é muito pior que a censura: a autocensura, pois na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acompanhem alguns trechos de uma entrevista que vem a seguir. Leiam com atenção, porque vou fazer uma analogia com o que vivi e vivo no Grande ABC, tendo como contraponto principalmente a postura do Diário do Grande ABC ao longo dos tempos. Acompanhem:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Há algo que é muito pior que a censura: a autocensura, pois na autocensura nunca há resistência. Se houvesse censura por parte do governo, haveria resistência, mas o que existe é autocensura. Trata-se de uma tirania de opções. A tirania daqueles que querem agradar aos leitores, a tirania de vender jornais e a tirania de não querer importunar os leitores com coisas que eles não querem ler. Muitos jornalistas e muitos jornais em Israel esqueceram, ou nunca souberam, qual é o papel do jornalista. Não é apenas o de agradar aos leitores. Portanto, neste sentido, penso que se um dia um historiador pesquisar os arquivos e ler a mídia israelense, por exemplo, sobre a ocupação como um todo, ele não irá compreender. Ele não irá compreender o que aconteceu aqui porque verá que um cachorro &#8212; um cachorro israelense &#8212; que foi morto em Cast Lead ocupa matéria da primeira página do jornal mais popular de Israel, enquanto precisamente no mesmo dia a notícia sobre a morte de dezenas de palestinos ocupa duas linhas da página 16. E isso é sistemático: a mídia israelense desumaniza e demoniza os palestinos e ao fazê-lo se transforma no maior colaborador com a ocupação.</p>
<p>Estas declarações fazem parte da entrevista que o peruano Mario Vagas Llosa fez com Gideon Levy, republicada outro dia no site Observatório da Imprensa, endereço obrigatório para quem quer entender o papel dos jornalistas. Gideon é, segundo narra Vargas Llosa, um jornalista engajado e, em seus artigos, reportagens e colunas expõe suas opiniões &#8212; normalmente críticas às autoridades e ao governo de Israel &#8212; com clareza, honestidade, talento e coragem. Gideon Levy é o que os reducionistas chamam de controvertido jornalista judeu israelense, membro da direção do jornal Ha´aretz. Já atuou como conselheiro de Shimon Peres. Foi correspondente de guerra em Saravejo, durante a Guerra dos Balcãs. É crítico feroz da política do governo de Israel em relação aos territórios ocupados.</p>
<p>O entrevistador, escritor de fama mundial, inicia o questionamento com incisiva provocação ao israelense Gideon Levy: &#8220;Você acha que apesar de suas opiniões serem em geral contra o atual status quo, ainda assim você pode se expressar livremente, enquanto jornalista, em Israel?&#8221;.</p>
<p>Querem saber o que respondeu o jornalista?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Com certeza que sim. Não quero cometer exageros porque o fato de me poder manifestar livremente deveria ser uma questão de princípio. Não deveria ser uma coisa do outro mundo porque nós reivindicamos ser uma democracia. Mas deve se reconhecer que, no que me diz respeito, penso que a liberdade de expressão é total para quase todos os cidadãos judeus. Muitas vezes, costumo explicar, aqui como no exterior, que a minha voz também é importante para mostrar que existem vozes alternativas em Israel. E que, enfim, os israelenses não têm uma voz unívoca, única, e que após toda essa conversa de eu provocar danos a Isarael, o que é muito comum no país &#8212; o grande inimigo do povo &#8211;, esquecem-se de uma coisa: que um dia de bombardeio pesado em Gaza causa muito mais prejuízos do que todos os Gideon Levys juntos. Mas, sim, sinto-me à vontade para escrever e para expressar qualquer coisa que aconteça.</p>
<p>Os leitores mais recentes de meus textos, e os mais antigos de memória curta, hão de perguntar: mas o que tem a ver a situação no Oriente Médio, a posição daquele jornalista, e o Grande ABC? Simples, simples e simples: guardadas as devidas proporções e contextos, sei o que passei durante muitos anos nestas plagas por manter o jornalismo a salvo de trambicagens editoriais de edulcoração da pílula da regionalidade em seus vários aspectos. Ainda hoje pago caro o preço da independência e do que alguns chamam de coragem, o que de fato não passa de obrigação cumprida.</p>
<p>Tivemos e continuamos a exibir no Grande ABC muitas faixas de Gaza nas quais centralizamos baterias de análises e de críticas, para desgosto de manipuladores de opinião tanto da mídia quanto também de poderes públicos municipais e estaduais. Não é por outra razão, de colocar as coisas nos devidos lugares para marinheiros de primeira viagem, ou para tripulantes de muitas embarcações, que estamos recuperando a cada dia um novo pedaço dos arquivos da revista LivreMercado.</p>
<p>Costumo dizer que temos história para mostrar às gerações futuras. Não imaginam os leitores quantos obstáculos enfrentamos para manter uma publicação por tanto tempo. Eram guerras de guerrilhas internas, de colocar o guizo da responsabilidade e do profissionalismo no pescoço de amadores juramentados do Departamento Comercial, e externas, de enfrentar os que se atribuíam poderes de decidir o futuro de cada um de nós.</p>
<p>Fico pensando com meus botões quantos jornalistas em atividade no Grande ABC podem de fato reunir tudo o que produziu ao longo da carreira e deixar de legado à avaliação das gerações atuais e futuras? Não há nada pior que a constatação de que o tempo passou e absolutamente nada, ou quase nada, de revolucionário no bom sentido do termo foram eles capazes de realizar.</p>
<p>Vale sempre a pena não se entregar às vantagens circunstanciais que, o tempo provará, se tornarão de fato desventuras e pesadelos. Pelo menos para quem é jornalista de fato, não relações públicas, que é outro departamento.</p>
<p>O mais lamentável mesmo não é o que se passa com os jornalistas, muitos dos quais sem a menor possibilidade de exercer de fato a profissão com independência e determinação. O mais triste é continuar acompanhando o despautério com que é tratado o jornalismo no Grande ABC por gente que se aboletou no comando da mídia regional e simplesmente a transformou numa colcha de retalhos de interesses que passam a léguas de distância de uma agenda mínima de construção da regionalidade que jamais tivemos, mas chegamos a sonhar que tínhamos entre outras razões porque fizemos de um desejo chamado &#8220;Grande ABC&#8221; um bicho-de-sete-cabeças.</p>
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		<title>Nostratamos de Resolver volta  com Pulseiras da Regionalidade</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 18:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Atenção, atenção, senhoras e senhores da Província do Grande ABC. O profeta da sinceridade, Nostratamos de Resolver, está de volta. Depois de muitos anos de afastamento, desconsolado com a anorexia social da região, Nostratamos de Resolver volta à cena. Inspirado nas Pulseiras do Sexo, que fazem furor entre adolescentes. Nostratamos de Resolver chega ao Grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atenção, atenção, senhoras e senhores da Província do Grande ABC. O profeta da sinceridade, Nostratamos de Resolver, está de volta. Depois de muitos anos de afastamento, desconsolado com a anorexia social da região, Nostratamos de Resolver volta à cena. Inspirado nas Pulseiras do Sexo, que fazem furor entre adolescentes. Nostratamos de Resolver chega ao Grande ABC com as redentoras Pulseiras da Regionalidade.</p>
<p>São sete as Pulseiras da Regionalidade. Como as notas musicais. Como os sete municípios do Grande ABC. Cada unidade representa uma nota musical. Cada unidade representa uma meta para tornar a Província do Grande ABC integrada em objetivos que impulsionariam, num segundo estágio, novas conquistas.</p>
<p>Nostratamos de Resolver tem alguma esperança de que desta vez a Província do Grande ABC despertará do sono omisso do individualismo vadio, do interesseirismo corporativista, do mutismo acovardado &#8212; de todas as mazelas que estamos cansados de denunciar.</p>
<p>Enquanto as Pulseiras do Sexo, de cores diferentes, indicam abraço, sexo oral, chupões no pescoço, seio à mostra, beijo, mordida, dança erótica e relação sexual, as Pulseiras da Regionalidade são potencialmente nobres, cidadãs e de responsabilidade social.</p>
<p>Afinal, além de cores diferentes, embutem sons distintos e objetivos específicos, embora integrados. Querem ver?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor verde significa ação coletiva para criar os chamados pólos tecnológicos. Nada que se compare ao individualismo debochado do prefeito de Santo André, Aidan Ravin, que furou a mobilização regional e se apressou ao prometer um pólo tecnológico que tem cara e jeito de fraude, porque incorpora empresas que chegaram a Santo André bem antes de se ouvir falar na medida que teria o apoio do governo estadual.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor azul significa que teremos gente pensando e agindo com base em Planejamento Estratégico Econômico Regional, plataforma para ações coordenadas e racionais. Gente que não se prenderá ao organograma de qualquer instituição pública ou privada que atue isoladamente. Gente que vai agir transversalmente, compartilhando medidas com representações públicas, empresariado, sindicais e acadêmicas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor amarela se voltará a agentes que se empenharão em deliberações na área de Segurança Pública. A criminalidade no Grande ABC já foi assustadora, baixou bastante, mas pode melhorar ainda mais. Há fundas rivalidades e improdutividades entre polícias civis e militares, e até mesmo de guardas municipais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor roxa significa que especialistas se dedicarão a olhar para o sistema viário regional sem o bairrismo municipalista autárquico. Seria um golpe de mestre para usufruir das decantadas vantagens do trecho sul do Rodoanel, antes que essas mesmas vantagens tomem o corpo de novas complicações logísticas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor branca significa que teremos uma radiografia dos terrenos e galpões industriais vagos, subocupados ou passiveis de reciclagem para dar fôlego a investimentos que fujam do furor especulativo do mercado imobiliário sempre voraz. Está na hora de o Grande ABC exumar os efeitos da desindustrialização dos anos 1990, antes que tudo vire prédios de apartamentos.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor preta significa que os pequenos negócios, do centro e dos bairros, passarão a contar com força-tarefa que minimizará as dores de quem enfrenta o grande negócio. Afinal, não passa de balela essa história de que o mercado não precisa de contenções e medidas compensatórias, de que apenas os mais competentes devem sobreviver. Como garantir que os mais competentes sobrevivem de fato diante de tantas desvantagens para ganhar competitividade?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A Pulseira da Regionalidade da cor vermelha significa que os excluídos sociais de vários matizes encontrarão eco na sociedade em forma de planejamento, coordenação e execução de medidas profiláticas. A ideia de que apenas o Poder Público tem obrigação de entender esse mundo de contrastes não vale para um Grande ABC que se diz tão vanguardista.</p>
<p>Erra redondamente quem acredita que Nostratamos de Resolver baseará desafios em pulseiras estáticas, convencionais. Ele explica em entrevista especial a este site que cada cor corresponderá a uma nota musical resultante de um chip. E que todos os agentes públicos e privados que ocupam posição de relevo na sociedade vão passar a usar sete pulseiras.</p>
<p>Estão incluídos nessa lista de múltiplas pulseiras todos os homens de governo, ou seja, prefeitos, secretários, vereadores, funcionários públicos. Todos, absolutamente todos. Mais: dirigentes de entidades de classe empresarial, de entidades sociais, de entidades sociais e de entidades culturais. Professores de diversos níveis. Médicos, advogados. Nenhum jornalista ou dono de veículo de comunicação ficará livre. Quem tiver rendimentos financeiros e bens materiais acima de R$ 200 mil também vai receber sete pulseiras multicoloridas. Frequentadores de colunas sociais, independentemente de não terem um tostão furado, também vão usar as sete pulseiras. Uma lição para quem quer aparecer.</p>
<p>Nostratamos de Resolver avisa que os demais habitantes do Grande ABC não ficarão imunes às Pulseiras da Regionalidade. Quem não se enquadrar nos critérios das sete pulseiras, vai receber duas pulseiras. Eles poderão escolher as cores e, consequentemente, as finalidades e as nota musicais. Quem vai lhes distribuir as pulseiras serão os habitantes do chamado primeiro escalão institucional, ou seja, os tomadores de decisões e os formadores de opinião. As escolhas terão de ser criteriosas. Só poderão receber duas pulseiras quem de fato se preocupar com o futuro do Grande ABC.</p>
<p>O princípio lógico de que quanto mais pulseiras distribuídas, mais possibilidades de se alcançar os objetivos traçados não é apenas uma equação sociológica. É também uma questão de ordem matemática. Com mais remadores, a embarcação ganha maior velocidade e é possível fugir da borrasca.</p>
<p>Nostratamos de Resolver esclarece que as Pulseiras da Regionalidade vão converter-se num fato inédito e que, portanto, não podem ser confundidas com guetos de jovens adeptos das Pulseiras do Sexo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Isso não significa que amantes das Pulseiras do Sexo não possam utilizar as Pulseiras da Regionalidade. O único problema é que provavelmente terão excesso de acessórios no braço.</p>
<p>Acredita Nostratamos de Resolver que o mundo inteiro vai dirigir olhares para essa província de 2,7 milhões de pessoas. Afinal, uma sinfonia nada agradável marcará a vida da população do Grande ABC. Como assim? Ora, a partir do lançamento do projeto das Pulseiras da Regionalidade, cada movimento de braço vai provocar sons estridentes, sempre de acordo com as respectivas notas musicais.</p>
<p>Nostratamos de Resolver pede para esclarecer que as Pulseiras da Regionalidade devem ser usadas num mesmo braço. Não importa se braço direito ou braço esquerdo. Nostratamos de Resolver não quer ser acusado de direitista nem esquerdista. Cada um que faça a opção que desejar. Vale mesmo é o livre-arbítrio. Longe de Nostratamos de Resolver o slogan que o Diário do Grande ABC utilizou nos anos 1990 numa campanha de valorização do produto e do Grande ABC. O bordão &#8220;O braço direito do Grande ABC&#8221; pegou mal no berço do sindicalismo.</p>
<p>Não esperem que as Pulseiras da Regionalidade emitam sonidos beethovianos. Nada disso. Serão ruídos desagradáveis em forma musical. Bastará um movimento qualquer de braço para aquelas pulseiras provocarem acordes insuportáveis.</p>
<p>Calma, senhoras e senhores, porque há um remédio contra a histeria musical que, espera Nostratamos de Resolver, tome conta do Grande ABC.</p>
<p>Para cada avanço numa das sete metas vinculadas às cores das pulseiras e às notas musicais, se consumará queda gradual dos decibéis. Ou seja: há uma projeção de que o inferno do barulho descerá ao Grande ABC, mas na medida em que se equacionar cada uma dos sete desafios, teremos redução importante do incômodo.</p>
<p>Nostratamos de Resolver jura pelas próprias barbas de profeta da sinceridade que não será implacável com o Grande ABC. Garante que manterá a sensibilidade aguçada. Que não perseguirá ninguém. E que dará prêmio pelo empenho individual. Que prêmio? Quem se dedicar de fato às causas a que se propôs ou a que foi imposto, terá a percepção individual de som menos desconfortável. Quem mentir, quem for braço curto, quem fingir que está empenhado para valer, receberá o castigo do incômodo auditivo elevado às alturas.</p>
<p>Nostratamos de Resolver avisa que não espera muito da Província do Grande ABC. Ele entende que por muito tempo a barulheira emitida pelas Pulseiras da Regionalidade vai repercutir em diferentes ambientes da região. Generoso, afirma que dará folga à população. Respeitará o horário destinado ao silêncio. Milagrosamente, as pulseiras de calarão entre 10 da noite e seis da manhã. Exceto em alguns casos, ressalva. Usuários renitentemente prevaricadores não terão perdão. Vão dormir, se conseguirem, com o barulho das pulseiras, a cada mexida na cama. Para que não perturbem o sono da vizinhança, um novo milagre operará: o som será de percepção exclusivamente individual. Cansativamente individual.</p>
<p>Ponderei que seria desumano manter as pulseiras vivas durante 24 horas por dia. Ninguém merece tanto castigo. Nostratamos de Resolver não quis conversa. Acha que nessa passagem pelo Grande ABC não pode ser condescendente. Está cansado de tanta promessa de integração regional que, em períodos eleitorais, ganha novas formas de malandragem semântica.</p>
<p>Benditas Pulseiras da Regionalidade. Teremos um Grande ABC insone por muito tempo. Nostratamos de Resolver deve saber o que está fazendo, não acham?</p>
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		<title>Guru de Celso Daniel responde a  19 questões em Entrevista Especial</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 20:20:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Na próxima segunda-feira este site vai publicar uma Entrevista Especial com Jeroen Klink. Quem é Jeroen Klink, perguntaria o leitor? É um dos maiores especialistas em regionalidade e em metropolização.
Jeroen Klink é alguém tão importante que Celso Daniel o convocou para assessorá-lo na Prefeitura de Santo André. Assessorá-lo, no caso, deve ser entendido em toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na próxima segunda-feira este site vai publicar uma Entrevista Especial com Jeroen Klink. Quem é Jeroen Klink, perguntaria o leitor? É um dos maiores especialistas em regionalidade e em metropolização.</p>
<p>Jeroen Klink é alguém tão importante que Celso Daniel o convocou para assessorá-lo na Prefeitura de Santo André. Assessorá-lo, no caso, deve ser entendido em toda a extensão da função. Jeroen Klink foi secretário de Desenvolvimento Econômico com atuação abrangente. Holandês de nascimento, brasileiro de coração, esse atual vice-reitor da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) só não é reconhecido nas ruas, só não dá autógrafos, só não está na telinha das melhores emissoras de TV do Brasil, porque, todos sabem, somos um país de periferia quando se trata de regionalidade e metropolização.</p>
<p>Jeroen Klink e Celso Daniel estavam anos-luz à frente de curiosos que desapareceram do mapa de potenciais defensores de um mundo metropolitano mais equilibrado socialmente. E serviram de referências para quem se encantou com seus discursos e práticas e se jogaram de mala e cuia num aprendizado permanente.</p>
<p>Não sou da turma de neófitos que naufragaram nem de aprendizes que se tornaram especialistas em regionalidade e em metropolização. Diria que estava, em meados daqueles anos 1990, entre um grupo e outro de discípulos de Celso Daniel e de Jeroen Klink. Como não sou de abandonar a luta, acredito que atingi nível suficiente para dar conta do recado de disseminar conceitos de regionalidade e de metropolização.</p>
<p>As perguntas que se seguem foram preparadas por este jornalista e respondidas por Jeroen Klink. As respostas poderão ser avidamente consumidas a partir de segunda-feira.</p>
<p>Estava esquecendo &#8212; e esse recado é para quem insiste em errar a pronúncia do nome do especialista que ouvimos. Quando se referirem a Jeroen Klink, basta dizer Jerun Klink. Simples, não? Difícil e desafiadora são sua especialidade. Tudo seria diferente se a mídia verde-amarela não fosse tão relapsa com o destino dos grandes municípios e regiões. Mas isso é outra história.</p>
<p>Às perguntas, então.</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Defendemos que, nas regiões metropolitanas oficiais ou de fato, o bom gerenciador público não pode mirar apenas os limites do próprio território. Entendemos que até mesmo a expressão &#8220;prefeito municipal&#8221; está desatualizada, frente à realidade, e que o mais adequado é considerá-lo gestor metropolitano. Há exagero?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> A agenda do governo federal e a agenda do governo do Estado de São Paulo não comportam o disciplinamento e o planejamento de regiões metropolitanas. Não há políticas específicas que ofereçam respaldo a medidas que influenciem sinergicamente os municípios. Qual é a saída para sensibilizar as autoridades mais graduadas?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Muito se fala sobre o Consórcio de Prefeitos do Grande ABC, mas o tempo tem provado que as resoluções estão aquém das demandas econômicas e sociais. Há algum exemplo nacional de instituição metropolitana que de fato tem um conjunto de obras em que as demais possam dirigir os olhos?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> O modelo funcional do Consórcio de Prefeitos do Grande ABC, no qual prevalece a rotatividade presidencial, favorece o afrouxamento dos demais chefes de Executivo que exercem apenas cargo de expectativa? A experiência do Grande ABC mostra o presidente de plantão atuando com vigor, mas os demais prefeitos longe do mesmo ritmo. Não seria mais prático que os prefeitos compusessem espécie de Conselho de Administração e os cargos executivos fossem entregues a especialistas em regionalidade e em metropolização?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Especialistas em metropolização defendem a definição de alguns pontos prioritários para aplicação de ações estratégicas de modo que as respostas não sejam demoradas e, a partir daí, abririam espaço à inclusão de novas medidas. Como é possível conscientizar o gestor público sobre a lógica de que prioridades demais significam não haver prioridade alguma?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Entre os pontos prioritários de metropolização, há temáticas pré-definidas que precisariam ser atacadas sob pena de os resultados não atingirem a representatividade necessária ou cada Município ou região deve ser analisado para definição da pauta de medidas?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> É exagero afirmar que qualquer plano de atuação para colocar ordem numa região metropolitana tem de contar com o marco zero de um banco de dados múltiplos igualmente metropolitano?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Faltam especialistas em metropolização no Brasil? As escolas de Administração Pública têm pedagogia metropolitana?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Projetos preparados para uma determinada região metropolitana, ou para um Município incrustado numa determinada região metropolitana, podem ser replicados em outros endereços.</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Entre os prefeitos brasileiros, quem mais está preparado para assimilar e aplicar a metropolização de ações?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Você também considera Celso Daniel a maior expressão histórica deste País como exemplo de inquietação metropolitana?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Estamos estáticos ou recuamos depois da morte de Celso Daniel? O Brasil perdeu a embocadura à metropolização?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Se fosse possível estabelecer grau de diferença entre o que se aplica de fato sob o conceito de metropolização no Brasil e o que outras praças internacionais oferecem, em que estágio estaríamos?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Há um modelo de academia internacional que deveria servir de farol para quem leva a sério questões metropolitanas?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Há vários modelos aplicáveis à integração de medidas metropolitanas, como a possibilidade de aproximar apenas os municípios diretamente relacionados às intervenções que precisam ser realizadas ou expandir o número de acordo com a abrangência dos problemas? Observar a metropolização sob o ângulo da fragmentação seletiva quebra o espírito associativista geral?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Fosse consultado sobre as vantagens e os riscos de um Município ou região depender de uma determinada atividade econômica como carro-chefe do desenvolvimento econômico e social, qual seria a sua resposta?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Estaremos mais bem preparados e amadurecidos para entender o significado de gestão metropolitana quando a mídia registrar com certa abundância essa expressão em vez de centrar fogo em ações municipalistas?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Você também faz parte do exército de críticos da mídia que lamentam que o noticiário seja muito mais caudaloso tendo Brasília como base de operações em vez das áreas metropolitanas?</p>
<p><strong>Pergunta &#8211;</strong> Agrada-lhe a ideia, proposta por um especialista em finanças públicas, de criar-se algo como o Estado da Grande São Paulo como forma de administrar um dos maiores conglomerados humanos do planeta?</p>
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		<title>O que devemos esperar agora  que Clube dos Prefeitos é legal?</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 18:48:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O Clube dos Prefeitos, como chamo o Consórcio Intermunicipal, é uma usina de desilusões porque eleva à enésima potência expectativas que caem no vazio ou se esfarelam em minúsculas soluções. É claro que os titulares dos respectivos Paços Municipais jamais assumirão essa definição, nem mesmo quando deixarem os postos.
Não temos vocação para regionalidade fértil. Quanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Clube dos Prefeitos, como chamo o Consórcio Intermunicipal, é uma usina de desilusões porque eleva à enésima potência expectativas que caem no vazio ou se esfarelam em minúsculas soluções. É claro que os titulares dos respectivos Paços Municipais jamais assumirão essa definição, nem mesmo quando deixarem os postos.</p>
<p>Não temos vocação para regionalidade fértil. Quanto muito, os prefeitos procuram dar uma valorizada na mercadoria, porque faz parte do enredo até mesmo para que limpem a própria barra. Eles serão sempre melhores em seus municípios porque a governabilidade e a governança estarão sob maior controle.</p>
<p>Tomara que agora, com a formalização do Clube dos Prefeitos como instituição legal, apta a uma série de empreendimentos multilaterais, inicie-se nova jornada. Acredita-se que, finalmente, teremos combustível para o bólido mover-se em velocidade compatível com as demandas sociais e econômicas. Antes, andávamos de calhambeque, mas vendíamos a terceiros incautos e a nós mesmos a idéia de que tínhamos uma Ferrari.</p>
<p>Entretanto e apesar de tudo, não esperem milagres. Não bastassem as divergências municipais que separam os prefeitos, há condimentos políticos e partidários que emperram as relações.</p>
<p>É indispensável espírito público elevadíssimo para superar essas encruzilhadas. A cultura política nacional e internacional sinaliza que só em situações excepcionais as diferenças ideológicas, políticas e partidárias cedem vez à razão. Tomara que o Grande ABC não precise de nenhuma catástrofe para eletrizar o Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Fossem os sete prefeitos do Grande ABC de agora &#8212; como do Grande ABC desde 1990, quando o Clube dos Prefeitos foi instaurado &#8212; detalhadamente observados sob lentes e áudio do BBB teríamos programação enfadonha.</p>
<p>A busca do consenso é a tônica das pautas do Clube dos Prefeitos. Como a instituição é o que menos atazana o dia-a-dia dos prefeitos, exceto para quem é o presidente da vez, tudo que se coloca na mesa acaba bem-vindo. Principalmente se não ferir interesses e se o objetivo coletivo seja extraordinário, mesmo que inexequível.</p>
<p>As reuniões do Clube dos Prefeitos sempre foram vedadas à Imprensa e à sociedade provavelmente os titulares dos Executivos tenham consciência de que os intermináveis shows de consensualidades improdutivas ou pouco produtivas não teriam a menor graça. Bem diferente, portanto, das intrigas do BBB, feito para ter audiência.</p>
<p>As declarações do empresário e médico Fausto Cestari numa entrevista postada pelo jornal digital ABCD Maior mostra a distância que o separa deste jornalista e de um prefeito como Kiko Teixeira, de Rio Grande da Serra. Este jornalista tem por obrigação funcional observar o Clube dos Prefeitos com olhar crítico, construtivamente crítico, mas crítico. Uma função nem sempre compreendida. Kiko Teixeira sempre foi um observador deslumbrado, com um olho no movimento partidário ao seu redor, outro no movimento eleitoral e o nariz onde não deveria. Já Fausto Cestari cumpre fielmente a função institucional que lhe cabe, uma mistura de analista que não se deixa levar pelo conformismo, mas que também não joga a criança da esperança com a água da bacia da impaciência.</p>
<p>O que disse de mais relevante Fausto Cestari ao ABCD Maior?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o vício da gestão pública brasileira já contaminou o Clube dos Prefeitos na forma de perda de memória, que significa a interrupção do acúmulo de experiências e prosseguimento de projetos toda vez que se troca a direção da entidade.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que vê avanços na atuação da entidade com a transformação do Clube dos Prefeitos em entidade pública e a criação de núcleos estratégicos.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que sua frustração é ter deixado a direção executiva sem que a entidade tenha conseguido maior solidez e estabilidade na estrutura técnica.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o período de transição atual é agudo e que por isso mesmo este é o ano do encerramento do ciclo do primeiro planejamento estratégico criado em 2000.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que as autoridades do Clube dos Prefeitos precisam mobilizar a região para a realização do primeiro planejamento regional estratégico e ajudar a desenhar o que queremos em 2020.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que um dos aspectos mais relevantes de sua atuação como executivo de confiança da gestão de José Auricchio Júnior, prefeito de São Caetano, foi a criação de Núcleos Estratégicos, que reúne secretários de cada cidade, o que chama de inteligência regional nos respectivos temas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o embricamento entre Clube dos Prefeitos e Agência de Desenvolvimento Econômico é bastante positivo quando se observa, como diz ter observado, o compartilhamento de ações e proposta que permitiu a construção de dois sites cujos acessos têm mostrado audiência em alta.</p>
<p>Notem que Fausto Cestari não destilou excessos nem subestimou os problemas, embora não o fizesse estridência comum deste jornalista. Seria incompreensível se se pronunciasse com a certa virulência verbal deste jornalista, porque tanto o cargo que ocupava à frente da entidade como o de assessor especial do prefeito de São Caetano recomendam que o mundo da gestão pública chama de responsabilidade corporativa. Jamais pretendi romper esse invólucro, mas sempre condenei o excesso de zelo que &#8212; é o caso de Kiko Teixeira &#8212; ignora as dificuldades, quando não as subestima, em nome de falsidades que pretendem enterrar a realidade sob a terra avaliativa de interesses individuais.</p>
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		<title>Refluxo de regionalidade começou  antes da morte de Celso Daniel</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 19:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal digital e impresso ABCD Maior está realizando trabalho que os demais veículos da região deveriam tornar pauta obrigatória se regionalidade fosse prioridade: está ouvindo alguns agentes públicos e privados dos anos Celso Daniel, tendo como plataforma de ação o oitavo aniversário da morte do único gestor metropolitano que o Grande ABC já conheceu. Depois de Klinger Sousa, eis que foi entrevistado o titular do curso de Economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Francisco Funcia. Nada profundo, como no caso da entrevista de Klinger Sousa.</p>
<p>Não me lembro de Francisco Funcia como protagonista de programações pró-regionalidade com Celso Daniel, mas isso não o desclassifica. Por mais que tenha acompanhado tangencialmente a trajetória regional do então prefeito de Santo André, sempre haverá informações subsidiárias a fortalecer a biografia do petista. Um acadêmico com o lastro de Francisco Funcia será sempre bem-vindo em regionalidade.</p>
<p>Seguem algumas frases que sublinhei logo à primeira leitura da entrevista disponível no site do ABCD Maior e que, como faço na maioria dos casos em que julgo imprescindível, logo transportei para o papel:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Se formos resgatar o legado do Celso, uma de suas grandes realizações foi o Consórcio Intermunicipal. Mas para se ter uma idéia, demorou 20 anos para termos uma legislação, aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional, que permitiu uma operacionalização da gestão regional dos consórcios. Nesta perspectiva, entendemos os motivos pelos quais Celso era um homem à frente de seu tempo. Isso é evidente. Sua morte abrupta truncou um processo que vinha sendo implementado pioneiramente em todo o Brasil. Este truncamento não ocorreu pela ausência de interesse dos gestores, mas principalmente por essa cultura que prioriza a lógica municipal, o que cria uma certa dificuldade de pensar determinados eixos, como o transporte, o saneamento e a coleta de resíduos. Esses eixos, como tantos outros, devem ser pensados pela lógica regional &#8211;afirmou Francisco Funcia.</p>
<p>Agora, faço as devidas intervenções.</p>
<p>A principal é que, diferentemente do que afirma o ex-secretário de Finanças de Ribeirão Pires, não foi a morte de Celso Daniel que fez refluir a regionalidade no Grande ABC. Bem antes disso, dois anos antes, ao perceber-se espécie de bobo de uma corte municipalista que desdenhava prioridade às questões regionais, Celso Daniel voltou-se à administração de Santo André.</p>
<p>Num bate-papo de duas horas num restaurante em Santo André, Celso Daniel confessou certa desilusão com a baixa participação de agentes públicos e privados regionais. Não nominou nenhuma autoridade, mas não escondeu certo desencanto. O Grande ABC sonhado por Celso Daniel morrera muito antes do desaparecimento físico de Celso Daniel. Os anos 2000 só aprofundaram essa viuvez. Não é por outra razão que, ao escalonar o tempo socioeconômico do Grande ABC, afirmei que os anos 2000 formam a Década da Orfandade.</p>
<p>O professor da Universidade Municipal de São Caetano tem toda razão quando afirma:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Não existe regionalismo sem esta construção com São Paulo, e nenhuma outra região pode pensar diferente. Não temos essa autonomia nos dias de hoje, em que muito se fala de mercados globalizados &#8212; disse o acadêmico.</p>
<p>Nesse ponto, a clarividência de Celso Daniel era estonteante. São Paulo jamais deixou de estar na órbita de compartilhamento e de competitividade do Grande ABC. Compartilhamento em questões que ultrapassassem os limites municipais e regionais. Competitividade no sentido de que a região não poderia ficar eternamente com as sobras da Capital.</p>
<p>Uma entrevista com Celso Daniel em 2001 numa viagem de ônibus da delegação de dirigentes e conselheiros do Santo André para um jogo em São Carlos foi esclarecedora. Celso Daniel queria ver o terciário de Santo André reestruturado para atender o setor industrial com maior aptidão. Ele queria agregar mais valor ao setor de serviços de Santo André, elevando os níveis de interatividade com áreas manufatureiras, tradicionalmente demandadoras de contratos com empresas da Capital muito mais aparelhada.</p>
<p>O professor Francisco Funcia também se equivoca ao analisar o histórico de guerra fiscal no Grande ABC. Suas declarações ao ABCD Maior:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Este (a guerra fiscal) é um sério problema e outra perda que tivemos com a morte de Celso. Ele e os prefeitos de sua época trabalharam muito forte para tentar unificar a área de impostos, como o ISS (Imposto Sobre Serviços) e outras alíquotas. Este era um compromisso para impedir a guerra fiscal na região e, logo nos anos seguidos a sua morte, tivemos infelizmente algumas ações contrariando tal integração. Principalmente entre os anos de 2004 e 2006, tivemos não digo um retrocesso total, mas algumas medidas que os municípios tomaram para estimular a vinda de empresas por meio de algumas isenções fiscais de natureza tributária.</p>
<p>Agora, vamos aos fatos históricos:</p>
<p>Primeiro, antes mesmo de Celso Daniel eleger-se prefeito de Santo André pela segunda vez, em outubro de 1996, a guerra fiscal foi instalada no Grande ABC. Sutil, discreta, mas deflagrada por Antonio Dallanese, então prefeito de São Caetano. Algumas atividades, na área de informática, foram beneficiadas com a drástica redução de alíquotas que, até então, eram reservas de mercado de Barueri, Itapecerica da Serra e outros municípios da Grande São Paulo.</p>
<p>Segundo, o movimento liderado por Celso Daniel para harmonizar tanto o Grande ABC como também a Capital em torno de alíquotas iguais para as mesmas atividades, foi bombardeado inicialmente por Luiz Tortorello, em São Caetano, e depois por Maurício Soares, em São Bernardo. Eles intensificaram a guerra fiscal com a abertura de espaço para atividades mercantis, construção civil e tantas outras. Atraíram representações de grandes empresas que seguem com sede formal nesses municípios.</p>
<p>Terceiro, a desilusão de Celso Daniel se consolidou de vez quando seu próprio partido retirou de Santo André e levou para Rio Grande da Serra uma empresa de previdências privada, beneficiária do rebaixamento tributário.</p>
<p>A harmonia fiscal no Grande ABC sempre foi uma balela. Trata-se de um jogo de faz-de-contas no qual cada administração pública desenha a partitura, define o maestro, regulamenta os ensaios e executa os clássicos de traição aos demais. E tudo isso começou nos anos 1990, não em 2004, como afirma o acadêmico.</p>
<p>Tudo que se refere a Celso Daniel, tanto no campo administrativo-político quanto no criminal, me mantém ativíssimo. Futuras gerações ainda darão àquele político o reconhecimento devido.</p>
<p>Para completar: o ex-prefeito João Avamileno também foi ouvido pelo ABCD Maior sobre a atuação de Celso Daniel. Não consegui capturar nada que fosse importante em suas declarações. Sempre educado, o ex-titular do Paço de Santo André minimizou até mesmo as respostas à seletividade crítica de Klinger Sousa.</p>
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		<title>Rotatividade sorteada é melhor  saída para Clube dos Prefeitos</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/rotatividade-sorteada-e-melhor-saida-para-clube-dos-prefeitos/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 18:43:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Só existe um maneira de evitar que o controle presidencial do Clube dos Prefeitos do Grande ABC permaneça na bitola estreita de jogo de cartas partidárias marcadas ou no mínimo um jogo em que, legítimos ou não, interesses partidários aflorem e dominem a cena: que seja aprovada uma resolução dos atuais comandantes dos Paços Municipais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só existe um maneira de evitar que o controle presidencial do Clube dos Prefeitos do Grande ABC permaneça na bitola estreita de jogo de cartas partidárias marcadas ou no mínimo um jogo em que, legítimos ou não, interesses partidários aflorem e dominem a cena: que seja aprovada uma resolução dos atuais comandantes dos Paços Municipais que introduza como cláusula pétrea o critério de rotatividade sorteada. O sistema convencional, adotado desde 1990, quando da criação do Clube dos Prefeitos, de rotatividade relativa e politizada, não é o mais recomendado. </p>
<p>Os conflitos entre petistas e tucanos autênticos ou disfarçados que dominam a cena regional como consequência de nuances eleitorais que se aproximam precisam ser minimizados. A saída é o consenso em torno da rotatividade programada. </p>
<p>É fácil sim de resolver essa pendenga que destila mais idiossincrasias no ambiente da principal entidade pública do Grande ABC ou daquela que deveria ser a principal entidade pública do Grande ABC: sorteia-se para as próximas três administrações &#8212; os dois anos dos atuais mandatários e os oito anos dos mandatos que virão a partir de 2012 &#8212; a ordem cronológica presidencial por Município.  </p>
<p>Será que interessa aos atuais prefeitos, ou aos prefeitos que em conjunto detêm o controle temporário do Clube dos Prefeitos, essa prova de desprendimento em favor de menos ebulição e mais racionalidade à frente da instituição? </p>
<p>Tenho dúvidas, mas acredito no bom senso do prefeito Clóvis Volpi, virtual sucessor de José Auricchio Júnior, de São Caetano. O titular do Paço de Ribeirão Pires é o indicado pelos demais três prefeitos não-petistas da região. Com o próprio voto, alcançaria a maioria necessária num colégio eleitoral de apenas sete titulares. </p>
<p>Por mais que se tente argumentar que o almoço realizado há 15 dias entre os quatro prefeitos tucanos ou aliados dos tucanos no Grande ABC foi apenas um encontro informal, ninguém resistirá à lógica de que se tratou de fato de uma prévia do resultado a ser homologado para o comando do Clube dos Prefeitos. </p>
<p>Além de Clóvis Volpi e de José Auricchio Júnior, também participaram Aidan Ravin (de Santo André) e Kiko Teixeira (de Ribeirão Pires). Os prefeitos petistas não foram convidados. Argumenta-se que tanto Oswaldo Dias (de Mauá) quanto Luiz Marinho (de São Bernardo) estavam em férias e que Mário Reali, de Diadema, corria atrás da tentativa de atenuar as dores da mãe, que acabou falecendo neste último domingo. </p>
<p>Não acredito na versão de encontro informal quando se percebe que o noticiário do Diário do Grande ABC foi declaratório na definição do resultado de uma votação formalmente marcada apenas para fevereiro. </p>
<p>Tratou-se sim de posicionamento público de tucanos e tucanos dissimulados para manter a visibilidade do Clube dos Prefeitos na tonalidade azul, contra o vermelho petista. </p>
<p>Talvez não fosse diferente se o PT contasse com maioria de votos. Provavelmente agora os petistas comecem a entender porque se utilizaram tanto marketing e aparatos eleitorais da pesada no segundo turno que levou Aidan Ravin à mais surpreendente vitória no País, depois de terminar o turno inicial com apenas 21% dos votos válidos. </p>
<p>A expectativa de que o Clube dos Prefeitos passe a contar, portanto, com lideranças previamente definidas por Município, enseja outra vantagem, além de reduzir a carga de adrenalina nos bastidores: permitiria ao representante do Executivo que ocupará a presidência na sequência cronológica sorteada provável maior interação com temáticas ali debatidas, além de, claro, preparar-se tendo o tempo como aliado.</p>
<p>Quem conhece as entranhas do Clube dos Prefeitos sabe que o presidente se dedica arduamente ao mandato, enquanto os demais atuam como vice-prefeitos, em cargo de expectativa. É por isso que o Clube dos Prefeitos produziu tão pouco em duas décadas de atividades. Aliás, já escrevi sobre isso e até formulei proposta de mudança que, como se sabe, foi descartada. </p>
<p>Já que a eleição de Clóvis Volpi está tão encaminhada quanto a convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Seleção Brasileira (ou seria Dunga um cabeçudo que preferiria o tosco Júlio Batista, por exemplo?) nada mais providencial que o próximo presidente do Clube dos Prefeitos tomar a iniciativa de levar adiante a proposta de rotatividade programada. Do sorteio para se definir os próximos cinco comandantes da instituição, ficariam de fora tanto ele quanto o atual presidente, José Auricchio Júnior. </p>
<p>Com o rodízio instalado e com a definição dos próximos 10 titulares por sorteio, obter-se-ia outra vantagem: não haveria espaço para a reeleição. </p>
<p>Parece tão simples tudo isso, não é mesmo? Esse é o problema quando se está em jogo a disputa por votos para deputado, governador, senador e Presidente da República. Quem está com a faca e o queijo na mão de uma maioria inescapável joga para o futuro eventuais mudanças que, com novos personagens, acabam se perpetuando porque sete é número ímpar e alguma agremiação partidária &#8212; como o PT no passado &#8212; vai comandar as ações estratégicas.</p>
<p>Clóvis Volpi tem uma grande oportunidade para mudar esse histórico de mesmice e de conflituosidade. Se José Auricchio Júnior não o fizer antes, mandato que ainda exerce. </p>
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		<title>O que teremos depois da  Década da Orfandade?</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 19:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho a menor sombra de dúvida de que a expressão que mais se aproxima da realidade do Grande ABC entre os anos 2000 e 2009 é Década da Orfandade. A dúvida que tenho é o que virá nesta nova fornada do calendário gregoriano que se iniciou neste 2010 e se seguirá até 2019. 
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho a menor sombra de dúvida de que a expressão que mais se aproxima da realidade do Grande ABC entre os anos 2000 e 2009 é Década da Orfandade. A dúvida que tenho é o que virá nesta nova fornada do calendário gregoriano que se iniciou neste 2010 e se seguirá até 2019. </p>
<p>O que nos reserva o futuro regional? Já está na hora de reação, porque o poço tem secado faz um bocado de tempo. Depois da Década da Industrialização nos anos 1950, passando pela Década da Consolidação nos anos 1960, chegamos à Década do Inconformismo nos anos 1970, atingimos a Década do Estremecimento nos anos 1980, até alcançarmos a Década do Esvaziamento nos anos 1990. Depois da Década da Orfandade, o que teremos? &#8212; insisto na pergunta. </p>
<p>Teremos finalmente a Década da Recuperação?</p>
<p>Ou viveremos mais um longo capítulo de derrocadas com a Década da Frustração? </p>
<p>Talvez fosse desnecessário, mas não custa repetir que tudo a que me refiro se prende ao Grande ABC de sete municípios e de 2,6 milhões de habitantes. Não vejo Município por Município quando se trata de qualquer coisa que faça referência ao Grande ABC. Exceto quando o individual for importante para o coletivo. </p>
<p>Meus olhos, portanto, são como os olhos do consumidor, do trabalhador, do investidor. Grande ABC é uma coisa só. </p>
<p>O problema é que, forçados pelas circunstâncias de que têm de responder aos respectivos eleitores, os administradores públicos não dão muita bola para o que ocorre além das fronteiras municipais. Sem massa de regionalistas minimamente respeitável, jamais eles se mobilizarão de fato além-fronteiras. </p>
<p>Por que Década da Orfandade?</p>
<p>A resposta é temporalmente apropriada, porque o enquadramento dos anos que começaram em 2000 e se encerraram em dezembro último se refere à luminosidade do homem público que mais pensou e trabalhou em torno do Grande ABC &#8212; até que se cansou antes mesmo de morrer. Completa-se na próxima quarta-feira o oitavo aniversário da morte física de Celso Daniel. </p>
<p>E apesar de todas as tentativas, a morte doutrinária está longe de ocorrer. Pelo menos resistirá enquanto houver um único regionalista que tenha vivido a experiência pessoal ou profissional de acompanhar os passos de um Celso Daniel que despertava tanto respeito, admiração e entusiasmo quanto inveja e idiossincrasias. É sempre assim e será sempre assim a reação dos medíocres de carteirinha. </p>
<p>O Grande ABC viveu uma Década da Orfandade porque os legados de regionalismo de Celso Daniel ficaram relegados a terceiro plano. Algumas ações públicas caricaturais provam que não adianta nada o repasse da fórmula da macarronada da Nona sem a Nona na cozinha. </p>
<p>Celso Daniel deixou as estruturas de um Grande ABC que precisava se encontrar com o sentido de regionalidade mas ninguém foi capaz de desenvolver políticas públicas que chegassem próximas do mínimo indispensável. </p>
<p>Tanto que continuamos nadando, nadando e morrendo na praia. O trecho sul do Rodoanel é um bom exemplo da incúria regional e metropolitana: vai chegar agora em março e não tivemos capacidade alguma de preparar o terreno para ganhos sistêmicos planejados a potencializar os pontos positivos e amenizar os riscos de a mão de investimentos privados seguir invertida, favorecendo outras áreas geoeconômicas, agora com mais mobilidade logística.  </p>
<p>A Década da Industrialização dos anos 1950 marcou a chegada de montadoras de veículos e de um parque de autopeças robusto. </p>
<p>Nos anos seguintes, da Década da Consolidação, entre 1960 e 1969, tivemos um Grande ABC com notável crescimento econômico e social. Mobilidade social mesmo diante de fluxo migratório intenso foi mais que possível. </p>
<p>No final dos anos 1970 tivemos a força grevista dos metalúrgicos comandados por Lula da Silva. Daí a Década do Inconformismo. As relações entre capital e trabalho eram tremendamente desiguais. </p>
<p>A Década do Estremecimento marca os anos 1980, porque foi um período de espalhamento do ímpeto sindical, que atingiu indistintamente grandes, médias e pequenas empresas. Com direito a exageros de lado a lado e de cristalização de ambiente bélico nas relações trabalhistas. </p>
<p>Os anos 1990 foram os mais tormentosos para o Grande ABC, daí a Década do Esvaziamento. Perdemos mais de 100 mil empregos industriais com carteira assinada. Menos Fernando Collor de Mello com a abertura dos portos, e mais Fernando Henrique Cardoso com medidas de sustentação do Plano Real e de desconsiderar o gradualismo como ação preventiva ao tecido industrial, promoveram um desastre econômico nesse território. Perdemos um terço do Produto Interno Bruto industrial. 	</p>
<p>Repetindo, então, o ciclo econômico e social do Grande ABC desde que as primeiras montadoras de veículos chegaram a este território:</p>
<p>Década da Industrialização, Década da Consolidação, Década do Inconformismo, Década de Estremecimento, Década do Esvaziamento e Década da Orfandade. </p>
<p>Notaram que já há quatro décadas estamos patinando e despencando, patinando e despencando?</p>
<p>Notaram que estamos sobrevivendo economicamente, com todos os percalços sociais que isso significa, graças principalmente aos alicerces já deteriorados que construímos entre os anos 1950 e 1970? </p>
<p>Temos comido o pão que o diabo amassou ao longo das últimas quatro décadas e não somos capazes de reagir porque a ficha demora a cair aonde o pão escasseia mas não falta. </p>
<p>Despencamos no ranking de geração de riquezas mas ainda enchemos o peito para gargantear grandeza. De participação no PIB nacional de 4,78% em 1970 caímos para 2,39% em 2007 (últimos dados disponíveis) &#8212; e ainda achamos que somos os tais. </p>
<p>Perdemos em números relativos e em números absolutos. </p>
<p>Ou seja: somos menos importantes para o Brasil porque o Brasil mesmo fraquejando cresceu mais que o Grande ABC e somos menos importante para o Brasil também porque perdemos capacidade de produzir riqueza quando nossos números são confrontados com nossos próprios números. </p>
<p>Somente os incautos ainda oferecem credibilidade a ladainhas de palanque que alardeiam, por exemplo, que somos a melhor esquina do Brasil, só porque o Rodoanel está prestes a chegar por aqui. Como a melhor esquina do Brasil se nada, absolutamente nada, foi organizado para preparar essa mesma esquina para a chegada do Rodoanel?</p>
<p>Mais que isso: entregaram essa suposta esquina à sanha de especuladores imobiliários.  </p>
<p>Não vejo nada no horizonte regional, nem mesmo no cantado caráter salvacionista do Pré-Sal, que possa me embalar no sentido de que teremos uma Década da Recuperação a partir deste 2010. Onde falta institucionalidade, o sentimento de periferia, de gataborralheirismo, dificilmente desgruda da alma. </p>
<p>Falta honestidade à maioria dos agentes públicos, privados e sociais para dizer à sociedade o que lastimam nos bastidores: o Grande ABC, mesmo nesta etapa de intensa atividade automotiva, é um ponto fora da perspectiva de um Brasil aparentemente pronto para decolar rumo aos primeiros postos do ranking internacional &#8212; como é a perspectiva de chegar ao quinto maior PIB do planeta ao final de 2015. </p>
<p>Longe de apresentar-se como leitura pessimista ou catastrofista, o que nos move a costurar o futuro é o latente inconformismo por não sermos capazes de produzir uma sociedade com grau de rebeldia que possa sacudir as lideranças que se encastelam em postos-chave. </p>
<p>As individualidades que tentam aqui e acolá alterar o rumo dos acontecimentos são duramente punidas e muitas acabam se dobrando à maioria quase absoluta que mantém um jogo de espelhos embaçados, disformes, mas, por ser maioria, se acha perfeitamente adequada à plástica comunitária. Os esquisitos são os outros, normais apenas em sociedade mais maduras e responsáveis.  </p>
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		<title>Alô, alô, inconformados!</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A arma dos acovardados sociais que permanecem em silêncio &#8212; quando não em tratativas divisionistas &#8212; diante de fatos que exigem tomada de posição é apontar os poucos que se manifestam como supostos agentes do mal, contra os quais, aliás, não faltam injúrias e difamações. Por isso é ótimo anunciar que no pequeno batalhão de regionalistas que não perdem o senso de responsabilidade social está a escritora e agitadora cultural Dalila Teles Veras. Pobre Dalila que, como este pobre Daniel, insiste em sensibilizar gente que perdeu completamente o respeito pelos cargos que exercem, pelos descendentes que deixarão.</p>
<p>O texto que Dalila Teles Veras escreveu no final do ano passado e que está publicado no endereço eletrônico pelo qual responde como reduto em defesa da cultura regional é um bálsamo para este jornalista.</p>
<p>Tomei conhecimento do assunto ontem, quando efetivamente voltei de férias, e me dei ao trabalho diário de vasculhar os endereços eletrônicos de minha seletiva preferência. Lá está Dalila, inesgotavelmente contundente, para fazer um balanço no Núcleo Estratégico de Cultura do Clube dos Prefeitos.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Para quem, como eu, participa da vida cultural da região há 30 anos, é sempre desanimador constatar que, após a luta para galgar dois degraus, despencamos cinco. É como se estivéssemos praticando um alpinismo constante num terreno improvável, no qual jamais se alcança o topo, típica tarefa de Sísifo &#8212; escreveu Dalila Teles Veras.</p>
<p>Seria ótimo se além de Dalila outras cabeças pensantes do Grande ABC se mobilizassem para ocupar veículos digitais já disponíveis ou blogs a serem construídos. Precisamos aumentar a densidade de inconformismo e não podemos depender dos veículos de comunicação tradicionais ou mais recentes do Grande ABC, porque a maioria não tem compromisso com a essencialidade de liberdade de expressão &#8212; apenas com a liberdade de expressão que interessa ao dono do negócio.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Em março de 2008, o Grupo de Trabalho Cultura no Consórcio, coordenado pela primeira vez por um representante da sociedade civil, conseguiu o feito de reunir sete secretários municipais de cultura que, à época, encontravam-se no último ano de suas respectivas gestões públicas e curiosamente sequer se conheciam pessoalmente, muito menos haviam, até então, levantado quais possibilidades de ação integrada regional. Pois bem, houve ali uma demonstração de vontade em fazer valer as propostas (apresentadas pela sociedade civil) de revisão do Planejamento Estratégico Regional no eixo da cultura, visando a ações integradas regionais, à cultura como centralidade e transversalidade. Essa vontade foi igualmente manifestada no início deste ano de 2009 pelos secretários que representam as atuais administrações, à época, recem-empossados, bem como durante a Oficina de Planejamento Estratégico do Núcleo Estratégico Cultura promovida pelo Consórcio, realizada nas dependências do Senac. (&#8230;) Apesar dos nítidos esforços do setor administrativo do Consórcio que contratou funcionário com a função específica de acompanhar, sistematizar informações e lhes dar o devido encaminhamento às propostas do NE, pouco se avançou. A apresentação pela sociedade civil do projeto de um Censo Cultural regional amplo, de caráter analítico e quantitativo foi acatada e passou-se a aperfeiçoar esse projeto. Assim como esse, outros projetos e intenções foram debatidos e, lamentavelmente, nenhum deles concluídos. De concreto mesmo, conseguimos que a agenda cultural regional (limitada, até o momento, às atividades bancadas pelo poder público) fosse incluída no Portal do Consórcio. É muito pouco, convenhamos, para dois anos de trabalho &#8212; escreveu Dalila Teles Veras.</p>
<p>Os inconformistas do Grande ABC, entre os quais seria este jornalista hipócrita de carteirinha se não se colocasse nas primeiras filas, não podem mais seguir rumo ao cadafalso do que muitos consideram exotismo intelectual, quando não comportamental, enquanto os prevaricadores, os omissos, os descompromissados, riem às gargalhadas. O desabafo de Dalila Teles Veras na área de cultura é apenas uma fração da ressonância muito mais ampla que outros especialistas de outras atividades humanas certamente acondicionam no saco de paciência de observação do cenário regional que, um dia, certamente, também explodirá.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" />  Tudo continua patinando, simplesmente porque os senhores (as) secretários (as) habitam alguma espécie de cápsula (tomara que seja hiperbárica e esteja oxigenando seus cérebros) que os deixa inacessíveis e incomunicáveis. (&#8230;) A inteligência regional, que não é chamada nem ouvida, está sendo jogada no ralo por essa gente que aceitou um cargo, apenas por vias políticas, via de regra, não sabe exatamente o que fazer com ele. Sua idéia de cultura é a mais simplória possível. Eventos, eventos, eventos&#8230;. Balcão e agenda. (&#8230;) Chega de torrar caraminguás destinados à cultura, contratados a peso de ouro, com a justificativa esfarrapada de que &#8220;é disso que o provo gosta&#8221;. O povo só não gosta do que não conhece e também, por outro lado, conhece coisas que são solenemente ignoradas e descartadas por essa gente que acha que sabe o que o povo gosta &#8212; escreveu Dalila Teles Veras no mesmo artigo.</p>
<p>Ocorre-me a idéia de um levante forjado por gente de boa vontade, com capacidade, discernimento e independência para colaborar de forma crítica, bastante crítica, na reestruturação do ambiente regional. Imaginar que os males que nos atacam estão restritos aos braços econômicos ou ao cérebro cultural é um tremendo engano. Somos um corpo em contínuo processo de metástase. Num momento como esse, de iniciar de um novo calendário gregoriano, a intervenção de Dalila Teles Veras torna-se providencial, porque nos estimula a não esmorecer.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Estou desanimada, é bem verdade (como tantos&#8230;). Estou desanimada, realmente desapontada em ver, a cada mudança de administração pública, apagada a memória de tudo quanto foi discutido e realizado nas gestões anteriores. Estou farta de ouvir gente que não se preocupa com indicadores, desconhece a cidade e suas pulsações, mas jamais desce do palanque, como se permanecesse em eterna campanha para eleição. (&#8230;) Ainda que &#8220;persona non grata&#8221;, continuarei a participar de todo e qualquer movimento que vise a valorização da causa do livro, da leitura, da memória, da cultura, enfim. Espero que a inteligência regional a que me refiro, pessoas com quem convivi/convivo (e também as que não conheço pessoalmente, mas sei que existem), igualmente desapontadas, também não desistam nem se calem &#8212; completou Dalila Teles Veras.</p>
<p>Para completar, estou começando a me interessar por um movimento de gente intelectualmente qualificada para contribuir criticamente com o Grande ABC. A responsável por essa alucinação é Dalila Teles Veras. Ou seriam os oportunistas que saltam de galho em galho para manter seus cargos, seus salários, suas ambições, e nos gozam a todos, pobres inconformistas?</p>
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		<title>Voltando a enxugar gelo?</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 20:10:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tomara que não, tomara que não, porque não tem coisa pior na vida comunitária do que sentir que estamos eternamente enxugando gelo institucional. E jornalismo é uma função complexa, pelo menos para quem leva a sério a importância de tentar ajudar a mudar algumas ordens estabelecidas. Volto de 15 dias de férias bem mais aliviado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tomara que não, tomara que não, porque não tem coisa pior na vida comunitária do que sentir que estamos eternamente enxugando gelo institucional. E jornalismo é uma função complexa, pelo menos para quem leva a sério a importância de tentar ajudar a mudar algumas ordens estabelecidas. Volto de 15 dias de férias bem mais aliviado do que na temporada anterior. O tempo é mesmo o senhor da razão.</p>
<p>Vamos ao que interessa de fato. E o que interessa de fato é saber se passaremos este 2010 a enxugar gelo no Grande ABC. Elaboro de supetão uma lista de alguns pontos sobre os quais seria ótimo se a região conseguisse oferecer respostas efetivas, acabando-se em muitos casos com o jogo de conveniência, de espertezas, de malandragens, de vagabundagem geral e irrestrita que nos tornam repetitivamente iguais a cada nova temporada, numa sinfonia de improdutividade geral e irrestrita.</p>
<p>Vamos então a alguns desejos de Ano Novo?</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Aidan Ravin faça menos marketing e mais obras, porque a sinfonia antipetista tem prazo de validade, como, aliás, qualquer sinfonia anti qualquer coisa, e também porque não há marketing que se sustente apenas pelo marketing. Mesmo numa sociedade tão sofrivelmente reflexiva como a nossa.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Luiz Marinho comece a enxergar o Grande ABC como um todo, porque só assim poderá um dia ser comparado a Celso Daniel, que também pretendeu chegar ao governo do Estado.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito José Auricchio Júnior consolide identidade própria que o catapulte à história de São Caetano, depois de se livrar com coragem e muito trabalho do fantasma de Luiz Tortorello.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Oswaldo Dias tire Mauá das manchetes de saúde alquebrada e ajude a dar respostas ao caos viário na área central quando da chegada do trecho sul do Rodoanel.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o prefeito Kiko Teixeira não faça apenas do dinheiro alheio, do governo do Estado e do governo federal, o capital de popularidade em Rio Grande da Serra. Há diferença muito grande entre chefe de Executivo e síndico condominial.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que Clóvis Volpi assuma o comando do Clube dos Prefeitos do Grande ABC e prove mais uma vez, com todo o talento individual, que não há mesmo remédio milagreiro de regionalidade efetiva sem o comprometimento da sociedade da região.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a Associação Comercial e Industrial de São Bernardo não seja objeto de louvação desbragada por conta da novelesca inauguração de sede própria, já que do ponto de vista organizacional e estrutural está a quilômetros de distância das necessidades vitais da classe.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o mercado imobiliário tenha alguns sensores que impeçam arroubos de empresários que podem industrializar bolha setorial de consequências inimagináveis.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a mobilização da Frente dos Parlamentares do Grande ABC, o nosso Clube dos Vereadores, não seja mais um furo nágua de proselitismo, como insinuou o final da temporada passada.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC cresça e apareça sem o mascaramento de vender ilusões de pólos tecnológicos que não saem das manchetes de jornais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o novo presidente da OAB de Santo André bote o bloco na rua para saber tim tim por tim tim o que de fato se passou no financiamento da campanha que consagrou Aidan Ravin prefeito em Santo André.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o deputado estadual Orlando Morando seja valorizado por ter trabalhado intensamente pelo trecho do Rodoanel que está chegando ao Grande ABC, mas que não se torne porta-voz de análises enviesadas de olho nas urnas eleitorais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a direção da Universidade Federal do Grande ABC deixe de lado a tentativa de garantir que tem de fato olhado para o território regional quando até as cadeiras da reitoria sabem que a disposição em construir relação sólida com os meios de produção do Grande ABC não ocupa a grade curricular.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que os precatórios parem de infernizar a vida do prefeito Mário Reali numa Diadema domadora das feras de criminalidade que a estigmatizaram.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o Legislativo de São Bernardo tenha sensibilidade para separar interesse político-eleitoral de responsabilidade social nos entrechoques para neutralizar o poder de influência local e regional do governo Luiz Marinho.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que as colunas sociais de jornais e revistas não sejam repetição eterna, enfadonha e irritantemente preguiçosa de figurinhas carimbadas da sociedade regional, muitas das quais apenas produtoras de marolas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a sociedade dê mais valor às Madres Terezas e aos Freis Galvão do que às celebridades empavonadas e endinheiradas que fazem filantropia de migalhas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que o Santo André tenha aprendido a lição de que no futebol o passado mesmo que imediato e vitorioso muitas vezes não passa mesmo de uma roupa velha e desbotada sem espaço no desfile de competência da nova temporada.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a sociedade desconfie daqueles que riem à toa e confortavelmente nos endereços gastronômicos mais disputados porque, como lembrou ainda outro dia um intelectual numa entrevista deliciosa, os mafiosos jamais mostram os dentes publicamente, exceto em extravagantes gargalhadas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que as manipulações sobre o PIB do Grande ABC encontrem portas fechadas em redutos cuja responsabilidade social não pode ser objeto de entreguismo ético.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que bem ou mal o Grande ABC se sustente o quanto puder na indústria automotiva, mas que jamais se afaste da imperiosidade estratégica de buscar saídas para o quadro de doença holandesa que já fez muitos estragos e não arrefecerá jamais se não houver alternativas econômicas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que a imprensa regional saia da mesmice da comoditização e salte para a qualificação analítica, porque essa história de relatar, relatar, relatar e relatar é para escrivão da Polícia.</p>
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		<title>Clube dos Vereadores</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 18:09:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não bastasse o Clube dos Prefeitos, agora temos também o Clube dos Vereadores. A chamada Frente Parlamentar do Grande ABC surge no teatro de operações político-administrativas da região para fazer parceria com o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos.
Calma lá, porque não vou destilar ceticismo exagerado.
Querem saber o que penso de verdade? Nada mais providencial que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não bastasse o Clube dos Prefeitos, agora temos também o Clube dos Vereadores. A chamada Frente Parlamentar do Grande ABC surge no teatro de operações político-administrativas da região para fazer parceria com o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos.</p>
<p>Calma lá, porque não vou destilar ceticismo exagerado.</p>
<p>Querem saber o que penso de verdade? Nada mais providencial que a chegada do Clube dos Vereadores, porque, por essas circunstâncias da vida, aporta no Grande ABC justamente no momento em que o Clube dos Prefeitos está prestes a ganhar ossatura de formalidade, como anuncia o prefeito José Auricchio Júnior, titular da entidade.</p>
<p>O que muda, afinal? Teoricamente, bastante. Ao sair do compartimento de comodismo de entidade sem fins lucrativos e ganhar a ribalta de autarquia, as portas de avanços estarão abertas à formação de convênios tanto com o governo estadual quanto com o federal, além de captar recursos, organizar concursos públicos, entre outras atribuições que colocariam o Clube dos Prefeitos longe de qualquer proteção à inoperância histórica, estabelecendo mais desafios.</p>
<p>Inoperância histórica sem dúvida, porque há quase duas décadas o Clube dos Prefeitos está aí e os resultados são pífios, muito aquém das virtudes individuais dos prefeitos que o formam e o formaram.</p>
<p>Um simples digitar no espaço de busca deste site, tanto em &#8220;Consórcio Intermunicipal&#8221; quanto em &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221; captará série de análises que este jornalista fez da entidade. Aliás, acabo de partir da sugestão à prática e eis que, só sob &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221;, há 72 artigos. E olhem que ainda não postei pelo menos duas dezenas de textos que vou retirar de meus arquivos digitais.</p>
<p>Exatamente porque está às portas da operacionalidade técnica respaldada pela legislação, o Clube dos Prefeitos não pode deixar de gozar da companhia do Clube dos Vereadores. A reprodução da constitucionalidade federativa no âmbito municipal, de Poder Executivo e Poder Legislativo, é a pedra de toque para que o Clube dos Prefeitos e o Clube dos Vereadores explicitem a vontade popular das urnas. Mas não é tudo. Ou está longe de ser quase tudo.</p>
<p>A reestruturação do Clube dos Prefeitos não pode se limitar às prerrogativas de autarquia e suas variáveis. É preciso que a instituição vá muito mais longe, inclusive no chamamento da sociedade à composição de espécie de Conselho Consultivo, como tanto defendia o então prefeito Celso Daniel, principal idealizador da instituição.</p>
<p>A semântica perniciosa e exclusivista de que a sociedade já estaria representada por conta dos votos obtidos pelos chefes de Executivo e também pelos titulares de cada uma das casas parlamentares não chega a ser um jogo sujo, mas beiraria a isso. Trata-se de protecionismo corporativista sem cabimento quando o que está em jogo é o planejamento do futuro regional, já que o presente e o passado foram inacreditavelmente improvisados ao sabor primeiro da ocupação industrial e, em seguida, dos desarranjos sociais metropolitanos.</p>
<p>A democratização desse espaço que, bem instrumentalizado, poderia contribuir grandemente para alterar a face árida de integração regional, é condição mínima para o espraiamento de conceitos de regionalidade. Os atuais e escassos nichos de estudos de intersecção municipal não passam de territórios de sonhadores ou teimosos.</p>
<p>Não sei o que o ex-vereador, ex-secretário municipal e discípulo de ouro do prefeito Celso Daniel, o professor e arquiteto Klinger Souza, andou aprontando na reunião da semana passada com representantes dos legislativos locais. As notícias que li a respeito da palestra proferida a 22% dos 108 vereadores do Grande ABC que participaram do encontro não reproduzem detalhes da intervenção de Klinger Souza, apenas os efeitos do encantamento provocado.</p>
<p>Como conheço a argamassa ideológica e acadêmica do homem que seria o substituto de Celso Daniel na Prefeitura de Santo André, não fosse tudo aquilo que ocorreu, não tenho dúvidas de que ele atingiu o âmago das expectativas.</p>
<p>Klinger de Souza é convincente entre outros motivos porque é competente e tem muito a colaborar para proporcionar o encaixe doutrinário e técnico de que tanto o Clube de Vereadores como o Clube de Prefeitos carecem. Aliás, não por acaso participou das duas edições históricas de &#8220;Nosso Século XXI&#8221;, a maior obra coletiva que o Grande ABC já editou.</p>
<p>Resta saber se a ciumeira natural do mundo político não cortará as pernas de Klinger Souza. O que seria um despropósito com o Grande ABC. Clube de Prefeitos e Clube de Vereadores não são um paraíso antes do pecado capital, mas também não precisam ser Sodoma e Gomorra.</p>
<p>Sei também que andaram citando o nome deste jornalista como elemento a reforçar os quadros de integracionismo regional. Agradeço penhoradamente, mas acredito que o foro adequado a minhas participações é exatamente este, neste site. Por força da obrigação profissional de conhecer o chão em que vivo, reúno farto material do Clube dos Prefeitos e também da primeira versão do Clube dos Vereadores, deflagrada em meados da última década do século passado pelo então vereador Vanderlei Siraque.</p>
<p>Por falar em Vanderlei Siraque, deputado estadual em terceira legislatura, o Clube dos Deputados seria igualmente bem vindo no organograma de institucionalidade do Grande ABC.</p>
<p>Ou alguém defende tese em contrário, de que os nossos deputados estaduais (parece que são oito) não têm nada a ver com o cheiro da brilhantina dos arranjos regionais? Em 19 de julho de 2007, portanto há mais de dois anos, escrevi o último artigo específico sobre o Clube dos Deputados, disponível neste site &#8212; exatamente em defesa de participação no Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Tanto os deputados estaduais quanto os federais (no caso, em Brasília, o Grande ABC só conta com Vicentinho Paulo da Silva) não podem ser excluídos do processo. Mais que isso: devem também ser escalados como titulares desse jogo em que acumulamos série de derrotas, situação condensada em dados estatísticos que &#8212; apesar da reação sob o governo Lula da Silva &#8212; nos coloca como a região mais problemática do País sob as rubricas de impactos decorrentes da abertura econômica e de sequelas da guerra fiscal.</p>
<p>Qualquer dia desses alinhavarei algumas ideias que poderiam ser levadas em conta pelo Clube dos Vereadores, mas a principal mesmo é a aproximação com o Clube dos Prefeitos. Não uma aproximação qualquer, diplomática, de boa vizinhança. Clube dos Prefeitos e Clube dos Vereadores são pedaços da mesma laranja de institucionalidade do Grande ABC que se completará com a representação de cabeças pensantes da sociedade, além do Clube dos Deputados.</p>
<p>Cabeças pensantes? Sim, temos gente qualificada nas áreas social, cultural e econômica que só precisa ser pinçada do anonimato, porque é recomendadíssima nos meios em que atua. Há excelências regionais desconhecidas do grande público ou das grandes decisões porque prevalece um grupo esfomeado demais por espaços midiáticos, numa combinação acomodatícia com produtores de informações que não saem das mesmices.</p>
<p>O Grande ABC tem também uma vocação insuperável a desprezar os pratas da casa e a encher a bola de celebridades externas que estão longe de notabilidade. O nosso Complexo de Gata Borralheira é uma tranqueira comportamental que só será minimizada quando formadores de opinião e tomadores de decisões resolverem exorcizá-lo sem o mecanismo frouxo do triunfalismo.</p>
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		<title>Triunfalismo controlado</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não posso deixar de reconhecer algo no Grande ABC destes tempos: melhoramos um bocado em matéria de comportamento público de autoridades e lideranças de diversos calibres.
Vou explicar: houvesse nos anos 1990 e mesmo no início dos anos 2000 um indicador para medir o tamanho dos pervertidos éticos que usurparam espaço na mídia para vender mentiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não posso deixar de reconhecer algo no Grande ABC destes tempos: melhoramos um bocado em matéria de comportamento público de autoridades e lideranças de diversos calibres.</p>
<p>Vou explicar: houvesse nos anos 1990 e mesmo no início dos anos 2000 um indicador para medir o tamanho dos pervertidos éticos que usurparam espaço na mídia para vender mentiras e destilar ilusões, teríamos atingido o que os antigos chamariam de pícaros do abuso. Não foi por outra razão que escrevi o livro &#8220;Meias Verdades&#8221;.</p>
<p>Não foram poucas e muito menos tranquilas as batalhas para combater agentes públicos, sociais, econômicos e acadêmicos que vendiam a qualquer preço artigos e declarações para agradar a mídia mais poderosa. Todos estavam em busca de 15 minutos de glórias midiáticas e de um tempo mais prolongado de benesses negociais. O apoio silencioso de uma maioria que prefere a discrição sempre me confortou nos embates com uma minoria tão ruidosa quanto ruinosa.</p>
<p>Valia tudo para os atravessadores atenderem a um posicionamento sob encomenda. Havia sempre um João qualquer a perfilar-se em defesa do indefensável pelo prazer de garantir o nomezinho num artigozinho muito do vagabundo, sem qualquer compromisso com o amanhã, exceto, logicamente, com o amanhã próprio. Como se amanhã houvesse em terra arrasada pela hipocrisia deslavada.</p>
<p>Como as vítimas de Mané Garrincha, industrializador de Joões que o desafiavam nos apertados cantos dos gramados, os Joões do Grande ABC compunham um batalhão de bobalhões que nestes tempos de agora devem envergonhar-se de artigos, textos, declarações e estatísticas dolorosamente, e também dolosamente, conflitantes com a realidade das ruas, das fábricas, das escolas, de tudo que se poderia entender como região.</p>
<p>Pobres daqueles Joões sem eira nem beira de responsabilidade social que se jogavam de mala e cuia nos braços de oportunistas de plantão, fabricantes de besteiras para sustentar os negócios na artificialmente de manchetes fora do contexto.</p>
<p>Pobres desses Joões que, diferentemente dos Joões originais, os Joões de Garrincha, não colaboraram em nada com o espetáculo regional, porque se permitiram papéis de vendilhões, ao contrário dos Joões dos gramados de futebol, vítimas, apenas vítimas, do anjo de pernas tortas.</p>
<p>Ainda outro dia encontrei um desses Joões da vida, ressentido e mal informado como sempre. Lembrei-me do que ele escrevera para agradar o dono de um jornal. Fora ele, esse João, mais um oportunista como tantos outros que, em situações análogas, também se dobraram ao interesse de ocasião.</p>
<p>Entre os desafetos de minha vida profissional, provavelmente aquele João seja o exemplo paradigmático de tantos outros que cruzaram meu caminho com mensagens de conveniência. Olho-o com certa inquietação. Não há nada pior para quem se mete a escrever, mesmo sem ser especialista no assunto, do que atirar ao lixo os poucos escritos, pelo menos os poucos escritos nos quais se omitiu ou se entregou à vadiagem moral sobre os efeitos da metamorfose econômica do Grande ABC.</p>
<p>Tenho por esse João e também por tantos Joões um sentimento de lamentação, porque não deve ser fácil carregar o fardo de letras impressas que testemunham o quanto de idiotice se consolidou.</p>
<p>Possivelmente porque já não há tantos meios à disposição para mensagens enganadoras, o ufanismo regional não se manifesta com a frequência de antes. De vez em quando aparece na praça um ou outro interesseiro para espalhar fantasias, mas basta uma advertência aqui e outra ali para se aquietar.</p>
<p>Mesmo com esse novo quadro, não acredito que o ovo da serpente do servilismo editorial esteja definitivamente sepultado e inutilizado. O que está faltando mesmo no mercado é a doutrina do cinderelismo que se propagou principalmente na última década do século passado, coincidentemente durante o período em que o Grande ABC mais sofreu com as mudanças macroeconômicas. Que doutrina é essa, afinal? Simples: uma ordem unida em defesa da manipulação dos fatos que vão muito além da distorção do noticiário por interesses inconfessos.</p>
<p>Basta um descuido, um brecha, um convite, e, garanto, lá estarão alguns deles de novo a enfileirar argumentos recheados de meias verdades ou mentiras inteiras certos de que a maioria dos leitores não exerce objetividade crítica. No fundo, no fundo, entretanto, principalmente entre os detentores de interesse econômico, qualquer interesse econômico, mesmo que seja um apartamento, a ressonância de mentira adocicada é sempre mais palatável do que a acidez da verdade.</p>
<p>Somente o tempo, senhor da razão, é capaz de colocar tudo no devido lugar. Por isso, na medida em que recuperamos os textos de um passado de jornalismo sério que praticamos com outros jornalistas no Grande ABC, mais nos sentimos confortáveis com a própria consciência de cidadania regional.</p>
<p>Há certos valores sociais que gente sem valor social jamais vai saber reconhecer. Mais que isso: há certos valores sociais que gente sem valor social detesta saber que estão sendo reavivados em páginas públicas, ao alcance de um clique.</p>
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		<title>Lulacá em duas versões</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 20:25:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana que vem vamos apresentar duas das mais importantes matérias publicadas ao longo dos anos na revista LivreMercado. Sempre repito, para distinguir o passado do presente, a glória da profanação, o profissionalismo do quebragalhismo, o comprometimento do oportunismo, que a revista LivreMercado se divide em dois tempos &#8212; durante a gestão deste jornalista e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana que vem vamos apresentar duas das mais importantes matérias publicadas ao longo dos anos na revista LivreMercado. Sempre repito, para distinguir o passado do presente, a glória da profanação, o profissionalismo do quebragalhismo, o comprometimento do oportunismo, que a revista LivreMercado se divide em dois tempos &#8212; durante a gestão deste jornalista e, desde março último, sob o descontrole do recuperador de tributos Walter Sebastião dos Santos.</p>
<p>Mais que aporrinhação, é relevante separar o trigo do compromisso social do joio do jornalismo de negócios. O que temos hoje é um simulacro de publicação. O recall de quase duas décadas do qual se aproveita a revista do complicadíssimo Walter Sebastião dos Santos não se assemelha nem mesmo às ondas do mar, que vão e voltam conforme a maré. O recall dos bons tempos virou espessa cortina de fumaça que se dissipa na velocidade dos ventos do desdém à sociedade.</p>
<p>De que se trata afinal o que chamaria de presente editorial que na próxima semana, depois do feriado desta segunda-feira, postaremos neste site para a eternidade, pelo menos até a eternidade que a Internet permitiria?</p>
<p>Ora, ora, vamos reproduzir integralmente duas Reportagens de Capa que estenderam o tapete vermelho do conhecimento analítico do quadro econômico e social do Grande ABC nas edições posteriores às vitórias de Lula da Silva à presidência da República, em outubro de 2002 e em outubro de 2006.</p>
<p>Relendo aquele trabalho para me impregnar daquele contexto socio-editorial, cheguei à conclusão que os leitores deste CapitalSocial que de fato se preocupam com o futuro devem seguir à risca o mote &#8220;leitura para ser impressa&#8221;.</p>
<p>O que apresentaremos depois do feriado é um apanhado histórico de um Grande ABC que, naquelas oportunidades, viveu momentos diferentes. Esperamos, sinceramente, que quando o mandato de Lula da Silva se encerrar e um novo texto analítico for preparado para este site, a situação do Grande ABC seja melhor tanto com relação àqueles dois momentos como ao atual também.</p>
<p>Não me venha um ou outro leitor sugerir discrição na apresentação daqueles trabalhos jornalísticos e muito menos a dissimulação da hipocrisia sempre travestida de falsa humildade, porque esse tipo de comportamento não faz parte de meu dicionário.</p>
<p>Se nem a poderosa Rede Globo de Televisão deixa de propagandear feitos com frequentes chamadas ao longo da programação diária, por que haveria este jornalista de sonegar aos leitores o mais completo banco de conhecimentos da mídia regional?</p>
<p>Notem que escrevi banco de conhecimento, não banco de informação. O bom jornalismo transforma informação em conhecimento. Mas isso é demasiadamente contraproducente à maioria das situações.</p>
<p>As mais de duas centenas de edições de LivreMercado (não a Livre Mercado mambembe destes tempos, é sempre bom lembrar) marcaram época porque, decididamente, um pequeno bando de loucos do jornalismo arregaçou as mangas, foi à luta e, rompendo todos os falsos pudores editoriais que recomendam apenas da boca para fora absoluto distanciamento dos fatos &#8212; limitando-se a reproduzi-los conforme as fontes de informações &#8212; deu a devida interpretação a cada lance dos acontecimentos regionais.</p>
<p>Traduzindo em miúdos: fizemos o melhor jornalismo impresso regional do País ao longo de quase duas décadas e damos sequência ao conceito na virtualidade deste site entre outros motivos porque atiramos ao lixo a bobagem de que jornalista não pode interpretar os fatos, limitando-se à condição dinossáurica de corrente de transmissão de declarações de terceiros.</p>
<p>Tivéssemos seguido essa idiotice, aquele falsário estatístico chamado João Batista Pamplona, que enganou a todo mundo na região, também teria nos enfileirado como otários de credulidade seduzida por diplomas universitários. Sem contar tantos outros agentes públicos e privados notórios que praticam intermitentes estelionatos declaratórios, comprometidos apenas com interesses específicos que, como todos os interesses específicos, passam a quilômetros de distância dos anseios da comunidade.</p>
<p>Apenas para aguçar o apetite dos leitores que vão esperar até a próxima semana pelos dois textos, antecipamos tanto a abertura da primeira matéria, publicada em novembro de 2002, pós-vitória de Lula da Silva sobre José Serra, quanto da segunda matéria, de novembro de 2006, pós-vitória sobre Geraldo Alckmin.</p>
<p>Vamos à primeira matéria, sob de capa &#8220;Lulacá, urgente!&#8221;.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva vai herdar de Fernando Henrique Cardoso um Grande ABC automotivo cruelmente atropelado pela abertura econômica. Nenhuma outra região brasileira passou pela experiência sadomasoquista de trocar o céu pelo inferno num passe de mágica econômico. A decisão de substituir o autarquismo pelo escancaramento do mercado nacional não tem adeptos em nenhum país do Primeiro Mundo.</p>
<p>Agora, a segunda matéria, sob o título &#8220;Lulacá, decididamente?&#8221;:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva pode até não ser a melhor notícia para a economia do Grande ABC neste final de temporada, mas, levando em conta o contexto que o confirma no poder central, deve ser recebido com satisfação. Os quatro primeiros anos de Lulacá foram mais prospectivos que os dois mandatos seguidos de Fernando Henrique Cardoso. A comparação chega a ser desproposital e ofensiva porque FHC despejou mísseis que atingiram em cheio o coração industrial da região. Lula também supera largamente os 12 anos do governo estadual de Mário Covas e de Geraldo Alckmin, oito dos quais coincidentes com os mandatos de FHC. Covas e Alckmin privilegiaram o torniquete fiscal e o implacável controle orçamentário mas especializaram-se também no pouco-caso com o Desenvolvimento Econômico de um Estado fortemente atingido pela guerra fiscal.</p>
<p>Agora, é só aguardar por mais de 80 mil novos caracteres que serão incorporados a este site.</p>
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		<title>Regionalidade em 57 alternativas</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 20:59:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Faço o seguinte desafio aos leitores, sejam acadêmicos, empresários, agentes públicos, lideranças de classe, estudantes, profissionais liberais:
Encontrem disponível publicamente ou não um banco de dados que minimamente resvale no acervo que já estamos expondo nesta publicação, cujo temário &#8220;regionalidade&#8221; seja tão completo, tão minucioso, tão intenso e tão profundo, e lhes daremos o que quiserem. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faço o seguinte desafio aos leitores, sejam acadêmicos, empresários, agentes públicos, lideranças de classe, estudantes, profissionais liberais:</p>
<p>Encontrem disponível publicamente ou não um banco de dados que minimamente resvale no acervo que já estamos expondo nesta publicação, cujo temário &#8220;regionalidade&#8221; seja tão completo, tão minucioso, tão intenso e tão profundo, e lhes daremos o que quiserem. </p>
<p>O que CapitalSocial vem consolidando antes de completar um mês sequer de inserção na mídia do Grande ABC é um antigo e obcecado trabalho: impedir que o temário em questão e tantos outros correlatos sejam esquecidos ou desprezados por quem precisa de informação qualificada. </p>
<p>Tive a curiosidade de, insisto, antes de completar 30 dias de CapitalSocial, verificar a intensidade de textos da seção &#8220;Regionalidade&#8221;, um dos pontos do cardápio editorial deste veículo. São nada menos que 57 trabalhos, a maioria retirada dos quase 20 anos em que comandei a revista LivreMercado (aquela que virou &#8220;Deus me livre&#8221; nas mãos inábeis do contador Walter Sebastião dos Santos).</p>
<p>É claro que tanto Walter Sebastião dos Santos quantos os advogados que o assessoravam na negociação que culminou com a cessão da marca jamais se lixaram com algo de valor social muito maior que a logomarca propriamente dita. O acervo é de propriedade da empresa legalmente representada por este jornalista. </p>
<p>Por mais que estivesse decididíssimo a passar adiante LivreMercado (é claro que não imaginava que tão rapidamente se deterioraria) jamais incluiria nas negociações o conteúdo editorial arduamente produzido por mim e por tantos outros jornalistas que dividiram a responsabilidade de preparar a melhor publicação regional do País. Até poderíamos entregar os direitos sobre aqueles textos, mas com a condicionante de algo semelhante ao que estamos promovendo: oferecendo-o gratuitamente ao público de maneira organizada, temática, de fácil consulta. Com a infinita vantagem da independência editorial. </p>
<p>No fundo, no fundo, o conteúdo de LivreMercado de meus textos e também dos demais textos que aos poucos estão sendo enxertados neste site depois de terem sido publicados em outros espaços além daquela revista, pertencem à sociedade mais esclarecida e mais inquieta do Grande ABC. Não há valor intrínseco algum em algo que não possa ser compartilhado. </p>
<p>Por isso que, quando por curiosidade, ontem à tarde, decidi vasculhar o volume de textos sobre regionalidade, não resisti à emoção de fazer o que sempre faço quando as ideias pululam em minha cabeça: passei da abstração à materialidade de escrever. O Grande ABC não sabe o que está perdendo pelo simples fato de, por qualquer que seja o motivo, desconhecer a imensidão de informações analíticas que saltam à tela do computador ao simples clicar de &#8220;Regionalidade&#8221; deste CapitalSocial. </p>
<p>Querem sair da teoria para a prática? Quando terminarem a leitura deste artigo, direcionem a fome de conhecimento à seção mencionada. Vocês terão provavelmente uma sensação ainda mais impactante do que a minha, porque esperava uma montanha e dei de cara com uma cordilheira.  </p>
<p>Dedico-me às ramificações temáticas sob o guarda-chuva de regionalidade desde o primeiro exemplar de LivreMercado, então um tablóide em papel especial feito para durar o mês inteiro na materialidade física e sobretudo na longevidade editorial. É claro que ao compartimentar na seção &#8220;Regionalidade&#8221; aspectos que dizem respeito exclusivo à premissa de integração regional, acabei por deslocar na configuração deste site outros assuntos para pastas diferentes. Em &#8220;Regionalidade&#8221; os leitores vão encontrar principalmente o que se prometeu, o que se fez o que se deixou de fazer nas instituições voltadas à obtenção de sinergia entre os municípios do Grande ABC em variados endereços sociais, econômicos, culturais e políticos. </p>
<p>Notarão os leitores que a expressão &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221;,<br />
de autoria deste jornalista, é resultado de processo editorial. Não sei exatamente desde quando introduzi a expressão, mas os motivos jamais foram dissimulados. Primeiro porque se trata mesmo de instância restrita aos prefeitos. Segundo porque tem um rótulo muito mais palatável para quem quer se comunicar com a sociedade. Diria que mesmo que eventualmente amanhã o Consórcio Intermunicipal venha a reunir também a sociedade em sua estrutura organizacional, seguirei identificando-o como Clube dos Prefeitos porque será sempre mais direta a comunicação com os leitores. Mesmo com a introdução de representantes da sociedade o Clube dos Prefeitos jamais deixará de ser, de fato, Clube dos Prefeitos, porque em última instância a responsabilidade dos chefes de Executivo prevalecerá em termos hierárquicos. </p>
<p>Também a título de curiosidade, decidi dar vasculhada neste site para identificar a quantidade de textos de outras seções. Eis os números a que cheguei: de &#8220;Administração Pública&#8221; foram 39; de &#8220;Economia&#8221;, 29; de &#8220;Imprensa&#8221;, 71; de &#8220;Esporte&#8221;, 49; de &#8220;Política&#8221;, 87; de &#8220;Sociedade&#8221;, 29; de &#8220;Educação&#8221;, 3; e do &#8220;Caso Celso Daniel&#8221;, 13. Isto tudo sem contar outras seções, como &#8220;Metamorfose Econômica&#8221;, &#8220;Entrevista Especial&#8221;, &#8220;Entrevista Coletiva&#8221; e &#8220;Nosso Século XX&#8221;. </p>
<p>Antes que os leitores reclamem eventual inapetência de CapitalSocial na área com menor número de alternativas, chamo a atenção para a categoria &#8220;Educação&#8221;. Ainda temos muito a editar, principalmente as matérias inéditas da instalação e do desempenho da Universidade Federal do Grande ABC, que, diferentemente do silêncio de quase toda a mídia regional, está a quilômetros de distâncias das necessidades com que foi concebida. Não está fora do horizonte encaixar assuntos de Educação na seção &#8220;Regionalidade&#8221;, porque é disso que de fato tratamos. </p>
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		<title>Cartas ao presidente (2)</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 19:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Como pegaram o bonde do Clube dos Prefeitos andando e o bonde está andando desde o começo dos anos 1990 com solavancos patrocinados pela errática gestão rotativa dos dirigentes, o prefeito José Auricchio Júnior e o secretário-geral Fausto Cestari fizeram o possível para que a nova relação de propostas ao governo federal fosse alguma coisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como pegaram o bonde do Clube dos Prefeitos andando e o bonde está andando desde o começo dos anos 1990 com solavancos patrocinados pela errática gestão rotativa dos dirigentes, o prefeito José Auricchio Júnior e o secretário-geral Fausto Cestari fizeram o possível para que a nova relação de propostas ao governo federal fosse alguma coisa substanciosa.</p>
<p>Os demais prefeitos assinam o documento entregue recentemente ao presidente Lula da Silva, mas o trâmite político, gerencial e institucional do Clube dos Prefeitos é conhecidíssimo: as definições e decisões são colegiadas, mas é o presidente da vez e seu assessor mais próximo que assumem a missão de destrinchar o encaminhamento de medidas.</p>
<p>Os pedidos entregues ao presidente Lula da Silva confirmam um Grande ABC complicado nos momentos decisivos ou aparentemente decisivos. Há reivindicações tanto providenciais quanto inconsistentes no campo econômico. Politicamente, então, nem se fale.</p>
<p>Mais: como não passa de quimera um Planejamento Estratégico Regional no Grande ABC, já que o mais recente data de mais de uma década e jamais foi efetivado, é compulsória a dispersão de armamento técnico quando se apresenta situação como a vinda do principal dirigente do País.</p>
<p>A simples listagem de reivindicações do Clube dos Prefeitos, sem o anexo correspondente de estudos e propostas para cada ação, expõe as fragilidades estruturais da instituição regional.</p>
<p>Nesse ponto, os prefeitos em primeiro mandato têm menor carga de responsabilidade, porque mal chegaram na plataforma de uma embarcação que não só acumula notória fadiga de material depois de duas décadas de lançamento como também ainda não conseguiu agregar novos materiais à renovação de tecidos mais deteriorados.</p>
<p>O Clube dos Prefeitos precisa reestruturar-se completamente. Entre outros motivos porque a carga de responsabilidade de reconstrução econômica do Grande ABC aumentou extraordinariamente nos últimos anos sob o peso da internacionalização dos negócios e, quando tudo parecia mais ou menos no eixo da resistência, surgiu a crise internacional que remodela a intervenção de instâncias do Estado no jogo desenvolvimentista até então sob o controle insano do mercado financeiro e suas variáveis contaminadas.</p>
<p>Não será a simples formalização legal, retirando-o do limbo da abstração de marca sem sustentação jurídica intergovernamental, que transformará o Clube dos Prefeitos em pó mágico de sustentabilidade institucional. Quem imaginar esse reducionismo cairá do cavalo. Legalidade formal é uma coisa. Institucionalidade prática é outra. </p>
<p>O problema do Clube dos Prefeitos é que não tem ainda nem legalidade formal nem representatividade institucional além dos muros dos chefes de Executivos.</p>
<p>A Agenda do Grande ABC repassada ao Governo Federal, conforme definiu o Clube dos Prefeitos, consta dos seguintes pontos. Faço algumas considerações na sequência de cada um:</p>
<p><strong>1. Sociedade Garantidora de Crédito</strong> &#8212; Em recente seminário regional sobre crédito, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, apresentou várias medidas do banco com vistas à superação do momento de crise e o interesse de construir com a região uma nova forma de relacionamento do setor empresarial com o BNDES. Nesse sentido, propomos desenvolver um programa de acesso ao crédito com gestão da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC que envolve BNDES, organizações empresariais e sindicados de trabalhadores da região, com um modelo de garantia desenvolvido especificamente para esta modalidade de relacionamento e que permita o acesso das micros, pequenas e médias empresas a programas de financiamento sem a intermediação do sistema financeiro.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; A idéia parece magnífica, na medida em que descentraliza e democratiza acesso a recursos públicos para financiamento de empreendedores. Entretanto, a formatação será excessivamente demorada e complexa, além de a operacionalização defrontar-se com bloqueios legais que o BNDES não conseguiria driblar. Caso, principalmente, de passivos fiscais da maioria dos pequenos e médios negócios industriais, aos quais as portas do sistema financeiro privado e estatal estão permanentemente fechadas. </p>
<p><strong>2. Parque Tecnológico do Grande ABC</strong> &#8212; Instituição de um Parque Tecnológico na região, em formato descentralizado que contemple múltiplas vocações regionais, respeitando as particularidades de cada Município. O Parque Tecnológico do Grande ABC deverá ser gerido por governança que priorize interesses regionais.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Acredita-se que o Parque Tecnológico solicitado ao governo federal seja distinto do prometido pelo governo estadual, comunicado recentemente pelo secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Alckmin. O Grande ABC já perdeu mais de uma década desde a formulação do Parque Tecnológico ou dos Parques Tecnológicos que necessitaria ter. Um projeto bem acabado tanto de implementação quanto de gestão poderia consubstanciar o pedido ao presidente da República. O conceito de múltiplas vocações regionais que respeitem particularidades de cada Município não passa por sabatina definidora do que seja o enunciado proposto, como provam as últimas notícias. </p>
<p><strong>3. Segurança Regional</strong> &#8212; Constituir um modelo de Sistema Regional de Segurança Pública, dotado de governança, gestão, sistema de informação e inteligência regional, com equipamentos e tecnologia adequada.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; O quadro de criminalidade no Grande ABC é tão agressivo e antigo que já deveria ter demandado de instituições locais um encontro das águas, ou seja, um modelo regional para aplicação imediata. Embora o índice de criminalidade do Grande ABC tenha caído nos últimos oito anos, sobretudo na modalidade de homicídios, recentes estudos deste jornalista apontam que, entre as 70 principais cidades do Estado de São Paulo, o Grande ABC mantém-se nas últimas posições. </p>
<p><strong>4. Intermodal Regional</strong> &#8212; As facilidades logísticas criadas pela conclusão do trecho sul do Rodoanel requerem também o início de obras do Ferroanel pelo tramo sul, completando assim a ligação direta da Região Metropolitana de São Paulo, do Porto de Santos e do Grande ABC ao Interior do Estado e aos aeroportos metropolitanos.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; O Ferroanel está entrando no triângulo das bermudas da burocracia federal, com perspectivas de mergulhar nas profundezas do esquecimento ou de adiamentos renitentes. Injunções políticas e sobretudo econômicas ameaçam congelar o projeto para o qual o Grande ABC também jamais se preparou com estudos que explicitassem benefícios que a obra geraria. Seria melhor priorizar desdobramentos dos impactos do viário interno do Grande ABC com a chegada do trecho sul do Rodoanel. A perspectiva de santificação da competitividade fecha os olhos ao contraditório de limitações logísticas locais.  </p>
<p><strong>5. Pré-sal e Gás da Bacia de Santos</strong> &#8212; No Planejamento estratégico e operacionais das estatais federais envolvidas com o assunto, assegurar a participação ativa do Grande ABC na exploração e desenvolvimento dos insumos e produtos.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Também nesse caso o Grande ABC não sabe o que exatamente poderia contar na esteira dos investimentos na Bacia de Santos. Quais setores poderiam de fato beneficiar-se das medidas? Há compatibilidade entre o perfil industrial e de serviços oferecidos no Grande ABC e a demanda da Baixada Santista que a própria Baixada Santista não supriria numa concorrência visceral entre aqueles municípios?</p>
<p><strong>6. Porto Seco</strong>. Viabilização da abertura de novos Portos Secos no País (e na região), hoje na pauta do Congresso Nacional.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Esse é outro nó político e econômico muito distante da geografia regional.</p>
<p><strong>7. Sistema Regional de Saúde</strong> &#8212; Aumento dos valores de repasse das verbas do SUS para reforma e recuperação funcional do Hospital Radamés Nardini.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Uma solicitação pontual que não comove sequer o governador José Serra, muito mais próximo do caos instalado.</p>
<p><strong>8. Trem-bala</strong> &#8212; Incluir a região no processo de produção, assimilando também novas tecnologias.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Fica difícil imaginar como o governo federal vai interferir em favor do Grande ABC quando se sabe que o trajeto da obra cortará porções do Estado de competitividade muito mais elevada por conta de série de mudanças no cromossomo da economia paulista. A concessão da obra à iniciativa privada reduz fortemente a possibilidade de tratamento privilegiado que ameace o limite da viabilidade do negócio.</p>
<p><strong>9. Universidade Federal do ABC</strong> &#8212; Implantação de um novo campus em Mauá, atendendo à reivindicação e à vocação do Município.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; A Universidade Federal do Grande ABC não tem qualquer intimidade com os pressupostos de desenvolvimento econômico regional. O distanciamento do empresariado tem matriz ideológica que se espalha na prática de cursos divorciados de vocações regionais. A maioria dos alunos da unidade de Santo André, única em atividades, não guarda qualquer compromisso com o território regional. Os campi prometidos para São Bernardo e Mauá agravariam o divórcio e acentuariam a prova de que em vez de &#8220;do&#8221; Grande ABC, a UFABC é &#8220;no&#8221; Grande ABC.</p>
<p><strong>10. Copa do Mundo de Futebol de 2014</strong> &#8212; Incentivar as potencialidades da região para torná-la subsede da Copa do Mundo em 2014, destacando também seu potencial turístico, com consequente qualificação da mão-de-obra local para receber os visitantes.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; A extravagância dispensa avaliação. Competir com a Capital do Estado é desprezar a lógica de investimentos nas áreas mais diretamente relacionadas com a maior festa do futebol. </p>
<p><strong>11. Implementação do Plano Nacional de Habitação</strong> &#8212; O Grande ABC tem considerável déficit de moradias e por isso requer que atendam a população com a regularização, reabilitação e construção de novas moradias.</p>
<p><strong>Breve avaliação</strong> &#8212; Nada diferente de outras áreas metropolitanas. Falta uma proposta regional baseada em um coquetel de informações, dados e áreas de prováveis investimentos.</p>
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		<title>Cartas ao presidente (1)</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 19:22:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O Clube dos Prefeitos do Grande ABC caiu na real. Não interpretem essa frase com pitada de maldade. Pelo contrário: estou feliz com a seriedade do prefeito José Auricchio Júnior e do secretário-geral Fausto Cestari. Eles prepararam o balanço das reivindicações da Cara ao Presidente encaminhada em 2003 e a nova Carta ao Presidente, entregue [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Clube dos Prefeitos do Grande ABC caiu na real. Não interpretem essa frase com pitada de maldade. Pelo contrário: estou feliz com a seriedade do prefeito José Auricchio Júnior e do secretário-geral Fausto Cestari. Eles prepararam o balanço das reivindicações da Cara ao Presidente encaminhada em 2003 e a nova Carta ao Presidente, entregue na semana passada. Há generosidades avaliativas que não comprometem o trabalho, porque envolve um jogo de cintura diplomático conveniente nas relações oficiais. O Grande ABC revela-se formalmente organizado para dialogar com o governo federal. Nos quase 20 anos de atividades do organismo, raras foram as oportunidades que se chegou tão próximo do presidente.</p>
<p>Fico particularmente feliz porque quando escrevi a Reportagem de Capa de LivreMercado (não a Livre Mercado rastaquera que anda circulando por aí, mas a LivreMercado que criei e dirigi editorialmente por 19 anos) de novembro de 2002, na primeira edição pós-vitória de Lula da Silva à presidência do País, fui rotulado de petista por gente que pouca faz ou fez pela região. Da mesma forma que, quando fiz série de análises para provar que a UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) está no Grande ABC mas não é do Grande ABC, não faltaram petistas que pretenderam me triturar.</p>
<p>Afinal, qual foi aquela Reportagem de Capa que tanta polêmica causou? O título da capa diz tudo: &#8220;Lulacá, urgente!&#8221;.</p>
<p>Mais que uma sacada jornalística extraída como outras da mesma fonte de inspiração (as corridas de começo de noite pelas ruas do Jardim do Mar, em São Bernardo) o título expressava conteúdo sem pruridos politicamente corretos.</p>
<p>O desastroso governo de Fernando Henrique Cardoso para o Grande ABC (há controvérsias sobre os resultados para o País) não poderia ser saudado de outra forma. Era literalmente a esperança materializada em forma de perspectiva melhor, de alguém que do Grande ABC entendia razoavelmente, forjado que fora nas lides sindicais &#8212; embora sempre com olhar e ações classistas, como o próprio Lula admitiu tempos depois, já presidente da República.</p>
<p>Vejam os leitores que, sete anos após aquela Reportagem de Capa, aquele &#8220;Lulacá, Urgente!&#8221;, um documento assinado pelos sete prefeitos da região, liderados por José Auricchio, e entregue na semana passada ao presidente Lula da Silva, é atestado público de competência daquela LivreMercado à qual me refiro. As observações entre parênteses são deste jornalista.</p>
<p>Leiam importante trecho da Carta ao Presidente (as observações entre aspas são deste jornalista):</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-886" title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado3.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" />A Região vem sendo beneficiada por várias medidas do Governo Federal desde 2003. Diversos pleitos regionais foram atendidos. Entre os mais significativos, destacam-se justamente a criação da Universidade Federal do ABC, agora ampliada para um segundo Município da região, e a ampliação da matriz da matéria-prima ao Pólo Petroquímico. O Grande ABC ainda espera a conclusão de algumas das medidas solicitadas, mas a atenção do Governo Federal em todos esses anos é inegável.</p>
<p>Mais à frente, a Carta ao Presidente destaca o número de empregos gerados no Grande ABC desde a posse de Lula da Silva (seriam 173 mil novos postos de trabalho formais, embora o saldo de empregos industriais caia mês a mês) &#8220;revertendo a tendência anterior e levando a taxa de desemprego no período a quase metade, de 18,1% a 10%.</p>
<p>Em nenhuma situação o documento registra o nome do antecessor de Lula da Silva, sem dúvida para evitar constrangimentos partidários, principalmente porque quatro dos sete prefeitos que assinam a prova do crime e a prova da redenção parcial do Grande ABC representam partidos opositores ao PT no Grande ABC.</p>
<p>A Carta ao Presidente foi formalmente bem redigida, não escamoteia a desindustrialização do Grande ABC como o Clube dos Prefeitos de composições anteriores, mas peca pelo excesso de lantejoulas ao governo instalado em Brasília desde janeiro de 2003. &#8220;Lulacá, Urgente!&#8221; foi de fato sacramentado pelo presidente petista, mas não é, para o Grande ABC, essa Brastemp. Embora esteja longe da Brasília Amarela de Fernando Henrique Cardoso. Até porque, convenhamos, FHC é insuperável na história do Grande ABC como agente destrutivo da massa de classe média que a industrialização de quatro décadas fez emergir.</p>
<p>Mais um trecho da Carta ao Presidente:</p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-886" title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado3.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> </strong>É gratificante observar que a maior parte das reivindicações contidas no Ofício do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, de 10 de março de 2003, enviado ao Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, foi atendida. O Grande ABC recebeu a atenção devida a um pólo industrial da sua magnitude, responsável pela geração de 3,5% da riqueza do País. (A participação do PIB do Grande ABC no País não chega a 2%, embora, nos anos 1970, ultrapassasse a 4%).</p>
<p>Em seguida, o Clube dos Prefeitos (essa é a marca com que batizei o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, sem qualquer espírito depreciativo mas como síntese do fato de estar fechado à sociedade, aos empreendedores, a acadêmicos e a outros agentes públicos) apresenta a lista de 2003 e os resultados supostamente efetivos. Repasso aos leitores com as devidas observações críticas.</p>
<p><strong>1.</strong> Pleito &#8212; Construção do sistema de coletor tronco para afastamento dos efluentes hídricos das áreas de mananciais da Bacia Billings. Status &#8212; Atendida. Observações &#8212; A competência do Governo Federal foi integralmente cumprida no tocante à demanda original, restando-nos agradecer-lhe em nome do conjunto da sociedade local. As pendências restantes referem-se a outras esferas governamentais.</p>
<p>A realidade: para bom entendedor, as observações bastam: a bomba por ter a Billings se mantido gigantesco vaso sanitário deve ser transferida ao governo estadual e às autoridades públicas locais.</p>
<p><strong>2.</strong> Pleito &#8212; Trecho sul do Rodoanel: participação no cronograma de execução. Status &#8212; Parcialmente. Observações &#8212; Com 88% da obra já realizada, a previsão de conclusão é para o início de 2010. A região passará a ter acesso às rodovias que se dirigem ao sul, oeste e noroeste da Capital paulista. A obra conclui uma nova etapa de um projeto mais amplo, com trechos adicionais a serem construídos futuramente. Permanece pendente a ligação da obra com a Avenida dos Estados, questão que não envolve a União.</p>
<p>A realidade &#8212; Não há reparos à Carta ao Presidente nesse tópico, embora o Grande ABC jamais tenha se planejado para receber o trecho sul do Rodoanel. Os resultados podem ser decepcionantes para quem pretender vender a obra como ponto de partida de nova onda de desenvolvimento econômico.</p>
<p><strong>3.</strong> Pleito &#8212; Viabilização da implantação do Ferroanel. Status &#8212; Parcialmente. Observações &#8212; O Grande ABC em conjunto com seus vizinhos metropolitanos teve atendido o pleito de licenciamento junto à faixa de domínio do Rodoanel. Permanece a necessidade de garantir uma matriz limpa no fluxo de cargas entre o Interior paulista e o Porto de Santos. Consideramos fundamental a priorização do Tramo Sul do Ferroanel. Este trecho permitirá transformar a Região Metropolitana de São Paulo no principal centro ferroviário da América Latina, compatibilizando as operações de cinco rodovias que chegam à RMSP.</p>
<p>Resultado &#8212; O Ferroanel não passa pelo crivo de sustentação prática, porque há interesses difusos que dificultam a manutenção do conceito básico ao atendimento metropolitano na área de transporte de passageiros. Mais que isso: recentemente o jornal Valor Econômico publicou matéria sob o título &#8220;Governo discute engavetar Ferroanel e alterar regras do setor ferroviário&#8221;. Não se tem notícia sobre mobilização regional e metropolitana.</p>
<p><strong>4.</strong> Pleito &#8212; Fortalecimento das cadeias produtivas. Status &#8212; Atendida. Observações &#8212; O segmento químico/petroquímico e plástico foi fortalecido pela ampliação do fornecimento de matérias-primas, permitindo sua expansão.</p>
<p>A realidade &#8212; Há exagero do Clube dos Prefeitos. Primeiro, porque a ampliação do fornecimento de matérias-primas ainda não se consumou, como explicou ainda outro dia um representante da Petroquímica União. O cronograma de investimentos passou por desarranjos que ameaçam, inclusive, o domínio acionário da Quattor, holding que controla a Petroquímica União. Segundo, porque pequenas e médias empresas do setor de plástico foram praticamente eliminadas de qualquer possibilidade de integrarem-se ao Pólo Petroquímico. A especulação imobiliária predomina. Nem governo federal nem governo estadual se preocuparam com os pequenos negócios do setor, multiplicadores de postos de trabalho.</p>
<p><strong>5.</strong> Pleito &#8212; Implantação do Posto Avançado do BNDES na região. Status &#8212; Atendida. Observações &#8212; O BNDES tem sido praticamente a única fonte de financiamento da tecnologia e inovação. Dificuldades de acesso ao crédito das MPEs (micro e pequenas empresas) foram reduzidas com a implementação do Cartão BNDES. A implantação do Posto Avançado do BNDES satisfez uma demanda da região.</p>
<p>A realidade &#8212; Trata-se de algo de menor importância no contexto das prioridades estruturais do Grande ABC, entre outras razões porque a maioria dos pequenos e médios empreendedores locais não consegue viabilizar financiamento frente aos passivos fiscais que carregam. Jamais foi coordenada uma operação especial do BNDES com empreendedores à capilarização da cadeia produtiva do plástico. Enquanto isso, detentores de amplas áreas nas imediações de Capuava e de Sertãozinho, bairros vizinhos do Pólo Petroquímico, refestelaram-se com as regras do capitalismo sem barreiras.</p>
<p><strong>6.</strong> Pleito &#8212; Implantação da Universidade Federal do ABC. Status &#8212; Atendida. Observações &#8212; As instalações de dois campi da Universidade Federal, em Santo André e agora em São Bernardo, atendem um antigo pleito da região. Entendemos que não está fechada a possibilidade de futura ampliação para outros municípios, de acordo com o crescimento da demanda.</p>
<p>A realidade &#8212; A UFABC é um engodo à regionalidade tanto reclamada pelo próprio presidente da República. O campus de Santo André, bem como o de São Bernardo que se projeta, não passa de barriga de aluguel, como definiu há pouco tempo com sarcasmo mordaz mas realista o professor Walmor Bolan, especialista em Ensino Superior. A grade educacional da UFABC está direcionada à demanda nacional. Não tem compromisso com o parque produtivo do Grande ABC, do qual mantêm distanciamento. Estamos forjando cérebros para exportação, roteiro de desperdício verde-amarelo.</p>
<p><strong>7.</strong> Pleito &#8212; Criação de um sistema de Segurança Pública. Status &#8212; Pendente. Observações &#8212; Apesar de a Segurança Pública estar entre os três principais problemas que afligem a sociedade, pouco se evoluiu com relação ao desenvolvimento de um Sistema Regional de Segurança Pública, dotado de recursos humanos e técnicos que permitissem o equacionamento da questão. Todas as alternativas identificadas apontam para o Pronasci como a fonte adequada. Uma pré-disposição do Governo Federal nesse sentido abriria o caminho a negociações concretas entre União, Estado e Municípios envolvidos.</p>
<p>A realidade &#8212; O Clube dos Prefeitos acertou em cheio na avaliação.</p>
<p><strong>8.</strong> Pleito &#8212; Reconhecimento institucional das entidades regionais. Status &#8212; Atendida. Observações &#8212; A promulgação da Lei dos Consórcios Públicos estabeleceu a possibilidade de relações formais dessas Associações de Municípios com os demais entes da Federação. O Consórcio Intermunicipal Grande ABC estuda sua conversão em Consórcio Público e tem em seu planejamento a implementação em 2010.</p>
<p>A realidade &#8212; Cabe uma advertência de ordem pragmática: nada indica que a promulgação da Lei dos Consórcios será o selo de garantia de que o Grande ABC esquecerá as birras municipalistas. Vive-se desde sempre um Grande ABC de sinuosidade municipalista que aborta projetos intermunicipais.</p>
<p>O que de fato faz a diferença maior entre Lula da Silva e o algoz regional que o antecedeu está no coração, na alma, nas pernas e no espírito do Grande ABC &#8212; a indústria automotiva, beneficiada com série de medidas desde que a crise internacional atingiu o Brasil e, antes disso, com a retomada do crescimento econômico abatido nos últimos anos de FHC.</p>
<p>Ainda escreveremos sobre a nova agenda do Clube dos Prefeitos entregue ao presidente da República. Lamenta-se apenas que algo semelhante não tenha sido preparado para o governo José Serra. Ainda há tempo.<span id="_marker"> </span></p>
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		<title>Clube fechado</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 07:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costumo dizer e escrever que jornalista vale pelo que deixa de legado para a sociedade, e que cada vez valerá mais porque a virtualidade da Internet dissemina informações a territórios e leitores antes inimagináveis. Quem escreve rasante, rasante permanecerá. Quem se limitar a transmitir declarações politicamente corretas de terceiros, descartável será. Como não se fica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costumo dizer e escrever que jornalista vale pelo que deixa de legado para a sociedade, e que cada vez valerá mais porque a virtualidade da Internet dissemina informações a territórios e leitores antes inimagináveis. Quem escreve rasante, rasante permanecerá. Quem se limitar a transmitir declarações politicamente corretas de terceiros, descartável será. Como não se fica rico no jornalismo, salvo exceções, o que deveria mover cada profissional seria o sentimento de dever cumprido, de ter ido além da crosta de superficialidade e de inutilidade.</p>
<p>Filosofo a propósito porque encontro em meus arquivos, nos quais mergulho sempre com empenho fundamentalista, a primeira entrevista que colhi do prefeito Celso Daniel, então eleito em Santo André, e que constou, veja só, da primeira edição em formato revista de LivreMercado, em novembro de 1996. Uma entrevista que demarca o pensamento do maior integracionista já produzido no Grande ABC.</p>
<p>Antes de recuperar os principais pontos daquele trabalho jornalístico, cabe uma provocação: quase todas as revistas que temos visto no Grande ABC bem que poderiam economizar custos gráficos, que são uma fortuna. O pressuposto de revista é que a materialidade física do papel converge para a longevidade editorial. Quando não se tem essa preocupação, o papel-jornal descartável no dia seguinte seria suficiente.</p>
<p>Entretanto, como uma moeda tem sempre duas faces, chego à conclusão que as revistas às quais me refiro têm de fato um novo conceito de negócio, um mercado no qual nada se cria, tudo se copia. E qual seria esse novo mantra do mercado de revistas? Ora, ora, imagens, muitas imagens, artigos de temas diversos, muitos artigos de temas diversos, de autores que não são do ramo jornalístico, mas de outros ramos, e estamos conversados. Nada a ver com as maiores publicações nacionais e internacionais, é claro.</p>
<p>A entrevista com Celso Daniel em novembro de 1996 inaugurou o formato revista de LivreMercado, mas não o conceito revista de LivreMercado. Explico: desde o primeiro número, em março de 1990, em formato tablóide e em papel encorpado, sempre tivemos preocupação com a perpetuidade de boa parte dos textos impressos. Salvar mesmo que 20% do material jornalístico da ação do tempo seria uma grande vitória. No Brasil, na mídia impressa do Brasil, mais e mais se acentuam critérios fastfoodianos, de consumo rápido. As exceções confirmam a regra.</p>
<p>Recolho daquela entrevista de quase 13 anos de um Celso Daniel prestes a assumir a Prefeitura de Santo André pela segunda vez algumas preciosidades que contribuem para entender por que o Grande ABC patina há tanto tempo e se deixou levar por imensidão de improdutividade. Leiam o texto que se segue:</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-957" title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado6.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A unidade do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos é prioritária para Celso Daniel, mas deve ser acompanhada, numa segunda etapa, da profissionalização de sua estrutura. A nova formatação incluiria também a participação deliberativa da sociedade civil, democratizando-se a responsabilidade de conduzir a reviravolta socioeconômica da região, atuando como instância suprema de planejamento estratégico do Grande ABC.</p>
<p>Sim, o caro leitor não está sob efeitos de alucinógeno. Naquela matéria, transmiti o pensamento daquele que dava de fato os passos decisivos para se tornar o mais importante gestor público da regionalidade. Depois que Celso Daniel se foi, ninguém na esfera pública dedicou-se tanto à sinergia regional. E Celso Daniel disse com todas as letras aos meus ouvidos que ouvem muito bem: esperava que a sociedade civil, então representada no Fórum da Cidadania, fosse peça decisiva da engrenagem de cooperação no Grande ABC, atuando em caráter deliberativo no Clube dos Prefeitos. Se Celso Daniel, estudioso do assunto, professor respeitabilíssimo de Economia na Fundação Getúlio Vargas, disse o que disse, quem seremos nós para contestar?</p>
<p>Passados 13 anos, nada se alterou no figurino institucional do Grande ABC. Pior: há uma repulsa tão grande, tão estúpida, tão indecente de algumas lideranças políticas contrárias à participação da sociedade no Clube dos Prefeitos que não é exagero desconfiar das motivações.</p>
<p>O prefeito de Rio Grande da Serra, Kiko Teixeira, chegou ao extremo de romper relações com este jornalista, porque cometi a indelicadeza de lhe sugerir, então na condição de presidente do Clube dos Prefeitos, que se tornasse artífice da consumação da regionalidade, convencendo os demais integrantes a acrescentarem um Conselho Consultivo na entidade. Um Conselho Consultivo, vejam só, não um Conselho Deliberativo como apregoava Celso Daniel.</p>
<p>Mas, retomando a entrevista de 13 anos atrás com Celso Daniel, transcrevo os parágrafos seguintes sobre o Clube dos Prefeitos:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado6.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O pretendido novo Consórcio Intermunicipal, se depender de Celso Daniel, mudaria até de identidade. Teria outra denominação e se transformaria numa autarquia metropolitana do Grande ABC, com recursos financeiros próprios para desenvolver atividades de estudos, planejamento e obras individuais ou em conjunto entre os próprios municípios ou também com a participação do Estado e da União. Enfim, comporia um novo arranjo institucional. Esse fortalecimento infra-regional permitiria relação menos dependente do governo estadual. Celso Daniel não diz com todas as letras, mas a concepção de integração do Grande ABC não cede espaços para participação igualitária ou prevalecedora do Estado. Ele não hostiliza o governo estadual, ouve com atenção interlocutores do Fórum da Cidadania que falam dos avanços nos últimos tempos, entre os quais promessas de secretários estaduais de investimentos na infra-estrutura regional, mas a autonomia institucional do Grande ABC transpira em frases.</p>
<p>Lembro como se fosse hoje que aquela entrevista com Celso Daniel, que reproduzi em forma de texto-análise, foi às pressas, na sede do PT em Santo André. O recém-eleito prefeito com 61% dos votos válidos, um recorde até então, estava a duas horas do embarque em uma viagem internacional na qual, além de descanso, aproveitaria para realizar série de incursões profissionais em instituições públicas européias.</p>
<p>Celso Daniel foi muito ironizado por um jornalismo provinciano que não via graça alguma nos carimbos do passaporte que testemunhavam inquietação por conhecimentos no Primeiro Mundo. Outros pontos daquela entrevista serão resgatados no portal CapitalSocial, prestes a ser lançado por este jornalista. A exibição permanente daquele trabalho jornalístico num portal de tecnologia que não admite fronteiras é muito mais que a captura do passado. Deveria servir também de base para reposicionamentos do Clube dos Prefeitos, fechadíssimo à comunidade.</p>
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		<title>Saindo das trevas</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 07:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Que tal o Grande ABC contar com banco de dados econômicos &#8212; prevalecentemente econômicos numa primeira fase &#8212; como plataforma de embarque em política de marketing regional que não se perca em peças publicitárias suspeitas, em revistas especiais suspeitas, em palestras e conferências suspeitas?
Que tal o Grande ABC sair das trevas de um quarto fechado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que tal o Grande ABC contar com banco de dados econômicos &#8212; prevalecentemente econômicos numa primeira fase &#8212; como plataforma de embarque em política de marketing regional que não se perca em peças publicitárias suspeitas, em revistas especiais suspeitas, em palestras e conferências suspeitas?</p>
<p>Que tal o Grande ABC sair das trevas de um quarto fechado literalmente a sete chaves e dar um salto em direção ao showroom de visibilidade estatística, analítica e resolutiva?</p>
<p>Antecipo neste espaço uma das perguntas que preparei ontem à noite, em meu escritório residencial, e que vai constituir a primeira atração de &#8220;Entrevista Especial&#8221;, espaço fixo do portal CapitalSocial, em fase final de lançamento.</p>
<p>Faremos primeiramente na Internet e depois numa publicação impressa do mesmo nome o que realizamos durante duas décadas à frente da revista LivreMercado, aquela que era a melhor publicação regional do País.<br />
&#8220;Entrevista Especial&#8221; será de responsabilidade exclusiva deste jornalista, ao contrário de &#8220;Entrevista Coletiva&#8221;, cuja escolha dos convidados e as perguntas repassamos aos conselheiros editoriais do portal.</p>
<p>Mas, voltemos ao que interessa neste momento: que tal um banco de dados que apeteça a demanda por investimentos no Grande ABC e que também subsidie empreendedores locais, principalmente de pequeno porte, quanto ao andar da carruagem em que se meteram como frágeis e desprotegidas ramificações capitalistas?<br />
Quem poderia cuidar desse que seria um manancial de informações imperdíveis e providenciais, substituindo-se o quase deserto em que vivemos há muito tempo?</p>
<p>Exceto as loucuras investigativas deste jornalista e da equipe que comandou na LivreMercado, praticamente não se tem dados confiáveis do Grande ABC. Muito menos análises.</p>
<p>Por isso, as associações comerciais e as representações do Ciesp (Centro das Indústrias) no Grande ABC poderiam dar as mãos, entoar um grito uníssono de liberdade e, juntas, saírem da escuridão informativa.</p>
<p>A sugestão em forma de pergunta consta da &#8220;Entrevista Especial&#8221; que encaminhei hoje ao presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), o advogado Sidnei Muneratti, primeiro personagem do Grande ABC a ocupar aquele espaço nobre no portal CapitalSocial.</p>
<p>Juro por todos os juros que, quando comecei a elaborar as perguntas a Sidnei Muneratti, não havia planejado o que considero um ovo de Colombo, ou seja, as entidades empresariais da região agirem coletivamente em torno de uma instituição que faça de estatísticas, dados geoeconômicos e análises uma senda imediata de transparência e confiabilidade para quem está e para quem pretende vir para o Grande ABC, ampliando-se os horizontes com a maturação da iniciativa.</p>
<p>Não vou me estender sobre o que poderia ser reunido nessa instância de estudos. Certo mesmo é que não haveria razões para oposição por conta de melindres municipalistas atávicos entre associações comerciais e Ciesps. Afinal, a integridade individual de cada corporação seria mantida. A instituição de pesquisas vicejaria no paralelo, com vida própria, estatuto próprio, gerenciamento próprio. Os vínculos com as associações comerciais e unidades do Ciesp seriam informais, portanto. Quem sabe um primeiro passo para todos descobrirem que o diabo do regionalismo não é tão feio quanto parece?</p>
<p>Utopia? Qual nada. Basta ter vontade, determinação e empenho. Há muitas fórmulas disponíveis para minimizar consideravelmente os custos operacionais. Não faltam universitários à procura de estágios que podem ser requisitados para trabalho de campo. Não faltam acadêmicos igualmente requisitáveis para contribuírem voluntariamente. Um corpo técnico profissional não é um bicho-de-sete-cabeças. Mesmo nos quadros de administrações municipais há muitos técnicos que podem colaborar.</p>
<p>Quem acha que os obstáculos são intransponíveis provavelmente está impregnado de pessimismo crônico ou de municipalismo inquebrantável. Desde que não se perca o foco do organismo que sairia com objetividade regional das forças municipais, a possibilidade de o Grande ABC contar com um desfile organizado, sistematizado e elucidativo de informações econômicas não demoraria a constar de site específico.</p>
<p>Nada mais útil, porque vivemos uma aberração semântica. O Grande ABC de que tanto falam há tanto tempo não apresenta sinais evidentes de que exista de fato. Talvez a melhor explicação para isso seja a desconfiança mútua dos agentes municipalistas de vários campos receosos da quebra da identidade própria de cada organização que representam. Por isso, nada melhor que uma organização à parte do sistema tradicionalmente vigente, de multiplicidade individualista.</p>
<p>Poderia relacionar pelo menos duas dezenas de tópicos cujos dados são fundamentais para conhecer para valer a situação em que se encontra o Grande ABC, mas pelo menos por enquanto não me parece que seja a melhor medida.</p>
<p>O que poderá determinar a objetividade pragmática dessa conjunção de instituições em torno de um determinado foco é o aniquilamento de qualquer tentativa de se abraçar o mundo. Há regras consagradas de administração e gerenciamento de projetos que não podem deixar de ser obedecidas.</p>
<p>O Fórum da Cidadania e o Clube dos Prefeitos viraram o que viraram porque a tendência de aceitar tudo quando cabeças diferentes e muitas vezes desconhecidas se reúnem é o começo, o meio e o fim do desperdício de tempo. O consenso acomodatício é a fonte de desilusões. É o caminho das trevas.</p>
<p>Dito isto, é indispensável que a conceituação do que viria a ser esse organismo de inteligência regional não seja desvirtuada. O mundo econômico regional é por si só imenso e instigante e, por isso mesmo, recomenda critérios de prioridade para ser desvendado intestinamente.</p>
<p>Quem se habilita a dar o primeiro passo e quebrar essa rotina de bagunça generalizada que é o Grande ABC econômico?</p>
<p>Já imaginaram quanto esse banco de dados poderia auxiliar quem pretende se estabelecer na região, pequeno, médio ou grande empreendedor?</p>
<p>Quantas sobreposições de atividades comerciais, de serviços e industriais reunimos nesse território de 840 quilômetros quadrados, o que torna o empreendedorismo autofágico?</p>
<p>Quantos vácuos não estariam à espera de investimentos?</p>
<p>Quantas áreas industriais não poderiam ser convertidas num projeto revolucionário de massificação de uma determinada atividade econômica que abrangesse mão-de-obra fartamente disponível e provavelmente adaptável, contando inclusive com o suporte de isenção fiscal das prefeituras durante determinado período?</p>
<p>Não temos mais o direito de perder tempo. O Grande ABC precisa substituir discursos manjadíssimos por ações que só parecem utópicas para quem não quer mover um dedinho sequer de dedicação.</p>
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		<title>Respeitem as tartarugas</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 11:34:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Seria muito injusto, injusto demais com as tartarugas, tartarugas que merecem respeito, dizer que o ritmo de atuação da nova diretoria da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC está devagar quase parando. As tartarugas que merecem todo o respeito, repito, é que andam devagar quase parando, porque a natureza assim o quis. A Agência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seria muito injusto, injusto demais com as tartarugas, tartarugas que merecem respeito, dizer que o ritmo de atuação da nova diretoria da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC está devagar quase parando. As tartarugas que merecem todo o respeito, repito, é que andam devagar quase parando, porque a natureza assim o quis. A Agência está parada, paradíssima, desde que há dois meses o prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, e o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, assumiram a presidência e a vice-presidência.</p>
<p>O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, e o médico pneumologista Fausto Cestari Filho fizeram bom trabalho à frente da Agência, mesmo com as limitações orçamentárias. Presidente e secretário-executivo, eles mostraram que é possível dar algum fôlego à regionalidade. Kiko Teixeira e Valter Moura chegaram há 60 dias e não conseguiram harmonizar um problema crucial: a indicação e a confirmação do secretário-executivo.</p>
<p>Há disputa acirradíssima à ocupação do cargo. Tucanos e petistas dividem o butim regional, apesar de outras cores partidárias transmitirem a impressão de que de fato existem e têm autonomia. Alguém acredita de fato que os petebistas Aidan Ravin e José Auricchio e o verde Clóvis Volpi não têm o mesmo alinhamento partidário e ideológico de Kiko Teixeira, o único prefeito da região de direito peessedebista?</p>
<p>Do outro lado, como se sabe, estão os petistas sem máscaras. Diferentemente, portanto, dos mascarados que dão sustentação ao governo federal petista, instância em que as denominações partidárias são um festival de dissimulações que confirmam a regra geral de que o Brasil se divide em duas partes, partes que vão para o embate maior no ano que vem, com José Serra e Dilma Roussef.</p>
<p>Voltando à Agência, o que mais escandaliza o bom senso e a inquietação de quem sabe que a maré não está para peixe nestes tempos de recessão globalizada, é o descaso ou a falta de prioridade, para ser mais suave, com essa ferramenta institucional que pode não ser uma Brastemp, como de fato não é, mas que requer um mínimo de atenção.</p>
<p>Até porque, a sustentação que o corpo técnico da Agência de Desenvolvimento Econômico oferece à direção executiva poderá fragilizar-se na medida em que não se sentir estimulado a promover incursões e estudos se o volume produzido não for avaliado e colocado em execução. Esse estágio exige mais que empenho da direção da instituição, mas também a boa vontade dos parceiros das empreitadas regionais.</p>
<p>É mais que provável, é certo, que tanto Kiko Teixeira quanto Valter Moura se sentirão melindrados com a revelação de que numa corrida com tartarugas eles perderiam feio, simplesmente porque de fato estão paralisados. Pode ser que tenham até alguma nesga de razão ao se defenderem. Certamente argumentarão que são presas das disputas políticas que imobilizam as peças de continuidade administrativa da Agência. Provavelmente dirão que não poderão mesmo botar fogo na canjica se os demais parceiros, ou boa parte deles, não oferecerem o combustível do entusiasmo e do comprometimento.</p>
<p>Tudo bem, tudo bem, mas nada consubstanciará de fato a transferência de responsabilidades. Tanto um quanto outro carregam maior ônus. Ainda mais que, pensando bem, o encaminhamento político que levou Kiko Teixeira à presidência de uma instituição que já teve tantos nomes bem mais apetrechados é o fim da picada de um jogo de xadrez que sacrifica as principais peças, deixando-as no banco de reservas da regionalidade já tão carente e desfalcada.</p>
<p>Aos desavisados, a impressão que se passa com a indicação de Kiko Teixeira para a presidência da Agência de Desenvolvimento Econômico, depois de ocupar a presidência do Clube dos Prefeitos, instância principal da busca de regionalidade do Grande ABC, é que se trata de um fenômeno intelectual, de um desbravador pragmático e de um espetacular articulista político.</p>
<p>Pura bobagem: Kiko Teixeira é simplesmente o fiel da balança de um jogo numérico de poder que concede aos tucanos a maioria dos votos no Clube dos Prefeitos. Sim, com quatro prefeitos azuis contra três vermelhos, o Clube dos Prefeitos, que exerce o controle da Agência de Desenvolvimento Econômico, tem uma maioria quantitativa que interessa. Liderados pelo ex-prefeito William Dib, engenheiro eleitoral de respeito, tucanos e assemelhados apadrinharam Kiko Teixeira oferecendo-lhe contrapartidas. O que Kiko Teixeira tem de melhor é o próprio apelido, matéria-prima que dispensa caricaturizar o que de fato o extratifica como agente público</p>
<p>Já Valter Moura, presidente há 20 anos da Associação Comercial e Industrial de São Bernardo, tem afinidade intensa com a articulação de conceitos econômicos, carro-chefe de intervenções sistemáticas na imprensa regional como comentarista da conjuntura sempre com olhar positivo, por pior que sejam os fatos e os cenários. Não é necessariamente ponta-de-lança de transformações, embora esteja à frente da principal entidade do Município de maior PIB no Grande ABC.</p>
<p>Nestas alturas do campeonato, somente um secretário-executivo com passado e presente de intervenções práticas poderia dar alguma fôlego operacional à Agência de Desenvolvimento Econômico. Sobretudo se ouvir atentamente os técnicos da instituição.</p>
<p>Mas, reconheçamos nada disso estaria à altura do passado de glórias da economia do Grande ABC. O que temos de contar é com infraestrutura humana e material do porte dos problemas que são muito, mas muito maiores que a montanha de positividades quase todas inerciais que acumulamos em 50 anos de industrialização portentosa.</p>
<p>Apesar de reconhecer as limitações de esferas municipais e regionais na plataforma de construtividade econômica, a banda não é tão estreita para justificar desculpas esfarrapadas de dependências insolúveis. Outras regiões do Estado e do País já deram mostras de que também sabem nadar contra a maré, até porque, nadar a favor da maré é moleza à qual nos acomodamos nos bons tempos. A paralisia da Agência, que não faz frente à mobilidade de tartaruga, é a antítese do desenvolvimentismo necessário.</p>
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		<title>Apóstolos da regionalidade (1)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 11:39:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei lá se a ideia vai prosperar. Espero que prospere, porque precisa prosperar, mas se não prosperar, o que se pode fazer, senão lamentar? Afinal, onde quero chegar? Um e-mail em especial, enviado no último 20 de maio por um educador jovem, sempre disposto a pensar o Grande ABC, me levou a fazer a seguinte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei lá se a ideia vai prosperar. Espero que prospere, porque precisa prosperar, mas se não prosperar, o que se pode fazer, senão lamentar? Afinal, onde quero chegar? Um e-mail em especial, enviado no último 20 de maio por um educador jovem, sempre disposto a pensar o Grande ABC, me levou a fazer a seguinte conjectura:</p>
<p>Por que devo ser &#8212; com as facilidades que o jornalismo me concede &#8212; o único apóstolo da regionalidade do Grande ABC em intensa e permanente visibilidade, se tantos outros estão aí, espalhados, prontos para colaborar?</p>
<p>Ora, ora, não estaria na hora de dar uma guinada nesta história de que somos um bando de incompetentes na sensibilização pró-regionalidade se, afinal de contas, temos agrupamento disperso que poderia passar a se reunir, trocar idéias, mobilizar-se, enfim?</p>
<p>Que tal juntar o quanto pudermos de gente interessada em construir o pensamento da diversidade de um regionalismo que se pretende contemporâneo, não essa coisa estúpida de bairrismo, e com isso abrir brechas para preparar um movimento que se espalhe com tamanha força a ponto de fomentar tantos outros seguidores? Aliás, daí ter preferido o verbete &#8220;apóstolo&#8221;, que deve ser entendido sem particularidades religiosas ou étnicas &#8212; mas apenas como metáfora de compreensão instantânea do que queremos para o Grande ABC.</p>
<p>Quem me escreveu foi o professor Alessandro Bernardo, de família de educadores, professor de economia da Anhanguera Educacional, em Santo André. Há muito não converso com Alessandro Bernardo, seguidor fiel dos tempos em que a revista LivreMercado era a melhor publicação regional do País.</p>
<p>Veja o que ele escreveu:</p>
<p>&#8220;Primeiramente, gostaria de lhe mandar um abraço especial pela coragem e dedicação com esta região. É latente a diferença de conteúdo entre a sua LivreMercado e o que se apresenta atualmente naquelas páginas. Ficamos carentes de informação regional com conteúdo analítico e credibilidade&#8221; &#8212; escreveu Alessandro Bernardo no e-mail ao qual me referi.</p>
<p>Só discordo num ponto, caro professor: a audiência deste blog, que logo voltará a ganhar a marca CapitalSocial, aumenta a cada mês, numa prova de que há gente interessada em qualidade de informação no Grande ABC. Mais que isso: apesar de tudo, há gente interessadíssima no Grande ABC.</p>
<p>Continuando no e-mail de Alessandro Bernardo, que me inspirou a sugerir a possibilidade de construir um movimento informal de apóstolos da regionalidade do Grande ABC, ele escreve:</p>
<p>&#8220;Como professor de economia, estarei em breve lançando um site para relacionamento com os alunos, e gostaria de dedicar parte deste site com informações econômicas do Grande ABC, como forma de trazer a discussão econômica de nossa região ao ambiente acadêmico, para a graduação. Nestes termos, gostaria imensamente de publicar neste braço do site alguns artigos de sua autoria, na íntegra e evidentemente com a devida citação, como forma de elevar o conteúdo da informação regional aos alunos, já que ninguém pode se atrever a escrever sobre a economia regional do Grande ABC sem citar Daniel Lima. Portanto, gostaria de saber se você me permitiria publicar alguns de seus textos neste futuro espaço de diálogo que pretendo criar com alunos universitários&#8221; &#8212; escreveu Alessandro Bernardo.</p>
<p>É evidente que atenderei a todas as solicitações tanto desse educador quanto de outros que tenham o mesmo interesse. Meus textos são públicos. Estou recuperando-os nos arquivos virtuais da Editora Livre Mercado para oferecer aos leitores em geral no site de CapitalSocial.</p>
<p>Infelizmente, alguns problemas técnicos estão atrapalhando o cronograma inicialmente desejado, mas aos poucos estamos conseguindo sucesso na empreitada. A série &#8220;Metamorfose Econômica&#8221; é uma forma que encontrei também para, além de preparar novos textos, buscar no passado de duas décadas de LivreMercado o testemunho e a seriedade do trabalho editorial que desenvolvemos com nossa equipe de Redação, contando sempre com conselheiros editoriais mais assíduos na formulação de desafios.</p>
<p>A história de LivreMercado se encerrou na edição de janeiro deste ano, oficialmente a última sob minha coordenação. Desde o lançamento, em março de 1990, estive à frente de todas as edições. Mesmo quando ocupei a diretoria de Redação do Diário do Grande ABC não deixei de coordenar a publicação, sobrecarregadíssimo é verdade, mas com o sentimento de dever cumprido.</p>
<p>Todo o acervo de textos é de propriedade deste jornalista, daí a decisão de utilizá-lo de forma tematicamente organizada para que leitores de CapitalSocial tenham amplas possibilidades de multiplicar conhecimento regional. Acredito que não há notícia melhor do que a garantia de que o acervo histórico de LivreMercado é deste profissional. Assim, não correremos o menor risco de o trabalho jornalístico virar arquivo morto, especialidade da Best Work Consultoria Empresarial, a nova proprietária da marca.  Afinal, Walter Santos, o novo dono de Livre Mercado (assim mesmo, separadamente) não preservou praticamente ninguém da equipe de jornalistas que constava da relação de colaboradores mais efetivos da Editora Livre Mercado quando da aquisição da marca. A expressão &#8220;Nova Livre Mercado tem amplo suporte lógico&#8221;.</p>
<p>O professor Alessandro Bernardo me estimula a propor movimento em defesa de um regionalismo que fuja completamente de qualquer subalternidade corporativista, partidária e ideológica. A partir de hoje acrescentarei à tarefa diária uma ação de catequese de profissionais de diversas áreas para atuar à frente dos interesses da região, colocando a especialidade de cada um a serviço do conjunto da população. Aguardem novidades, porque não podemos mais silenciar diante do quadro renitentemente preocupante de esclerosamento institucional do Grande ABC.</p>
<p>Há outros tantos Alessandros Bernardos esperando pela oportunidade de ganhar vez e voz e multiplicar ações. Com as facilidades oferecidas pela tecnologia de comunicação, não temos dúvida de que finalmente se acenderam as luzes de novos tempos que podem demorar a amadurecer, mas amadurecerão. Ou será que vamos entregar às próximas gerações de cabeças pensantes do Grande ABC o ônus do desprezo à regionalidade que recebemos de desatentos antecessores?</p>
<p>Os apóstolos da regionalidade não podem continuar distantes entre si. O Grande ABC não pode continuar dividido entre petistas e tucanos, beneficiários de um regime democrático que jamais deveremos contestar mas que se tem provado insuficiente para mudanças que já passaram da hora.</p>
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		<title>Província e globalização</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/provincia-e-globalizacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 11:46:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A matança generalizada da crise econômica internacional faz desovar o Grande ABC provinciano. Os mais recentes números de importantes indicadores econômicos não deixam espaço à demagogia barata: perdemos desde outubro um terço dos empregos industriais com carteira assinada amealhados durante os seis primeiros anos do governo Lula da Silva. Tudo a reboque da dependência exagerada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A matança generalizada da crise econômica internacional faz desovar o Grande ABC provinciano. Os mais recentes números de importantes indicadores econômicos não deixam espaço à demagogia barata: perdemos desde outubro um terço dos empregos industriais com carteira assinada amealhados durante os seis primeiros anos do governo Lula da Silva. Tudo a reboque da dependência exagerada e acomodatícia da indústria automotiva, setor que come o pão que o diabo amassou com a quebra das exportações.</p>
<p>Somos sim e indubitavelmente uma província renitente que ainda não se deu conta de que a globalização é uma espada em nossas cabeças e contra a qual não tem choro nem vela nem fita amarela.</p>
<p>Por mais que desconfie da estabilidade econômica do Grande ABC, estiolada pela guerra fiscal interna e pelo movimento sempre complexo do jogo internacional, sobretudo porque depende demais da atividade mais competitiva do planeta, ou seja, a produção de veículos, confesso que não imaginava que o impacto da crise seria tão forte.</p>
<p>Perder 20 mil empregos com carteira assinada no setor industrial desde outubro do ano passado e ver reduzida até aqui em 40% a conta de exportações no primeiro quadrimestre deste ano são notícias apavorantes. Como se já não bastassem 136 mil trabalhadores pendurados precariamente no seguro- desemprego, mostra de que a rotatividade no mercado de trabalho da região é elevadíssima.</p>
<p>Todos esses dados e as contaminações sistêmicas que tudo isso representa, com queda de macroindicadores como PIB (Produto Interno Bruto) e Potencial de Consumo, que são parentes muito próximos, ajudam a sustentar uma pregação da qual não abro mão até que algo de novo apareça no horizonte: estamos despreparados para amortecer as sacolejadas macroeconômicas e, mais que isso, entregamos completamente a rapadura da reação para forças do além. Como as forças do além estão muito aquém do pragmatismo econômico, já deu para entender aonde vamos nos atolar.</p>
<p>Não se pode duvidar da projeção que faço neste momento sem medo de cometer equívoco: parcela considerável da recuperação do PIB da indústria de transformação do Grande ABC durante o governo Lula da Silva já foi para o chapéu. Mais que isso: vamos ter nesta temporada, cujos números só serão conhecidos ano que vem, um grande mergulho que nos remeterá ao acúmulo de novas perdas.</p>
<p>Como já mostramos na série &#8220;Metamorfose Econômica&#8221;, que está longe de se encerrar, acusamos a perda média de 1,1% ao ano no PIB da indústria de transformação desde a implantação do Plano Real. Nenhuma outra das cinco regiões econômicas mais importantes do Estado de São Paulo chegou a tanto. Pelo contrário: todas conseguiram se safar, com dados positivos, embora distantes de outras regiões industrializadas do País.</p>
<p>Pois nesta temporada é muito provável que elevaremos a pontuação negativa. Com Fernando Henrique Cardoso chegamos a perder em média por ano mais de 4% do PIB industrial. A recuperação com Lula da Silva também sob a benção de um quadro macroeconômico favorável reduziu drasticamente o prejuízo, mas não foi suficiente para abrir os olhos de autoridades públicas, lideranças econômicas e sindicais quanto às fragilidades da estrutura industrial do Grande ABC. Somos uma geografia dependente demais do setor automotivo.</p>
<p>Não faltam responsáveis pelo retrocesso econômico que o Grande ABC registra nos últimos meses. Eles estão tanto no âmbito regional como estadual e federal. Ainda não se percebeu que o Grande ABC exige macroplanejamento estratégico para, além de contornar as dores do passado mais recente de fortes perdas econômicas, preparar-se para não afundar de vez no futuro de globalização ensandecida.</p>
<p>A institucionalidade do Grande ABC, cantada em verso e prosa por ufanistas de plantão, não passa de ação provinciana. Os esforços de um agrupamento de técnicos nas esferas municipais e regionais estão muito distantes das necessidades prementes. Não contamos com quadros estáveis e mais bem estruturados para promover diagnósticos. Muito menos contamos com lideranças que esqueçam os muros territoriais e entendam a importância da regionalidade no sentido mais amplo, articulando-se ações. Carecemos de força-tarefa para construir o futuro. E estamos sendo atropelados pelo mundo.</p>
<p>Estas e futuras gerações vão pagar caro também pelo provincianismo da pauta jornalística. Regionalidade e verbetes associados praticamente inexistem no vocabulário jornalístico da maioria dos meios de comunicação do Grande ABC. Principalmente quando se trata de reduzir o grau de dependência da doença holandesa da indústria automotiva.</p>
<p>Daqui a pouco vão fazer uma algazarra danada com a chegada do trecho sul do Rodoanel que, anotem todos, não é lá uma Brastemp. Aliás, alertei há muito tempo sobre o equívoco de considerarem a obra a redenção regional.</p>
<p>O Rodoanel vai ser o próximo foco de &#8220;Metamorfose Econômica&#8221;.</p>
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		<title>Excesso e escassez</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 11:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Longe de mim inspiração sabotadora para colocar água no chope da recuperação de parte do legado teórico de regionalidade que o Grande ABC exibiu com certa força em meados da última década do século passado.
Longe de mim qualquer sentimento negativista sobre algumas iniciativas que se descortinam, anunciadas principalmente pelo jornal virtual e impresso ABCD Maior, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Longe de mim inspiração sabotadora para colocar água no chope da recuperação de parte do legado teórico de regionalidade que o Grande ABC exibiu com certa força em meados da última década do século passado.</p>
<p>Longe de mim qualquer sentimento negativista sobre algumas iniciativas que se descortinam, anunciadas principalmente pelo jornal virtual e impresso ABCD Maior, publicação de centro-esquerda que preenche vácuo democrático- editorial no Grande ABC.</p>
<p>Longe de mim qualquer vocação à contrariedade gratuita, daqueles que insistem em bater o pé apenas para demarcar terreno, para se fazer notar, para chamar a atenção como criança mal-educada ou portadora de hiperatividade, como a classificam hoje os especialistas.</p>
<p>Não sofro de qualquer tipo dessas patologias. O problema é que estou escolado o suficiente para botar meu bedelho no assunto não exatamente para contrariar, mas para colaborar.</p>
<p>E fico muito à vontade porque, entre outros motivos, se há um novo secretário de Desenvolvimento Econômico no Grande ABC para o qual tiro o chapéu em reconhecimento à vocação teórica e realizadora, apetrechado que é, este é Jefferson da Conceição, de São Bernardo.</p>
<p>Leio no site do ABCD Maior que a Câmara Regional de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC será reativada. A notícia é interessante, mas será melhor na medida em que alguns pontos sejam colocados à mesa.</p>
<p>Por exemplo: será que o Grande ABC precisa mesmo contar sobrepostamente com Câmara Regional, Clube dos Prefeitos e Agência de Desenvolvimento Econômico? Não estaremos pecando pelo excesso de entidades?</p>
<p>São muitas cabeças, muitas teorias e muitas ramificações partidárias, empresariais, sindicais e acadêmicas em sacos diferentes. Não seria melhor enfiá-las todas no mesmo saco?</p>
<p>Uma solução conciliatória é estabelecer hierarquia diretiva que separe poder político, representatividade social e conhecimento técnico, os quais se encontrariam numa confluência em que interesses regionais integrados ou parciais fossem priorizados, com prazos para definições.</p>
<p>Já escrevi sobre o assunto e volto a repetir: é ótimo que se coloque a economia do Grande ABC na agenda de autoridades, de empreendedores, de sindicalistas, de políticos, de acadêmicos e da sociedade como um todo. Muito bom mesmo. É também na pauta jornalística &#8212; pobre pauta jornalística que se ajeita no que é mais simples e mais fácil. Pauta jornalistas de aspas, não de interpretação.</p>
<p>Só não podemos voltar a desperdiçar potencialidades, como nos anos 1990. Custou muito caro a montanha de expectativas que se elevou naqueles tempos. Os resultados foram pífios. Principalmente se confrontados com demandas sociais e econômicas que já incomodavam a todos e que, com a desindustrialização, se agravaram.</p>
<p>O Grande ABC do consenso, do antimelindrec, do cuidado excessivo com as peças de uma cristaleira de antagônicas ideologias já se provou incompetente, porque ignorou que do entrechoque de idéias nasce a luz de propostas e soluções.</p>
<p>A delicadeza formal e exagerada de aceitar pressupostos apenas para evitar combates é o caminho mais curto ao fracasso de ações multilaterais. Aproximar os contrários que são muito menos contrários hoje do que há duas décadas é muito simples. Doutriná-los a entender que a regionalidade está perdendo de goleada também é muito simples. Está aí, portanto, meio caminho para aparar as arestas sem que quaisquer dos lados se sintam perseguidos ou discriminados.</p>
<p>A frondosa mas pouco frutífera árvore de entidades que consta do mapeamento regional deveria mesmo ser repensada, mas sob novas bases.</p>
<p>O modelo tripartite de Agência, Clube dos Prefeitos e Câmara Regional é divisionista em vez de complementar. Seria perfeitamente possível reunir todos os protagonistas da cena regional num mesmo organismo, distribuindo-se poderes e obrigações.</p>
<p>O isolamento do Clube dos Prefeitos da sociedade regional, na forma de proibição de participação das reuniões, é a síntese do próprio nome que resolvi adotar para a entidade, em vez de Consórcio Intermunicipal dos Prefeitos.</p>
<p>A pobreza estrutural franciscana da Agência de Desenvolvimento Econômico é a síntese das limitações operacionais como suposto braço de atividades do Clube dos Prefeitos. </p>
<p>E a multiplicidade de agentes da Câmara Regional, há muito tempo desativada de fato, contrapõe-se à focalização objetiva de medidas profiláticas de que o Grande ABC tanto carece.</p>
<p>Agência, Clube dos Prefeitos e Câmara Regional poderiam ser condensados numa única entidade, cujo organograma contemplaria as três faces da solução em conjunto: os especialistas em fazer política, os agentes sociais sensibilizadores de medidas e os craques em gerar programas estratégicos.</p>
<p>A ressurreição da Câmara Regional de Desenvolvimento Econômico é iniciativa que, repito, valoriza o noticiário da mídia menos propensa às mesmices dos legislativos e dos executivos locais. Sair da pasmaceira incentivada por editores e pauteiros que não enxergam um palmo à frente do nariz já seria avanço considerável.</p>
<p>Entretanto, não é o suficiente. Os problemas sociais e econômicos do Grande ABC podem até mesmo ser esmiuçados nos encontros programados pelos novos introdutores da Câmara Regional, mas o gigantismo da operação assusta porque já assisti a esse filme antes. O resumo da ópera é simples: quando se exagera nos objetivos, perdem-se prioridades.</p>
<p>O Grande ABC precisa mesmo é de planejamento tático e estratégico. Talvez a Câmara Regional, o Clube dos Prefeitos e a Agência de Desenvolvimento Econômico, mesmo com entrechoques, dêem algum encaminhamento no curto prazo, mas, para médio e longo prazo, somente um grupo de técnicos especializados em regionalidade dentro de uma metropolização comprometida por solavancos nacionais e internacionais poderia dar respostas com precisão, impacto e resoluções necessários. </p>
<p>Não podemos perder a oportunidade de repensar o modelo institucional de integração do Grande ABC. Afinal, vivemos tempos em que instâncias internacionais refazem estatutos, reformam conceitos e despejam inquietações por conta do esgotamento do modelo capitalista-financeiro industrializador de ilusões e da renitente orfandade de um modelo social-democrático às voltas com déficits orçamentários que já não se completam com a exploração dos emergentes, agora protagonistas do jogo mundializado da economia.</p>
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		<title>Municipal e regional</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 11:59:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A pregação deste apóstolo da regionalidade pode conduzir leitores a acreditar que tudo gira exclusivamente em torno dos sete municípios do Grande ABC, sem os quais qualquer iniciativa estaria fadada ao desastre. Calma, calma, porque não é bem assim. Há espaço de sobra para o municipalismo numa área escancaradamente regional. Aliás, sem que o municipalismo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A pregação deste apóstolo da regionalidade pode conduzir leitores a acreditar que tudo gira exclusivamente em torno dos sete municípios do Grande ABC, sem os quais qualquer iniciativa estaria fadada ao desastre. Calma, calma, porque não é bem assim. Há espaço de sobra para o municipalismo numa área escancaradamente regional. Aliás, sem que o municipalismo viceje e se fortaleça, não há como abrir avenidas para o regionalismo de estudos, estratégias e decisões sem o qual, agora sim, estaremos todos perdidos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nosso regionalismo só será forte o suficiente para os embates de um mundo sem fronteiras se tiver tanto o respaldo municipalista de práticas institucionais maduras como também se inscrever-se de forma cosmopolita no concerto metropolitano. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O que faz muito mal para a saúde funcional do regionalismo com que sonho e que também não pode ser visto apenas como a conjunção de interesses dos sete municípios é o municipalismo mambembe, fixado no próprio umbigo de iniciativas conservadoras, repetidas ao longo dos anos, principalmente ao longo de anos desastrosos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Entidades sociais, empresariais e sindicais que se organizam em território físico no qual estão legitimamente constituídas têm o dever e a obrigação de compreender o mundo muito além das próprias fronteiras municipais, a partir do Grande ABC. Quem se consolidar perante representados de modo avançado, transformando associação em representatividade, terá dado passos importantes para empreitadas regionais. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É claro que não bastará uma entidade de Santo André dar um show de bola de atualização se congêneres da região continuarem no século passado. Os efeitos positivos estarão circunscritos aos limites geográficos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">No ensaio que produzi para a segunda versão do livro &#8220;Nosso Século XXI&#8221;, lançado no final do ano passado, desmembro o Grande ABC em vários grupos. Somos o que chamo de G7, referência aos sete municípios, mas, em termos regionais, podemos ganhar múltiplas faces, do G2 ao G6, além do G7. Depende do interesse específico em jogo. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">As questões relacionadas à Represa Billings podem estar centralizadas apenas nos municípios banhados por esse imenso manancial de complicações. Nesse caso, seria o G6, porque São Caetano não tem relação direta como o assunto. É claro que não estou excluindo a massa crítica de São Caetano da problemática, mas em termos práticos, de peso nos estudos e na aplicação de medidas, não há como ser hipócrita. Um suposto desinteresse de São Caetano não pode contaminar os demais municípios. Daí a solução pragmática do G6. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Da mesma forma, se o assunto for exclusivamente as montadoras de veículos locais, centro nervoso da estrutura econômica e social de 2,6 milhões de habitantes, apenas o G2 formado por São Bernardo e São Caetano seria convocado a eventuais aproximações em busca de soluções que beneficiem todo o conjunto da região. Não há montadoras em outros municípios locais. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Dirão os mais atentos e minuciosos que é impossível discutir indústria automotiva sem o chamamento do G7. A ponderação é relevante mas pouco sustentável se de fato a pauta de negociações for apenas as grandes montadoras. Já se entrar em campo a inquietação da indústria de autopeças, o G7 tem de ser chamado obrigatoriamente. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Qualquer ilação de que o desmembramento do G7 em subgrupos no Grande ABC tem parentesco com o que ocorre no mundo inteiro com acordos bilaterais, trilaterais e multilaterais, nenhuma contestação. É assim mesmo que funcionam os interesses dos países. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Estão aí os chineses invadindo a América Latina, país por país, como resultado de diplomacia econômica. Um tratado entre chineses e o conjunto dos países seria mais que demorado, provavelmente inviável. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O municipalismo no sentido pejorativo do termo que tinge de luto econômico e social as críticas deste regionalista decorre da constatação de que na maioria dos casos é um arcabouço arcaico, comodista, desgrudado das transformações que estão aí. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A crítica não tem o sentido destrutivo que alguns imaginam, mas é uma forma de cutucar e despertar as lideranças para a realidade dos fatos. Não é fácil conseguir esse intento porque quando se instala a zona de conforto, geralmente o consenso dos representantes das instituições se mantém inalterado até que a casa caia de vez. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Não foi assim com o sistema financeiro internacional, origem da crise que derruba o PIB de quase todo o mundo? Não foram muitos os analistas que alertaram para a turbulência que chegava na esteira da generosidade de financiamentos tóxicos de estimulo à febre de consumo. A maioria silenciou por vantagens que pretendia preservar ou porque não quer enfrentar o bom senso. Deu no que deu. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Estou torcendo para que apareça no cenário regional uma entidade que de fato comece a preparar bases mais vigorosas de um munipalismo que possa se espraiar pelas demais. Vivemos condicionados por espelhos, para o bem e para o mal. Quando todos se entreolham e se acham semelhantes, a probabilidade de que está faltando alguma coisa que detone reforma é mais que provável. Principalmente porque todos vivem numa região que mais sofreu com as reformas macroeconômicas e microeconômicas dos anos 1990 ao acumular passivo de mais de 1% de queda do PIB da indústria de transformação por ano entre 1995 e 2007. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Vamos ser claros e contundentes: alguém acredita que o modelo municipal da quase totalidade das entidades locais, com fundos reflexos regionais, está no passo certo no desfile da mundialização econômica, financeira e cultural?</span></p>
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		<title>Farsa e fraude</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 12:03:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não resisti à cíclica retomada de análise da regionalidade do Grande ABC que tem no desfalecido Fórum da Cidadania estonteante ponto de partida e nada triunfal fita de chegada. Para encurtar a história-síntese deste artigo, que pretendo revelar na sequência, afirmaria sem medo de incorrer em insanidade que temo, temo muito, que eventual iniciativa de restauração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Não resisti à cíclica retomada de análise da regionalidade do Grande ABC que tem no desfalecido Fórum da Cidadania estonteante ponto de partida e nada triunfal fita de chegada. Para encurtar a história-síntese deste artigo, que pretendo revelar na sequência, afirmaria sem medo de incorrer em insanidade que temo, temo muito, que eventual iniciativa de restauração daquele movimento, mesmo sob outro dístico, sob outra denominação, substitua a fraude pela farsa. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nada mais frustrante do que a emenda pior do que o soneto, porque teríamos de nos silenciar diante da possibilidade de nos chamarem a todos, eventuais participantes, de trouxas de plantão. Pelo menos no Fórum da Cidadania original todos tinham a consciência de que se tratava de iniciativa séria, como de fato o foi, perdendo-se apenas no decorrer do tempo.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Bem que o Grande ABC necessita de um novo Fórum da Cidadania, embora a denominação a que recorro seja apenas simbólica para entendimento geral de que carecemos de uma entidade que conte com gente comprometida da sociedade. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Fórum da Cidadania já é marca desgastada pelo tempo, pela inoperância em relação ao que foi concebida e, portanto, não valeria a pena revigorá-la. Como se sabe, é um fantasma que perambula daqui e dali a defender algumas causas justas, é verdade, mas sem a massa crítica dos primeiros tempos e com o ônus do sobrepeso dos piores tempos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É verdade que desconfio de qualquer ação coletiva de voluntários que vise a mudar a situação da vacuidade total da sociedade no campo de representação sócio-política, mas isso não assegura que o jogo está perdido. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Fórum da Cidadania do passado deve servir de inspiração quando de verificam as heranças que deixou. Os entulhos devem ser rigorosamente observados como lições preciosas. E o que melhor obteve o Fórum da Cidadania nos tempos de glória foi o interesse de muitos agentes sociais, no sentido amplo do termo, que resolveram juntar forças. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O assembleísmo movido pelo pacto do consenso foi um terrível erro, tanto quanto o elefantísmo representativo com mais de uma centena de entidades. A colocar mais fogo na fogueira de desperdício, a multiplicidade de prioridades tornou-se convite à dispersão do foco. De criadores de pássaros a costureiras constaram da lista de chamada do agrupamento. Só não havia representante de criadores de cavalo porque não consta que essa raça tenha tentáculos no Grande ABC. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tenho muito a contribuir para a formatação de uma instituição regional, mas não o farei agora porque preciso cuidar de tantas outras coisas e também por uma razão mais forte ainda: não acredito, sinceramente, que haja gente qualificada em número suficiente para arregaçar as mangas e ir à luta. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Mais que isso: há gente aos borbotões prontíssima para melar esse possível jogo de cidadania. A razão é simples: há uma casta regional tão fortemente armada de perniciosidades que muito provavelmente mais que optaria pela omissão como decidiria boicotar qualquer iniciativa que colocasse em risco a sobrevivência do lodaçal em que nada de braçadas, estabelecendo recordes de abusos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Minha desconfiança quanto à união de gente do bem para dar tratamento de choque institucional no Grande ABC parte do princípio de que há conhecimento tácito embora silencioso e conformado do que se passa nesse território de 2,6 milhões de habitantes. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Sabe-se nos burburinhos dos bastidores de vários ambientes, públicos, corporativos, acadêmicos e sociais, que a maré não está para peixe (com perdão do trocadilho absolutamente involuntário que remete ao resultado da decisão do Campeonato Paulista). </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Sabe-se que há muito tempo foi-se a invencibilidade da coragem de reagir (agora o trocadilho é proposital e faz referência, com sinal trocado, ao resultado da decisão do Campeonato Paulista). </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A maioria que teria muito a contribuir simplesmente se aquieta, se enfurna, à espera de que alguma força mágica lhe ofereça uma senha salvadora mas sem grandes riscos. Não falta quem foge da raia, busca refúgios em diferentes campos, do religioso ao supostamente benemerente, para limpar a própria barra da covardia, quando não do parceirismo. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É desse silêncio e da retomada da sugestão de que o Grande ABC deixe a pasmaceira do divisionismo completo e da orfandade de uma entidade que trilhe novos caminhos que surgem o perigo de aventureiros do outro lado da moeda de cidadania escassa.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Que lado é esse? O lado do sufocamento de qualquer tentativa de mudança. O lado de manifestações sorrateiras de tomada do cetro da reconstituição da luta por uma regionalidade, substituindo-a por um jogo de cena mistificador. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Sei que alguns leitores, talvez muitos, terão dificuldades em compreender a profundidade conceitual e certo hermetismo explicativo deste texto. Sei também que outros, muitos outros, o entendem perfeitamente. Sei de tudo isso. Como sei também que não faltarão lideranças ou supostas lideranças deste Grande ABC que vão ser cobradas pelas futuras gerações por terem-se amesquinhados diante das dificuldades operacionais de uma empreitada difícil, tormentosa, mas digna de viver: enfrentar aqueles que usam e abusam do direito de congelar o tempo ao bel prazer, enquanto o conjunto da sociedade, principalmente os não-incluídos, pena. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Pior que a orfandade de um Fórum da Cidadania fraudador da expectativa de mudanças no Grande ABC seria a farsa de um Fórum da Cidadania mantenedor das lambanças no Grande ABC.</span></p>
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		<title>Domínio governamental</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2009 12:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://www.capitalsocial.com.br/?p=525</guid>
		<description><![CDATA[Outro dia me perguntaram, me perguntaram provavelmente para me provocar, me perguntaram provavelmente para me expor, me perguntaram provavelmente para me irritar, se seria possível reviver com outra roupagem e sem os mesmos erros, nestes novos tempos de crise, o empreendimento social chamado Fórum da Cidadania do Grande ABC.
Para quem não sabe ou para quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia me perguntaram, me perguntaram provavelmente para me provocar, me perguntaram provavelmente para me expor, me perguntaram provavelmente para me irritar, se seria possível reviver com outra roupagem e sem os mesmos erros, nestes novos tempos de crise, o empreendimento social chamado Fórum da Cidadania do Grande ABC.</p>
<p>Para quem não sabe ou para quem quer reavivar a memória, o Fórum da Cidadania foi um movimento orquestrado a partir do Diário do Grande ABC, então com o diretor de Redação Alexandre Polesi, um jornalista sério, e também com o diretor administrativo Wilson Ambrósio da Silva, cumulativamente presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André). Fausto Cestari, então dirigente do Ciesp de Santo André, também participou da empreitada concebedora.</p>
<p>A mobilização de dezenas de dirigentes de entidades sociais, empresariais, sindicais e culturais do Grande ABC foi um sucesso de público e bilheteria até a página três. Daí em diante, na medida em que o Fórum da Cidadania ganhava visibilidade e respeito, começou a derrocada. Houve muita transpiração e pouca inspiração. Muito voluntarismo e pouca racionalidade.</p>
<p>Não vou estender-me na reconstrução do desempenho do Fórum da Cidadania. Bastaria isso para preencher espaços a dar com pau. O fato é que aquela entidade naufragou por excessos de ego, de individualismo, de personalismo e de tantas outras coisas, inclusive de inapetência organizacional.</p>
<p>Mas valeu a pena porque retirou o Grande ABC da apatia coletiva num momento em que o setor público estava desfalecido, a sociedade apática e as forças econômicas entregues à própria sorte. O problema é que o dia seguinte da derrocada do Fórum da Cidadania ainda não se dissipou: vivemos orfandade institucional sem paralelo. As forças governamentais dão as cartas e jogam de mão.</p>
<p>Seria possível reorganizar algo que se assemelhasse ao Fórum da Cidadania, sobretudo nas virtudes que foram muitas, e acrescentar ações que retirassem as mazelas do horizonte?</p>
<p>Tenho muitas dúvidas, porque, francamente, acompanhando o Grande ABC como acompanho há 40 anos, pouco menos do tempo que estou na lide jornalística, jamais presenciei quadro de patologia institucional como o atual. Fosse apenas isso estaria ótimo. Há metástases por todos os cantos.</p>
<p>O setor governamental, no âmbito municipal, está aparelhadíssimo num combate político-partidário local, regional, estadual e nacional sem paralelo. Praticamente não sobra agenda para qualquer outra temática senão a política. Nada pior, porque está jogando o jogo da cidadania praticamente sozinho. E não faltam especialistas em sociologia que atiram às traças qualquer possibilidade de o poder público ser bem-aventurado quando é o único agente de cidadania.</p>
<p>Os empreendedores de pequeno porte do setor industrial foram varridos do mapa regional com a abertura econômica e a guerra fiscal. Dos 150 filiados da Anapemei (Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas Industriais), com sede em Santo André, não sobrou nada. Nem mesmo a Anapemei.</p>
<p>Os comerciantes e prestadores de serviços correm que correm para superar o peso de uma economia debilitada ao longo dos anos, inclusive porque os conglomerados nacionais e internacionais de massa crítica econômica e financeira infinitivamente maior chegaram aos borbotões praticamente de supetão, o que aumentou o impacto canibalizador.</p>
<p>Os acadêmicos continuam os mesmos, acadêmicos como sempre, prontos para discutir o governo do presidente Obama mas analfabetos teóricos e práticos em Grande ABC. De vez em quando aparece em jornal um idiota qualquer a negar a desindustrialização do Grande ABC.</p>
<p>As instituições sociais e culturais fecharam-se em copas. Mais que antes. Viraram clubes fechados, porque, como se sabe, a elasticidade da sociedade na valorização do espaço em que vive perdeu o vigor. Levaram a sério demais o conceito de globalização. Os jovens não saem da Internet. Desconhecem a praça principal de cada Município. A máxima que contrapõe global e local não se dá na prática com a intensidade imaginada entre outras razões porque a mídia ficou de quatro para as facilidades tecnológicas. Corta empregos qualificados em nome da rentabilidade. Ou da sobrevivência.</p>
<p>As instituições empresariais comem o pão que o diabo do esvaziamento econômico amassou. Talvez uma campanha diferenciada para arregimentação de participantes de encontros temáticos à parte do corporativismo alivie e peso da dispersão e do individualismo do salve-se quem puder.</p>
<p>O sindicalismo, de maneira geral, há muito descobriu que de utopia não se vive. Partiu para pragmatismo típico do capitalismo que tanto rejeitava. E pelo andar da carruagem vai ter trabalheira danada nos próximos tempos de globalização exacerbada pela crise internacional.</p>
<p>Sem que um grupo da comunidade regional chame para si a responsabilidade de motivar a instauração de nova ordem que não fique presa ao controle dos governos municipais, porque isso é péssimo para os próprios governos municipais, não vejo a menor possibilidade de ao menos se alcançar ensaio de mobilização.</p>
<p>Sou frontalmente contrário à liderança de qualquer veículo de comunicação nessa nova empreitada. O que não significa o inverso, ou seja, o alheamento ao possível movimento. O que supostamente serviu em meadas dos anos 1990, sob a batuta do Diário do Grande ABC, não serve mais agora. Até porque tanta coisa se alterou e é melhor não arriscar.</p>
<p>O Diário do Grande ABC acabou tornando-se um mal ao Fórum da Cidadania. Induziu a quebra do senso crítico dos integrantes do movimento por conta da proximidade entre eles e a linha editorial motivacional e promocional e, por isso mesmo, cega a um roteiro repleto de desvio e que, por isso mesmo, necessitava de correção.</p>
<p>Quem vai amarrar o guizo da participação comunitária no pescoço da regionalidade socialmente responsável e produtiva?</p>
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		<title>Cidadania enferrujada</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 12:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho pronto, prontíssimo, o artigo &#8220;Terra de ninguém&#8221;, que se refere à institucionalidade do Grande ABC. Entretanto, desisti de publicá-lo neste final de semana. Submeto-me humildemente à vagabundagem do feriado prolongado por conta da desativação da infra-estrutura técnica à postagem neste espaço. Por alguns dias, deixo de produzir artigos, até que a segunda-feira chegue. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tenho pronto, prontíssimo, o artigo &#8220;Terra de ninguém&#8221;, que se refere à institucionalidade do Grande ABC. Entretanto, desisti de publicá-lo neste final de semana. Submeto-me humildemente à vagabundagem do feriado prolongado por conta da desativação da infra-estrutura técnica à postagem neste espaço. Por alguns dias, deixo de produzir artigos, até que a segunda-feira chegue. Não considerei salutar deixar exposto diretamente na tela, durante vários dias, o conteúdo de &#8220;Terra de ninguém&#8221;. Pareceria provocação. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Talvez publique &#8220;Terra de ninguém&#8221; na semana que vem. Trata-se de espécie de desabafo sazonal como forma de exorcizar o inconformismo que me invade toda vez que me detenho nos problemas da região. E olhe que tenho me detido muito ultimamente, em altas horas, cavoucando informações, dados e estatísticas para dar robustez à série &#8220;Metamorfose econômica&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Preferi &#8212; neste artigo que permanecerá vivo na tela do computador até a próxima segunda-feira &#8212; contextualizar e reproduzir sem a supressão de absolutamente nada, um texto impresso em outubro de 1996 no Diário do Grande ABC. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Portanto, são praticamente 13 anos de distância. Escrevi sobre o Fórum da Cidadania, ainda Fórum &#8220;pela&#8221; Cidadania, a pedido do jornalista Alexandre Polesi, então diretor de Redação do Diário e um dos principais comandantes daquele movimento que se apresentava como a grande sacada pró-regionalidade do Grande ABC. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Lamentavelmente, mesmo naqueles dias de entusiasmo, estava este jornalista certo, certíssimo, quando, comedido, fez série de ponderações sobre a estrutura do novo organismo que se apresentava ao público regional como contraponto importante à atuação do Poder Público então inerte, e ao empresariado, igualmente sonolento. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Acredito que o texto dispensa maiores justificativas. Estão ali grafados, sacramentados, juramentados, equalizados, pensamentos que, contextualizados àqueles momentos de endeusamento do Fórum da Cidadania, revelam inquietação própria de quem profissionalmente consegue ser muito mais crítico, muito mais criterioso, muito mais incisivo, muito mais desconfiado, muito mais cético, do que o é pessoalmente. Aliás, sobre isso, escrevo qualquer dia desses, porque estou tentando encurtar a distância entre o profissional e o pessoal, depois das porradas que sofri nos últimos anos, todas afloradas em 2008. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O grande equívoco de quem vive em sociedade é desconsiderar o passado como fonte de responsabilidade social, expressão que tem enorme amplitude, ou também de esquecer o descredenciamento intelectual, ético e moral que o passado igualmente impõe. O site de CapitalSocial que está em fase final de arranjos, recuperará para a posteridade muito do que foi produzido em forma de decisões e promessas no Grande ABC. Devem temer esse resgate apenas quem abusou da credibilidade alheia. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Mas, vamos mesmo ao que interessa: consumam com atenção este que é um documento obrigatório de análises que um dia terão de ser preparadas no rastreamento das ramificações que acabaram por entornar o caldo do mais importante movimento social que o Grande ABC já viveu. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Balançando a estrutura regional<br />
(outubro de 1996)</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Demorou tanto para a região contar com algo novo e revolucionário em suas entranhas institucionais que é natural uma certa pressa daqueles que participam direta ou indiretamente do Fórum pela Cidadania do Grande ABC. Entre estes poucos ou muitos ansiosos pelo fortalecimento desse poderoso instrumento de construção regional, certamente está este jornalista inquieto com o histórico de esvaziamento da identidade local. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Embora falte assentamento estatístico comparativo, até porque o figurino eleitoral deste ano há mais de três décadas não se repetia, não é exagero creditar ao Fórum pela Cidadania o número recorde de deputados estaduais e federais à próxima legislatura. Se os 13 representantes da região ainda formam um batalhão modesto, provavelmente pouco capaz de alterar as ordens regionalistas fortemente enraizadas na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional, certamente encerrarão seus mandatos em condições de pleitear renovação por novos quatro anos sem que se os considerem oportunistas. O Fórum pela Cidadania exercerá vigilância constante sobre seus representantes políticos e saberá distinguir omissão deliberada de ação circunstancialmente frustrada, à qual, aliás, todos devem estar preparados. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Provavelmente porque o Fórum deu um tiro certeiro em sua largada e certamente porque há tanto tempo a região estava entregue às feras do comodismo institucional, a ansiedade por novos desdobramentos aflora. O Fórum pela Cidadania esperado pelo grupo de apressados passa pela profissionalização de seu quadro executivo, disciplinando-se e organizando o voluntarismo congênito que he dá sustentação e credibilidade. Da mesma forma que carece de adensamento de entidades formalmente ou não introduzidas em seu estatuto, o Fórum precisa chegar à periferia, aos clubes associativos, aos clubes de lojistas de shopping, às escolas. A popularização do Fórum é a garantia da consolidação de sua representatividade. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">De qualquer modo, por mais que o Fórum demore para atender os mais exigentes e inquietos, nada poderá superar sua vocação integrativa. A aproximação entre representantes do capital e do trabalho provocada pelas reuniões do Fórum quebra um gelo tão antigo quanto a própria industrialização da região. É acreditar em Papai Noel supor que representantes de trabalhadores e empresários já estejam em lua-de-mel, mesmo porque temas controversos cedem posto ao consenso filosófico do movimento. Mas, de qualquer modo, eles já dividem o mesmo espaço, já multiplicam suas aspirações, já diminuem suas restrições e já somam suas esperanças não num jogo de faz-de-conta, mas em operações sinérgicas que resgatam com equidade de peso uma antiga divida das elites dirigentes da região. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Por fim, espera-se apenas que o Fórum pela Cidadania não cai na tentação do burocratismo que emperra a maioria de organizações afins e que não se utilize de amarras estatutárias para bloquear a participação da livre iniciativa, reduto ao qual deverá recorrer invariavelmente para assegurar recursos financeiros que moverão suas locomotivas temáticas. A discriminação do capital no estatuto em fase de formulação, reservando-se o grupo de associados somente a entidades sem fins lucrativos, é um apêndice desnecessário. Primeiro porque a plenária do Fórum é o órgão soberano que saberá separar o joio dos aventureiros do trigo dos solidários, sejam o joio medíocres representações privadas ou trambiqueiras organizações não-governamentais. Segundo, porque o próprio estatuto do Fórum, este sim devidamente &#8220;sem fins lucrativos&#8221;, impede ações ética e moralmente danosas de eventuais associados mal-intencionados. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">De qualquer modo, trata-se apenas de um artigo obtuso à desejada elasticidade do conceito de cidadania e que deverá figurar como peso morto num conjunto jurídico harmonioso.</span></p>
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		<title>Elevador vazio</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 12:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivêssemos de fato numa democracia comprometida com a cidadania os secretários municipais não seriam tão desconhecidos e seus pensamentos e idéias não ficariam aquartelados nos respectivos Paços Municipais. Por isso, a permanente exposição de conhecimento e proposições de Jefferson José da Conceição, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo, é algo a comemorar. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Vivêssemos de fato numa democracia comprometida com a cidadania os secretários municipais não seriam tão desconhecidos e seus pensamentos e idéias não ficariam aquartelados nos respectivos Paços Municipais. Por isso, a permanente exposição de conhecimento e proposições de Jefferson José da Conceição, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo, é algo a comemorar. Seus artigos no site do ABCD Maior são sempre uma oportunidade de instalar a regionalidade em primeiro plano. Por mais que, aqui ou ali, enunciados não confluam na mesma direção da experiência deste jornalista. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Uma das condições inegociáveis para que os prefeitos locais definissem quadros de primeiro escalão como símbolo de transparência e de comprometimento de fato com os interesses municipais e do Grande ABC, independente da origem domiciliar dos escolhidos, deveria ser, entre outras iniciativas, a obrigatoriedade formal de exposição dos objetivos e propostas tanto na forma escrita, nos veículos de comunicação, como em encontros pessoais com representantes da sociedade. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O que um secretário municipal pensa ou pretende fazer não pode ser politicamente uma decisão unilateral, por mais autonomia técnica que o cargo lhe confere. Infelizmente, entretanto, participamos de uma ficção, porque sociedade não passa de individualidades que olham para o próprio umbigo e, quando se reúne em forma de grupos, provavelmente está tramando interesses corporativos legítimos, mas corporativos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O mínimo que se poderia esperar de uma sociedade madura, inquieta com o quadro regional e decidida a participar de mudanças seria a pré-disposição ao entrechoque de idéias em eventos que jamais poderiam derivar para conteúdos de espetacularização. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É impossível que transformações sociais e econômicas se precipitem de fato se o ambiente de camaradagem improdutiva continuar senha de bons relacionamentos. O Grande ABC é uma imensa cristaleira cujos ocupantes movem-se com extremo cuidado verbal e funcional para não ferir suscetibilidades.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tem-se a impressão de que um leve toque de exceção que infrinja o politicamente correto abalará a carreira do pecador. Os reformistas são sempre mal vistos pelos conservadores. No Grande ABC, particularmente por conta da metamorfose econômica das duas últimas décadas, um sopro sequer de contestação é visto como insubordinação. Gestos ou ações mais ousadamente indignados, então, são execrados nos corredores do poder e nos ambientes mais estilizados, quando não etilizados.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É nesse ponto que o secretário Jefferson José da Conceição incorpora-se ao espírito de uma nova regionalidade. Mesmo com os naturais exageros de um dirigente público que enaltece por demais o histórico acanhadíssimo da Câmara Regional de Desenvolvimento Econômico, como no artigo que assina em conjunto com a secretária Nádia Somekh, de Planejamento Urbano e Ação Regional de São Bernardo, Jefferson da Conceição deve ser visto como exemplo aos demais secretários municipais da região. Ele está se posicionando para valer em várias questões econômicas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tanto que defende a perspectiva de que depois do Seminário ABC do Diálogo e do Desenvolvido, realizado semana passada em  São Bernardo, as portas para a reformatação da Câmara Regional ficaram escancaradas. Ele observa que depois de 12 anos da iniciativa de Celso Daniel, avalizada por Mário Covas, de reunir diferentes agentes públicos, sociais e econômicos num mesmo grupo, a retomada da Câmara Regional torna-se bastante oportuna, &#8220;em face da revigorada disposição dos atores sociais em unir esforços para enfrentamento dos impactos da crise financeira internacional, devendo partir do que se acumulou de conhecimento sobre a região&#8221;&#8211; escreveu Jefferson. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Gostaria muito de acreditar nessa possibilidade, mas, escaldado por passado de desilusões integracionistas, prefiro esperar sem me negar, jamais, pelo contrário, a ponderações que possam colaborar com as propostas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A Câmara Regional forma com a Agência de Desenvolvimento Econômico e o Clube dos Prefeitos um triunvirato institucional que lembra a anedota envolvendo três obesos mórbidos que pretendiam subir ao mesmo tempo pelo elevador que, tecnicamente, não comportava mais que um. O leitor que está imaginando que o trio entrou em acordo para chegar ao andar desejado, acreditando na possibilidade de reconhecimento da importância relativa de cada um, não conhece as entranhas institucionais do Grande ABC. A disputa de verdade é para ver quem sobe primeiro, enquanto o elevador vazio não se move. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Seria ótimo se as partes se entendessem e chegassem à conclusão que as características da Câmara Regional são prevalecentemente mais importantes tanto agora como quando foi concebida e que, portanto, a hierarquia de uso do elevador não poderia ser contestada. O que esperar, entretanto, de uma instituição, no caso da Câmara Regional, que abdica da própria configuração com que foi concebida? Ou alguém tem dúvidas sobre a vacuidade dos representantes do governo do Estado, a começar pelo governador de plantão depois da morte de Mário Covas?</span></p>
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		<title>Maratona salvacionista</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 13:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É claro que os resultados interessam muito. E mesmo sem acreditar messianicamente no imediatismo de resoluções de eventos maratonísticos como esse que está programado para os dias 11 e 12 de março em São  Bernardo, sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, não há como deixar de inserir a programação entre os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É claro que os resultados interessam muito. E mesmo sem acreditar messianicamente no imediatismo de resoluções de eventos maratonísticos como esse que está programado para os dias 11 e 12 de março em São  Bernardo, sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, não há como deixar de inserir a programação entre os pontos positivos da temporada institucional que se abre no Grande ABC. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Afinal, estamos sob os efeitos da ressaca internacional que ainda não alcançou e possivelmente não alcançará o Brasil com a força destrutiva que atingiu Estados Unidos, Europa e parte da Ásia. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Exceto algumas cartas previamente reservadas na manga da camisa de resolutividade e que, portanto, independem do seminário, o que teremos será um acontecimento agregador de valor para o Grande ABC. Teremos a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata petista à sucessão de Lula da Silva, e provavelmente o outro favorito, ou o agora principal favorito à disputa de 2010, o governador José Serra. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Não acredito que o governador do Estado vá ver chifre partidário na cabeça de cavalo do seminário &#8220;O ABC do Diálogo e do Desenvolvimento&#8221; e, por isso mesmo, seja aconselhado a ausentar-se. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promete dois dias de muitos estudos e decisões fora de qualquer bitola eleitoral. Vá lá que não seja tudo isso, porque é impossível desvincular o jogo ideológico e partidário de eventos com essa característica, à direita ou à esquerda, mas daí a sugerir que José Serra preferiria mandar um representante vai muita diferença. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Possivelmente ninguém vai chegar ao ponto de dizer para o governador que tanto ele como seus antecessores, tucanos e não-tucanos, jamais encaixaram um golpe certeiro na gestão da pasta de Desenvolvimento Econômico do principal Estado brasileiro. Há muito São Paulo perde participação absoluta e relativa no PIB (Produto Interno Bruto) do País. O Grande ABC da metamorfose econômica (série que comecei a escrever esta semana) comeu o pão que o diabo amassou nos anos 1990. O Palácio dos Bandeirantes assistiu a tudo como a Januária de Chico Buarque. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Verdade seja dita que, até a chegada de Lula da Silva a Brasília, também o governo federal comportou-se com indiferença olímpica em relação ao Grande ABC, para muitos a Terra Prometida que jamais esgotaria o filão de riqueza industrial. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tomara que as declarações do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, Sérgio Nobre, não sejam apenas palavras de ordem. Disse ele que &#8220;este não é um seminário para diagnósticos, mas de anúncios; queremos divulgar medidas e iniciativas a partir desse debate&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Menos mal, menos mal. Mas não seria inapropriado que o seminário também fosse de diagnósticos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Grande ABC não consegue deflagrar plano de vôo compatível com os próprios tropeços desde meados da última década do século passado. Tudo se deu no âmago da Câmara Regional de Desenvolvimento Econômico. Celso Daniel e Mário Covas assumiram para valer a liderança de uma institucionalidade que se esvaiu logo em seguida.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Cansei de escrever que ao Grande ABC falta o que chamo de Planejamento Econômico Estratégico, elaborado por gente que entende de regionalidade e metropolização sob conceitos internacionais. Os dramas e as soluções são semelhantes nestes tempos de globalização. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Não será o seminário programado para São Bernardo que recuperará e atualizará o passivo deixado pela Câmara Regional, embora possa, sem dúvida, reoxigenar e reciclar algumas medidas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Por isso que, mesmo entendendo as prioridades do momento, que independem de diagnósticos mais sofisticados e estruturais, não custa nada manter acesa a aproximação de contrários nos campos social, econômico e político, de modo a constituir calendário de eventos que possibilitem, na sequência, a retomada de estudos e, finalmente, de propostas factíveis. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Grande ABC não está num mato sem cachorro como os espanhóis, por exemplo, que nadaram de braçadas com as vantagens repassadas pela União Européia e a fartura de crédito internacional, mas também está bem distante de qualquer análise que retire o sinal vermelho do horizonte mais próximo.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Tanto é verdade que o seminário vem aí.</span></p>
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		<title>Corrida desenfreada</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 13:11:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Da inação disfarçada de reconstrução em período eleitoral improdutivo, caso do ano passado, a institucionalidade do Grande ABC corre o risco de ingressar na areia movediça da afobação em período de abertura da temporada de nova gestão pública em janeiro. 
Nada pior como resposta aos tempos bravios de agora, menos bravios do que imaginavam e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Da inação disfarçada de reconstrução em período eleitoral improdutivo, caso do ano passado, a institucionalidade do Grande ABC corre o risco de ingressar na areia movediça da afobação em período de abertura da temporada de nova gestão pública em janeiro. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nada pior como resposta aos tempos bravios de agora, menos bravios do que imaginavam e até comemoravam os oposicionistas do governo Lula da Silva, de olho nas eleições do ano que vem. Em contraposição, estes tempos também estão longe da marolinha projetada pelo ex-torneiro mecânico ouvido nos primórdios dos estragos do sub-prime no front norte-americano. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Por mais que seja perdoável que após a escassez se tenha surto de abundância, o bom senso indica que a calibragem é o melhor remédio, até porque, como se sabe, quando se erra na dose o que é salvador pode se tornar mortal. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Querem ver como o açodamento prevalece? </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Clube dos Prefeitos está convocando os secretários de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC para ação conjunta à aplicação de políticas no combate à crise internacional que afeta os indicadores econômicos e sociais da região. Os sindicatos de metalúrgicos anunciam que vão procurar o governador José Serra para trazê-lo de volta ao cooperativismo de planejamento à mais que moribunda, à já falecida Câmara Regional. Secretários municipais anunciam isoladamente medidas de contenção dos impactos da crise nos respectivos territórios, reduzindo a força e a repercussão de iniciativas conjuntas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Notaram que há sobreposição que poderia também ser entendida como afobação institucional do Grande ABC? </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A proposta de José Auricchio agora à frente do Clube dos Prefeitos é racionalmente a mais compatível com o espírito de regionalidade, com a proximidade com o governador do Estado e também com a hierarquia institucional. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O convite para José Serra e secretariado voltarem a compor a Câmara Regional, importante instância da árvore genealógica da integração dos anos 1990, poderia ter partido do prefeito de São Caetano. Mas foram os metalúrgicos que o fizeram. Os representantes dos trabalhadores poderiam ter assegurado a autoria da iniciativa sem atropelar o Clube dos Prefeitos. A solicitação chegaria ainda mais consistente ao governador. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Talvez a melhor sugestão neste momento seja o Clube dos Prefeitos reunir-se virtualmente sob uma coordenação desembaraçada e prospectiva para deliberações que não podem esperar, passando-se em seguida para encontros presenciais, quem sabe com representantes de outros espectros sociais e econômicos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Desta feita, como se observa, o Grande ABC parece reunir um grupo disposto até em excesso para jogar o jogo de propostas e resoluções. O preço de eventuais caneladas diplomáticas pode colocar tudo a perder. O quadro nacional e internacional não abre espaço para barbeiragens, mas mesmo assim ainda é preferível essa nova realidade, sempre possível de superações, do que a pasmaceira demarcatória do período pós-morte de Celso Daniel.</span></p>
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		<title>Sindicalismo à frente</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 13:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sindicalismo do Grande ABC, especificamente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, mais focadamente ainda dos metalúrgicos sob inspiração de Lula da Silva, dá novos sinais de maturidade. Depois de abusar nas reivindicações nos anos 1980 e de comer o pão que o diabo amassou durante o governo Fernando Henrique Cardoso, prepara-se para ressurgir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O sindicalismo do Grande ABC, especificamente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, mais focadamente ainda dos metalúrgicos sob inspiração de Lula da Silva, dá novos sinais de maturidade. Depois de abusar nas reivindicações nos anos 1980 e de comer o pão que o diabo amassou durante o governo Fernando Henrique Cardoso, prepara-se para ressurgir como força institucional além-fronteiras corporativas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Os agentes econômicos empresariais não poderiam deixar passar em branco essa iniciativa. Mais que isso: deveriam engrossar a massa crítica de suporte e compartilhamento de ações. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Resta saber se dirigentes empresariais da região estão prontos para juntar-se aos sindicalistas numa empreitada que só tomará a forma de excessos partidários e ideológicos se houver desequilíbrio ou egoísmo entre os participantes. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Trata-se do seguinte: os metalúrgicos liderados pela base de São Bernardo, fortemente influenciada pelo setor automotivo e pela administração Luiz Marinho, querem que o governo do Estado deixe o muro do voyeurismo e seja igualmente protagonista da ressurreição da Câmara Regional. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A Câmara Regional é uma das instâncias criadas em meados dos anos 1990 que contaram com a inspiração do então prefeito de Santo André, Celso Daniel e fiéis escudeiros, muitos dos quais, agora, espalhados por prefeituras petistas da região, sobretudo São Bernardo. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">À época, Celso Daniel e o governador Mário Covas mantinham proximidade suficiente para orquestrar modelo de parceria de planejamento, de projetos e de decisões. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Lamentavelmente, mesmo antes da morte de Mário Covas e de Celso Daniel a Câmara Regional virou ficção. Divisionismo partidário e excessos de ego contrapuseram à unidade pretendia. Sem contar que se organizou uma agenda tão monstruosamente megalomaníaca quanto inviável, porque provocou refluxo no entusiasmo de quem se deixou soterrar pelas dificuldades operacionais que subiram o andar de complicações pelo elevador, enquanto o engajamento pragmático mal alcançou as escadas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Gente sem o menor senso do ridículo e sem o mínimo conhecimento regional andou propagandeando nos últimos anos desempenho de uma inexistente agenda da Câmara Regional na tentativa de justificar ação institucional que há muito virou pó no Grande ABC. A Câmara Regional surgiu sob o signo da interatividade entre agentes públicos, privados e sociais. Não passou de blefe. Quando reproduzirmos no site de CapitalSocial (em fase de preparação) as matérias que publicamos ao longo dos anos sobre a Câmara Regional, os leitores terão a dimensão de tudo isso. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Agora os metalúrgicos ligados ao Partido dos Trabalhadores querem retomar os melhores momentos daquela trajetória interrompida. Sem o governo do Estado e seus secretários, tudo fica mais difícil. O comprometimento do principal dirigente político do Estado e do respectivo secretariado, conforme prevê o estatuto, só é menos importante que a adesão informal mas essencial do governo federal. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Se do governo Lula da Silva se pode esperar tudo, ou quase tudo, quando se trata de questões do Grande ABC e, principalmente, de Luiz Marinho, de Serra há a expectativa de que as eleições presidenciais do ano que vem o tornarão mais suscetível a percorrer um terreno dividido entre tucanos e petistas.</span></p>
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		<title>100 metros e maratona</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 13:22:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Valeria a pena o novo presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, José Auricchio Júnior, de São Caetano, solicitar dos demais chefes de governos municipais a convocação dos respectivos secretários de Desenvolvimento Econômico para discutir a situação da região nestes tempos em que a vaca da indústria automotiva pode não estar indo para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Valeria a pena o novo presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, José Auricchio Júnior, de São Caetano, solicitar dos demais chefes de governos municipais a convocação dos respectivos secretários de Desenvolvimento Econômico para discutir a situação da região nestes tempos em que a vaca da indústria automotiva pode não estar indo para o brejo, mas já não pasta nos verdes campos do consumismo desenfreado?</p>
<p>É claro que valerá a pena. É claro que sim.</p>
<p>Para começo de conversa, José Auricchio sinaliza com uma pauta regional explícita e providencial quando, até então, parecia enveredar por caminhos tortuosos de Educação, Transporte e Saúde, temários que podem e são importantes, mas não estão na ordem do dia.</p>
<p>Posso estar enganado, talvez até esteja, mas seria esta a primeira vez na história que secretários de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC se sentariam à mesma mesa para debater problemas em comum, porque a crise coloca todo mundo no mesmo saco.</p>
<p>Espera-se que nem um nem outro se ausente (há gramáticos que sugerem &#8220;nem um nem outro se ausentem&#8221;, no plural), porque aí seria o cúmulo do descaso.</p>
<p>Agora, esperar que esse encontro seja um divisor de águas para a economia do Grande ABC e que, portanto, nadaremos de braçadas contra a recessão que arrombou as portas do País, é acreditar em Papai  Noel.</p>
<p>(Vejam, a propósito, um trecho do texto que escrevi para este blog sob o título &#8220;Malemolência Regional&#8221;, em 14 de setembro de 2007: &#8220;O Clube dos Prefeitos com que sonho não pode se deixar levar pelas circunstâncias de demandas. Haveria de ter o Clube dos Prefeitos planejamento estratégico com suporte da comunidade mais pensante da região (&#8230;) em conjunto com prefeitos e secretários municipais, e também com o respaldo de consultoria especializada em competitividade)</p>
<p>Não temos massa crítica para mudar os rumos da macroeconomia globalizada. Teremos baixíssima influência nas mudanças indispensáveis no quadro regional, nacional e internacional.</p>
<p>Mas mesmo assim o encontro vale a pena porque, quem sabe, algumas escolhas saltem aos olhos de todos e, mesmo que a disputa dos 100 metros rasos de emergências que estão aí não seja minimamente competitiva, poderemos nos organizar para maratonas.</p>
<p>Aliás, se tivéssemos pensado coletivamente há muito mais tempo, há mais tempo também estaríamos disputando uma maratona que nos daria mais fôlego e alternativas para a prova de 100 metros rasos de agora.</p>
<p>O problema da institucionalidade do Grande ABC, que passa obrigatoriamente pelo Clube dos Prefeitos, instância criada em 1990, é que jamais ninguém levou a sério um convite ou uma convocatória como a que José Auricchio Júnior formulou ao tomar posse.</p>
<p>O momento de pânico que atinge em cheio a administração pública municipal, dependente em larga escala de repasses do governo estadual e, complementarmente, do governo federal, ajuda a aproximar os diferentes.</p>
<p>Estamos todos no mesmo barco automotivo que aderna após longa temporada de sucesso de público e bilheteria.</p>
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		<title>Xeque-mate na apatia?</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 13:34:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito pouco provável que com a abertura da sexta rodada de prefeitos eleitos no Grande ABC desde que regionalidade ganhou foro institucional o municipalismo exacerbado abra espaço para ações coletivas que alterem o quadro dos sete municípios locais, responsáveis por um dos maiores conglomerados humanos do País, de 2,6 milhões de habitantes. 
É simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É muito pouco provável que com a abertura da sexta rodada de prefeitos eleitos no Grande ABC desde que regionalidade ganhou foro institucional o municipalismo exacerbado abra espaço para ações coletivas que alterem o quadro dos sete municípios locais, responsáveis por um dos maiores conglomerados humanos do País, de 2,6 milhões de habitantes. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É simples a explicação para essa projeção cimentada pela história: a pressuposta sociedade organizada há muito tempo demonstra apatia generalizada, com repentes circunstanciais de inquietação. Nada que se sustente com um mínimo de massa crítica. Sociedade organizada é expressão que identifica pessoas físicas e jurídicas envolventes como agentes de transformações.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">No caso do Grande ABC, sociedade organizada é apenas força de expressão que se manifesta, quando se manifesta, apenas corporativamente, ou seja, nos próprios limites temáticos. O sentido de coletivismo é quimera. A cultura verde-amarela de semelhantes se juntarem para se proteger ou buscar vantagens é transplantado sem retoques para o microcosmo regional. E provavelmente com doses suplementares de provincianismo e drama. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nenhuma região brasileira passou por tantos percalços como o Grande ABC nos anos 1990. A estrutura social foi fortemente abalada pela reconfiguração econômica provocada pela guerra fiscal e por uma abertura de portos que atingiu em cheio o núcleo da riqueza local &#8212; a indústria automotiva. O início de novo ciclo de chefes de Executivos, agora com quatro novatos que se somam a três reeleitos em outubro do ano passado, não assegura que o futuro será diferente do passado. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Muito pelo contrário. A tendência dos novos prefeitos é voltar-se prioritariamente para o próprio quintal eleitoral que os consagrou, entre outros motivos porque é assim que o eleitorado os enxerga e é assim que procuram sobreviver politicamente. Os prefeitos reeleitos provavelmente vão tratar de semear trajetória de sucesso local para aplicar em planos futuros, como deputados, principalmente, e um retorno às prefeituras, mais tarde. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A carência de cultura de valorização da regionalidade é um dos rescaldos de movimento deflagrado em meados do século passado, que tratou da emancipação política e territorial dos municípios. O Grande ABC de sete municípios que se misturam fisicamente, mas se mantêm separados administrativamente não consegue fazer jus ao conceito de região quando se colocam na balança de avaliações critérios básicos que se resumem numa única palavra: participação. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Por isso a constatação de que os prefeitos são invariavelmente aprovados nos respectivos municípios, mas fracassam como articulistas regionais não são intolerância e exagero. Como região, o Grande ABC é muito menor que a soma dos sete pedaços que o compõem. É uma espécie de bicho-de-sete-cabeças indecifrável para quem não tem intimidade com a história local, mas absolutamente identificável para quem segue os passos de sua institucionalidade. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nessas duas décadas em que o Grande ABC se descobriu teoricamente uma região, Celso Daniel se converteu no principal condutor do processo de sensibilização de políticos, mídia e sociedade sobre as vantagens de construir agenda para mobilizações extraterritoriais. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">As instituições que emergiram na região nos anos 1990 tiveram o cérebro e o entusiasmo de Celso Daniel à frente, casos do Clube dos Prefeitos, da Agência de Desenvolvimento Econômico e da Câmara Regional. O Fórum da Cidadania, mobilização de agentes sociais e econômicos, foi uma resposta ao Clube dos Prefeitos à qual Celso Daniel não se opôs. Pelo contrário: pretendia abrir o Clube dos Prefeitos para a comunidade numa espécie de Conselho Consultivo. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Antes mesmo de morrer no começo deste século, em janeiro de 2002, Celso Daniel abrandara o ímpeto regionalista. Compreendeu que se comportava como solitária ovelha integracionista desgarrada do exclusivismo das demais. Celso Daniel descobriu por volta de 2000 que estava sozinho entre os prefeitos no palco da integração regional. Símbolo maior da cada vez mais utópica busca de uma regionalidade que se esvai no autarquismo municipalista, o Clube dos Prefeitos é uma fortaleza política e partidária sem a correspondente profundeza institucional e principalmente organizacional. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Criado em dezembro de 1990, a entidade chegou à maioridade apenas temporal, porque é principiante em resoluções que de fato amarrem num mesmo poste de comprometimento os objetivos básicos de um Grande ABC sem capacidade de agir e reagir estrategicamente. Atribuir grandes avanços ao Clube dos Prefeitos desde a primeira safra de chefes de Executivos que o conceberam é exagero verbalizado publicamente apenas para dar satisfação ao distinto público. Intramuros, sobram lamentações e críticas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Clube dos Prefeitos é um depósito de idéias e sugestões que entopem o terreno da verborragia fácil e farta de administradores públicos que ocuparam a presidência de forma rotativa e também dos demais que geralmente fingiram que se dedicaram às causas regionais. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Clube dos Prefeitos é um simulacro de mobilização dos chefes de Executivo porque, de fato, quem mais trabalha, quem mais se dedica e quem se esfalfa em busca de algumas iniciativas concretas é o prefeito-presidente da vez. Que, em seguida, quando substituído, recolhe-se como figurante e volta-se à Prefeitura à qual foi eleito. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O presidencialismo do Clube dos Prefeitos é o pecado original que espalha metástase do divisionismo negado em discursos mas consumado no dia-a-dia da instituição. Em praticamente duas décadas de atuação do Clube dos Prefeitos, o saldo de realizações é pífio. Alguns falseadores dos fatos procuram atribuir à organização conquistas que passaram bem longe de ações coletivas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A conclusão do Hospital Mário Covas é uma dessas manipulações tanto quanto o Hospital Serraria, em Diadema. Até mesmo o trecho sul do Rodoanel é avocado como obra do Clube dos Prefeitos. Nada mais enganador. Foram mobilizações partidárias grupais, de representações próximas do governo do Estado, que resultaram nessas obras. Tanto quanto a criação da Universidade Federal do Grande ABC, consequência do lobismo petista regional no governo de Lula da Silva. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O aumento da capacidade de produção do Pólo Petroquímico de Capuava teve atuação direta dos grupos empresariais. O trecho sul do Rodoanel conta com um representante do Grande ABC mais atuante, no caso o deputado estadual Orlando Morando. Uma verdade que comprova a flacidez do Clube dos Prefeitos. As obras do trecho sul só foram iniciadas bem depois da conclusão do trecho oeste, na região da Grande Osasco. Não se tratou de medida cronologicamente técnica, mas político-partidária. Os prefeitos do Grande ABC não tiveram força coletiva para inverter a decisão do governo do Estado. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Ao iniciar a megavia pela região de Osasco, o Grande ABC se viu duramente prejudicado com o deslocamento de dezenas de empresas e investimentos à zona oeste. O trecho sul chega com atraso de pelo menos uma década. Tivesse sido iniciado em meados dos anos 1990, teria amenizado a catástrofe do governo Fernando Henrique Cardoso, que abriu apressadamente a economia e provocou rombo de um terço no PIB (Produto Interno Bruto) do Grande ABC. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">É muito provável que não se repita na história regional cenário mais propício para a evolução do conceito e das benfeitorias materiais de regionalidade do que os últimos seis anos, coincidentemente sob a presidência de Lula da Silva, esculpido nas disputas sindicais em  São Bernardo. Os últimos seis anos foram de prosperidade compulsória para o Grande ABC. A doença holandesa da indústria automotiva foi totalmente restauradora, com recordes de produção. Doença holandesa é expressão rebocada da dependência de determinada atividade econômica. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O Grande ABC é Indústria Automotiva Futebol Clube. Para o bem e para o mal. No caso dos últimos seis anos, foi para o bem da economia e de ajustes sociais, mas sem infiltração institucional. O Clube dos Prefeitos seguiu a lengalenga de fingimento produtivo. A Agência de Desenvolvimento Econômico, filhote do Clube dos Prefeitos, vive de esqualidez orçamentária na organização de Arranjos Produtivos Locais com resultados limitados. A Câmara Regional foi desativada de fato. O governador do Estado, suposto comandante, nem dá mais as caras em cerimônias de posses que se esvaíram ao se tornarem peças do anedotário institucional. O ajuntamento de autoridades locais e estaduais e da sociedade regional num mesmo compartimento não superou a barreira dos primeiros anos, com Celso Daniel e Mário Covas ainda vivos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Agora que a biruta da economia internacional virou e sobra tempestade para todos os lados, é difícil ao menos supor que o Grande ABC despertará da letargia e que, por extensão, os dirigentes públicos se ocuparão de outra causa senão dos próprios eleitores que os colocaram nos respectivos paços. Em situações como essa o espírito autárquico recrudesce. Salvar a própria lavoura é palavra de ordem. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O prefeito Luiz Marinho não abdica de questões regionais mas já deixou claro que não se meterá em encrenca. Entenda-se como encrenca a disputa da presidência do Clube dos Prefeitos. Marinho é a principal autoridade municipal do Grande ABC aos olhos de quem reconhece que essa avaliação não se concentra em dotes pessoais. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O peso orçamentário, político e eleitoral de São Bernardo são infinitamente maiores que o de qualquer outro Município da região. Sobretudo agora que se avizinham eleições para o governo do Estado e a presidência da República. Marinho, menina-dos-olhos do presidente Lula, é observado com lupas tanto por parceiros quanto por adversários. Tudo que se passar em São Bernardo nos próximos dois anos será transposto às eleições majoritárias. Ampliar o foco para problemas regionais, assumindo a responsabilidade de encontrar saídas que costumam demorar, desgastaria o ex-ministro da Previdência Social e do Trabalho. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Quem tem mesmo mais condições de assumir a presidência do Clube dos Prefeitos e imprimir ritmo satisfatório pelo menos como disseminador de alguns conceitos e obras é José Auricchio Júnior, reeleito em  São Caetano e, portanto, com olhos postos além dos 15 quilômetros quadrados e 90 mil eleitores locais. Marcar presença em outros municípios significa muito para José Auricchio Júnior, cuja juventude o embala a retomar o Paço Municipal depois de provavelmente fazer o sucessor em 2012. E somente com os votos de São Caetano é praticamente impossível acalentar o sonho de ocupar uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Nesse ponto, o resultado final das eleições de outubro deixou José Auricchio Júnior e extensivamente tucanos e aliados em situação confortável. A vitória de Aidan Ravin evitou que o PT dos vencedores Luiz Marinho, Mário Reali e Oswaldo Dias fizessem maioria no Clube dos Prefeitos. Com Auricchio, Aidan, Clóvis Volpi e Kiko Teixeira, tucanos e assemelhados ganham a disputa por um voto de diferença. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Podem ter o controle estratégico do Clube dos Prefeitos em situações especiais, de acordo com nuances do calendário eleitoral. A contabilidade do Clube dos Prefeitos é matematicamente simples. Cada município tem um voto. Se fossem considerados números de eleitores representados ou dos respectivos PIBs, os petistas Luiz Marinho, Oswaldo Dias e Mário Reali reuniriam 70% do Grande ABC. Esses critérios jamais foram levados em conta, fosse qual fosse a combinação partidária dos eleitos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">A reformulação do Clube dos Prefeitos estaria, entretanto, longe dos tentáculos político-eleitorais. O modelo morreu de morte morrida. O presidencialismo dá consistência a rupturas e ciúmes. A participação de organizações da sociedade numa instância de consultoria daria ares democráticos a decisões sempre tomadas entre quatro paredes. A integração de secretarias municipais cujos titulares se manifestariam diretamente em questões que envolvam mais de um Município daria racionalidade à pauta. Enfim, não faltam mecanismos para dinamizar um organismo debilitado pela própria característica centralizadora dos prefeitos.</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O que pode fazer a diferença mesmo e estabelecer conceitos gerenciais e técnicos que embalariam os resultados é a contratação e manutenção além do calendário eleitoral de um quadro de técnicos experientes em questões metropolitanas. É natural que na maioria dos casos os prefeitos do Grande ABC contem com assessores especializados nos respectivos territórios. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O olhar regional, metropolitano, nacional e mesmo internacional de soluções que envolvem o coletivismo municipal é exercido principalmente por quem ultrapassa os limites territoriais mais próximos. Essa retaguarda, com que o Clube dos Prefeitos jamais contou, poderia ajudar a fazer a diferença entre pensar de forma provinciana e agir de maneira cosmopolita. Para isso, entretanto, não existe alternativa senão compreender a importância estratégica do Clube dos Prefeitos como agente de transformações, não de egocentrismo com prazo presidencial de validade, como se consolidou em 18 anos. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Que adianta um prefeito, qualquer um dos prefeitos, acrescentarem ao currículo a presidência do Clube dos Prefeitos se a instituição é uma marca desgastada, sem valor de face, com baixa credibilidade? Provavelmente os assessores especiais que esquadrinhariam o Clube dos Prefeitos nas medidas estratégicas não cometeriam o erro de antecessores pouco experientes que listaram dezenas de ações e mal deram conta de algumas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">O maior problema para uma organização pública com as características do Clube dos Prefeitos que demora a apresentar resultados, depois de criar expectativa de soluções mirabolantes, é o choque de realidade. O bom senso e a engenharia organizacional recomendam que um máximo de seis propostas seja elencada e rigidamente perseguido por forças-tarefas especializadas. </span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana;">Dessa forma, os resultados aparecem, gera entusiasmo, autoconfiança, solidariedade e empenho em cadeia. Daí, novas proposições, sempre em número reduzido e hierarquizadas com base na conjuntura regional, acabarão igualmente superadas.</span></p>
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		<title>Bicho-de-sete-cabeças</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 09:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esse bicho-de-sete-cabeças que faz de conta que é integrado, que joga para a platéia que tem disposição para o desprendimento cooperativista, que faz encenação de que está de fato preocupado com o legado do maior dos regionalistas destas plagas, o então prefeito Celso Daniel, esse bicho-de-sete-cabeças tem a possibilidade senão de acertar o passo, pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse bicho-de-sete-cabeças que faz de conta que é integrado, que joga para a platéia que tem disposição para o desprendimento cooperativista, que faz encenação de que está de fato preocupado com o legado do maior dos regionalistas destas plagas, o então prefeito Celso Daniel, esse bicho-de-sete-cabeças tem a possibilidade senão de acertar o passo, pelo menos de parar de descambar no individualismo genocida do municipalismo autárquico.</p>
<p>As eleições que estão se aproximando e que deverão pintar nas cores de sempre, o azul dos tucanos e o vermelho dos petistas, são uma grande oportunidade, mais uma por sinal, de uma conversão à regionalidade que saia do corredor de horrores manjadíssimo da hipocrisia pura e simples de jogar para a platéia embasbacada pelo desconhecimento da realidade institucional.</p>
<p>As individualidades de um Grande ABC transbordante de talentos corporativos governamentais, empresariais e sociais não podem ser maiores que o todo do Grande ABC, porque tem sido permanentemente assim ao longo de décadas e seguirá assim pelas próximas décadas se vozes mais austeras, menos subservientes, mais ácidas, não se manifestarem.</p>
<p>As individualidades de um Grande ABC transbordante de talentos corporativos governamentais, empresariais e sociais não podem ser maiores que o todo do Grande ABC porque têm se provado contraproducentes ao futuro já que quando se contabilizam ações fragmentadas o que se encontra de fato é que tanto as individualidades acabam sufocadas pela falta de ressonância quanto o coletivo acusa os golpes do distanciamento das partes que lhe dariam maior respaldo.</p>
<p>Esse jogo de palavras e de sentidos que se interpenetram talvez seja de difícil compreensão numa leitura rápida, por isso sugiro aos leitores que retrocedam os olhos, voltem aos parágrafos anteriores, respeitem a acrobacia voluntária a que impus este texto porque o que quero mesmo é confundir para me fazer entender, já que estou cansado de simplificar e provocar confusão.</p>
<p>Tenho muitas dúvidas de que o Grande ABC que vai emergir das urnas de outubro em azul e vermelho será o Grande ABC uniformemente construtivista que há muito se faz necessário. Espero que os dirigentes públicos que estão na trincheira para abater o bicho-de-sete-cabeças me transmitam grandes notícias.</p>
<p>Longe de mim sugerir ou incentivar que novamente se estabeleça por aqui um Grande ABC metido a subjetividades semânticas que induzam o distinto público a acreditar que agora sim teremos uma convergência de interesses maior que a soma das partes. Não faço parte da turma da embromação, embora reconheça que, cansado e velho de guerra, tenha diminuído o grau de beligerância verbal e analítica nos últimos tempos, principalmente depois que percebi que enquanto cuidava de boiada arredia, descuidava das ovelhas.</p>
<p>O bicho-de-sete-cabeças a que me refiro tangencialmente no ensaio que preparei para a nova versão do livro Nosso Século XXI não pode seguir na trilha da ensebação inútil porque dessa forma vai continuar sendo um bicho-de-sete-cabeças, nova metáfora que aplico aos sete municípios depois de imprimir aquela que é provavelmente a marca mais esclarecedora do cromossomo regional, ou seja, o Complexo de Gata Borralheira.</p>
<p>Até quando faremos jus tanto a uma quanto a outra identificação que só é de azedume para irresponsáveis que preferem o jogo da procrastinação em proveito próprio porque se dão muito bem na geografia regional por conta de habilidades para transformar negócios em dinheiro mas que, geralmente, perdem a noção do coletivismo e da exclusão social que os rodeiam e que mais dia menos dia atingem a todos?</p>
<p>Escrevi de propósito este texto com parágrafos um pouco mais compridos do que deveria porque quero forçar os leitores a retomarem a leitura diante de eventual dificuldade de compreensão parcial ou total do enunciado preparado em não mais de 10 minutos em meu escritório domiciliar, uma tarefa a que me lancei porque me conheço o suficiente e sei que ao desopilar as digitais me alivio de certas dores e jogo a batata quente do desabafo na consciência daqueles que me acompanham.</p>
<p>Vocês todos que se virem para captar a mensagem. Voltarei ao bicho-de-sete-cabeças qualquer dia desses. Mais que isso: vou construir um ensaio sobre o bicho-de-sete-cabeças. Só não sei o dia, porque estou correndo do prejuízo.</p>
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		<title>Ovo de Colombo</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 09:56:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Será que sob a liderança de possíveis prefeitos petistas da Grande São Paulo, candidatos às próximas eleições, finalmente vai ser possível colocar de pé o ovo de Colombo da metropolização gerencial de uma área geográfica tão fora de controle quanto um enxame de abelhas?
Tenho minhas reservas, por conta do histórico. Mas isso não significa que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Será que sob a liderança de possíveis prefeitos petistas da Grande São Paulo, candidatos às próximas eleições, finalmente vai ser possível colocar de pé o ovo de Colombo da metropolização gerencial de uma área geográfica tão fora de controle quanto um enxame de abelhas?</p>
<p>Tenho minhas reservas, por conta do histórico. Mas isso não significa que seja cético, completamente cético.</p>
<p>Haverá um momento em que sob a liderança de gestores públicos se tomará consciência de que viver numa metrópole como a Grande São Paulo é aventura cotidiana que nem de longe se assemelha a embrenhar-se por selvas colombianas sob a tutela das Farc.</p>
<p>Isso mesmo, porque com os guerrilheiros que acabaram de perder a cobiçadíssima Ingrid Bettancourt há pelo menos a garantia de que basta comportar-se bem para a vida não correr perigos extraordinários. Na Grande São Paulo comportar-se bem é uma ação unilateral demais diante da multiplicidade de riscos.</p>
<p>Menos mal que depois dos radares eletrônicos e da Lei Seca a roleta-russa de trafegar pela metrópole já não é tão constante.</p>
<p>Independentemente dos resultados das eleições de outubro, a ação pela metropolização de fato da Grande São Paulo deveria ser bandeira prioritária de pelo menos um partido político. Bastaria isso para provocar reação em cadeia das demais agremiações porque se há algo que se alastra entre competidores é a necessidade biológico-eleitoral de se replicarem. Não é preciso estar no poder, principalmente no poder da Prefeitura de São Paulo e do governo do Estado, para colaborar nessa cruzada.</p>
<p>Os sindicalistas que fizeram a revolução do capitalismo no Brasil a partir de São Bernardo são prova de que instâncias tradicionais têm peso relativo quando se pretende partir de fato para mudanças. A sociedade é amorfa por natureza neste País ainda sob os efeitos de colonizadores. Acredita-se no poder supremo do Estado e entrega-se a resolução dos problemas para algum momento do futuro.</p>
<p>A metropolização da Grande São Paulo praticamente está em compasso de espera há duas décadas porque falta vontade política aos detentores de poder e também porque a sociedade não se movimenta coordenadamente para mudar o jogo. Escrevo com a autoridade de quem mais textos produziu e induziu que se produzisse à revista LivreMercado sobre o assunto.</p>
<p>Os partidos políticos são menos atuantes às causas metropolitanas do que os transtornos das sazonais chuvas de verão, porque só se mobilizam em direção à sociedade a cada dois anos de eleições. As lideranças partidárias ocupam-se no restante do tempo em relações internas e também nos escaninhos do poder conquistado.</p>
<p>Quando deixarem o comodismo corporativo em que se instalaram e ampliarem os tentáculos, juntando-se à comunidade como um todo nas propostas mais emergenciais, descobrirão quanto tempo perderam ao consumirem-se intestinamente.</p>
<p>A iniciativa petista é uma ótima notícia, embora não seja original. Quando eleita prefeita em São Paulo, em 1996, Marta Suplicy anunciou um cinturão vermelho de dirigentes públicos para tratar de vários temários metropolitanos. Infelizmente, foi consumida pelo dia-a-dia de agendas pontuais, como tem ocorrido com governadores e prefeitos tucanos.</p>
<p>Metropolização é espécie de craque que não sai do banco de reserva de administradores públicos de diferentes instâncias. A lógica de racionalidade resolutiva indica e exige que seja não apenas o camisa 10, mas todo o time no gramado e também o conjunto do banco de reservas.</p>
<p>Não haverá soluções estratégicas para a Grande São Paulo se o jogo não for jogado por todo o time disponível.</p>
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		<title>Sociedade sem alma</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 10:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Liderança de verdade é isto: o presidente da Bridgestone Firestone no Brasil, o mexicano Humberto Gómez, afirma na Reportagem de Capa de LivreMercado de abril que a corporação que dirige precisa ganhar alma.
Sei lá a repercussão entre conservadores deste Grande ABC provinciano. Detenho informações sobre reações naquela corporação: o presidente foi muito bem compreendido. Mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Liderança de verdade é isto: o presidente da Bridgestone Firestone no Brasil, o mexicano Humberto Gómez, afirma na Reportagem de Capa de LivreMercado de abril que a corporação que dirige precisa ganhar alma.</p>
<p>Sei lá a repercussão entre conservadores deste Grande ABC provinciano. Detenho informações sobre reações naquela corporação: o presidente foi muito bem compreendido. Mais que isso: o presidente foi compreendido, respeitado e metabolizado. E os colaboradores entenderam o significado do recado.</p>
<p>Transponho a declaração do dirigente da segunda maior unidade mundial dessa multinacional de capital japonês para o ambiente da administração pública: já imaginaram se qualquer um dos prefeitos dos municípios da região dissesse o mesmo?</p>
<p>Seria um auê danado, porque invariavelmente poucos estão preparados para a crítica.</p>
<p>Está certo que Humberto Gómez pode dizer o que disse sem que alguém mais afoito o considere um falastrão porque estava se referindo a uma empresa que tem alcançado resultados operacionais, econômicos e financeiros extraordinários. A reestruturação pela qual passou a Bridgestone Firestone em Santo André é um case de sucesso em qualquer geografia mundial.</p>
<p>Mas é exatamente por isso que o mexicano que comanda a BF merece duplo aplauso: embora pudesse omitir o buraco mais que científico que suas antenas e uma consultoria especializada captaram na empresa, preferiu transformar o desvio em informação pública que longe está de macular a imagem da corporação.</p>
<p>Pelo contrário: ao balizar objetivos à frente da companhia, incluindo relacionamento interno e externo mais participativo, Humberto Gómez mandou também um recado a corporações e instituições de todos os gêneros: o automatismo funcional tanto no chão de fábrica quanto nas áreas de gerenciamento pode sim estabelecer uma cadeia de produção e de produtividade que lubrifique as engrenagens do negócio, mas não aquece o relacionamento pessoal intramuros e extramuros.</p>
<p>E, infelizmente, esse é o roteiro que fez do Grande ABC industrial senão uma selva de interpessoalidade, no mínimo um ambiente de omissão nos mais diferentes campos sociais. Quando muito, o que aqui instalamos ao longo de décadas foram grupelhos fechados, insensíveis ao conjunto da obra de esquartejamento da cidadania que é baixíssima e que só os incautos e despreparados endeusam. Pobres coitados: eles não conseguiram ao longo dos tempos entender que tudo não passava de corporativismo. De metalúrgicos a associações empresariais.</p>
<p>Já escrevi sobre as fragilidades institucionais do Grande ABC ao longo dos tempos. O livro &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221; é um chute bem dado nos fundilhos de um autarquismo municipalista que se agrava por conta da compartimentação dos mais diferentes agentes sociais, econômicos, culturais, acadêmicos e políticos. Somos um região que se deleita com a burrice do jogo de perdas contínuas, do jogo em que se parte e reparte e todos ficam com a menor parte.</p>
<p>O executivo Humberto Gómez chegou apenas recentemente ao Brasil, provavelmente desconhece minúcias da cultura regional, mas a mensagem que enviou à corporação que preside em Santo André é inspiradora à retomada da pauta da integração regional. Mas quem se preocupa com isso por aqui? Ainda mais em ano eleitoral!</p>
<p>Somos uma sociedade sem alma e, em relação à Bridgestone Firestone, perdemos de goleada porque aquela empresa é eficiente, gera riquezas, multiplica tributos.</p>
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		<title>Passes e caneladas</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 10:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O senador Aloizio Mercadante esteve esta semana no Grande ABC distribuindo passes sob medida e caneladas também.
O jornal eletrônico ABCD Maior fez a melhor cobertura das andanças do petista. Uma entrevista consta daquele sítio. Esperar de Mercadante discurso esterilizado de política partidária é como acreditar na possibilidade de Maurício Soares carregar Orlando Morando nos ombros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Aloizio Mercadante esteve esta semana no Grande ABC distribuindo passes sob medida e caneladas também.</p>
<p>O jornal eletrônico ABCD Maior fez a melhor cobertura das andanças do petista. Uma entrevista consta daquele sítio. Esperar de Mercadante discurso esterilizado de política partidária é como acreditar na possibilidade de Maurício Soares carregar Orlando Morando nos ombros na campanha eleitoral em São Bernardo.</p>
<p>Da mesma forma que o senador tem o direito de agarrar-se ao pedaço partidário avermelhado, aos jornalistas não engajados compete a responsabilidade de pelo menos pretender interpretar as declarações, de modo que os leitores tenham fontes de maior valor agregado para que possam construir conclusões.</p>
<p>Mercadante não exagera quando afirma que as descobertas recentes dos campos de petróleo e gás de Tupi, Júpiter e outros vão trazer grande alavancagem de petróleo. Mas procura agradar à região quando afirma: &#8220;O gás que vai subir por Caraguatatuba, pela Serra do Mar, vai trazer muito desenvolvimento e muito emprego para a Baixada Santista e será extensivo ao ABCD. As duas regiões estão cada vez mais próximas e integradas economicamente&#8221;.</p>
<p>Não é bem assim, senador, não é bem assim.</p>
<p>Grande ABC e Baixada Santista não têm planejamento algum para se integrar economicamente porque sempre se mantiveram distantes por estarem distantes, não porque alimentem idiossincrasias.</p>
<p>As tratativas do passado não passaram de promessas. Até mesmo o porto e as montadoras de veículos há muito tempo também se deram conta de que têm limites de interação.</p>
<p>Fala-se tanto em transformar áreas de proteção ambiental em São Bernardo em retroportos que o que mais se vê é expansão habitacional de gente excluída pelo mercado imobiliário.</p>
<p>Além disso, e sobre isso escreverei qualquer dia, se São Bernardo considerar que retroporto é a grande saída econômica para a área de mananciais, vai cometer um grande pecado com as próximas gerações.</p>
<p>Induzido pela pergunta do ABCD Maior (&#8221;A região é referência com o Consórcio Intermunicipal, uma espécie de autoridade regional que começa a ter funções de gestão&#8221;), o senador petista derreteu-se em elogios ao novo comando da entidade.</p>
<p>Disse Mercadante: &#8220;O ABCD é uma região que tem uma identidade cultural, política, histórica e social muito forte. Então uma governança comum para resolver o problema do lixo, do transporte intermunicipal, do saneamento básico, do acesso, dos projetos estruturantes de desenvolvimento, tem de ser fortalecida. (&#8230;) Espero que isso possa dar um salto com o prefeito Avamileno, que acompanhou toda essa discussão, tem uma grande experiência como prefeito e termina seu mandato na presidência do Consórcio&#8221; &#8212; disse ele.</p>
<p>Convenhamos que houve certo exagero no enchimento da bola do chamado Clube dos Prefeitos e que, até porque os problemas são estruturais, funcionais, materiais e gerenciais, nem mesmo um Celso Daniel redivivo conseguiria resultados que se pretende colocar sobre os ombros de João Avamileno.</p>
<p>Aliás, como sempre escrevi, até mesmo Celso Daniel, nos dois últimos anos de vida, afastou-se do Clube dos Prefeitos porque cansou de observar que os parceiros de dança de fato estavam de olho em outros pontos, longe daquilo tudo que Celso Daniel idealizara.</p>
<p>Aloizio Mercadante tem toda a razão quando fala do governo Lula da Silva, embora, evidentemente, procure dar brilho mais que caprichado nos resultados macroeconômicos.</p>
<p>E como se antecipasse um dos discursos de campanha eleitoral que vão aparecer de forma massificada no horário eletrônico, compara valores por quilômetro das concessões do governo federal em licitações realizadas ano passado e as privatizações dos tucanos paulistas, projetando a mesma política para o trecho sul do Rodoanel, que envolve o Grande ABC. Uma jogada de mestre, convenhamos, porque deixa o governo José Serra de saia justa, com a espada do barateamento do pedágio na cabeça.</p>
<p>&#8220;Um exemplo é o que o governo federal fez na Rodovia Fernão Dias. Lá, de cada 100 quilômetros, vai se pagar menos de R$ 1. Na estrada vai ter investimento, mais segurança, mais sinalização e um custo muito barato. É só comparar o que é pago na Rodovia dos Imigrantes, que é R$ 15,40 para menos de 100 quilômetros. Veja a diferença de concepção. Isso colocou em xeque o que o governo do Estado vem fazendo com suas estradas: o custo que os usuários pagam, tanto em caminhões, ônibus ou automóveis, é muito grande. Esse custo acaba prejudicando a competitividade da economia, inibindo o turismo e prejudicando a vida das famílias&#8221; &#8212; disse o senador ao colocar o governo paulista nas cordas.</p>
<p>Entretanto, fosse mais informado sobre a realidade curricular e organizacional da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), Aloizio Mercadante não atribuiria à instituição qualquer resquício de modelo a ser seguido. Como se sabe, a UFABC apenas está no Grande ABC, porque não tem compromisso algum com o futuro da região.</p>
<p>Caso fosse pressionado, o senador petista não conseguiria se desvencilhar da incômoda realidade que cerca um dos maiores legados do governo Lula da Silva para o Grande ABC: a UFABC deveria se chamar UFBrasil, para seguir estritamente a pregação da cúpula acadêmica que, embora tenha amenizado o discurso, carrega alergia ao empreendedorismo privado.</p>
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		<title>Vendendo ilusões</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Mar 2008 10:47:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pelo andar da carruagem de ilusões que vi impressas num material que o novo presidente do Clube dos Prefeitos, João Avamileno, e seu fiel escudeiro, o assessor especial David Gomes, enviaram a representantes de diferentes instituições do Grande ABC, teremos nesta temporada de caça aos votos também uma jornada de prestidigitadores informativos.
Não pretendo entrar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo andar da carruagem de ilusões que vi impressas num material que o novo presidente do Clube dos Prefeitos, João Avamileno, e seu fiel escudeiro, o assessor especial David Gomes, enviaram a representantes de diferentes instituições do Grande ABC, teremos nesta temporada de caça aos votos também uma jornada de prestidigitadores informativos.</p>
<p>Não pretendo entrar em detalhes sobre o documento, porque devo fazê-lo em matéria específica da edição de abril da revista LivreMercado, mas fiquei encafifado com o retorno de uma manjadíssima onda que predominou no cenário regional durante os anos de chumbo de 1990.</p>
<p>Que onda é essa, afinal?</p>
<p>A onda do mais deslavado gataborralheirismo, que, entre outros sentidos, pode ser entendido também como provincianismo que ciclicamente invade a região.</p>
<p>Há no caso específico da iniciativa de João Avamileno e assessores um erro crasso de estratégia. A abertura do Clube dos Prefeitos para a sociedade regional é tão providencial quanto a insensatez de apresentar um impraticável conjunto de propostas.</p>
<p>Ou seja: João Avamileno está acertando o passo em consonância com os ditames mais modernos de instituições públicas, algo que seu antecessor, Kiko Chaves Teixeira, insistiu em desprezar, mas está indo com muita pressa ao pote democrático.</p>
<p>Pretender dar velocidade e eficiência numa única temporada à série de propostas que durante praticamente duas décadas não passaram exatamente disso, de propostas, é desprezar a lógica político-eleitoral que tornará esta temporada excepcionalmente mais resistente à integração regional.</p>
<p>Anotem o que estou escrevendo para me cobrarem depois: a sede de João Avamileno corrigir os erros históricos do Clube dos Prefeitos está fora do compasso do tempo de que dispõe mesmo para tarefas mais simples. O conjunto de iniciativas que aquela carta às instituições sugere é uma tremenda enrascada porque dificilmente João Avamileno conseguirá terminar o mandato à frente da entidade sem colecionar frustrações pessoais e coletivas.</p>
<p>Os mentores da liderança de João Avamileno no Clube dos Prefeitos são gulosos no apetite de reparar erros e omissões consolidados. Eles simplificaram demais o depósito de complicações que tornam a vida do Grande ABC um desafio à racionalidade.</p>
<p>Pior de tudo é que a carta de chamamento às entidades regionais é uma sucessão de triunfalismo misturado com desfaçatez somado com ilusionismo e multiplicado por um sentimento de desprezo ao discernimento.</p>
<p>Vou explicar tudo isso mais à frente, aqui ou na revista LivreMercado. O que posso antecipar é que ao ler o documento e, cuidadosamente, sublinhá-lo, cheguei à seguinte conclusão: o estrategista de João Avamileno no Clube dos Prefeitos confia com entusiasmo que beira a loucura em algo que de fato inexiste, como é o caso da institucionalidade regional. Ou então comete a santa ingenuidade de supor que basta um encontro pós-definição de prioridades retiradas de um público tão heterogêneo quanto disperso para, ao sistematizá-las, dar uma satisfação de suposta arrancada regional rumo a novos tempos.</p>
<p>Pretender dizer, como se pretendeu naquele documento, que o Clube dos Prefeitos, que a Câmara Regional, que a Agência de Desenvolvimento Econômico, cumpriram papel de instaurarem uma regionalidade produtiva no Grande ABC é um desses engodos que levam qualquer cidadão mais crítico a náuseas.</p>
<p>Só o descalabro econômico e social da região nos anos 1990, quando atingimos recordes de criminalidade, recordes de desindustrialização e recorde de sem-vergonhice institucional, já seria suficiente para atirar ao lixo aqueles escritos recheado de sandices.</p>
<p>Pretender transformar o Clube dos Prefeitos no estuário de uma gama supostamente invejável de realizações, como aquele documento pretendeu, é mais que uma inútil tentativa de manipular a inteligência alheia: é a negação da própria inteligência.</p>
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		<title>Silêncio e ruído</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/silencio-e-ruido/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Mar 2008 10:52:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho diferenças em relação à atuação dos dirigentes empresariais do Grande ABC entre outros motivos porque são frágeis na defesa da integração regional. Eles costumam olhar para o próprio umbigo.
Em outras palavras: não se mobilizam para ajudar a dar o ritmo de jogo integracionista além-fronteiras corporativas.
A atuação individual e coletiva de entidades como Ciesps e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho diferenças em relação à atuação dos dirigentes empresariais do Grande ABC entre outros motivos porque são frágeis na defesa da integração regional. Eles costumam olhar para o próprio umbigo.</p>
<p>Em outras palavras: não se mobilizam para ajudar a dar o ritmo de jogo integracionista além-fronteiras corporativas.</p>
<p>A atuação individual e coletiva de entidades como Ciesps e associações comerciais não se aprofunda no que mais interessa para a competitividade regional, ou seja, a construção de sistemas de informação, de mobilização e de medidas que possam pautar os gerenciadores públicos. Já estiveram relativamente unidas no Fórum da Cidadania que, como se sabe, virou passado de frustrações.</p>
<p>Trocando em miúdos: as lideranças locais não conseguem formar um coro que possa ser respeitado regionalmente.</p>
<p>Acima de tudo, sempre lhes faltou pauta conjunta, sobre a qual pudessem extrair resultados em curto, médio e longo prazo.</p>
<p>Existe entre os dirigentes das entidades empresariais do Grande ABC preocupação exagerada com possíveis repercussões de atos críticos, como se criticar fosse apenas e simplesmente algo destrutivo, negativo. O quadro associativo seria espécie de obstáculo à soltura de amarras reivindicativas, porque se teme que as incursões possam ganhar conotação política e partidária. É uma espécie de auto-censura que, paradoxalmente, ajuda a manter o afastamento quase generalizado entre a direção e os associados que, de novo paradoxalmente, cobram posturas mais incisivas.</p>
<p>Se a agenda empresarial estiver deslocada de ranços políticos e ideológicos, não restará dúvida de que os resultados ocorrerão. Houve erros no passado de confundir as bolas por conta de interesses eleitorais, e com isso adveio refluxo castrativo.</p>
<p>Querem um exemplo, um exemplo apenas, do quanto falta no âmbito empresarial uma sincronia fina que estabeleça referenciais que possam de fato contribuir para a competitividade do Grande ABC?</p>
<p>Cadê a pauta empresarial para transformar o trecho sul do Rodoanel em algo que nem de longe possa representar perigo de nova onda de refluxo industrial, por conta da lógica de que a mesma estrada que se abre para oportunidades locacionais que potencializem o Grande ABC leva essas mesmas oportunidades locacionais além-fronteira regional?</p>
<p>Li neste final de semana no site do jornal ABCD Maior uma entrevista do presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), Zoilo de Souza Assis, sobre a ineficiência do Clube dos Prefeitos, sobre a teimosia de Kiko Chaves Teixeira, ex-presidente da entidade, em manter a sociedade longe de contribuições e também sobre a expectativa de que agora, com João Avamileno à frente, os resultados apareçam porque também contarão com o suporte da comunidade regional.</p>
<p>Estou rezando para Zoilo inaugurar uma nova etapa de relacionamento construtivo porque vivemos o pior dos mundos há muito tempo, na forma de conciliação diplomática que não altera em uma vírgula sequer a trajetória regional.</p>
<p>Uma sociedade que prefere o silêncio de uma engrenagem obsoleta ao ruído das transformações é uma sociedade sem futuro. Nem sociedade é, de fato.</p>
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		<title>João regional?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/joao-regional/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Mar 2008 10:57:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é muito seguro, para dizer o mínimo, apostar na integração regional por conta da atuação do Clube dos Prefeitos. Principalmente depois que Kiko Chaves, prefeito de Rio Grande da Serra, andou por ali, destilando divisionismos e rancores típicos de provincianismo sustentado por parceiros internos e externos igualmente provincianos.
Entretanto, como o prefeito João Avamileno, novo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é muito seguro, para dizer o mínimo, apostar na integração regional por conta da atuação do Clube dos Prefeitos. Principalmente depois que Kiko Chaves, prefeito de Rio Grande da Serra, andou por ali, destilando divisionismos e rancores típicos de provincianismo sustentado por parceiros internos e externos igualmente provincianos.</p>
<p>Entretanto, como o prefeito João Avamileno, novo titular do Clube dos Prefeitos, parece que está mesmo decidido a botar fogo &#8212; no bom sentido &#8212; na regionalidade, o bom senso indica que devemos confiar. Mesmo que com um pé atrás.</p>
<p>Seria injusto se dissesse que desde os tempos de Celso Daniel o Clube dos Prefeitos perdeu o rumo, porque nas duas gestões de William Dib, principalmente na primeira, retomou-se a empreitada regional. É verdade que com dificuldades, com avanços e recuos, mas sem dúvida com certo interesse.</p>
<p>Tanto que as obras do trecho sul do Rodoanel que já dominam a geografia regional tiveram influência efetiva dos prefeitos locais. William Dib os levou em comitiva, inclusive, ao presidente Lula da Silva.</p>
<p>As primeiras notícias sobre a atuação de João Avamileno no Clube dos Prefeitos, antes mesmo da posse nesta sexta-feira, indicam que o petista está dominado pelo espírito de Celso Daniel. Se vai avançar além da expectativa mínima de quem preside um organismo de múltiplos interesses municipais é outra história. Mas ânimo e disposição parece não lhe faltar.</p>
<p>Confirmando propósito revelado a este jornalista no ano passado, e atendendo à demanda do Conselho Editorial de LivreMercado, João Avamileno vai mesmo abrir o Clube dos Prefeitos para a comunidade. Ainda há dúvidas quanto à fórmula que aplicará, os mecanismos que serão utilizados, as medidas racionais que serão apresentadas, mas que ele vai patrocinar uma linha de passes que Kiko Chaves optou por descartar e com isso acabou em posição de impedimento, não há dúvida.</p>
<p>Certo é que a comunidade será chamada a intervir nos destinos do Clube dos Prefeitos. Tanto que a partir do dia 11 o organismo vai encaminhar formulário para variados segmentos representativos da sociedade civil para que as instituições possam apresentar as prioridades da região. No começo do mês que vem, João Avamileno pretende sistematizar os dados e dar início às reuniões com a comunidade.</p>
<p>Por mais satisfeito que esteja, não escondo inquietação com a possibilidade de democracia ser confundida com democratismo. O excesso de demandas contido na subjetividade de prioridades é meio caminho para o inferno da postergação de resoluções que se fazem prementes.</p>
<p>A profusão de interlocutores poderá gerar um monstro de reivindicações que sistematização alguma conseguiria enquadrar nos princípios de produtividade institucional, primeiro e decisivo passo para a produtividade operacional.</p>
<p>O Clube dos Prefeitos precisa fugir do mata-burros de tratar tudo como prioridade porque nada se tornará prioritário de fato. Não falta experiência nesse campo. Nos anos 1990 o Grande ABC foi competentíssimo em diagnósticos, em construção de cenários, mas não passou disso na maioria dos casos. Viveu de ilusões enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso nos botava a todos de quatro.</p>
<p>Os maiores especialistas em regionalidade no mundo sabem de cor e salteado que o excesso de cartas no baralho de atividades restauradoras de geoeconomias abaladas por processos de dilapidação social compromete os resultados. É melhor dar prioridade a poucas mas relevantes questões e atacá-las para valer. Os resultados acabarão por aparecer e vão gerar motivação e entusiasmo para avanços em novos nacos de propostas.</p>
<p>LivreMercado preparou em julho do ano passado uma lista sucinta de prioridades que foram submetidas e hierarquizadas pelo Conselho Editorial. Vejam os temas que apareceram como campeões de audiência na busca por competitividade:</p>
<p><strong>Decálogo de Desenvolvimento Econômico</strong></p>
<p><strong>1</strong> &#8212; Profissionalização do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos com a coordenação de um executivo de reconhecida experiência em questões metropolitanas. Prefeitos passariam a formar o Conselho de Gestão. Representantes dos governos locais, empresários, sindicalistas e membros da sociedade comporiam o Conselho Consultivo.</p>
<p><strong>2</strong> &#8212; Contratação de consultoria especializada em competitividade para reorganizar todo o sistema econômico do Grande ABC, de modo a enfrentar o mundo globalizado sem perda de tempo.</p>
<p><strong>3</strong> &#8212; Definição de cronograma para reduzir gradualmente as despesas com os legislativos locais a níveis dos melhores indicadores das cidades mais importantes do Estado. A conta de chegada para a aferição de reforma de custos dos legislativos é simples: a divisão das despesas gerais, incluindo salários dos vereadores, pela população do Município.</p>
<p><strong>4</strong> &#8212; Formação de um conselho regional com representantes governamentais, não-governamentais e econômicos para gerar e impulsionar políticas de potencialização do sistema de segurança pública, cuja ressonância atingiria principalmente os governos estadual e federal.</p>
<p><strong>5</strong> &#8212; Utilização de parcelas relativamente pré-definidas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para execução de planejamento e projetos para valorização das atividades de comércio e serviços de forma descentralizada principalmente para fortalecer pequenos e microempreendimentos.</p>
<p><strong>6</strong> &#8212; Reorganização conjunta do Grande ABC à ocupação e reocupação de espaços físicos que jamais foram objeto de investimentos produtivos ou que sobraram como péssima lembrança de evasão industrial.</p>
<p><strong>7</strong> &#8212; Constituição de grupo especial que tratará especificamente da indústria automotiva, com a participação de representantes de governos locais, estadual e federal, executivos, empresários e sindicalistas.</p>
<p><strong>8</strong> &#8212; Elevar o Rodoanel e o Ferroanel a patamares de providenciais estruturas de transporte, impedindo-se a possibilidade mais que viável de tornarem-se modais prevalecentemente de passagem de riqueza pela geografia do Grande ABC, como ocorreu ao longo da história com a rede ferroviária.</p>
<p><strong>9</strong> &#8212; Mobilização junto às instâncias estadual e federal para reforço de finanças de municípios locais de acordo com a participação territorial no contexto da lei de proteção dos mananciais.</p>
<p><strong>10</strong> &#8212; Extensão de ações sistêmicas de empresas do Pólo Petroquímico do Grande ABC para o conjunto de interesses econômicos e sociais de Santo André e de Mauá, municípios altamente dependentes dos tributos dessa atividade econômica, de modo a que a cadeia de terceira geração de transformadores plásticos contribua para a geração de mão-de-obra intensiva.</p>
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		<title>Aulas de regionalidade</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 10:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Vem da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) uma ótima notícia para quem faz da regionalidade evangelho: em quatro módulos, já a partir da semana que vem, a Pró-Reitoria de Extensão realizará o &#8220;Curso de Extensão em Organização, Gestão e Financiamento para a Governança Regional Metropolitana.&#8221;
Querem notícia melhor do que essa?
Demorou, mas é um bom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vem da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) uma ótima notícia para quem faz da regionalidade evangelho: em quatro módulos, já a partir da semana que vem, a Pró-Reitoria de Extensão realizará o &#8220;Curso de Extensão em Organização, Gestão e Financiamento para a Governança Regional Metropolitana.&#8221;</p>
<p>Querem notícia melhor do que essa?</p>
<p>Demorou, mas é um bom começo da UFABC, a quem tenho combatido para valer, com transparência, por conta de não ter compromisso mais consistente com a regionalidade do Grande ABC.</p>
<p>Felizmente ali está um especialista no assunto, Jeroen Klink, pró-reitor de extensão da UFABC, para não deixar a bola da integração regional murchar de vez no ambiente acadêmico, porque, infelizmente, são raras as universidades que se dedicam às questões que envolvem a vida nas metrópoles. Por isso estamos em meio a decadente qualidade de vida.</p>
<p>O megacurso de regionalidade comandado por Jeroen Klink conta com organização da UFABC, também da Universidade São Judas Tadeu e da Universidade British Columbia-Vancouver, além do Imes de São Caetano.</p>
<p>A programação se divide em quatro módulos, nos quais pretendemos ter sempre um representante da Editora Livre Mercado porque não há outro veículo de comunicação neste País que tenha se dedicado tanto a esse temário quanto a revista LivreMercado.</p>
<p>A começar com a aula do próprio Jeroen Klink na manhã desta sexta-feira sob o título &#8220;Introdução, globalização e a reestruturação territorial das escalas de poder. Objetivos e roteiros do curso&#8221;, esticando até 20 de junho, com &#8220;Experiências concretas com a Nova Lei &#8212; o processo de adaptação à Nova Lei no ABC Paulista&#8221;, referindo-se às características da Nova Lei dos Consórcios, a cargo das professoras Solange Dias (Universidade São Judas Tadeu) e Regina Célia dos Reis (Consórcio Intermunicipal do Grande ABC), tudo indica que teremos manancial instigante de aprendizado, aperfeiçoamento e desafios.</p>
<p>É claro que não exagero quando afirmo que seria interessante se dirigentes públicos no comando de prefeituras locais e também muitos dos que pretendem chegar ao poder dispusessem de interesse para acompanhar os trabalhos.</p>
<p>Provavelmente eles descobririam pontos tão importantes sobre os quais simplesmente não dão a menor bola que lamentariam não ter avançado muito mais em ações que rompessem os territórios aos quais preferencialmente se projetam por conta de uma maneira muito provinciana de amealhar votos do eleitorado.</p>
<p>Tenho muito apreço, confiança e respeito pelo professor Jeroen Klink, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, ex-menino de ouro do grupo de técnicos que o prefeito Celso Daniel reuniu na administração do Município mais duramente atingido pela desindustrialização nos últimos 30 anos no Estado de São Paulo. Tanto que quando, em 16 de maio, lançar-se a discorrer sobre &#8220;Experiências brasileiras na década de 90. O exemplo do ABC Paulista&#8221;, o que teremos será um relato fidelíssimo de avanços e recuos da regionalidade no Grande ABC. Não por outra razão porque, ao longo dos anos 1990, Jeroen Klink foi um dos mais rigorosos, sensíveis, corretos e éticos executivos públicos na avaliação do quadro regional.</p>
<p>Quem considerar que isso teria sido obrigação de alguém tão apetrechado não sabe da missa um terço, porque outros especialistas de patentes lustrosas se preocuparam o tempo todo em enganar o distinto público, sob aplausos de irresponsáveis que colocaram interesses pessoais e corporativos acima do compromisso social com as próximas gerações. Fazer jornalismo na contramão dos puxa-sacos de plantão foi uma das tarefas mais árduas a que se dedicou LivreMercado. Mas valeu a pena, porque encheu as burras de credibilidade dos leitores.</p>
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		<title>Pior entre todos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 11:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não faltaram ocupantes do cargo de presidente do Clube dos Prefeitos que se notabilizaram pela capacidade de juntar inoperância e desimportância.
Em quase duas décadas dessa instância que reúne prefeitos dos sete municípios do Grande ABC, foram várias as gestões que fizeram lembrar ao longo da temporada algo como o desempenho do Corinthians na Série A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não faltaram ocupantes do cargo de presidente do Clube dos Prefeitos que se notabilizaram pela capacidade de juntar inoperância e desimportância.</p>
<p>Em quase duas décadas dessa instância que reúne prefeitos dos sete municípios do Grande ABC, foram várias as gestões que fizeram lembrar ao longo da temporada algo como o desempenho do Corinthians na Série A do Campeonato Brasileiro de 2007.</p>
<p>A diferença é que o Corinthians voltará à Série A neste ano. E os presidentes do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos que deram com os burros n&#8217;água não conseguiram escapar da degola histórica de um organismo que está longe de ao menos atender a objetivos mais imediatos da região, quanto mais os estratégicos.</p>
<p>De todos que fracassaram, entretanto, nenhum deles se compara a Kiko Chaves Teixeira, prefeito de Rio Grande da Serra.</p>
<p>Kiko Chaves terminou o pobre mandato ainda outro dia carregando, além da inoperância e da desimportância, também um caminhão de arrogância.</p>
<p>Jovem apenas na cronologia gregoriana, Kiko Chaves está esclerosado como administrador público porque usa de velhas artimanhas para tentar ludibriar o distinto público. O discurso de Kiko Chaves Teixeira é réplica desbotada dos velhos caciques populistas.</p>
<p>Querem um exemplo? Recorram ao Diário do Grande ABC de 12 de fevereiro. Está lá estampada uma foto em que Kiko Chaves e seu substituto, João Avamileno, se cumprimentam na troca de guarda do Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Uma cordialidade apenas para inglês ver porque esconde diferenças fundas entre esses gladiadores partidários que durante o ano passado mediram forças pela localização de uma unidade da Febem. Kiko Chaves Teixeira preferiu a motoniveladora do governo estadual ao diálogo com um suposto companheiro regional. Foi um festival de ataques e de sofismas, como se sabe.</p>
<p>A matéria do Diário do Grande ABC e de outros jornais impressos e virtuais da região procurou explorar o futuro do Clube dos Prefeitos. Como se sabe, levantamos a bola de que João Avamileno iria acrescentar ao organograma daquela instituição um Conselho Consultivo com especialistas de diversas áreas, atendendo, portanto, resolução do Conselho Editorial de LivreMercado.</p>
<p>Vejam o que Kiko Chaves disse a respeito do assunto:</p>
<p>&#8220;A Câmara Regional já tem esse espaço (de Conselho Consultivo) para a sociedade. Além disso, o Consórcio tem a maior legitimidade no tocante à participação popular, pois os sete prefeitos aqui, eleitos democraticamente, representam a maioria da sociedade das respectivas cidades&#8221;.</p>
<p>Não fosse o suporte do prefeito Clóvis Volpi, de Ribeirão Pires, que, como se sabe, não anda bem das pernas depois da surra que levou de um amigo traído, Kiko Chaves estaria sozinho. Mas Clóvis Volpi, que sempre se destacou pela capacidade de não cometer tombos conceituais graves, engrossou a cantilena manquitola de Kiko Chaves entre outros motivos porque o compartilhamento de decisões ou pelo menos o compartilhamento de diagnósticos lhe parece coisa de petista, não de contemporaneidade gerencial. Eis o que disse Clóvis Volpi, na primeira aparição pública regional depois do incidente nas escadarias de uma clínica odontológica:</p>
<p>&#8220;Esse tipo de abertura expõe discussões que deveriam ser feitas internamente entre os prefeitos. Existem outros organismos para discussões individualizadas e participação da sociedade. Não sou favorável a essa abertura, a não ser que o assunto em discussão envolva um segmento específico da sociedade civil&#8221;.</p>
<p>Como se observa, Clóvis Volpi quer uma sociedade partida e repartida, jamais integrativa.</p>
<p>Os prefeitos William Dib (São Bernardo), José Auricchio Júnior (São Caetano) e José de Filippi Júnior (Diadema) não foram ouvidos pelos repórteres de várias mídias locais. Provavelmente José Auricchio Júnior se manifestaria favorável ao Conselho Consultivo, porque inaugurou essa instância na administração de São Caetano. Leonel Damo (Mauá) foi o mais lúcido e sensato:</p>
<p>&#8220;Sou favorável à participação porque o povo tem muito a ensinar, mais do que os próprios prefeitos&#8221;.</p>
<p>De todas as declarações que compilei cuidadosamente da mídia regional, de fato a mais acintosamente manipuladora é a de Kiko Chaves Teixeira. Ao afirmar que a Câmara Regional já conta com esse tipo de dispositivo de participação da sociedade, o prefeito de Rio Grande da Serra argumentou em cima de uma miragem, porque a Câmara Regional não existe. E não existe entre outras razões porque o governo do Estado, a quem cabe a presidência e a ocupação de vários cargos com seu secretariado, simplesmente dá as costas à instituição.</p>
<p>Convido os leitores a procurarem nos arquivos de qualquer mídia regional ou paulista as atividades práticas da Câmara Regional. Não encontrarão praticamente nada. Sabem por quê? Porque é muito complicado escrever sobre o que não existe.</p>
<p>Provavelmente nem mesmo Kiko Chaves Teixeira se lembre do que disse ao Diário do Grande ABC de 24 de março de 2007, na última intervenção relativamente substantiva daquele jornal sobre a Câmara Regional. Sob o título &#8220;Deputados ganham espaço&#8221;, Kiko Chaves Teixeira vendeu um factóide que jamais entregou ao distinto público. Vejam a notícia:</p>
<p>A Câmara Regional, entidade vinculada ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC que reúne prefeitos das sete cidades, deve passar a se reunir mensalmente com as bancadas estadual e federal de parlamentares. O objetivo é discutir e articular pleitos junto aos governos estadual e federal. A decisão foi tomada ontem, na primeira reunião entre o presidente do Consórcio, Adler Kiko Teixeira, também prefeito de Rio Grande, e os deputados da região. &#8220;A intenção é fazer com que por meio da Câmara Regional as questões necessárias ao Grande ABC sejam atendidas de melhor forma&#8221; &#8212; explica Kiko.</p>
<p>Exceto se fez reuniões secretas com os deputados (o que várias fontes deste jornalista desconsideram), Kiko Chaves Teixeira não passou mesmo de intenções apenas para ocupar espaço na mídia &#8212; traço em comum da maioria dos políticos.</p>
<p>Por mais que se deva considerar que Executivo algum é capaz de fazer e acontecer numa associação tão ruinosamente antiquada na estrutura organizacional, é inegável que com Kiko Chaves Teixeira o Clube dos Prefeitos do Grande ABC retrocedeu largamente depois de respirar ares de certo dinamismo com William Dib. Apesar de o prefeito de São Bernardo ter mantido as portas fechadas à sociedade.</p>
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		<title>Sociedade de arreglos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 11:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Somente uma pesquisa bem feita, da concepção à aplicação, por gente que saiba como tomar as coronárias da região, daria respostas seguras a indagação que de vez em quando faço a mim mesmo:
Como estamos encarando a vida no Grande ABC?
Sei que lá atrás, quando Celso Daniel decidiu lançar o projeto Santo André Cidade Futuro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Somente uma pesquisa bem feita, da concepção à aplicação, por gente que saiba como tomar as coronárias da região, daria respostas seguras a indagação que de vez em quando faço a mim mesmo:</p>
<p>Como estamos encarando a vida no Grande ABC?</p>
<p>Sei que lá atrás, quando Celso Daniel decidiu lançar o projeto Santo André Cidade Futuro e o Eixo Tamanduatehy, uma das ferramentas de que se utilizou para plasmar a iniciativa foi a constatação, com base em pesquisa, de que havia no Município um sentimento de viuvez industrial, depois que tantas fábricas se foram, depois que tantos empregos se evaporaram.</p>
<p>Não se esqueçam que o hino de Santo André, com letra do professor José Amaral Wagner e música de Luiz Carlos da Fonseca e Castro, oficializado em 1950, faz louvor ao &#8220;viveiro industrial&#8221;. Reparem só:</p>
<p>&#8220;Salve, salve torrão andreense<br />
Gigantesco viveiro industrial!<br />
Teu formoso destino pertence<br />
Aos que lutam por um ideal&#8221;.</p>
<p>Celso Daniel, diplomado engenheiro, era um dirigente público que não acreditava em improvisações.</p>
<p>Tanto que desafiava de vez em quando botocudos da mídia regional ao empreender o que muitos consideravam um absurdo: viajava para o Exterior, principalmente para a Europa, em busca de inspiração.</p>
<p>Acho que o sentimento de perda da auto-estima regional é amplo e irrestrito. E também natural, porque a qualidade de vida desabou no outrora Eldorado do capitalismo nacional e, convenhamos, nada temos feito para valorizar nossa história.</p>
<p>Cadê o Museu do Automóvel, por exemplo?</p>
<p>Estamos cansados de mostrar o quanto perdemos em termos absolutos e relativos no mapa do PIB nacional.</p>
<p>Perder em termos relativos poderia significar que continuamos com o mesmo tônus econômico, mas quando se verificam desfalques em números absolutos, não há como fugir da realidade.</p>
<p>Está bem, está bem, que reagimos nos últimos anos, com a recuperação da indústria automobilística. Mas ainda é pouco e não apaga as sangrias do passado.</p>
<p>Insisto numa variável de indagação: como estaria o ânimo da população do Grande ABC?</p>
<p>Por mais que as respostas tenham subjetividades e malandragens semânticas, porque o estado de espírito de hoje pode ser melhor que o de ontem sem que isso signifique a reconquista do padrão médio de percepções do passado, sempre haveria matéria-prima para análise sociológica mais apurada, mais responsável, menos chutométrica.</p>
<p>Movo-me em incursões sociais por conta de relacionamentos com estratos diversos, com parentes, com amigos, com tudo que tenha duas pernas e dois braços. Com gente, enfim.</p>
<p>A tendência natural de quem perdeu, perdeu e continua perdendo, ou de quem perdeu, perdeu e pelo menos parou de perder, é minimizar para terceiros as dores do parto das quebras econômicas. Para os mais próximos a choradeira é sempre um desaguadouro, mas com quem não se tem tanta intimidade o que mais se pratica é o jogo da dissimulação.</p>
<p>Seria demais também esperar que os últimos 20 anos tivessem de ser de prosperidade numa região tão vilipendiada. Nem os Estados Unidos escaparam, nesse mesmo período, do empobrecimento latente da classe média, base da morfologia social que os transformou em maior potência econômica do mundo.</p>
<p>Nunca esqueço de proprietários dessas casas de vaidades que são cabeleireiros e assemelhados a blasfemar contra uma clientela que estaciona veículo importado, veste-se impecavelmente, comenta viagens internacionais mas resiste a pagar as contas em dia. Protelam o quanto podem porque o padrão do bolso não conseguiu correr na mesma velocidade do padrão corporal.</p>
<p>Vaidade combina muito com caradurismo.</p>
<p>Tenho mais palpites do que certezas sobre o ânimo de quem morava no Grande ABC antes e continua a morar depois do vendaval da desindustrialização.</p>
<p>Aquele processo foi longo e duradouro. Viveram alguns da credulidade cega e acrítica de manchetes ufanistas, achando-se incompetentes em meio a uma multidão de afortunados. Entretanto, o trem fantasma da realidade é mais rápido que a roda-gigante da fantasia e muitos se descobriram tão descalços como tantos outros. Menos mal, menos mal, resignaram-se.</p>
<p>Espero sinceramente que os anos recentes de recuperação do PIB regional, muito abaixo do que se andou publicando inadvertidamente por aí, tenham retemperado a expectativa de se viver aqui com mais alegria e esperança.</p>
<p>Esse é o nosso chão, nossa terra.</p>
<p>Lamento apenas que à incerteza do estado de ânimo regional se contraponha algo absolutamente insofismável: não conseguimos dar corpo, voz e espírito à regionalidade em forma de instituições mais sólidas e interativas.</p>
<p>Sem isso, acreditem, não teremos jamais o principal.</p>
<p>E o que é o principal?</p>
<p>Companheirismo e solidariedade muito, mas muito além de um grupo fechado e restrito de interlocutores corporativistas.</p>
<p>Uma sociedade partida e repartida é uma sociedade sem compromissos, é uma sociedade de arreglos.</p>
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		<title>Xô, provincianismo!</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/xo-provincianismo/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 12:52:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez seja pura perda de tempo, porque o presidente do Clube dos Prefeitos, Kiko Chaves Teixeira, prefere ouvir os ignorantes, os obtusos, os prevaricadores, mas, como sou insistente, sigo em frente na luta para demovê-lo do provincianismo com que dirigirá aquela instituição até o começo do próximo ano, numa etapa permeada de conflitos com outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez seja pura perda de tempo, porque o presidente do Clube dos Prefeitos, Kiko Chaves Teixeira, prefere ouvir os ignorantes, os obtusos, os prevaricadores, mas, como sou insistente, sigo em frente na luta para demovê-lo do provincianismo com que dirigirá aquela instituição até o começo do próximo ano, numa etapa permeada de conflitos com outros espectros partidários ali representados.</p>
<p>Kiko Chaves Teixeira deveria receber um presente providencial dos amigos que tanto o bajulam e procuram protegê-lo de todos que pretendem colaborar com o comando do Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Que presente, afinal, Kiko Chaves Teixeira está a merecer?</p>
<p>Um exemplar de uma leitura que este jornalista já consumiu muitas e muitas vezes e que, providencialmente, carrega à mão toda vez que se encaminha para algum encontro de trabalho, porque, vacinado, sabe que há sempre a possibilidade de uma espera de minutos que parecem eternos quando não resta alternativa senão olhar para as paredes, para o elevador, para os lustres, para o piso nem sempre limpo.</p>
<p>Estou falando de &#8220;A Terceira Via e seus críticos&#8221;, obra-prima do sociólogo Anthony Giddens, mentor intelectual do até outro dia primeiro-ministro britânico Tony Blair.</p>
<p>Sei lá se Kiko Chaves Teixeira já ouviu falar de Giddens, de Blair, de Primeira Via, de Segunda Via, de Terceira Via. O que sei é que ele deveria saber. Só assim ele deixaria de ser estúpido a ponto de, numa afronta à sociedade regional representada no Conselho Editorial da revista LivreMercado, ignorar olimpicamente a sugestão de criar um Conselho Consultivo no Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Mal-aconselhado, como se sabe, Kiko Chaves Teixeira preferiu o desdém à densificação dos quadros pensantes dessa que é a principal instância regional do Grande ABC. Disseram a Kiko Chaves Teixeira que a proposta poderia reduzir a importância do cargo de presidente quando, de fato, a elevaria e a legitimaria muito mais, por conta da representatividade social. Anteriormente à manifestação dos conselheiros editoriais, a Fundação Getúlio Vargas entregou aos então dirigentes do Clube dos Prefeitos calhamaço com propostas de reestruturação da entidade, incluindo entre as medidas a participação da sociedade civil que Kiko Chaves Teixeira, repito, despreza com a arrogância típica da juventude.</p>
<p>Como é um ignorante em termos de gerenciamento público contemporâneo, cujos limites só ultrapassaram o território de Rio Grande da Serra porque seus benfeitores no Clube dos Prefeitos imaginavam que ele conseguiria dar salto de qualificação, Kiko Chaves Teixeira agiu com a dupla destreza dos personagens que frequentam os lares dos brasileiros e latino-americanos em geral e cujas identidades lhe deram a composição criativa do próprio nome: o Kiko fictício do programa humorístico de televisão, e o real, do venezuelano Hugo Chávez, que tem um jeito todo especial de especificar de democrático o regime presidencialista.</p>
<p>A obra inteira de &#8220;A Terceira Via e seus críticos&#8221; seria providencial se consumida não só por Kiko Chaves Teixeira como por tantos outros homens públicos, lideranças empresariais, sociais e sindicais.</p>
<p>Pinço à página 69 trecho que provavelmente retira qualquer nesga de dúvida sobre as intenções que desfilamos há quase 20 anos à frente de LivreMercado, num processo de amadurecimento profissional próprio de uma vida que não aceita a burocrática contagem cronológica de um dia após o outro, com o que tanta gente parece se conformar.</p>
<p>Vamos, pois, à página 69:</p>
<p>&#8220;A sociedade civil é fundamental para restringir o poder dos mercados e do governo. Nem uma economia de mercado, nem um Estado democrático pode funcionar com eficácia sem a influência civilizadora da associação civil&#8221;.</p>
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		<title>Clausura complicadora</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/clausura-complicadora/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Oct 2007 13:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[É isso que dá manter o Clube dos Prefeitos fechado ao distinto público regional. Está no Diário do Grande ABC de ontem uma matéria sem a profundidade necessária mas que, com esforço de interpretação pessoal, pode ser razoavelmente desvendada. Diz o título: &#8220;Montorinho quer discutir pedágio no Rodoanel; Kiko diz que é oportunismo&#8221;.
Montorinho, no caso, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É isso que dá manter o Clube dos Prefeitos fechado ao distinto público regional. Está no Diário do Grande ABC de ontem uma matéria sem a profundidade necessária mas que, com esforço de interpretação pessoal, pode ser razoavelmente desvendada. Diz o título: &#8220;Montorinho quer discutir pedágio no Rodoanel; Kiko diz que é oportunismo&#8221;.</p>
<p>Montorinho, no caso, é o presidente da Câmara Municipal de Santo André, o petista José Montoro Filho. Kiko, como se sabe, é prefeito de Rio Grande da Serra e, por força de rodízio, presidente do Clube dos Prefeitos, também conhecido como Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Kiko é tucano.</p>
<p>Basta a enunciação dos vínculos partidários para se exigir dos leitores cautela redobrada na avaliação do bate-boca. Quando se colocam interesses partidários em jogo, tudo pode acontecer.</p>
<p>Li a matéria, repito, com extremo cuidado e, apesar da dificuldade de compreendê-la, porque redigida de forma imprecisa, provavelmente quer dizer o seguinte:</p>
<p>a) Montorinho quer da direção do Consórcio informações sobre a construção das praças de pedágio nos 61,4 quilômetros da obra, que ligará o Grande ABC ao trecho oeste, que tem Osasco como principal beneficiário logístico. Francamente, foi difícil decifrar a intenção subjacente de Montorinho. Pode ser alguma coisa contra os pedágios tanto quanto algo em relação à localização. Ou às duas situações. O vereador de Santo André afirma que Mauá, de governo municipal ligado ao PSDB, teria sido beneficiado com a garantia de um posto de pedagiamento, recolhendo dali, quando inaugurado o Rodoanel, nacos de ISS (Imposto Sobre Serviços). Montorinho perguntou: &#8220;Qual foi a audiência pública que o Consórcio fez no que diz respeito ao Rodoanel, principalmente na questão do pedágio? Como ninguém tem informação sobre o trecho sul, estamos tentando ter acesso a esses dados. Isso não pode ser tratado como oportunismo&#8221;.</p>
<p>b) Montorinho só falou em oportunismo porque Kiko Teixeira respondeu na mesma reportagem que o vereador do PT &#8220;está querendo é platéia. Essa atitude é oportunista&#8221;. Mais adiante na matéria, Kiko afirma: &#8220;Se for necessário o pedágio e o valor for justo, não tem o que questionar. Se algum vereador for contra neste momento, vou rechaçar na hora&#8221;.</p>
<p>O que salta à vista além da dificuldade de compreensão do eixo da matéria são duas questões.</p>
<p>Primeiro: o modelo enclausurador de definições do Clube dos Prefeitos enseja todo tipo de interpretação e de dúvidas. Daí nossa luta pela abertura das portas institucionais da entidade para a comunidade como um todo. Já a capacidade individual de Kiko Teixeira comandar o organismo é outra história.</p>
<p>Segundo: a linguagem do presidente Kiko Teixeira segue ritual de beligerância, de intolerância, que não cabe numa instituição multipartidária. Por mais que venha a ter razão sobre a possibilidade de defender a cobrança de pedágio, porque não existe almoço de graça e o Poder Público está quebrado para sustentar obras de infra-estrutura de tamanha envergadura, Kiko Teixeira perde pontos preciosos quando parte para o ataque de forma gratuita. Ou seja: Kiko não sabe ganhar um jogo nem mesmo quando esse jogo é impossível de perder.</p>
<p>Aliás, foi assim a resposta de Kiko Teixeira nos bastidores da reivindicação de abertura do Clube dos Prefeitos, solicitada pelo Conselho Editorial da revista LivreMercado, enquanto oficialmente se manteve arrogantemente distante de uma resposta, mesmo que fosse contrária aos interesses da comunidade.</p>
<p>O Clube dos Prefeitos cometeu um grave erro ao eleger Kiko Teixeira. Ele não está preparado para relacionamentos multifacetados que eventualmente fujam do espectro concentrador que destila em cada intervenção.</p>
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		<title>Cooperação e enfrentamento</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Sep 2007 13:10:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Disse durante o cerimonial do Prêmio Desempenho Cultural, terça-feira à noite no Primeiro de Maio Futebol Clube, que a revista LivreMercado busca incessantemente a alternativa da cooperação, mas que não foge à imperiosidade do enfrentamento.
O recado tinha alvo específico, claro, cristalino: o prefeito Kiko Teixeira, de Rio Grande da Serra. Mais precisamente o presidente do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Disse durante o cerimonial do Prêmio Desempenho Cultural, terça-feira à noite no Primeiro de Maio Futebol Clube, que a revista LivreMercado busca incessantemente a alternativa da cooperação, mas que não foge à imperiosidade do enfrentamento.</p>
<p>O recado tinha alvo específico, claro, cristalino: o prefeito Kiko Teixeira, de Rio Grande da Serra. Mais precisamente o presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, Kiko Teixeira.</p>
<p>Não pretendia expor publicamente a situação de Kiko Teixeira diante dos conselheiros editoriais de LivreMercado, mas foi inevitável porque boa parte deles me cobrou novidades.</p>
<p>Como se sabe, o Conselho Editorial por maciça maioria de votos se posicionou favoravelmente à abertura do Clube dos Prefeitos a representantes da sociedade regional, na formação de espécie de Conselho Consultivo. Kiko Teixeira interpretou a sugestão com a intransigência dos arbitrários, dos autocratas. Tanto que nem respondeu à Editora Livre Mercado.</p>
<p>O tom um pouco mais grave que utilizei foi inevitável. Kiko Teixeira deixou de comparecer ao evento, como em julho, quando da versão Empresarial da premiação. Provavelmente se sentiria desconfortável por não ter resposta aos conselheiros. Pura falta de habilidade. Já em julho poderia ter subido ao palco e manifestado razões que tanto poderiam justificar a adoção como também opor-se à abertura à comunidade.</p>
<p>O resumo da ópera é que Kiko Teixeira ficou em situação mais que delicada. A cronologia do mandato bianual vai-se esgotando e o sucessor, João Avamileno, de Santo André, já se comprometeu a abrir o Clube dos Prefeitos, naturalmente com a anuência dos demais chefes de Executivos. Se Kiko Teixeira decidir-se pela abertura parecerá a todos que não resistiu às pressões que ele próprio instalou. Caso se mantenha irredutível, imprimirá a marca da intolerância de compartilhamento residual do poder.</p>
<p>Lamentavelmente, chegou-se ao encalacramento da imagem do presidente do Clube dos Prefeitos. Agora não lhe restou alternativa alguma para demonstrar que é um dirigente público sintonizado com os novos tempos. O modelo adotado pelo Clube dos Prefeitos é vertiginosamente problemático a ponto de a soma das partes ser muito menor que a qualidade individual dos membros da instituição.</p>
<p>A reestruturação sugerida já há tempos por LivreMercado e endossada num estudo apresentado posteriormente pela Fundação Getúlio Vargas é questão vital para que o Grande ABC recupere o dinamismo institucional que durante algum tempo o Fórum da Cidadania encabeçou.</p>
<p>Infelizmente, Kiko Teixeira não aprendeu com o passado e se lança a uma aventura paranóica de acreditar em versão quixotesca de perseguição engendrada por conta de relações pessoais. Seria demais supor que o presidente do Clube dos Prefeitos julgava-se a salvo de qualquer restrição só porque teria a blindagem de um veículo de comunicação muito próximo de suas relações familiares. Da mesma forma, seria inconcebível acreditar na versão de que lhe seria movida discriminação exatamente por conta do parentesco com fundadores daquele veículo de comunicação.</p>
<p>Misturar institucionalidade e relacionamento conjugal é tabelinha digna de Chaves. O Grande ABC que perdeu em média mais de 1% por ano de PIB nos últimos 12 anos não tem tempo a desperdiçar com futricas.</p>
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		<title>Presidente arredio</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Sep 2007 00:36:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Talvez por mau aconselhamento, talvez por ingenuidade, talvez por qualquer outro talvez, o prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, não tenha levado mais a sério a proposta da revista LivreMercado, com base em enquete junto ao Conselho Editorial, de proceder a aproximação que descortine [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez por mau aconselhamento, talvez por ingenuidade, talvez por qualquer outro talvez, o prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, não tenha levado mais a sério a proposta da revista LivreMercado, com base em enquete junto ao Conselho Editorial, de proceder a aproximação que descortine aquela instituição da sociedade regional.</p>
<p>Uma grande oportunidade que Kiko Teixeira teria para expor posicionamento individual quando não coletivo a respeito do assunto, muito além de linhas frias e pouco compromissadas da carta que enviou a este jornalista em resposta àquela proposta, foi colocada à sua disposição durante o cerimonial da entrega do Prêmio Desempenho Empresarial, terça-feira no Primeiro de Maio Futebol Clube.</p>
<p>Dizem que Kiko Teixeira não compareceu porque teria dado ouvidos demais a línguas ferinas que deturparam o objetivo de LivreMercado e do Conselho Editorial. Se a versão for maledicente, não lhe faltará nova oportunidade para se apresentar aos conselheiros e eventualmente a outros convidados.</p>
<p>O que sei de fato é que o prefeito de São Bernardo William Dib e o prefeito de São Caetano José Auricchio Júnior não compareceram ao cerimonial do Prêmio Desempenho porque estão em viagem internacional. O vice-prefeito José Roberto Mello representou William Dib. O prefeito de Mauá, Leonel Damo, e o prefeito de Ribeirão Pires, Clovis Volpi, que, como Auricchio, compareceram à edição de maio do Prêmio Desempenho Social, acusaram problemas de saúde. Já José de Filippi Júnior, prefeito de Diadema, é avesso a tudo que se refira à regionalidade do Grande ABC e raramente comparece a qualquer evento que ultrapasse os limites de seu território. Até mesmo das reuniões do Clube dos Prefeitos ele regularmente mantém-se distante. O vice-prefeito Joel Fonseca, sempre presente às festas do Prêmio Desempenho, mais uma vez o representou. Joel Fonseca é um homem público sempre solícito e trabalhador.</p>
<p>Faço essa incursão porque é possível que alguém possa construir a fantasia de que teria havido boicote dos Executivos da região. Nada disso, posso garantir. Exceto Kiko Teixeira, os demais tiveram motivos consistentes para não comparecer e com isso deixaram de participar de evento que superlotou o Primeiro de Maio.</p>
<p>Menos evidentemente o prefeito de Santo André, João Avamileno, sempre atencioso e preocupado com questões regionais. E que não tem medo de afirmar mesmo que indiretamente que quer a abertura do Clube dos Prefeitos, já que, coincidentemente, no dia seguinte anunciou para um grupo de convidados a reabertura do projeto Santo André Cidade Futuro, reincorporando várias lideranças nos trabalhos liderados pelo Paço Municipal. Ou seja: Avamileno ressuscita uma das jóias da coroa de ação pública de Celso Daniel, em oposição, portanto, ao perfil obsoleto e egocêntrico do Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Volto a Kiko Teixeira: foi lamentável a manifestação lacônica enviada a LivreMercado sobre a inclusão de instâncias sociais, econômicas e mesmo governamentais diversas no Clube dos Prefeitos. Tanto quanto sua ausência na festa do Prêmio Desempenho Empresarial. Afinal, é tradição do maior evento regional do País reservar pelo menos três espaços fixos durante o cerimonial: o da autoridade anfitriã, o do presidente do Clube dos Prefeitos e o do coordenador-geral do evento. Foi por essas e outras, aliás, que Kiko Teixeira discursou na edição de maio.</p>
<p>É possível que esteja este jornalista enganado, é possível que até se precipite neste artigo, mas as informações que me chegaram dão conta de que houve de fato má vontade do presidente do Clube dos Prefeitos em participar do evento porque teria se sentido atacado com a Reportagem de Capa de LivreMercado &#8212; uma bobagem que os ideólogos da malandragem semântica pretendem usar para justificar retaliações burras.</p>
<p>Corro o risco de afirmar categoricamente que ele, Kiko Teixeira, perdeu uma grande oportunidade de mostrar que não faz parte da corriola sem lastro que frequenta o noticiário geralmente raso e inconsequente das páginas reservadas à política, entre outros motivos porque a própria Imprensa despreparada prefere viver de leviandades.</p>
<p>Talvez a saída honrosa do presidente do Clube dos Prefeitos seja vir a público e dizer que não é nada do que este jornalista resolveu escrever, que houve apenas encavalamento incontornável de agenda. Se pode encontrar justificativa para a ausência, está enjaulado como presidente do Clube dos Prefeitos ao titubear na resposta à demanda por abertura da entidade, independentemente dos demais pares, entre outras razões porque a temporalidade de 12 meses de mandato não poderá jamais abortar os ideais que o alçaram ao cargo de Executivo eleito por pelo menos quatro anos.</p>
<p>O Conselho Editorial de LivreMercado aguarda o agendamento de reunião com o presidente do Clube dos Prefeitos.</p>
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		<title>Kiko e Chaves</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Sep 2007 00:18:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Longe de mim imaginar que o presidente do Consórcio dos Prefeitos do Grande ABC, Adler Kiko Teixeira, esteja mais para o personagem homônimo do programa humorístico mexicano que tem Chaves como protagonista principal do que para comandar a principal instituição pública regional.
Como acreditar que Kiko esteja mais próximo de Quico do que de Adler Teixeira, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Longe de mim imaginar que o presidente do Consórcio dos Prefeitos do Grande ABC, Adler Kiko Teixeira, esteja mais para o personagem homônimo do programa humorístico mexicano que tem Chaves como protagonista principal do que para comandar a principal instituição pública regional.</p>
<p>Como acreditar que Kiko esteja mais próximo de Quico do que de Adler Teixeira, seu nome de batismo?</p>
<p>Dizem que o codinome é por conta da semelhança física com o personagem televisivo. Adler teria adotado Kiko porque lhe seria benéfico como marketing político. Um golpe de mestre na bucólica Rio Grande da Serra, tanto quanto o dos palmeirenses que adotaram o &#8220;porco&#8221; e acabaram com a gozação dos adversários.</p>
<p>Adler Kiko Teixeira é um moço, dizem, com lastro. Tomara que seja, mas não foi o que transmitiu aos leitores do Diário do Grande ABC de domingo, numa entrevista que serviu para algumas conclusões:</p>
<p><strong>a</strong>) Ele está raivoso porque a revista LivreMercado defende a abertura do que chamo de Clube dos Prefeitos, acabando-se de vez com o perfil de resoluções restritas aos sete executivos da região. Com as mudanças, os prefeitos formariam o Conselho de Administração ou de Gestão, instância estratégica e suprema. Sairiam, portanto, de reuniões-penduricalhos.</p>
<p><strong>b</strong>) Ele não entendeu aquela reportagem-análise e por isso não compareceu à festa do Prêmio Desempenho Empresarial, em julho no Primeiro de Maio, depois de ter prestigiado a festa do Prêmio Desempenho Social, em  maio. Boicotou a festa. Será novamente convidado para participar da terceira etapa do evento, o Prêmio Desempenho Cultural, neste 18 de setembro. O convite é para o presidente do Clube dos Prefeitos. Independentemente de quem seja. A responsabilidade de representar a instituição num evento de comprovado compromisso da cidadania regional é dele. Se abdicar outra vez, demonstrará o quanto individualiza algo que é coletivo.</p>
<p><strong>c</strong>) Ele também não entendeu a expressão &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221;. Derivou-a maliciosamente para &#8220;Clube do Bolinha&#8221;, deturpando expressão que utilizei naquela matéria. Pretendeu, com isso, desclassificar um movimento colaborativo, que provavelmente observou como ameaça ao individualismo temporário com que conduz a entidade.</p>
<p>A entrevista de Kiko Teixeira é de uma pobreza franciscana. Avoca para si e para os demais prefeitos o mérito da liberação de recursos federais para o trecho sul do Rodoanel. Nada mais falso. Nenhum prefeito batalhou tanto pelo dinheiro como William Dib durante os dois anos de gestão no Clube dos Prefeitos. Kiko pegou a rabeira de uma liberação contida no PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento, que independeu do movimento de peças dos últimos meses. A batalha foi decidida lá atrás.</p>
<p>Alardeou também o prefeito de Rio Grande da Serra como grande obra de seu mandato o acordo para o governo do Estado bancar os custos de manutenção dos piscinões. E também os R$ 400 mil prometidos pela ministra Marta Suplicy para um plano estratégico de desenvolvimento do turismo na região. E que também integra o PAC, é bom que se diga. Mais nada disse Kiko, além, é claro, de demonstrar desprezo pela críticas ao Clube dos Prefeitos as quais, como se sabe, são a constatação de que o volume de problemas agregados do Grande ABC é muito maior que as condições resolutivas das prefeituras locais e, também, dos recursos humanos disponíveis naquela instituição.</p>
<p>Kiko é hilariante quando sacraliza o Clube dos Prefeitos. Nenhum comandante de qualquer Paço Municipal do Grande ABC negará dificuldades de organização da entidade. Em vez de plano para o turismo, o que falta como ação básica da entidade é um Plano Estratégico Regional, para colocar ordem na casa de solteiro em que se transformou a região que não soube se preparar, no passado de prefeitos incautos, para a virada do século.</p>
<p>Kiko quer fazer crer que, como num passe de mágica, o Clube dos Prefeitos encontrou o eixo. Não encontrou. Os prefeitos atuais são muito melhores em suas respectivas cidades. A soma deles não é melhor que as partes. Muito pelo contrário.</p>
<p>Kiko só não me faz rir porque não zombo de coisas sérias. Como é o caso de uma região que perdeu por ano em média mais de 1% do PIB nos últimos 12 anos. Torço também para que ele não se inspire em outra troupe chavista &#8212; o presidente venezuelano.</p>
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		<title>Resposta demorada</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Aug 2007 00:23:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O titular da Prefeitura de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, ainda não respondeu à direção executiva da revista LivreMercado, no caso este jornalista, sobre a demanda por abertura do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, o chamado Clube dos Prefeitos.
Como se sabe, conselheiros editoriais da publicação aprovaram a medida em busca da elevação do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O titular da Prefeitura de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, ainda não respondeu à direção executiva da revista LivreMercado, no caso este jornalista, sobre a demanda por abertura do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, o chamado Clube dos Prefeitos.</p>
<p>Como se sabe, conselheiros editoriais da publicação aprovaram a medida em busca da elevação do grau de democratização dessa instância regional. Os desdobramentos seriam evidentes porque especialistas de distintas atividades poderiam agregar conhecimento.</p>
<p>O que há de mal em Kiko Teixeira demorar tanto para posicionar-se sobre assunto de extrema relevância para uma região que perdeu mais de 1% ao ano em média do PIB desde a implementação do Plano Real, por conta da desindustrialização?</p>
<p>Teria o Grande ABC chegado ao ponto limite de ignorar solenemente a contribuição voluntária de especialistas?</p>
<p>Mesmo que não seja descaso do prefeito da cidade mais pobre e carente do Grande ABC, mesmo que não seja desinteresse do prefeito do Município de menor população da região, mesmo que seja qualquer outra coisa, até algo comprovadamente nobre, o que se constata é que os mecanismos de decisão do Clube dos Prefeitos além de centralizados incorrem na lentidão contraproducente nestes tempos em que a Tecnologia da Informação torna o ontem anteontem e o hoje ontem, para desgraça do amanhã.</p>
<p>Tudo isso ajuda a explicar por que o Clube dos Prefeitos é retardatário ao reagir aos problemas regionais e perpetua o conceito de que individualmente os chefes de Executivos são bem mais efetivos.</p>
<p>Estivessem os demandantes em questão ultrajando o estatuto do Clube dos Prefeitos, teria razão Adler Kiko Teixeira em parecer resistente à solicitação. Como o que temos é exatamente o contrário, isto é, uma iniciativa para dar maior densidade e participação da comunidade regional, eis que temos enigma como desafio.</p>
<p>Por que será que o presidente do Consórcio de Prefeitos transmite a sensação de que não quer um Conselho Consultivo formado por gente da comunidade para somar esforços por um Grande ABC abaladíssimo na estrutura econômica?</p>
<p>O que estaria reservado de tão especial a ponto de o presidente do Clube dos Prefeitos dar a impressão de que não precisaria se esforçar de imediato para atender a profissionais de distintas atividades na região, já que é este o perfil do Conselho Deliberativo da revista LivreMercado?</p>
<p>Nem de corporativa o titular do Clube dos Prefeitos pode atribuir a iniciativa de LivreMercado porque a abertura da entidade é uma coisa e a composição do quadro de conselheiros consultivos é outra.</p>
<p>Traduzindo em miúdos: os conselheiros deliberativos de LivreMercado não fazem lobby para se instalarem no Conselho Consultivo proposto para o Clube dos Prefeitos. Só querem que o Conselho Consultivo proposto para o Clube dos Prefeitos seja realidade, independentemente de quem ocupe as vagas.</p>
<p>Antecipo que não sou candidato a nada porque já tenho minha tribuna de responsabilidade social e não posso tomar o lugar de voluntários preparados para contribuir.</p>
<p>Espero que Kiko tenha as chaves de respostas.</p>
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		<title>Só falta fazer o convite</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Aug 2007 20:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O Conselho Editorial de LivreMercado espera convite do presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, Adler Kiko Teixeira. A expectativa de reunir-se com o dirigente que comanda o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos é o desdobramento da enquete preparada por LivreMercado que culminou com a proposta de abertura da entidade a representantes da sociedade local [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Conselho Editorial de LivreMercado espera convite do presidente do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, Adler Kiko Teixeira. A expectativa de reunir-se com o dirigente que comanda o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos é o desdobramento da enquete preparada por LivreMercado que culminou com a proposta de abertura da entidade a representantes da sociedade local &#8212; e que foi transformada em Reportagem de Capa da edição de julho.</p>
<p>Kiko Teixeira, que dirige o Clube dos Prefeitos em regime rotativo até fevereiro do ano que vem, preferiu compartilhar a resposta com os demais prefeitos. Em carta-resposta a LivreMercado, Adler Kiko Teixeira afirmou que endereçou o pedido ao colegiado de assessores dos demais prefeitos.</p>
<p>O Clube dos Prefeitos caminha para duas décadas de atuação mas se mantém fechado. Os resultados de políticas públicas adotadas ao longo desse período estão muito aquém das necessidades de uma região que sofreu duramente com a desindustrialização dos anos 1990.</p>
<p>LivreMercado propôs e a maioria dos conselheiros editoriais concordou com a abertura do organismo. Um Conselho Consultivo formado por representantes econômicos e sociais do Grande ABC engrossaria a representatividade institucional. Por sua vez, os prefeitos ocupariam espécie de Conselho de Administração, com amplos poderes de decisão. Um presidente-executivo especializado em questões metropolitanas daria operacionalidade às demandas, subordinado aos prefeitos. Essas são, basicamente, as mudanças mais importantes propostas ao organismo.</p>
<p>Na carta enviada ao presidente do Clube dos Prefeitos, com cópias para os demais chefes de Executivos do Grande ABC, LivreMercado reproduz o anseio dos conselheiros editoriais bem como organiza de forma hierarquizada o &#8220;Decálogo de Desenvolvimento Econômico&#8221; da região, no qual a reestruturação do Clube dos Prefeitos é o ponto principal.</p>
<p>Embora a origem da enquete com os quase 250 conselheiros editoriais fosse a abertura do Clube dos Prefeitos, LivreMercado decidiu ampliar a possibilidade de reorganização institucional do Grande ABC. Cópias do decálogo foram enviadas aos deputados estaduais e federais da região. Aos 12 parlamentares LivreMercado sugere a formação do Clube dos Deputados, réplica legislativa dos Executivos locais. Os nove deputados estaduais e os três deputados federais comporiam organismo que atuaria em sinergia com o Clube dos Prefeitos.</p>
<p>A possibilidade de Adler Kiko Teixeira e dos demais prefeitos do Grande ABC reunirem-se com representantes da sociedade civil que ocupam o Conselho Editorial de LivreMercado é considerada mais que provável por fontes do Clube dos Prefeitos. O desagrado que justificaria a ausência de Adler Kiko no Prêmio Desempenho Empresarial, mês passado no Primeiro de Maio Futebol Clube, não está entre as versões mais difundidas nos bastidores daquela instituição. A leitura beligerante de que a Reportagem de Capa de LivreMercado teria ferido susceptibilidades no Clube dos Prefeitos não teria sustentação. A maioria dos prefeitos concorda com a iniciativa da publicação.</p>
<p>João Avamileno, prefeito de Santo André, foi explicitamente favorável à iniciativa durante reunião do programa Santo André Cidade Futuro, quando disse que a reinstalação do projeto de Celso Daniel, com novos contextos, é exemplo de abertura para a sociedade de Santo André que o Clube dos Prefeitos e outros municípios poderiam seguir. Como Avamileno será o próximo presidente do Clube dos Prefeitos, ano que vem, o rompimento do lacre de isolamento seria questão de tempo. É possível que, diante disso, Kiko Teixeira antecipe-se na iniciativa.</p>
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		<title>Clube, não bancada</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/clube-nao-bancada/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Aug 2007 00:31:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando decidi repassar aos leitores da revista LivreMercado identidade mais palatável e didática do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos, imprimindo a marca &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221; na Reportagem de Capa de julho, acabei por invadir um campo que se apresenta bastante fértil em retórica explicativa e objetiva. Sim, porque ao Clube dos Prefeitos adicionei o Clube dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando decidi repassar aos leitores da revista LivreMercado identidade mais palatável e didática do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos, imprimindo a marca &#8220;Clube dos Prefeitos&#8221; na Reportagem de Capa de julho, acabei por invadir um campo que se apresenta bastante fértil em retórica explicativa e objetiva. Sim, porque ao Clube dos Prefeitos adicionei o Clube dos Deputados, que vem a ser os parlamentares que supostamente representam a região tanto na Assembléia Legislativa quanto na Câmara Federal.</p>
<p>Por que acho que Clube dos Prefeitos e Clube dos Deputados são marcas mais interessantes e, do ponto de vista jornalístico, muito mais recomendáveis?</p>
<p>Clube dos Prefeitos é melhor porque o conservadorismo da marca Consórcio Intermunicipal de Prefeitos deve ficar restrito quando não aquartelado à denominação jurídico-formal da instituição que Celso Daniel, Luiz Tortorello, Maurício Soares, José Augusto da Silva Ramos e os demais prefeitos resolveram criar no começo dos anos 1990 para dar um mínimo de organicidade à fragmentação institucional destas terras.</p>
<p>Clube dos Deputados porque se contrapõe com mais clareza e sensibilidade instigante à alternativa lançada já faz tempo, chamada de Bancada do Grande ABC. Até porque, como se sabe, Bancada do Grande ABC não passa de projeção por demais otimista, para não dizer ufanista, de sugerir que, embora divididos e subdivididos em várias instâncias partidárias, os parlamentares da região algum dia formariam de fato base de operação conjunta. Bancada do Grande ABC transpira engodo ao destilar algo que de fato não existe. É um jogo de palavras que anestesia o senso crítico e torna válido um movimento de valorização da regionalidade que jamais se integrou de fato.</p>
<p>Por que, então, Clube dos Deputados é diferente?</p>
<p>Vou tentar explicar. Talvez não convença, mas vou tentar:</p>
<p>Clube dos Deputados não pressupõe que exista entre os parlamentares e a sociedade regional relacionamento estreito, tanto quanto não existe entre o Clube dos Prefeitos e essa mesma sociedade regional.</p>
<p>Clube dos Deputados é um agrupamento de origem geográfico-domiciliar-eleitoral dos chamados representantes do Grande ABC na esfera legislativa. Goste-se ou não, admita-se ou não, eles estão umbilicalmente compromissados com a vida social, econômica e política da região. Podem até um e outro estar equidistantes do balanço deste navio de complicações ditadas pela globalização ensandecida, mas de alguma forma, mais cedo ou mais tarde, principalmente quando as águas das eleições batem-lhes nas nádegas da sobrevivência política, eles se perfilam individualmente em defesa das respectivas cores dos municípios que mais lhes dão sufrágios.</p>
<p>Como essa participação é intermitente na melhor das hipóteses, nada mais correto do que introduzi-los no Clube dos Deputados, em vez de lhe entregarem de bandeja a sustentação marquetológica de Bancada do Grande ABC.</p>
<p>Clube dos Deputados pressupõe grupo de parlamentares com objetivos eventualmente em comum mas sem representatividade efetiva do Grande ABC, exceto quando de fato apresentar resultados concretos, coletivamente ou não.</p>
<p>Bancada do Grande ABC pressupõe grupo de parlamentares com total delegação e interação com o Grande ABC, espécie de conquista de um título sem disputar nenhum jogo.</p>
<p>Clube dos Deputados é um campeonato de acesso à Bancada do Grande ABC, assim como Clube dos Prefeitos é um campeonato de acesso ao Consórcio Intermunicipal.</p>
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		<title>Clube dos Deputados</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jul 2007 00:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os oito deputados estaduais do Grande ABC, entre os 94 (não 90 como escrevi ainda outro dia) não podem continuar fora da órbita de atuação do Clube dos Prefeitos, como chamamos o Consórcio Intermunicipal, formado exclusivamente pelos sete Executivos da região. Tanto quanto os três deputados federais com domicílio eleitoral na região.
Por mais que interesses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os oito deputados estaduais do Grande ABC, entre os 94 (não 90 como escrevi ainda outro dia) não podem continuar fora da órbita de atuação do Clube dos Prefeitos, como chamamos o Consórcio Intermunicipal, formado exclusivamente pelos sete Executivos da região. Tanto quanto os três deputados federais com domicílio eleitoral na região.</p>
<p>Por mais que interesses partidários e de sobrevivência eleitoral sejam catalogados como empecilhos à conversão tácita de parlamentares a causas regionais, nada resistiria ao chamamento de todos eles. Mais que isso: se o Conselho Consultivo com que sonhamos para o Clube dos Prefeitos, integrados por agentes da sociedade, funcionar sob princípios de igualdade e responsabilidade, não haveria como os legisladores despirem-se de compromissos e engajarem-se nessa proposta.</p>
<p>O enclausuramento do Clube dos Prefeitos, assunto do qual tratei na Reportagem de Capa da revista LivreMercado deste julho, é o pretexto que os deputados estaduais e deputados federais encontram para afirmar que nada podem fazer num organismo que os rejeita. E convenhamos que eles têm razão porque, se forçarem a barra em busca de espaço numa entidade que tem por obrigação olhar a região como um todo, sem fragmentação, poderão os opositores dizer que se tratam de oportunistas.</p>
<p>De qualquer modo, mesmo entendendo que os deputados do Grande ABC foram sempre barrados do baile dos Executivos, o distanciamento coletivo como instância de poder é um ônus que deve ser atribuído a todos eles.</p>
<p>Se houvesse de fato vontade política para alterar o rumo dos acontecimentos, tanto os legisladores estaduais como os legisladores federais poderiam estar reunidos em torno por exemplo do Clube dos Deputados, instância que os uniria em pontos que são cruciais para a saúde econômica e social do Grande ABC. O arcabouço do Clube dos Deputados requereria não mais que algumas reuniões, porque o papel que caberia a cada um deles está à flor da pele das carências estruturais da região.</p>
<p>O que quero dizer com isso é que não é possível mais conviver com o estado catatônico em que se encontra a institucionalidade do Grande ABC em diferentes áreas. Há paralisia inquietante que se contrapõe à avalanche de transformações de um mundo que se globaliza não apenas na economia e nas finanças mas também nos costumes, na cultura, tudo que é transportável virtualmente pelos veículos de comunicação.</p>
<p>A máxima de que o melhor contraponto da globalização é a regionalização só terá a musculatura de resistência e valoração se iniciativas locais forem incentivadas e praticadas, principalmente sob o prisma de planejamento estratégico. Por enquanto, infelizmente, salvo exceções de praxe, o que temos são espectadores omissos que torcem para que, como num passe de mágica, as peças hoje embaralhadas encontrem seus respectivos encaixes. Temos espécie de efeito-dominó com queda das individualidades com consequências danosas para o coletivo.</p>
<p>Os deputados estaduais e federais do Grande ABC não podem continuar em larga escala alheios às nuances decorrentes de fatores internos e externos que colocaram esse território na condição de maior vítima nacional da inserção econômica perpetrada nos anos 1990 com o suporte do governo federal, do governo estadual e da omissão ou da baixa percepção dos governos locais, além de uma comunidade estupidamente inerte.</p>
<p>É por essas e outras que também estou preparando o envio do &#8220;Decálogo do Desenvolvimento Econômico&#8221; do Grande ABC aos deputados locais que atuam na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal.</p>
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		<title>Clube dos prefeitos</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jul 2007 00:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito sinceramente que os prefeitos dos sete municípios do Grande ABC não confundirão a iniciativa da revista LivreMercado junto ao Conselho Editorial com um cavalo bravo de rodeio. A decisão da enquete para que se abram as portas daquela instância à comunidade, eliminando-se portanto o caráter de exclusividade dos atuais ocupantes, é prova de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito sinceramente que os prefeitos dos sete municípios do Grande ABC não confundirão a iniciativa da revista LivreMercado junto ao Conselho Editorial com um cavalo bravo de rodeio. A decisão da enquete para que se abram as portas daquela instância à comunidade, eliminando-se portanto o caráter de exclusividade dos atuais ocupantes, é prova de que há muita gente preocupada com o destino regional.</p>
<p>O Conselho Editorial na porção que lhe compete de premissa de abertura do Clube dos Prefeitos, porque há conselheiros sim que optaram pelo modelo atual, quer única e simplesmente ver a roda da regionalidade girar sem emperramentos de qualquer natureza.</p>
<p>Fosse eu prefeito de qualquer uma das cidades do Grande ABC há muito teria lutado com meus pares para acabar com o Clube do Bolinha em que se converteu o Consórcio Intermunicipal.</p>
<p>A história está aí para provar e comprovar que a clausura é erro crasso porque a instituição não consegue legitimidade social às empreitadas que empreende. E olha que estou me referindo a prefeitos eleitos pelo povo e que, por isso mesmo, podem se achar no direito de dispensar colaboradores da sociedade, mesmo que simplesmente como agentes consultivos, como é a proposta de muitos anos de LivreMercado corroborada agora pelo Conselho Editorial.</p>
<p>Ninguém escreveu mais sobre o Clube dos Prefeitos ao longo dos tempos do que este jornalista. Meus arquivos estão recheados de artigos, reportagens, análises e tudo o mais. Por isso estou à vontade nessa iniciativa que teve amplo apoio dos conselheiros. O fato é que do jeito que está não pode continuar.</p>
<p>Todos os vícios possíveis tornam o Clube dos Prefeitos operação de produtividade às avessas porque seus titulares são muito menos respeitados nessa instância regional do que individualmente nos respectivos territórios como mandatários do Executivo.</p>
<p>A iniciativa da revista LivreMercado em realizar consulta com conselheiros editoriais (são 250 profissionais de diversas áreas que estão integrados à publicação, num inigualável exemplo de compartilhamento de gestão informativa sem que a publicação perca necessariamente a capacidade de gerenciar a linha editorial) não vai morrer na praia. Acredito sinceramente, repito, que os prefeitos locais vão entender que o ovo de Colombo desprezado está à mão. A regionalidade passa pelo chamamento de agentes locais, entre outras iniciativas que, aliás, estão contidas no &#8220;Decálogo do Desenvolvimento Econômico&#8221; do Grande ABC, formulado no ano passado.</p>
<p>O grande risco que se corre quando se abre a diferentes protagonistas os encaminhamentos mesmo que em forma de consultas é a dispersão temática. Não foi por outra razão que, ao falar a 90 conselheiros de LivreMercado na última semana, num encontro realizado em pleno horário comercial, chamei a atenção para o histórico do Fórum da Cidadania, aquela que foi a maior inovação comunitária que o Grande ABC já produziu mas que morreu de morte morrida exatamente porque suas lideranças se deixaram levar, entre outras inconformidades, pela multiplicidade incontrolável de pautas, sem estabelecer prioridades.</p>
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		<title>Conselho reclama abertura democrática</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jul 2007 20:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O Clube dos Prefeitos do Grande ABC, como pode ser popularizada a instância que reúne os sete chefes do Executivo sob a clássica denominação de Consórcio Intermunicipal, precisa passar por processo de planejamento e decisões compartilhadas com a comunidade regional para ganhar músculos institucionais e pragmáticos no enfrentamento dos efeitos da globalização que longe estão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Clube dos Prefeitos do Grande ABC, como pode ser popularizada a instância que reúne os sete chefes do Executivo sob a clássica denominação de Consórcio Intermunicipal, precisa passar por processo de planejamento e decisões compartilhadas com a comunidade regional para ganhar músculos institucionais e pragmáticos no enfrentamento dos efeitos da globalização que longe estão de se dissipar. </p>
<p>A sugestão é do Conselho Editorial de LivreMercado, sabatinado numa enquete realizada há três meses sobre a necessidade de abertura do Clube dos Prefeitos. O resultado é revelado somente agora, véspera de um encontro histórico. Os 250 integrantes da comunidade do Grande ABC, que atuam diretamente na definição dos melhores cases e individualidades de cada temporada do Prêmio Desempenho, estão sendo convidados pela direção da publicação a assumirem posição mais incisiva em defesa da regionalidade sem, entretanto, envolverem-se diretamente com a operacionalidade das medidas. </p>
<p>E tudo começará exatamente pelo Clube dos Prefeitos, cujo escopo técnico-operacional é versão institucional do Clube do Bolinha. Coincidentemente, como são homens os prefeitos do Grande ABC, eles reproduzem simbolicamente aquela expressão retirada das histórias em quadrinhos e utilizada à exaustão como metáfora para diferentes situações. </p>
<p>O Consórcio de Prefeitos realiza reuniões fechadas à Imprensa e longe dos olhos e ouvidos de representantes de instâncias sociais, econômicas e não-governamentais. As decisões são repassadas à mídia de forma oficial, geralmente sem condições de questionamentos. Há baixíssima transparência. </p>
<p>Até mesmo a assiduidade dos chefes de governo é camuflada. Nos tempos em que comandou São Caetano com iniciativas arraigadamente municipalistas, as ausências do prefeito Luiz Tortorello eram frequentes, mas sempre tratadas intramuros. Quando muito ele enviava um representante do quadro de secretários. Hoje, atribui-se a outros nomes o mesmo comportamento, embora menos reincidentes em faltas, mas semelhantes em priorizar o território no qual foram eleitos. </p>
<p>As pressões municipais um dia levaram Celso Daniel a refluir o entusiasmo pela prioridade a um regionalismo que não conseguia sensibilizar os demais prefeitos. Justamente Celso Daniel, o maior símbolo das tentativas de integração regional. O encanto pelo autarquismo acaba por enfraquecer os municípios em ações conjuntas. Um contra-senso que tem custado muito caro. Somente em casos muito especiais a região de 2,5 milhões de habitantes e territórios contíguos é fatiada em decisões de investimentos privados. A análise do ambiente de negócios passa necessariamente por todo o mapa regional. </p>
<p>Celso Daniel já enxergava essa evidência no começo dos anos 1990, quando globalização era verbete desconhecido e os efeitos da quebra de fronteiras nacionais e internacionais não passavam de especulações. Naquela época, Celso Daniel fazia parte do primeiro grupo de prefeitos que fundaram e deram embalo ao Consórcio Intermunicipal. Contam alguns protagonistas daquela iniciativa que Luiz Tortorello, principalmente, foi quem mais se envolveu na construção do Consórcio Intermunicipal. </p>
<p>Há controvérsias sobre essa revelação. Fato mesmo é que a história do Clube dos Prefeitos qualifica o três vezes administrador de Santo André como principal estrela da regionalidade. E Luiz Tortorello como empedernido municipalista, responsável pela guerra fiscal interna ao dar um golpe nos demais prefeitos quando decidiu isoladamente rebaixar alíquota de ISS (Imposto Sobre Serviços) para atrair empresas sediadas na vizinha Capital. </p>
<p> O problema maior do Clube dos Prefeitos é muito mais que transformar-se em Clube do Bolinha. Os resultados durante quase duas décadas de atuação estão muito aquém das necessidades conjunturais de uma região duramente abatida no setor industrial pela abertura econômica combinada com guerra fiscal, política de juros elevadíssimos e moeda igualmente valorizada que marcaram a primeira etapa do Plano Real. </p>
<p>Um símbolo que reduziria a pó as eventuais defesas do papel institucional relevante do Clube dos Prefeitos é o fracasso de sequer ter lotado uma kombi de autoridades para requerer do então presidente Fernando Henrique Cardoso mais comedimento e medidas compensatórias na abertura econômica que atingiu em cheio o parque industrial. </p>
<p>Outros exemplos poderiam ser pinçados sem esforço de memória. A atuação do governo do Estado é emblemática do que ocorreu mesmo com esse suposto mecanismo de integração regional. Tanto que Luiz Antonio Fleury Filho, Mário Covas e Geraldo Alckmin contabilizaram relações pífias com a região. Os resultados são alarmantemente frágeis. O trecho sul do Rodoanel começou pela região da Grande Osasco e há quase uma década o cronograma está em atraso no Grande ABC porque faltou coalizão político-institucional para sensibilizar o governo do Estado. A própria dispersão do setor automotivo nos anos 1990 foi acompanhada sem comiseração pelo governo estadual de plantão. </p>
<p>Disputas político-partidárias surdas são o núcleo de dissensões explícitas e implícitas do Clube dos Prefeitos. No passado recente se atribuía a divisão de interesses e de mobilização à desigualdade de forças. O PT contava com cinco prefeitos e os partidos conservadores com apenas dois. O jogo se inverteu na mesma proporção em 2004, mas nem por isso houve avanço significativo. </p>
<p>O que persiste como maldição de um presidencialismo estúpido que ignora o fato de que prefeitos não nasceram para ficar longe de holofotes é que a mobilização de cada chefe de Executivo depende da posição que ocupa na organização. Geralmente eles só se dedicam a valer quando estão na presidência, um dos desdobramentos da anomalia do regime apontado há tempos por LivreMercado e também por Capital Social Online, newsletter que procura dar agilidade informativa e analítica à revista de papel. </p>
<p>A decisão de o Conselho Editorial de LivreMercado reprovar o estatuto que praticamente imobiliza e condena o Clube dos Prefeitos à morosidade organizacional e operacional coincide com histórica posição da publicação. A enquete foi preparada para detectar o grau de sensibilização às questões regionais desse grupo de mais de duas centenas de profissionais de diferentes atividades. </p>
<p>Não necessariamente os resultados do Conselho Editorial definem a linha de atuação de LivreMercado. Nesse caso, entretanto, confirma a postura contrária da publicação a um estatuto já esgotado e cujos resultados se limitam a pontualidades &#8212; como um elenco de obras, entre as quais piscinões que clamam por manutenção. Planejamento Estratégico no sentido mais amplo da expressão, com vistas à competitividade do Grande ABC no cenário mundial de asiáticos loucos por dinheiro, não passa de desejo de poucos. </p>
<p>Havia 238 participantes no grupo de conselheiros editoriais de LivreMercado contra os 250 atuais quando foi posto à avaliação o figurino que deveria doutrinar as atividades do Clube dos Prefeitos. Houve participação de 67% dos conselheiros que tiveram de optar exclusivamente por uma das três alternativas apresentadas. Sessenta deles complementaram o trabalho com breve análise do Consórcio de Prefeitos. A incidência acachapante em favor da abertura do Clube dos Prefeitos não deixa dúvida: a sociedade quer participar muito além de um voyeurismo angustiante, mas, concretamente, na forma de interlocutora. </p>
<p>Por isso, um segundo passo está sendo dado no início deste mês, quando, em 5 de julho, propositadamente a data de distribuição da edição de LivreMercado, conselheiros editoriais vão se reunir a partir das 16h no Centro Empresarial Pereira Barreto, em Santo André. O encontro servirá, entre outros quesitos que constam da pauta, para estudos quanto à forma de reivindicação por espaços na arena de debates das questões regionais. Os conselheiros presentes vão receber um exemplar da edição de julho de LivreMercado e só então tomarão conhecimento da proposta da publicação de que, além da abertura do Clube dos Prefeitos para a comunidade, vários de seus representantes possam ocupar eventual Conselho Consultivo daquela instituição. Para isso, evidentemente, será necessário promover reforma estatutária. </p>
<p>Nenhuma novidade nesse sentido porque em março de 2005 a Fundação Getúlio Vargas ocupou a mesma seara proposta por LivreMercado e apresentou estudo de 92 páginas que defendia, entre outros pontos, a profissionalização do Clube dos Prefeitos com a contratação de um executivo profissional, além da constituição de um Conselho Consultivo formado por representantes da sociedade regional. Ou seja: o Clube do Bolinha já estava com os dias contados. O risco que o modelo da FGV trazia implícito era a possibilidade de o Clube dos Prefeitos virar casa da sogra porque se postulava Assembléia Geral como instância de poder decisivo, ocupada por prefeitos, representantes das Câmaras Municipais e das entidades civis, entre outros. </p>
<p>A separação entre objetivos institucionais e ações político-partidárias demarcará a linha de atuação suplementar do Conselho Editorial de LivreMercado no Clube dos Prefeitos, numa eventual aquiescência dos integrantes daquele organismo público em contar com reforço de representantes da sociedade. Espaço apartidário, o Conselho Editorial aprovará no mesmo encontro o Código de Ética que balizará provável incursão institucional além dos muros do Prêmio Desempenho. Por isso mesmo, o debate sobre o Clube dos Prefeitos ocupa o último tópico da agenda. Dessa forma, o Conselho Editorial atuará em duas frentes distintas: como quadro que decide a sorte da grade dos melhores da temporada do Prêmio Desempenho e como instância reivindicadora de políticas públicas em defesa da regionalidade. </p>
<p>A expectativa de LivreMercado é que, diante de possível reestruturação do Clube dos Prefeitos, membros do Conselho Editorial da publicação venham a fazer parte do Conselho Consultivo daquela instância de poder.</p>
<p>A profissionalização do Consórcio de Prefeitos é um dos pontos do Decálogo do Desenvolvimento Econômico, publicado por LivreMercado em julho do ano passado. Também esse material será colocado à avaliação dos conselheiros de LivreMercado no encontro de 5 de julho. Cada conselheiro receberá uma cópia do conjunto de propostas e vai hierarquizar as iniciativas sugeridas pela publicação. A avaliação será realizada durante o encontro com a entrega de material específico para devolução em seguida à coordenação-geral. A votação será secreta para evitar qualquer tipo de constrangimento. </p>
<p>Segundo o decálogo, a profissionalização do Clube de Prefeitos teria a coordenação de um executivo de reconhecida experiência em questões metropolitanas. Os prefeitos passariam a formar o Conselho de Gestão. Representantes dos governos locais, empresários, sindicalistas e membros da sociedade comporiam o Conselho Consultivo. É nesse espaço do organograma, do Conselho Consultivo, que ingressariam representantes do Conselho Editorial de LivreMercado. </p>
<p>Consta daquele grupo de propostas a contratação de consultoria especializada em competitividade para reorganizar todo o sistema econômico do Grande ABC. Nada mais providencial, embora demorado, para enfrentar o mundo globalizado. LivreMercado defende que a empresa contratada tenha no currículo ampla experiência teórica e prática de dinamização de economias regionais. </p>
<p>Durante o governo de Marta Suplicy, na Prefeitura de São Paulo, uma consultoria internacional traçou os planos para dinamizar a Zona Leste de São Paulo. A iniciativa foi abalroada pela derrota da petista na disputa da reeleição, mas, mesmo assim, vários legados marcam aquela geografia de 3,5 milhões de habitantes. A criação de um braço da USP (Universidade de São Paulo) é uma das respostas da disputa entre tucanos e petistas por aquele contingente de eleitores. </p>
<p>Um terceiro ponto é a definição de cronograma para reduzir gradualmente as despesas dos legislativos locais a níveis dos melhores indicadores das cidades mais importantes do Estado. A conta de chegada para a aferição de reforma de custos dos legislativos é simples: a divisão das despesas gerais, incluindo salários de vereadores, pela população do Município. </p>
<p>Também receitas do IPTU vão ser expostas aos conselheiros editoriais. Pretende-se utilizar parcelas relativamente pré-definidas do imposto municipal para planejamento e projetos de valorização de atividades de comércio e serviços de forma descentralizada, principalmente para fortalecer pequenos e microempreendimentos. Os valores seriam proporcionais à arrecadação com o imposto nos respectivos distritos municipais. Não escapariam recursos compensatórios por conta de realidade socioeconômica, tratando de forma desigual áreas desiguais. Essa experiência é vitoriosa no Primeiro Mundo. As demandas de consumo seriam estimuladas à concentração nas proximidades dos estabelecimentos. Não está fora de foco a inserção de programas socioculturais como ferramentas de sensibilização dos consumidores. </p>
<p>O decálogo de desenvolvimento Econômico também aperta o governo do Estado e o governo federal, com mobilização para engordar repasses de recursos financeiros de acordo com a participação territorial no contexto da lei de proteção dos mananciais. Em situação análoga, municípios brasileiros bafejados pela exploração de petróleo recebem quantias consideráveis a título de royalties. O despropósito da comparação só é possível entre quem subestima o valor intrínseco cada vez maior da água num mundo ameaçado pelo efeito-estufa. O Grande ABC conta com a bacia da Represa Billings, maltratada por ocupações irregulares, e não consegue contrapartidas financeiras para política de recuperação, inclusive com atividades econômicas que nem de longe afetem o meio ambiente. </p>
<p>A segurança pública tem espaço reservado no decálogo com um conselho regional formado por representantes governamentais, não-governamentais e econômicos. A iniciativa tem por meta gerar e impulsionar políticas de potencialização da qualidade de vida. Embora tenha apresentado nos últimos quatro anos mudanças expressivas na área, o Grande ABC segue como um dos principais endereços no ranking de criminalidade, segundo o IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual que é o braço de estatísticas e estudos de LivreMercado. </p>
<p>Outro ponto do decálogo é a reorganização conjunta do Grande ABC à ocupação e reocupação de espaços físicos que jamais foram objeto de investimentos produtivos ou que sobraram como memória de evasão industrial. Há buraco imenso de planejamento público para dar a essas áreas atividades que contribuam para o desenvolvimento econômico. Tudo leva a crer que o boom do setor imobiliário, movido a crédito fluvial e juros baixos, comprometerá ainda mais a disponibilidade de terras para uso produtivo e gerador de emprego. O que não falta ao Grande ABC é estoque de áreas industriais desocupadas ou que jamais receberam investimentos. </p>
<p>Outro vetor do decálogo está relacionado à extensão de ações sistêmicas de empresas do Pólo Petroquímico de Capuava para o conjunto de interesses econômicos e sociais de Santo André e de Mauá, municípios altamente dependentes dos tributos dessa atividade econômica. A proposta é que o adensamento da cadeia de terceira geração de transformadores plásticos encha os cofres públicos de impostos e multiplique mão-de-obra intensiva. Por uma dessas aberrações típicas de descaso com planejamento estratégico, o maior número de empresas transformadoras de plásticos está em Diadema, lado oposto do parque industrial na divisa de Santo André e Mauá.</p>
<p>A infra-estrutura física do Grande ABC insere-se no decálogo com a elevação do Rodoanel e do Ferroanel a patamares de providenciais estruturas de transporte, impedindo-se a possibilidade mais que viável de tornarem-se modais prevalecentemente de passagem de riqueza pela geografia do Grande ABC, como ocorreu ao longo da história com a rede ferroviária. LivreMercado considera necessários estudos para entrelaçar o Rodoanel e o Ferroanel às necessidades desenvolvimentistas do Grande ABC. A simples possibilidade de as obras romperem o território regional não é garantia de que tanto o Rodoanel como o Ferroanel contribuirão para a recuperação do tecido econômico e social. </p>
<p>Completando a lista das 10 prioridades elencadas por LivreMercado que serão levadas à análise do Conselho Editorial, propõe-se a constituição de grupo especial que tratará especificamente da indústria automotiva, com a participação de representantes de governos locais, estadual e federal, executivos, empresários e sindicalistas. </p>
<p>Embora LivreMercado reconheça que a atividade automotiva da região seja um mundo à parte, com decisões empresariais e sindicais historicamente enclausuradas, nada mais providencial que estabelecer cadeia institucional que assegure relações mais próximas entre a sociedade local e os representantes da principal fonte de recursos e de problemas do Grande ABC. De recursos porque além de tributos o setor automotivo gera muitos postos de trabalho. De problemas porque, como principal fonte de insumos do PIB da região, empregos e impostos tão substantivos não podem ficar tão fora do controle econômico e social. Haja vista o que ocorreu nos anos 1990, quando grande parte dos 100 mil postos de trabalho industriais com carteira assinada foi retirada de montadoras e autopeças. </p>
<p>O prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Kiko Teixeira, tem se esforçado para dar vida ao Clube dos Prefeitos, como seu antecessor e espécie de protetor, William Dib, de São Bernardo. No passado foi praticamente assim o modelo de atuação do presidente de plantão. Trabalha-se muito, muito mesmo, mas os resultados não correspondem às necessidades. O pressuposto de que o presidente temporal do Clube dos Prefeitos deve fazer girar a roda da regionalidade enquanto os demais participantes não necessariamente puxam o freio de mão, mas inevitavelmente distendem músculos, é inevitável. A prova suprema de que o Clube dos Prefeitos é no mínimo reticente de gerenciamento regional está na constatação de que o prestígio individual dos chefes de Executivos em seus respectivos municípios é maior do que a percepção como agentes de construção de regionalidade. </p>
<p>Muito dessa dicotomia se deve aos temários escolhidos pelo Clube dos Prefeitos. Entra presidente, sai presidente, a agenda de ações tem a altura transformadora de uma lombada eletrônica. A atuação de Adler Kiko é sintomática da superficialidade. Nos últimos tempos ele tem ocupado espaços nos jornais da região com temários rasos, levando-se em conta as queimaduras de terceiro grau do tecido socioeconômico regional. </p>
<p>Em 5 de junho deste ano o Diário do Grande ABC publicou matéria que caracteriza o estágio de baixo prestígio do Clube dos Prefeitos. Sob o título &#8220;Consórcio não consegue entregar lista a Serra&#8221;, a matéria dá conta de que o encontro entre o Clube dos Prefeitos e o governador do Estado para oficializar a entrega de carta de reivindicações do Grande ABC vai demorar para acontecer. A previsão foi anunciada pelo próprio presidente Adler Kiko, que atribuiu o contratempo à agenda do governador. </p>
<p>São dispensáveis detalhes: como se explica que uma região que tanto contribui para os cofres do Estado não consegue abrir brecha na agenda do governador? Será que se o Clube dos Prefeitos fosse acrescido de algumas dezenas de lideranças de vários setores econômicos, sociais e governamentais, inclusive deputados estaduais e deputados federais, o tratamento seria semelhante? </p>
<p>A lista de reivindicações do Grande ABC está pronta desde março mas não é integralmente substantiva para um território que precisa dar a volta por cima depois dos anos 1990. A estadualização do Hospital Radamés Nardini, em Mauá, é prioridade que o prefeito Leonel Damo, aliadíssimo do governador, inclui na relação. Cobra-se agilidade nas obras do trecho sul do Rodoanel, a indicação de um interlocutor entre uma fantasia institucional chamada Câmara Regional e o Palácio dos Bandeirantes, a aprovação de lei específica da Represa Billings, a inclusão do Grande ABC na lei de mananciais para recebimento de ICMS ecológico, além da redução da alíquota do mesmo imposto na cadeia petroquímica. Também a reativação da DIR (Diretoria Regional de Saúde), em Santo André. </p>
<p>Como se observa, o Clube dos Prefeitos não consegue separar o tático do estratégico para exigir atuação menos omissa do governo do Estado. A pauta é variada e em vários pontos requentada. Mas não falta quem babe ovo a uma regionalidade escassa. </p>
<p>Ainda em junho o Diário do Grande ABC publicou notícia que dá conta do quanto o Clube dos Prefeitos faz do marketing valorização intramuros públicos. O ex-prefeito de Rio Grande da Serra, Ramon Velasquez, nomeado secretário geral da Amat (Associação dos Municípios do Alto Tietê), pretende levar para aquele organismo o modelo que o Grande ABC conhece e aplica há quase duas décadas. Seria melhor pedir autorização à Fundação Getúlio Vargas e recolher uma cópia do plano preparado e entregue há dois anos para a reformulação do Clube dos Prefeitos. A essência avaliadora é a constatação de que a instituição contraria todas as regras de boa administração, já que a soma das qualidades das partes jamais consegue ser ao menos igual à individualidade de cada administrador municipal. </p>
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		<title>Teste ideológico</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jun 2007 04:20:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A quem os leitores atribuem as seguintes frases:
&#8220;O atual movimento estudantil está dessintonizado com a universidade. Fomos a geração da revolução cultural. Hoje existem muitas formas de participação política e profissional que afastam os jovens da política estudantil. (&#8230;) Por meio de parcerias, a universidade pública pode desenvolver pesquisas e promover capacitação profissional para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A quem os leitores atribuem as seguintes frases:</p>
<p>&#8220;O atual movimento estudantil está dessintonizado com a universidade. Fomos a geração da revolução cultural. Hoje existem muitas formas de participação política e profissional que afastam os jovens da política estudantil. (&#8230;) Por meio de parcerias, a universidade pública pode desenvolver pesquisas e promover capacitação profissional para a empresa privada. As empresas não buscam só o lucro. Existe uma resistência surda à aproximação entre a universidade pública e a empresa privada.&#8221;<br />
Para facilitar a vida dos leitores, listamos algumas possibilidades. Faça um &#8220;xis&#8221; no espaço reservado para o suposto autor daquelas frases:</p>
<p>( ) Fernando Henrique Cardoso</p>
<p>( ) Luiz Inácio Lula da Silva</p>
<p>( ) José Genoino</p>
<p>( ) José Serra</p>
<p>( ) José Dirceu</p>
<p>( ) Fernando Gabeira</p>
<p>Quem apontou Fernando Henrique Cardoso errou redondamente. Embora tenha sido perseguido pela ditadura militar, FHC não atuou no movimento estudantil. Era marxista, professor universitário, combatente da democracia. Aprecia tanto o regime democrático que não vacilou um instante sequer em preparar esquema de compra de votos para, em seguida, reeleger-se presidente. É claro que providenciou o retardamento de inevitável desvalorização da moeda para o começo do ano seguinte da vitória eleitoral. Além disso, não costuma revirar o passado de escritos, quanto mais de ditos. Até pediu para que esquecessem o que escreveu antes de virar manda-chuva do País. Até que muitos esquecem o que tem dito, embora não faltem aqueles que até paguem para ouvi-lo. Ex-estatista, promoveu a maior onda de privatizações da história republicana.</p>
<p>Errou quem apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu negócio sempre foi a militância sindical. A ditadura o enclausurou não porque teria agitado o ambiente universitário, geralmente de elite, mas porque botou fogo nos chãos de fábrica. Aliás, não faltam versões que o colocam como semente plantada por dissidentes da ditadura militar. Alguém ungido para produzir diversionismo num momento em que o regime militar dava os primeiros sinais de exaustão. Ex-metalúrgico, assumiu mea-culpa pelo corporativismo do passado, no qual só pensava nos próprios companheiros de fábrica.</p>
<p>Apostou errado quem fez um &#8220;xis&#8221; precedente ao nome de José Genoino. Ele militava em outras paragens quando do regime militar. Foi guerrilheiro marxista no Araguaia. Converteu-se, como se sabe, ao pragmatismo capitalista. Ou a uma variante do capitalismo. O capitalismo de resultados eleitorais, porque, como se sabe, não se ganha eleição sem dinheiro. Mesmo que a causa seja supostamente justa e inadiável.</p>
<p>José Serra reuniu fortes vínculos com os estudantes no passado, como presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e fundador da AP (Ação Popular), grupo de revolucionários que o levou a se exilar na Bolívia, Uruguai e Chile no pós-golpe militar. Governador do Estado, José Serra não quer meter diretamente a mão na botija dos universitários rebelados na USP. A origem do problema que avança para o segundo mês de paralisação foi a introdução da Secretaria de Ensino Superior no organograma do Estado. Mais precisamente a disposição do secretário José Aristodemo Pinotti de aproximar academia e mercado. Uma blasfêmia para quem caiu na besteira de acreditar que é possível viver sem dinheiro. Uma possibilidade apenas enquanto o dinheiro é dos outros.</p>
<p>Fernando Gabeira também não é a opção certeira. Tem uma folha corrida de oposicionista ao regime militar que registra até sequestro de embaixador. Também foi exilado, mas os maledicentes costumam relacionar sua imagem à sunga de crochê dos tempos de juventude rebelde. Movimento estudantil jamais foi sua vocação. Prefere o Partido Verde.</p>
<p>Acertou em cheio quem disse e repetiu José Dirceu. As declarações transpostas são do ex-homem forte do governo Lula da Silva. Treinou luta armada em Cuba, filiou-se à Aliança Libertadora Nacional, mas não lutou contra a ditadura militar. Foi sim liderança estudantil, como presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes). Acabou preso um dia antes de consagrar-se presidente da União Nacional de Estudantes. Acabou exilado em Cuba.</p>
<p>Agora vou explicar a razão dessa brincadeira-séria: alguém precisa avisar o comando da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) que a fobia contra a livre-iniciativa, razão pela qual reluta em regionalizar para valer a proposta pedagógica daquela instituição, é um gol contra.</p>
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		<title>Noviça rebelde</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jun 2007 03:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando regionalismo é confundido com provincianismo, tudo se encaminha para o desfiladeiro de idéias, de propostas e de resoluções.
Provincianismo no caso específico do Grande ABC é pensar exclusivamente no território municipal em que se vive. Regionalismo é enxergar a amplitude dos mais de 800 quilômetros quadrados de área dos sete municípios, avaliando-a como nutriente à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando regionalismo é confundido com provincianismo, tudo se encaminha para o desfiladeiro de idéias, de propostas e de resoluções.</p>
<p>Provincianismo no caso específico do Grande ABC é pensar exclusivamente no território municipal em que se vive. Regionalismo é enxergar a amplitude dos mais de 800 quilômetros quadrados de área dos sete municípios, avaliando-a como nutriente à cidadania completa.</p>
<p>O caso da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) é emblemático da rachadura do casco do navio da institucionalidade agravada pelo Fórum da Cidadania e outras entidades igualmente reticentes que atuaram no final do século passado.</p>
<p>Embora represente para o Grande ABC na rubrica federal investimentos permanentes e custos fixos elevadíssimos, a UFABC não destila outra mensagem senão a de que se manterá como noviça rebelde, instalada que foi em setembro do ano passado em Santo André e com planos de vários campi na região.</p>
<p>O reitor Hermano Tavares foi destituído no final do ano passado pelo Ministério da Educação porque, entre outras fanfarronices verbais, fez pouco-caso do Grande ABC. Disse e repetiu numa entrevista à revista LivreMercado que o que menos interessava àquela instituição era a geoeconomia regional, e sim o Brasil. Ou seja: a UFABC estava em Santo André como espécie de principado para preparar cientistas para o País.</p>
<p>Como há notória e retardatária manifestação juvenil de aversão de larga margem de docentes ao capitalismo, seja qual for o capitalismo, não é difícil entender por que milhares de cérebros diplomados e capacitados evadem em direção ao Primeiro Mundo, onde deitam e rolam nas águas de um capitalismo diferente do daqui, mas sempre capitalismo.</p>
<p>Substituto de Hermano Tavares, o reitor Luiz Bevilacqua é mais afável e menos precipitado no encaixe das palavras e dos conceitos, mas os avanços da UFABC em direção ao comprometimento com a região é lento, quase imperceptível.</p>
<p>Há empatia maior com planos de inserção regional socioeducativa, como provam alguns acordos de parcerias, mas ainda é preciso quebrar barreiras para que a integração com o tecido econômico da região não seja algo parecido como o vizinho intragável que só se preocupa com o outro lado do muro quando a bola de futebol é arremessada desastradamente acima dos limites. E nem dá bola para o estrago no varal de roupa alheio; quer apenas a bola de volta. Não é o meu caso, porque meu vizinho é comportadíssimo e, além de tudo, torce pelo time que me leva eventualmente a soltar os pulmões. Fosse devoto de outras cores, me obrigaria ao silêncio contido, para evitar constrangimento.</p>
<p>A Universidade Federal do Grande ABC é o maior legado que um governo deste País inseriu nessa geografia de forma fisicamente planejada, mas a estrutura conceitual que tem o mesmo sentido de alma pedagógica possivelmente será apenas arremedo para justificar o mando de jogo.</p>
<p>Exceto se a Sociedade retirar a bunda do assento da insensibilidade e resolver ir à luta pelo menos em nome das próximas gerações.</p>
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		<title>Silêncio dos culpados</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2007 03:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito do silêncio envergonhado, quando não dissimulado, quando não diversionista, da institucionalidade em farrapos do Grande ABC se deve ao peso de consciência de uns e de outros.
O fracasso do Fórum da Cidadania ainda não foi assimilado porque todos se julgam individualmente com culpa no cartório. Visto e analisado como a maior empreitada coletiva da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito do silêncio envergonhado, quando não dissimulado, quando não diversionista, da institucionalidade em farrapos do Grande ABC se deve ao peso de consciência de uns e de outros.</p>
<p>O fracasso do Fórum da Cidadania ainda não foi assimilado porque todos se julgam individualmente com culpa no cartório. Visto e analisado como a maior empreitada coletiva da história do Grande ABC, o Fórum da Cidadania virou estigma individual de quem das consequências participou.</p>
<p>Trata-se de avaliação imprecisa. O Fórum da Cidadania não morreu de morte morrida porque um e outro participante trocaram os pés da ambição individual pelas mãos da integração regional, mas porque o coletivo derrapou. Quando se sabe que coletivismo enseja contraponto de transferência involuntária ou não de compromissos para terceiros, imaginando-se que o todo é maior que as partes, chega-se a um paradoxo aparentemente complexo: ou todos pecaram e cada um assume individualmente a responsabilidade ou todos pecaram e cada um procura limpar a própria barra individualmente.</p>
<p>Seria crueldade demais entender que alguém tenha atuado individualmente de forma decisiva para o fim da maior ejaculação institucional que o Grande ABC já viveu. Um e outro protagonista daquela operação podem ter parcela maior de responsabilidade, mas só o tiveram, convenhamos, porque o conjunto assim o permitiu.</p>
<p>Creio que em nenhuma oportunidade que me manifestei sobre o Fórum da Cidadania tenha cometido a injustiça de individualizar a brochada geral e irrestrita do organismo criado em meados da última década do século passado para aproximar os contrários sob a bandeira branca do consenso.</p>
<p>Se o fiz, cometi bobagem possivelmente gestada por momento de azedume. Até admito e mesmo reitero que um grupo de pessoas com maior massa crítica de influência no Fórum da Cidadania tenha carga sobressalente de responsabilidade na perda de rumo e de prumo, mas daí a circunscrever a eles pesada artilharia de culpabilidade é muito diferente. Faltaram-lhes freios que só o coletivismo produz.</p>
<p>Certo mesmo é que a patética institucionalidade do Grande ABC de uns tempos para cá é a ressonância mais explícita da ressaca da glória seguida de agonia do Fórum da Cidadania.</p>
<p>Embora haja esforço individualizado em saltar dos trilhos da história daqueles que se envolveram com o Fórum da Cidadania, como se a negação fosse profilaxia para a alma, a dureza dos fatos mostra que o grau de culpa deve ser partido e repartido com juízo, até mesmo para que lições do passado não sejam simplesmente esquecidas.</p>
<p>O Grande ABC só emitirá sinais de recuperação de uma institucionalidade que além de surda e muda também se tem provado degenerativa caso substitua a inútil negação pública ou a sobrevalorização íntima de culpas individuais por novas iniciativas. O silêncio dos culpados não pode de forma alguma ser passaporte à omissão.</p>
<p>A institucionalidade do Grande ABC depende de reação da sociedade que pode até mesmo ser localizada e detectável, desde que em seguida se propague por todos os setores e segmentos econômicos, sociais e públicos.</p>
<p>Do jeito que está não pode ficar, porque esse é o pior dos mundos.</p>
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		<title>Buraco negro</title>
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		<pubDate>Thu, 31 May 2007 03:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda sob efeitos desanimadores do fracasso do Fórum da Cidadania, a institucionalidade do Grande ABC segue em frangalhos.
Entenda-se por institucionalidade algo que poderia ser traduzido como capital social.
Entenda-se por capital social o entrecruzamento de interesses republicanos do Poder Público, da Sociedade e de forças do Mercado.
O Grande ABC enviuvou depois de lua-de-mel de araque de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda sob efeitos desanimadores do fracasso do Fórum da Cidadania, a institucionalidade do Grande ABC segue em frangalhos.</p>
<p>Entenda-se por institucionalidade algo que poderia ser traduzido como capital social.</p>
<p>Entenda-se por capital social o entrecruzamento de interesses republicanos do Poder Público, da Sociedade e de forças do Mercado.</p>
<p>O Grande ABC enviuvou depois de lua-de-mel de araque de um Fórum da Cidadania que respira por aparelhos como caricatura do que chegou a despontar na região em meados dos anos 1990.</p>
<p>O buraco negro institucional do Grande ABC, pedaço da Grande São Paulo que não difere muito da frigidez coletiva do País, se faz sentir e observar em ambientes diversos.</p>
<p>Outro dia participei de mesa de debates convidado pelo amigo jornalista, irmão clubístico, Ademir Medici, e de certa forma saí com a alma lavada. Meus dois companheiros de mesa, professores universitários, um de São Caetano e outro da PUC, portaram-se como alienígenas, encouraçados culturais que se fixaram no passado já sucateado da realidade do Grande ABC.</p>
<p>Sob pretensa e consagrada blindagem de liberdade de expressão, a professora da PUC e o professor da Faenac, principalmente o professor da Faenac, desenharam um Grande ABC há muito tempo dissolvido por metamorfoses econômicas.</p>
<p>Chegou o professor a manipular a subjetividade para esconder a realidade da desindustrialização mais que provada e comprovada. Primeiro se referiu ao fenômeno como &#8220;equívoco&#8221; deste jornalista. Depois, acossado por números rapidamente transpostos, recuou e substituiu &#8220;desconcentração&#8221; por &#8220;desterritorialização&#8221;, verbete extravagante em sílabas que o fez tropeçar, como a mim faria, diante de tantas pessoas.</p>
<p>Aqueles dois professores deveriam receber ordem de prisão ética após o encerramento do evento em São Bernardo, tanto quanto um médico que se coloque em público com teses superadas.</p>
<p>A professora revelou-se fóssil monocórdio a estourar o tempo que lhe foi disponível com uma leitura de traçados históricos de tempos que não voltam mais, embora pretendesse torná-los atualizadíssimos.</p>
<p>O professor porque sob a pele de cordeiro de um discurso aparentemente ameno, elegante, embutia sanguinário dialeto marxista. Nada contra preferências ideológicas, mesmo aquelas que o tempo provou equivocadas. Só não podem esquartejar a realidade dos fatos.</p>
<p>Longe de mim pretender ao menos sugerir um escandaloso escorregão da organização do Congresso de História do Grande ABC ao requisitar os préstimos daquela dupla com quem dividi a mesa de debates. O mediador Ademir Medici, um dos profissionais de Imprensa que mais conhecem o Grande ABC em várias latitudes e longitudes, talvez até tenha se sentido incomodado com o confronto verbal. Provavelmente ele e a platéia esperariam menos estridência.</p>
<p>Que se pode fazer diante de circunstâncias que nos atingem a todos neste Grande ABC à deriva institucional quando se apresenta oportunidade de partir mesmo para uma guerra contra malversadores de informações? Não consigo conter o ímpeto de reagir a bobagens. Exerço uma atividade intrinsecamente de responsabilidade social tanto quanto aqueles professores. A diferença é que eles preferem esgrimir fantasias e o fazem com desembaraço porque reúnem expressões-chave de um dialeto acadêmico que enlaçam incautos em perigosas redes de desinformação.</p>
<p>Que caberia uma Lei de Responsabilidade Informativa para situações análogas, isso caberia.</p>
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		<title>Nostratamos de (não) Resolver  está completando uma década</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/regionalidade/nostratamos-de-nao-resolver-esta-completando-uma-decada/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 May 2006 19:31:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Exatamente 10 anos depois de subir ao palco do Teatro Municipal de Santo André, durante a festa da então terceira edição do Prêmio Desempenho, resgato dos arquivos de LivreMercado uma peça condenatória à baixa institucionalidade do Grande ABC. Uma prova provada de que não é por acaso que estamos perdendo terreno econômico e social. Criamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exatamente 10 anos depois de subir ao palco do Teatro Municipal de Santo André, durante a festa da então terceira edição do Prêmio Desempenho, resgato dos arquivos de LivreMercado uma peça condenatória à baixa institucionalidade do Grande ABC. Uma prova provada de que não é por acaso que estamos perdendo terreno econômico e social. Criamos para aquele evento um personagem-símbolo do que imaginávamos ser o Grande ABC capaz de empreender soluções. A identidade do protagonista foi, evidentemente, proposital porque se revestia de esperança, provocação e desafio: Nostratamos de Resolver, corruptela que remetia a Michel de Notredame, mais tarde Nostradamus, nascido em 1502 na cidade de Saint-Remy, na França. Profecias de Nostradamus é um dos livros mais editados em todo o mundo ocidental. Apenas a Bíblia o superaria.</p>
<p>Nostratamos de (não) Resolver é a constatação sintética e aniquilantemente sofrida a que cheguei neste maio de 2006, quando o Prêmio Desempenho alcança a 13ª edição. Dos 40 enunciados (na verdade são 39, porque o último foi uma forma de descontrair o público que lotava o Teatro Municipal) quase nada se obteve. E o motivo é tão simples quanto gritantemente crônico: não temos institucionalidade, guarda-chuva da regionalidade, suprassumo de capital social.</p>
<p>A contextualização de Nostratamos de Resolver proposta naquela noite de premiação é decisiva para a interpretação dos enunciados 10 anos depois. Naquele maio de 1996 o Grande ABC vivia a efervescência de um ensaio de institucionalidade que parecia monolítica. O Consórcio de Prefeitos voltava a atuar com interesse depois de ser pressionado pela criação, dois anos antes, do Fórum da Cidadania. Inúmeras entidades sociais, culturais e econômicas, mobilizadas pelo Fórum da Cidadania, transmitiam a sensação de que seriam precursoras de nova ordem. Enfim, o Grande ABC parecia pronto para deixar de ser uma província de sete municípios. Espancaria o sentimento coletivo de gataborralheira.</p>
<p>Acreditar na reconfiguração econômica, social e cultural do Grande ABC talvez seja uma obrigação de cada um dos 2,5 milhões de pessoas que vivem na região, até mesmo para que se descortine o amanhã com otimismo, mas os 10 anos que separam o esperançoso Nostratamos de Resolver do desanimador Nostratamos de (não) Resolver são tristemente emblemáticos: o Grande ABC precisa de cirurgias radicais em que prevaleça o estresse saudável da desconfiança nas supostas forças institucionais que o dirigem porque &#8212; e basta ler esta reportagem &#8212; a aceitação acrítica do quadro que o domina há muitas décadas é a renovação de uma carta branca que tem comprometido além de futuras gerações, também quem, há pelo menos 15 anos, engrossa as filas de deserdados.</p>
<p><strong>Primeira Profecia &#8211;</strong> Montadoras de veículos do Grande ABC decidiram associar-se para valer ao Fórum da Cidadania e ao Consórcio Intermunicipal de Prefeitos. Vão implantar plano de reorganização econômica e social na região que ajudaram a construir. A decisão tem a pronta adesão de outras grandes e médias empresas.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O canibalismo da indústria mais competitiva do mundo enclausurou ainda mais o estafe de executivos das multinacionais de veículos sediadas no Grande ABC. Para a quase totalidade deles, a geografia regional é apenas acidente cartográfico que deriva de série de equações de competitividade internacional. Aliás, cada vez mais o Grande ABC se vê pressionado pelos custos relativos de produzir veículos e se tem especializado em modelos e marcas para estratos sociais mais aquinhoados &#8212; uma decisiva saída para reduzir entre outros itens os custos com a mão-de-obra mais valorizada do setor. Antes disso, uma tentativa frustrada de criar o Grupo Automotivo da Câmara Regional não passou das primeiras reuniões &#8212; ninguém conseguiu colocar o guizo no pescoço do gato do chamado Custo ABC.</p>
<p><strong>Segunda Profecia &#8211;</strong> O Consórcio Intermunicipal, formado pelos sete prefeitos da região, transforma-se num poder colegiado acima das próprias Prefeituras, em defesa da integração e do fortalecimento do Grande ABC. Com receitas garantidas por aprovação de projetos de lei enviados às Câmaras Municipais, o Consórcio finalmente se profissionaliza.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A Fundação Getúlio Vargas entregou à direção do Consórcio de Prefeitos no ano passado um apanhado da estrutura encontrada pelos especialistas em recuperar organizações públicas, mas até agora não houve desdobramento. A entidade supostamente de integração regional insiste em tornar todos os problemas que atingem a região prioridade absoluta, quando o bom senso recomenda hierarquia e não mais que meia dúzia de ações que possam embalar a introdução das demais no temário de mudanças. Os muros invisíveis que municipalizam o Grande ABC são o maior entrave à regionalização.</p>
<p><strong>Terceira Profecia &#8211;</strong> Numa extraordinária ação conjugada entre a Polícia e a comunidade, finalmente os pontos de drogas do Grande ABC tornam-se coisa do passado. Ações educativas nas escolas e de repressão em conhecidíssimos endereços de traficantes e drogados viram referência internacional. Em vez de pontos de drogas, agora o que se vê são drogas de pontos.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> De vez em quando há ações espetaculosas que dão a impressão de que finalmente o Grande ABC mobiliza-se contra drogas. Entretanto, exceto programas públicos de repercussão localizada, nada há que possa ao menos sugerir que os jovens estejam sendo retirados para valer e sistematicamente de uma das poucas alternativas de remuneração por trabalho prestado, com evidentes prejuízos que os tornam presas do próprio ofício. As unidades da Febem são numericamente cada vez menores para dar conta do excesso de demanda por novas vagas. Estudos comprovam que o grau de periculosidade dos jovens infratores assemelha-se mais e mais ao dos transgressores experientes.</p>
<p><strong>Quarta Profecia &#8211;</strong> Ecologistas e capitalistas finalmente se entendem e os políticos resolvem mudar a Lei de Proteção dos Mananciais que, na verdade, não protege coisa alguma e incentiva impunemente a proliferação de favelas. Agora já funcionam condomínios industriais não-poluentes, além da indústria do lazer e do entretenimento.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Alterações na legislação não mudaram o quadro caótico dos mananciais que ocupam quase 60% do território de 840 quilômetros quadrados do Grande ABC. Há ações localizadas das prefeituras de Santo André, Ribeirão Pires, São Bernardo e Diadema, mas nada substantivamente reformista que concilie interesses sociais, ambientais e econômicos. O favelamento invade os mananciais de forma persistente entre outros motivos porque sobram deserdados sociais e escasseiam agentes de contenção.</p>
<p><strong>Quinta Profecia &#8211;</strong> O Fórum da Cidadania do Grande ABC, maior invenção coletiva da região, conseguiu estrutura de recursos financeiros que garante a conquista de mais espaços para o fortalecimento regional. Agora, além da representatividade, o Fórum tem dinheiro em caixa.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O Fórum da Cidadania morreu sem que o tenham enterrado, porque continua a perambular como fantasma pouco camarada. Aquela que seria durante algum tempo a maior invenção comunitária do Grande ABC acabou se apequenando numa patética competição de egocentrismo, politiquismo, protecionismo e outros ismos tão comuns em áreas reconhecidamente depauperadas de ética e compromisso com o futuro, como a atividade político-partidária. A esperada ponte para o capital social do Grande ABC virou passarela de vaidades.</p>
<p><strong>Sexta Profecia &#8211;</strong> Os indicadores de criminalidade no Grande ABC, que chegam perto da temida Baixada Fluminense, finalmente desabaram. Isso é resultado direto de trabalhos integrados da comunidade regional e do melhor aparelhamento da Polícia, além de fantástica recuperação econômica. O Grande ABC que descia a ladeira da qualidade de vida agora sobe o elevador do bem-estar social.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Embora as estatísticas de homicídios tenham apresentado considerável melhora nos últimos anos por conta de política repressiva que jogou ao lixo manuais de Direitos Humanos, o Grande ABC segue firme e forte entre os últimos endereços dos principais municípios paulistas a conviver com números insuportáveis de criminalidade. O ranking do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) é meridianamente claro nesse sentido: apenas Campinas e São Paulo estão à frente da média de criminalidade do Grande ABC, num ranking que envolve os principais quesitos que afetam a qualidade de vida &#8212; homicídios, roubos e furtos diversos e roubos e furtos de veículos. O peso ponderado maior é de homicídios e, em seguida, de roubos e furtos de veículos. Resumidamente, avançamos sempre em velocidade inferior à média do Estado. E não saímos do pântano de indicadores escandalosamente desconfortáveis.</p>
<p><strong>Sétima Profecia &#8211;</strong> Faculdades da região, entusiasmadas com o desprendimento de lideranças do Fórum da Cidadania e do Consórcio Intermunicipal, resolveram arregaçar as mangas e somar forças. Deixaram as salas de aulas e conheceram de perto a realidade das ruas. Na prática agora a teoria é outra.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Exceto a criação do chamado Laboratório de Estudos Regionais do Imes (Universidade Municipal de São Caetano), e de algumas ações tópicas de outras escolas, tudo não passa de ficção e, mesmo naqueles casos de programas de fundamentação mais acadêmica que prática. A distância entre a academia e a comunidade continua aparentemente intransponível porque a exclusão social parece ser um espantalho.</p>
<p><strong>Oitava Profecia &#8211;</strong> Bases da Central Única dos Trabalhadores na região surpreenderam o País ao convencerem a cúpula de sindicatos locais a trocar as greves por programas de reciclagem profissional não só para os empregados, sempre ameaçados de demissão pela globalização, mas também aos desempregados. Os recursos foram garantidos pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A megaoperação de desmonte industrial do Grande ABC encetada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, que retirou 39% da riqueza produtiva local, estreitou de tal forma a banda de atuação sindical dos cutistas-petistas que greve virou palavrão. Os sindicalistas passaram os últimos 10 anos lutando contra a maré de desemprego, ou de emprego escasso mesmo nos melhores momentos de produção automotiva. Os programas de reciclagem e recolocação profissional são apenas vitrines. A massa de desempregados está cada vez mais distante do aprendizado de novas técnicas de industrialização, ao alcance apenas de trabalhadores na ativa.</p>
<p><strong>Nona Profecia &#8211;</strong> A Avenida do Estado, tão comprida quanto abandonada, finalmente vira passarela do Primeiro Mundo e oferece condições de uso que garantem o desenvolvimento de pólo comercial e de serviços. Enchentes, que tantos sacos encheram, são coisa do passado.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O quadro apresenta sensível melhora, mas o esperado Primeiro Mundo só será possível quando o projeto Eixo Tamanduatehy lançado pelo prefeito Celso Daniel for plenamente aplicado. Falta política de ocupação econômica do setor terciário de valor agregado para revitalizar a Avenida dos Estados, extenso corredor outrora disputadíssimo pelo setor industrial evadido, reduzido ou desaparecido dali. Faltam investidores para potencializar o Eixo Tamanduatehy na intensidade e na abrangência desejada por Celso Daniel, principalmente como área de recomposição de perdas industriais. Comércio e serviços convencionais não têm essa profundidade.</p>
<p><strong>10ª Profecia &#8211;</strong> Resultado dos trabalhos do Fórum, do Consórcio e das Escolas de Terceiro Grau, a bancada de deputados estaduais do Grande ABC supera expectativas. Agora a região não desperdiça mais votos em estranhos nem desconhece o nome de seus candidatos. Temos 15 deputados, contra oito do final do século.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O tempo e a experiência prática retiraram da penumbra da expectativa e lançaram holofotes de certezas sobre o equívoco de mensurar o desempenho dos legisladores do Grande ABC pelo número de representantes. Está mais que provado que, independentemente de quantidade, é a qualidade na abordagem de temários, inclusive com aspectos ressonantes na Região Metropolitana de São Paulo, que define se uma região é bem ou mal representada em qualquer instância de poder. E nesse ponto, mesmo com Lula da Silva na presidência da República e Geraldo Alckmin bem entrosado com não-petistas que comandam as prefeituras do Grande ABC, há forte descompasso entre parcos investimentos públicos e fluxo de carências sociais.</p>
<p><strong>11ª Profecia &#8211;</strong> Representações industriais do Grande ABC, instaladas nas delegacias regionais dos Ciesps (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), conseguem dupla vitória: passam a trabalhar em conjunto no atendimento de necessidades institucionais da região e já não dependem mais de recursos da Fiesp. A perspectiva é de que, assim como os trabalhadores tiveram o seu Lula, os empresários locais terão nomes reconhecidos em todo o País.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A possibilidade de os industriais de pequeno e médio porte do Grande ABC encontrarem respaldo do Ciesp está escrita por linhas tortas. Sim, com a quebra do histórico de o presidente da Fiesp acumular a presidência do Ciesp, como se definiu pela primeira vez nas eleições de 2004 quando, quem manda numa entidade não tem nada a ver com a outra, tanto as unidades do Ciesp da região como do restante do Estado têm a perspectiva de, finalmente, viver seu próprio destino. Embora de forma embrionária, algumas ações já se lançaram e fornecem a lenha de uma fogueira que pode finalmente aquecer a institucionalidade industrial longe das corporações sindicais dos empresários, já que o Ciesp é o braço civil de quem produz.</p>
<p><strong>12ª Profecia &#8211;</strong> Empresários e comunidade da região unem-se e compram o controle da Companhia Telefônica da Borda do Campo. Nascida da livre-iniciativa local, a empresa é um dos principais ícones do crescimento da região e resistiu bravamente a muitas injunções político-partidárias. A partir da metade da década de 90, a empresa se preparou para voltar a ser privatizada.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A privatização da CTBC foi uma ópera bufa para quem pretendia contar com representação regional de ouvidoria na gestão da empresa multinacional que arrematou o empreendimento forjado por empreendedores locais em meados dos anos 50 do século passado. Por mais que a CTBC estatizada fosse seguidamente atingida por interesses políticos e partidários, sua importância estratégica para o Grande ABC recomendava maior transparência da gestão operacional porque se trata de concessão pública com profunda ramificação nos interesses econômicos e sociais da região. Repetiu-se com a privatização a opacidade dos tempos de estatal. A diferença, para melhor, é que, até prova em contrário, empresas privadas normalmente não recorrem aos cofres públicos para socorrerem-se de barbeiragens gerenciais.</p>
<p><strong>13ª Profecia &#8211;</strong> Depois de anos seguidos de desprezo às pequenas indústrias da região, o que resultou em elevados índices de quebradeira, boa parte das grandes organizações resolve priorizar para valer fornecedores locais com política de parceria responsável e séria. Tudo para enfrentar a globalização. Que rima com regionalização.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Fornecedores locais são estratégicos, mas parcerias privilegiam poucas organizações que, em contrapartida, trataram de enxugar o quadro de trabalhadores das linhas de produção. Não há estudos recentes que diagnostiquem o grau de vazamento de compras das empresas locais. A aproximação entre empreendedores locais poderia maximizar série de vantagens, entre as quais o potencial de receitas tributárias.</p>
<p><strong>14ª Profecia &#8211;</strong> A Vila de Paranapiacaba, em Santo André, construída por engenheiros britânicos, supera anos de esquecimento e de deterioração. Agora, Paranapiacaba atrai milhares de turistas, graças a investimentos de multinacionais inglesas instaladas no Brasil. Paranapiacaba não acaba mais.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Celso Daniel empenhou-se a fundo para garantir o acervo histórico da Vila de Paranapiacaba à Prefeitura de Santo André. Morreu pouco antes de assinar o contrato de compra com a companhia ferroviária estatal. Aos poucos, com festivais de inverno e série de outras iniciativas, Paranapiacaba sai da zona de deterioração e ganha atratividade para quem pretende fugir do urbanismo desumano da Grande São Paulo e procura refúgio num ambiente envolvente do século passado. Mas não se tem notícia de que capitais britânicos se sensibilizem ao menos com a arquitetura legada pela companhia desbravadora da estrada de ferro no final do século XIX.</p>
<p><strong>15ª Profecia &#8211;</strong> Explode a indústria imobiliária na região. Resultado da pressão do Fórum e do Consórcio, as Câmaras Municipais da região descobriram o óbvio: as excessivas restrições ao uso e ocupação do solo favoreciam a especulação. Agora quem quer casa tem casa. Quem quer empresa, tem espaço para ter empresa.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A maioria dos administradores públicos resolveu retirar amarras legais que no período de industrialização compulsória foram preparadas para conter o capitalista visto com desconfiança. O problema é que o lacre discricionário foi retirado num período em que a economia sem fronteiras dá muito mais elasticidade ao conceito de competitividade e questões locacionais se fundem a outros pontos, especialmente com qualidade de vida. O Grande ABC tem espaços de sobra para indústrias de pequeno e médio tamanho, mas faltam interessados.</p>
<p><strong>16ª Profecia &#8211;</strong> O governador Mário Covas está sendo imparcial na distribuição de tíquete moradia com recursos do ICMS. Surpreendendo a todos, pois até agora só atendia à Baixada Santista, sua principal base eleitoral, ele anuncia liberação de recursos financeiros para construção imediata de 10 mil casas populares no Grande ABC. Já não teremos tantos Alzira Franco.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Mário Covas morreu faz tempo, nem por isso seu substituto em nível estadual e o governo federal dão à deficiente estrutura de habitação popular do Grande ABC a importância que a derrocada econômica exige. Especialistas do setor imobiliário somam 100 mil moradias de déficit. A tormenta com enchentes continua.</p>
<p><strong>17ª Profecia &#8211;</strong> O deputado estadual Clóvis Volpi, um dos apologistas da integração regional, reúne a Imprensa para anunciar o sucesso de seu projeto de lei: a Assembléia Legislativa aprovou a criação da Região Metropolitana do Grande ABC. Agora vai ser uma barbada o sucesso da região, já consolidada em termos institucionais pelo Fórum, pelo Consórcio e pela classe acadêmica.<br />
<strong>Resultado &#8212; </strong>Clóvis Volpi caiu no ostracismo, voltou à ribalta agora como prefeito de Ribeirão Pires mas a problemática metropolitana do Grande ABC segue na mesma toada de desencanto. Um projeto de lei do governador do Estado, Geraldo Alckmin, segue encruado nos gabinetes da Assembléia Legislativa. A proposta de criação da Agência Metropolitana envolve muitos interesses conflitantes na esfera político-administrativa. Os políticos continuam a pensar na próxima eleição e qualquer iniciativa que possa causar desconfiança ou ciumeira ingressa inapelavelmente no corredor polonês de vaidades e suscetibilidades.</p>
<p><strong>18ª Profecia &#8211;</strong> O Pólo Industrial de Sertãozinho, localizado em Mauá e com disponibilidade de cinco milhões de metros quadrados, finalmente reforça a economia da região. Câmara Municipal aprova divisão da área e o prefeito decide investir na infra-estrutura até então abandonada. Dezenas de pequenas indústrias já começam a ocupar espaços. Serão criados 10 mil empregos diretos. O gás encanado do vizinho Pólo Petroquímico vai baratear o custo de energia.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> De fato, mudaram-se as regras de ocupação do Pólo de Sertãozinho e o distrito de Mauá passou a receber dezenas de empreendimentos industriais. O que nem sempre se relata é que a maioria dos negócios é egressa do próprio Grande ABC, de empresas que já não conseguiam expandir em terrenos e galpões dimensionados para um passado que ficou na história. O novo impulso que Sertãozinho pode alcançar agora vem de duas providenciais obras de infra-estrutura, o trecho Sul do Rodoanel e a Avenida Jacú-Pêssego, ainda em projetos.</p>
<p><strong>19ª Profecia &#8211;</strong> Dirigentes das Associações Comerciais e Industriais da região, que deram grande força ao Fórum da Cidadania, agora comemoram a criação da Federação do Comércio do Grande ABC. A entidade passa a ser uma das mais importantes do País. Seu presidente está decidido a atender as bases e concorrer ao Senado da República.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> As entidades do setor empresarial do Grande ABC continuam separadas pelo bairrismo exacerbado. Não conseguem se mobilizar nem mesmo em questões institucionais supramunicipais, algo perfeitamente realizável porque há problemas em comum cujas respostas e soluções em larga escala dependem de articulações conjuntas.</p>
<p><strong>20ª Profecia &#8211;</strong> Representação do Grande ABC na Câmara Federal segue exemplo dos deputados estaduais e aumenta o número em Brasília. Agora são 12 deputados da região para brigar com as turmas de Sarney, ACM, ruralistas e empreiteiros há tanto tempo atrapalhando os passos do País rumo à modernidade.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Como no caso da representação estadual, o problema legislativo do Grande ABC não se concentra necessariamente na quantidade de deputados federais ou mesmo na eventualidade de contar com senadores da República. A prova está na própria realidade atual, exemplificada pela presença do ex-operário de São Bernardo, Lula da Silva, na presidência da República. O anúncio da criação da Universidade Federal do Grande ABC é operação de risco &#8212; uma safena que se introduz num organismo sem se saber a extensão dos problemas coronários. Ou seja: a região não tem diagnósticos que identifiquem novas e providenciais vocações econômicas que possam entrecruzar-se com o currículo da instituição. A possibilidade de desperdício de talentos acadêmicos ou no mínimo de formação profissional para atender economias de outras geografias do País está no radar de quem se preocupa com o amanhã. Embora tenha repassado ao Grande ABC muito mais recursos financeiros do que Fernando Henrique Cardoso, o governo Lula da Silva não conseguirá socorrer os sete municípios na intensidade dos estragos causados pela desindustrialização dos anos 90.</p>
<p><strong>21ª Profecia &#8211;</strong> Pólo Industrial de São Bernardo finalmente foi resolvido. Indústrias não poluentes vão se instalar ali para atender mais de perto o fornecimento às montadoras de São Bernardo. A possibilidade de especulação imobiliária não se confirmou.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Ao longo da história de ocupação industrial automotiva, nem São Bernardo nem qualquer Município do Grande ABC se planejou à ocupação espacial. Dessa forma, o conceito de distritos industriais foi de fato processo de improvisação que relegou a quinto plano qualquer objetivo de produtividade e competitividade. O modelo se comprova nestes tempos aquém das necessidades das empresas. O comprometimento urbanístico da Grande São Paulo, pontificado pela desordenada ocupação de indústrias, residências e comércios, é marca tão profundamente enraizada que parece incorrigível.</p>
<p><strong>22ª Profecia &#8211;</strong> Em conjunto, prefeitos do Grande ABC anunciam a inauguração de moderno complexo viário inter-regional que vai reduzir a baixa qualidade do trânsito na região. As obras despertam interesse de empresários que há alguns anos transferiram empresas da região por causa do chamado Custo ABC. Agora só existe Benefício ABC.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O trecho Sul do Rodoanel, com recursos financeiros do governo do Estado e do governo federal, é a maior esperança de depuração da logística do Grande ABC, um caos quando observada também em dimensão metropolitana. Além do Rodoanel Sul, o Ferroanel, que correria em trajeto paralelo, como irmão siamês do sistema de transporte do Grande ABC, retirando veículos e cargas do interior da metrópole, também é ponto de inflexão positiva num futuro que jamais chega. Sucessivos adiamentos do cronograma de obras do Rodoanel e do Ferroanel desencorajam investimentos produtivos na Grande São Paulo e incentivam a deslocação de empresas à chamada Grande São Paulo Expandida. Não é por outra razão que a cidade de São Paulo e o conjunto do Grande ABC seguem perdendo participação absoluta e relativa no bolo da indústria paulista.</p>
<p><strong>23ª Profecia &#8211;</strong> Grande multinacional do Primeiro Mundo ganha concorrência para modernizar o trecho ferroviário que une o Grande ABC ao Porto de Santos e, por meio de conexões, ao Mercosul. Investimentos vão contribuir também para consolidar a economia do Grande ABC, até alguns anos na iminência de descarrilar. Privatizado, o Porto de Santos volta a ser parceiro da região.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O uso da ferrovia foi privatizado já há algum tempo mas, ao contrário dos otimistas empedernidos que imaginavam cenário de flores e comemorações, a modernização operacional tem baixíssima intersecção direta com o Grande ABC. A antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí ganha formato de importante veia de transporte em direção ao Porto de Santos, mas nada que internamente tenha sido relevante à produtividade regional no transporte. Os terminais do Porto de Santos foram privatizados mas têm capacidade de embarque e desembarque limitada ao gradualismo de investimentos e só passarão a ser mais estratégicos para a região com a criação do retroporto na Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, promessa que, entretanto, não se efetivou.</p>
<p><strong>24ª Profecia &#8211;</strong> Investidores nacionais e internacionais descobrem São Caetano. Como resultado de trabalho de marketing da região, eles já estão transformando antigos galpões industriais em usinas de tecnologia de informática e robótica voltadas ao novo perfil industrial do Grande ABC.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> São Caetano, como o Grande ABC, vive de terciário que não agrega maiores valores tecnológicos. O anúncio do Pólo Tecnológico no Bairro Cerâmica, com pompa e circunstância há cinco anos pelo então prefeito Luiz Tortorello, não passou de carta de intenções. As obras não se iniciaram até agora. Tudo porque Tortorello sedimentou a proposta em realidade tributária que o Congresso Nacional mais tarde decidiu cassar, ou seja, a guerra fiscal na prestação de serviços, com rebaixamento sistemático de alíquotas do ISS (Imposto Sobre Serviços) até o limite de 0,25%. O patamar mínimo legal de 2% comporta alguns dribles de administradores públicos mas é em regra geral barreira contra distorções utilizadas por São Caetano e outros paraísos fiscais na Grande São Paulo, casos de Barueri, Carapicuíba, entre outros.</p>
<p><strong>25ª Profecia &#8212; </strong>Pequenos varejistas da região acordam para a concorrência dos shoppings, supermercados e hipermercados. Unem-se em torno de associações comerciais e atendem pedido dos líderes: trocam telenovelas por cursos de administração e marketing.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Enredados pela dispersão, pelo canibalismo de negócios semelhantes para atender demandas em retração e sempre às voltas com o aparato tributário de um País que é o paraíso da burocracia estatal, os pequenos empreendimentos do Grande ABC respiram com ajuda de aparelhos. Exceto um ou outro movimento de soma de forças em determinados segmentos, mesmo assim com dificuldades extremas de entendimento, instalou-se na região disputa fratricida sem suporte das entidades de classe e à margem de preocupações das administrações locais. Programas de revitalização de centros comerciais de bairros como os aplicados em Santo André são paliativos porque não conseguem atingir a raiz de dificuldades da macroeconomia, o privilégio às redes varejistas e a falta de ações sistêmicas do próprio Poder Público local, além, evidentemente, do despreparo dos empreendedores.</p>
<p><strong>26ª Profecia &#8211;</strong> Terminais de computadores são instalados em massa nas salas de aulas das escolas da região. Alunos estão plugados à Internet e também a uma rede de informações gerais sobre o Grande ABC. A rede dispõe de dados históricos regionais e também de centenas de indicadores sociais e econômicos organizados por uma entidade cerebral formada por representantes de diversas áreas. Essa rede também é disputadíssima por investidores que estão de olho na região.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O Poder Público do Grande ABC tem realizado série de iniciativas para disseminar conceitos de inclusão digital com centros específicos, mas a disponibilidade de oportunidades não atende ao fluxo de interesse na medida em que quanto mais se avança em direção à periferia, menos oferta de computadores se apresenta. A proposta de fornecer um banco de dados com informações sobre a vida do Grande ABC está restrita a iniciativas das próprias prefeituras, mas nem de longe atende ao perfil de seduzir eventuais investidores que acessem home pages oficiais. O Grande ABC é tratado burocraticamente nas estatísticas, sem qualquer visão de regionalidade.</p>
<p><strong>27ª Profecia &#8211;</strong> Antigas e novas emissoras de rádio da região deixam de lado o quase monopólio de transmissões religiosas. Aproveitando a nova realidade regional, as emissoras investem para valer em radiojornalismo. O debate agora é saber quem ganha mais: as emissoras com audiência e faturamento em alta ou a cidadania, matéria-prima da programação.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O Grande ABC praticamente desapareceu de sintonias radiofônicas, submerso à onda de repasse das emissoras a instituições religiosas. Sobrou a Radio ABC de Santo André, com potência e programação aquém da vastíssima oferta de atrações das emissoras da Capital. O Complexo de Gata Borralheira na radiofonia regional é estupidamente imbatível entre outros motivos porque está fundamentado em fatos e não em mitos: a qualidade superior de programação da pujante vizinha.</p>
<p><strong>28ª Profecia &#8211;</strong> A televisão torna-se realidade na região, com emissoras de considerável audiência. Com rádio, tevê e um conjunto de jornais, entre os quais um tradicional e comunitário diário e uma revista quinzenal especializada em economia local, a mídia do Grande ABC atinge todas as camadas e segmentos sociais com a mesma intensidade.<br />
<strong>Resultado &#8212; </strong>Sem emissora de TV de massa, por causa de impraticabilidade técnica, o Grande ABC conta com algumas alternativas na modalidade paga ou não, cujos índices de audiência são semelhantes ao que empresas especializadas em mídia chamam de traço, ou seja, quase nada em relação ao alcançado em média pelas grandes redes. O jornalismo impresso continua a viver de um veículo diário às voltas com o conceito de regionalidade, com uma revista de economia e negócios que já completou 16 anos, com algumas revistas de entretenimento e com jornais semanários, bissemanários, quinzenais e mensários às turras com mercado publicitário renitentemente em queda.</p>
<p><strong>29ª Profecia &#8211;</strong> Indústria esportiva do Grande ABC é reconhecida em todo o Brasil. Os três principais clubes profissionais de futebol da região conseguem o que Curitiba alcançou em 1996: vagas no disputadíssimo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Importantíssimos elementos culturais, os três clubes do Grande ABC ajudam a consolidar a identidade regional.<br />
<strong>Resultado &#8212; </strong>O São Caetano disputou duas vezes a final do Campeonato Brasileiro, chegou à decisão da Taça Libertadores da América e, finalmente, ganhou um título, o de campeão paulista da Série A no ano passado. Já o Santo André chegou à glória suprema da Copa do Brasil de 2004, a segunda mais importante competição esportiva do País. Os últimos anos foram os melhores da história do futebol profissional da região, mas ainda não se conseguiu chegar próximo de Curitiba, porque o Grande ABC conta apenas com o São Caetano na Série A do Campeonato Brasileiro. Fora esses dois clubes, os demais são persistentes exemplos de que provavelmente nadarão, nadarão e morrerão na praia porque cada vez mais futebol e negócios se cruzam para excluir os clubes menos organizados.</p>
<p><strong>30ª Profecia &#8211;</strong> Empresários da região se organizam e convencem empreendedores nacionais a construir espécie de Anhembi regional. Agora, feiras nacionais e internacionais vão colocar a região no calendário de agentes especializados. Estandes regionais, que vendem a nova imagem e a nova realidade do Grande ABC, são distribuídos em pontos estratégicos do centro de exposições, estimulando novos investidores.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O Grande ABC levado a uma gigantesca vitrine com infra-estrutura apoteótica para despertar o fluxo de turismo de negócios ainda está no horizonte dos mais otimistas, mas não consegue nem mesmo transplantar a proposta para planilhas e pesquisas. Espaços existem para a construção de megapalco de eventos negociais e artísticos, mas faltam investidores. O refluxo da economia durante os anos 90, com reflexos na primeira metade do novo século, inibe incursões inovadoras e mantêm o foco da atividade na vizinha Capital mais complexa e completa em dinâmica econômica.</p>
<p><strong>31ª Profecia &#8211;</strong> Conhecidos pontos da indústria do prazer do Grande ABC, como a Avenida Dom Pedro II em Santo André e a Rua Jurubatuba, em São Bernardo, substituem casas destinadas à troca de óleo por centros de recuperação e de profissionalização de menores. O que antes era assunto do Aqui Agora virou notícia do Fantástico e tomou todo um Globo Repórter.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Os pontos de prostituição multiplicam-se no Grande ABC em diversos formatos, inclusive de proliferação das chamadas casas de massagem em bairros de classe média alta. Menores infratores, uma das heranças de erráticas políticas macroeconômicas que governos das três esferas não conseguiram minimizar, continuam a engrossar as fileiras da Febem. Tanto que o governo do Estado anunciou à revelia do Consórcio de Prefeitos que vai instalar várias unidades locais para enclausurar jovens que saíram do trilho. O Estado cansou de dar albergue à juventude do Grande ABC nas unidades da Capital e do Interior. Quem pariu Mateus que o embale &#8212; eis a filosofia do então governador Geraldo Alckmin, inquieto com o barril de pólvora de rebeliões de uma incubadora de delinquentes que o Estado inutilmente promete ressocializar há décadas.</p>
<p><strong>32ª Profecia &#8211;</strong> Clubes sociais da região decidem justificar o nome e também passam a atuar pelo conjunto da sociedade, integrando-se aos movimentos de valorização da região, como o Fórum da Cidadania. Esses clubes começam a multiplicar o sentimento de cidadania.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Seguindo o modelo tradicional de um País pouco preparado para o comunitarismo, os clubes sociais do Grande ABC não passam de redutos de entretenimento. Cada vez mais pressionados por custos em alta e quadro associativo em baixa, vivem um dia após o outro atrás de receitas que coloquem obstáculos à ameaça de que o elevado grau de inadimplência dos associados tenha como contrapartida a insolvência administrativa. É o preço que todos começam a pagar por desconsiderarem os recuos econômicos como armas letais do desenvolvimento social.</p>
<p><strong>33ª Profecia &#8211;</strong> Também os clubes de serviço, que têm olhos postos na comunidade, resolvem juntar-se ao Fórum da Cidadania. Especialistas em intercâmbios culturais, promovem agora ações voltadas às necessidades socioeconômicas da região. Famosos consultores ligados aos clubes de serviços internacionais passam a fazer do Grande ABC roteiro obrigatório de pregações.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Como os clubes sociais, os clubes de serviço atuam sob roteiro previamente recortado no passado em que o Grande ABC era pródigo em mobilidade social. As iniciativas de dirigentes não conseguem atender ao cada vez excessivo número de excluídos sociais. Quem anda se multiplicando em tarefas de pronto-socorro social são as chamadas Madres Terezas, criadas pelo Prêmio Desempenho. Elas atuam diretamente na periferia desesperançosa.</p>
<p><strong>34ª Profecia &#8211;</strong> Agremiações carnavalescas da região usam o bom senso e decidem realizar desfiles compartilhados num sambódromo construído na divisa de Santo André e São Bernardo. Durante o restante do ano o sambódromo vira escola profissionalizante. As últimas notícias dão conta de que a Mangueira não será mais vista apenas na telinha. Vai se exibir como convidada. Ao vivo e em cores.<br />
<strong>Resultado &#8212; </strong>O divisionismo xenófobo do Grande ABC na maioria das atividades atravanca qualquer proposta de carnaval regional. Há egocentrismo quase irresponsável e interesses geralmente inconfessos que impedem racionalizar recursos e potencializar receitas e emoções levando-se para a passarela regional em uma ou duas noites de gala o que se assiste em evidente decadência em cada Município.</p>
<p><strong>35ª Profecia &#8211;</strong> Uma nova pesquisa sobre os 10 melhores endereços para investimentos no Brasil aponta quatro municípios da região entre os 10 primeiros. Somados os índices das quatro cidades, e dada a condição regional, o Grande ABC recupera o terreno perdido e assume a pole-position. O assunto é o samba-enredo da escola de samba campeã do Grande ABC.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> São Caetano continua uma ilha de qualidade de vida na Região Metropolitana de São Paulo, conforme provam dados do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). Não fosse o calcanhar-de-aquiles de roubos e furtos de veículos e roubo e furtos diversos, o Índice de Criminalidade do IEME seria menos preocupante para São Caetano. No conjunto dos municípios, entretanto, o Grande ABC ocupa os últimos lugares no ranking estadual e despenca em outro indicador, de competitividade econômica.</p>
<p><strong>36ª Profecia &#8211;</strong> Intelectuais, sindicalistas, empresários, políticos e lideranças acadêmicas festejam: finalmente o Grande ABC ganhou sua universidade. Voltada para o trabalho, como sugeriu um consultor econômico em 1996, a instituição vai produzir o que até agora era um mito: a região terá mão-de-obra realmente capacitada não só em relação aos principais pólos econômicos do País, mas em confronto com o Primeiro Mundo.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A UFABC finalmente ganhou forma e orçamento para iniciar anunciadamente a partir do ano que vem trajetória educacional que preocupa quem não se contenta exclusivamente com a conquista. Praticamente excluída de debates regionais com especialistas no assunto e tratada como ferramenta político-eleitoral da prefeita de Ribeirão Pires, Maria Inês Soares, então presidente do Consórcio Intermunicipal, a UFABC que se pretende instalar em Santo André tem intimidade com a realidade econômica regional tanto quanto a renúncia ao exibicionismo dos membros da CPI do Mensalão.</p>
<p><strong>37ª Profecia &#8211;</strong> O lixo do Grande ABC agora vai para o lixo, isto é, para usinas ecologicamente seguras. Todos os problemas que durante anos preocuparam ambientalistas e industriais, gerando perdas ecológicas e financeiras, foram para a lata do lixo. Municípios se uniram, obtiveram financiamento a juros baixos e transformaram lixo reciclado em dinheiro que amortiza boa parte da dívida.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Coletas seletivas são medidas isoladas de uma ou outra administração pública municipal. Por isso, retirando-se o efeito simplificador de serviço público, não há repercussões substantivas no campo econômico. Cooperativas de trabalhadores são apenas ínfima parcela de rentabilidade que a coleta de lixo poderia proporcionar. Nenhuma administração pública conseguiu neutralizar custos de coleta de lixo, ou seja, não obtiveram respostas práticas para amenizar o peso da atividade no orçamento. Lixo continua a ser sinônimo de despesa.</p>
<p><strong>38ª Profecia &#8211;</strong> Prefeitos da região já começam a colher frutos de convênios com organizações especializadas em recursos humanos: quadros do funcionalismo público municipal elevam a produtividade a níveis da livre-iniciativa. Medida valoriza os eficientes e bota para fora os acomodados, já que a estabilidade foi para a cucuia.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> Nada de extraordinariamente significativo se conhece nos quadros do funcionalismo público que possa comparar-se ao enxugamento no chão e em gabinetes de fábricas durante os anos 90. Naquele período, para enfrentar os efeitos de inserção aberta demais, empreendedores cortaram camadas de recursos humanos supostamente sobrepostas. No setor público, os indicadores se limitam à constatação de que o ritual de contratações sofreu leve redução de velocidade em alguns municípios e elevação em outros, por conta de atendimento suplementar nas áreas de saúde e educação, cada vez mais sob responsabilidade dos prefeitos.</p>
<p><strong>39ª Profecia &#8211;</strong> Pequenas empresas deixam de sofrer com a discriminação empresarial do Brasil. A aprovação do Estatuto da Microempresa, luta de vários anos do Sebrae, deixa de confundir pequena e grande empresa, poucos e muitos impostos. Governo federal aprova legislação que protege setor na área de financiamentos e impostos. Agora quando se fala no assunto não se trata mais de tapeação. Os juros já não são escorchantes e muitos tributos desapareceram.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> O quadro macroeconômico e microeconômico se mostra imperturbavelmente degenerativo ao crescimento dos pequenos negócios no Brasil, apesar de alguns avanços como a adoção do Simples, entre outros. Entre as muitas dificuldades que os pequenos negócios enfrentam além da carga tributária elevada está a padronização de legislações que tratam igualmente os desiguais. Por exemplo: as regras trabalhistas que enquadram companhias multinacionais e grandes conglomerados nacionais não podem ser obedecidas pelos pequenos negócios. Por essas e outras a informalidade já é maior que a formalidade.</p>
<p><strong>40ª Profecia &#8211;</strong> Convidados do Prêmio Desempenho resolvem trocar idéias durante o coquetel e chegam à seguinte conclusão: jornalista travestido de Nostratamos de Resolver precisa de imediata internação. Está completamente maluco.<br />
<strong>Resultado &#8211;</strong> A julgar pelos resultados, 10 anos após a série de profecias, tudo indica que quem precisa de internação terapêutica é a própria comunidade regional, incapaz de mudar a rota dos acontecimentos.</p>
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		<title>Mãos na massa  da regionalidade</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Apr 2006 18:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andremarceldelima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Grande ABC finalmente começou a pôr as mãos na massa pelo fortalecimento das indústrias automobilística e petroquímica &#8211; os principais pilares de sustentação econômica. Conforme promessa de William Dib, prefeito de São Bernardo e presidente do Consórcio Intermunicipal, a região vai acolher seminário específico sobre o futuro da cadeia automobilística do Grande ABC. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Grande ABC finalmente começou a pôr as mãos na massa pelo fortalecimento das indústrias automobilística e petroquímica &#8211; os principais pilares de sustentação econômica. Conforme promessa de William Dib, prefeito de São Bernardo e presidente do Consórcio Intermunicipal, a região vai acolher seminário específico sobre o futuro da cadeia automobilística do Grande ABC. O Fórum Revitalização do ABC Automotivo está programado para 11 de abril no auditório do Senai Mário Amato, em São Bernardo, com participação maciça de executivos de montadoras e autopeças, representantes sindicais, consultores especializados e integrantes do governo estadual. </p>
<p>No front petroquímico, a novidade é a parceria que a Apolo (Associação das Indústrias do Pólo Petroquímico do Grande ABC) firmou com a Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Mauá para a formatação de curso superior na área de transformação de plástico. Empresas do Pólo já garantiram R$ 1 milhão para investimento na construção de prédio com laboratórios e salas de aula. A importância da iniciativa é flagrante. A expansão na primeira e segunda geração torna fundamental consolidar núcleo irradiador de mão-de-obra especializada para criar produtos de alto valor agregado e atrair investimentos na terceira geração. Agora só faltam políticas públicas que favoreçam a ocupação de áreas próximas ao Pólo Petroquímico por transformadoras plásticas. </p>
<p>As duas iniciativas mostram que a Imprensa tem obrigação de estimular ações por parte dos atores públicos e privados, em vez de se restringir a transcrever fatos cotidianos. Tanto a iniciativa de promover o fórum automotivo quanto a preocupação da Apolo com os rumos da cadeia de terceira geração ganharam destaque em reportagens de capa de LivreMercado. Em setembro de 2005 a revista estampou a imagem do prefeito de São Bernardo com o título &#8220;Dib, Nosso JK?&#8221;, em alusão à disposição de o prefeito recuperar o tecido automobilístico fragilizado por décadas de negligência institucional. Em dezembro de 2005, a capa &#8220;Pólo Comprometido&#8221; mostrava que os representantes da Apolo aceitaram sugestão de LivreMercado durante o Ciclo de Debates: repassar conhecimento para fortalecer pequenas e médias indústrias do setor. </p>
<p>O fórum sobre revitalização da indústria automobilística é essencial para a região que vive dificuldades crônicas do setor de autopeças e não pára de perder participação relativa na produção nacional de automóveis e comerciais leves, como LivreMercado tem mostrado por meio de pesquisas exclusivas com dados fornecidos pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), representações sindicais e pelas próprias montadoras. São Bernardo e São Caetano são responsáveis por apenas dois de cada 10 veículos leves manufaturados no Brasil. A fatia regional nos veículos pesados atinge 61% do total nacional basicamente porque os custos inflados nos tempos de mercado fechado podem ser diluídos em produtos de maior valor agregado. É sobre esse cenário de fragilidades históricas e estruturais que os expositores devem se debruçar. </p>
<p>A julgar pelo peso e diversidade dos participantes, é provável que o fórum automobilístico traga muitas respostas sobre o que é preciso fazer para recolocar o Grande ABC nos trilhos. O editor da revista AutoData, Fred Carvalho, abre o evento com palestra sobre os 50 anos da indústria automobilística brasileira, seguida de análises do economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, João Carlos de Souza Meirelles e do prefeito William Dib. Na sequência, a consultora Letícia Costa, presidente da Booz Allen Hamilton, e o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, abordam questões logísticas e o papel da cadeia de suprimentos. A nova face do trabalho é o tema do painel do qual participam Luiz Marinho, ministro do Trabalho, José Lopes Feijoó, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Otávio de Mattos Silvares, reitor do Instituto Mauá de Tecnologia, Hermano de Medeiros Ferreira Tavares, reitor da Universidade Federal do Grande ABC, Márcio Rillo, reitor da FEI, e o coordenador Gábor Deák, presidente da SAE Brasil, sigla inglesa para Sociedade de Engenharia Automotiva. </p>
<p>O painel de encerramento promete ser o mais quente. Novos investimentos das montadoras serão discutidos por Barry Engle, presidente da Ford Brasil, Jackson Schneider, vice-presidente de Recursos Humanos e Relações Jurídicas e Institucionais da DaimlerChrysler, Hans Christian Maergner, presidente da Volkswagen do Brasil, Luiz Moan Yabiku, diretor de Relações Institucionais da General Motors e Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea. Em recentes entrevistas à LivreMercado, Luiz Moan destacou a necessidade de o governo do Estado agir de forma mais efetiva como indutor de investimentos. </p>
<p>A constatação de que a Apolo e a Fatec de Mauá uniram esforços para criar curso superior de tecnologia em plásticos também cai como luva para o Grande ABC que precisa converter a iminente expansão do Pólo Petroquímico em muito mais do que alavanca tributária. Empresas de primeira e de segunda geração são verdadeiras usinas de impostos, mas só a cadeia de terceira geração pode gerar empregos em grande escala. &#8220;Cada 16 toneladas adicionais de processamento no Pólo Petroquímico significa um posto de trabalho a mais nos transformadores&#8221; &#8211; esclareceu Nívio Roque, integrante da Apolo e diretor da Polietilenos União, durante o Ciclo de Debates realizado em dezembro último. Pelo cálculo de Nívio Roque, a expansão da PQU e da Polietilenos embute potencial para 12 mil empregos, uma planta da Volks de São Bernardo de novas ocupações. </p>
<p>Para aproveitar essa enxurrada de mão-de-obra com multiplicação de novas empresas é preciso que o Grande ABC ofereça duas condições básicas: profissionais qualificados e terrenos em boas condições e preços convidativos. A segunda condição ainda depende da movimentação de Mauá e Santo André para conceber políticas públicas que se traduzam na oferta vantajosa de áreas, especialmente no Distrito Industrial de Sertãozinho e ao longo do Rio Tamanduateí. A primeira condição é o alvo da iniciativa conjunta entre a Apolo e a Fatec. </p>
<p>O curso superior de Tecnologia em Produção de Plásticos terá três anos de duração e carga de 2,8 mil horas. O início das aulas está programado para agosto deste ano com 80 vagas, das quais 40 para o período vespertino e 40 para o noturno. &#8220;O curso formará gestores em tecnologia de plástico, profissionais capazes de criar produtos e vislumbrar novas aplicações em substituição a outros materiais&#8221; &#8211; explica o diretor da Fatec Silvio Tado Zanetic. Engenheiro e administrador com dois doutorados na área de engenharia de materiais, Zanetic é o responsável pela elaboração do conteúdo curricular ao lado de especialistas da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). </p>
<p>A parceria entre a Apolo e a Fatec também prevê estrutura física independente para a divisão de plástico. Empresas como Polietilenos, Petroquímica União e Suzano Petroquímica empenharam R$ 1 milhão para construção de prédio no próprio terreno em que a faculdade está instalada. O projeto prevê dois pavimentos que totalizarão 1,4 mil metros quadrados. O pavimento inferior acolherá laboratórios e o superior terá 10 salas de aula. As obras devem começar dentro de 60 dias e a conclusão está programada para março de 2007. </p>
<p>Para que tantas salas de aula? &#8220;Numa segunda fase pretendemos implantar curso técnico voltado à formação de operadores de máquinas&#8221; &#8211; explica Silvio Zanetic. </p>
<p>A explicação para o desembolso financeiro das empresas do Pólo é igualmente convincente. &#8220;Ampliar continuamente a produção de resinas de polipropileno não é problema para a Suzano Petroquímica. A capacidade saltou de 125 mil toneladas para 300 mil toneladas em 2003, vai chegar a 360 mil toneladas em junho deste ano e alcançar 450 mil toneladas em 2008 graças a operações de desgargalamento. O maior desafio está fora da empresa: agregar valor na terceira geração&#8221; &#8211; observa Antonio Fernando Pinto Coelho, gerente industrial da antiga Polibrasil. </p>
<p>A necessidade de criar novas demandas e investir em parcerias com a cadeia de terceira geração foi a tônica da apresentação de Gilda Bouch, gerente de marketing da Riopol, no seminário sobre indústria petroquímica realizado pelo IBC (International Business Comunications), na Capital paulista. A executiva lembrou que fabricantes de resinas e transformadoras plásticas têm características completamente diferentes: as primeiras são de grande porte, intensivas em capital e enxergam a longo prazo enquanto as segundas normalmente são pequenas e têm visão mais imediatista. Mas como fazem parte da mesma cadeia, é essencial que as fabricantes de resinas ajudem as transformadoras a desenvolver produtos de maior valor agregado a fim de escapar da comoditização. &#8220;Precisamos conhecer melhor aqueles que nos alimentam&#8221; &#8211; sintetizou a executiva. </p>
<p>Exemplos de inovações benéficas à rentabilidade não faltaram durante a apresentação de Eduardo Tergolina, diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, gigante do pólo gaúcho com capacidade anual para 730 mil toneladas de resinas plásticas. O executivo não deixou dúvidas sobre o fato de o futuro ser cada vez mais plastificado ao ressaltar o crescimento do uso do material em áreas como agricultura, construção civil e indústria automobilística. Até tanques de combustíveis de veículos se rendem às vantagens do subproduto do petróleo.                                  </p>
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		<title>Como escapar dos sete pecados capitais?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2006 20:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Grande ABC é detentor dos sete pecados capitais quando o diagnóstico leva em conta não necessariamente a individualidade de personagens e figurantes de uma sociedade de 2,5 milhões de habitantes, mas o que os especialistas chamam de comunidade. Há quem prefira admirar o Grande ABC sob outros paradigmas, das sete cores de um arco-íris, mas as mazelas formam uma realidade latente e que ajuda a explicar as razões da quebra contínua da qualidade de vida que coloca o Grande ABC entre os piores endereços criminais do Estado, segundo dados do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos).</p>
<p>A biruta desenvolvimentista do Grande ABC virou e poucos se deram ou estavam interessados em se dar conta. Os bons tempos de industrialização persistente tornava a mobilidade social uma regra. Sair do estado de miséria e escalar degraus de pobreza, de remediado, de classe média e de riqueza era a ordem natural da situação. Entretanto, desde o início dos anos 1990 o que se vê é uma derrocada econômica e social que só nos três últimos anos parece estabilizada &#8212; isto é, não se agravou ainda mais.</p>
<p>Os sete pecados capitais do Grande ABC são latentes. São a luxúria do triunfalismo, a inveja do gataborralheirismo, a ira ao regionalismo, a preguiça do provincianismo, a gula do estrelismo, a cobiça do corporativismo e a avareza do aparthismo. Essa coleção de infortúnios não é propriedade exclusiva do Grande ABC. Afinal, os sete municípios locais estão no Brasil, um País continental igualmente prevaricador e incapaz de fazer o PIB (Produto Interno Bruto) por habitante crescer nos últimos 25 anos. A diferença é que aqui estão alguns condimentos que tornam os sete pecados capitais mais inquietantes.</p>
<p>Trata-se de paradoxo, porque atinge uma área onde o desenvolvimento econômico mais floresceu no menor tempo possível. O Grande ABC saiu da subalternidade e saltou para o estrelato nacional em três décadas, a partir da chegada das primeiras montadoras de veículos. A acelerada industrialização transformou o Grande ABC em terra de oportunidades e de oportunistas, de indivíduos em vez de cidadãos.</p>
<p>Para sair mesmo que lentamente desse encalacramento sociológico o Grande ABC precisa, antes de mais nada, ser Grande ABC de fato, ou seja, uma região integrativa, consorciada, interativa. Uma bandeira que ninguém no setor público soube exercitar como Celso Daniel, morto há quatro anos.</p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-1044" title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Luxúria do triunfalismo</strong></p>
<p><strong></strong>Triunfalismo é a espetacularização de um Grande ABC que jamais existiu ou se existiu em alguma proporção à alardeada, há muito desapareceu. O mal maior da luxúria do triunfalismo é o anestesiamento de problemas que precisam ser diagnosticados e resolvidos, sob pena de se perpertuarem em camadas sobrepostas de gravidade econômica e social.</p>
<p>Os triunfalistas de plantão atuam com a perspectiva de que a memória dos agentes sociais é curta. Preferem tudo menos pecha de derrotistas, que ajudam a orquestrar contra quem levanta bandeiras de comedimento. Sim, eles entendem que só tem a perder quem ousa colocar o dedo na ferida dos sofrimentos regionais. Atuam com a objetividade dos tolos: abraçam idéias que estão distantes demais da realidade porque acreditam que, em última instância, serão reverenciados como propagadores de positivismo que a comunidade recompensa com sentimento de gratidão.</p>
<p>Não se dão conta os triunfalistas que, por mais que seja relativamente verdadeira a idéia de que a comunidade age sob instinto de preservação, inclusive material, nada resiste aos fatos. A mentira adocicada de hoje de que, por exemplo, o mercado imobiliário está exuberante, lastreada por estatísticas falseadas, vai fazer um acerto de contas com a verdade verdadeira algum dia mais à frente, quando o estoque de novas unidades precisar ser desovado ao preço de drástica redução na rentabilidade. Há regras na economia que jamais são contrariadas. Como a correlação entre oferta e demanda.</p>
<p>Todos aqueles que entenderam que valia a pena esbaldar-se nas águas da manipulação, porque de alguma forma estariam a salvo de confrontos, acabaram se dando mal no Grande ABC. No período institucionalmente mais fértil do século passado, exatamente na última metade dos anos 90, mais aumentaram as deserções industriais, base da economia e suporte social dos sete municípios. O movimento que derivou da centralidade supostamente revolucionária do Fórum da Cidadania não abrandou a crueza de solavancos econômicos de uma região atirada às feras da globalização por um governo federal estúpido, para não dizer irresponsável.</p>
<p>Aquela institucionalidade, de fato, era um copo vulnerável ao menor solavanco. Em vez de tim-tim de cristais se encontrando para saudar novos tempos de evolução entre agentes públicos, empresariais e sociais da região, ouviram-se estilhaços do esfacelamento industrial, setor nuclear da mobilidade social de uma região que a cada dia perde participação relativa e absoluta na riqueza nacional.</p>
<p>Os prestidigitadores da luxúria institucional atuaram sempre sob a égide da escuridão do oportunismo combinada com o alheamento em relação às luzes do futuro. Eles seduziram reis, rainhas e plebeus com discursos desenvolvimentistas através de usos e abusos de estatísticas corrompidas por falsários.</p>
<p>Hoje, vive-se a ressaca da luxúria do triunfalismo. Bacanais midiáticas dos desordeiros oficiais e privados são raras, em contraste com o fausto do passado recente. De vez em quando aparece um cenarista retardatário, desavisado sobre o ridículo do papel que ousa prestar, de repetir falsos artistas desalojados de tribunas que imundamente ocuparam, embora fossem tratados reverencialmente. Até que as máscaras caíram.</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /></strong> Preguiça do provincianismo</strong><br />
<strong></strong><br />
Berço da indústria automobilística e da indústria petroquímica brasileira, o Grande ABC tomou durante várias décadas o relaxante banho dos imortais. Sempre que o assunto era o despertar de um gigante chamado Brasil, apontava-se o dedo em direção ao Sudeste da Região Metropolitana de São Paulo onde, à sombra da Capital, despertava um capitalismo moderno, de ascendente classe trabalhadora. Um cenário perfeito para embalar a preguiça institucional, entendida como permanente propensão para desconsiderar tudo que pudesse exigir cuidados no corpo esbelto, bem nutrido e ágil dos sete municípios.</p>
<p>O encantamento com as próprias e bem distribuídas medidas econômicas e sociais, que davam saltos de prosperidade, conduziu o Grande ABC ao espreguiçamento contínuo. Planejamento urbanístico? Bobagem. Disciplina na ocupação e uso do solo? Para quê? Espichamento do olhar em direção a outros territórios nacionais e internacionais que pudessem indicar novos modelos de desenvolvimento que colocassem em risco a região? Qual nada. O Grande ABC se sentia imperialmente inexpugnável. Também, como ao menos sugerir que sustentado por logomarcas preciosíssimas como General Motors, Ford, Volkswagen, Toyota, Saab-Scania, Cofap, Brastemp e tantas outras haveria tempo, espaço e disposição para sair do bem-bom de venha-a-nós-ao-nosso-reino?</p>
<p>A explosão de negócios que mais e mais centralizavam baterias no Grande ABC era motivo mais que suficiente para dar um pontapé nos fundilhos de qualquer incômodo com o futuro. Quem haveria de superar o Grande ABC na sede estrepitosamente incontrolável de crescimento? Ainda mais que por aqui se fabricavam o primeiro, o segundo e o terceiro sonho de consumo dos humanos &#8212; os veículos automotores, claro.</p>
<p>Mas a canoa acabou virando. Não totalmente, é claro, porque o Grande ABC ainda produz dois de cada 10 veículos de passeio e seis de cada 10 veículos pesados. Mas o suficiente para assustar. Algumas logomarcas que lustravam fachadas de prédios gigantescos que geravam emprego, impostos e mobilidade social sumiram com as próprias fábricas. Várias cederam espaço a supermercados e hipermercados. O mapa do Brasil de produção automotiva e petroquímica foi democratizado à custa de canibalizadores créditos baratos e guerra fiscal. O mundo, aliás, descobriu a força automotiva. Agora, chineses e indianos estão nas paradas de sucesso de montagem de veículos. Ameaçam europeus ocidentais e devem chegar às periferias do planeta com preços imbatíveis de mão-de-obra excedente e tributos comedidos.</p>
<p>A preguiça do provincianismo não é um mal generalizado que ataca todas as instâncias de poder no Grande ABC. No setor privado, pequenas e grandes indústrias foram sacudidas há muito tempo por novas nuances de produção. Mas o setor público, que vive de arrecadar impostos, se deixou dominar pelo sonífero da insensibilidade. Ignorou completamente o que passava além-torres de Executivos e Legislativos. Até hoje, na quase totalidade dos casos, o Poder Público não percebe as razões do esfriamento das caldeiras de produção dos dois maiores setores industriais da região. Ou, se as percebe, não consegue livrar-se da camisa-de-força do improviso associado à concorrência doméstica.</p>
<p>O provincianismo se projeta em pequenos e grandes aspectos. Desde a demora para estabelecer rede regional de tratamento tributário que atraia novos investimentos sem raquitizar os já instalados até a ausência de senso prático de reconhecer-se, o Poder Público, pouco preparado para a estratégia de competir internacionalmente. Para isso, teria de admitir limitações e dar espaço a especialistas de organizações que fizeram fama exatamente porque são antiprovinciais. Ou seja, enxergam o mundo por completo, o mundo plano, como ainda recentemente um economista definiu o processo de globalização.</p>
<p>O balzaquiano Grande ABC exibe flacidez que já não o torna centro de atenção do País. Ainda mais porque segura a barra da saia da Capital. Uma recauchutagem é trabalhosa, provavelmente não reencontrará o viço da juventude que se foi. Mas, pelo menos, evitaria a velhice precocemente imposta pela competitividade internacional.</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> </strong>A ira ao regionalismo</strong></p>
<p>Uma regra da política partidária enseja que quem parte e reparte e não fica com a maior parte, é bobo ou não entende da arte. No caso do território do Grande ABC, dividido em meados do século passado em sete pedaços, partiram e repartiram de tal maneira que quem ficou com cada parte se sentiu realizado. Os grupos políticos e emancipacionistas que multiplicaram o Poder Público na região esbaldaram-se com a nova ordem territorial.</p>
<p>Independentemente de vantagens e desvantagens da repartição do poder na região, numa disputa de argumentos que consome toneladas de paciência e paixão, o fato é que a unidade original foi para o espaço. E como a regionalidade é indissociável a qualquer um dos pedaços do mosaico municipal, o resultado é desastroso.</p>
<p>Há razões de sobra para investimentos no Grande ABC. No terciário, que envolve comércio e serviços, a condição de conglomerado urbano de 2,5 milhões de habitantes e o quarto potencial de consumo do País pesa muito na hora da decisão. Um supermercado, um shopping, uma franquia de fast-food, uma nova revendedora de veículos, qualquer coisa que lembre consumo, olha-se com olhos arregalados para o Grande ABC. Estudos de marketing conduzem a conclusões regionais. Há população específica do Município que vai sediar o empreendimento, mas o entorno é visto como potencial definidor do negócio.</p>
<p>A regionalidade não está apenas no potencial de consumo. A mão-de-obra pesa na hora dos investimentos, principalmente industriais. A cultura de chão de fábrica encurta a distância entre o dinheiro aplicado num negócio e a rentabilidade. Mesmo com custo superior em relação ao restante do País, a mão-de-obra regional faz diferença se qualidade for quesito indispensável. Qualidade, como se sabe, advém de uma série de fatores. Principalmente da cultura manufatureira, que o Grande ABC tem de sobra.</p>
<p>A dualidade do Grande ABC econômico e do Grande ABC institucional manifesta-se na regionalidade inerente das forças de mercado e no municipalismo retrógrado da gestão pública. O Consórcio Intermunicipal de Prefeitos já completou 15 anos mas não encontrou fórmula para dar um nó górdio na disputa pelo estrelato. Comandado em regime de revezamento de 12 meses, o Consórcio é um convite irrecusável ao show de uma nota só: enquanto todos os holofotes se dirigem ao titular de plantão, os demais assistem quase que passivamente, embora dissimulem união.</p>
<p>Cada um dos prefeitos, inclusive o titular de plantão, está de olho mesmo é no território municipal que o elegeu e sobre o qual tem sob influência grupos políticos que, na maioria dos casos, embalam os próximos objetivos. Talvez fosse injusto apontar Luiz Tortorello o mais infatigável representante da tipologia que domina a cena político-institucional do Grande ABC. Tortorello, morto em dezembro de 2004, colocava São Caetano em primeiríssimo lugar. É provável que tenha sido apenas o mais transparente entre os contemporâneos de poder.</p>
<p>Paradoxalmente, foi um dos maiores incentivadores da criação do Consórcio Intermunicipal. Mas logo percebeu que o jogo coletivo era uma farsa. Mais tarde, ninguém superaria o empenho de Celso Daniel, extraordinário bailarino de todos os salões municipais da região. Até o dia em que se deu conta que romanceava demais as expectativas de ajustes compartilhados. Voltou-se então para a Santo André que o elegera pela segunda vez, antes da terceira.</p>
<p>Extirpar a ira ao regionalismo do autárquico municipalismo é desafio para cirurgiões políticos, raros no quadro nacional. Para que seja possível acreditar que acabará a estultice de ignorar-se fronteiras municipais tão historicamente justapostas, como as que justificam inclusive a denominação Grande ABC, é preciso passar pelo desfiladeiro dos ideais metropolitanos. Entretanto, deputados federais e estaduais paroquiais como prefeitos, como vereadores, como secretários municipais, como lideranças empresariais, como lideranças sociais, só pensam mesmo naquilo &#8212; no pedaço administrativo que podem dominar.</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /></strong> A gula do estrelismo </strong></p>
<p>O pior do estrelismo não é o narcisismo de quem procura atrair atenções de forma voraz, mas os efeitos que essa antiga porção reversa de pó-de-pirlim-pim-pim precipita. Sim, porque pior mesmo que o espírito indomável dos indivíduos travestidos de ambições irrefreáveis são os potenciais construtores do futuro que, discretos, preferem se afastar de cena. Contra os narcisos, os franciscanos. Com os narcisos, os aduladores.</p>
<p>Isso significa que na exata proporção em que a gula do estrelismo se espalha ruidosa mas vazia de conteúdo, os bem-comportados candidatos a solucionar problemas sem recorrer a malabarismos de visibilidade se acautelam com a possibilidade de retaliações geralmente veladas. Não é difícil distinguir quem consegue aglutinar companheiros de mudanças de quem transmite a sensação de que, ao se olhar no espelho, julga-se imprescindível. Enquanto o primeiro é da turma do &#8220;nós ganhamos, nós empatamos, nós perdemos&#8221;, o segundo é decididamente do time do &#8220;eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam&#8221;.</p>
<p>Os narcisistas estão por todas as partes. Alguns têm vida longa porque falta aos interlocutores senso crítico para opor-lhes resistência restauradora ou sobra pragmatismo de quem prefere abandonar a empreitada. Ou seja: eles seguem livres e soltos porque caricaturas lhes dão suporte representativo, enquanto opositores afastam-se do cálice da embromação.</p>
<p>Dessa forma, erguem-se duas muralhas gêmeas de consequências sociais e econômicas. Os que permanecem ao lado dos fazedores de marolas se tornam medíocres numa incubadora de maldades, ao assimilar todos os vícios de linguagem e de atitude do comandante. Os desertores praticamente adubam o terreno rasteiro dos prevaricadores, porque temem por contaminação.</p>
<p>A gula do estrelismo é invasiva e propagadora. Forma caldo de cultura que referencia outras organizações, influenciando usos e costumes. Ao longo de décadas o Grande ABC chegou ao ponto máximo de endeusamento dos inúteis. Valem mais a etiqueta, o corte elegante do vestuário, a gravata rigorosamente na moda, os gestos cautelosamente medidos, o tom de voz neutro, as frases decoradas, a logomarca corporativa, tudo isso num festival politicamente correto que parece saído desses manuais que os computadores vomitam metodicamente.</p>
<p>É claro que esse modelo de atraso com aparência de modernidade não é obra do acaso. Mas também há estrelas que não pontificam pela forma de vestir, pelos modos com que falam, pelos gestos mais refinados. Há espécimes menos rebuscados, mais populares, descuidados até no vestir e no falar. O que une os dois tipos é a propensão ao proselitismo vazio, às promessas que jamais se cumprem, a individualidade usurpadora do coletivismo, o coletivismo subordinado ao individualismo.</p>
<p>A gula do estrelismo não é, portanto, um desenho linear. Há casos em que detentores da patologia são inequivocamente competentes. São estrelas narcisistas porque a dimensão do mundo se esgota nos contornos do próprio físico. Usam o coletivo como plataforma de embarque para um novo mundo de interesses pessoais e profissionais. Preferencialmente longe do provincianismo do Grande ABC. Arremetem em direção a instituições de âmbito estadual e federal com a volúpia dos pecadores. São casos especiais de estrelismos que se cansam da platéia doméstica que os reverencia. Querem mais e mais o que, no fundo, no fundo, é o mesmo do mesmo, porque a gula do estrelismo é endêmica.</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /></strong> A cobiça do corporativismo </strong></p>
<p>Corporativismo é a consagração do coletivismo de iguais ou semelhantes, doutrinado a defender interesses próprios, pouco se importando se o que lhe é favorável cabe no figurino da sociedade. Corporativista foi o movimento sindical liderado pelo então operário Lula da Silva, de ressonância superavaliada por intelectuais desatentos, que viram naquela rebelião contra o capital desmedidamente egoísta o que nem mesmo o próprio comandante daquela iniciativa, e depois presidente da República, foi capaz de ratificar.</p>
<p>Sim, os intelectuais viram na revolta de chão de fábrica dos metalúrgicos de São Bernardo a prova provada de uma mobilização política que colocaria o Grande ABC no topo do engajamento reformador. Bobagem: os metalúrgicos jamais deixaram de pensar e agir exclusivamente com interesses próprios. Seus objetivos não ultrapassavam os limites das indústrias. Era o trabalho maltratado opondo-se ao capital abusado. Quem interpretou o movimento além-muros industriais idealizou uma empreitada provavelmente ramificada nos tempos românticos de um socialismo bolchevique que já começava a dar sinais de fadiga de material.</p>
<p>Exemplo irrebatível de que a cobiça do corporativismo sindical opunha-se aos propósitos da população: os usuários de veículos, vítimas preferenciais de sobrepreços repassados por conta das conquistas da categoria combinados com o protecionismo do mercado. Os custos nacionais em forma de privilégios sindicais, de excesso tributário e de desinteresse em investimentos em modernização, num período em que a Lei de Reserva de Informática excomungava qualquer elemento que tivesse a possibilidade de imprimir novos processos de produção, tornaram os metalúrgicos classe especial no espectro trabalhista.</p>
<p>Entretanto, nem tudo que é bom dura para sempre. A abertura econômica no começo dos anos 1990 foi um torpedo. Desmantelou bases sindicais, reduziu a pó milhares de empregos industriais e descentralizou a produção com novos investimentos internacionais, beneficiados por um câmbio ultrafavorável e empréstimos subsidiados do Estado.</p>
<p>A cobiça do corporativismo não se circunscreveu às classes trabalhadoras mais organizadas. Empresários deitaram e rolaram na disputa cabeça-a-cabeça por vantagens oficiais de um Estado dirigista e interventor. O mercado fechado era um convite irresistível a acordos informais de cartéis que impunham preços que mais lhes convinham, protegidos por um governo controlador de planilhas que, de fato, se traduziam em atentados à competitividade internacional.</p>
<p>Durante muitas décadas de substituição de importações o Brasil estimulou a concorrência preguiçosa principalmente entre grandes corporações que patrocinavam um jogo de faz-de-conta de disputa pelo mercado. Por isso, em certos momentos as reivindicações trabalhistas viraram jogo de cena, ou um ritual tão previsível como o verão depois da primavera. Novos custos de mão-de-obra e das chamadas conquistas sociais dos trabalhadores eram repassados aos consumidores dos produtos.</p>
<p>Principalmente nas montadoras e autopeças, as obrigações do Estado nas áreas de saúde, educação, transporte e alimentação foram arrancadas das empresas em campanhas salariais.</p>
<p>A cobiça do corporativismo deu certo até o dia em que o Brasil resolveu entrar na guerra de guerrilhas da globalização, no início dos anos 1990, primeiramente com Fernando Collor de Mello.</p>
<p>Com a chegada de Fernando Henrique Cardoso e a abrupta política de valorização da moeda nacional, de artificial cotação superior ao dólar, e a redução drástica de alíquotas alfandegárias, não sobrou pedra sobre pedra em vários setores industriais. Só nos anos 1990 o Grande ABC perdeu 100 mil empregos industriais com carteira assinada. Era a gordura dos tempos de mercado fechado que a rápida e insensível lipoaspiração da abertura econômica retirava de estruturas industriais pesadíssimas e tecnologicamente ultrapassadas.</p>
<p>Imaginar que o gene da cobiça do corporativismo está concentrado apenas nos protagonistas do capital e do trabalho é deixar escapar pela fresta da desatenção situações semelhantes em outras áreas, inclusive sociais. Prevalece a seletiva mensagem de que ao cuidar apenas do interesse de determinado agrupamento econômico, social ou político, está-se resolvendo o problema da comunidade. Balela pura. A saída é o portal do capital social, junção de diferentes esferas comunitárias. Quem amarra o guizo da responsabilidade social no pescoço do gato arredio do corporativismo?</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /></strong> A avareza do aparthismo </strong></p>
<p>A ocupação demográfica do Grande ABC acompanhou a lógica do desenvolvimento econômico acelerado com o revolucionário desembarque das montadoras de veículos. Os saltos de ocupação territorial por hordas de migrantes de um País especializado em improvisação tornaram a geografia da região constante aperfeiçoamento do aparthismo social. Os imigrantes europeus e asiáticos que chegaram nos primeiros anos do século passado e ocuparam espaços centralmente mais urbanos beneficiaram-se fortemente da especulação imobiliária que a industrialização pós-montadoras incentivou com a correnteza migratória.</p>
<p>A avareza do aparthismo social não é fenômeno tipicamente do Grande ABC, mas, impressionantemente, essa segregação de classes aqui se solidificou em estreita comunhão com o dinamismo econômico de três décadas e o afrouxamento das duas décadas seguintes, num ciclo que se iniciou em meados do século passado. O Grande ABC que se tem hoje é densamente periférico na maioria dos sete municípios. O contraponto da prevalecente classe média de São Caetano está no domínio da classe operária de Diadema. Em Santo André, São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires vigora a rígida separação territorial de ricos, remediados e populares.</p>
<p>No conjunto, se concentrados num único megamunicípio de 2,5 milhões de habitantes, o Grande ABC social é formado de manchas urbanas claramente distintas. São nesgas de bem-aquinhoados materialmente, uma parte mais visível de remediados e o avanço incontrolável de pobres e miseráveis. Como a maioria dos municípios brasileiros. A diferença é que a interface entre as classes sociais é reticente, praticamente imperceptível. Da mesma forma que o corporativismo funcional e institucional mantém agentes públicos, privados e sociais distantes de interatividade, no campo social vive-se os respectivos microterritórios e, mesmo assim, na maioria dos casos, sem praticamente nada que aproxime para valer os iguais ou semelhantes. Um ou outro movimento localizado contra casos de criminalidade ou de arruaças noturnas de frequentadores de botequins dá alguma idéia do que seja vida comunitária. A regra é o isolamento em microcosmos sociais. O aparthismo no aparthismo social.</p>
<p>Tivesse o Grande ABC algum resquício de reformismo social e político que observadores tão pretensiosos quanto afoitos chegaram a sugerir a reboque do movimento sindical, as manifestações de chão de fábrica teriam se reproduzido no âmbito social. Houvesse de fato coesão entre ambições profissionais e demandas sociais, por que não imaginar que os mesmos metalúrgicos que reformataram as relações trabalhistas na região não pudessem interferir como cidadãos no desenho de municípios menos desajustados, inclusive na destruição de parte dos mananciais?</p>
<p>O aparthismo social do Grande ABC de ricos, remediados e pobres é uma bomba-relógio demarcada por índices de criminalidade. Nos últimos 15 anos de desindustrialização ensandecida muitos representantes da classe média foram rebaixados ao proletariado e muitos proletários desceram as escadas da pobreza.</p>
<p>Os ricos tradicionais, na maioria os primeiros a chegar ao Grande ABC de terras baratas e sobre as quais fizeram fortuna, também contabilizam perdas mas se mantêm no topo da materialidade e, principalmente, influenciam o poder. Há um e outro novo rico em cada pedaço municipal da região, egressos na maioria da administração pública e de concessionárias de serviços públicos. Eles tentam se ajeitar entre os ricos tradicionais, que geralmente os repelem por falta de patente histórica, tanto quanto tentam se afastar dos classe média que se esfalfam para não ser atirados às feras do proletariado.</p>
<p>O aparthismo social do Grande ABC, portanto, tem componente pouco comum no Brasil. A disputa para pelo menos sustentar posições alcançadas nos tempos áureos de mobilidade social está longe de se manter discreta e elegante num território que conheceu em espaço de tempo singularmente curto, de meio século, o céu do esplendor e o inferno da implosão econômica. Os números grandiloquentes gerados por 2,5 milhões de habitantes entusiasmam investimentos de comércio e serviços de redes nacionais e internacionais. Entretanto, metabolizados em traduções por habitante e, principalmente, se observados sob a ótica da realidade prática de periferias cada vez mais infladas e de reversão de ascensão social, indicam que o aparthismo deverá acentuar-se. A terapêutica indicada para esses casos, um grau elevado de cidadania, dá sinais de vitalidade de fato apenas em Diadema, homogeneamente popular, politicamente amadurecida e culturalmente surpreendente.</p>
<p><strong><strong><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocialonline.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado18.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /></strong> A inveja do gataborralheirismo</strong></p>
<p>Complexo de Gata Borralheira é o Grande ABC diminuir-se em todos os campos de atividade pela vizinha Capital. Um sentimento regional que resulta da mistura de admiração e inveja. A recíproca não é verdadeira. A Capital, meca dos serviços de valor agregado, do mundo fashion, do entretenimento, do sistema financeiro, olha o Grande ABC com desprezo. Exceto quando os 2,5 milhões de consumidores estão no radar da rentabilidade.</p>
<p>São inúmeros os exemplos de situações que provam e comprovam que o Grande ABC não se ama como deveria e que inveja São Paulo além da conta. Formandos da região preferem festa de diplomação na Capital, apesar da distância, de preços mais salgados e de ambientes nem sempre mais adequados. Tudo pelo status de constar do álbum de formatura o endereço paulistano.</p>
<p>Restaurantes da Capital são sempre melhores. Mesmo que eventualmente não sejam melhores. Almoçar e jantar na Capital é mais chique. Assistir a peça de teatro em São Paulo em vez de optar por exibição num dos municípios da região também dá significado especial à programação.</p>
<p>O incômodo da inveja do gataborralheirismo é tão pronunciado no Grande ABC que basta mencioná-lo para moradores mais tradicionais reagirem. Na maioria dos casos não passa de hipocrisia, porque eles são os primeiros a se deslocar até a Capital. Recente anúncio de página inteira em revista dedicada ao setor de refeições coletivas estampou apenas São Paulo como endereço de uma tradicional empresa cuja área industrial segue em Santo André &#8212; a De Nadai Alimentação. Um dos sócios do empreendimento, Sérgio De Nadai, que consta da relação dos poucos novos-ricos da região, entretanto, desfila frases de paixão e fidelidade a Santo André em entrevistas aos veículos locais, embora permaneça silente sobre as origens da companhia quando eventualmente fala a interlocutores paulistanos.</p>
<p>Do ponto de vista negocial, a decisão da De Nadai Alimentação é absolutamente correta e está longe de inaugurar um comportamento corporativo em que a racionalidade de marketing é regra. É tradição de empreendedores do Grande ABC omitirem publicamente a origem de seus negócios quando ganham novos mercados. A própria comunidade regional discrimina as empresas locais quando confrontadas com empreendimentos principalmente da Capital. Um empreendedor de informática com empresa na Via Anchieta, território de São Bernardo quase divisa com a Capital, aposentou o telefone de contatos comerciais do Grande ABC que rivalizava atendimento com a central telefônica da Capital porque a quase totalidade das ligações era direcionada ao aparelho paulistano.</p>
<p>O pior da inveja do gataborralheirismo é negar que a patologia existe. Ou, então, numa iniciativa que já se provou catastrófica porque foi levada a cabo sem ciência e competência, procurar negar a evidência com eloquência ufanista. A fonética proposital da frase é uma maneira de marcar bem na memória a estupidez de tentar curar a enfermidade com tratamento tópico.</p>
<p>Certo mesmo é que qualquer iniciativa para sufocar o sentimento de inveja da Capital precisa passar por reformas estruturantes, por medidas sistêmicas. Marketing rastaquera como já colocado em bancas de comércio de bugigangas triunfalistas só agrava a realidade. Provavelmente o Grande ABC só se respeitará de fato, no sentido mais amplo de cidadania, no dia em que assumir para valer, sem subterfúgios, que se escraviza culturalmente ao encarar a Capital vizinha como supra-sumo de virtudes inatingíveis.</p>
<p>A partir daí, descobrirá que é possível encontrar nichos econômicos muito mal-servidos pela Capital e também constatar que a mesma vizinha badalada carrega problemas sociais mais insolúveis do que os que incomodam o Grande ABC, entre outros motivos porque são dimensionalmente maiores.</p>
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		<title>Presidencialismo que só atrapalha</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2006 21:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regionalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Já está provado e comprovado, depois de uma década e meia de desperdícios de tempo, de dinheiro e de paciência, mesmo se admitindo, com boa vontade, que houve algum avanço na regionalidade do Grande ABC: o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos precisa mudar de conteúdo organizacional e trabalhar como células de produção. E sem perda de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já está provado e comprovado, depois de uma década e meia de desperdícios de tempo, de dinheiro e de paciência, mesmo se admitindo, com boa vontade, que houve algum avanço na regionalidade do Grande ABC: o Consórcio Intermunicipal de Prefeitos precisa mudar de conteúdo organizacional e trabalhar como células de produção. E sem perda de tempo a solução mais palatável e potencialmente mais interessante é o fim do regime presidencialista nos moldes convenvionais em que o prefeito-titular da temporada de 12 meses de mandato obscurece os demais. Com isso, os temários mais importantes submergem às demandas preferenciais do executivo de plantão. </p>
<p>Esse é um enredo mais que sofrivelmente manjado. Nem mesmo o atual titular do Consórcio, o prefeito William Dib, de São Bernardo, conseguiu desvencilhar-se dos obstáculos, por mais que tenha recolocado a entidade na pauta jornalística com série de iniciativas. Afinal, é improvável que um barco, qualquer barco, com sete remadores em meio a uma tempestade, consiga encontrar o rumo certo no tempo certo quando apenas um deles rema para valer, enquanto os outros, por melhor intenção que tenham, reservam força e fôlego para quando forem descobertos pelos holofotes que o presidencialismo impõe. </p>
<p>Que saída então para contemplar a visibilidade conjunta dos sete prefeitos? Simples: que o cargo de presidente do Consórcio não seja exercido por qualquer um dos chefes de Executivo. Que o titular seja suficientemente competente para estimular e coordenar a interlocução com os sete prefeitos, que dê dinamismo às pautas mas que não passe mesmo de discreto e eficientíssimo figurante da companhia. </p>
<p>As estrelas serão a constelação de sete, durante os quatro anos de mandato. Muito melhor do que uma estrela por vez, a cada ano, com os demais chefes de Executivo puxando o freio de mão até mesmo por senso de sobrevivência que geralmente significa voltar-se para o seu próprio território municipal, onde não há nuvens capazes de retirá-los da ribalta. </p>
<p>Não há momento mais apropriado para a mudança do que o começo deste ano, quando deverá ser realizada reunião para a escolha do sucessor de William Dib. Que pode ser o próprio William Dib, que, embora não confirme, poderia ser mantido no cargo quem sabe para ele próprio introduzir a novidade no organograma da entidade. </p>
<p>O mesmo William Dib que, ao ouvir a sugestão, abriu um sorriso de aprovação. Algo repetido por José Auricchio, prefeito de São Caetano. E também por Silvio Minciotti, titular da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, introdutor da expressão &#8220;células de produção&#8221;. </p>
<p>Como a Agência é filha bastarda da institucionalidade regional que mal consegue pagar as próprias obrigações financeiras, nada mais apropriado do que aproveitar a reformatação do Consórcio Intermunicipal e transformá-la em diretoria operacional da entidade. Quem sabe o próprio Silvio Minciotti poderia assumir a presidência administrativa do Consórcio? Ele tem o perfil adequado quando se verifica que há muito deixou ambição eleitoral de lado, é tecnicamente reconhecido como talentoso e se relaciona sem atropelos com todas as agremiações políticas, apesar de tucano. </p>
<p>Com um presidente administrativo à frente do Consórcio Intermunicipal, os sete prefeitos seriam espécies de primeiros-ministros de atuações públicas proporcionais à efetividade de ações. </p>
<p>O princípio consolidado de que é indispensável mudar o padrão de atividades do Consórcio Intermunicipal é a constatação de que os resultados históricos estão distantes demais das imperiosas necessidades regionais. O modelo presidencialista é uma aberração prática quando se sabe que o clube dos prefeitos é um conjunto de representantes políticos que não suportam subalternidade mesmo que temporária. </p>
<p>O figurino atual do Consórcio garante que o titular do cargo de presidente vai enfiar o pé no acelerador nos 12 meses de mandato, mas, em contraponto, os demais, ou puxam mesmo o freio de mão ou, discretamente, pisam no pedal de frenagem.<br />
Listamos a seguir alguns pontos à aprovação de mudança estatutária que transformaria o Consórcio Intermunicipal em colegiado de prefeitos em igualdades de condições hierárquicas mas titulares absolutos das pastas que passariam a coordenar. </p>
<p>Cada prefeito ficaria responsável pela coordenação de um ou no máximo dois temários de extrema importância estratégica para o futuro do Grande ABC. Um exemplo: enquanto a William Dib poderia ser reservada a complexidade viária, inclusive o Rodoanel, já que São Bernardo prepara profunda operação interna, José Auricchio, ex-secretário de Saúde de São Caetano, poderia tratar da atividade que, garantem as pesquisas, é um dos calcanhares-de-aquiles do setor público. </p>
<p>Outro exemplo: José de Filippi Júnior, de Diadema, cuidaria da segurança pública, o que já faz mas sem visibilidade midiática, enquanto João Avamileno, de Santo André, trataria do sistema educacional universitário a bordo da sede da UFABC. O prefeito Kiko Adler Teixeira, de Rio Grande da Serra, cuidaria do meio ambiente enquanto Clóvis Volpi, de Ribeirão Pires, mexeria com as estruturas do turismo regional. A Leonel Damo competiria a pasta do setor químico-petroquímico. </p>
<p>Uma segunda pasta a William Dib certamente seria a automotiva, dada à obviedade de São Bernardo