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	<title>CapitalSocial &#187; Esportes</title>
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		<title>Após dois pacotes, Azulão mostra  equilíbrio e Ramalhão precisa reagir</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 20:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Consumidos dois dos oito pacotes de jogos da Série B do Campeonato Brasileiro, o total de 10 rodadas deixou situações antagônicas para Santo André e São Caetano. O desequilíbrio do Ramalhão, remontado pós-Paulista para a competição de acesso mais importante do País, deverá complicar por muitas rodadas a sede de buscar um lugar entre os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Consumidos dois dos oito pacotes de jogos da Série B do Campeonato Brasileiro, o total de 10 rodadas deixou situações antagônicas para Santo André e São Caetano. O desequilíbrio do Ramalhão, remontado pós-Paulista para a competição de acesso mais importante do País, deverá complicar por muitas rodadas a sede de buscar um lugar entre os quatro primeiros colocados, que, ao final da competição, dará direito à elite da Série A. Já o São Caetano consegue fazer a melhor campanha dos últimos tempos e, com equilíbrio, pode sonhar em conviver com os grandes clubes brasileiros na próxima temporada, após impor-lhes boas sovas no começo da década de 2000, quando chegou duas vezes ao vice-campeonato.</p>
<p>Para que os leitores entendam o que quero dizer com pacotes consumidos, parto para a explicação: os técnicos da Série B (e também da Série A) têm por motivação estratégica dividir os 38 jogos da competição em grupos de cinco, estabelecendo metas específicas de pontos, sempre de acordo com projeção baseada nos resultados das temporadas anteriores das equipes que alcançaram o G-4 ou escaparam do rebaixamento.</p>
<p>Dessa forma, para cada turno da competição de 38 jogos, organizam-se quatro pacotes: os três primeiros, dos 15 primeiros jogos, com cinco jogos cada, e o último, de quatro jogos. Repete-se a fórmula no segundo turno.</p>
<p>É evidente que há ajustes conforme as possibilidades de tanto o índice de aproveitamento para o acesso como o índice de rebaixamento apresentarem variações. Nem todos os treinadores, entretanto, adotam correções de rumo. Preferem durante longo período da disputa pecar pelo excesso do que pela acomodação. Por isso, a zona de corte para o G-4 de 60% atual (18 pontos conquistados em 30 disputados) serve de referência para a programação de pontos de cada pacote e embute algumas calorias para queimar numa reta de chegada menos exigente. No caso do rebaixamento, trabalha-se com índice de aproveitamento de 40%, igualmente superestimado. Historicamente, a linha de corte do descenso se mantém abaixo de 40%.</p>
<p>Desta forma, como já foram disputadas 10 rodadas de 10 jogos cada, os dois primeiros pacotes já viraram história. Não dá mais para recuperar os pontos perdidos nem tampouco para aumentar o saldo de pontos conquistados.</p>
<p>O São Caetano conseguiu o mesmo índice de aproveitamento do quarto colocado, mas perde um lugar no G-4 por conta de critérios de desempate. Nada dantesco, pelo menos enquanto não chega a última rodada. Já o Santo André paga o preço do sucesso na Série A do Campeonato Paulista e precisa mais que equilíbrio a partir de agora: que o equilíbrio seja construído vários níveis acima da média de 36,6% do índice de aproveitamento acumulado até agora, o qual, historicamente, está mais para rebaixamento.</p>
<p>Nesta semana terá início o terceiro bloco de cinco jogos da Série B. Depois desse pacote, outros quatro jogos fecharão o primeiro turno.</p>
<p>O São Caetano está muito mais próximo de seguir nas proximidades do G-4 ou mesmo de alcançar situação provisória de acesso. Já o Santo André não pode desperdiçar mais pontos.</p>
<p>Os cinco próximos adversários do São Caetano são relativamente muito mais complicados do que os cinco próximos jogos do Santo André.</p>
<p>Vejam o que espera o São Caetano: Portuguesa (F), Guaratinguetá (C), Coritiba (campo neutro), Icasa (C) e Sport (F), equipes que somam 79 pontos até agora no campeonato &#8212; o que dá a média de 52,6% de índice de aproveitamento. O São Caetano precisa fazer nove pontos em 15 para chegar ao G-4, a prevalecer os 60% de margem de corte. Uma tarefa dificílima. Teria de vencer os dois jogos em casa e somar três pontos nos três jogos (e nove pontos) fora de casa contra adversários potenciais ao Acesso.</p>
<p>Nem ganhando os cinco jogos desse terceiro pacote de compromissos o Santo André conseguiria chegar ao G-4 ao final da 15ª rodada. O índice de aproveitamento atual de 36,6% subiria para 57,7%, abaixo, portanto, da linha de corte do G-4, de 60%. Mas seria um belo salto.</p>
<p>Os adversários do Santo André são bem menos complicados do que os do São Caetano neste terceiro pacote: em conjunto, somam 59 pontos, índice médio de aproveitamento de 39,3%. Na sequência, o Santo André joga com o América de Natal (C), Ponte Preta (F), América de Minas (C), ASA (F) e Bragantino (C). É claro que esse índice de aproveitamento é móvel. Ao final da próxima rodada, os números poderão ser outros, por conta dos adversários das então quatro próximas rodadas, e alterações podem ser registradas. Mas é válido para princípio de análise.</p>
<p>Por tudo isso o jogo do Santo André diante do América de Natal no Bruno Daniel nesta terça-feira não tem meio termo: o Ramalhão precisa acrescentar três pontos na classificação geral para mover-se de alguma forma, já que embora tenha sido bom o resultado em Florianópolis na última rodada, a equipe não se movimentou no elevador da Série B: seguiu em 14º lugar. Uma vitória contra o América de Natal pode significar três andares acima ao final da rodada. Quase tantos andares quanto significou para o São Caetano a vitória diante do ASA no Anacleto Campanella: a equipe de Sérgio Guedes subiu quatro pavimentos. Juntamente com o América de Minas foi quem mais ganhou posições na rodada.</p>
<p>As duas equipes da região deixam no ar expectativa positiva depois da parada técnica da Copa do Mundo. Parece que o conjunto se move de forma mais mecânica, mais automática. O Santo André ainda acusa problemas sérios no sistema defensivo. Está aquém da organização tática do São Caetano. Nada mais lógico porque o Azulão sofreu poucas mudanças individuais e ganhou treinador que trabalha à exaustão. O São Caetano ainda oscila. Contra o ASA deixou de aplicar uma goleada e nos últimos 20 minutos baixou de rendimento e sofreu um bocado para segurar a vantagem, ampliada no final.</p>
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		<title>Entenda por que Sérgio Soares  é o rei de emoções no gramado</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 15:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O empate do Santo André ontem à noite em Florianópolis diante do então vice-líder Figueirense pela Série B do Campeonato Brasileiro foi mais uma torrente de emoções. O resultado de dois a dois alcançado pela equipe de Sérgio Soares confirma uma característica particularíssima desse ex-meio-campista que mais defendia do que atacava: com ele no comando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O empate do Santo André ontem à noite em Florianópolis diante do então vice-líder Figueirense pela Série B do Campeonato Brasileiro foi mais uma torrente de emoções. O resultado de dois a dois alcançado pela equipe de Sérgio Soares confirma uma característica particularíssima desse ex-meio-campista que mais defendia do que atacava: com ele no comando do Ramalhão nesta temporada não há espaço para monotonia no gramado. É adrenalina pura.</p>
<p>Depois de 10 rodadas na competição, o Santo André registra a marca de quatro gols em média por jogo. Gols marcados e gols sofridos. Uma contabilidade alucinante. Quase o dobro da recém-encerrada Copa do Mundo de balançar de redes oscilante entre alguns jogos de muitos gols e muitos jogos de poucos gols. Com Sérgio Soares no Santo André não há espaço para placar em branco.</p>
<p>Sérgio Soares é radical: é tudo ou nada, ou vai ou racha, essas coisas de extremos. Nada diferente do que aplicou no Campeonato Paulista, quando a equipe foi vice-campeã em memorável final contra o Santos, o único time brasileiro nesta temporada que consegue superar o Santo André na média de gols por jogo, gols marcados e gols sofridos.</p>
<p>Sei lá até quando Sérgio Soares vai seguir com essa saga de desprezar a cautela, de subestimar deficiências defensivas do Ramalhão, de superestimar a força de ataque, de encarar adversários dentro e fora do Estádio Bruno Daniel como se ambiente favorável ou hostil não fizesse a menor diferença.</p>
<p>Sérgio Soares é o técnico que todo torcedor louco por gols gostaria de ter. Os números que coleciona nesta temporada num Santo André que se desfez após o sucesso no Campeonato Paulista e que se está refazendo na Série B do Brasileiro são muito mais significativos em emoção do que os de Dorival Júnior à frente do Santos. Afinal, Dorival Júnior maneja orçamento várias vezes superior para montar o time que bem desejar. Sem contar que a Vila Belmiro costuma ser invejável incubadora de talentos insofismáveis, como Neymar e Ganso agora, enquanto o Santo André corre atrás do que sobra no mercado econômico da bola.</p>
<p>É muito bonito que o Santo André desta Série B colecione média de quatro gols por jogo disputado, disparadamente a maior entre todos os concorrentes. Uma média de gols marcados e sofridos apenas um pouco inferior à registrada no Campeonato Paulista, quando, em 23 jogos, balançou as redes inimigas e viu as próprias redes balançarem nada menos que 88 vezes em 23 jogos. Ou seja: 3,82 gols por partida.</p>
<p>O problema é saber se o Santo André vai alcançar no Brasileiro sucesso semelhante ao do Paulista, quando foi finalista e por pouco (e conforme a choradeira, não fosse a bandeirinha se equivocar num impedimento mal marcado) não comemorou o título.</p>
<p>Será que a vocação ofensivista do Santo André numa competição de pontos corridos e diante de adversários em média mais qualificados e equilibrados não representará a frustração de permanecer na Série B? O jogo de ontem contra o Figueirense foi um dos mais estranhos que já vi porque o Santo André tanto poderia ter vencido por placar escasso quanto ter sido goleado. O empate acabou lhe ficando bem.</p>
<p>O novo Santo André montado por Sérgio Soares durante providencial parada técnica da Copa do Mundo não é um time que se deva botar fé, pelo menos por enquanto, com vistas a uma das quatro primeiras vagas na competição. Mas também deixou claro ontem à noite que só está próximo da zona de rebaixamento por conta das primeiras sete rodadas, nas quais ainda se deparava com a troca de motores em pleno voo. Devagar, devagar, o técnico Sérgio Soares dá estrutura tática ao grupo. Sempre movido pelo combustível do ataque a qualquer custo, a todo custo.</p>
<p>Uma rápida análise defensiva do Santo André me deixa de cabelo em pé quanto às possibilidades de alçar voos mais elevados. O sistema de marcação é bastante deficiente. Os laterais de fato são alas. Isso representa um corredor de facilidades aos atacantes adversários. O Figueirense transformou as extremas em passarelas de tormentas.</p>
<p>Para complicar ainda mais, os zagueiros internos são tão altos quanto lentos, como no Campeonato Paulista. Cobrem mal e porcamente os avanços dos laterais. A ausência de Alê, volante versátil, de mobilidade, agrava o quadro, porque ele é disciplinado e costuma preencher espaços como terceiro zagueiro em situações de risco. A volta de Gil ao meio de campo dá mais velocidade e precisão à saída de bola, mas não é especialista em tomar a bola do adversário com a frequência dos pegadores. É o preço da técnica mais apurada.</p>
<p>O meio de campo do Santo André completa-se com dois jogadores indolentes, Xuxa e Sandro Hiroshi. Eles mal sabem cercar os adversários. Anderson Costa e Anderson Gomes são apenas atacantes. Têm dificuldades para combater a saída de bola do adversário e acompanhar os laterais. Os laterais do Figueirense fizeram a festa ontem à noite.</p>
<p>Esse é o resumo resumido do Santo André defensivo. O ofensivo tem alas de velocidade que começam a se entender com os meias Sandro Hiroshi e Xuxa em combinações laterais ou triangulares que também contam com o suporte dos dois atacantes. Gil é um meio-campista de habilidade, ocupa bem setores mais ofensivos, mas seu valor no mercado é baixo porque simplesmente não sabe chutar. A volta de Alê dará mais consistência ao meio de campo e aos contragolpes, porque sai razoavelmente bem melhor para ataque do que Wendel. Os atacantes Anderson Costa e Anderson Gomes são contundentes. O titular da camisa nove leva vantagem sobre o ex-titular Nunes, agora no Vasco: é muito mais disciplinado, confiável e executa com mais humildade e habilidade a função de pivô, do jogador que dá as costas para os zagueiros, protege a bola e serve um companheiro que vem de frente para o gol. Compensa em parte os danos da falta de velocidade para contragolpes. As bolas paradas começam a provocar danos aos adversários. A recíproca é verdadeira.</p>
<p>O Santo André pós-Copa do Mundo, ainda em fase de acerto tático, dificilmente terá o mesmo rendimento do grupo desfeito e que disputou com brilho o Campeonato Paulista. Os valores individuais de reposição não parecem ter o mesmo peso técnico e versatilidade tática, embora deem claros sinais de que podem deixar boas marcas.</p>
<p>Além disso, o grau de dificuldade da Série B do Campeonato Brasileiro também é maior que o do Campeonato Paulista. Há pelo menos 12 concorrentes a quatro vagas, contra no máximo oito do Estadual. Isso ajuda a fazer a diferença quando se analisa o rendimento do grupo anterior e do grupo atual. A maioria das equipes do Campeonato Paulista não disputa outra competição de importância na temporada. Os integrantes da Série B do Brasileiro têm calendário anual de disputas fortes e por isso mesmo contam com melhor estrutura de gestão.</p>
<p>Certo mesmo é que Sérgio Soares, tanto com aquele time do primeiro semestre quanto com este do segundo semestre, é o treinador mais corajoso e decidido do futebol brasileiro. Com ele não tem tempo ruim, não tem cautela, não tem outra coisa no horizonte de um gramado senão o gol. A favor ou contra. O Santo André é um time para ser visto por quem não tem compromisso com a equipe. Aqueles que tem passam por teste cardíaco a cada rodada.</p>
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		<title>Que elevador está mais agitado? Da  Série A ou da Série B do Brasileiro?</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 14:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava convicto quando decidi medir o tamanho da agitação de elevadores do Campeonato Brasileiro: a Série B, da qual participam o Santo André e o São Caetano, estaria disparadamente mais barulhenta do que a Série A, da qual o Corinthians é líder. Não tinha dúvidas de que a Série B, depois de nove rodadas do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava convicto quando decidi medir o tamanho da agitação de elevadores do Campeonato Brasileiro: a Série B, da qual participam o Santo André e o São Caetano, estaria disparadamente mais barulhenta do que a Série A, da qual o Corinthians é líder. Não tinha dúvidas de que a Série B, depois de nove rodadas do primeiro turno, praticamente 25% da competição, revelaria números mais equilibrados do que a Série A. Entretanto, a conclusão mesmo que parcial é que há semelhanças entre as duas competições que envolvem as 40 melhores equipes do País. Em alguns pontos, ganha a Série A. Em outros, a Série B.</p>
<p>Certamente fui induzido à certeza de competitividade superior na Série B por conta dos estragos da derrota do São Caetano na noite de sexta-feira contra o Bahia, no Nordeste. Do quarto lugar que lhe assegurava uma vaga no G-4 o Azulão caiu para o nono. Dois gols de bola parada destruíram o sonho do técnico Sérgio Guedes manter o time entre os principais colocados. Na Série A, não houve entre os primeiros colocados nenhum caso semelhante. Seria esse um indicativo de concorrência menos aguda.   </p>
<p>Fui castigado por uma sabotagem da Sportv. O jogo do São Caetano não apareceu na televisão. Acho que cometeram alguma barbeiragem técnica ao cortarem e implantarem imagens de acordo com os Estados e regiões dos confrontos da rodada. Paguei para ver e tive que acompanhar integralmente a vitória do Santo André diante do Duque de Caxias. Pretendia me equilibrar no revezamento quase lotérico dos dois jogos, como sempre faço quando as equipes da região atuam no mesmo horário.  </p>
<p>Agora vou explicar o que quero dizer com elevador da Série A e elevador da Série B do Campeonato Brasileiro. </p>
<p>Ao despencar cinco colocações diante do Bahia, o São Caetano contribuiu com o total de movimentação de 34 andares dos 20 times da Série B. Ou seja: para cada nova posição que uma determinada equipe migra na rodada, conta-se o total de andares que subiu ou desceu. É o elevador classificatório. Inverte-se apenas o sentido de subir e descer. Elevador de verdade sobe quando sobe e desce quando desce. Elevador metafórico desce quando sobe e sobe quando desce. </p>
<p>Elevadores e andares combinam com o espírito da coisa e também com a própria competição, um sobe e desce impressionante. A TV Globo costuma mostrar durante os jogos o sobe-e-desce de acordo com os resultados que aparecem na tela. Resolvi aprofundar essa imagem: decidi somar os movimentos ao final de cada rodada, confrontando-os com a classificação da rodada anterior. A experiência é interessante.  </p>
<p>A rodada do final de semana da Série A provocou 48 mudanças de andares; portanto, 14 a mais que o registrado na Série B. O Vitória da Bahia ganhou mais que três pontos nos 3 a 2 contra o São Paulo, sábado à tarde: foi também a equipe de maior safra classificatória, subindo seis andares. Estava em 16º lugar e agora ocupa a 10ª posição (viram que subiu quando desceu?). Ninguém caiu mais que o Santos: foram cinco andares abaixo após perder em casa para o Fluminense, no melhor confronto da rodada. Estava em quarto e caiu para o nono (viram que desceu quando subiu?). O impacto deve ser amplificado porque quem joga em casa, perde e se vê atirado tantos andares abaixo, deve mesmo sentir o golpe. </p>
<p>O São Caetano foi o Santos da Série B, caindo cinco posições. Estava em quarto lugar. A diferença é que atuou fora de seus domínios. Já o Coritiba foi o Vitória da Série A, subindo quatro posições depois de vencer o América em Natal.  </p>
<p>Minha curiosidade em buscar nova abordagem da Série A e da Série B do Campeonato Brasileiro deriva entre outras razões da necessidade de fugir da pauta esportiva massacrantemente repetitiva. Mas também tem fundamentação na importância de confrontar as duas versões da competição. Até mesmo para desmistificar ou não, mesmo que provisoriamente, o lugar-comum de que a Série B estaria mais equilibrada nesta temporada por conta da ausência de uma grande equipe de massa, como nas edições anteriores. E que isso representaria adicional de tensão que a Série A não reuniria na mesma intensidade. </p>
<p>Os 20 principais times brasileiros perdem para a Série B no quesito de distanciamento entre o primeiro e o 10º colocado, mas a margem é mínima. Na Série A a diferença do Corinthians (21 pontos) para o Vitória é de nove pontos. Na Série B, a diferença entre o líder Náutico (20 pontos) e o 10º colocado, o ASA (13 pontos) é de sete pontos. Isso é mesmo representativo? Por enquanto, acredito que não. </p>
<p>O que a Série B tem de mais intenso em relação à Série A após nove rodadas é que os 10 primeiros colocados se apresentam com força técnica mais equilibrada que os 10 últimos colocados. O que isso significa? Pode significar que, ao longo da competição, mais equipes disputem de fato as quatro primeiras colocações do que os concorrentes da Série A. Por enquanto, os 10 primeiros da Série B somam 194 pontos, contra 152 pontos dos 10 primeiros da Série A. Estaria aí o ponto favorável à desconfiança de que a Série B é mais competitiva? </p>
<p>Como consequência de maior soma de pontos dos 10 primeiros colocados da Série B em relação aos 10 primeiros da Série A, na disputa para fugir do rebaixamento há inversão de valores: os quatro últimos colocados da Série B têm menos pontos acumulados que os quatro últimos da Série A: 20 contra 29. A leitura automática é que, a prevalecer essa tendência, os rebaixados da Série A serão conhecidos após carga superior de dramaticidade, quando comparados aos rebaixados da Série B. </p>
<p>Já na mobilidade das equipes, a Série A foi mais intensa na rodada do final de semana: 17 dos 20 participantes deslocaram-se do posicionamento da rodada anterior. Na Série B, foram 14 mudanças de posição. Pesou o desempenho dos quatro últimos colocados: na Série B não houve movimentação alguma do elevador, enquanto na Série A três equipes que frequentam o rebaixamento trocaram de posição. </p>
<p>Me dei mal quando imaginei, ainda com base na suspeita de que a Série B apresentaria muito maior equilíbrio de forças, que o número de empates seria bem superior aos jogos disputados na Série A. Das 90 partidas já realizadas em cada versão, na Série A foram registrados 24 empates, contra 22 da Série B. </p>
<p>Sei lá o que vai dar nas próximas rodadas e no futuro. Será que o que parecia verdadeiro e se confirmou nas primeiras nove rodadas se consolidará? A Série B reunirá mesmo maior grau de efervescência na disputa pelos quatro primeiros postos da classificação, com direito a acesso à Série A? E a Série A destinará mesmo maior ebulição na luta para fugir do rebaixamento?  </p>
<p>Certo é que se o Sportv me tirou a possibilidade de analisar mesmo que fragmentadamente o São Caetano (e esperei pelo videoteipe que não veio também) arrisco dizer que o Santo André da vitória sobre o Duque de Caxias não só tirou do pescoço a corda da ameaça de rebaixamento como durante pelo menos os primeiros 30 minutos do jogo transmitiu a sensação de que pode reviver o jogo rápido e de trocas de passes curtos e progressivos do Campeonato Paulista. </p>
<p>Calma, calma que não quero dizer com isso que o Santo André poderá alcançar o mesmo sucesso. </p>
<p>Primeiro porque os talentos do primeiro semestre dificilmente brotarão de novo no Bruno Daniel. Segundo porque a competição agora é muito mais difícil. Terceiro porque, mesmo considerando apenas 25% dos pontos disputados, os maus resultados comprometeram demais a produtividade de pontos que de agora em diante terá de ser muito mais elevada para compensar a defasagem. </p>
<p>Mas que o time de Sérgio Soares já deu sinais de que pode fugir sem atropelos do rebaixamento, isso talvez não seja exagero. Nada melhor que o teste desta terça-feira contra o Figueirense, em Florianópolis. O Duque de Caxias pode ter sido mesmo a plataforma de embarque do Santo André rumo a novos destinos, mas também, pela fragilidade defensiva, pode induzir a erros de avaliação.  </p>
<p>Quem sabe a próxima rodada possibilitará ao São Caetano a retomada do G-4, já que o Paraná, que está na linha de corte, tem apenas um ponto a mais na classificação. Mesmo assim a missão não é fácil, porque entre o São Caetano e o Paraná há quatro times igualmente decididos a chegar ao céu classificatório.  </p>
<p>Que é divertido acompanhar a Série B (e também a Série A) sob vetores lúdicos como esses de elevadores, ah, isso é. Até porque, convenhamos, não é apenas brincadeira. Que o diga a torcida do Fluminense, que fez uma festa de campeão após vencer o Santos na Vila Belmiro. O resultado significou apenas um andar de avanço. Poderiam ter sido dois se o Corinthians de Bruno César não tivesse derrotado o Atlético Mineiro num outro grande jogo da rodada. Mesmo assim, acredite: o técnico Muricy Ramalho não trocaria de elevador com o técnico do Vitória, simplesmente porque está muito mais perto do topo do edifício. </p>
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		<title>Vuvuzela solitária incentiva vitória  do São Caetano no clássico regional</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 15:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sei lá o que se registrou nos outros estádios dos jogos da oitava rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, reiniciado após 38 dias. Em São Caetano, no Anacleto Campanella, uma vuvuzela monocórdia e solitária de um torcedor local era acionada vez ou outra. Provavelmente se pretendia destilar no Azulão os valores técnicos e táticos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei lá o que se registrou nos outros estádios dos jogos da oitava rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, reiniciado após 38 dias. Em São Caetano, no Anacleto Campanella, uma vuvuzela monocórdia e solitária de um torcedor local era acionada vez ou outra. Provavelmente se pretendia destilar no Azulão os valores técnicos e táticos dos espanhóis, campeões do mundo. Os vencedores costumam ditar moda nos gramados como Gisele Bündchen nas passarelas. Possivelmente ele tenha ficado frustrado. O que se viu em campo, e era natural que se visse exatamente aquilo, foram um São Caetano e um Santo André em busca de um espetáculo que se desgarrou da lógica quando a competição ganhou folga no calendário.  </p>
<p>Independentemente do tempo de restauração das forças individuais e coletivas das equipes brasileiras, duvideodó que o Campeonato Brasileiro, na Série A ou na Série B, tenha réplica dos campeões do mundo. Jogar com aquela fluência não é obra do acaso. É preciso técnica refinada, vocação ao ataque e apenas dissimular desprezo à defesa porque, no fundo, no fundo, aquela mobilização coletiva que reduz espaços aos adversários e prepara o contragolpe é a melhor maneira de se proteger. </p>
<p>Por isso, torcedores que forem aos estádios de vuvuzela em punho e armados de imagens da Copa do Mundo precisam compreender que nossa realidade esportiva é outra. Não temos tantos craques assim num mesmo time para fazer a bola circular com destreza, ciência e um certo ar de desdém ofensivo, como os espanhóis majoritariamente do Barcelona. Tivéssemos a estrutura do futebol espanhol, seriamos mais que a Espanha de gols econômicos. Seriamos o Brasil dos tempos em que o futebol não era mercadoria disfarçada de esporte. Como, aliás, tem de ser mesmo numa atividade muito mais econômica que hedônica, embora uma coisa não necessariamente exclua a outra.  </p>
<p>Quem projetar a equipe do coração como repetição da Seleção da Espanha correrá risco de decepcionar-se. Guardadas as devidas proporções, foram o Santo André e o Santos que mais se aproximaram da filosofia dos espanhóis, no Campeonato Paulista. Mas só fizeram a tarefa, sempre guardando as devidas proporções, na parte ofensiva, porque as defesas sempre foram um convite aos ataques adversários. </p>
<p>Pelas declarações de Sérgio Guedes após a partida ao Sportv e deduzindo que Sérgio Soares saiu de cabeça inchada com a derrota no clássico, o que se viu no Estádio Anacleto Campanella não agradou a nenhum dos dois treinadores. A Sérgio Guedes porque o Azulão deixou de liquidar o jogo nos primeiros 30 minutos e quando fez 3 a 1 no segundo tempo demonstrou certo enfado, a ponto de proporcionar a reação do adversário que, entusiasmado, teve tempo de assustar com a possibilidade de um empate, placar mais frequente desse clássico. Quanto a Sérgio Soares, que deve conviver com pesadelos depois dos sonhos do Campeonato Paulista, talvez a imagem mais presente seja de completo embaralhamento quanto ao futuro no campeonato. A zona de enforcamento pode asfixiar a equipe nesta sexta-feira contra o Duque de Caxias. </p>
<p>A parada técnica da Copa do Mundo deverá fazer estragos durante algumas rodadas do Campeonato Brasileiro. Sei lá se provocará reviravoltas na tabela de classificação até o final do primeiro turno. Certo mesmo é que São Caetano e Santo André expuseram o fenômeno natural da distensão motivacional. Treinamentos e jogos amistosos durante tanto tempo retiram sim a porção de competitividade das equipes. Somente o retorno à disputa de três pontos e a ansiedade a cada olhada na classificação reparam o dano.  </p>
<p>Um jogo pode ser muito pouco para conclusões, mas não custa arriscar: o Azulão voltou abaixo da condição com que encerrou a primeira fase de sete jogos da competição, mas muito acima do Santo André. Mesmo com oscilações e descuidos, o São Caetano mostrou dinâmica de velocidade, troca de passes, ultrapassagens e finalizações que o Santo André jamais conseguiu engatar. O peso do coletivo de um time reforçado para a Série B do Campeonato Brasileiro fez a diferença contra um time quase que totalmente desmontado após o sucesso no Campeonato Paulista. </p>
<p>São muitas as faces do sucesso no futebol, complementares e contraditórias, mas uma condição a alcançar bons resultados, independentemente de outros fatores, é a coletivização tática. Quanto mais tempo um mesmo grupo veste o mesmo uniforme e vai a campo, mais possibilidades de surpreender reúne. O São Caetano é melhor que o Santo André porque qualquer torcedor que acompanha a equipe sabe de cor e salteado a escalação titular. Já o Santo André é um festival de dúvidas e de trocas. A fase de transição de um time remontado pode ganhar tonalidades sombrias se maus resultados prevalecerem. Da mesma forma que as vitórias apressam cicatrizações, as derrotas abrem buracos insondáveis. A zona do rebaixamento acelera as dissensões internas e o desencanto externo. </p>
<p>Replicar o futebol encantador dos espanhóis é praticamente impossível nos gramados brasileiros, por conta das diferenças econômicas que modulam o comportamento das equipes nestes tempos de globalização. Por isso, que os torcedores não alimentem planos exagerados demais. </p>
<p>Já o banimento das vuvuzelas seria uma questão a ser estudada. Esses instrumentos de som irritante conseguiram botar para fora dos estádios sul-africanos um dos pontos altos da história da Copa do Mundo: a multiplicidade de manifestações culturais das torcidas. Nada mais lamentável para quem se emociona com a maior festa multicultural do planeta. Cada hino nacional executado é uma benção aos ouvidos e um conforto ao coração.</p>
<p>Sim, me emociono muito com cada hino que ouço minutos antes de o jogo começar. Sou um cidadão do mundo. Viajo nos acordes musicais como forma de compensação por viver sempre longe de avião, essa coisa estranha de asas que inventaram para me levar ao pânico total como usuário circunstancial.  </p>
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		<title>Como o futebol pode contribuir  para a integração do Grande ABC</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 21:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O calendário e a hierarquia do futebol paulista oferecem oportunidade especial, que, tomara, não seja única, de os três principais clubes do Grande ABC contribuírem à costura de algo que seja entendido, disseminado e aplicado como integração regional. Santo André, São Bernardo e São Caetano vão disputar, pela primeira vez na história, o principal campeonato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O calendário e a hierarquia do futebol paulista oferecem oportunidade especial, que, tomara, não seja única, de os três principais clubes do Grande ABC contribuírem à costura de algo que seja entendido, disseminado e aplicado como integração regional. Santo André, São Bernardo e São Caetano vão disputar, pela primeira vez na história, o principal campeonato regional do País, ano que vem. Já imaginaram se seus dirigentes reservarem apenas para o campo de jogo a rivalidade da qual concorrentes não devem mesmo abrir mão? Já imaginaram se sentarem à mesma mesa e, com gente que entende de marketing, resolverem traçar planos de enredo particular do Grande ABC no enredo maior daquele campeonato?</p>
<p>Certo mesmo é que o futebol do Grande ABC daria uma lição, para não dizer uma sova, nos dirigentes políticos, partidários, econômicos e sociais que, ao longo de décadas, não tiveram competência, interesse, desprendimento ou seja lá o que for para separarem municipalismo de regionalismo, atribuindo-se a cada conceito o devido valor sem que os valores se anulassem ou se minimizassem. A soma das partes do Grande ABC sempre se traduziu no todo menor. Uma contabilidade esquizofrênica, mas verdadeira, que o futebol mimetizou ao longo dos tempos mas que agora, situação mais que apropriada à cooperação, poderá ser revertida.</p>
<p>Tenho um monte de ideias sobre o que poderia fazer o Ramalhão, o Tigre e o Azulão nessa empreitada de valorização da marca do futebol do Grande ABC na passarela mais disputada do futebol regional brasileiro, no caso o Campeonato Paulista. Não são bobagens como alguns poderiam supor, desconhecendo que por trás de cada pensamento há um passado de realizações.</p>
<p>Ou alguém no Grande ABC tem no currículo 15 edições do Prêmio Desempenho Empresarial, Prêmio Desempenho Social e Prêmio Desempenho Cultural, com a entrega meritocrática (sem contrapartidas financeiras de premiações fajutas cujos ganhadores são artificialmente guindados a láureas que se esvanecem) de 1.718 troféus a mais diferentes matizes de representações sociais? Foram um acumulado de 50 mil convidados que compareceram aos eventos desfilando emoção, muita emoção.</p>
<p>Embora não pretenda expor propostas à transformação do Campeonato Paulista do ano que vem numa arena regional que poderia sensibilizar a sociedade local a descobrir que não somos apenas montadoras de veículos, não resisto à comichão. Que tal, dentro da disputa do Campeonato Paulista, criar-se um troféu regional, envolvendo apenas as três equipes locais, cujos resultados dos jogos determinariam o vencedor final?</p>
<p>Ou seja, teríamos uma Copa Grande ABC ou algo equivalente dentro do Campeonato Paulista. A iniciativa simbolizaria o pertencimento regional numa competição estadual, daria um toque de exclusividade regional num ambiente frequentado por outros 17 convidados.</p>
<p>Vou em frente: que tal se esse mesmo troféu fosse patrocinado por uma empresa de peso, que tenha interesse de veicular imaginem ao Grande ABC? Afinal, estamos falando de futebol profissional.</p>
<p>São Caetano, Santo André e São Bernardo vão-se enfrentar numa espécie de triangular no Campeonato Paulista, em turno único. O Santo André jogará em casa com o São Bernardo, o São Bernardo em casa com o São Caetano e o São Caetano em casa com o Santo André. Não necessariamente nessa ordem cronológica, mas obrigatoriamente nessa ordem de mando de jogo. Serão três jogos especiais, convenhamos, desde que os dirigentes também avaliem assim e não deixem para a última hora a mobilização de medidas de marketing para potencializar individualmente cada jogo.</p>
<p>Entretanto, muito mais que os três jogos que os envolverão diretamente, o calendário da competição com 19 compromissos para cada equipe, deve estar alinhado num plano de marketing regional acima de idiossincrasias esportivas, sociais e políticas.</p>
<p>Tenho minhas dúvidas, profundas dúvidas, sobre o alcance prático dessa proposta, porque é sempre mais fácil e cômodo desclassificar uma sugestão quando não se tem vocação ao empreendedorismo. Talvez o São Bernardo e o São Caetano sejam mais sensíveis a estudos que particularizem regionalmente uma disputa que aparentemente está circunscrita ao âmbito estadual. O Santo André sofre os efeitos mandonísticos de um presidente que é dono de jornal que se sente o primeiro poder da praça, sem se dar conta de que o tempo passou, que a revolução nas comunicações alterou as regras do jogo e que há disponíveis no mercado muitas alternativas (e também melhores) do que aquelas páginas impressas. Tomara que eu esteja enganado e que o senhor Ronan Maria Pinto não se exceda nas eventuais aproximações.</p>
<p>Vou mais longe na proposta de transformar o próximo Campeonato Paulista numa ação sinérgica do futebol em prol da regionalidade mambembe que vivemos. A configuração e a execução de um plano estratégico de potencialização esportiva e social dos nossos clubes seriam mesmo deflagrados tendo em vista o primeiro semestre do ano que vem, mas permitiria ou mesmo obrigaria saltos maiores e mais longevos. O futuro não se limitaria àquela temporada de jogos paulistas. Só estaria faltando a uma prolongada ação conjugada a participação do São Bernardo na Série B do Campeonato Brasileiro, instância frequentada por Santo André e São Caetano. O calendário estadual somado ao nacional daria cobertura extraordinária aos planos de integração regional pelo futebol.</p>
<p>Por isso mesmo, a ação aqui proposta teria de ser permanente, com aperfeiçoamento, senso crítico, empenho dos clubes envolvidos e, quem sabe, mais adiante, a formatação de uma ação integrada também de marketing de resultados. Quem sabe um grande patrocinador cobriria a camisa dos três clubes, numa iniciativa da qual todos usufruiriam.</p>
<p>Viram que vou invadindo a grande área de soluções mais que viáveis? Mas, por enquanto, paro por aqui. Acho que o recado está dado e que os dirigentes têm muito a contribuir para a sociedade regional tão sofridamente sem norte caso deixem as rivalidades nos gramados e plantem as primeiras sementes de uma coalização esportivo-empresarial.</p>
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		<title>O que esperar de Ramalhão e  Azulão após overdose da Copa?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/o-que-esperar-de-ramalhao-e-azulao-apos-overdose-da-copa/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 13:11:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Até que ponto o resultado final da Copa do Mundo na África do Sul vai inspirar eventual alteração tática nas duas equipes do Grande ABC que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro? No curto prazo, isto é, no pós-Copa, o que prevalecerá?
Se o título for comemorado por selecionado metódico e cirúrgico como o de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até que ponto o resultado final da Copa do Mundo na África do Sul vai inspirar eventual alteração tática nas duas equipes do Grande ABC que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro? No curto prazo, isto é, no pós-Copa, o que prevalecerá?</p>
<p>Se o título for comemorado por selecionado metódico e cirúrgico como o de Dunga e outros treinadores, a cena regional e quem sabe também a nacional será subordinada à condicionalidade desse modelo que fez da Internazionale de Milão campeã da Europa? Se for a nocauteadora Argentina de Maradona, teremos reviravolta e a inspiração do Barcelona acabará ganhando preferência?</p>
<p>Em resumo, a pergunta básica é a seguinte: estará o futebol escorregando de vez para o cientificismo tático das pranchetas que somente raros craques são capazes de subverter ou haverá força maior em nome do espetáculo, principalmente televisivo, e voltaremos senão aos tempos românticos, a algo inclusive coreográfico menos previsível do que temos visto no Mundial?</p>
<p>É uma ironia do destino que nos tempos em que o futebol era muito mais arte que competição, muito mais paixão que dinheiro, tempos em que os craques penduravam as chuteiras sem fazer sequer o pé de meia, naqueles tempos a televisão ainda incipiente não estava nem aí para esse esporte e os outros meios de comunicação, principalmente o badaladíssimo rádio, não conseguiram capitalizar uma riqueza potencial de patrocinadores porque o mundo era outro, menos globalizado, menos mercantilizado.</p>
<p>Sou maluco para tentar decifrar as equipes nas transmissões pela TV. A visão periférica que me é negada pelas restrições tecnológicas, porque não tenho a amplitude do campo de disputa, procuro compensar com dupla medida: a percepção espacial que desenvolvi por ver nos estádios centenas de partidas ao longo da vida e, também, o suporte de analistas que, presentes aos jogos, me dão o que acredito ser a complementaridade territorial do jogo.</p>
<p>Não acho que os jogos da Copa do Mundo são enfadonhos, como acham quase todos que observam futebol sob critérios emocionais. Quem não é do ramo, e tenho lido insistentemente sobre isso, considera futebol geralmente espetáculo pouco dinâmico. A sociedade está cada vez mais condicionada à emoção, medida por sensores de audiência. Só se destacam programas que provoquem reações. Futebol é diferente. A emoção pode estar a qualquer momento diante dos telespectadores, como pode não aparecer, por mais que narradores se esforcem para transformar jogadas banais em turbilhão de dramaticidade.</p>
<p>A graça do futebol está muito além dos gols. A disputa tática é instigante. Para tanto é preciso dominar razoavelmente os meandros da especialidade. Aliás, não basta dominar a especialidade de saber ver um jogo de futebol. Também é indispensável que se conheçam os jogadores em campo, o estilo dos treinadores, as circunstâncias da partida. Tudo isso forma um caldo de cultura que agrega valor muitas vezes intangível ao espetáculo. E poucos estão habilitados a captar e a digerir esses elementos. Por isso, geralmente para o público menos apetrechado, futebol é um desfilar de equipes quase sem graça. Principalmente quando tanto a Seleção Brasileira quanto o time de preferência não está em campo.</p>
<p>Torce-se bastante no futebol brasileiro, mas entende-se pouco de futebol.</p>
<p>Não abro mão de assistir aos jogos de minha equipe ou da Seleção Brasileira em outro canal senão a Globo. A preferência é tática: como domina a audiência esportiva no País, preciso saber exatamente como se formata essa evangelização.</p>
<p>É claro que não me deixo prender pela TV Globo. Transmissões complementares me levam a outros canais. A disparidade de abordagens é tão complicada quanto tentar acertar as contas no Oriente Médio. Procuro descartar tudo que transpire absurdo e agrupar declarações que julgo sensatas. Dou uma espécie de peneirada para reforçar ou desvencilhar conclusões.</p>
<p>Na maioria dos casos sinto que os analistas se prendem demais ao resultado do jogo para análise do conjunto e a alguma jogada individual sem maiores consequência para definir heróis e vilões. Esquecem que futebol é coletivo e como tal as individualidades estão cada vez mais dependentes.</p>
<p>Assistir a futebol, portanto, é muito mais que entretenimento. Sou profissional de jornalismo durante todo o tempo. Fico pregado no sofá num ritual silencioso, prestativo, sem direito a afastar-me para tomar uma água na cozinha. Só no intervalo é que dou uma escapada, enquanto os reclames de sempre dão uma folga também aos profissionais de transmissão.</p>
<p>Levo a sério a condição de jornalista até mesmo nos momentos que não passam de folga para a maioria. Fui doutrinado a esse comportamento desde cedo, desde moleque no Interior de São Paulo. A diferença é que nos tempos de Guararapes e Araçatuba não dispunha de aparelho de televisão. Ouvia as transmissões no radinho de pilha. Foram anos a fio com Fiori Gigliotti, Pedro Luiz, Mário Moraes e outros papas do rádio colados no ouvido. Joguei-me aos microfones, ainda menino, por conta disso. Depois, preferi a escrita, por ser mais reflexiva e, portanto, mais recomendável a meu temperamento abrasivo.</p>
<p>Depois da overdose da Copa do Mundo, que começou duas semanas antes da abertura oficial e se vai esticar por pelo menos duas semanas após o jogo final, teremos uma idéia do que encontraremos nos estádios brasileiros.</p>
<p>Como a tendência é de que o modelo de racionalidade vai dominar a cena, provavelmente o técnico Sérgio Soares, do Santo André, concluirá que andou exagerando na dose de ofensivismo nas finais contra um Santos mais agudo que os adversários anteriores. Já o técnico Sérgio Guedes, do São Caetano, confirmará que seu antecessor exagerou mesmo no defensivismo e que está certíssimo em buscar o equilíbrio, sem tanto ao céu da marcação como prioridade, nem tanto ao mar de um ofensivismo camicase.</p>
<p><strong>Leia também:</strong> <a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/sao-caetano-o-ceu-pode-esperar-ramalhao-a-dois-passos-do-inferno/">São Caetano: o céu pode esperar; Ramalhão: a dois passos do inferno </a></p>
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		<title>O ovo de novos torcedores deve  vir antes da galinha de resultados</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 13:02:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O Santo André vive dilema de araque para tentar justificar a vergonha sem tamanho nas finais do Campeonato Paulista contra o Santos. Apesar da tentativa de mobilização do Diário do Grande ABC, publicação de Ronan Maria Pinto, presidente do Saged, empresa que controla o futebol da cidade, o restrito setor do chamado Tobogã não acolheu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André vive dilema de araque para tentar justificar a vergonha sem tamanho nas finais do Campeonato Paulista contra o Santos. Apesar da tentativa de mobilização do Diário do Grande ABC, publicação de Ronan Maria Pinto, presidente do Saged, empresa que controla o futebol da cidade, o restrito setor do chamado Tobogã não acolheu nem metade da capacidade reservada a torcedores ramalhinos. Não foram mais que dois mil pagantes locais ao palco paulistano.</p>
<p>Tanto é verdade que o Tobogã foi apenas parcialmente tomado por ramalhinos que santistas sem identificação visual invadiram o espaço, último reduto disponível. No jogo seguinte, para confirmar o vexame, o setor foi entregue de vez aos santistas. Aos ramalhinos sobrou apenas uma lasca de arquibancada. O Santo André dividiu o mando dos dois jogos com o Santos e esperava continuar domiciliado no Tobogã.</p>
<p>Antes disso, não fosse a farta distribuição gratuita de ingressos inclusive por candidatos às próximas eleições, o Estádio Bruno Daniel receberia público ainda menor que o da semifinal contra o Grêmio Prudente.</p>
<p>Qual é o dilema de araque que dirigentes do Santo André decidiram espalhar para tentar explicar a inoperância para enfrentar a crise de deserção, envelhecimento e morte de torcedores locais?</p>
<p>Trabalha-se com a falsa idéia de que clubes médios sem time de qualidade não conseguem arregimentar torcida. Sem títulos não haverá adensamento de torcedores. Por isso, tenta-se justificar a inapetência de sensibilizar moradores de Santo André a pelo menos ter o Ramalhão como segundo time de coração. Como já escrevi, é melhor o Santo André ser o segundo clube de muitos torcedores do que primeiro de poucos.</p>
<p>O Santo André só passou o que passou no Pacaembu porque esse é o retrato fidelíssimo da incompetência geral e irrestrita de dirigentes antigos e atuais que jamais se preocuparam para valer com o aniquilamento da torcida face às transformações deste mundo globalizado no qual o marketing favorece tremendamente os grandes clubes brasileiros.</p>
<p>Vivemos na penumbra tecnológica de uma Região Metropolitana de transmissão de emissoras abertas de TV centralizadas na Capital. Esse é um problemaço que não pode ser desconsiderado nem minimizado, mas não serve de eterno biombo ao vazio cada vez maior nas arquibancadas do Estádio Bruno Daniel.</p>
<p>Não se trata de remeter a situação a dilema que tentaria enclausurar um problema de modo a torná-lo insolucionável: quem deve vir primeiro, o ovo do adensamento popular ou a galinha do sucesso dentro de campo?</p>
<p>Não achamos que o Santo André viva na encruzilhada de não saber para onde correr. Mas há gente que faz uso dessa imagem para mandar o seguinte recado: o Ramalhão depende da galinha do sucesso em campo, e dessa forma deve postergar o ovo de ações voltadas a converter ou a pelo menos sensibilizar torcedores em potencial.</p>
<p>Como os sucessos retumbantes do Ramalhão serão sempre pontuais, caso do título da Copa do Brasil e das finais do Paulista desta temporada, não restaria senão deixar sempre para segundo plano mobilizações para impedir a desertificação das arquibancadas.</p>
<p>Nenhuma ação de marketing desencadeada para amenizar, estancar e, em seguida, provocar reviravolta na ocupação do Estádio Bruno Daniel se dará com autonomia, isoladamente do clube. Terá de integrar conjunto de medidas estruturais que tanto o Saged há três anos quanto o Esporte Clube Santo André em quatro décadas não souberam desenvolver. Exceção apenas por volta dos anos 1970, quando intervenção contínua, persistente e messiânica de alguns torcedores-conselheiros conseguiu levar pelo menos dois mil torcedores mirins ao Bruno Daniel durante várias temporadas. Eram outros tempos, é verdade, de futebol menos globalizado, menos glamourizado, menos celebrizado.</p>
<p>É também por causa da pasmaceira fora dos gramados que não consigo despregar os olhos do futuro do Santo André. Se desse ouvidos a desculpas esfarrapadas, instrumentalizadas por quem jamais pensou de fato na formação de novos torcedores, principalmente a partir do Ensino Fundamental, onde os coraçõezinhos potencialmente a serem divididos estão bem mais disponíveis, teria desistido há muito tempo.</p>
<p>O futebol de Santo André perde de goleada a guerra biológica do envelhecimento de seguidores e a guerra esportiva de enfeitiçamento dos grandes clubes paulistas que saltam a todo instante dos diagramas, das telas, das telinhas e das ondas de rádio das principais mídias.</p>
<p>O Esporte Clube Santo André, que administrava o Ramalhão até 2007, não passou de uma associação fechada às institucionalidades do Grande ABC, dirigida bravamente, é verdade, mas sem entranhamento com entidades que poderiam lhe dar respaldo social.</p>
<p>O Saged, que gerencia o Ramalhão nos últimos três anos, virou balcão de negócios como tantos outros, levando ao paroxismo o interesse puramente mercantilista do futebol. Trabalho de base para formar novos torcedores é obra que se faz com mais gente, dedicação intensa e paixão, mas não significa rentabilidade monetária quando visto no curto prazo.</p>
<p>O Saged simplifica tudo ao acreditar que basta vencer para mudar a situação. As finais contra o Santos e novas finais que poderiam vir só confirmariam o quanto dirigentes e acionistas estão redondamente enganados. Ou, para ser mais preciso, o quanto estão manipulando um conceito sufocado a cada nova partida.</p>
<p>O ovo da mobilização popular, principalmente infantil, deve vir em raia distinta da galinha de bons resultados. Os bons resultados sempre ajudam, é verdade, mas não podem esquadrinhar as ações de marketing, até porque são medidas complementares, retroalimentadoras. No fundo, para que bons resultados não sejam episódicos, é bom mesmo que o ovo de novos torcedores venha primeiro.</p>
<p>Semelhantemente, portanto, à teoria da evolução, que responde ao paradoxo com a conclusão de que o ovo veio primeiro, de algum ancestral da galinha.</p>
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		<title>Futuro do Santo André não é  tarefa para salvador da pátria</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/futuro-do-santo-andre-nao-e-tarefa-para-salvador-da-patria/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 13:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Leitores preocupados com o Ramalhão e que acompanharam atentamente o artigo deste veículo digital (Reunião para colocar Santo André no rumo certo. Será que agora vai?) me perguntam se tudo o que foi repassado como resultado daquela reunião com dirigentes e ex-dirigentes poderia ser entendido como alerta contra o risco de privilegiar alguém ser caracterizado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leitores preocupados com o Ramalhão e que acompanharam atentamente o artigo deste veículo digital (<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/reuniao-para-colocar-santo-andre-no-rumo-certo-sera-que-agora-vai/">Reunião para colocar Santo André no rumo certo. Será que agora vai?</a>) me perguntam se tudo o que foi repassado como resultado daquela reunião com dirigentes e ex-dirigentes poderia ser entendido como alerta contra o risco de privilegiar alguém ser caracterizado como salvador da pátria?</p>
<p>Prometi que responderia aqui e aqui respondo: a viabilidade de reoxigenar o organismo do mais antigo clube profissional da região se ampliará tremendamente na medida em que mais se distanciar de um agente específico.</p>
<p>Não existe futuro no Ramalhão se estiver condicionado a um salvador da pátria.</p>
<p>É isso que procurei transplantar quando enfatizo a importância de criarem-se departamentos especializados para dar suporte ao Saged, empresa que administra o futebol do Ramalhão. Esse processo correria em raia própria. Na outra raia se daria o afastamento jurídico do Esporte Clube Santo André de qualquer ressonância da atuação do Saged.</p>
<p>O que apresentei naquele texto foi uma operação de resgate, de atualização e de adaptação do modelo que enviei aos acionistas do Saged há praticamente três anos, quando mal acabara de se consumar a transferência do patrimônio esportivo do EC Santo André para aquela empresa esportiva, possibilitando ao Ramalhão ganhar competitividade nos gramados paulistas e brasileiros.</p>
<p>Por isso mesmo, quem cair na bobagem de afirmar que este jornalista só se limita a criticar o Ramalhão não merece a menor credibilidade. Nenhum representante do clube associativo ou do clube-empresa produziu algo minimamente defensável como prova de inquietação com o futuro do Ramalhão. Todos os acionistas do Saged receberam cópias daquele trabalho há três anos. O material está, inclusive, postado neste site.</p>
<p>O máximo que podem falar é que não tenho comparecido fisicamente aos jogos da equipe. É uma verdade. Qualquer dia desses explico as razões que, entretanto, não me impedem de acompanhar atentamente o rendimento da equipe e de apontar, como apontei nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, o que muitos cronistas só enxergaram mais tarde, quando o Ramalhão estava às portas das semifinais.</p>
<p>Deixar de ver jogos do Santo André nos estádios não é sinônimo de desinteresse. Há gente que não perde um jogo sequer e não faz absolutamente nada pelo Ramalhão. Mais que isso: mais atrapalha do que ajuda.</p>
<p>O futuro do Ramalhão antes do Saged era incerto, como alardeava o então mentor intelectual da mudança, Jairo Livolis, que durante mais de uma década dirigiu o clube. Quando a migração se deu, em maio de 2007, Jairo Livolis continuava à frente do futebol do Ramalhão, embora o presidente do EC Santo André fosse o recém-empossado Celso Luiz de Almeida.</p>
<p>Quem pretender, por vontade própria ou influenciado por terceiros, assumir isoladamente as iniciativas que deverão culminar com o fortalecimento do futebol de Santo André em todas as esferas da sociedade, terá feito contrato diabólico. O egocentrismo e a vaidade se sobreporão à lucidez e à racionalidade.</p>
<p>O futuro do Ramalhão não se assemelha a de um corredor fundista que faz o próprio resultado. É um barco de remadores que precisam enfrentar a borrasca.</p>
<p>Exceto o presidente do Saged, Ronan Maria Pinto, a quem deve ser atribuída a liderança do processo, nenhum outro integrante do quadro de acionistas do Saged estará revestido de condições e de obrigações para encabeçar a iniciativa.</p>
<p>A vontade política deve estar concentrada e em seguida descentralizada sob monitoramento de Ronan Maria Pinto. Não há outro dirigente ou acionista do Saged que reúna condições essenciais que se rivalizem com o dirigente que amealha os maiores poderes decisórios no Ramalhão. Entretanto, jamais Ronan Maria Pinto ou qualquer outro dirigente que assuma a presidência do Saged chegará a estágio de transformações se não contar com um grupo numeroso de colaboradores.</p>
<p>Se me perguntarem mais uma vez sobre as possibilidades de Ronan Maria Pinto de fato liderar essa empreitada, não saberia responder. Não sei mesmo se diante da avalanche de compromissos que o empresário contabiliza no dia a dia terá de fato assimilado a importância de comandar a iniciativa. Repassar a prerrogativa de mobilizar instâncias legais do Saged e, em seguida, do Esporte Clube Santo André, principalmente do Conselho Deliberativo, não resolverá nada.</p>
<p>Se a vontade política do presidente do Saged não se manifestar e se não for abrangente como deve ser, diluindo-se importância na medida em que cresceria a integração de parceiros de jornada, nada será possível. Talvez tudo se esgotaria na resolução da armadilha jurídica que coloca uma espada sobre a cabeça financeira do Esporte Clube Santo André, por eventuais prejuízos causados pelo Saged.</p>
<p>Não dá mais mesmo para adiar a separação de corpos entre EC Santo André e Saged, para que não se lamente o leite derramado mais tarde.</p>
<p>Ou alguém tem dúvida de que o modelo em execução há três anos é espécie de suruba jurídica sem nenhum compromisso social, quando o correto seria um divórcio jurídico com comprometimento social?</p>
<p>Vou traduzir a metáfora da seguinte forma: o modelo praticado une juridicamente de forma ilegítima dois corpos distantes que jamais gozaram de lua-de-mel. Esporte Clube Santo André e Saged têm vidas próprias e distintas. O modelo que precisa ser estabelecido deve separar legalmente o Esporte Clube Santo André do Saged e uni-los socialmente, ou seja, com medidas interativas entre o Parque Poliesportivo, que é de fato o Esporte Clube Santo André, e o Ramalhão, que é o time de futebol.</p>
<p>Tudo isso está explicita ou implicitamente exposto no texto anterior.</p>
<p>Além de Ronan Maria Pinto na condução dos acionistas do Saged, um outro nome surge como fundamental para juntar metades da laranja institucional do futebol de Santo André nas alterações que não podem deixar de ocorrer: o do presidente do Conselho Deliberativo do EC Santo André, Duílio Pisaneschi. Sem a liderança e a boa vontade desse antigo colaborador do clube, interessadíssimo em contribuir na remontagem da estrutura atual, dificilmente se dará a potencialização do Ramalhão.</p>
<p>A aglutinação de conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André no projeto de institucionalidade do Ramalhão passa obrigatoriamente pela sensibilização de Duílio Pisaneschi. A transposição de antigos aficcionados e colaboradores do EC Santo André para o Saged vai depender do arcabouço legal que seria introduzido no estatuto do Saged para recolher muitas contribuições que poderão ser acrescentadas nas medidas a serem adotadas.</p>
<p>A expectativa é de que, passada uma semana daquela que poderá ser histórica reunião no Poliesportivo do Parque Jaçatuba, cresce a expectativa à primeira reunião com acionistas do Saged, quando se delinearia, de fato, espécie de agenda do futuro do Ramalhão.</p>
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		<title>São Caetano: o céu pode esperar;  Ramalhão: a dois passos do inferno</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 15:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Querem saber o que acho do céu e do inferno projetados outro dia neste espaço em metáforas do que poderia ocorrer com o São Caetano e o Santo André após as duas rodadas que restavam para a parada técnica na Série B do Campeonato Brasileiro?
O céu reservado a um dos primeiros quatro colocados não chegou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querem saber o que acho do céu e do inferno projetados outro dia neste espaço em metáforas do que poderia ocorrer com o São Caetano e o Santo André após as duas rodadas que restavam para a parada técnica na Série B do Campeonato Brasileiro?</p>
<p>O céu reservado a um dos primeiros quatro colocados não chegou para o São Caetano, e isso, ao contrário do que parece, é muito bom. Embora a apenas três pontos da liderança, na oitava colocação, os números mostram que as 38 noites que separavam o Azulão da retomada da competição serão muito úteis, sem qualquer risco de empáfia. Mais que a ausência entre os quatro primeiros, há outros três que, pelos termos regulamentares, anteciparam-se na tábua de classificação. Isso prova o quanto o campeonato é competitivo. Não seria a provisoriedade entre os primeiros que deveria iludir a equipe quanto às dificuldades que se apresentam.</p>
<p>E o Santo André, com então contabilizadas 37 noites para descansar, escapou por pouco da zona de rebaixamento. Não terá a desculpa de que perderá totalmente o sono até que a Copa do Mundo termine, mas que emite sinais de que pode entrar na zona de erupção, é melhor não duvidarem.</p>
<p>O céu do chamado G-4 de classificação à Série A do Campeonato Brasileiro pode mesmo esperar pelo São Caetano. Ainda não chegou a hora e talvez demore um pouco senão para chegar, pelo menos para consolidar posição. A equipe de Sérgio Guedes comprovou contra o Brasiliense, no Distrito Federal, que é uma das fortes candidatas ao acesso. Reparos técnicos e táticos serão providenciados durante a parada técnica e vão contribuir com essa avaliação.</p>
<p>Os ajustes estão se encaixando, mas não podem ser minimizados. O que parecia solidificado não está tão seguro assim. Refiro-me ao sistema defensivo. Deixaram-se demais alguns buracos aos contragolpes do Brasiliense. O posicionamento também contou com vacilos, como no gol do adversário, quando a defesa não conseguiu evitar o desfecho do lançamento em diagonal. Iranildo, armador do adversário, também teve liberdade demais no segundo tempo. Cuidados defensivos devem ser priorizados contra valores individuais que podem mudar a história de um jogo.</p>
<p>Nada disso, entretanto, foi desastroso. Até porque o São Caetano sofreu com a ausência de dois titulares do meio de campo, Augusto Recife, um rastreador de espaços, e Fernandes, um motorzinho na marcação e no apoio. De qualquer maneira, o banco do São Caetano possivelmente ajudará a fazer a diferença. Há jogadores de níveis semelhantes em campo e na reserva. O que pesa mais é o entrosamento.</p>
<p>Já o sistema ofensivo compensa com impressionante evolução de movimentos individuais e coletivos o que os resultados ainda não exprimem.</p>
<p>O Azulão ainda exagera no preciosismo ofensivo. Deixa de finalizar quando tudo parece escancarado. Protela o arremate mais simplificado. Exagera na dose de uma arquitetura mais sofisticada. Disparadamente, além de Everton Ribeiro, o lateral-ala Arthur vem se traduzindo no mais bem acabado exemplar que tanto marca quanto apóia e finaliza. O time ofensivamente sem graça e limitado do Campeonato Paulista ficou no passado. Há triangulações laterais e centrais que frequentavam apenas a prancheta dos técnicos que antecederam a Sérgio Guedes. O meio-de-campo junta-se muito mais ao ataque.</p>
<p>O céu classificatório pode esperar porque o São Caetano vai chegar lá se persistir na toada de evolução. Sérgio Guedes é cuidadosíssimo na organização da equipe. A Copa do Mundo deverá ser plataforma de muito sucesso. Mas nada será fácil. A edição da Série B está-se confirmando disputadíssima. Os bichos-papões estão todos na Série A. De onde só despencam por muita incompetência. A dinheirama que recebem com a divisão do bolo do Clube dos 13 carimba quem deve ter vida quase perpétua na Série A e quem tem de fazer das tripas coração para deixar a Série B.</p>
<p>Já o Santo André só está a dois passos da zona de rebaixamento porque a Ponte Preta e América de Natal salvaram a equipe de Sérgio Soares na rodada do final de semana. Menos mal, porque tudo indica que a permanência de 37 noites no inferno poderia abalar ainda mais o moral da tropa. A vizinhança da degola, entretanto, sinaliza que, consumidos 18% dos pontos disputados, o melhor é colocar as barbas da rearrumação de molho. Talvez 18% não sejam uma prévia confiável e preocupante. Talvez sejam.</p>
<p>O Santo André destroçado pós o sucesso no Campeonato Paulista é sério concorrente à Série C do Brasileiro caso não melhore acentuadamente o rendimento individual da maioria dos jogadores e também o sistema de jogo. A equipe é um bando desorientado, nervoso, previsível na movimentação ofensiva (quantas vezes Cicinho tenta cavar faltas em manjadíssimas penetrações em diagonal?) e desastrado na defesa. Um queijo suíço.</p>
<p>Quando afirmo que o Ramalhão é candidatíssimo ao rebaixamento, como base de avaliação as sete primeiras rodadas, não quero provocar terrorismo.</p>
<p>Muito pelo contrário. Quero mesmo é recomendar a jogadores, comissão técnica e dirigentes que acordem para a realidade. Quem ainda está respirando o vice-campeonato paulista precisa de sacudidela. Aquele time ficou para a história, mas história faz parte do passado. Sobram exemplos de glória e fracasso na literatura esportiva. O time derrotado por 3 a 1 pelo Coritiba no Estádio Bruno Daniel está a léguas de distância da competitividade que o adversário mostrou quando correu para valer. Não fosse a acomodação coritibana, o placar seria muito mais elástico.</p>
<p>A bengala de esperança de semanas de preparação até o recomeço do campeonato não pode ganhar a forma e a magia de um bastão capaz de satisfazer todos os desejos. Basta lembrar que os outros 19 competidores também gozarão da mesma regalia.</p>
<p>Está certo que o gongo da paralisação do campeonato soou na hora certa para o Santo André, mas isso é pouco. Rebaixamento não é episódio, é processo. A desconfiança de que as peças de reposição do desmanche não são da mesma envergadura técnica e tática pode virar areia movediça e engolir de vez a autoestima lustrada no Campeonato Paulista.</p>
<p>O Santo André da derrota para o Coritiba estava em frangalhos emocionais. Não lhe faltará tempo para esfriar a cabeça e azeitar as linhas. Resta saber se, ingenuamente, não estão pretendendo repetir a limonada paulista com outro tipo de insumo tropical.</p>
<p>O tom de repreensão do técnico Sérgio Soares aos jogadores não é o mais justo nem o mais sensato no contexto de reformulação a toque de caixa.</p>
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		<title>Corinthians e Flamengo, mais  rejeitados ou mais invejados?</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 17:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pergunte para sãopaulinos, palmeirenses e santistas qual é o time que mais detestam?
Pergunte para tricolores cariocas, botafoguenses e vascaínos qual é o time que mais detestam?
A resposta da maioria é tão clara quanto a luz de um dia ensolarado:
Corinthians e Flamengo, é claro.
Daí, nenhuma surpresa, nenhuma mesmo, no resultado divulgado ontem nos mais diferentes sites [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pergunte para sãopaulinos, palmeirenses e santistas qual é o time que mais detestam?</p>
<p>Pergunte para tricolores cariocas, botafoguenses e vascaínos qual é o time que mais detestam?</p>
<p>A resposta da maioria é tão clara quanto a luz de um dia ensolarado:</p>
<p>Corinthians e Flamengo, é claro.</p>
<p>Daí, nenhuma surpresa, nenhuma mesmo, no resultado divulgado ontem nos mais diferentes sites sobre a pesquisa que o Ibope realizou para o diário esportivo Lance com 7.109 brasileiros a partir de 10 anos de idade, em 141 municípios de todos os tipos e tamanhos.</p>
<p>O que causa estranheza, para não dizer estupefação, é que a obviedade do resultado, estampada em várias manchetes, não encontrou um único profissional do ramo jornalístico capaz de produzir ponderações. Ninguém, absolutamente ninguém, enveredou pelo campo da psicologia de massa para tentar traduzir o resultado além dos números frios, estatísticos, silenciosos.</p>
<p>Será esse comportamento politicamente correto, de não se indispor com as outras torcidas ao apresentar contraponto tão automático? Ou o pessoal da crônica esportiva foi contaminado pela pandemia que atinge os vizinhos da editoria de Economia, que também não sabem lidar com as várias faces de um mesmo banco de dados e por isso mesmo deixam ao deus-dará qualquer interpretação mais profunda?</p>
<p>Então, ficamos assim: o Corinthians (com 14,3% dos apontamentos) e o Flamengo (com 10,9%) são os clubes mais rejeitados do País. Guardem esses números, porque esses números são os que de fato valem.</p>
<p>A maioria dos sites incrementou a numeralhada sem levar em conta o universo pesquisado. Atribui-se ao Corinthians 21% de rejeição dos torcedores, quando, de fato, o resultado saiu de conta imperfeita: os 21% a que se referem são de torcedores que manifestaram rejeição especificamente por um clube.</p>
<p>Não se trata, portanto, de todo o universo pesquisado. Sim, porque dos mais de sete mil entrevistados, 32% disseram que não rejeitam nenhum clube. Os anticorinthianos são 14% do total dos mais de sete mil entrevistados, não 21% como publicaram. São 21% do universo de 68% que optaram por um adversário preferencial.</p>
<p>Faço agora o papel de advogado do diabo de meu próprio raciocínio para apresentar a seguinte formulação conceitual: é inquestionável que o Corinthians tem uma acentuada rejeição nacional, maior que os demais clubes, porque, de fato, lidera o ranking dos torcedores que o apontaram com maior grau de hostilidade.</p>
<p>Essa conclusão não é necessariamente sustentável. E explico as razões. O Corinthians lidera o ranking de rejeição com 14,3% de apontamentos, contra 10,9% do Flamengo, 9,5% do Palmeiras, 8,8% do Vasco da Gama, 7,5% do São Paulo, 4,1% do Botafogo e 2,1% do Internacional, do Santos e do Fluminense &#8212; os 10 primeiros colocados. Isto posto, parece a contabilidade irrefutável. Mas não é bem assim.</p>
<p>Para começar, o Corinthians terá mesmo maior grau de rejeição num universo no qual é relativamente mais combatido que os demais clubes. Seria de se estranhar se Corinthians e Flamengo não fossem tão atacados pelos adversários.</p>
<p>Somem os percentuais de preferência clubística das agremiações paulistas e das agremiações cariocas. Os paulistas que constam do ranking divulgado pelo Ibope chegam a 30,8% do eleitorado esportivo nacional, contra 24,5% dos cariocas. Ora, essa distância de 6,3 pontos percentuais (ou de 20,45%) se reflete no ranking de rejeição.</p>
<p>A soma de sãopaulinos, palmeirenses e santistas, potencialmente muito mais anticorinthianos que anti qualquer outro clube, atinge a 17,4%, enquanto a soma de antiflamenguistas, no caso botafoguenses, tricolores e vascaínos, chega a apenas 7,3% no âmbito nacional. Ou seja: há disponível no mercado de voto clubístico no País mais que o dobro de potenciais anticorinthianos do que antiflamenguistas. É por isso que o Corinthians lidera o ranking dos mal-amados.</p>
<p>Ou será que o leitor tem dúvida de que raramente sãopaulino, santista ou palmeirense apontará qualquer outro clube de outro Estado como principal adversário, se as maiores rusgas estão no âmbito estadual? Da mesma forma que botafoguenses, tricolores e vascaínos não apontarão qualquer equipe de outro Estado como fonte de rejeição. É o Flamengo o alvo principal, sem dúvida. Não interessa, como no caso dos paulistas, o domicílio dos torcedores pesquisados. Rivalidade não tem fronteiras geográficas.</p>
<p>Perceberam que o questionamento do Ibope é de uma redundância tão escandalosa que só é superada pela abstinência da crônica esportiva em entender o enunciado com profundidade muito além de uma lâmina de água no asfalto?</p>
<p>Tanto é verdadeiro e sustentável esse raciocínio que os cinco primeiros colocados do ranking de torcedores são os cinco primeiros colocados do ranking de rejeitados.</p>
<p>Perguntará o torcedor sãopaulino:</p>
<p>Por que então o ranking de rejeição não segue o mesmo posicionamento do ranking de preferência, com o Tricolor Paulista, terceiro colocado entre os mais amados, classificar-se em quinto entre os mais rejeitados?</p>
<p>Também enveredo pelos caminhos das rivalidades esportivas latentes, cuja resposta serve tanto para explicar a posição do São Paulo como a situação do Vasco da Gama e do Botafogo.</p>
<p>No caso do São Paulo, o índice de rejeição é menos intenso que o de preferência porque a equipe do Morumbi divide com os palmeirenses o antagonismo corinthiano. Se para a grande maioria de sãopaulinos, santistas e palmeirenses o Corinthians é o adversário a ser batido, para os corinthianos a velha rivalidade com o Palmeiras, alimentada pela mídia que os colocam como arquirivais, acaba por favorecer o São Paulo, reduzindo o impacto de hostilidade. Da mesma forma, palmeirenses em maior escala optam pelo Corinthians como clube de rejeição em proporção maior à faixa que opta pelo São Paulo. É menos intenso o fluxo de pais palmeirenses que observam os filhos reforçarem a torcida corinthiana do que em relação ao São Paulo. Os palmeirenses, portanto, cavam a própria sepultura de ultrapassagem tricolor no ranking dos mais amados.</p>
<p>A boa notícia para os corinthianos no ranking de rejeitados é que a pesquisa do Ibope aponta maior índice negativo envolvendo seus adversários paulistas (São Paulo, Palmeiras e Santos), que somam 20,4% de rejeição nacional, contra 14,3% do Corinthians.</p>
<p>No caso dos clubes cariocas, Vasco e Botafogo só aparecem com tanto destaque entre os seis primeiros colocados no ranking de rejeição porque os torcedores do Flamengo, a maioria no âmbito nacional, descarregam sobre esses adversários a força de rivalidades históricas. Não seriam atleticanos, gremistas e colorados, minoria entre os clubes mais amados, que escolheriam Vasco e Botafogo como vitrines a depedrar.</p>
<p>Para encerrar, uma provocação: não teria sido melhor traduzir o que o Ibope detectou como rejeição em algo diferente desse sentimento? Não seriam Corinthians e Flamengo, os mais rejeitados, de fato os mais invejados?</p>
<p>Ou vamos fazer de conta que não há como resistir, no futebol, como torcedores que todos somos, à construção de sentimentos menos nobres como válvula de escape mais visível e pronunciada em contraponto permanente ao comportamento mais suportável em outros campos de manifestações?</p>
<p>Não seria o futebol o refúgio de recalques, desopilador do fígado moral e ético, escoadouro de invejas e idiossincrasias? Não fosse tudo isso, então por que o foguetório, a gritaria nas janelas de apartamentos, as hostilidades nas ruas, quando nosso time perde?</p>
<p>Rejeitados coisa nenhuma: os líderes de torcidas são igualmente os mais invejados.</p>
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		<title>Reunião para colocar Santo André  no rumo certo. Será que agora vai?</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 20:26:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Um encontro realizado ontem à noite na sala de diretoria do Esporte Clube Santo André, no Parque Poliesportivo, Jaçatuba, talvez ganhe importância histórica de recomposição de peças e de elementos ao fortalecimento do Ramalhão.
Depois de exatos três anos de privatização do futebol da cidade, que passou do controle do Esporte Clube Santo André para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um encontro realizado ontem à noite na sala de diretoria do Esporte Clube Santo André, no Parque Poliesportivo, Jaçatuba, talvez ganhe importância histórica de recomposição de peças e de elementos ao fortalecimento do Ramalhão.</p>
<p>Depois de exatos três anos de privatização do futebol da cidade, que passou do controle do Esporte Clube Santo André para o Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), e da conclusão crítica de que é possível fazer muito mais para, entre outras finalidades, evitar novos vexames de representação popular como os dois jogos da final contra o Santos, no Pacaembu, a reunião de ontem deve ser um divisor de águas.</p>
<p>Tomara que seja, tomara que seja, mas não o será se não houver engajamento de número considerável de gente que diz que carrega o Ramalhão no peito.</p>
<p>Acreditar que haverá fórmula mágica, um pó-de-pirlimpimpim que desate os nós que se cristalizam, é excesso de otimismo, de ingenuidade ou de egocentrismo.</p>
<p>Foram 90 minutos de reunião. Tempo exato para a disputa de uma partida de futebol sem intervalo. O que se colocou naquele encontro foi muito mais que a decisão de um jogo de futebol. Foi o próprio futuro do Ramalhão.</p>
<p>O modelo que está aí, mesmo com o sucesso no Campeonato Paulista, não assegura perenidade. Até porque não é a primeira vez nem será a última que o Ramalhão aparece numa etapa decisiva de uma competição.</p>
<p>Ninguém será capaz de apostar para valer que o Ramalhão se sustentará por muitos anos entre os principais clubes do Estado ou que seja capaz de cumprir muitas jornadas seguidas na Série A do Campeonato Brasileiro, da qual foi apeado quando debutou.</p>
<p>A gangorra do futebol do Santo André é resultado da fragilidade estrutural, econômica, financeira, social, política e institucional. Por isso mesmo o Ramalhão está sujeito às chuvas do título da Copa do Brasil e de finalista da Série A do Campeonato Paulista e às tempestades de rebaixamento à Série B do Brasileiro e à Série B do Paulista.</p>
<p>Participaram da reunião, além deste jornalista, o presidente do Saged, empresário Ronan Maria Pinto; o presidente do EC Santo André, Celso Luiz de Almeida; o presidente do Conselho Deliberativo do EC Santo André, empresário Duílio Pisaneschi; o vice-presidente do EC Santo André e presidente do Conselho de Acionistas do Saged, Jairo Livolis; e o vice-presidente do Saged, empresário Romualdo Magro Filho.</p>
<p>Gente graduadíssima. O encontro derivou de questionário que enviei a todos eles (e também ao ex-presidente do Conselho Deliberativo do EC Santo André, Luiz Antonio Lepori) sobre vários pontos relativos ao futuro do Ramalhão.</p>
<p>Vou ser breve na exposição de pontos sobre os quais deverão girar os principais debates nos próximos tempos, envolvendo, em princípio, integrantes do quadro de acionistas do Saged.</p>
<p>Alguns aspectos foram mais ou menos aprofundados, enquanto outros apenas levemente explicitados ou implicitados sem maiores evoluções analíticas. Acredito que o que se extraiu da reunião, além do refluxo de certa tensão causada provocativamente pelo questionário que agora se tornou dispensável, foi um certo grau de comprometimento a dar andamento à agenda delineada.</p>
<p>Acredito que não estarei incorrendo em excessos nem em omissões ao expor os pontos cardeais sobre os quais deverão girar os estudos e as ações que beneficiariam o Ramalhão.</p>
<p>O primeiro ponto e mais importante, a julgar pela ênfase com que foi assimilado principalmente pelo presidente do Saged, Ronan Maria Pinto, diz respeito à harmonização das relações contratuais entre o Esporte Clube Santo André e o Saged. O resumo da ópera é o seguinte: Ronan Maria Pinto concorda integralmente com este jornalista &#8212; e ao que parece também com os demais participantes da mesa &#8212; de que é indispensável encontrar saída jurídica para que o EC Santo André não sofra eventuais complicações financeiras por participar como acionista do Saged. É possível encontrar uma saída que retire o EC Santo André do quadro de acionistas e de contratempos legais. Entretanto, não se deve perder de vista que a medida não pode desprezar complementaridade de interesses entre as partes, inclusive com a manutenção da denominação.</p>
<p>O segundo ponto decorre do primeiro, porque o Clube de Campo do EC Santo André, na Vila Luzita, poderia virar espaço de treinamentos do Ramalhão. Tudo vai depender de operação jurídica que satisfaça tanto à direção liderada por Celso Luiz de Almeida quanto a empresa presidida por Ronan Maria Pinto. Há engenharia de financiamento estatal que possibilitaria a concretização de antigo plano do então presidente do EC Santo André e então comandante do Ramalhão, Jairo Livolis, de construção de um centro de treinamento à formação de craques. Não faltariam instrumentos legais de cessão de uso da área ao Saged, empresa que administra o Ramalhão.</p>
<p>O terceiro ponto refere-se à maior inserção institucional do Ramalhão na sociedade, ação da qual resultariam desdobramentos amplamente favoráveis ao fortalecimento da imagem corporativa. Quando se trata de ação institucional isso quer dizer reforço de entidades diversas, através de lideranças e associados.</p>
<p>O quarto ponto é algo semelhante à maior inserção institucional, só que direcionada à comunidade como um todo. O processo culminaria com o adensamento das arquibancadas do Estádio Bruno Daniel sem recorrer necessariamente a ingressos gratuitos. Principalmente no ambiente de Ensino Fundamental é possível concorrer como os grandes clubes paulistas que dominam o noticiário da mídia. Não seria vergonha alguma o Santo André assumir a condição de segundo clube de muitos. É melhor que primeiro clube de poucos, como hoje.</p>
<p>O quinto ponto volta-se ao que chamaria de potencialização corporativa, que viria a ser a composição de estrutura empresarial para o Ramalhão. A departamentalização do Saged seria controlada por acionistas vocacionados às respectivas áreas de atuação profissional ou empresarial, fincando-se raízes à profissionalização.</p>
<p>O sexto ponto envolve a potencialização acionária, ou seja, a elevação do número de participantes do quadro de acionistas. Nesse ponto, haveria necessidade de reformulação do regime de cotas, abrindo-se espaços a novos investidores. Os valores monetários certamente teriam de ser reanalizados para adequarem-se aos respectivos bolsos dos interessados.</p>
<p>O sétimo ponto trata de enfeixar no conjunto de atividades do Ramalhão uma forte estrutura de marketing que contemple e sistematize todas as áreas do clube esportivo-empresarial.</p>
<p>Trata-se, como se observa, de pauta preliminar bastante substanciosa. Repito que não há mágica na resolução dos problemas históricos e recentes do Santo André. Entendo que vale a pena essa tentativa. Há três anos se colocou em campo um Santo André diferente do modelo com que foi concebido, quando futebol profissional era visto com romantismo. Os tempos são outros, as demandas são cada vez mais opressivas e quem não se der conta disso vai desaparecer do mercado da bola, elemento cultural valiosíssimo à divulgação da imagem municipal e regional.</p>
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		<title>Azulão próximo do céu; Ramalhão  ameaçado com 37 noites no inferno</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/azulao-proximo-do-ceu-ramalhao-ameacado-com-37-noites-no-inferno/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 18:51:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[A linguagem bíblica é proposital e deve chamar a atenção mesmo de leitores não versados em futebol. Dificilmente esses leitores deixarão de reconhecer que Ramalhão e Azulão são os representantes do Grande ABC na Série B do Campeonato Brasileiro. Ou seja: estão entre os 40 clubes mais importantes do País campeão do mundo cinco vezes. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A linguagem bíblica é proposital e deve chamar a atenção mesmo de leitores não versados em futebol. Dificilmente esses leitores deixarão de reconhecer que Ramalhão e Azulão são os representantes do Grande ABC na Série B do Campeonato Brasileiro. Ou seja: estão entre os 40 clubes mais importantes do País campeão do mundo cinco vezes. </p>
<p>Vou traduzir o céu do Azulão como a possibilidade de a equipe de Sérgio Guedes terminar a primeira etapa do campeonato, no próximo sábado, entre os quatro primeiros. Seria um céu temporário mas como todo céu uma maravilha de bom de 37 noites. O inferno do Santo André é cair ainda mais na tabela e encerrar essa etapa entre os quatro últimos, na zona de rebaixamento. Conviver tanto tempo com a degola, mesmo que sete rodadas não passem de 18% dos pontos em disputa, seria um tormento para quem ainda outro dia disputou o título paulista. </p>
<p>De fato, seriam 37 noites de terror, mas ainda há esperança de que o Ramalhão escape e fique essas 37 noites no purgatório, ou seja, longe dos quatro primeiros mas também fora do grupo de quatro últimos. </p>
<p>Dificilmente o Santo André ficará nesse período entre os 10 primeiros, isto é, na página inicial da classificação que as emissoras de TV exibem a cada momento. Estar na página inicial da classificação é sempre um alento a um salto não necessariamente pirotécnico em direção ao grupo dos quatro melhores. Estar na página inferior é flertar com o fogo cruel do rebaixamento. A psicologia dos números no futebol é tão encantadora como devastadora. Mesmo que apenas um ponto, ou o saldo de gols, separe o 10º colocado do 11º, um viés psicológico demarca uma equipe e outra. </p>
<p>Talvez não fosse preciso, mas vou explicar as 37 noites tranquilizadoras para o São Caetano e insones para o Santo André: esse é, contabilizado nos dedos como nos antigos bancos escolares de infância, o tempo que separará o encerramento da sétima rodada e a retomada do campeonato, após a disputa da Copa do Mundo. </p>
<p>Talvez a contagem tenha de ser refeita em relação ao Santo André e quem sabe também ao São Caetano, porque a sexta rodada, nesta terça-feira, pode solidificar uma tendência desse início de competição: o Azulão encorpa-se a cada rodada, ganha ritmo mais constante, fortalece o ataque e melhora o desempenho defensivo; enquanto o Ramalhão que sofreu 10 gols nos últimos três jogos e ainda pensa que é o vice-campeão paulista que tanto encantou o Brasil até outro dia, foi totalmente desfigurado com a saída de quase todos os titulares. </p>
<p>Não se deu conta o Ramalhão de que se não recuar o ímpeto ofensivo que fragiliza o sistema defensivo, vai chegar ao ponto de entrar em pane e não recuperará a autoconfiança que alimenta a criatividade. Aí o desarranjo será geral e generalizado na competição. </p>
<p>Fiz de tudo na tarde de sábado para aperfeiçoar uma loucura que chamaria de ver dois jogos no mesmo televisor ao mesmo instante. </p>
<p>Está certo que a física inviabiliza com teoria o que a prática confirma: a impossibilidade de dois corpos sólidos ocuparem o mesmo lugar no espaço. Mas quando se trata de transmissão esportiva, tenho a impressão de que o aparelho de televisão, o mesmo aparelho de televisão, a mesma base de recepção de imagem e de som, se duplica. </p>
<p>Faço mágicas alimentadas pela experiência de avaliar o tempo mais ou menos exato de quando a bola está fora de combate e me lanço a trocar de canais. É um revezamento que também tem força intuitiva quando a bola está em jogo. Foi assim que vi o Santo André e o São Caetano no final de semana. </p>
<p>Observei o suficiente para dizer que o São Caetano está mesmo ganhando versatilidade ofensiva e solidez defensiva que podem dar o que falar na competição. Ganhou com méritos da Ponte Preta. Só não teve o controle do jogo quando vencia por 2 a 0. Retomou a iniciativa quando sofreu o gol e fez mais um. </p>
<p>Vi o necessário para garantir que o Santo André, além de estar totalmente desarrumado depois do desmanche, não conta com jogadores do mesmo nível dos que foram negociados. Principalmente as tentativas para refazer o trabalho de Bruno César, que já começa a brilhar no Corinthians. Somente nas bolas paradas o Santo André ensaia repetição das medidas que deram certo no Campeonato Paulista. Mas não tem as mesmas habilidades. </p>
<p>Mais ainda sobre o Santo André: os bons fluídos do Campeonato Paulista parecem dissipar-se. Está tomando gols que poderiam ser evitados se os adversários não fossem tão impiedosamente perfeitos na conclusão. </p>
<p>Entretanto, mesmo nesse ponto, a matemática é infernal: quanto mais oportunidades o adversário constrói, mais aumenta a possibilidade de o Santo André sofrer gols. E é isso que vem se dando. Em contraposição, embora não disponha de dados para dar corpo à informação, é latente que o número de arremates de qualidade do Santo André diminuiu. Entre outros motivos porque Bruno César alimentava o ataque com passes perfeitos, incisivos, e finalizações sempre surpreendentes. Xuxa, o armador que o substitui, tem técnica mas é excessivamente frio, não tem o mesmo dinamismo e arremata com deficiência. </p>
<p>Ao me multiplicar para ver os dois jogos de sábado das equipes do Grande ABC na Série B do Campeonato Brasileiro não tive como resistir à dor de fixar os olhos e esquecer o que ocorria em São Caetano, por isso perdi o terceiro gol do time de Sérgio Guedes. Dei sorte (ou seria preferível não ter visto o lance no exato momento em que ocorreu?) ao acompanhar a contusão do centroavante William. Foi um lance duro, mas absolutamente de jogo: William teve a perna direita prensada. Os segundos imediatamente após foram terríveis.  </p>
<p>Gritei ao meu filho para correr à sala. Aquela perna direita dobrada na altura da canela foi um dos momentos mais tristes que já acompanhei ao vivo no futebol. Provavelmente só perde para a morte de Serginho, do São Caetano, quando, sentado na mesma sala, em sofá que já foi trocado, não tive dúvida de que, ao cair, o zagueiro já fazia parte do obituário do futebol. </p>
<p>Lembro-me que no exato momento em que Serginho caiu no gramado, liguei para a redação do Diário do Grande ABC, veículo no qual exercia o cargo de Diretor Editorial, e solicitei que, fosse qual fosse a manchete de primeira página programada, que se substituísse pela morte de Serginho. Dei apenas uma recomendação: que não se utilizasse &#8220;Azulão&#8221; no título principal, porque aquela dor ultrapassava o campo esportivo. Que se utilizasse &#8220;São Caetano&#8221; como instituição atingida pela fatalidade. Tanto naquela noite quanto na tarde de sábado fiquei chocado com as imagens. Não perco a mania de me emocionar.  </p>
<p>Mas, voltando aos jogos de sábado, a diferença perceptível nas imagens quase sobrepostas dos dois jogos colocava em dimensões diferentes a dinâmica de um São Caetano versus Ponte Preta em relação a Guaratinguetá versus Santo André. </p>
<p>O jogo em São Caetano era mais intenso, mais vertical, mais veloz. O Santo André sem organização tática, sem dinâmica ofensiva, esburacado na defesa, não oferecia ao Guaratinguetá o grau de resistência que a Ponte Preta apresentava em São Caetano. Por isso o jogo no Vale do Paraíba perdia como espetáculo na disputa de dupla programação. Não fosse o horror com o centroavante William, teria me fixado mais tempo no jogo em São Caetano.  </p>
<p>As duas rodadas que restam antes da parada técnica da Copa do Mundo precisam ser interpretadas pelas equipes da região como pontes a serem transpostas de qualquer maneira. </p>
<p>Para o Azulão, como bem disse o técnico Sérgio Guedes, o que mais interessa agora são os resultados, porque depois vem o recesso da Copa do Mundo para acertar o conjunto de uma equipe que ele mal acabou de assumir mas que guarda a base do Campeonato Paulista. </p>
<p>O técnico Sérgio Soares deveria seguir a trilha do homônimo, a partir de mais pragmatismo e menos plasticidade, ou seja, de mais marcação e menos exposição. Alguém precisa avisá-lo que Bruno César e tantos outros já se foram e, com isso, além de técnicas individuais superiores, evadiu-se também o conjunto bem azeitado que durante três meses encantou no Campeonato Paulista. Só restou mesmo, daquele time, a vulnerabilidade defensiva, que pode comprometer a confiança de possíveis novos talentos que desembarcaram no Bruno Daniel mas que precisam de um conjunto bem azeitado para mostrar valor.   </p>
<p>Tenho cá comigo que o Santo André do Campeonato Paulista foi um achado técnico-tático que não se repetirá tão cedo neste futebol comoditizado que insiste em sair da rotina apenas na Vila Belmiro. </p>
<p>Tenho cá comigo também que o Santo André ainda não se deu conta que está em nova disputa, porque insiste em reviver o gol anulado na final contra o Santos.</p>
<p>Se continuar chorando o leite derramado, terá mais leite a ser derramado a chorar.  </p>
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		<title>Quatro jogos depois, São Caetano  está mais inteiro que o Santo André</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 20:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Como era de se esperar, porque vivem situações diferentes, o São Caetano está bem mais inteiro que o Santo André na Série B do Campeonato Brasileiro. As quatro primeiras rodadas da competição não me deixam mentir. Isso não assegura que quando se chegar à sétima rodadas o que se vê agora em campo se confirmará [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como era de se esperar, porque vivem situações diferentes, o São Caetano está bem mais inteiro que o Santo André na Série B do Campeonato Brasileiro. As quatro primeiras rodadas da competição não me deixam mentir. Isso não assegura que quando se chegar à sétima rodadas o que se vê agora em campo se confirmará na classificação. Mas que tem tudo para confirmar, isso tem. </p>
<p>O São Caetano está mais inteiro. Partiu para o fortalecimento do grupo de jogadores do Brasileiro sobre a plataforma do elenco que fez um Campeonato Paulista razoável o suficiente para não negociar os melhores valores e descobrir os buracos que precisava fechar. </p>
<p>O Santo André está bem menos inteiro. Partiu para a recomposição do grupo de jogadores no Brasileiro mergulhado no poço profundo do elenco que se desfez num Campeonato Paulista extraordinário para negociar os principais valores mas a situação o obrigou a correr atrás do prejuízo (ou do lucro) para cobrir todos os buracos que se abriram.</p>
<p>Por que as sete primeiras rodadas são delimitadas como marco desafiador? </p>
<p>Porque depois vem a parada técnica da Copa do Mundo e na volta, 40 dias depois, tudo pode acontecer. Pode ser um novo campeonato, quem sabe. Dependerá de como as equipes vão se preparar. Uma parada técnica interessante para o Azulão e para o Ramalhão, ainda em busca de estruturação tática. Os outros 18 competidores também deverão saber aproveitar o intervalo. </p>
<p>O técnico Sérgio Soares talvez esteja abusando da sorte. Transmite a sensação de que não dá bola para videntes, cartomantes, consultores e conselheiros. Continua a colocar o time no ataque como se dispusesse, já, de peças de reposição à altura dos jogadores negociados. </p>
<p>Em time que se reorganiza depois de tamanho desmanche o bom senso sugere que se cuide primeiro da defesa. Sérgio Soares segue com o Ramalhão no ataque. Sofreu sete gols nos dois últimos jogos sem que alguém possa levantar o dedo e contestar os estragos. O Santo André é um convite a sacoladas. Joga com a fama de vice-campeão paulista e futebol de candidato ao rebaixamento. </p>
<p>Pera-lá, pera-lá que não estou dizendo reto e direto que o Santo André será rebaixado. Nada disso. Estou apenas lembrando que a equipe deste começo de Série B joga muito abaixo do nível médio necessário. Talvez o Santo André pudesse estar mais equilibrado e, portanto, menos vulnerável a frases contundentes. O que fazer se Sérgio Soares insiste em ofensividade radical com grupo de jogadores que mal se conhecem? </p>
<p>É pouco provável que o Santo André do segundo semestre reprise o futebol do Campeonato Paulista. Há encaixes que não se explicam apenas com competência diretiva e técnica. O Santo André campeão da Copa do Brasil diante do Flamengo foi resultado de série de coincidências. Nada rigorosamente planejado para chegar a tanto. O Santos campeão brasileiro de 2002, quando revelou Diego e Robinho, saiu do balcão da necessidade porque, sem dinheiro para investimentos vultosos como fizera anteriormente, apelou para pratas da casa e promessas de fora. </p>
<p>Como sei que o treinador do Santo André é bom no que faz, e que jamais vai desistir de dar ao novo grupo de jogadores o mesmo desenho tático do virou pó, sou capaz de apostar que os resultados pós-parada técnica serão melhores. Possivelmente a partir daí o time justificará tanta fome ofensiva. Por enquanto, a liberalidade só tem causado estragos. A insegurança está contaminando até o goleiro Júlio César. </p>
<p>Até que ponto a possibilidade de o Santo André terminar a primeira fase do Campeonato Brasileiro &#8212; os sete fatídicos jogos &#8212; entre os quatro últimos colocados não encheriam de inquietação os dirigentes? Conviver 40 dias nas últimas posições é algo que liquidaria com a autoestima de uma equipe que iniciou a competição abençoada pelo vice-campeonato paulista? Perderiam os adversários o respeito pelo time paulista que se rivalizou com o Santos como sensação da temporada? </p>
<p>Já o São Caetano que vi principalmente contra o Bragantino, no Interior, me deixou entusiasmado. Tomara que o comportamento da equipe não tenha sido exceção à regra geral das próximas rodadas. Quando a parada técnica chegar o Azulão estará em estágio muito superior ao do Santo André. Isto significa que dará menos dores de cabeça ao técnico Sérgio Guedes na costura cuidadosa de sistemas que atormentem os adversários na continuidade do campeonato. O Azulão previsível dos últimos tempos parece esboroar-se na versatilidade técnica de vários dos reforços contratados. Everton Ribeiro está no centro de gravidade desse novo arcabouço.  </p>
<p>O empate em Bragança Paulista foi bom resultado, mas injusto. O São Caetano merecia sorte melhor. Foi superior durante todo o tempo, contra 11 ou 10 jogadores. No primeiro tempo chegou a fazer exibição quase irretocável na marcação, com surpreendente poder ofensivo de movimentação intensa e número razoável de finalizações. </p>
<p>Parece que não é exagero observar que o São Caetano aproxima-se do equilíbrio havia muito solicitado. Se no Campeonato Paulista o time excedeu-se na força defensiva, a exemplo do que ocorreu na Série B do Brasileiro do ano passado, agora dá sinais de que está encontrando sintonia ofensiva. Ataca com mais jogadores. O meio de campo encosta mais no ataque sem renunciar à defesa. Os laterais viram alas intercaladamente. A dinâmica requer mecânica, que requer treinamentos. Nada melhor que a parada técnica.</p>
<p>Entretanto, a posição do Azulão e do Ramalhão na tabela, salta uma certa inquietude. As duas equipes estão fora da página principal da classificação, dos 10 primeiros. Ainda há três rodadas para reverter o quadro. Descer a ladeira e insistir na segunda página classificatória é distanciar-se do agrupamento que pretende chegar à Série A. Nada irrecorrível. O campeonato está apenas começando. </p>
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		<title>EC Santo André, Saged e  Ramalhão: pauta para futuro</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 17:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ronan Maria Pinto, Jairo Livolis, Celso Luiz de Almeida, Luiz Antonio Lepori, Duilio Pisaneschi e Romualdo Magro Júnior. O futebol do Ramalhão do passado e do presente está incorporado nestes nomes. Por isso, remeti a esses ex-dirigentes ou atuais dirigentes do clube profissional mais tradicional do Grande ABC uma bateria de perguntas sobre o futuro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ronan Maria Pinto, Jairo Livolis, Celso Luiz de Almeida, Luiz Antonio Lepori, Duilio Pisaneschi e Romualdo Magro Júnior. O futebol do Ramalhão do passado e do presente está incorporado nestes nomes. Por isso, remeti a esses ex-dirigentes ou atuais dirigentes do clube profissional mais tradicional do Grande ABC uma bateria de perguntas sobre o futuro do futebol em Santo André.</p>
<p>Enviei nove perguntas, as mesmas perguntas, a todos eles. Espero por respostas até a próxima quarta-feira. Pretendia manter em segredo a coletivização do questionário. Imaginava que pudessem acreditar que o endereçamento seria único, que nenhum outro convidado tomaria conhecimento de que participava de um grupo. Como desconfio que houve vazamento, porque o tema é abrasivo e é natural que se consultem, torno o assunto público.</p>
<p>A tática de revestir de exclusividade algo que é coletivo não tem conotação maquiavélica, como alguns poderiam sugerir. Absolutamente nada. Apenas tentativa de impermeabilizar as respostas. Mesmo assim, mesmo com a quase certeza de que houve contatos entre os endereçados, acredito na autonomia deles.</p>
<p>O importante é que o futuro do Ramalhão saia da lata, ou melhor, saia do casulo. A propriedade sentimental e cultural do Santo André não tem limites jurídicos. Pouco importa dentro de campo se o Ramalhão está vinculado ao Saged, empresa que administra o futebol, ou ao Esporte Clube Santo André, instituição que abriu mão do controle desse mesmo futebol.</p>
<p>Embora haja naco de nove perguntas no questionário enviado a dirigentes e ex-dirigentes, o que mais me impulsionou à ação jornalística foi a primeira questão, a qual reproduzo neste espaço com sutil correção no enunciado em relação ao texto já enviado. Observei a posteriori que poderia haver certa confusão no entendimento. Vejam:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Que modelo de futebol profissional o senhor acha que deve prevalecer em Santo André, entre as alternativas que se apresentam: a) um clube empresarial como o Saged atual, mantendo o nome do EC Santo André e com o controle acionário de investidores sem necessariamente estarem ligados ao Esporte Clube Santo André; b) um clube empresarial com a denominação de Esporte Clube Santo André, com controle acionário do Saged mas sob o controle gerencial do EC Santo André; c) um clube empresarial com outra denominação e sob o controle do Saged para livrar o EC Santo André de qualquer rescaldo diretivo? Ou existe outra alternativa?</p>
<p>Repararam que não há nada de subversivo, de catastrófico, de maledicente, de qualquer coisa negativa nessa empreitada?</p>
<p>Mais que isso: repararam que dissemino de forma objetiva, com endereço eletrônico, uma proposta de debate do futuro do Ramalhão, porque é o Ramalhão, ou seja, o futebol de Santo André, que está em jogo?</p>
<p>Todos que acompanham esta revista digital sabem de meu posicionamento sobre o Ramalhão. Jogo limpo, às claras. Não faço orquestração às escondidas. Manifestei-me aqui contrário ao modelo atual, no qual a administração do Ramalhão está sob o domínio do presidente do Saged, Ronan Maria Pinto, enquanto o EC Santo André pode sofrer as consequências de possíveis desarranjos orçamentários. Mesmo quando regido por decisões planejadas o futebol provoca calafrios. Há instabilidade muito mais frequente do que no mercado de ações. E os rendimentos estão longe daquele.</p>
<p>A importância de Ronan Maria Pinto na operação de salvamento do Ramalhão não pode ser desprezada. Acompanhei aqueles momentos tensos nos quais o então presidente Jairo Livolis buscava uma forma de evitar que a equipe sofresse reveses seguidos por conta de não acompanhar o ritmo da maioria dos clubes médios do Estado. O Santo André que, como as demais equipes de regiões metropolitanas, fica na penumbra das emissoras de TV abertas, sofre com o esvaziamento de público &#8212; e de mercado consumidor.</p>
<p>Daí, entretanto, a canonizar Ronan Maria Pinto vai diferença muito grande. Sei que ele não gosta de restrições, mas restrições precisam ser feitas. O modelo que herdou de Jairo Livolis e de Celso Luiz de Almeida não atende às necessidades do EC Santo André, embora, aparentemente, venha alimentando satisfatoriamente o Ramalhão. O clube poliesportivo não tem participação na direção do Ramalhão, mas os 20% de integralização de capital podem levá-lo à bancarrota em caso de fracasso financeiro do empreendimento.</p>
<p>Portanto, esse é nó górdio que precisa ser desatado.</p>
<p>O mais prático, porque conheço Ronan Maria Pinto e sei que ele não deixará de conduzir o Ramalhão com mão de ferro, é o Esporte Clube Santo André afastar-se do quadro acionário do Saged e o mesmo Saged providenciar a alteração da denominação do clube. Em vez de Esporte Clube Santo André passaria a chamar-se Grêmio Santo André.</p>
<p>Diferentemente do Grêmio Barueri que virou Grêmio Prudente, a história não será alterada uma vírgula sequer. Nada de nadinha.</p>
<p>Esse é meu ponto de vista. E a prova de que não é um ponto de vista absolutista é o próprio questionário que enviei a ex e atuais dirigentes. Colocá-los em linha direta com os leitores, reproduzindo literalmente todas as respostas que apresentarem, é a consumação de um modelo de comunicação que vai muito além de mão dupla. Nesse caso, estamos em uma megaestrada de comunicação.</p>
<p>É assim que os entrevistados devem interpretar essa iniciativa. É assim que, sinceramente, esperamos que entendam.</p>
<p>O que tem faltado ao jornalismo brasileiro, e o Grande ABC não foge à regra, é um pouco mais de provocação, no bom sentido do termo.</p>
<p>Democraticamente colocamos este espaço que cresce a cada dia em audiência à disposição dos dirigentes do futebol de Santo André. Esperamos que quem ganhe com isso seja o Ramalhão.</p>
<p>Por gentileza, não enxerguem conspiração onde há apenas colaboração.</p>
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		<title>Sérgio Guedes chega para duplo  acerto de contas com o destino?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/sergio-guedes-chega-para-duplo-acerto-de-contas-com-o-destino/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 18:52:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Se as páginas esportivas da maioria dos jornais e do mundo digital não fossem o que são na maioria dos jornais e do mundo digital o que são tantas outras páginas, de economia à política, de entretenimento a serviços, ou seja, uma superposição de informações rasas, o perfil de novo técnico do São Caetano, Sérgio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se as páginas esportivas da maioria dos jornais e do mundo digital não fossem o que são na maioria dos jornais e do mundo digital o que são tantas outras páginas, de economia à política, de entretenimento a serviços, ou seja, uma superposição de informações rasas, o perfil de novo técnico do São Caetano, Sérgio Guedes, saltaria de imediato.</p>
<p>Quem é, afinal, o novo profissional que vai conduzir o Azulão?</p>
<p>Mais que repisar sua carreira de treinador e de ex-jogador, o que o leitor gostaria de saber, como gostaria de saber quem são também na essência os novos reforços do São Caetano e do Santo André, refere-se às características de trabalho.</p>
<p>E é isso que invariavelmente falta nas matérias esportivas, nas matérias econômicas, em todos os tipos de matéria. Apenas as boas revistas semanais, apesar dos vieses políticos e ideológicos que carregam, mergulham nesse mar de curiosidade. Vão fundo nas informações.</p>
<p>Sérgio Guedes impressiona pela verbalização nas entrevistas. Está muito acima da maioria dos treinadores brasileiros na capacidade de exteriorizar pensamento. Fala com substância. É educado no sentido lato do termo, situação que o coloca em córner distante de Muricy Ramalho. Essa observação não pode carregar juízo de valor implícito. Competência não tem apenas uma cara, qualquer que seja a cara. Há treinadores desagradáveis no trato pessoal com a mídia, mas extremamente capazes. Outros são agradabilíssimos, mas pouco iluminados.</p>
<p>É claro que é mais satisfatório ouvir treinador que tenha substância e saiba assimilar golpes de radialistas e jornalistas, principalmente de radialistas que vivem o dia-a-dia dos clubes e que por isso mesmo carregam doses de idiossincrasias para as quais é preciso estar preparado.</p>
<p>Dos treinadores de futebol que ouço sempre pós-jogo nos canais fechados de televisão, programação da qual não abro mão porque não resisto a escarafunchar os meandros técnicos e táticos de cada jogo, desses treinadores Sérgio Guedes é um dos melhores. Só perde, em princípio, para Vanderlei Luxemburgo e, principalmente, Mano Menezes, esse um mestre de conteúdo, de leitura tática e de preparo psicológico para lidar com um vespeiro permanente chamado Corinthians. Renê Simões também tem muita sincronia entre conhecimento e exposição de informações. Tite é interessante também, embora, como Celso Roth, carregue demais no regionalismo gaúcho do qual Mano Menezes nem dá sinais de origem.</p>
<p>Leonardo, ex-craque da Seleção Brasileira e técnico do Milan nesta temporada, é a síntese do perfil que balizaria a classe dos profissionais de futebol. Um sonho distante da quase totalidade dos gramados, dos bancos de reservas e das tribunas de autoridades.</p>
<p>Mas quem será Sérgio Guedes além dos microfones? Se dependesse única e exclusivamente do noticiário esportivo, estaria perdido. O pouco que sei deriva de uma viagem a Belo Horizonte, ano passado, para ver o Santo André diante do Atlético Mineiro, convidado que fui pelo presidente Ronan Maria Pinto. Discretamente conversei com gente muito próxima de Sérgio Guedes, além de, durante o café da manhã, compartilhar da mesa com esse ex-goleiro.</p>
<p>De terceiros, longe dos olhares e dos ouvidos de Sérgio Guedes, ouvi maravilhas sobre a intensidade com que se dedica à preparação das equipes que comanda. É um viciado em trabalho. Meticuloso, detalhista, perseguidor de erros e inconformidades. Discorre sobre sistemas táticos com encanto. É maleável no trato com subordinados. Talvez até demais, segundo alguns. Nada que uma retaguarda diretiva não resolva.</p>
<p>Provavelmente uma das maiores bobagens que a direção do Santo André produziu no ano passado, na derrocada à Série B do Campeonato Brasileiro, foi ter trocado Sérgio Guedes por Alexandre Gallo. Depois veio Sérgio Soares que, ao pegar o bonde andando, e Sérgio Soares não sabe subir no bonde andando, não conseguiu evitar o rebaixamento de uma equipe recheada de prima-donas.</p>
<p>A chegada de Sérgio Guedes no São Caetano é, em princípio, uma ótima notícia para quem quer ver o futebol do Grande ABC disputando para valer duas das quatro vagas à Série A da próxima temporada.</p>
<p>A direção do Azulão teve tempo de sobra para rastrear o mercado e capturar um profissional com muitas qualidades. Aliás, qualidades que contribuíram para levar a Ponte Preta à decisão do título paulista de 2008 diante do Palmeiras.</p>
<p>Sérgio Guedes parecia pronto para explodir no mercado de treinadores brasileiros, integrando a nova safra que emerge e que gradualmente ocupa espaços que os mais experientes mas também nem sempre vitoriosos acabam por ceder.</p>
<p>Quem sabe, quem sabe, o São Caetano revelador ou consolidador de treinadores, o mesmo São Caetano de Muricy Ramalho campeão paulista de 2004 que, em seguida, consagrou-se no Internacional de Porto Alegre, e de Dorival Júnior, contratado pelo Cruzeiro, iniciando a escalada de sucesso, quem sabe o São Caetano não coloque Sérgio Guedes no lugar que parece ter tudo para integrar-se.</p>
<p>Quem sabe, quem sabe, Sérgio Guedes não recoloque o São Caetano no lugar do qual não deveria ter sido apeado?</p>
<p>Quem sabe São Caetano e Sérgio Guedes não tenham um encontro com o próprio destino, num duplo acerto de contas?</p>
<p>Entre as medidas que Sérgio Guedes deve adotar está a busca de equilíbrio de um time montado sob prisma defensivo e que se reforçou ofensivamente para não passar sufoco quando está à frente no placar, ou desesperar-se caso o resultado seja adverso.</p>
<p>Nenhum time é vitorioso sem que assimile as variáveis de 90 minutos com a confiança de que ao se expor em busca de gols não cometerá haraquiri defensivo nem ao se encapsular defensivamente perderá completamente a possibilidade de chegar à rede adversária.</p>
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		<title>São Caetano assimila Santo André.  Será que a recíproca é verdadeira?</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 18:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Duas, apenas duas rodadas depois, faltando, portanto, 36 para o fim da linha na Série B do Campeonato Brasileiro, não tenho dúvida: o São Caetano absorveu parte importantíssima da lição do Santo André na Série A do Campeonato Paulista. Só tenho dúvida, muita dúvida, se o Santo André assimilou parte importantíssima da lição do São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas, apenas duas rodadas depois, faltando, portanto, 36 para o fim da linha na Série B do Campeonato Brasileiro, não tenho dúvida: o São Caetano absorveu parte importantíssima da lição do Santo André na Série A do Campeonato Paulista. Só tenho dúvida, muita dúvida, se o Santo André assimilou parte importantíssima da lição do São Caetano naquela competição.</p>
<p>Será que o aprendizado do São Caetano com o Santo André tem a contra-face do Santo André em relação ao São Caetano?</p>
<p>Fiz toda essa enrolação para dizer exatamente o seguinte: o São Caetano que vi jogar e empatar com o América em Natal sob o comando de um técnico interino vai pegar para valer o caminho frutuoso do ofensivismo que lhe faltou no Campeonato Paulista, enquanto o Santo André que vi empatar com o Brasiliense, no Parque Antártica, ainda não tem a cara de quem vai temperar ataque em massa e defesa com maior grau de segurança.</p>
<p>Apenas para lembrar os leitores retardatários que não acompanharam os conceitos que emiti neste espaço durante todo o Campeonato Paulista: cansei de escrever que o Santo André era um time arrumadíssimo na armação ofensiva, mas deixava os torcedores de cabelo em pé no sistema defensivo; enquanto o São Caetano era um bom exemplar de defensivismo, mas cometia a barbaridade tática de renunciar ao ataque.</p>
<p>Deu-se melhor o Santo André porque o Campeonato Paulista de desníveis técnicos latentes favorecia largamente as equipes mais audaciosas e organizadas no ataque.</p>
<p>Isso não quer dizer que o resultado final poderá ser outro na Série B do Brasileiro.</p>
<p>Isso significa apenas que as dificuldades serão bem maiores. O nível médio dos concorrentes é muito mais elevado que o nível médio dos adversários paulistas. Estão ali, entre os 20 concorrentes, pelo menos uns 12 que teoricamente podem chegar às quatro vagas com direito à Série A no ano que vem. No Campeonato Paulista, não mais que meia dúzia, no máximo oito, disputam de fato as quatro vagas às semifinais.</p>
<p>O que vi do São Caetano, sempre pela televisão, em Natal, não deixou margem a contestação: o técnico interino (e assim o será com o técnico que chegar) recebeu ordens superiores, da direção do clube, para seguir o enredo do vizinho Ramalhão que não tem medo de atacar, embora não duvide este jornalista que uma ponderação se fez ouvir: &#8220;também não precisa exagerar e abandonar a defesa&#8221;.</p>
<p>Esqueçam o Santo André dos dois jogos finais contra o Santos no Pacaembu, quando cada equipe marcou cinco gols e a definição do título só se deu no regulamento, embora a choradeira por conta da anulação do gol pela bandeirinha ainda continue.</p>
<p>Aliás, nada surpreendente que a choradeira continue, porque o erro da bandeirinha foi de lascar, mas o Santo André não pode reclamar de arbitragem no apanhado geral do campeonato. Por mais que pareça que a equipe seja exclusivamente leve, solta e técnica, o técnico Sérgio Soares explorou cada detalhe de versatilidade ofensiva.</p>
<p>Tanto que o centroavante Nunes (e também os meias Rodriguinho e Branquinho) ou quem ocupasse a função de centroavante foi uma isca permanente de deslocamentos no espaço que separa laterais e zagueiros adversários e ali cansou de cavar infrações que Bruno César traduziu em cruzamentos mortais, em jogadas mais que treinadas exaustivamente.</p>
<p>Repetiu Sérgio Soares uma fórmula que Muricy Ramalho explorou ao máximo no São Paulo dos grandes resultados, sempre em bolas paradas.</p>
<p>Mas, voltando ao assunto, pedi para esquecerem aquele Santo André dos dois jogos decisivos porque, mesmo sofrendo cinco gols, a equipe se superou no empenho coletivo diante de um Santos que, enfrentasse o Santo André malemolente na marcação da maioria dos jogos anteriores, teria enfiado uma sacolada nos dois jogos.</p>
<p>É mais que natural que as equipes se superem no empenho individual e coletivo em disputas decisivas. Não foi diferente com o Santo André. O contraponto é que ao longo da Série B do Campeonato Brasileiro dificilmente o Ramalhão imprimirá o mesmo diapasão dos dois jogos finais do Paulista. Por isso fica a dúvida se vai atuar continuamente no ataque, sempre no ataque, ou vai temperar o sistema defensivo com um ou outro reforço, diante de adversários, repito, mais qualificados que a média do Campeonato Paulista.</p>
<p>Quanto ao São Caetano, não tenho dúvida alguma: com os reforços contratados e também com a base que se consolidou no Campeonato Paulista, a equipe será mais forte do que na competição regional. Já a produtividade de pontos é outra história.</p>
<p>Os confrontos no âmbito nacional são muito mais complicados. O jogo com o América em Natal mostrou exatamente isso. A equipe potiguar está se reforçando e muito para a competição e não deu trégua ao Azulão durante todo o tempo. Mesmo com o Azulão, desde o primeiro apito, tomando a iniciativa de atacar. Se o São Caetano recuou em diversas quadras do jogo foi por força do adversário, geralmente no período de resultado parcial indesejado, de empate ou derrota.</p>
<p>Se me perguntarem agora qual das duas equipes da região fará melhor campanha no Brasileiro da Série B, juro por todos os juros que não saberei responder. De fato, seria irresponsável se o fizesse. Estamos apenas no começo da competição, vai haver uma parada técnica de 30 dias e o que virá depois só Deus sabe. Nem mesmo ao final do primeiro turno será possível dar a resposta. Ao que tudo indica, e há certa unanimidade em relação a essa projeção, possivelmente teremos a Série B mais equilibrada da história. Até porque não há nenhum bicho-papão na disputa.</p>
<p>Certo mesmo é que o Santo André terá o desafio de reacertar as bases, especialidade de Sérgio Soares quando lhe dão liberdade de formar o grupo. Será que o treinador está decidindo mais uma vez, de fato, os reforços que o Santo André está anunciando, ou houve recaída diretiva pós-sucesso do Paulista e, eufóricos, alguns cartolas se acham em condições de impor nomes?</p>
<p>O São Caetano parte de uma base titular pouco alterada e que conta com maiores perspectivas de arrumação estrutural desde que um novo treinador, ou o técnico interino eventualmente efetivado no cargo, trabalhe com tempo.</p>
<p>O São Caetano trouxe reforços com os quais potencializa um grupo de resultados discretos que resistiu à pós-campanha no Campeonato Paulista.</p>
<p>O Santo André foi ao mercado para a reposição de jogadores titulares que bateram asas após o sucesso no Campeonato Paulista.</p>
<p>Essa diferença é fundamental para traçar os caminhos das duas equipes neste início de temporada na competição nacional.</p>
<p>O São Caetano parte de uma formação mais consolidada, enquanto o Santo André pretende pelo menos igualar em valores individuais as deserções que ajudaram a construir um dos melhores times de sua história.</p>
<p>Um time que só não foi campeão porque os deuses não quiseram, a bandeirinha atrapalhou mas, principalmente, porque, no primeiro jogo, o jogo que decidiu de fato a competição, a improvisação de Rômulo na lateral-esquerda e a teimosia em sonegar a escalação de um terceiro zagueiro, dando-se mais liberdade a Bruno César, desembocaram na vitória santista.</p>
<p>O que faltou então a Sérgio Soares, treinador que mais uma vez prova que é capaz de fazer milagres se não lhe encherem a paciência? Faltaram humildade e senso de competitividade. Exatamente o que sobrou a Ricardo Gomes no primeiro jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão.</p>
<p>E o que fez Ricardo Gomes? Escalou Richarlyson de terceiro-zagueiro, segurou os laterais o quanto pôde, reforçou a marcação do meio-de-campo e deu ampla liberdade a Fernandão, cirúrgico nos passes que decidiram a partida.</p>
<p>É claro que é mais fácil e cômodo xingar a bandeirinha num lance que, gol confirmado, provavelmente desencadearia situação completamente diferente no restante da partida que mal chegava aos 20 minutos do primeiro tempo. E aí, convenhamos, só Deus sabe o que poderia ocorrer.</p>
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		<title>Vem aí parada técnica importante  para Azulão e Ramalhão na Série B</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 19:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Até que a competição tenha parada técnica para dar vez à Copa do Mundo, serão sete rodadas envolvendo as 20 equipes da Série B do Campeonato Brasileiro. Dá exatamente 18% do calendário nacional.
Talvez esteja explicada a razão de o São Caetano ter defenestrado o técnico Roberto Fonseca após a estréia com derrota para o Figueirense, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até que a competição tenha parada técnica para dar vez à Copa do Mundo, serão sete rodadas envolvendo as 20 equipes da Série B do Campeonato Brasileiro. Dá exatamente 18% do calendário nacional.</p>
<p>Talvez esteja explicada a razão de o São Caetano ter defenestrado o técnico Roberto Fonseca após a estréia com derrota para o Figueirense, no Canindé. Agora na segunda rodada, contra o América em Natal, o São Caetano joga pela inclusão entre os primeiros.</p>
<p>Situação em que já se encontra o Santo André em fase de reformulação, apesar do péssimo empate em casa improvisada, o Parque Antártica, diante de um Brasiliense com dois jogadores a menos, um deles desde o final do primeiro tempo, desvantagem que abriu uma avenida para o ala Cicinho deitar, rolar e fazer o gol do Ramalhão.</p>
<p>Não é normal que um time que conte com dois jogadores a mais sofra um gol do adversário, mesmo após cobrança de escanteio. Fosse cobrança de falta, tudo bem. O Santo André jogou fora uma vitória que muito merecia mas da qual tem de fazer tudo para esquecer. Se chorar o leite derramado no final do campeonato é a prova de que o descuido custou mais caro do que se imagina.</p>
<p>Pode parecer irrelevante para alguns, mas as sete primeiras rodadas do campeonato ajudarão muito na fase de preparação que se dará durante a Copa do Mundo.</p>
<p>É sempre muito melhor passar 40 dias de treinamentos e jogos preparatórios com o respaldo dos primeiros lugares do que a cada momento em que se consultar a tábua de classificação ter o desprazer de confirmar postos secundários. É muito melhor estar na primeira página dos 10 primeiros colocados que a TV não cansa de exibir do que na virada na telinha.</p>
<p>O ambiente das equipes é modulado pelos números, goste-se ou não. Quando se consolidam os mesmos números durante mais de um mês, o agradável é tranquilizador. Já o desagradável torna-se inconveniente e, em muitos casos, um transtorno a ser superado. Tudo porque não se oferece a possibilidade de mudança imediata ou quase imediata. Será preciso esperar a Copa do Mundo passar.</p>
<p>Vazou por onde mais costuma vazar, embora de forma sempre discreta, não pública, o principal motivo da queda de Roberto Fonseca no São Caetano. Jogadores disseram que ele não observava o grupo como um elenco. Só os titulares teriam vez. Sei lá se foi apenas uma forma de aliviar a barra do treinador.</p>
<p>Talvez de fato o que mais pesou tenha sido a forma com que a equipe se comportou no segundo jogo da decisão do título do Interior contra o Botafogo em Ribeirão Preto. Foi assustador ver o São Caetano encaramujado para defender o empate que o favoreceria.</p>
<p>O perfil de Roberto Fonseca testado numa situação especial poderia ter sido interpretado pela cúpula do São Caetano como o de alguém sem a necessária ambição, personalidade e ousadia para os planos da equipe. Algo que, convenhamos, sobra no vizinho Santo André, entusiasticamente ofensivo mesmo agora que sofre perdas técnicas importantes.</p>
<p>O que parece latente no São Caetano desta temporada é que o objetivo delineado embora não propagado é de lutar para valer por um dos quatro primeiros lugares que darão direito à Série A.</p>
<p>As contratações para preencher vazios técnicos e táticos foram feitas. A equipe ganhou nova configuração. Deixou de ser apenas forte fisicamente e doutrinada ao contragolpe para ganhar velocidade, habilidade e insinuosidade. Tornou-se, portanto, muito mais aparelhada a enfrentamentos de peso.</p>
<p>Mesmo contra o Figueirense, na derrota de 1 a 0, o São Caetano não foi uma catástrofe. Está certo que ainda transpira dificuldade para executar com naturalidade a movimentação coletiva que tanto pode fechar espaços defensivos como clarear ações ofensivas. Mas esse tipo de complicação coletiva faz parte do processo de rearrumação da casa, após a inserção de vários novos titulares. Mas, mais uma vez, o São Caetano priorizou exageradamente a defesa, até sofrer o gol. Um erro contra adversário bem arrumado e que também cataloga uma das quatro vagas na agenda da temporada.</p>
<p>O tamanho da ambição do São Caetano na Série B do Brasileiro vai ficar mais nítido com o anúncio de reposição do treinador. Quem será o profissional que tentará fazer com que a equipe sensação dos primeiros anos deste novo século volte a frequentar a Série A do Brasileiro? Muitos nomes de prestígio já passaram pelo comando técnico do São Caetano, casos de Leão, Dorival Júnior, Muricy Ramalho, entre outros. Quem será contratado desta vez?</p>
<p>É pelo potencial do nome do novo treinador do São Caetano que se poderá descobrir a dimensão do gigante que se pretende construir.</p>
<p>A preocupação do Santo André é outra, porque o técnico Sérgio Soares parece que não arredará pé do comando da equipe, mesmo pós-valorização do título de vice-campeão paulista.</p>
<p>A reposição de peças é o grande desafio do treinador que, nos dois primeiros jogos da Série B, viu a equipe viver situações antagônicas. Contra o Icasa, apesar da vitória, consumiu-se em preocupações com a falta de combatividade no meio de campo diante de habilidosos adversários cada vez mais próximos da grande área. Teve de se virar como pode em contragolpes. Contou com a dispersividade dos cearenses que trocaram a eficiência pela coreografia.</p>
<p>Já o jogo contra o Brasiliense foi mais pedagógico sobre o potencial inicial do Santo André de vários desfalques. É sempre perigoso definir pontos técnicos e táticos num grupo que se restabelece, mas o que parece evidente é que entre todos os desfalques, quem mais vai deixar saudade é o armador Bruno César.</p>
<p>Sem um substituto com as mesmas características, quem se virou como pode foi o volante Alê, em ótima fase. Nada, entretanto, que se assemelhe à capacidade de dar o tom, o tempo e a classe do ex-titular.</p>
<p>Por isso o Santo André repetiu a oscilação do jogo com o Icasa. Os atacantes vão sofrer um bocado sem passes e lançamentos do armador agora no Corinthians. Talvez esteja aí a maior dor de cabeça de Sérgio Soares, que, desafiadoramente, continua a mandar a equipe ao ataque. Toda a movimentação da equipe contava com a coordenação de Bruno César. Quem sairá da cartola de mágico de Sérgio Soares?</p>
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		<title>Grêmio Santo André ganha força;  participação popular é sonhar demais?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 19:47:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Ganha força entre conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André preocupados com o atual figurino de sustentação do Ramalhão a ideia de exigir a mudança do nome do representante da cidade para Grêmio Santo André. Pretende-se, complementarmente, sugerir à administração do clube-empresa, no caso o Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), a abertura de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ganha força entre conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André preocupados com o atual figurino de sustentação do Ramalhão a ideia de exigir a mudança do nome do representante da cidade para Grêmio Santo André. Pretende-se, complementarmente, sugerir à administração do clube-empresa, no caso o Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), a abertura de comportas a novos acionistas. A popularização do quadro de acionistas, eliminando-se o exclusivismo de alguns, seria o antídoto ao centralismo. Quem acredita que a democracia que também pode ser chamada de representatividade social teria vez no Ramalhão? Seria sonhar demais, convenhamos. A substituição de EC Santo André por Grêmio Santo André já seria suficiente para colocar ordem no pedaço.</p>
<p>Entretanto, para que seja possível isso que é muito bonito, lindo e maravilhoso, é preciso combinar com o presidente Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC, dono do Ramalhão, conhecido pela enorme dificuldade de compartilhar. Ronan é desses exemplares que não aceitam posição secundária onde quer ser primeiro ou onde já é primeiro.</p>
<p>Sempre que a situação do Ramalhão for exposta é indispensável contextualizar. É isso que fazemos. O time de futebol que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro é gerido pelo Saged, resultado de operação mais que patética de repasse dos ativos futebolísticos do Esporte Clube Santo André sob o comando de Jairo Livolis para o Saged presidido por Ronan Maria Pinto. O EC Santo André tem apenas 20 das 100 cotas do Saged, mas não reúne peso algum nas decisões. Tudo é liderado e definido por Ronan Maria Pinto.</p>
<p>Os investidores do Saged não passam de 20 empresários, a maioria ligada a Ronan Maria Pinto, senhor absoluto do destino do Ramalhão. As assembléias de acionistas do Saged são a homologação dos desejos do presidente. Tudo segue ritual de total obediência ao chefe. O Saged é uma empresa cujo dono finge que concede poderes aos diretores e acionistas, mas, na prática, mantém os cordéis sob controle total. Também é o único que se dedica integralmente ao Ramalhão. Mais que presidente, é um executivo.</p>
<p>Perdeu-se com o modelo de clube fechado do Saged e de um presidencialismo centralizador uma grande oportunidade de dar configuração social ao Ramalhão. A campanha desta temporada no Campeonato Paulista seria importante catalizador de intervenções.</p>
<p>A arrumação jurídica engendrada por Jairo Livolis para fortalecer o Ramalhão tornou o risco para o Esporte Clube Santo André imenso. As consequências econômicas e financeiras de fracasso do clube-empresa chamado Saged, que administra o Ramalhão, são temerárias. Não há casos de sucesso financeiro nos clubes brasileiros. Não há exemplos de receitas que superem as despesas. Pelo menos as receitas oficiais e as despesas oficiais, contabilizadas e sacramentadas.</p>
<p>Há repasses automáticos de responsabilidade solidária que penalizariam o EC Santo André. Por isso, a iniciativa de retirar dos ombros da associação do Parque Jaçatuba a cobertura de eventuais erros do Saged é providencial. Daí a ideia de criar o Grêmio Santo André, controlado pelo Saged. O EC Santo André respiraria aliviado. Não lhe sobrariam ônus da parceria. Da mesma forma que o Saged não teria de encaminhar ao EC Santo André eventuais lucros de 20% de participação relativa de cotista. Teria antes, é claro, de acertar essas contas para zerar a participar do EC Santo André, naquilo que se transformou espécie de negociata em que o clube poliesportivo do Parque Jaçatuba cedeu ativos e assumiu dívidas imensas com as quais tem convivido num orçamento apertado.</p>
<p>A operação de repasse dos ativos do Esporte Clube Santo André ao Saged é um escândalo desde que a direção da associação esportiva foi alijada da direção do clube-empresa e, mais que isso, não compartilha de qualquer decisão. Nem ao menos, vejam só, tem conhecimento do que se passa com as finanças do Saged. E olhe que já se completaram três anos desde que o Ramalhão ganhou essa retaguarda diretiva. Provavelmente nos últimos dias, desde as primeiras matérias neste site, alguma iniciativa deve ter sido tomada para procurar adequar a situação a um mínimo de moralidade.</p>
<p>Acredito que foi possível resumir a situação envolvendo EC Santo André e Saged.</p>
<p>Agora, vamos ao encaminhamento que conselheiros do EC Santo André pretendem ver resolvidos. A proposta é que o Saged demonstre que está interessado em democratizar a participação da sociedade e reformule o universo de acionistas. Seriam colocados à venda a preços populares nacos de integração na sociedade. Em vez dos gatos pingados atuais, poderiam envolver centenas de representantes da cidade. Algo como imaginou o então presidente do EC Santo André, Jairo Livolis, na primeira proposta de privatização do Ramalhão, cuja matéria está disponível neste veículo digital.</p>
<p>Embora a sugestão seja oportuna, é difícil acreditar que terá repercussão e efetivação. O presidencialismo radical de Ronan Maria Pinto é uma fonte de dispersão. Muito dificilmente novos acionistas vão aderir à proposta tendo em vista o regime personalista.</p>
<p>O ex-presidente Jairo Livolis não se pronuncia. O atual presidente, Celso Luiz de Almeida, prefere deixar a responsabilidade para o Conselho Deliberativo, quando então apresentaria as armas. O Ramalhão está com o destino societário selado e carimbado por Ronan Maria Pinto ou poderia haver mudanças? O dono do Diário do Grande ABC é um homem dinâmico, sabe como conseguir receitas mas não há garantia de que controlará despesas. Os três anos sem prestar contas do Saged são prenúncios de que pode haver algo de errado nessa história tanto quanto apenas comprovar o imperialismo diretivo. E prestação de contas, todos sabemos, não é simplesmente apresentar números e o aval de uma auditoria qualquer. Que Ronan Maria Pinto não se inspire nos chamados Portais de Transparência que a demagogia política inventou no setor governamental para engabelar o distinto público. Tudo não passa de trapaças numéricas, porque o essencial fica escondidinho.</p>
<p>O Saged não terá necessariamente nenhuma obrigação com a sociedade em revelar os números do empreendimento a partir do momento em que o Esporte Clube Santo André estiver fora de sua zona de influência legal. Ou seja: quando o EC Santo André deixar de ser acionista do Saged, o presidente Ronan Maria Pinto e os acionistas do clube-empresa poderão fazer o que bem entenderem, inclusive ser transparentes ou não na gestão do Saged. Bem diferente da situação que já acumula três anos.</p>
<p>Por que se preocupar se o EC Santo André será, em última instância, o desaguadouro de todas as eventuais irregularidades?</p>
<p>Por todas essas circunstâncias e fatos a democratização acionária que conselheiros do EC Santo André imaginam para o Saged para fortalecer o Ramalhão não encontra muita guarida. A tendência thatcheriana é uma ilusão, garantem os menos condescendentes com a situação atual.</p>
<p>De qualquer maneira, a semente de transformações está lançada. O EC Santo André mobiliza-se para uma assembléia diretiva que visa a colocar um ponto final nos riscos de integrar o Saged. Há movimentação em sentido contrário, para deixar tudo como está para ver como é que vai ficar.</p>
<p>Pressões já são denunciadas nos bastidores. A tropa de choque pró-manutenção do quadro jurídico é tão discreta quanto uma retroescavadeira. Tomara que não acovarde os conselheiros do Esporte Clube Santo André.</p>
<p>De minha parte, até mesmo para que se fortaleça de verdade o futebol do Ramalhão, não vou dar paz a quem pretende empurrar a situação com a barriga. O futebol de Santo André precisa dar um salto de qualidade que o retire do lotérico destino de brilhar de vez em quando, apenas de vez em quando. O Saged é o Ramalhão jurídico que não pode atuar com o respaldo omisso do EC Santo André.</p>
<p><strong>Leia também: </strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O que esperar de Santo André  e São Caetano no Brasileiro?</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/o-que-esperar-de-santo-andre-e-sao-caetano-no-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 19:47:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Respondo de bate-pronto à indagação esperançosa do título: podemos esperar bons resultados. Quem sabe, quem sabe, disputando os primeiros postos na classificação geral. Rebaixamento nem pensar. Acesso duplo à Série A, seria uma maravilha porque a temporada se completaria de maneira extraordinária, já que temos três representantes na Série A do Campeonato Paulista garantidos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respondo de bate-pronto à indagação esperançosa do título: podemos esperar bons resultados. Quem sabe, quem sabe, disputando os primeiros postos na classificação geral. Rebaixamento nem pensar. Acesso duplo à Série A, seria uma maravilha porque a temporada se completaria de maneira extraordinária, já que temos três representantes na Série A do Campeonato Paulista garantidos em 2011.</p>
<p>A Série A do Campeonato Paulista foi tremendamente satisfatória para as duas equipes: o Santo André por motivos óbvios de finalista com certo ar de campeão moral, consolo dos perdedores matemáticos, e o São Caetano porque pôde fazer da disputa produtivo laboratório para, acredita-se, tapar os buracos técnicos e táticos.</p>
<p>O maior problema é que o Santo André trafega na zona de algum risco nas primeiras rodadas, depois de perder vários titulares.</p>
<p>Não nego que a perspectiva das duas equipes do Grande ABC na Série B do Brasileiro está recheada de subjetividade, de torcida, de regionalismo.</p>
<p>Qualquer frase peremptória seria um atentado à inteligência dos leitores. É impossível neste início de competição ter a exata dimensão do potencial de cada uma das 20 equipes, tantos são os negócios que se fazem para composição e recomposição de elencos após o encerramento das disputas estaduais.</p>
<p>Talvez depois das oito primeiras rodadas seja razoável incursionar por análises conjunturais mais profundas, mas mesmo assim o melhor é não arriscar demais. Como o nível técnico entre pelo menos metade dos competidores é semelhante, uma ou outra contratação que acerte na mosca poderá influir bastante.</p>
<p>Não é sempre que é possível dar um chute de projeções que se mostraria certeiro ao longo da competição. Vi o Atlético Goianiense logo numa das primeiras rodadas do ano passado perder para o Vasco da Gama em São Januário, depois de ter ficado com 10 jogadores por obra e graça do árbitro, mas não tive dúvidas em apontá-lo como time que deveria chegar entre os quatro primeiros. Não deu outra.</p>
<p>Mas isso é uma exceção à regra de prognósticos que, repito, principalmente no caso da Série B, requer muita cautela. Muito mais que na Série A, na qual as equipes são muito mais conhecidas e, salvo surpresas, os candidatos ao título despontam em não mais que 10 rodadas cumpridas.</p>
<p>É verdade que há cavalos paraguaios na Série A que abrem o bico quando do cerco de competidores mais fortes. Já na Série B não são tão frequentes os casos de equipes que saem em disparada e perdem o fôlego em seguida para jamais se recuperarem. O Vila Nova foi o último exemplar que minha memória captura, há dois anos.</p>
<p>Espero que a tradição tenha muito menos peso na disputa pelas primeiras colocações na Série B. Tanto Santo André quanto São Caetano estão abaixo de boa parte dos concorrentes.</p>
<p>Para ser mais preciso, o São Caetano perde na Série B levando em conta o Ranking Nacional dos Clubes, da Confederação Brasileira de Futebol, para Coritiba, Sport Recife, Portuguesa, Bahia, Náutico, Paraná, Ponte Preta, América do Rio Grande do Norte, Figueirense e Bragantino.</p>
<p>Já o Santo André, além de ficar abaixo de todos esses, inclusive do São Caetano, também vê o Vila Nova de Goiás anteceder-se na relação.</p>
<p>É claro que o peso relativo do ranking da CBF numa cesta de análises do que poderá ocorrer na Série B do Campeonato Brasileiro não é dos maiores. A tradição tem limites nos muros da realidade dos dias atuais. O peso da camisa, como costumam argumentar cronistas esportivos ao se referirem a um fator intangível que se reproduziria em poder especial dentro e fora de campo, reduz-se na medida em que se afasta dos primeiros postos no ranking nacional.</p>
<p>Vou tentar traduzir o sentido daquela frase: a camisa de um Grêmio, de um Corinthians, de um São Paulo, é realmente muito superior a de tantas outras camisas de times médios, casos do São Caetano e do Santo André, por exemplo, mas a diferença se esfarela quando o mesmo componente de avaliação envolve Coritiba, Sport, Portuguesa e outras equipes à frente dos representantes do Grande ABC.</p>
<p>Um fator interessante que estimula o sonho de acesso a boa parte dos integrantes da Série B é que desta vez nenhum dos grandes times nacionais está vivendo situação análoga a de Corinthians, Vasco da Gama, Palmeiras, Grêmio e Botafogo do Rio, que já conheceram as durezas da competição.</p>
<p>Entre os 13 primeiros colocados do Ranking Nacional dos Clubes da CBF, liderando pelo Grêmio de Porto Alegre e que tem o Corinthians como vice-líder, não há um único integrante da Série B. Teoricamente, não existe uma vaga previamente preenchida no campeonato. Bem diferente das temporadas passadas.</p>
<p>As contratações realizadas pelo Santo André para tapar os buracos das deserções pós-Paulista não são suficientemente identificadoras de que os buracos foram devidamente preenchidos. A possibilidade de equívocos é proporcional ao sucesso dos titulares que foram embora. O peso da responsabilidade é enorme porque o patamar técnico-tático alcançou o topo.</p>
<p>Já o São Caetano parece ter sido cirúrgico nos reforços. Os novos jogadores parecem tapar desníveis técnicos no Campeonato Paulista como, também, acrescentaram ao elenco versatilidade de características que podem dar um balanço mais apropriado de combinação de técnica e força.</p>
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		<title>Mais história para entender a  turva privatização do Ramalhão</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 20:27:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos reproduzir amanhã neste site mais algumas peças do mosaico da história do esporte no Grande ABC, acompanhada atentamente por este jornalista. O material que introduziremos neste veículo digital dá mais sustentação a algo que chamaria de turva privatização do Ramalhão, agremiação empresarial sob controle autocrático do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), presidido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos reproduzir amanhã neste site mais algumas peças do mosaico da história do esporte no Grande ABC, acompanhada atentamente por este jornalista. O material que introduziremos neste veículo digital dá mais sustentação a algo que chamaria de turva privatização do Ramalhão, agremiação empresarial sob controle autocrático do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva), presidido por Ronan Maria Pinto, também comandante do Diário do Grande ABC. Ronan Maria Pinto lidera um grupo de acionistas que não chega a duas dezenas. Os mesmos acionistas que o reelegeram para três anos de mandato.</p>
<p>Trata-se de privatização descaradamente nociva no campo administrativo-institucional. Um processo que contraria frontalmente os objetivos delineados pelo então presidente do Esporte Clube Santo André, Jairo Livolis. Ao longo dos anos, foram anunciadas várias alternativas de sustentabilidade da equipe, todas sob controle da associação esportiva e recreativa sediada no Parque Jaçatuba.</p>
<p>Nem mesmo os resultados em campo (ruins ou bons, como o rebaixamento à Série B do Brasileiro, seguido do vice-campeonato da Série A Paulista) podem mascarar uma realidade nua e crua: o Ramalhão tem baixíssima representatividade diretiva e social.</p>
<p>Baixíssima representatividade diretiva porque não passa quase que literalmente de meia dúzia de acionistas sem raízes institucionais.</p>
<p>Baixíssima representatividade social porque os torcedores estão desaparecendo ao longo dos anos sob o peso do esgotamento biológico sem reposição no mesmo volume.</p>
<p>Os jogos finais contra o Santos provaram o quanto a torcida do Santo André virou algo quase fantasioso.</p>
<p>O Santo André virou uma empresa privada que se faz de instituição social cujos reflexos, no futuro, podem colocar em risco o patrimônio do Esporte Clube Santo André. A afirmativa, em forma de denúncia, leva em conta o contrato social lesivo ao clube sediado no Parque Jaçatuba.</p>
<p>Ao Esporte Clube Santo André sobra a maior parcela de abacaxis contratuais.</p>
<p>Ao Saged, em larga escala, contabilizam-se os eventuais lucros financeiros.</p>
<p>Ao contrário do que imaginam ideólogos de esquerda, que satanizam tudo que tenha cromossomos privados, não utilizo a expressão &#8220;privatização&#8221; para desqualificar as tratativas que culminaram com a criação do Saged.</p>
<p>A privatização do Santo André deveria instaurar um modelo de socialização do patrimônio material e cultural construído durante quatro décadas, mas se limita à terminologia de capitalismo selvagem.</p>
<p>O que mais lamento é que o Saged não se define de vez como empresa privada, com todas as vantagens e todos os riscos. Lamento mais que isso: que o Saged continue com a retaguarda jurídica do Esporte Clube Santo André, sobre o qual desovariam maiores ônus de possíveis desequilíbrios orçamentários.</p>
<p>Com apenas 20 das 100 cotas da privatização do Ramalhão, o EC Santo André pode assumir quase a totalidade de eventuais diarréias orçamentárias. O futebol está repleto de exemplos de gestões assemelhadas que deram com os burros nágua.</p>
<p>Capitalismo sem risco não é capitalismo que se deva respeitar.</p>
<p>Capitalismo sem pitadas de socialismo, de comprometimento com a sociedade, não é capitalismo que se deva enaltecer.</p>
<p>Antes de me referir diretamente às matérias reunidas no acervo da Editora Livre Mercado, publicadas originalmente na revista LivreMercado (então sob meu controle editorial) e, em seguida, pela então newsletter CapitalSocial Online, revelo uma iniciativa que tomei há duas semanas e cuja finalidade é única: contribuir para colocar ordem nesse quarto de pensão em que se transformou a operação societária entre EC Santo André e o Saged.</p>
<p>O que fiz afinal? Repassei aos conselheiros do Esporte Clube Santo André um dos textos disponíveis neste site (<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/aviso-a-conselheiros-e-acionistas-e-preciso-definir-futuro-do-ramalhao/">Aviso a conselheiros e acionistas: é preciso definir futuro do Ramalhão</a>). Enviei o material através do Correios.</p>
<p>Não tenho a certeza de que todos estejam na lista de mais de 60 mil nomes que recebem diariamente as chamadas das matérias deste veículo de comunicação. A partir daquela mensagem, com orientação de acesso a este site, creio que os conselheiros do EC Santo André não requerem mais novas comunicações convencionais. O mundo digital encurta distância e facilita a interlocução democrática.</p>
<p>Sei que o material já causou reações. Há movimentos para colocar ordem no galinheiro de abusos, omissões, descasos e tudo que pode ser catalogado como excessos do Saged e de acovardamente da direção do Esporte Clube Santo André.</p>
<p>Esse jogo de faz-de-conta, de que nada de potencialmente grave está se desenhando, é um jogo sórdido.</p>
<p>Os acionistas do Saged não podem ser sacrificados como usurpadores do EC Santo André.</p>
<p>Os conselheiros deliberativos do EC Santo André não podem vestir a carapuça de omissos.</p>
<p>Pois, então, que se movimentem para clarear esse fosso profundo e escuro em que se meteram.</p>
<p>O presidente do Conselho Deliberativo do Santo André, Duílio Pisaneschi, já estaria mobilizando forças para, dentro da banda estreita que o autorizaria num possível enfrentamento com Ronan Maria Pinto, chamar uma assembléia extraordinária para resolver a questão.</p>
<p>As relações entre Duílio Pisaneschi e Ronan Maria Pinto são próximas. Ótimo, porque podem facilitar a prestação de contas de uma incorporação esportiva que já completou três anos. Não se sabe absolutamente nada sobre as finanças do Saged. Fosse o Saged empresa esportiva sem nenhum vínculo com o Esporte Clube Santo André, a opacidade poderia ser contornada. Não é o caso quando suas digitais se confundem com as digitais do Esporte Clube Santo André, um clube associativo.</p>
<p>Tenho o direito de ser cético quanto aos desdobramentos da iniciativa de direcionar holofotes a essas trevas. Poderia listar porção de senões que impermeabilizariam o trajeto de transparência que as circunstâncias exigem, mas fixo-me em apenas alguns pontos, provavelmente os mais cruciais.</p>
<p>O primeiro é que pouca gente tem coragem para opor-se mesmo que democraticamente a Ronan Maria Pinto. A fama do presidente do Santo André é um obstáculo material para muitos e subjetivo para outros. As mesuras do dirigente do Ramalhão o colocam como um gentleman, mas as articulações pessoais o instalam em outra esfera de interpretação. Ronan tem resistência em dividir qualquer poder.</p>
<p>O segundo é que por ser dono do principal veículo de comunicação da região, temem-se retaliações. Já ouvi de um acionista do Santo André, inconformado como o modelo centralizador do Saged, o desconforto de pronunciar-se e mobilizar parceiros. Ele disse representar o pensamento médio dos acionistas não atrelados ao presidente do Saged &#8212; uma minoria na composição da empresa esportiva.</p>
<p>O terceiro porque o Conselho Deliberativo do EC Santo André tem perfil etário que não favorece movimentos bruscos típicos dos jovens. A faixa de idade média dos conselheiros sugere aposentadoria compulsória, dizem representantes do próprio Conselho Deliberativo. Respira-se conformismo no ambiente deliberativo do EC Santo André. Como estabelecer ação de esclarecimentos e de cobranças sobre as consequências da privatização do Ramalhão sem que o conjunto do Conselho Deliberativo proteja eventuais individualidades inconformadas?</p>
<p>O mais estranho é o silêncio do ex-presidente do EC Santo André, Jairo Livolis, responsável maior pela idealização e execução do projeto de transferência do futebol para uma sociedade acionária. Jairo Livolis estaria amordaçado pela direção do Saged, dizem conselheiros deliberativos do EC Santo André. O atual presidente Celso Luiz de Almeida, parceiro de Jairo Livolis naquela iniciativa, também segue em silêncio. Os mais próximos afirmam que ele estaria esperando reação do Conselho Deliberativo. Não estaria a fim de tomar iniciativa que é da presidência do Conselho Deliberativo.</p>
<p>Resumo da ópera: o EC Santo André não teria institucionalidade para enfrentar o Saged.</p>
<p>Melhor dizendo: o EC Santo André não teria institucionalidade para enfrentar Ronan Maria Pinto.</p>
<p>Nesse ponto, só restaria uma alternativa: o próprio Ronan Maria Pinto abandonar o isolamento acionário e prestar contas aos conselheiros.</p>
<p>Mais que isso: radicalizar no bom sentido do termo e definir de vez, com o Conselho Deliberativo, os rumos do Ramalhão, separando-o definitivamente do EC Santo André.</p>
<p>Ainda vou escrever muito mais sobre o futuro do Ramalhão. Quando iniciei esta série, em plena fase de consagração da equipe desta temporada no Campeonato Paulista, o fiz de propósito. Esperava uma situação especialmente favorável ao Saged para me pronunciar.</p>
<p>A queda da equipe à Série B do Campeonato Brasileiro adiou meus planos de tocar nessa ferida exposta à responsabilidade social de quem quer o Ramalhão trafegando por estrada segura. Não pretendia parecer oportunista nas inquirições, porque de fato não o sou em circunstância alguma. Muito pelo contrário.</p>
<p>As matérias que postarei amanhã neste site estão cronologicamente dispostas a facilitar o entendimento dos leitores. Os títulos originais da revista LivreMercado foram modificados para adequação gráfica.</p>
<p>A primeira matéria, da edição de junho de 1999, sob o título original &#8220;Santo André S/A à moda Thatcher&#8221;, que virou &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/santo-andre-sociedade-anonima-adota-modelo-margareth-thatcher/">Santo André Sociedade Anônima adota modelo Margareth Thatcher</a>&#8220;, foi alçada à Reportagem de Capa. O trabalho jornalístico mostra os planos do então presidente Jairo Livolis em transformar o Ramalhão em sociedade anônima, contando com milhares de acionistas. Tal qual o plano executado pela primeira-ministra britânica Margareth Thatcher na série de privatizações empreendidas na Inglaterra.</p>
<p>A segunda matéria, de janeiro de 2002, sob o título original &#8220;Santo André vira clube-empresa&#8221;, que virou &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/finalmente-o-santo-andre-transforma-se-em-empresa/">Finalmente o Santo André transforma-se em empresa</a>&#8220;, antecipa iniciativa que acabou frustrada. A proposta dependia do respaldo da Administração Celso Daniel, assassinado naquele mesmo janeiro de 2002. Era a segunda tentativa da direção de Jairo Livolis encontrar saída para o futebol de Santo André não continuar ciclotímico. Os leitores poderão verificar que, naquele texto, faço breve mas importante citação a Ronan Maria Pinto, a quem não conhecia pessoalmente: ele estava liderando o grupo de empresários que adotariam o Ramalhão. O secretário municipal Klinger Souza, então vice-presidente do Santo André, pretendia beneficiar-se do sucesso programado da equipe para alavancar candidatura à Prefeitura, como afirmava sem recorrer a sofismas. Faltou combinar com os sequestradores de Celso Daniel.</p>
<p>A terceira matéria, da edição de dezembro de 2006, sob o título &#8220;Dinheiro e sorte, combinação ideal&#8221;, que virou &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/dinheiro-e-sorte-garantem-combinacao-de-sucesso/">Dinheiro e sorte garantem combinação de sucesso</a>&#8220;, analisava o lançamento oficial do projeto do Saged, ainda denominado Santo André Futebol Limitada.</p>
<p>Completando este ciclo de resgate da história do Santo André, reproduziremos também uma entrevista publicada na edição de janeiro de 2008 de LivreMercado. Ouvimos Jairo Livolis, sob o título &#8220;Saída providencial evitou rebaixamento&#8221;, que virou &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/saida-estrategica-para-dar-drible-no-rebaixamento/">Saída estratégica para dar drible no rebaixamento</a>&#8220;. O material é imperdível, porque confirma o afastamento de Jairo Livolis e também de Celso Luiz de Almeida da direção do Saged, cedendo espaço para Ronan Maria Pinto e seus aliados.</p>
<p>Naquele momento, a história passava por ruptura que parece não ter mais volta: o Ramalhão, representado pelo Saged, divorciava-se para valer do Esporte Clube Santo André. Nada demais, convenhamos, desde que tanto o EC Santo André não sofra as consequências econômicas que o futuro pode reservar, assim como os termos contratuais da composição do Saged indenizem ativos repassados aos acionistas.</p>
<p>O Saged surgiu na praça como um veículo zero quilômetro, enquanto o EC Santo André ficou com grande parte das responsabilidades fiscais do passado e do futuro. Um contrato leonino ao qual o Conselho Deliberativo do Esporte Clube Santo André não pode virar as costas.</p>
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		<title>Adivinhe o que sobrou no  Ramalhão e faltou ao Azulão</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 19:22:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Desafio o leitor a encontrar o verbete mais apropriado para resumir o futebol que o Santo André exibiu ontem no Pacaembu e que o retirou do papel de simples coadjuvante da decisão contra o Santos, e o futebol que o São Caetano mostrou no dia anterior em Ribeirão Preto, quando perdeu de 1 a 0 o título do Interior para o Botafogo. Vamos, tente encontrar a palavra-chave. Vou expor algumas sugestões para despertar maior interesse e desafio ao leitor. Vamos lá, então? a) Determinação; b) Disciplina; c) Equilíbrio; d) Ousadia; e) Organização.</p>
<p>Acredito que seja dispensável qualquer outro verbete, porque os cinco apresentados, cujos territórios conceituais são complementares, tornam-se suficientes para chamar a atenção de quem viu os dois jogos. Decidiram? Escolheram?</p>
<p>Agora, minha resposta. Trata-se de uma pegadinha. Nenhuma das cinco alternativas nem mesmo o embricamento de valores subjetivos que as envolve resume melhor o que foram os dois jogos e o comportamento do Santo André e do São Caetano, do que algo que ajuda a fazer a diferença em tudo na vida, tanto no coletivo quanto no individual.</p>
<p>A resposta é a seguinte:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O Santo André teve personalidade além da conta e o São Caetano personalidade muito aquém do esperado.</p>
<p>Está certo que determinação, disciplina, equilíbrio, ousadia e organização, tudo isso faz parte do show, mas acredito que nada diz mais que personalidade coletiva, que, no caso, vem a ser a multiplicação de todos os valores apontados com o acréscimo daquela força interior que só um grupo em êxtase coletivo é capaz de apresentar. Uma comunhão de propósitos que tem o dom de ignorar as barreiras psicológicas de uma decisão, os preconceitos e o próprio ambiente de um Pacaembu inteiramente vestido de branco e preto, ornamentado para ver o show dos Meninos da Vila.</p>
<p>O Santo André jogou como time grande e superou todas as expectativas. Já o São Caetano chegou ao cúmulo de, satisfeito em defender-se, retirou um centroavante e enxertou o sistema defensivo com um terceiro zagueiro, somando-se aos três volantes. Só poderia dar no que deu.</p>
<p>De qualquer forma, o sentimento de perda que o São Caetano revelou, quando o árbitro apitou pela última vez, transmitiu mensagem positiva: a lamentação dolorida, quase desolação, mostra que o grupo está unido e sente a camisa. O que, convenhamos, não é pouco quando se está às vésperas da primeira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Relendo o texto dos compromissos das duas equipes do Grande ABC no final de semana que passou, encontro no caso do Santo André frases que valem a pena ser relidas. Quem pretender acompanhar todo o artigo (<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/distancia-entre-santo-andre-e-sao-caetano-vai-se-estreitar-na-serie-b/">Distância entre Santo André e São Caetano vai se estreitar na Série B</a>) basta recorrer ao acervo. Por questão de espaço, pinço os seguintes trechos que provavelmente dispensem complementaridades sobre o que tivemos domingo no Pacaembu:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O Santo André não pode abdicar de sistema defensivo forte. Fixar-se na exploração dos erros do Santos não pode ser visto como contra-senso porque quem precisa da vitória é o Santo André. Essa é a terapêutica recomendada. O adversário não vai se limitar a explorar a vantagem do regulamento. O Santos é um grupo vocacionado ao ataque e ao ataque irá desde o primeiro apito.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Se o Santo André não se conscientizar de que não pode seguir com a Síndrome de Zoológico, dará com os burros nágua além da conta do natural favoritismo do Santos. O que significa Síndrome de Zoológico? É o Santo André satisfazer-se com o fato de que é grande atração coadjuvante do Pacaembu. Uma espécie de macaco fuzarqueiro, sobre o qual todos mantêm atenção complementar, porque estão mesmo com as atenções voltadas para espécimes de branco.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O Santo André precisa se esforçar para roubar a cena, não simplesmente dispor-se a aceitar migalhas de uma decisão histórica. Para isso, quanto menos jogar para agradar a platéia e mais para estragar a festa programada pelo Santos, melhor.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Do ponto de vista prático seria muito melhor cerrar os dentes e jogar de forma mais cautelosa mesmo que menos espetacular.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Trocando em miúdos: o Santo André do jogo bonito, de jogadas de aproximação, das triangulações móveis, dos deslocamentos contínuos, tem tudo para sair do Pacaembu como vice-campeão discreto, mas se adotar postura mais pragmática, mais inteligente, menos emocional, mais contundente, pode acrescentar ao currículo um resultado surpreendente que possivelmente só não o levaria ao título por conta dos erros do primeiro jogo, obrigando-o à vantagem de dois gols.</p>
<p>Retomando este artigo após a incursão pelo texto de sexta-feira, não tenho dúvida de que o momento mais importante e emblemático da vitória do Santo André, reprovado apenas por cronistas paulistanos que pretendiam ver o Santos desfilar exuberância técnica e consagrar-se sem atropelos, foi a blitz contra Neymar após nova tentativa do santista em cavar falta, agora na entrada da área. A confusão culminou com as expulsões de Nunes e Léo.</p>
<p>Ali, naqueles momentos, as armas da finalíssima foram expostas claramente, embora lances anteriores tivessem dado sinais do que seria a pauta emocional do encontro: o Santo André deixara definitivamente de lado o bom-mocismo de figurante do espetáculo para dividir o protagonismo. Os santistas pareciam não entender o que se passava. Afinal, foram a um desfile de modas e encontraram rajadas de metralhadoras.</p>
<p>A confusão, com trocas de ofensas entre vários jogadores, liquidou com os ares de espetáculo artístico da decisão. Ali estava declarada guerra. E o Santos não se preparou para a guerra psicológica. Foi ao Pacaembu para festejar a conquista mais que encaminhada no jogo anterior. O Santo André era apenas um detalhe regulamentar. Não título previamente comemorado sem adversário para validá-lo.</p>
<p>Repito o que escrevi na sexta-feira: &#8220;Do ponto de vista prático seria muito melhor cerrar os dentes e jogar de forma mais competitiva, mesmo que menos espetacular&#8221;.</p>
<p>Foi assim que o Santo André reconhecidamente inferior individualmente, se comportou durante os 90 minutos. Os meninos da Vila expuseram uma face que, de maneira geral, todos fazem vistas grossas: vão sofrer um bocado até entenderem que a fase de deslumbramento da mídia e da platéia tem prazo de validade. Esperem para ver nos próximos jogos da Copa do Brasil.</p>
<p>Tivesse o Santo André do primeiro jogo da decisão atuado da mesma forma, como a mesma personalidade contestatória à ordem estabelecida pelo retrospecto e pela história, a sorte da competição poderia ter sido outra.</p>
<p>Final de campeonato tem ingredientes que superam os limites naturais de técnica e tática. O emocionalismo santista estava em frangalhos diante da responsabilidade de vencer um jogo contra um clube médio. Entretanto, como escrevi, o Santo André do primeiro jogo cometeu o pecado de subestimar a força ofensiva do Santos ao improvisar um pobre Rômulo na lateral-esquerda &#8212; por onde os adversários passearam e construíram a vitória.</p>
<p>Não há dúvida de que o time de Sérgio Soares se superou nos dois jogos. Apôs marcação que não se viu em toda a fase classificatória, apoiando-se nos contragolpes. Inclusive durante os 30 minutos do segundo tempo de ontem, mesmo contando com um jogador a mais em campo. Quando ficou com dois de vantagem, a obrigação de atacar e atacar foi compulsória.</p>
<p>Já o São Caetano do técnico Roberto Fonseca exagerou na dose de desafiar a zona de risco de jogar pelo empate que o levaria ao titulo. A estratégia do contragolpe era perfeita para a ocasião. Entretanto, depois de um primeiro tempo de razoável controle do jogo, apesar de o Botafogo tomar a iniciativa de ataque, o São Caetano caiu na besteira tática de acrescentar mais defensores e de reduzir ainda mais o número de atacantes. A troca de um centroavante por um terceiro zagueiro foi fatal, porque acelerou ainda mais os erros de passe, já preocupantes no primeiro tempo, e convidou de vez o Botafogo a residir no campo ofensivo. Até que uma bola cruzada por Andrezinho acabou cabeceada às redes. Daí, a tentativa de reconstruir o ataque, com novas substituições, teve o desespero como companhia preferencial à imprecisão.</p>
<p>Estranhamente, muito estranhamente, o São Caetano lançou mão de uma apresentação obsessivamente calculista, como se não houvesse outra saída para voltar campeão senão defender, defender e defender. Por mais que o Botafogo tenha se esmerado na marcação, inclusive com supressão de espaço ao avançar a defesa, o São Caetano foi impotente no ataque. Bem diferente do Santo André que, sem se expor, soube equilibrar marcação e ataque.</p>
<p>Independente das circunstâncias diversas que cercaram os dois jogos, com o Santo André precisando da vitória e o São Caetano de empate, o peso do fator personalidade não pode ser minimizado. O adversário do Santo André era muito mais qualificado e o título do Interior, por mais importante que eventualmente possa ser interpretado, não merecia tamanha preocupação. Será que, ao contrário de Sérgio Soares, o técnico Roberto Fonseca colocou em campo algum sentimento particular por ter vindo exatamente do Botafogo? Não bastaria o fato de ter as duas equipes que dirigiu até agora na temporada chegado à decisão? Querem sucesso maior?</p>
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		<title>Distância entre Santo André e São  Caetano vai se estreitar na Série B</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 19:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As circunstâncias classificatórias da Série A do Campeonato Paulista vão determinar o estreitamento da distância do perfil técnico-tático que Santo André e São Caetano exibiram até agora na temporada. É muito provável que na Série B do Campeonato Brasileiro, que se inicia na próxima semana, a diferença de estilo de jogo seja mínima. O São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As circunstâncias classificatórias da Série A do Campeonato Paulista vão determinar o estreitamento da distância do perfil técnico-tático que Santo André e São Caetano exibiram até agora na temporada. É muito provável que na Série B do Campeonato Brasileiro, que se inicia na próxima semana, a diferença de estilo de jogo seja mínima. O São Caetano ganhará mais técnica e o Santo André mais força.</p>
<p>A direção do São Caetano está investindo na harmonia de mais leveza e velocidade num time marcado pela força física e coletivismo tático. A contratação do lateral Fernandinho, do meia Kleber e do atacante Mazinho, do Oeste de Itápolis, acrescenta camadas de velocidade e habilidade a um grupo com dificuldade de mudar o jeito de jogar e de surpreender os adversários.</p>
<p>Já o Santo André, que perderá vários titulares nestes próximos dias, deverá recorrer a reposições do mesmo corte, mas possivelmente com muito mais dificuldades de qualificação.</p>
<p>É viável nas primeiras rodadas da Série B do Brasileiro a tendência de o Santo André ocupar posição secundária em relação ao São Caetano. O rearranjo tático é compulsório quando se altera demais a estrutura de uma equipe. A dinâmica de jogo, portanto, se modifica. O que era desenvolvido naturalmente pelo conjunto, torna-se oneroso.</p>
<p>Santo André e São Caetano terão, possivelmente, muito mais semelhanças do que distinções. Diferentemente, portanto, do Campeonato Paulista que termina neste final de semana. O São Caetano precisará se desdobrar para voltar de Ribeirão Preto com o título de campeão do Interior. Já o Santo André deverá se esforçar para não encerrar a competição sob chuva de gols de um Santos sem ameaça de cartão amarelo.</p>
<p>Podem dizer que sou pessimista com relação à sorte do Santo André. Podem dizer à vontade, porque não ligo para pressões desse tipo.</p>
<p>Fui provavelmente o primeiro jornalista da praça a enxergar o Santo André grande time na temporada. Notem que escrevi &#8220;grande time na temporada&#8221;, não &#8220;o grande time da temporada&#8221;, que é justamente o Santos. A constatação e a empolgação não turvaram a relativização dos fatos.</p>
<p>O Santo André sentiu a evolução estacionar a partir de determinadas situações. Ocorreu o contrário com os santistas. A diferença é que a elasticidade técnica evolutiva do Santos é muito superior a do Santo André. Há talentos que se exaurem na exata medida da consolidação grupal, como é o caso dos jogadores de maior destaque do Santo André. Há talentos quase inesgotáveis, independente da ação grupal &#8212; como várias estrelas do Santos.</p>
<p>O Santo André tem limites que o Santos ainda não encontrou, algo condicionado à graduação dos adversários. Nada mais óbvio para quem conta com Neymar, Robinho, André, Ganso, além de coadjuvantes em estado de graça, como Wesley. Até Pará resolveu jogar na Vila o que esbanjava no Santo André. Talvez tudo isso encontre sérias barreiras contra um Grêmio, pela Copa do Brasil, mas não diante do Santo André.</p>
<p>As equipes de futebol devem ser reavaliadas na medida em que os confrontos aparecem.</p>
<p>A volta à lateral de Carlinhos repotencializa o sistema ofensivo do Santo André, mas mantém a vulnerabilidade defensiva.</p>
<p>Carlinhos é ala de muito potencial técnico, de precisão do passe, de chute forte, de cruzamentos precisos, mas é marcador deficiente. Não tanto quanto Rômulo, improvisado na esquerda no primeiro jogo com subsequentes danos já explicados aqui.</p>
<p>Com Carlinhos de ala o Santo André requer reforço na marcação do meio de campo ou mesmo um terceiro zagueiro. Sérgio Soares continua a esnobar a alternativa, inebriado pela fase classificatória, quando o nível de exigências foi outro.</p>
<p>Essa história de que não se mexe em time que está ganhando, como estava ganhando o Santo André na fase classificatória, é uma das grandes bobagens do futebol.</p>
<p>Fosse técnico do Santo André, não teria dúvidas em reforçar a cautela apresentada no primeiro jogo, quando Sérgio Soares priorizou quatro jogadores na cobertura aos quatro zagueiros e explorou os contragolpes. Só não repetiria o deslumbramento de desprezar a força ofensiva do Santos ao sair atabalhoadamente ao ataque, principalmente com Rômulo.</p>
<p>O Santo André não pode abdicar de sistema defensivo forte. Fixar-se na exploração dos erros do Santos não pode ser visto como contra-senso porque quem precisa da vitória é o Santo André. Essa é a terapêutica recomendada. O adversário não vai se limitar a explorar a vantagem do regulamento. O Santos é um grupo vocacionado ao ataque e ao ataque irá desde o primeiro apito.</p>
<p>Não teria dúvidas em retirar da equipe o irregular centroavante Nunes, sobre o qual o Santo André faz esforço descomunal para encontrar comprador. Daria mais liberdade a Bruno César, depois de escalar um terceiro zagueiro. Todos os zagueiros de área do Santo André são pesados e lentos demais. Aliás, exatamente por serem pesados e lentos demais um terceiro zagueiro se faz emergencial diante do Santos.</p>
<p>Se o Santo André não se conscientizar de que não pode seguir com a Síndrome de Zoológico, dará com os burros nágua além da conta do natural favoritismo do Santos. O que significa Síndrome de Zoológico? É o Santo André satisfazer-se com o fato de que é grande atração coadjuvante no Pacaembu. Uma espécie de macaco fuzarqueiro, sobre o qual todos mantêm atenção complementar, porque estão mesmo com as atenções voltadas para espécimes de branco.</p>
<p>O Santo André precisa se esforçar para roubar a cena, não simplesmente dispor-se a aceitar migalhas de uma decisão histórica. Para isso, quanto menos jogar para agradar a platéia e mais para estragar a festa programada pelo Santos, melhor.</p>
<p>Do ponto de vista prático seria muito melhor cerrar os dentes e jogar de forma mais competitiva, mesmo que menos espetacular.</p>
<p>Trocando em miúdos: o Santo André do jogo bonito, das jogadas de aproximação, das triangulações móveis, dos deslocamentos contínuos, tem tudo para sair do Pacaembu como vice-campeão discreto, mas se adotar postura mais pragmática, mais inteligente, menos emocional, mais contundente, pode acrescentar ao currículo um resultado surpreendente que possivelmente só não o levaria ao título por conta dos erros do primeiro jogo, obrigando-o à vantagem de dois gols.</p>
<p>Já o São Caetano que vai a Ribeirão Preto teria mais possibilidades de voltar campeão do Interior se pudesse acrescentar os reforços vindos do Oeste de Itápolis. Faltaram à equipe do Grande ABC, inclusive para chegar entre os quatro semifinalistas, como o Santo André, alguns valores individuais que contribuíssem para quebrar a rigidez de marcação e de contragolpes forjados nos laboratórios de treinamentos.</p>
<p>A improvisação, a criatividade e a leveza ficaram concentradas demais no armador Everton Ribeiro e no ainda instável atacante Vanderlei. Com os reforços e também com a retomada de ritmo de treinamento e de jogos de Luciano Henrique, ex-Sport, o São Caetano tende a disputar o Campeonato Brasileiro com envergadura.</p>
<p>Mesmo sem os reforços o São Caetano pode voltar campeão do Interior. O Botafogo já mostrou dificuldades para enfrentar equipes que exercem marcação implacável. Dependerá do posicionamento da equipe de Roberto Fonseca o sucesso da empreitada. Jogar em contragolpes contra um Botafogo que costuma expor-se em casa é mesmo a melhor pedida. Um golpe fatal basta para colocar a mão na taça. O empate favorece a equipe da região depois da vitória em casa no último final de semana.</p>
<p>Como não fujo da raia e não considero prognóstico meramente palpite feliz ou infeliz, mas, em situações como desses dois jogos, resumo de constatações diversas, duvido que o Santos deixe de vencer o Santo André e que o São Caetano não possa sustentar um empate.</p>
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		<title>Ramalhão desdenha, Azulão  racionaliza e Tigre é pragmático</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 18:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Santo André desdenhou demais o risco de jogar sem medo do Santos, por isso perdeu um jogo que poderia ter vencido. O São Caetano preferiu a racionalidade e a segurança de um resultado magro a ter de correr do prejuízo no final de semana que vem contra o Botafogo em Ribeirão Preto. E o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André desdenhou demais o risco de jogar sem medo do Santos, por isso perdeu um jogo que poderia ter vencido. O São Caetano preferiu a racionalidade e a segurança de um resultado magro a ter de correr do prejuízo no final de semana que vem contra o Botafogo em Ribeirão Preto. E o São Bernardo fez para o gasto, com pragmatismo, no empate com o Pão de Açúcar, para subir à Série A do Campeonato Paulista. Eis o resumo resumido do futebol do Grande ABC no final de semana. Um final de semana que poderia ter sido melhor se o Santo André não se encantasse demais com as próprias virtudes. Caiu no conto da louvação paulistana. </p>
<p>Primeiro, as explicações para a derrota do Santo André diante de um Santos agora praticamente campeão. </p>
<p>O técnico Sérgio Soares acertou em cheio ao mandar o time cuidar mais do sistema defensivo, recuando armadores e ponta-de-lança e deixando apenas Rodriguinho e Nunes no ataque. O bloqueio na entrada da área restringiu os espaços para um Santos quase estático que se submeteu docilmente no primeiro tempo à marcação. Foi a primeira vez no campeonato que o Santo André se dedicou tanto à compactação defensiva. O que é natural por conta da superação própria de uma decisão. </p>
<p>O Santo André foi mais defensivo com praticamente os mesmos jogadores dos compromissos anteriores. </p>
<p>O problema é que Sérgio Soares surpreendeu negativamente ao improvisar o lateral direito Rômulo na esquerda. Com isso, nem teve um substituto à altura da técnica e da velocidade de Carlinhos, titular da função que cumpriu suspensão automática, e ainda aprofundou a inapetência defensiva. Teria sido mais lógico se escalasse o jovem Arthur, mais marcador que Carlinhos e que Rômulo. Ou, principalmente, que optasse por um terceiro zagueiro para adensar o interior de dois zagueiros de área pesados demais. Principalmente Toninho.  </p>
<p>O cadafalso de Sérgio Soares foi a opção pelo estabanado Rômulo. Reparem nos três gols do Santos, todos no segundo tempo. Prestem atenção. </p>
<p>No primeiro, veja onde estava Rômulo enquanto Ganso, na grande área, cruzava a bola da esquerda para a trave oposta, onde André apareceu livre para marcar de cabeça. Repararam? Pois é: Rômulo estava na entrada da grande área, completamente fora de função. Ele deveria estar exatamente onde André apareceu livre. A função defensiva de um lateral de qualidade é cobrir os zagueiros de área em cruzamentos do lado oposto. Rômulo não faz isso nem quando ocupa a lateral direta, quanto mais na esquerda. Rômulo é mais ala que lateral; ou seja, é um armador pela direita sem cacoete de marcação e cobertura. </p>
<p>Nos outros dois gols do Santos, Rômulo também estava no mundo da lua. No segundo gol, em rápido contragolpe santista, quando Wesley apareceu livre pela direita, quem tentou cobrir a ausência de Rômulo foi o armador Bruno César. Só poderia dar no que deu. No terceiro gol, bola perdida no meio de campo e lançada nas costas de Rômulo para a penetração de Wesley, o lateral improvisado por Sérgio Soares tropeçou nas próprias pernas e o santista só teve o trabalho de completar. </p>
<p>Nenhum cronista paulistano se deu conta dos tropeços funcionais de Rômulo. Se ocorressem tantos erros com Roberto Carlos, por exemplo, o mundo cairia sobre o lateral do Corinthians. Rômulo está numa outra dimensão de exigibilidade técnico-tática.   </p>
<p>Seria demais acreditar que, mesmo jogando no extremo da competência defensiva, como fez o Santo André num primeiro tempo em que o meio de campo foi bastante solidário, seria possível derrotar o Santos com uma peça-chave do setor falhando tanto. Ainda se Rômulo tivesse feito ofensivamente a diferença naquela arrancada no primeiro tempo, o risco não teria sido compensado. </p>
<p>O técnico Sérgio Soares é o principal responsável pela campanha do Ramalhão ao introduzir o conceito de liberdade e de criatividade que Dorival Júnior também adotou no Santos. Entretanto, esteve numa tarde bastante infeliz ao optar por Rômulo, escalado em outros jogos menos complicados. Um terceiro zagueiro teria oferecido resultado defensivo muito melhor. </p>
<p>O Santo André que entrou nas finais do Campeonato Paulista sugere desdobramento compulsório do Complexo de Gata Borralheira &#8212; o sentimento de inebriar-se com os elogios de terceiros, dos quais necessita intensamente para ajustar a auto-estima. Nada mais ingênuo. A história não costuma ser generosa com os perdedores. Talvez uma dosagem menos intensa de técnica e uma injeção de pragmatismo poderiam ter mudado a história do jogo no qual um Santos com meio time pendurado com cartões amarelos atuou claramente preocupado em manter o grupo intacto para as inesquecíveis fotos de campeão, domingo que vem.  </p>
<p>Já o São Caetano que venceu o Botafogo de Ribeirão Preto por 1 a 0 no sábado no Anacleto Campanella corre sim o risco de ficar sem o título de campeão do Interior. A vantagem é estreita demais, conseguida que foi num segundo tempo em que a expulsão de um adversário e a soltura de amarras excessivamente cautelosas contribuíram para o resultado final. Talvez o que possa embalar a expectativa de que o São Caetano voltará de Ribeirão Preto com o título seja a solidez defensiva e a formação do grupo para explorar os contragolpes, marca que Antonio Carlos Zago deixou para Roberto Fonseca que, apesar de várias tentativas de melhora, ainda permanecem como impressões digitais.</p>
<p>O São Caetano pode voltar campeão de Ribeirão Preto se não deixar o Botafogo traduzir o maior volume de jogo em finalizações. A equipe de Ribeirão Preto tem um futebol mais criativo, de maior mobilidade, mas não traduz a movimentação geral com o mesmo grau de eficiência de ataque. Se estiver naquelas tardes de contundência ofensiva, derivadas de contra-ataques arrancados principalmente em jogadas longas, o São Caetano surpreenderá quem acredita que posse de bola é tudo no futebol. </p>
<p>Já o título da Série B conquistado pelo São Bernardo diante de 14 mil pagantes revela tantas coisas que seria preciso muito mais espaço a explicações. Talvez o momento decisivamente mais importante do São Bernardo tenha sido a humildade da diretoria em romper com o próprio planejamento iniciado no ano passado ao demitir o técnico Luciano Dias quando a equipe frequentava a zona de rebaixamento após as sete primeiras rodadas. Não é toda direção de clube ou de qualquer corporação que decide rever compromissos. A situação dramática na competição superou todas as barreiras que impermeabilizavam o treinador escolhido a dedo para comandar o projeto em campo.  </p>
<p>Quem diria, quem diria, que, ano que vem, a Santíssima Trindade do Grande ABC vai estar no principal campeonato estadual do País? Vou escrever esta semana sobre algo que não pode ficar para depois: a importância de juntar, fora de campo, forças diretivas para adensar a representação popular de nossas equipes. Não podemos passar mais pelo vexame de ontem à tarde no Pacaembu, quando o Tobogã não ficou ainda mais vazio porque discretos torcedores santistas invadiram o espaço que os gatos pingados ramalhinos ocuparam com muito entusiasmo.</p>
<p>O mínimo que a direção do Santo André tem a fazer para o jogo de domingo que vem é deixar que os santistas ocupem de vez aquele espaço e, com isso, concentre os poucos ramalhinos no cantinho reservado a todos os adversários do Corinthians, ao lado das cabines de imprensa.  </p>
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		<title>Veja como Ramalhão, Azulão  e Tigre vão decidir a sorte</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 19:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Duvideodó que o Santo André vai ser domingo na decisão contra o Santos o mesmo time ofensivo do Campeonato Paulista. Duvideodó que o São Caetano na decisão de amanhã com o Botafogo de Ribeirão Preto vai ser o mesmo time cauteloso do Campeonato Paulista. Duvideodó que o São Bernardo na decisão de amanhã contra o Pão de Açúcar por uma vaga na Série A do Campeonato Paulista do ano que vem vai se deixar levar pelo perigosíssimo embalo do já-ganhou de precisar de apenas um ponto.</p>
<p>Viram os leitores como estou decidido a imprimir certezas numa tarde de sexta-feira em que boa parte já está escalando o descanso no final de semana? Certezas no futebol são obras de malucos, dirão os mais céticos. Que sejam, que sejam. </p>
<p>Antecipo que não vai aqui sentimento que não seja de pura intuição, amiga dileta do conhecimento, parente próxima do bom senso. </p>
<p>O Santo André não pode correr o risco de, em nome de ofensivismo que deu o que falar na temporada, achar que pode encarar o fabuloso Santos em igualdade de condições. Não bastasse o ambiente hostil do Pacaembu na tarde deste domingo, terá equipe superior a ameaçá-la não apenas com uma derrota, mas com uma goleada. </p>
<p>A capacidade evolutiva do Santo André já parece ter-se esgotado nas limitações técnicas dos jogadores, que atingiram o ápice durante a competição. O Santos também alcançou estado de graça. O abismo que separa as duas equipes é claro. O Santos tem individualidades que sobrepujam fartamente as individualidades do Santo André. E os carregadores de piano inspiraram-se tanto nos craques que chegam a superar as expectativas. </p>
<p>O Santos de grandes espetáculos foi forjado primeiro com o individualismo de craques de primeira, depois se fortaleceu na plataforma de um conjunto que se organizou ao longo da competição. Já não é o time desequilibrado dos primeiros jogos. Já não faz do ataque a única razão de viver, por melhores que sejam os predicados do sistema ofensivo. </p>
<p>Já o Santo André partiu de empreitada inversa, de sustentabilidade coletiva que fez emergir vários bons valores individuais. Uma pena que não conseguiu ajeitar-se defensivamente. É um time vulnerável demais. </p>
<p>A substituição do expulso Carlinhos pelo jovem Arthur sinaliza um Santo André compulsoriamente mais cuidadoso no sistema de defesa, por conta das características individuais dos dois jogadores. Haverá menos espaços nas costas do lateral e sobretudo entre o chamado quarto-zagueiro e o lateral-esquerdo. Carlinhos é excelente apoiador, até porque sua origem é a ponta-esquerda, mas é um convite ao ataque adversário. Do outro lado da defesa do Santo André está um Cicinho insinuante com as bolas nos pés, mas marcador condenável. É pelas extremidades que o Santos costuma destroçar defesas. Quando Ganso e Marquinhos armam triangulações internas ou laterais, é um Deus nos acuda. Os zagueiros de área do Santo André têm dificuldades para cobrir as laterais, porque são lentos. Fosse Sérgio Soares, jogaria com três zagueiros. </p>
<p>Somente a superação individual e principalmente coletiva do Santo André impedirá que o Santos faça mais uma jornada de gala no Pacaembu. Não faltará, diante de eventual surpresa, quem se atribuirá refinamento intuitivo, explicitado no clichê de &#8220;não falei?&#8221;. Mas isso não passa de bobagem. Em condições normais, o Santo André sairá derrotado do Pacaembu nos dois jogos. O que não pode é sair desmoralizado, como a Ponte Preta na final de 2008 contra o Palmeiras, ou o Juventude contra o Internacional no Beira Rio, na mesma temporada. O time de Sérgio Soares merece encerrar a competição com todas as honras, independente do título improvável. </p>
<p>Diferentemente do Santo André, o São Caetano terá mesmo de atacar o Botafogo de Ribeirão Preto neste sábado no Anacleto Campanella. Só assim disputaria o segundo jogo da decisão do título do Interior em condição vantajosa. Mais que a situação compulsória de quem entra em desvantagem nos critérios de desempate, o São Caetano tem a movê-lo em direção ao ataque o conhecimento que o técnico Roberto Fonseca acumula do adversário. Afinal, o Botafogo foi montado pelo treinador que substituiu Antonio Carlos Zago no Azulão. Deixar para decidir em Ribeirão Preto é convite à decepção. </p>
<p>Por isso mesmo a definição da equipe levará em conta a necessidade de marcar gols. Não que Roberto Fonseca repetirá a ousadia do segundo tempo de sábado passado contra o Oeste de Itápolis ao colocar três atacantes nos lugares de três jogadores mais defensivos. Aquela foi uma situação circunstancial, de segundo tempo contra um oponente que teve um jogador expulso. Mas, daí a adotar sistema de jogo mais cauteloso vai grande distância. A segurança de Roberto Fonseca em relação ao futuro na equipe &#8212; ou seja, de que a comandará na Série B do Campeonato Brasileiro &#8212; é mais que suficiente para que desprenda-se de excessos de cautela. </p>
<p>Completando o final de semana do futebol do Grande ABC, eis que estou confiantíssimo no sucesso do São Bernardo neste sábado contra o Pão de Açúcar. Um empate é suficiente num Estádio de Vila Euclides que deverá receber 15 mil torcedores. A derrota do Santo André domingo para o Grêmio Prudente deve ter servido de lição para o Tigre. Ou seja: a um passo da Série A do Paulista não se permite que se comemore antes da hora. A vantagem do empate não pode ser uma porta aberta ao desleixo. </p>
<p>O São Bernardo não vai frustrar a expectativa geral de que pela primeira vez na história, ano que vem, teremos três representantes na Série A do Estadual mais disputado do País. Já imaginaram (e vou escrever sobre o assunto na semana que vem) que grande oportunidade de o Grande ABC realizar campanha institucional para adensar o público nos jogos de suas equipes? Precisamos nos preparar para evitar o vexame deste domingo no Pacaembu, quando o setor de tobogã vai ser ocupado por apenas algumas centenas de ramalhinos, enquanto os santistas provavelmente invadirão o espaço por falta de lugares em outras áreas do estádio. </p>
<p>É isso que dá lotar artificialmente o Bruno Daniel com ações divorciadas da sustentabilidade social, como domingo contra o Grêmio Prudente. Os políticos que se fartaram de ingressos distribuídos com a única finalidade de levar quem quer que fosse ao Bruno Daniel não vão bancar a ida de ramalhinos ao Pacaembu. Eles só aparecem quando o terreno é propício para investidas eleitorais. É assim em todo lugar.  </p>
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		<title>Sucesso em campo, Ramalhão  fracassa como clube empresarial</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 18:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando os leitores deste site tomarem conhecimento &#8212; nesta quinta-feira, 22 de abril &#8212; da proposta que enviei aos acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva) em outubro de 2007, depois de redigir o documento três meses antes, o título deste texto não parecerá nada apocalíptico, nada emocional, nada ofensivo, nada de nadinha.
Será [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando os leitores deste site tomarem conhecimento &#8212; nesta quinta-feira, 22 de abril &#8212; da proposta que enviei aos acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva) em outubro de 2007, depois de redigir o documento três meses antes, o título deste texto não parecerá nada apocalíptico, nada emocional, nada ofensivo, nada de nadinha.</p>
<p>Será apenas a constatação de um coito interrompido, ou seja, o futebol de Santo André perdeu três anos seguidos para honrar a denominação de clube-empresa com que foi concebido após absorver a história e o patrimônio do Esporte Clube Santo André.</p>
<p>O Saged não passa de um clube fechado comandado de cabo a rabo pelo empresário Ronan Maria Pinto. Com tudo de bom e tudo de ruim que isso pode significar. Inclusive a gangorra de disputar uma final de um estadual depois do rebaixamento na Séria A do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Insisto na pregação pedagógica do que ocorreu com o futebol da cidade: o Santo André que está às vésperas de mais uma página de sucesso no futebol brasileiro, finalista da Séria A do Campeonato Paulista, é resultado do comando do Saged, organização que privatizou o Ramalhão por obra e graça do então presidente Jairo Livolis.</p>
<p>O que o então presidente Jairo Livolis imaginou para o clube-empresa, principalmente a presidência por período razoavelmente elástico, foi completamente dissolvido. Faltou combinar com os russos, no caso Ronan Maria Pinto, que o apeou do poder.</p>
<p>Aquele documento sob o título &#8220;Clube-empresa? Empresa-Clube?” foi a contribuição que ofereci naquele começo do que imaginava tempos de grandes transformações do futebol de Santo André. Vivia-se a expectativa de que um regime empresarial comprometido com a sociedade civil viria a revolucionar o futebol brasileiro. Ledo engano. O Saged tornou-se empreendimento fechadíssimo, concentradíssimo, imperialista &#8212; sob a presidência do empresário Ronan Maria Pinto.</p>
<p>A possibilidade de o sucesso nos gramados, do qual todos nos orgulhamos (cantei essa bola já no início da competição, como pode ser verificado em artigos neste site) entorpecer o senso crítico de quem pensa o futebol do Grande ABC muito além da próxima competição, muito acima das quatro linhas, estimula mais essa contribuição jornalística. Resgatar aquelas propostas que alinhavei num final de semana, imaginando o Ramalhão definitivamente no panteão da modernidade esportivo-empresarial é, portanto, questão fundamental para a compreensão integral dos textos que tenho escrito ultimamente.</p>
<p>Esse recado vai principalmente para atravessadores éticos que destilam a ideia de rusga particular entre este jornalista e a presidência do Saged.</p>
<p>Costumo dizer aos amigos mais chegados que escrever é uma forma de amalgamar ideias e compromissos. Não diria que fico frustrado com alguns desenlaces que fogem completamente ao figurino impresso em cada parágrafo. Faz parte da vida conviver com decepções e alegrias. Não fosse assim, não teria esperado 27 anos para ver meu time ganhar o Campeonato Paulista. Não carrego nenhum tipo de anomalia psíquica por conta de resultados adversos. No máximo, a memória insiste em alguns momentos em açodar o pensamento. Faz parte do show.</p>
<p>Entretanto, ao reler aquele texto encaminhado aos acionistas do que se transformou em Saged (até então a nomenclatura para definir a empresa que passou a cuidar do futebol da cidade era Santo André Gestão Empresarial, como consta daquele trabalho) um vazio percorre cada mililitro de meu sangue regionalista. Não é que praticamente nada, nada e nada foi executado?</p>
<p>Nada surpreendente, convenhamos. Se há algo que o Saged não pretende implantar é estrutura que ao menos resvale em algo que sustente o coletivismo e a transparência. O que mais interessa à direção do Saged é o centralismo decisório e informativo.</p>
<p>O pior da situação, que poderá ser constatada pelos leitores do material que será postado nesta quinta-feira sob o título &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/como-substituir-romantismo-por-clube-empresa-e-empresa-clube/"><strong>Como substituir romantismo por clube-empresa e empresa-clube?</strong></a>&#8221; é que não havia nenhuma nesga de doidice naqueles traçados. Muito pelo contrário: o clube-empresa ou a empresa-clube com que sonhava não passa de obviedade tão escandalosa que, sinceramente, me sinto de fato apenas reprodutor de ideias de gente de bom-senso.</p>
<p>O problema todo é que sobram oportunistas e arrivistas.</p>
<p>Apenas para aguçar o interesse dos leitores, transcrevo alguns trechos do texto que preparei há três anos, os quais, provavelmente transmitirão certa estrutura aos conceitos que repassei aos acionistas do clube-empresa e da empresa-clube:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A melhor combinação de clube-empresa e empresa-clube é equivalência de pesos. O desbalanço poderia adernar o futuro desse cooperativismo capitalista que vai muito além de interesses negociais, embora não possa deixar de levar em conta também interesses financeiros.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A substituição de dirigentes, conselheiros e torcedores de um modelo com prazo de validade vencido por cotistas que olhem os balancetes financeiros como contraface dos resultados em campo é o ponto de maturidade.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Sem retaguarda que reproduza organogramas de empresas saudáveis não haverá espaço no futebol brasileiro para clubes que pretendem fazer de vitórias, conquistas e rentabilidade financeira um encadeamento lógico.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> O pior dos mundos para o Santo André Gestão Empresarial é acreditar que seja clube-empresa porque a formalidade legal foi finalmente sacramentada.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Enquanto o Santo André não se enxergar como empresa, provavelmente sofrerá as consequências de um clube médio constantemente ameaçado pelas circunstâncias e armadilhas do mercado da bola que tanto poderão embalá-lo aos primeiros postos e voltar a conquistar sazonalmente um título de expressão, como a Copa do Brasil em 204, ou deslocá-lo para a zona de rebaixamento.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Um clube-empresa que não tenha a contraface de uma empresa-clube seria péssima e frustrante conclusão de um processo que demorou para sair das planilhas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Seria um desperdício de dinheiro e de oportunidade satisfazer-se simplesmente com a porção financeira dos acionistas.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> A separação entre futebol e clube poliesportivo não pode ser levada ao pé da letra da nova configuração societária.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Uma campanha de marketing seria providencial para que a imagem do Santo André Gestão Empresarial não sofra prejuízos e os resultados fora de campo não demorem demais.</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Os conservadores ainda não entenderam que o nome do jogo começa com competitividade e termina com rentabilidade nos balanços financeiros, ou começa com vitórias e termina com títulos no calendário esportivo.</p>
<p>Aguardem, portanto, quando esta quinta-feira chegar. Valerá a pena.</p>
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		<title>Aviso a conselheiros e acionistas: é  preciso definir futuro do Ramalhão</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 19:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos aproveitar o ambiente de euforia mais que justa do Ramalhão em campo (afinal, não é pouca coisa disputar o título paulista) para chamar a atenção e a responsabilidade de conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André e acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva): é preciso reestruturar o quanto antes a matriz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos aproveitar o ambiente de euforia mais que justa do Ramalhão em campo (afinal, não é pouca coisa disputar o título paulista) para chamar a atenção e a responsabilidade de conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André e acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva): é preciso reestruturar o quanto antes a matriz contratual do futebol de Santo André.</p>
<p>Como se sabe e não custa repetir, o EC Santo André é a gênese do Saged. Vai completar três anos que o futebol de Santo André de quatro décadas foi privatizado pelo Saged. O EC Santo André continua com responsabilidade jurídica por muitas das contas que podem ser apresentadas no futuro, como várias que já foram quitadas. Por exemplo: toda a relação contratual com atletas tem o vínculo legal do EC Santo André, não do Saged.</p>
<p>Se o Saged contabilizar lucros, muitos lucros, o Santo André ficará com naco correspondente a 20 das 100 cotas negociadas com investidores. Se der prejuízo, a conta vai ultrapassar em muito esse limite. Afinal, é o EC Santo André que está potencialmente na berlinda.</p>
<p>Para encurtar a história, porque já escrevi alguns artigos sobre o assunto nos últimos dias, todos disponíveis neste site, exponho três alternativas para que a gestão do futebol em Santo André não seja contaminada por descompassos.</p>
<p>Primeiro: que o Saged desvincule-se formalmente o quanto antes da companhia do Esporte Clube Santo André e torne-se algo como Grêmio Santo André. Desta forma, assumiria todas as responsabilidades e vantagens da gestão independente que mantém. Isso mesmo: o EC Santo André não tem participação nos destinos do Saged, formado por acionistas sob a liderança e controle societário do empresário Ronan Maria Pinto. A representação institucional do Santo André no conjunto de acionistas é formal. Quando o Saged tomar essa providência, o EC Santo André não correrá o risco de sofrer duras perdas financeiras nem usufruirá de possíveis lucros de agiotagem, porque, repito, não tem nenhum poder de gestão do empreendimento privado sobre o qual não endereço preconceito algum. Muito pelo contrário: empresa é para dar lucro. Empresa de futebol que dá lucro certamente é empresa vitoriosa dentro de campo.</p>
<p>Segundo: que o EC Santo André reivindique a devolução do comando do futebol ao Saged, entre outros motivos porque o clube-empresa deixou de cumprir cláusulas contratuais que constam do estatuto social &#8212; embora o teor desse instrumento seja segredo para acionistas do Saged e principalmente para dirigentes e conselheiros do EC Santo André.</p>
<p>Terceiro: que o EC Santo André e o Saged firmem acordo de co-responsabilidade diretiva de tal ordem que o passado e o presente de glórias do futebol sejam respeitados e as decisões, compartilhadas. Aliás, foi sob essa perspectiva que se aprovou o projeto de fortalecimento do futebol de Santo André. Tanto que o ex-presidente do EC Santo André, Jairo Livolis, e o em seguida igualmente presidente do EC Santo André, Celso Luiz de Almeida, ocuparam cargos decisórios no Saged dos primeiros tempos. Acabaram, tanto eles quanto o Esporte Clube Santo André, soterrados por Ronan Maria Pinto.</p>
<p>A melhor opção seria a terceira, porque preencheria os propósitos da transferência do futebol para o Saged. Entretanto, não creio que tenha sustentação. Possivelmente, se anunciada, não passaria de embromação. As características empresariais de Ronan Maria Pinto, que multiplica impetuosidade, individualismo, controle absoluto da situação e interesses que vão muito além do futebol, definitivamente seriam contestadas pela direção do EC Santo André. Menos, se a direção do EC Santo André fingir que de fato compartilha o poder. Seria uma aproximação para inglês ver.</p>
<p>A opção mais viável é mesmo a criação do Grêmio Santo André, aproveitando-se de jurisprudência que permitiu a formação do Grêmio Prudente sem colocar em risco a posição hierárquica daquele clube-empresa nas esferas estadual e nacional. Desta forma, Santo André continuaria a contar com representação no futebol. É claro que será preciso acertar as contas do contrato que reservou 20 cotas ao EC Santo André. Aliás, um contrato leonino para o clube do Parque Jaçatuba, que detinha integralmente a patente do futebol como também imensa lista de jogadores.</p>
<p>A opção menos potencialmente factível (pelo menos enquanto não surgir na praça outro grupo de interessados no futebol da cidade) é a devolução do futebol ao Esporte Clube Santo André. Quando resolveu entregar a rapadura, em 2007, Jairo Livolis havia esgotado todas as tentativas para manter o futebol competitivo. Com Ronan Maria Pinto o Santo André elevou os níveis de investimentos e de recursos estruturais. Entretanto, como não há informações oficiais sobre as finanças do Saged, o que prevalece é imenso ponto de interrogação. Estaria o Saged afundado em dívidas ou nadando em dinheiro? Qualquer que seja a realidade, as 20 cotas do EC Santo André exigiriam prestação de contas. Entretanto, não há no EC Santo André ninguém com disposição para encaminhar o assunto. O que estaria fazendo o Conselho Deliberativo nestas alturas do campeonato?</p>
<p>O que vai acontecer no futebol do Santo André dependerá de conselheiros e dirigentes do Esporte Clube Santo André e dos acionistas do Saged. Quem continuar negligenciando e empurrando com a barriga terá de prestar contas à sociedade civil.</p>
<p>Vamos comemorar para valer os resultados do Ramalhão. Mas não vamos esquecer o dia seguinte. Não faltam exemplos na praça de que depois da bonança de bons resultados em campo costuma vir a tempestade de complicações administrativas e financeiras fora de campo.</p>
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		<title>Final de semana quase perfeito  para o futebol do Grande ABC</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/final-de-semana-quase-perfeito-para-o-futebol-do-grande-abc/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 18:57:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Se o Santo André consegue o ineditismo de classificar-se à final da Série A do Campeonato Paulista, se o São Caetano ganha e vai disputar a final do título do Interior e se o São Bernardo vence e está a apenas um ponto da mesma Série A do Campeonato Paulista, o que teria faltado ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se o Santo André consegue o ineditismo de classificar-se à final da Série A do Campeonato Paulista, se o São Caetano ganha e vai disputar a final do título do Interior e se o São Bernardo vence e está a apenas um ponto da mesma Série A do Campeonato Paulista, o que teria faltado ao futebol do Grande ABC no final de semana que passou?</p>
<p>Simples, simples e simples: faltou o Santo André não decepcionar na derrota para o Grêmio Prudente, quanto ficou a um gol da eliminação.</p>
<p>Pior que a derrota foi a confirmação de que o sistema defensivo continua uma lástima, o que gera insegurança coletiva.</p>
<p>Quando do outro lado da final encontra-se um Santos arrebatador, acho melhor colocar as barbas de molho. Se o técnico Sérgio Soares não reforçar a marcação, poderemos ter decisão histórica também em resultado. O Santo André é candidatíssimo a ser goleado, como a Ponte Preta o foi pelo Palmeiras em 2008 por 5 a 1 e, naquela mesma temporada, o Juventude caiu de oito diante do Internacional de Porto Alegre.</p>
<p>Repito o conceito para que não haja deturpação do conteúdo; se o Santo André não alterar o sistema de jogo que tanto sucesso ofensivo fez na competição, encontrará no Santos locomotiva em sentido contrário que o amassará sem dó nem piedade.</p>
<p>Portanto, está nas mãos do técnico Sérgio Soares a porção de competência tática para permitir que o Santo André termine a competição com dignidade de finalista, não apenas como ponto fora da curva de probabilidades que indicariam qualquer um dos demais times grandes a ocupar a vaga.</p>
<p>Terminar com dignidade uma decisão de campeonato esse espetacular Santos prescinde da vitória e do título. Basta ser adversário à altura do melhor time brasileiro deste começo de temporada. Ganhar seria épico.</p>
<p>Já no jogo de ontem num Estádio Bruno Daniel espalhafatosamente preparado para recepcionar o finalista, o que tivemos, além da empáfia de comemoração antecipada com profunda partidarização política, foi uma equipe que em poucos minutos se deu conta de que exageraram na dose ao tratá-la como vencedora precoce do confronto com um adversário de rendimento inferior na semana anterior.</p>
<p>O Santo André de dentro de campo refletiu o anarquismo dos dias que precederam ao jogo. Anarquismo no sentido de politizar exageradamente a disputa, com excesso de cores do Paço Municipal em associação com a direção do Saged, empresa que administra o futebol da cidade. A contaminação do elenco foi automática.</p>
<p>Quando se deu conta de que o Grêmio Prudente veio para jogar com três atacantes e por isso mesmo concedeu falsos espaços de organização no meio de campo, fechando-se nas proximidades da grande área, o Santo André caiu na real de que não teria moleza. Como não teve.</p>
<p>Tanto não teve que, embora tardiamente, porque correu muitos riscos, decidiu jogar com o regulamento debaixo do braço. Sérgio Soares substituiu atacantes por defensores nos últimos 15 minutos para sustentar a desvantagem de apenas um gol.</p>
<p>Não tenho dúvidas de que o Santo André se deixou levar pelo exagero. Tanto que o Diário do Grande ABC anunciou em letras garrafais numa das últimas edições antes do jogo que o treinamento tático da equipe, fechado aos curiosos, foi o último preparativo para o &#8220;show&#8221; que viria no domingo.</p>
<p>Show de horrores, é bom dizer. O time fez provavelmente a pior apresentação na temporada. Deixou-se trair pelo entusiasmo desregrado e, em seguida, pela insegurança da desvantagem no placar &#8212; situação que tornou precária a vantagem do regulamento.</p>
<p>É claro que a eliminação do Santo André poderia ser avaliada como duro castigo para uma equipe que, depois do Santos, mais entusiasmou quem gosta de futebol bem jogado, com criatividade, triângulos móveis, alternativas de ataque. Uma equipe que, não fosse o Santos em estado de graça, estaria arrebatando muitos corações neste País.</p>
<p>O problema todo é que há a pedra do Santos no caminho, um adversário que pode se dar ao luxo de também descuidar-se da defesa, embora ontem contra o São Paulo o técnico Dorival Júnior tenha dado mais consistência ao setor ao reforçar a marcação no meio de campo. Algo que Sérgio Soares insistiu em desdenhar. Só mudou de ideia ao perceber que a vaca poderia ir para o brejo.</p>
<p>Não há incoerência em sugerir que Sérgio Soares mude o sistema tático nos jogos decisivos. Primeiro porque atenuaria a vulnerabilidade defensiva. Segundo porque o Santo André vem encontrando cada vez mais dificuldades para surpreender os adversários, marcado com mais atenção nos pontos fortes de jogadas mais agudas. Terceiro porque o Santos que está aí dispensa comentários.</p>
<p>Já o técnico do São Caetano, Roberto Fonseca quebrou o predomínio da metodologia inabaláveis e defensivamente cuidadosa quando, no segundo tempo, com um jogador a mais em campo e à beira de um ataque de nervos porque precisava vencer o Oeste de Itápolis, colocou três atacantes em campo, retirando jogadores menos ofensivos.</p>
<p>Com isso, o São Caetano foi para o tudo sem dar possibilidades do contraponto do nada. Avançou os zagueiros e contou com o volante Jairo inspiradíssimo na proteção da defesa, principalmente pela direita onde Arthur mais marcador foi trocado pelo atacante Wendel. Ganhou o São Caetano nos minutos finais e vai para uma decisão com um Botafogo de Ribeirão Preto montado pelo próprio técnico Roberto Fonseca, trazido daquele tricolor como substituto de Antonio Carlos, contratado pelo Palmeiras.</p>
<p>Interessante o destino de Roberto Fonseca, porque pode ser campeão com um time preparado pelo treinador que o antecedeu e pode perder o título para um treinador que o sucedeu. Suas digitais estão nos dois grupos de jogadores. No Botafogo pela montagem do elenco. No São Caetano pela importância de fazer o possível para adaptar a equipe a seus fundamentos teóricos e práticos.</p>
<p>Para completar, mais de 13 mil pessoas que pagaram ingresso a R$ 5 viram o São Bernardo vencer o União de Santa Bárbara do Oeste e, com isso, praticamente encomendar uma das vagas à Série A do Campeonato Paulista do ano que vem. Se não houver comemorações antecipadas do tipo Ramalhão do final de semana, o São Bernardo festejará o acesso já neste sábado em casa contra o Pão de Açúcar e enfrentará o Linense na última rodada no Interior sem precisar de mais nada senão cumprir a tabela.</p>
<p>Por fim, reparem no texto da semana passada a respeito do futuro do Grande ABC neste final de primeira etapa da temporada: escrevi que o Santo André enfrentaria o Santos nas finais, que o São Bernardo subiria e que o São Caetano jogaria com o Botafogo a decisão do Interior. De vez em quando acerto nesse lotérico mundo do futebol.</p>
<p>Agora, para o próximo final de semana, algo me diz que teremos a classificação matematicamente garantida do São Bernardo, a vitória no primeiro jogo da decisão de um São Caetano que evolui com consistência e, se Sérgio Soares não tomar juízo defensivo, uma nova goleada do Santos. Se Sérgio Soares tomar juízo, a provável derrota estará absolutamente dentro da normalidade. Ou seja: sofrerá não mais que três gols. Uma façanha, convenhamos.</p>
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		<title>Ramalhão de Ouro merece muito  mais que toneladas de alimentos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 20:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por mais providencial que seja, embora eivada de politização, a campanha da direção do Santo André para levar massa considerável de espectadores ao Estádio Bruno Daniel na decisão de domingo não pode esconder o estágio de esfacelamento popular de um clube fundado há quase meio século.
Trocar ingresso por alimento é saída criativa, sem dúvida, mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por mais providencial que seja, embora eivada de politização, a campanha da direção do Santo André para levar massa considerável de espectadores ao Estádio Bruno Daniel na decisão de domingo não pode esconder o estágio de esfacelamento popular de um clube fundado há quase meio século.</p>
<p>Trocar ingresso por alimento é saída criativa, sem dúvida, mesmo acoplada de interação partidária que, espera-se, acorde o Poder Público para a importância do futebol. Entretanto, não é suficiente para subestimar uma realidade nua e crua.</p>
<p>Que realidade nua e crua é essa? Sem esquema especial de sensibilização de torcedores ocasionais, o Santo André correria o risco de jogar para público ínfimo uma das partidas mais importantes da história. O topo, como se sabe, foi a conquista da Copa do Brasil.</p>
<p>Longe de mim atribuir à direção do Saged, que controla o futebol do EC Santo André há três anos, toda a carga do estado de penúria a que chegou a cidadania esportiva da cidade. O processo é longo e duradouro, sobre o qual eventuais mobilizações terão enormes dificuldades de sucesso, embora não devam jamais ser descartadas.</p>
<p>A direção do Saged, ou seja, os acionistas da empresa que mantém o futebol de Santo André, também tem parte de culpa no cartório de comodismo, porque ainda não atentou a ações de marketing para aumentar a rede de aficionados da equipe. Entretanto, quem entre os dirigentes do passado retirar da seringa a porção que lhe compete, não passará de demagogo.</p>
<p>Como um navio abalroado que afunda numa perspectiva de horas, a escassez de torcedores no Estádio Bruno Daniel reúne vários componentes. O maior é a centralização da TV aberta na divulgação dos grandes clubes do Estado.</p>
<p>As equipes do Grande ABC sofrem muito mais com a influência televisiva. Por razões topográficas e tecnológicas, a região não conta com retransmissoras das grandes redes. É muito importante contar com janelas de programação que abrem espaço à divulgação de notícias locais. Na Baixada Santista, na Grande Campinas, na Grande Sorocaba, em tantas outras regiões do Estado é exatamente isso que acontece. A perda líquida de fidelidade de torcedores dessas áreas para os grandes clubes é menos intensa.</p>
<p>Se antes da descoberta do esporte pela TV aberta tinha-se no Grande ABC o que chamei numa antiga crônica de culto à camisa dividida, o tempo tratou de apagar as cores e o distintivo do Santo André em larga parcela dos esportistas. No Interior, as camisas divididas são proporcionalmente maiores.</p>
<p>Arquibancadas dos jogos de Ponte Preta, Guarani, Botafogo de Ribeirão Preto e de outros clubes tradicionais do Estado são menos desproporcionais quando de encontros com torcedores dos grandes clubes paulistas do que no Grande ABC.</p>
<p>Se qualquer uma dessas equipes ocupasse o lugar do Santo André no Campeonato Paulista desta temporada, aqueles municípios estariam em ebulição. Até Presidente Prudente, que acaba de adotar uma equipe renitentemente chamada de Grêmio Barueri deu respaldo nas arquibancadas no jogo do último domingo sem recorrer a artificialismos.</p>
<p>O Santo André que joga domingo no Bruno Daniel podendo até perder para decidir o título paulista com o Santos só não é badalado em todo o País porque deu o azar de ter como rival de manchetes o time de Neymar e companhia. A disparidade de representação popular colocou o Santo André na penumbra santista. Futebol e negócios são faces da mesma moeda.</p>
<p>Não fosse o deslumbrante Santos a enfiar gols atrás de gols em quase todos os adversários, o Santo André seria o time da moda paulista. Ou não deveria sê-lo depois de, conforme revelação da Folha de S. Paulo, tornar-se o clube do Interior o mais produtivo em gols na história do futebol do Estado?</p>
<p>Nenhuma equipe fora do circuito dos grandes clubes paulistas conseguiu na competição estadual mais importante do País registrar média de gols que se assemelhe ao Santo André desta temporada.</p>
<p>O Santo André é um time dos sonhos de quem gosta de gols. Inclusive porque se descuida tanto na defesa que seus jogos além de não terem placar em branco, têm também muitos gols dos adversários.</p>
<p>Embora este Ramalhão de Ouro mereça muito mais que um quilo de arroz, um quilo de feijão, um quilo de batata, um quilo de qualquer outra coisa de cada morador do Município, a campanha lançada nesta semana encaixa-se no conceito popular de que dos males é o menor.</p>
<p>A iniciativa da direção do Santo André é inteligente, mesmo que contaminada de política.</p>
<p>Primeiro porque evitará que um futebol tão esfuziante seja levado a um gramado tendo nas arquibancadas gatos pingados que mal chegam à média de 1,5 mil torcedores em jogos contra equipes de igual perfil.</p>
<p>Segundo porque permitirá que famílias pobres recebam donativos.</p>
<p>O ônus da política incrustada no movimento deve ser minimizado. Equipes de porte médio e pequeno estarão sempre sujeitas a infiltrações pontuais de interesses que fogem da tradição esportiva dos grandes clubes. Faz parte do show e assim deve ser tolerada a investida municipal de um prefeito campeão absoluto em carisma. Até porque não seria a primeira nos 40 e tantos anos de Santo André.</p>
<p>Colocar o Fundo de Solidariedade de Santo André na multiplicação de postos de trocas de ingressos por alimentos é uma jogada e tanto.</p>
<p>O Santo André fez do limão do descaso popular a limonada da solidariedade social.</p>
<p>Se toneladas de alimentos ganharem também a forma de incentivo nas arquibancadas, em vez da passividade de torcedores de ocasião, melhor ainda.</p>
<p>Trata-se, portanto, de uma jogadaça de criatividade à altura do time de Sérgio Soares, responsável principal pela organização técnica e tática de uma das equipes mais importantes da história do clube.</p>
<p>Espera-se, apenas, que o resultado final fora de campo não obscureça a capacidade de compreensão do quadro socioesportivo que cerca o futebol de Santo André, integralmente em crise de identidade.</p>
<p>Espera-se também que o ambiente festivo da escapatória encontrada para evitar um vexame popular de arquibancadas com imensos vazios não contamine o espírito de competitividade do time que entrará em campo para uma das jornadas mais importantes de sua trajetória.</p>
<p>Não se trata em princípio de um jogo de festa. Não faltam exemplos para manter o técnico Sérgio Soares e os jogadores longe do oba-oba dos alimentos.</p>
<p>Esse Ramalhão de Ouro merecia uma torcida de verdade, autêntica, fiel em todas as situações, esportivamente frequente, não apenas humanisticamente ocasional.</p>
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		<title>Que capitalismo é esse que  envolve Santo André e Saged?</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 20:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Publiquei em agosto de 2006, portanto há quase quatro anos, matéria especial sobre a transformação em curso no Santo André: a substituição do clube romântico, que fez tanto sucesso ao longo dos anos num regime esportivo igualmente romântico, por um clube empresarial. A efetivação legal do Saged (Santo André Gestão Empresarial Desportiva Limitada), só se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publiquei em agosto de 2006, portanto há quase quatro anos, matéria especial sobre a transformação em curso no Santo André: a substituição do clube romântico, que fez tanto sucesso ao longo dos anos num regime esportivo igualmente romântico, por um clube empresarial. A efetivação legal do Saged (Santo André Gestão Empresarial Desportiva Limitada), só se deu em maio do ano seguinte, em 2007. O modelo capitalista imaginado está longe de ser alcançado. Mas precisa ser buscado, para o bem do Esporte Clube Santo André e do Saged.</p>
<p>Reproduzir aquela matéria é questão fundamental para quem pretende compreender sem mistificações e enrolações o que se passou com o futebol profissional de Santo André desde então. Sobretudo neste momento em que este jornalista toma a iniciativa de contestar o arremedo de contrato entre Esporte Clube Santo André e Saged. Há informações que dão conta de que tanto conselheiros do EC Santo André quanto acionistas do Saged pretendem reagir para resolver o problema. Tomara que tudo não termine em pizza, como é comum por estas e por outras bandas.</p>
<p>Estranha-se apenas que o ex-presidente Jairo Livolis, idealizador da privatização do Esporte Clube Santo André como clube-empresarial, se mantenha em silêncio, mesmo após tomar conhecimentos dos textos que escrevi sobre o assunto.</p>
<p>O Santo André deixou de ser clube romântico para, nas vestes do Saged, tornar-se empresa esportiva.</p>
<p>O grande e imenso problema é que a empresa esportiva não assume todos os riscos e também todas as vantagens, porque ainda transfere obrigações e deveres ao clube social.</p>
<p>Como se sabe, EC Santo André é uma coisa, Saged é outra. Oficialmente, para efeitos jurídico-esportivos, o EC Santo André é o representante de Santo André no futebol profissional. Mas de direito, as decisões estão centralizadas no Saged.</p>
<p>O Saged é um empreendedorismo de riscos limitados, porque passivos poderão ser juridicamente repassados ao Esporte Clube Santo André.</p>
<p>A solução é o Saged tornar-se Grêmio Santo André ou algo parecido. Ganharia autonomia completa. Ronan Maria Pinto seria o representante legal da associação em esferas esportivas, jurídicas e sociais. Celso Luiz de Almeida representaria apenas o Esporte Clube Santo André, dono do Poliesportivo do Parque Jaçatuba.</p>
<p>O Grêmio Barueri, agora Grêmio Prudente, é a jurisprudência de que precisaria o Saged para tomar a iniciativa de alterar o contrato vigente.</p>
<p>Também o Votoraty, que trocou Votorantim por Ribeirão Preto, reforça a jurisprudência.</p>
<p>Qualquer dia no futuro o Grêmio Santo André pode virar Grêmio Piracicaba, e estamos conversados.</p>
<p>Porteira que passa um boi passa uma boiada.</p>
<p>Coração nenhum de torcedor de verdade é de aluguel, mas os clubes, pelo andar da carruagem, principalmente os clubes mais suscetíveis às artimanhas de negócios, esses podem trocar de camisa a qualquer momento. Os torcedores do Grêmio Prudente são torcedores do Grêmio Prudente, não do Grêmio Barueri, origem da estrutura empresarial expurgada do Município da Grande São Paulo. Os deserdados do Grêmio Barueri que adotem o novo clube da cidade e percorram a subida morro acima de retorno à principal divisão de futebol do Estado de São Paulo.</p>
<p>Se o eventual Grêmio Santo André resolver bater asas em direção a Piracicaba, tenham certeza os leitores que aquela cidade do Interior vai adorar recepcionar um time da Série A Paulista e da Série B Nacional. Vão gritar Grêmio Piracicaba a todo fôlego.</p>
<p>Sempre fui favorável ao empreendedorismo no futebol, porque os tempos são outros em praticamente todas as manifestações culturais. Se até atividades circenses se profissionalizaram, por que o futebol seria diferente?</p>
<p>Já não se vive apenas de glórias. Os craques do passado, mesmo os melhores e mais badalados craques do passado, nem de longe acumularam vencimentos e patrimônios de jogadores apenas regulares desde que a televisão descobriu a força de marketing do futebol. Não seria o Santo André órfão de representatividade social já faz muito tempo, que fugiria do modelo de negócios.</p>
<p>Também os dirigentes esportivos do passado, mesmo os dirigentes mais espertos de clubes que inclusive nem existem mais, jamais encontraram tanto campo aberto para incursões ou mesmo para remunerações funcionais que bem mereciam. Diferentemente de dirigentes e executivos atuais da maioria dos clubes, cujas histórias de bastidores não são contos de fada. Até porque, se forem, estarão roubados. Capitalismo é isso mesmo. Voluntarismo é outra coisa.</p>
<p>É preferível, portanto, que os clubes que não se sustentam no modelo antigo passem mesmo para o outro lado do muro, do muro do empreendedorismo, sem que em princípio tenham qualquer obrigação de prestar contas a terceiros. Que restrinjam os balancetes aos próprios investidores e administradores.</p>
<p>Mas esse não é o caso dessa mistureba de EC Santo André e do Saged. Os números do Saged são segredo de Estado, a administração é autocrática, as medidas começam e terminam na presidência. Um modelo válido no regime empresarial. Não no modelo explicitado no contrato entre Saged e EC Santo André.</p>
<p>A introdução desse temário num momento de glória do futebol de Santo André é proposital porque risca qualquer possibilidade de se tocar no assunto e se procurar medidas restauradoras por conta de eventual infortúnio esportivo.</p>
<p>O desafio do futebol profissional de Santo André não é esportivo, puramente esportivo, em boa ou em má temporada da equipe.</p>
<p>O desafio é outro: é de transparência, de responsabilidade e de correções de uma rota desenhada com entusiasmo. Como mostrarei amanhã neste espaço sob o título &#8220;<a href="http://www.capitalsocial.com.br/esportes/santo-andre-capitalista-para-resistir-a-avalanche-no-futebol/">Santo André capitalista para resistir à avalanche no futebol</a>&#8220;. O título original da matéria publicada na edição de agosto de 2006 na revista LivreMercado (então sob meu controle editorial) resumia-se a &#8220;Santo André capitalista&#8221;. Precisava mais?</p>
<p>Que capitalismo é esse que envolve Santo André e Saged cujo desenlace está a léguas de distância do que mostraremos no texto programado para amanhã?</p>
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		<title>Ramalhão, Azulão e Tigre: três  certezas e três grandes dúvidas</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 18:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os jogos do final de semana que envolveram equipes do Grande ABC deixam três certezas relativas e três dúvidas estratégicas. As certezas relativas são as seguintes: o Santo André já está nas finais do Campeonato Paulista, contra o Santos. O São Caetano já está nas finais do título do Interior contra o Botafogo de Ribeirão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os jogos do final de semana que envolveram equipes do Grande ABC deixam três certezas relativas e três dúvidas estratégicas. As certezas relativas são as seguintes: o Santo André já está nas finais do Campeonato Paulista, contra o Santos. O São Caetano já está nas finais do título do Interior contra o Botafogo de Ribeirão Preto. E o São Bernardo já está entre os quatro finalistas da Série B do Campeonato Paulista, com consequente acesso à Série A.</p>
<p>Agora vêm as dúvidas estratégicas: o Santo André seria um Juventude, finalista do Campeonato Gaúcho de 2008, goleado impiedosamente pelo Internacional, ou mesmo uma Ponte Preta, do mesmo ano, goleada na final pelo Palmeiras no Parque Antártica? O São Caetano ganharia o título do Interior mas não conseguiria fazer do Paulista o melhor trampolim para a Série B do Campeonato Brasileiro? E o São Bernardo, chegaria à Série A do Campeonato Paulista do ano que vem com o destino carimbado de retorno imediato à Série B, como os quatro times que subiram no ano passado e foram rebaixados este ano?</p>
<p>Francamente, não boto fé em nenhuma das possibilidades reunidas nas dúvidas estratégicas, por razões que vou explicar. Antes, traduzo o significado do conceito de certeza relativa, porque é provável que algum preciosista da linguagem tente me desclassificar por adjetivar o que aparentemente não teria adjetivação. Espero ser feliz na definição.</p>
<p>Trata-se do seguinte: certeza relativa é tudo que nos envolve na vida, menos a morte, esta sim certeza absoluta, absolutamente certa.</p>
<p>Mais uma tentativa de definição, porque o assunto é complexo: certeza relativa é tudo aquilo que parece tão evidente que somente o imponderável, o Sobrenatural de Almeida, poderia alterar.</p>
<p>Um exemplo de certeza absoluta que virou certeza relativa e que se provou grande derrapada: a mais que iminente queda do Fluminense no ano passado à Série B do Brasileiro.</p>
<p>Quem, em santa consciência, seria capaz de apostar um tostão sequer na salvação do Fluminense?</p>
<p>É sob esse ângulo explicativo que tanto o Santo André está nas finais do Paulista contra o Santos, o São Caetano na final do título do Interior contra o Botafogo de Ribeirão Preto e o São Bernardo pronto para comemorar uma das quatro vagas de acesso à Série A do Campeonato Paulista.</p>
<p>Menos mal, muito menos mal, que as dúvidas que igualmente atingem as três equipes do Grande ABC sejam menos que dúvidas relativas. São dúvidas estratégicas. Afinal, o que são dúvidas estratégicas e o que são dúvidas relativas?</p>
<p>Dúvidas relativas são resultados possíveis de acontecer num quadro de probabilidade que não pode ser desclassificado.</p>
<p>Dúvidas estratégicas são apenas um dispositivo de comedimento em análises para que se deixe aberta a possibilidade de desembarque de improvável tropeço.</p>
<p>Por isso, está na condição de dúvida estratégica tanto o Santo André ser goleado pelo Santos nas finais da Série A do Paulista, quanto o São Caetano entrar na Série B do Brasileiro ainda em busca de uma fórmula tática menos burocrática e o São Bernardo conhecer a alegria do acesso de forma tão efêmera quanto Monte Azul, Rio Branco, Rio Claro e Sertãozinho nesta temporada da Série A.</p>
<p>Resumidamente, porque o espaço assim o exige, exponho as razões de minhas certezas e dúvidas.</p>
<p>Sobre o Santo André: o time não jogou o que pode contra o Grêmio Prudente, chegou a ser ameaçado de derrota, mas mesmo abaixo da potencialidade mereceu a vitória porque enfrentou um adversário ainda em formação tática, que sobrevive de alguns valores. Sem nenhum grande destaque individual na partida, o Santo André jogou com relativa folga no segundo tempo. O que sugere a possibilidade de a equipe ser um Juventude ou uma Ponte Preto redivivos é a fragilidade do sistema defensivo. É impressionante como os adversários chegam facilmente ao gol de Júlio César. O Santo André é um tormento no ataque e uma alucinação na defesa. Sem equilíbrio, o sonho do título poderia virar um pesadelo.</p>
<p>Sobre o São Caetano: jogar em casa contra o Oeste de Itápolis precisando de vitória simples para decidir o quase inexplicável título de campeão do Interior é o que menos preocupa, porque bem ou mal a equipe deverá valer-se da força defensiva e espetará o adversário lá na frente. O que inquieta é a pobreza do repertório ofensivo. O São Caetano precisa dar um jeito na partitura monocórdia. Exceto Vanderlei, o virtuoso, os demais seguem uma toada por demais manjada. O técnico Roberto Fonseca precisa surpreender o adversário no próximo jogo. Nada melhor que mexer na mobilidade ofensiva da equipe, o que implica experimentos individuais no ataque, no meio de campo e eventualmente nas laterais. O São Caetano já atingiu nível satisfatório para iniciar a Série B do Brasileiro, mas para concorrer para valer a uma das quatro vagas à Série A precisa melhorar o repertório ofensivo.</p>
<p>Sobre o São Bernardo: vi poucas vezes e mesmo assim entrecortadamente a equipe que vai levar o Grande ABC a inédita terceira vaga na Série A do Campeonato Paulista, ano que vem. O que preocupa é a possibilidade de enclausuramento, que pode ser traduzido como espécie de blindagem à construção de um novo patamar organizacional para tornar a equipe frequentadora permanente do principal campeonato regional do País. Que não se enganem os dirigentes do Tigre, porque o buraco é bem mais embaixo na Série A do Paulista. Seria muito pior se em vez de 20, fossem não mais que 16 os participantes. Um limite mais que justo no regime empresarial em que se instalou o futebol brasileiro de calendário apertadíssimo.</p>
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		<title>Um casamento frustrado que  não tem razão de continuar</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/esportes/um-casamento-frustrado-que-nao-tem-razao-de-continuar/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2010 20:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Não esperem manifestações explícitas de dirigentes e de conselheiros do Esporte Clube Santo André e de acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva) quanto à importância de separar esses corpos que já não dormem juntos há muito tempo.
Aliás, praticamente jamais dormiram juntos, embora o arranjo matrimonial tenha sido concebido com essa finalidade.
Talvez se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não esperem manifestações explícitas de dirigentes e de conselheiros do Esporte Clube Santo André e de acionistas do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva) quanto à importância de separar esses corpos que já não dormem juntos há muito tempo.</p>
<p>Aliás, praticamente jamais dormiram juntos, embora o arranjo matrimonial tenha sido concebido com essa finalidade.</p>
<p>Talvez se tenha perdido apenas a virgindade, por conta de aproximação inicial em breve lua-de-mel.</p>
<p>Depois, o relacionamento foi marcado por trairagens solenes, para não escrever outra coisa menos educada.</p>
<p>Esperar que dirigentes, conselheiros e acionistas saiam a campo é acreditar que haja massa crítica disposta a expor-se publicamente. A maioria, ou quase totalidade, prefere comentários de bastidores, conversas em bares e restaurantes.</p>
<p>É para situações como essa que existem jornalistas. Nesse caso, mais que jornalista, um formulador de proposta com base na realidade dos fatos. Se fosse esperar que alguém se pronunciasse, este jornalista ficaria a ver navios. A idéia de dar nova denominação ao representante do futebol de Santo André saiu de um desses momentos de meditação a que me lanço quase diariamente, em corridas para manter o fôlego em dia e a mente azeitada.</p>
<p>O EC Santo André, representante do Parque Poliesportivo, e o Saged, que representa o futebol profissional, vão completar três anos de união tão fajuta quanto deformada. Está na hora, portanto, de colocar os pratos a limpo. Antes que seja tarde.</p>
<p>Da mesma forma que o Saged não quer ficar sob a tutela questionadora e fiscalizadora, quando não co-participante do Esporte Clube Santo André, o Esporte Clube Santo André não pode continuar dando retaguarda legal a um empreendimento gerenciado com completa autonomia por acionistas.</p>
<p>Quem apostou que EC Santo André e Saged construiriam exemplo espetacular de sucesso no futebol não pode, nestas alturas do campeonato, insistir num erro prático que se sobrepôs ao acerto teórico.</p>
<p>Quando o então presidente do EC Santo André, Jairo Livolis, formulou a proposta de repassar o futebol do EC Santo André para uma empresa, ninguém ousou contestar. Nada mais sensato. O EC Santo André já não encontrava horizonte de sustentação competitiva num ambiente em que empresários do futebol e mesmo de fora do futebol dão as cartas e jogam de mão. É assim no mundo inteiro.</p>
<p>Nem no mundo do circo se permitem mais devaneios. Está aí o aposentado Orlando Orfei que não me deixa mentir. E o Circo de Soleil também.</p>
<p>O contrato de repasse de obrigações e direitos envolvendo o Esporte Clube Santo André e o Saged foi, entretanto, leonino.</p>
<p>Primeiro, porque o Esporte Clube Santo André não recebeu absolutamente nada pelo naco das ações que constituíram o Saged, quando tornou-se detentor de apenas 20% dos 100% que lhe pertenciam.</p>
<p>Segundo, porque o Esporte Clube Santo André permitiu que, diante de mudanças diretivas no Saged, fosse excluído de qualquer poder de mando na agremiação.</p>
<p>Os acionistas do Saged, principalmente Ronan Maria Pinto, passaram a dar tom em todas as deliberações. Os 20% do Esporte Clube Santo André são apenas uma fachada mal-ajambrada de uma associação de interesses com cartas marcadas.</p>
<p>No artigo anterior postado neste site acredito que destrinchei de forma suficientemente didática a encruzilhada em que se meteram o clube poliesportivo presidido há dois anos por Celso Luiz de Almeida e o futebol comandado pelo empresário Ronan Maria Pinto, diretor-presidente do Diário do Grande ABC.</p>
<p>Portanto, não há mais o que acrescentar para maiores esclarecimentos básicos. Ou seja: o futebol do Saged que tanto sucesso faz na Série A do Campeonato Paulista é um estorvo para o EC Santo André. E a recíproca é verdadeira.</p>
<p>A democracia do Saged é a democracia que em geral domina os ambientes empresariais &#8212; a democracia do dono das ações ou do articulador de controle da maioria das ações.</p>
<p>Este é o caso de Ronan Maria Pinto, um empresário que não nasceu para ser comandado em qualquer sociedade. Mais que isso &#8212; um empresário para mandar em qualquer sociedade que considere importante.</p>
<p>Traduzindo ainda mais em miúdos: dirigentes e conselheiros que fizeram história no Esporte Clube Santo André, que até 2007 representava de fato e de direito o futebol da cidade, não mandam numa agulha sequer no Saged, a sociedade civil que foi constituída para privatizar o futebol. Nem os acionistas do Saged têm qualquer influência nos destinos do Esporte Clube Santo André.</p>
<p>O que se imaginava de confluência de valores materiais e culturais que dariam suporte básico à queima de etapas na condução do Saged foi para a cucuia desde que Ronan Maria Pinto assumiu a direção executiva do futebol, depois do afastamento de Celso Luiz de Almeida e de Jairo Livolis, responsáveis pelo comando do Saged.</p>
<p>O modelo de romantismo puro representado pelo Esporte Clube Santo André não tinha futuro, reconheciam os dirigentes de então.</p>
<p>O modelo pragmaticamente empresarial do Saged também não tem a garantia de que terá futuro, porque a matéria-prima com que lidam as equipes de futebol no Brasil é volúvel, instável e problemática sob ângulos estritamente econômicos. Principalmente quando o mercado de exportação se reduz por conta dos rescaldos da crise internacional.</p>
<p>Nada assegura, portanto, que o Saged seja um grande empreendimento em termos de rentabilidade.</p>
<p>Tudo indicava, portanto, que o EC Santo André no modelo convencional de clube esportivo também não iria longe, sobretudo numa região complicadíssima em contar com a retaguarda da sociedade e dos torcedores.</p>
<p>Sei que já há movimentação de bastidores para retirar o EC Santo André das garras do Saged, da mesma forma que há medidas preliminares para livrar o Saged dos tentáculos do EC Santo André.</p>
<p>Cá entre nós, tanto o presidente Celso Luiz de Almeida quanto os conselheiros deliberativos do Esporte Clube Santo André cometerão o crime de omissão se não efetivarem medidas que rompam definitivamente com o quadro atual. Pela simples razão de que, repetimos, o EC Santo André conta com 20% das ações do Saged, não toca instrumento algum e amanhã, se der zebra, sofrerá duros prejuízos financeiros. Provavelmente se tornará um Exército de Brancaleone.</p>
<p>Aqueles que eventualmente estejam imaginando que este colunista está pregando no deserto correm o risco de cair do cavalo. De algum modo haverá mobilização em torno de questionamentos dessa parceria de araque.</p>
<p>Se não bastasse essa possibilidade concreta de que dirigentes e conselheiros do Esporte Clube Santo André não permitirão que se estique ainda mais o prazo de validade de um produto que já deveria ter sido lançado ao lixo, ainda sobra algo de que não abro mão: o legado de advertência que estes textos carregam e que me tornam no mínimo imune a qualquer tipo de responsabilidade efetiva, de omissão ou de aprovação do modelo que está aí.</p>
<p>Não posso esquecer que publiquei ampla matéria sobre a expectativa intensamente favorável de o clube-empresa que ganhou o nome de Saged fortalecer a estrutura empresarial do Santo André. Um texto que reproduzirei neste espaço na próxima semana.</p>
<p>Da mesma forma que o Diário do Grande ABC não cessa a mesopotâmica guerra de guerrilhas contra as prefeituras dirigidas pelo PT na região, este site não cessará disposição para massificar entre milhares de leitores que comprovadamente lhe dão respaldo de audiência qualificada essa iniciativa de mudança da nomenclatura e da estrutura jurídica dessa associação de faz-de-conta.</p>
<p>São medidas apenas semelhantes, porque na empreitada em favor do futebol de Santo André pesa unicamente a responsabilidade social de um veículo digital de comunicação, enquanto no primeiro caso, do Diário contra o PT, a questão é outra.</p>
<p>O futebol do Santo André será responsavelmente mais forte e confiável quando as decisões do Saged tiverem ampla liberdade e contrapartidas de sucessos e fracassos.</p>
<p>A história do Santo André continuará pertencendo ao Grêmio Santo André, pelo menos até o dia em que, como o Grêmio Barueri, o eventual novo clube-empresa mudar de ares. Não seria de se estranhar.</p>
<p>Afinal, o Santo André outrora tão prestigiado pela torcida tornou-se um clube de futebol bizarro no País, porque consegue ter mais (embora de baixa densidade) torcidas organizadas nas arquibancadas do que torcedores avulsos.</p>
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		<title>Grêmio Santo André no lugar  de EC Santo André, eis a saída</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 18:21:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vou escrever sobre um assunto complexo e abrasivo, mas não há escapatória em nome da transparência, da responsabilidade, da ética e do bom senso: o modelo de clube-empresa do Santo André é um atentado à lógica social, esportiva e negocial. Exatamente por isso, de imediato, é indispensável que, às portas de completar três anos, seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou escrever sobre um assunto complexo e abrasivo, mas não há escapatória em nome da transparência, da responsabilidade, da ética e do bom senso: o modelo de clube-empresa do Santo André é um atentado à lógica social, esportiva e negocial. Exatamente por isso, de imediato, é indispensável que, às portas de completar três anos, seja alterado profundamente. Mais que alterado, que seja sepultado. Antes que as consequências sejam terríveis. </p>
<p>Em vez de ser representado pelo Esporte Clube Santo André, sob a tutela do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva Ltda), o futebol profissional da cidade contaria com a figura jurídica do Grêmio Santo André. Algo semelhante ao que caracteriza o Grêmio Prudente, ex-Grêmio Barueri. </p>
<p>A torcida, cada vez menor entre os avulsos e cada vez mais subdividida entre os grupos organizados, continuaria a gritar Santo André o tempo todo. Nada seria, portanto, alterado. </p>
<p>Uma série de vantagens mútuas demarcaria a mudança, entre as quais a possibilidade de o Grêmio Santo André mudar de nome e de endereço, se assim seus acionistas decidirem. Como fez o Grêmio Barueri. </p>
<p>No regime de futebol empresarial que se consolida como alternativa ao modelo tradicional no Brasil, a transferência de um ativo futebolístico para outra cidade, como foi o caso do Grêmio Barueri, não deve ser vista como o fim da picada. Se Santo André é incapaz de dar respostas à grandeza de uma equipe de futebol, como se tem verificado há muitos anos por conta do afastamento gélido do público consumidor dos estádios e também por conta da ausência de televisão de massa, comum em outras regiões, como impedir que o empreendimento bata asas em direção a praça mais rentável? </p>
<p>Do jeito que está há três anos é que não pode ficar a relação entre o Esporte Clube Santo André e o Santo André Gestão Empresarial Desportiva.  </p>
<p>Corre-se o risco de responsabilização civil dos dirigentes, dos conselheiros e, principalmente, do Esporte Clube Santo André. Muito mais que dos dirigentes e acionistas do Saged. </p>
<p>Afinal, não há a menor integração entre essas duas faces de uma laranja que era representada até 2007 unicamente pelo Esporte Clube Santo André, fundado em 1967. </p>
<p>EC Santo André e Saged não se misturam. </p>
<p>Há alguns ensaios que só servem para confirmar a suspeita de que tudo não passa mesmo de encenação. É impossível qualquer equação que convirja para ganhos sistêmicos entre duas porções antagônicas. Quem manda não abre mão do poder. Quem mandava não tem como retomar o mando. O controle financeiro do clube, com créditos e débitos, é o modelo de democracia que prevalece.  </p>
<p>Falta tanta integração entre o Esporte Clube Santo André e o Saged que dirigentes e acionistas não conseguem responder a uma questão simples: qual é o balanço financeiro destes três anos de parceria? </p>
<p>Sabe-se que ao Esporte Clube Santo André sobrou o ônus dos passivos do futebol anteriores à formatação da mudança, incrivelmente esterilizados da contabilidade do Saged. </p>
<p>O Saged fez um negócio da China, porque ficou com todos os ativos do EC Santo André e repassou automaticamente os passivos para o Clube Poliesportivo. Passivos que continuam sangrando a contabilidade do Esporte Clube Santo André, mesmo passados três anos das negociações. </p>
<p>Para que o EC Santo André não incomode o Saged e para que o Saged não se sinta pressionado pelo EC Santo André, o melhor a fazer mesmo é providenciar mudanças que confiram a nova nomenclatura e a nova configuração jurídica. </p>
<p>O EC Santo André, dono de um conjunto poliesportivo incrustado no Parque Jaçatuba, não pode eventualmente pagar o pato de desarranjos orçamentários do Saged, nem tampouco o Saged deve distribuir ao EC Santo André dividendos de uma empreitada empresarial da qual de fato é o único responsável, já que a direção do EC Santo André não tem poder de decisão algum. </p>
<p>Isso mesmo: embora tivesse entregue ao Saged todo o ativo futebolístico material e intangível erigido ao longo de quase quatro décadas, o Esporte Clube Santo André conta com apenas 20% das ações do Saged, sem qualquer direito assegurado de representação nas definições orçamentárias do clube-empresa. </p>
<p>A quem ainda não entendeu a equação, procurarei ser didático: o EC Santo André não manda em absolutamente nada nos destinos esportivos e financeiros do Saged, mas, em contrapartida, pode receber um presente de grego no futuro, ou seja, ficar com eventual mico de dívidas financeiras sobre as quais jamais sequer teve a menor responsabilidade executiva. </p>
<p>O desenho jurídico que transferiu do EC Santo André o ativo esportivo em favor do Saged é leonino para o clube poliesportivo em situação de desencanto de resultados financeiros tanto quanto é um transtorno para o Saged no caso de grandes sucessos financeiros com o futebol. </p>
<p>Trata-se, como se observa, de uma sociedade maluca, porque as duas partes desconfiam que estejam sendo ludibriadas. O Santo André porque tem 20% das ações mas não manda bulhufas e o Saged porque controla tudo e estaria desolado se tivesse que distribuir 20% para quem nada faz. </p>
<p>Não bastasse tudo isso, o EC Santo André teme que lhe sobrem dívidas estratosféricas num futuro não muito distante. </p>
<p>Trata-se de um negócio em que potencialmente os dois lados podem se arrepender profundamente, se já não o fizeram. </p>
<p>O Esporte Clube Santo André estaria chorando porque não viu a cor de dividendo algum até agora, segundo informações que obtive de várias fontes. Mais que isso: tem de socorrer o Saged nas dívidas trabalhistas anteriores ao repasse do futebol. E tudo indica que lhe sobrariam mais dívidas, principalmente trabalhistas, em caso de dissolução do Saged. </p>
<p>Já o Saged estaria incomodado porque sofre algum grau de observação de dirigentes e conselheiros do EC Santo André, aos quais, decididamente, não cede o menor espaço para decisões relevantes. </p>
<p>Como a jurisprudência é implacável, há sólidos estudos que asseguram a responsabilização do Esporte Clube Santo André por eventuais desatinos financeiros do Saged. </p>
<p>O Esporte Clube Santo André do presidente Celso Luiz de Almeida e de uma centena de conselheiros deliberativos não pode seguir nesse roteiro de faz-de-conta de que está tudo bem, porque não está nada bem. O descarrilamento do futebol pode custar muito caro ao patrimônio físico do Clube Poliesportivo, construído há quase 20 anos. </p>
<p>O Santo André Gestão Empresarial Desportiva do presidente Ronan Maria Pinto e de um agrupamento de acionistas não pode seguir nesse roteiro de faz-de-conta de que está tudo bem, porque não está. O sucesso do futebol pode custar muito caro ao patrimônio financeiro dos acionistas, resultante de ações negociais sem a mínima participação do Esporte Clube Santo André. </p>
<p>A única saída que se apresenta para preservar direitos e obrigações do Esporte Clube Santo André e do Santo André Gestão Empresarial Desportiva é a constituição do Grêmio Santo André sem a inclusão do Esporte Clube Santo André entre os acionistas. </p>
<p>Voltaremos ao assunto.  </p>
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		<title>Ramalhão ameaçado de desmanche;  São Caetano deve manter estrutura</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 20:07:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sucesso na Série A do Campeonato Paulista pode custar caro ao Santo André. O rendimento nem espetacular nem decepcionante pode ajudar o São Caetano a manter a estrutura. Eis as duas principais manchetes que deverão marcar a trajetória inicial das duas equipes do Grande ABC no próximo Campeonato Nacional. 
Como o mundo do futebol [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sucesso na Série A do Campeonato Paulista pode custar caro ao Santo André. O rendimento nem espetacular nem decepcionante pode ajudar o São Caetano a manter a estrutura. Eis as duas principais manchetes que deverão marcar a trajetória inicial das duas equipes do Grande ABC no próximo Campeonato Nacional. </p>
<p>Como o mundo do futebol está de cabeça para baixo e não existe, aparentemente, nenhuma regra que não tenha a potencialidade de ser violada, nem mesmo o possível desmanche do Santo André indicaria que a equipe teria roteiro de horrores no Campeonato Brasileiro. Afinal, está aí o Grêmio Prudente, ex-Grêmio Barueri que, mais que mudar de nome, praticamente montou novo elenco para o Campeonato Paulista e, mesmo assim, pode chegar entre os semifinalistas. </p>
<p>O peso da estrutura administrativa e técnica faz a diferença neste futebol em que o conjunto compensa a ausência de grandes craques. </p>
<p>O Santo André está na marca do pênalti porque resolveu abusar da ordem natural do futebol e, com uma campanha espetacular, se meteu entre os semifinalistas do campeonato. </p>
<p>Não estivesse na hora e no lugar errados, já que o Santos apareceu para estragar a retumbância da equipe de Sérgio Soares, nestas alturas do campeonato o Ramalhão estaria provocando muito mais frisson. E os resultados de eventual desmanche seriam mais espetaculares. Para o bem e para o mal. </p>
<p>Basicamente não há diferença entre a preparação do São Caetano e do Santo André para o Campeonato Paulista porque tanto um quanto outro lançaram as bases para disputar a Série B do Brasileiro. Mas nada resiste ao sucesso, assim como ao fracasso. No caso, apenas ao sucesso. </p>
<p>Há poucos jogadores do Ramalhão cujos contratos se encerram após o Paulista e, portanto, têm tudo para bater asas, como é o caso do atacante Rodriguinho, artilheiro do campeonato. Já o São Caetano, depois da experiência dolorida do ano passado, quando refez a equipe durante o Brasileiro, tratou de assegurar margem mais ampla de sustentação do elenco. </p>
<p>Como o Santo André faz mais sucesso nesta temporada e sofre a possibilidade de assédio insuportável, corre mais riscos de desmanchar a equipe sem compensação financeira redentora, porque a Lei Pelé terceirizou para os empreendedores de futebol os riscos e os lucros de investimentos em pé de obra. </p>
<p>Aliás, por falar em compensação financeira, o Santo André destes novos tempos de organização empresarial não se apresenta como exemplo de transparência das numeralhas que o envolvem. </p>
<p>Esse é um comentário que faço de passagem, mas prometo que não vou ficar apenas na superficialidade. Até porque, está prestes a se completar o terceiro ano de constituição oficial do clube-empresa e automaticamente há interesse em se conhecer os resultados. </p>
<p>Principalmente porque a negociação que culminou com o surgimento do clube-empresa tem participação e responsabilidade do clube poliesportivo. </p>
<p>Apenas para se entenda o caso: a sociedade civil responsável pelo futebol do Santo André é uma coisa, o clube socioesportivo com sede no Parque Jaçatuba, é outra. O problema é que pode sobrar para o clube poliesportivo todo o ônus legal por eventuais prejuízos que se acumulem no futebol. O que posso antecipar é que em três anos de composição de uma sociedade limitada, o Santo André Poliesportivo não viu a cor de qualquer tostão em forma de dividendos. E não sabe a quantas vão as despesas e eventuais dívidas. </p>
<p>Vão dizer os mais eufóricos que não é hora de jogar água no chope. Nem essa é a intenção. Mas também não se pode sequer pretender blindar as relações entre poliesportivo e futebol por conta do calendário esportivo. Ainda mais que, repito, aproxima-se o complemento do terceiro ano da concretização dessa negociação. Algo precisará ser feito para impedir que eventual desastre econômico-esportivo comprometa o clube do Parque Poliesportivo. </p>
<p>Por isso, a omissão da direção do clube poliesportivo e também dos acionistas do clube-empresa é uma calamidade ética. Têm-se a impressão que há um pacto do silêncio a permear as relações institucionais entre o clube poliesportivo e o clube-empresa, com o envolvimento geral e irrestrito de todos. Ou pelo menos da grande maioria dos dirigentes e investidores comprometidos com o futuro do futebol profissional de Santo André e também do clube poliesportivo. </p>
<p>A introdução de temário extra-esportivo neste momento não é fortuita. Tem tudo a ver com eventuais respostas financeiras que o Santo André obteria na venda do que antigamente se chamava de atestado liberatório dos jogadores. A situação contratual de atletas que despertam interesse de clubes de porte não assegura que os cofres serão recheados de reais. Há fatiamentos de todos os tipos à distribuição dos valores eventualmente amealhados. </p>
<p>É claro e certo que é muito melhor ter uma equipe que desperte desejos de terceiros por conta do brilho nos gramados do que contar com pernas-de-pau. Nesse ponto, a direção do Santo André não só está de parabéns, como também está convencida de que deve sempre entregar a profissionais da área, no caso o técnico Sérgio Soares e o diretor executivo Carlitos, autonomia controlada para a reestruturação do elenco, como se entregou para a montagem desse mesmo elenco. O rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado foi uma lição dura que o presidente Ronan Maria Pinto parece ter assimilado. </p>
<p>Por mais que futebol não seja um bicho-de-sete-cabeças, os dirigentes devem reconhecer que, da mesma forma que sabem distinguir cabeça-de-bagre de craque, somente os especialistas conseguem juntar as peças e dar sentido coletivo à individualidade tanto quanto individualidade ao sentido coletivo.   </p>
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		<title>Grande ABC, sinônimo de  veículos e também de futebol</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 19:58:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O futebol profissional do Grande ABC encerrou o primeiro trimestre desta temporada com fartos motivos para comemorações: o Santo André é semifinalista da Série A, o São Caetano ainda tem possibilidades, embora remotas, de classificação na mesma divisão e o São Bernardo chegou entre os oito primeiros que disputarão as semifinais da Série B.
Dirão os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O futebol profissional do Grande ABC encerrou o primeiro trimestre desta temporada com fartos motivos para comemorações: o Santo André é semifinalista da Série A, o São Caetano ainda tem possibilidades, embora remotas, de classificação na mesma divisão e o São Bernardo chegou entre os oito primeiros que disputarão as semifinais da Série B.</p>
<p>Dirão os perfeccionistas que não se trata da Série B, mas da Série A-2 do Paulista. Pura bobagem da Federação Paulista de Futebol, que, com trucagem semântica supostamente para valorizar as divisões de acesso, quer subestimar a lógica. Série A-2 é Série B e está acabado. Portanto, não saiam por aí dizendo que este cronista esportivo (cronista esportivo?) está por fora.</p>
<p>Cronista esportivo? Juro que botei a interrogação de propósito e de forma, mais que abusada, provocativa.</p>
<p>Como jornalista esportivo na origem, jovem de 15 anos em 1965 na revista Cinelândia e na Radio Luz, em Araçatuba, jamais deixei essa função. Até porque, militei durante muito tempo como repórter e depois editor no Diário do Grande ABC. Também no extinto jornal O Repórter tratei de correr atrás da bola. Na sucursal da Agência Estado atuei durante mais de uma década. E, para completar, jamais deixei de ver futebol com lentes de criticidade. Aliás, não consigo ver nada como profissional de jornalismo sem questionar.</p>
<p>Faço essas explicações para que ninguém me chame de penetra no mundo da bola. Tanto que sei exatamente quem é bamba nessa seara e quem não passa de enganador. Juca Kfouri, Tostão, Paulo Vinícius Coelho, e o agora saudoso Armando Nogueira, entre uma dezena de bons de bola, estão na lista de profissionais que admiro. Há um batalhão que vive do esporte mas é tão desinformado que dá pena. Outros fazem do esporte excelentes negócios.</p>
<p>Mas o que interessa mesmo nestas alturas dos campeonatos é o futuro próximo que pode consagrar o Santo André como segunda equipe da região a conquistar o principal título estadual do País, um São Caetano que deu provas de que vale a pena apoiar o grupo de jogadores e o treinador que superaram sábado à noite a Ponte Preta e um São Bernardo que empatou com o Linense e garantiu vaga às semifinais da Série B.</p>
<p>Já imaginaram o Grande ABC em 2011 com três representantes na Série A do Campeonato Paulista?</p>
<p>Jamais isso ocorreu na história regional.</p>
<p>Não interessa nesse momento discutir as bases estruturais de cada uma de nossas representações esportivas, porque sobre isso tenho sérias restrições. Vale mesmo imaginar essa santíssima trindade esportiva a divulgar um Grande ABC que, contraditoriamente, nos momentos de riqueza industrial e de farta mobilidade social, jamais alcançou tamanho êxito.</p>
<p>Sei lá se chegaremos de fato a ocupar três vagas na Série A, sei lá quanto tempo isso vai durar, mas hoje não quero me inquietar com o futuro mais distante. A realidade é que temos possibilidades amplas de terminar o primeiro trimestre com recorde histórico.</p>
<p>É verdade que não gostei do São Bernardo que vi ontem na televisão diante do Linense. Como não acompanho os jogos da equipe, procurei algumas informações. Incomoda-me o fato de o time jogar em câmara lenta, com baixa ocupação de espaço e repetitivas movimentações individuais e coletivas. Talvez não seja suficiente para subir desta vez se o que vi for de fato mais que a exceção, a regra. De qualquer modo, há confiança no elenco e entre os dirigentes, porque a equipe soube reagir na competição, depois de flertar com o rebaixamento.</p>
<p>O que parece ter de melhor o São Bernardo é a torcida. Foram 10 mil torcedores ontem de manhã ao Estádio de Vila Euclides. Está certo que o preço do ingresso é mais em conta do que na Série A, mas nem Santo André nem São Caetano mobilizariam tanta gente com valores semelhantes. Há um entusiasmo em São Bernardo que merece ser capitalizado e multiplicado. O acesso à Série A seria o coroamento de uma organização que parece séria. A comunidade de São Bernardo abraça a equipe, numa conjunção que entusiasma.</p>
<p>O Santo André perdeu um jogo que podia perder, como pode perder para o Rio Claro no final de semana e para o São Paulo no meio da semana que vem. Mesmo que tudo isso aconteça, a equipe estará na semifinal do campeonato. Mas isso não quer dizer que o estado de graça não seja abalado. O Santo André precisa disputar as semifinais com autoconfiança elevada, com aquele sentimento de que tomar gols faz parte do show, porque haverá sempre alguém lá na frente para sapecar o adversário. Por isso mesmo, os próximos jogos ganham conotação especial, de confirmação de uma campanha extraordinária.</p>
<p>Já o São Caetano que venceu a Ponte Preta provou que tem futuro na Série B do Campeonato Brasileiro, se já não bastasse a possibilidade concreta de que poderá lutar por uma vaga à semifinal do Paulista até a última rodada. O jogo de domingo contra o Santos no Anacleto Campanella será ótimo teste para o avanço do sistema defensivo, o ponto forte da equipe, e também para o encaixe mais efetivo dos contragolpes, uma arma mortal que agora conta com um Vanderlei muito mais agudo.</p>
<p>Ainda recentemente prometi escrever sobre a possibilidade de estudar-se variável para o futebol da região, sintetizada na sensibilização em busca de uma única representação regional que conciliasse os interesses diversos de agora. Sei que se trata de verdadeira epopéia da qual não tenho nem mesmo solidificado juízo de valor sobre o acerto que representaria essa condensação de forças.</p>
<p>Esse assunto se tornou proibitivo diante do cenário que se descortina, de um triunvirato regional na Série A do ano que vem. Por mais que se entrelacem argumentos de vantagens em prol de uma única equipe regional, todos se dissolverão como sal em copo fervente diante do que temos em perspectiva.</p>
<p>Defender a tese de um time unificador das cores do Grande ABC no momento vitorioso deste primeiro trimestre é pedir para ser chamado de lunático. O possível racionalismo perderia de goleada para o latente emocionalismo.</p>
<p>Santo André, São Bernardo e São Caetano, o chamado ABC Paulista que o mundo conhece pela economia, especificamente pela força das montadoras de veículos, podem se converter em adjetivo de futebol de primeira linha em âmbito estadual.</p>
<p>Quem diria, quem diria?</p>
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		<title>Santo André e São Caetano atingem  limites diferentes no campeonato</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 18:57:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Restando quatro rodadas para o encerramento da fase classificatória da Série A do Campeonato Paulista a conclusão é quase óbvia mas nem por isso dispensável de exposição: o Santo André atingiu o limite máximo do estado da arte que lhe permite tanto a estrutura organizacional como o potencial individual e coletivo, enquanto o São Caetano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Restando quatro rodadas para o encerramento da fase classificatória da Série A do Campeonato Paulista a conclusão é quase óbvia mas nem por isso dispensável de exposição: o Santo André atingiu o limite máximo do estado da arte que lhe permite tanto a estrutura organizacional como o potencial individual e coletivo, enquanto o São Caetano atingiu o limite mínimo necessário, situação que abre alas a resultados mais interessantes no futuro. Só não pode se perder na intolerância e na pressa de resoluções que, invariavelmente, contratam novos problemas.</p>
<p>Não é por outra razão que o Santo André já é praticamente semifinalista do Campeonato Paulista e o São Caetano deverá atingir estágio de arranjo positivo à disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>O Santo André e o São Caetano que imagino para o futuro têm missões, portanto, diferentes. O Ramalhão não pode virar o fio e o São Caetano não pode perder a cabeça. Precisa sim ter paciência, sem se incomodar com o destaque do rival.</p>
<p>Os jogos do final de semana das duas equipes do Grande ABC foram decididos pelo fator emocional, principalmente. Quem conhece ambiente coletivo sabe o quanto um grupo motivado e imune a medos é capaz de expor-se ofensivamente e, em contraponto, um grupo ainda sob desconfiança interna e externa torna-se reticente.</p>
<p>O Santo André joga com a certeza de que o gol adversário é apenas um detalhe, alcançável a qualquer momento.</p>
<p>O São Caetano ainda joga com a certeza de que sempre faltará um passe mais calibrado ou um chute mais certeiro quando a oportunidade de marcar surgir.</p>
<p>O Santo André despreza com certa molequice cuidados maiores com o sistema defensivo. É sempre um desafio ao Santo André estar atrás no placar.</p>
<p>O São Caetano faz do sistema defensivo evangelho. O nível de insegurança o obriga a ter cautela. É sempre um tormento para o São Caetano a desvantagem no placar.</p>
<p>O Santo André está tão avantajado em auto-estima que seria desnecessário liquidar em apenas 10 minutos o jogo com o Bragantino. A vitória viria de qualquer forma.</p>
<p>Já o São Caetano sofreu um gol no início, conseguiu o empate ainda num período em que os nervos não o atrapalharam mas depois, num pênalti evitável, devolveu a vantagem ao Oeste de Itápolis e teve de fazer das tripas coração para empatar.</p>
<p>Faltou pouco para o São Caetano vencer, mas excedeu-se ao trocar velocidade por pressa. O conceito de valorizar a posse de bola foi para a cucuia. O time oscilou durante várias fases do jogo.</p>
<p>Bem ao contrário do Santo André, que transmite a sensação de que é programado tecnologicamente para manter o ritmo do começo ao fim.</p>
<p>O Santo André joga o tempo todo por aproximação, e melhorou muito pela direita com o mais técnico Cicinho no lugar do robótico Rômulo.</p>
<p>O São Caetano ainda não conseguiu romper o desenho ocupacional, mais espaçado, mesclando-o com triangulações e ultrapassagens por aproximação. Já foi mais repetitivo no alongamento de jogadas, mas ainda não consegue associar automaticamente as duas modalidades.</p>
<p>O limite máximo da potencialidade do Santo André nesta temporada, com as condições de que dispõe, não é chutometria. Esse patamar implica dizer que a equipe não pode ser desconsiderada na luta pelo título paulista, embora as circunstâncias de mata-mata sejam outras. Tudo começa do zero, ou do quase zero. A literatura esportiva está repleta de exemplos de equipes que chegaram à fase decisiva muito à frente de adversários que só se garantiram em cima da hora e o que se viu foram resultados surpreendentes.</p>
<p>O Santos de Robinho e Diego conquistou o Brasileiro de 2002 chegando apertadamente à fase de mata-mata na última rodada.</p>
<p>O Palmeiras arrasou na fase classificatória do Paulista do ano passado, mas caiu nas semifinais diante do Santos.</p>
<p>Estabelecer comparações entre São Caetano e Santo André não significa, pelo menos neste espaço, acirrar ânimos de rivalidade. Nada disso. O sentido é exclusivamente didático.</p>
<p>Santo André e São Caetano adotam modelos antagônicos. O primeiro é mais versátil, mais leve, mais veloz. O segundo mais metódico, mais pesado, mais estratégico. O Santo André está numa fase de encantamento. O São Caetano está numa fase de enquadramento.</p>
<p>A saída do técnico Antonio Carlos Zago e de membros da comissão técnica quebrou o ritmo do grupo. É preciso dar tempo ao tempo. Ao São Caetano o que interessa de fato nestas alturas do campeonato é simplesmente preparar-se para o Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Simplesmente é força de expressão, porque tudo indica que se tivesse planejado na temporada passada calendário integrado como neste ano, teria possivelmente chegado entre os quatro primeiros à Série A. O São Caetano se arrumou no ano passado durante o Campeonato Brasileiro, quando estava nas últimas posições. Tudo indica que iniciará o Brasileiro deste ano azeitado, com espaços apenas para reparos individuais e coletivos.</p>
<p>Os vilões da semana passada das duas equipes recuperaram-se no final de semana.</p>
<p>Rodriguinho, artilheiro do Santo André e da competição, não mudou o jeito de jogar, continuou provocando faltas, mas desta vez o árbitro caiu na encenação. Tanto que o segundo gol do Santo André nasceu de uma falta cometida por Rodriguinho que o zagueiro do Bragantino retribuiu. O árbitro só viu o segundo lance. O cartão amarelo custou ao adversário a expulsão pouco tempo depois, por reincidência de infração. Nem de arbitragem o Santo André pode reclamar. Nunes cometeu falta no cruzamento-chute que terminou no fundo da rede.</p>
<p>Vanderlei foi para o banco de reservas do São Caetano, de onde saiu no segundo tempo para ajudar a mudar o jogo. Ele fez apenas o que alguém com talento jamais deveria abdicar, ou seja, atuar verticalmente, procurando insistentemente o gol. Foi um tormento para os zagueiros do Oeste. Acabou empatando o jogo num lance de puro oportunismo, de centroavante trombador que não é. Vanderlei se adapta melhor como segundo atacante, porque tem técnica refinada para amoldar o campo a seu gosto e habilidade.</p>
<p>Santo André e São Caetano estão no caminho certo rumo à Série B do Brasileiro, com possibilidades de acesso. Eventual disputa do título paulista é ponto fora da curva que premia o Santo André encantadoramente ofensivo. Resta saber se quando o bicho pegar para valer os descuidos defensivos, que permanecem, não serão mortais.</p>
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		<title>Rodriguinho e Vanderlei ajudam a  explicar derrotas do Grande ABC</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 18:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois destaques ofensivos do Grande ABC na Série A do Campeonato Paulista ajudam a explicar a derrota do Santo André para o Corinthians e do São Caetano para a Portuguesa no final de semana. 
O artilheiro Rodriguinho está exagerando na encenação de infrações, algo que pode ser traduzido como alguém que prefere substituir a possibilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dois destaques ofensivos do Grande ABC na Série A do Campeonato Paulista ajudam a explicar a derrota do Santo André para o Corinthians e do São Caetano para a Portuguesa no final de semana. </p>
<p>O artilheiro Rodriguinho está exagerando na encenação de infrações, algo que pode ser traduzido como alguém que prefere substituir a possibilidade de dominar a bola limpamente pela esperteza de tentar ludibriar o árbitro.  </p>
<p>Já Vanderlei peca por preciosismo, algo que pode ser traduzido como alguém que não se conforma em fazer o mais prático e trivial em situações de definição da jogada, optando pela mais arriscada assinatura especial. </p>
<p>Vanderlei é um talento que precisa aprender a simplificar as jogadas decisivas, principalmente quando a equipe que defende ainda está em busca de um roteiro mais denso e um gol qualquer, inclusive de traseiro, vale muito mais que uma jogada brilhante que não se completa. </p>
<p>Rodriguinho é um goleador que se acha mais esperto que a arbitragem e os adversários. Na medida em que o Santo André mais desponta no campeonato, mais Rodriguinho é vigiado por todos, principalmente pelos árbitros. E aí não pode reclamar da sorte. Foram três lances contra o Corinthians em que se deu mal, o principal num chorado pênalti que não existiu. Contra equipes médias costuma se dar bem na teatralização. Nada que amanhã não se altere, porque os árbitros trocam informações para capturar espertalhões. </p>
<p>Primeiro, algumas observações sobre a derrota do São Caetano para a Portuguesa, no sábado. </p>
<p>O resultado de 1 a 0 poderia ter sido evitado se o São Caetano não repetisse tanto e teimosamente a imprecisão ofensiva. Sempre há algum empecilho de última hora que transforma uma oportunidade de gol em frustração. Um dos quais é a insistência de Vanderlei em dar um toque de classe a mais, ele que é virtuosíssimo. Uma conversa ao pé do ouvido do treinador Roberto Fonseca poderá dar a Vanderlei o pragmatismo típico de jogadores menos dotados.  </p>
<p>O resultado também poderia ter sido mais justo com o São Caetano num jogo de equipes muito semelhantes, com marcação forte, rapidez nos contragolpes em jogadas largas, obediência tática canina e poder de recomposição defensiva. É claro que tudo isso tem o contraponto de entorpecer espaços ofensivos. Todas as equipes com as características do São Caetano não podem se dar ao luxo de errar tanto o gol, porque da mesma forma que rareiam penetrações adversárias, são parcimoniosas no ataque.  </p>
<p>Numericamente não é das melhores a campanha do São Caetano com Roberto Fonseca, técnico que ajustou o Botafogo de Ribeirão Preto. São três derrotas (todas por 1 a 0) e uma vitória.  Mas a evolução do grupo, seguindo o trabalho de Antonio Carlos Zago, agora no Palmeiras, não sofreu abalo. Falta ajustar a pontaria, que, por sua vez, depende muito de um meia ofensivo com senso de organização que Everton Ribeiro, cada vez mais marcado, tem pela esquerda. E que Vanderlei seja mais objetivo. </p>
<p>Agora, a derrota do Santo André. </p>
<p>A equipe do Grande ABC perdeu ótima oportunidade de chegar à liderança do campeonato, mas confirmou a perspectiva de que já está praticamente classificada às semifinais, com possibilidades de dar muita dor de cabeça aos adversários. </p>
<p>Os primeiros 15 minutos do Corinthians foram estonteantes. O Santo André provavelmente não estava preparado para a blitz, mas mesmo se tivesse teria sofrido um bocado, dada a diferença técnica das equipes e a impressão de que o adversário sabia que precisava definir o jogo antes que lhe faltassem pernas e fôlego. </p>
<p>A equipe de Sérgio Soares impõe-se pelo conjunto de muita mobilidade e por uma ambição ofensiva que só tem o Santos como rival. Mas segue, como o Santos, descuidada no sistema defensivo. Embora tivesse mais volume de jogo no segundo tempo de ontem, poderia ter sofrido pelo menos mais três gols em contra-ataques corintianos. </p>
<p>Transponham o mesmo jogo para uma situação diferente, na qual o Corinthians não tivesse experimentado o cansaço de uma viagem longa no meio da semana e o confronto na Colômbia pela Taça Libertadores. O desgaste corintiano no segundo tempo só passou despercebido por quem não leva em conta o contexto do calendário do futebol brasileiro e sul-americano. A Portuguesa que perdeu para o Santo André num sábado no Bruno Daniel, três dias depois de jogar em Roraima, pela Copa do Brasil, não tem nada a ver com a Portuguesa que, descansada, enfrentou o São Caetano no final de semana. A integridade fisiológica faz muita diferença em embates nos quais não há disparidade de forças. A expulsão de Branquinho no começo do segundo tempo aliviou a barra do Corinthians. </p>
<p>Agora chegamos a Rodriguinho, especialista em abandonar a bola e projetar o corpo em direção ao adversário. A maioria dos árbitros o considera vítima, quando de fato é infrator. Rodriguinho é rápido, tem boa técnica, mas extrapola na esperteza. Não fosse por já estar começando a ser marcado pelas arbitragens como forjador de faltas, possivelmente teria transformado em pênalti o lance com Chicão no final do jogo de ontem. </p>
<p>Rodriguinho preferiu trocar o chute a gol pela tentativa de cavar a infração máxima. A maioria dos cronistas esportivos tem dificuldades para distinguir realidade de encenação. Há quem não enxergue nem impedimentos escandalosos, mesmo que repetidos à exaustão. O comentarista da Sportv teve sensibilidade para matar a charada. Rodriguinho lembra o menino travesso da história infantil que alardeia falso afogamento. Não foi o caso de ontem, mas quando de fato sofrer uma falta máxima, pode lamentar o erro da arbitragem condicionada a não lhe dar crédito.  </p>
<p>A cinco rodadas do encerramento da fase classificatória do Campeonato Paulista, não tenho dúvida em confirmar as impressões do início da competição: Santo André e São Caetano estão aproveitando muito bem o tempo para se preparem à Série B do Campeonato Brasileiro. Salvo eventual desmanche, porque o negócio do futebol é um turbilhão que evoca mexidas inimagináveis nas equipes, estaremos muito bem preparados para tentar o acesso à Série A do Brasileiro. Sem contar que o Santo André entrará nas semifinais do Paulista com o respeito da maioria que conhece futebol, não é ruim da cabeça nem doente do pé. </p>
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		<title>Santo André esbanja futebol;  São Caetano mantém toada</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 19:45:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O Santo André já está com o passaporte carimbado às semifinais da Série A do Campeonato Paulista, mas o São Caetano, 10 pontos abaixo na classificação, não está marcando passo. O que separa as duas equipes é o ponto fora da curva do rendimento do Santo André, muito acima de qualquer expectativa superlativa, inclusive do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André já está com o passaporte carimbado às semifinais da Série A do Campeonato Paulista, mas o São Caetano, 10 pontos abaixo na classificação, não está marcando passo. O que separa as duas equipes é o ponto fora da curva do rendimento do Santo André, muito acima de qualquer expectativa superlativa, inclusive do técnico Sérgio Soares e deste jornalista que, com duas rodadas, já antecipava que a equipe poderia surpreender.</p>
<p>Da mesma forma que o Santo André não pode se encantar com o sucesso precoce, o São Caetano não deve precipitar-se na avaliação do desempenho e acelerar o passo de resoluções que demandam tempo, paciência e muito cuidado, porque, principalmente, perdeu o técnico Antonio Carlos e parte da Comissão Técnica. A Série A do Campeonato Paulista serve de preparação às equipes médias que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro. Exceto em caso de viabilidade de disputar o título, como parece ser a campanha do Santo André.</p>
<p>Além de todas as qualificações que a equipe de Sérgio Soares exibe como vice-líder da Série A do Campeonato Paulista, e também como melhor ataque ao lado dos mágicos da bola do Santos, há um componente que não pode ser desconsiderado: mesmo nos piores momentos da equipe durante um jogo, como o primeiro tempo de ontem contra o Botafogo, e também no início do segundo tempo, há sempre uma bondosa alma a protegê-lo.</p>
<p>Se Deus ajuda quem cedo madruga, os deuses do futebol ajudam quem joga para o ataque para valer. O Santo André só exagera na dose de confiabilidade, porque descuida-se muitas vezes além da conta. A vitória no meio de semana contra o Palmeiras chegou a ser colocada em xeque quando estava 2 a 1 e a equipe insistia em atacar e atacar. Já ontem contra o Botafogo, o técnico Sérgio Soares reforçou o meio de campo após marcar o segundo gol, com a entrada de Ricardo Conceição, o Botafogo se abriu e outros dois gols foram marcados.</p>
<p>Já o São Caetano que perdeu para o Corinthians em Barueri atuou conforme o figurino preferido do técnico Roberto Fonseca, que montou o Botafogo de Ribeirão Preto para a mesma competição. Cuidou da defesa com extremo vigor e procurou o contragolpe. A promessa de que atacaria o tempo todo foi apenas uma bravata publicada nos jornais.</p>
<p>O São Caetano deu azar porque pegou um Corinthians às portas de um início de crise e que precisava dar resposta à torcida. E foi o que fez, jogando com muito mais empenho do que anteriormente, principalmente contra o Botafogo no meio da semana. Tanto que interditou o gol de Felipe para os contra-ataques do São Caetano. Mano Menezes é especialista em sistema defensivo.</p>
<p>A ausência de Everton Ribeiro, emprestado pelo Corinthians, foi um complicador a mais. Nenhum outro jogador do elenco, dos conhecidos até agora, tem a mesma capacidade de imprimir velocidade e fazer da bola companhia para arremetidas individuais a partir do meio de campo. Sem Everton Ribeiro e sob massacrante marcação defensiva do adversário, os atacantes Vanderlei e Eduardo ficaram isolados do restante da equipe. A opção pelas laterais também não funcionou, porque o Corinthians soube neutralizar.</p>
<p>A maturação mais rápida do Santo André em relação ao São Caetano aparentemente contraria a lógica do futebol porque o Ramalhão foi muito mais remontado entre o final do ano passado e esse início de temporada do que o Azulão.</p>
<p>Afinal, por que então o time de Sérgio Soares engrenou mais rapidamente?</p>
<p>Justamente porque a criatividade e o improviso ofensivo desabrocham com maior facilidade quando se tem os jogadores recrutados com essas características.</p>
<p>O São Caetano é um time menos multiplicador e mais redutor de espaços que o Santo André, ou, invertendo a equação, o Santo André é mais multiplicador e menos redutor de espaços que o São Caetano.</p>
<p>São duas escolas diferentes e como tal contrapõem modelos também diferentes de equacionamento das linhas. A opção preferencial do Santo André pelo ataque surpreende a maioria dos adversários que ainda está se arrumando para a temporada de 2010 e, por isso mesmo, cuida principalmente do sistema defensivo. O Santo André se expõe mais, mas, em contrapartida, aposta nos erros ofensivos dos adversários menos vocacionados para construir resultados com semelhante desembaraço e aptidão.</p>
<p>Provavelmente o tempo e reforços vão equalizar os dois cenários, ou seja, o Santo André deverá se tornar menos moleque taticamente e o São Caetano menos careta ofensivamente. A chegada de Luciano Henrique é um sopro de agressividade que deverá dar uma roupagem mais densa ao sistema ofensivo do São Caetano, desobstruindo espaços para o talento de Vanderlei e a agressividade de Eduardo e Luciano Mandi. A solidariedade de meio-campistas e atacantes deverá dar mais solidez à marcação do Santo André.</p>
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		<title>Santo André continua sobrando;  São Caetano acerta na escolha</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 19:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jogos no mesmo dia mas em horários diferentes permitiram, finalmente, que observações sobre o Santo André e o São Caetano na Série A do Campeonato Paulista não fossem prejudicadas por intermitentes cortes e substituições de imagens que a simultaneidade de transmissões televisivas estimula. E o que se viu no final de semana foram duas boas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jogos no mesmo dia mas em horários diferentes permitiram, finalmente, que observações sobre o Santo André e o São Caetano na Série A do Campeonato Paulista não fossem prejudicadas por intermitentes cortes e substituições de imagens que a simultaneidade de transmissões televisivas estimula. E o que se viu no final de semana foram duas boas notícias para o futebol da região: o Santo André deu um show de bola na Portuguesa, atazanando o adversário o tempo todo com futebol visceralmente ofensivo, e o São Caetano, apesar da derrota em Ribeirão Preto, encontrou-se com um espelho que acena com a garantia de que acertou em cheio ao contratar o técnico Roberto Fonseca, ex-treinador e organizador do Botafogo local.</p>
<p>Primeiro sobre o Santo André, valem algumas novas observações, além da estrutural de que joga, ao lado do Santos, o futebol mais alegre, descontraído, atrevido e demolidor do Campeonato Paulista. O armador Bruno César já aparece como o principal destaque individual da equipe, depois de começo vacilante e fora de forma, embora Gil siga a trajetória de discreta e indispensável peça de marcação e apoio ao ataque.</p>
<p>Resta saber o que fará o técnico Sérgio Soares quando algumas opções se apresentam tanto em forma de reforços como de recuperação médica. A retomada da titularidade de Nunes deve ser posta em xeque. O centroavante de mobilidade escassa colocaria em risco a ciranda do ataque, embora ofereça o contraponto da opção aérea em jogadas não necessariamente de bola parada. Nunes parece, nestas alturas do campeonato, mais talhado como opção no banco de reservas do que como dono da camisa de titular.</p>
<p>Pelo menos no jogo com a Portuguesa o sistema de marcação do Santo André foi mais agudo, apertando o cerco e diminuindo os espaços. Resta saber se a mobilização em torno da recuperação da bola em todos os cantos foi obra de um efetivo avanço de consciência coletiva do grupo ou decorreu de eventual cansaço físico do adversário, que jogou no meio da semana pela Copa do Brasil em Roraima. Não se pode desprezar também o fato de que a Portuguesa joga em câmara lenta.</p>
<p>Já o São Caetano perdeu para um bem organizado Botafogo em Ribeirão Preto quando mais merecia estar na frente. Depois de um primeiro tempo equilibrado, com duas equipes de atitudes semelhantes, de posse de bola, de cuidados defensivos e de ataques comedidos, no segundo o São Caetano estava melhor com o avanço em bloco da defesa e compactação dos setores. Entretanto, uma estranha substituição do armador Everton Ribeiro pelo volante Adriano e um erro de passe na intermediária defensiva proporcionaram ao Botafogo um contragolpe fatal. Nada pior para o São Caetano porque os espaços se fecharam de vez e os contragolpes ficaram mais explícitos como tática do Botafogo, dono do melhor sistema defensivo da competição.</p>
<p>O encontro do criador Roberto Fonseca com a criatura Botafogo transmite a sensação de que o São Caetano acertou em cheio na escolha do substituto de Antonio Carlos Zago. Trata-se, em princípio, de dois treinadores com ideias semelhantes e, a bem da verdade, antípodas do modelo adotado por Sérgio Soares e Dorival Júnior: primeiro cuidar da defesa, segundo reforçar a marcação no meio de campo e terceiro, atacar o adversário, preferencialmente em alta velocidade.</p>
<p>Somente o futebol poderia explicar o fato de que, por enquanto, perante a grande mídia, o São Caetano aparece com mais destaque do que o Santo André, apesar de o Ramalhão realizar campanha superior e estar às portas da classificação às semifinais. A goleada frente ao Palmeiras deu visibilidade ao São Caetano. Já o Santo André não construiu o edifício de sucesso até agora com a luminosidade que os confrontos com os grandes times permitem. Daí a mídia maior subestimar ou não se dar conta de que o time de Sérgio Soares está atuando de forma brilhante, irresponsavelmente brilhante.</p>
<p>Os jogos com Corinthians, São Paulo e Palmeiras poderão confirmar a trajetória de sucesso do Santo André rumo à classificação. Ou a equipe entregaria a rapadura diante de adversários preparados por treinadores menos receptivos à liberalidade tática e mais pontiagudos na engenharia da eficiência mortal? A vulnerabilidade defensiva do Santo André, minimizada contra a Portuguesa por conta de intensa guerrilha de marcação, pode ser o calcanhar de Aquiles no confronto contra esses três grandes, como o foi contra o Santos, no Estádio Bruno Daniel.</p>
<p>A perspectiva do São Caetano continua positiva se não se deixar levar por eventual ciumeira de rivalidade com o Santo André. A corrida do Azulão não é contra o relógio no Campeonato Paulista, mas a favor do relógio da Série B do Campeonato Brasileiro. Como aliás deve ser a corrida do Santo André.</p>
<p>E nesse ponto a contratação de Luciano Henrique, ex-Sport Recife, mostra que a direção técnica está atenta, porque desde o ano passado faltava mesmo uma opção de ponta de lança pela direita para fazer por ali o que Everton Ribeiro faz tão bem pela esquerda. Sem contar que além de Vanderlei cada vez mais em forma, surge Luciano Mandi que, deslocando-se entre as duas pontas com pernas longas e cabeça erguida, revela-se um atacante com potencial promissor.</p>
<p>O maior problema de Santo André e de São Caetano parece não ser mais fazer uma boa campanha na Série A do Campeonato Paulista, mas impedir que vários de seus principais destaques batam asas ao final da competição. O técnico Antonio Carlos Zago já antecipou à direção do Palmeiras que alguns reforços de que a equipe precisa estão em São Caetano. Aposto em três nomes. Everton Ribeiro não está entre eles porque é do Corinthians. O lateral Arthur, Luciano Mandi e Vanderlei são os mais cotados. No Santo André, Gil, Bruno César e Rodriguinho também estão na mira de equipes da Série A do Brasileiro.</p>
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		<title>Ramalhão de futebol moleque;  Azulão sob nova expectativa</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 18:49:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Encerrado o segundo circuito da Série A do Campeonato Paulista, a participação de São Caetano e Santo André é melhor que o esperado. O Ramalhão está em segundo lugar com 21 pontos e o Azulão em sexto com 17. Ao final do primeiro circuito o Santo André estava em quarto com nove pontos e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Encerrado o segundo circuito da Série A do Campeonato Paulista, a participação de São Caetano e Santo André é melhor que o esperado. O Ramalhão está em segundo lugar com 21 pontos e o Azulão em sexto com 17. Ao final do primeiro circuito o Santo André estava em quarto com nove pontos e o São Caetano em sexto com oito. Convém lembrar que cada circuito é formado de cinco jogos. O Campeonato Paulista reúne cinco circuitos. O último tem apenas quatro jogos. Depois vêm as fases semifinal e final. </p>
<p>O São Caetano pagou o preço da competência ao exceder-se em eficiência contra o Palmeiras. No dia seguinte perdeu praticamente toda a Comissão Técnica. É claro que tudo isso é força de expressão. Antonio Carlos Zago se foi por conta do que fez na temporada passada ao assumir uma equipe na zona de rebaixamento na Série B do Brasileiro para levá-la ao sétimo lugar. Pelas contas que fiz em termos de produtividade, se a Série B tivesse começado quando ele chegou ao São Caetano, a equipe teria subido à Série A.  </p>
<p>Já o Santo André de futebol moleque semelhante ao do Santos, sem os craques extraclasse do Santos, caminha para uma campanha provavelmente inesquecível. A vice-liderança não é obra do acaso. A recuperação do fracasso na Série A do Campeonato Brasileiro parece definitiva. </p>
<p>Pelo andar da carruagem teremos dois times fortíssimos na Série B do Brasileiro. </p>
<p>Uma grande dúvida paira sobre o São Caetano &#8212; e é pertinente. Trata-se do seguinte: quem vai ocupar o lugar de Antonio Carlos Zago? </p>
<p>Tomara que seja alguém do mesmo perfil, porque o grupo que está disponível e que vem fazendo boa campanha no Campeonato Paulista foi moldado sob prismas preferenciais do treinador que agora está no Palmeiras. </p>
<p>Antonio Carlos é adepto de futebol de marcação forte, de volume de jogo, de contragolpes, de responsabilidade coletiva. Experiente jogador que passou por grandes clubes e que também atuou fora do País, Antonio Carlos observa a equipe sob cuidados táticos. O individualismo espetaculoso não lhe apetece, embora também não abra mão de valores que demarquem o território da individualidade como aliada do conjunto. Vanderlei e Everton Ribeiro são provas disso. </p>
<p>A escolha do substituto de Antonio Carlos Zago é a travessia da ponte do São Caetano para o restante da temporada. Se errar na mão, poderá colocar tudo a perder. É claro que não é fácil encontrar alguém com as especificidades do ex-zagueiro. Quando faço essa afirmação não estou necessariamente consagrando um técnico que mal iniciou a carreira. O que quero dizer é que o choque da mudança de comando não pode ser impactante demais, além do que já é por natureza. Imaginem se o São Caetano contrata um substituto que seja a antítese de Antonio Carlos? Alguém que prefira um futebol menos cuidadoso coletivamente, mais ostensivamente ofensivo. Alguém, em suma, que seja o homem errado na hora errada. </p>
<p>Querem que cite um exemplo emblemático de que não seria a competência, simplesmente a competência, que determinaria uma boa escolha do São Caetano? </p>
<p>Imaginem o São Caetano dirigido por Sérgio Soares, o técnico que mais uma vez está provando no Santo André que, como o ex-titular do comando do São Caetano, sabe organizar uma equipe. O problema é que Sérgio Soares, muito mais que Antonio Carlos, precisa de tempo e de um ambiente inteiramente favorável para aplicar as virtudes que o colocam como profissional comprovadamente montador de grupo. Nas vezes em que pegou o bonde andando, deu-se mal. E poderia se dar mal agora, tanto quanto alguém de seu perfil, se pegar um São Caetano moldado técnica e taticamente de forma diametralmente oposta à do Santo André. </p>
<p>Entre Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares há um abismo. O treinador do Santo André joga francamente no ataque, despreza riscos de contragolpes, usa e abusa de triangulações curtas, de passagens de bola, de toque em movimentação constante. Já Antonio Carlos Zago prefere a jogada mais longa, mais veloz no sentido vertical. Um Sérgio Soares no São Caetano montado por Antonio Carlos Zago possivelmente seria um desastre. E a recíproca é verdadeira. Daí a sugestão de que se encontre espécie de clone do treinador que agora está no Parque Antártica. </p>
<p>Quem sabe não esteja na escola gaúcha o profissional ideal para assumir o São Caetano? Uma vasculhada por lá, entre os times médios, não seria interessante? O Santo André não trouxe Mano Menezes antes de o Grêmio descobri-lo porque lhe faltavam recursos financeiros. E o Mano Menezes daqueles dias de XV de Campo Bom, adversário da semifinal da Copa do Brasil de 2004, não era assim tão Mano Menezes. </p>
<p>Diferenças à parte, Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares são provas provadas de que em futebol não há modelo único de sucesso. Como tudo na vida, não há protótipo de vencedor nem de perdedor. O que circunstancialmente é um desastre para um determinado modelo de profissional, em outra situação é a grande solução. O vencedor de hoje não é necessariamente o vencedor de amanhã. O homem é suas circunstâncias, já diziam os filósofos. </p>
<p>Está aí Muricy Ramalho como exemplo. Três títulos brasileiros e uma carreira brilhante foram jogados ao lixo por cronistas movidos por resultados tópicos e também por interesses nem sempre explícitos. Como tantos outros profissionais de tantas outras áreas, maus resultados são uma porta aberta a exageros. A sociedade é implacável principalmente com os vencedores, mas é leniente com perdedores contumazes que eventualmente encontram o caminho do sucesso episódico. Poucos observam a carreira de um profissional sob temporalidade longa. Preferem o aqui e agora. </p>
<p>Faltando nove rodadas para o encerramento do Campeonato Paulista, uma coisa é certa: dificilmente o Santo André e o São Caetano deixarão de apetrecharem-se para a Série B do Campeonato Brasileiro, que é o que mais interessa. As possibilidades de participarem das semifinais do Paulista existem, mas não podem ser tratadas de forma traumática. O Santo André não transmite nenhum sinal de que esteja preocupado com a responsabilidade de chegar às semifinais. Joga um futebol quase irresponsável, repito. O São Caetano é menos encantador, mas nem por isso menos eficiente. </p>
<p>Ainda considero que o time ideal seria a fusão dos dois estilos. Talvez isso venha com o tempo nesta própria temporada, porque já há claros sinais de que as jogadas começam a fluir de forma mais natural. A compactação entre os setores, que encurta espaços para os adversários, já começa a aparecer. Estou confiante desde as primeiras rodadas.   </p>
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		<title>É complicado ver nossos times  ao mesmo tempo na mesma TV</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 18:13:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Insisto na teoria nada conformista e muito menos conservadora de que o que mais deve interessar ao São Caetano e ao Santo André na Série A do Campeonato Paulista é a Série B do Campeonato Brasileiro. Quanto mais próximas as duas equipes ficarem das quatro vagas de semifinalistas do principal campeonato regional do País, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Insisto na teoria nada conformista e muito menos conservadora de que o que mais deve interessar ao São Caetano e ao Santo André na Série A do Campeonato Paulista é a Série B do Campeonato Brasileiro. Quanto mais próximas as duas equipes ficarem das quatro vagas de semifinalistas do principal campeonato regional do País, mais teremos a esperança de que, com juízo, poderão repetir o desempenho no segundo semestre. Participar das semifinais ou finais do Campeonato Paulista seria o máximo, mas o raciocínio não pode ser simplificado porque teria a contrapartida de, ao destacarem-se aos olhos de investidores do futebol, São Caetano e Santo André correriam o risco de perder peças importantes na disputa nacional subsequente.</p>
<p>Os sete gols que Santo André e São Caetano marcaram no final de semana fora de casa, sofrendo apenas um, restaura a confiança abalada no meio da semana com derrotas para duas das grandes equipes do País. Menos no caso do Santo André, evidentemente, que merecia melhor sorte contra o Santos de um Dorival Júnior sem constrangimento de reforçar a marcação quando percebeu que a vitória poderia ir para o brejo.</p>
<p>Não me lembro de Santo André e São Caetano terem obtido num mesmo final de semana, em jogos simultaneamente fora de casa, resultados tão expressivos.</p>
<p>O problema todo para quem pretendia assistir aos dois jogos no Sportv é que a coincidência de horário me obrigou a mudanças constantes de sintonia. Já estou ficando craque em matéria de passar de um canal para outro para ver se consigo entender dois jogos em horários que se trombam. Tão craque que cheguei à conclusão que, por mais que acredite estar reduzindo a margem de erro de substituir momentos mortos de um determinado jogo por situações vivíssimas de outro, não consigo, de fato, entender na plenitude da razão o que mais aprecio no futebol: o desenvolvimento tático dos confrontos.</p>
<p>Nem poderia ser diferente, convenhamos. Além das restrições espaciais da tela de televisão, a intermitente troca de canais rompe a integralidade de um jogo. A leitura tática de um jogo é algo como orgasmo, que não pode ser interrompido.</p>
<p>Domingo, portanto, foi um tormento e, pelo visto, de acordo com as primeiras informações, neste sábado será repetida a dose. Vou ter que me virar para captar o máximo de jogo vivo dos dois confrontos.</p>
<p>Prefiro a simplicidade do televisor único à multiplicidade do sãopaulino Abílio Diniz, que dispõe de infinidade de aparelhos ligados em canais diferentes em sua sala-de-estar. Provavelmente ficaria maluco com tamanho assédio. Duvido que a fórmula que aquele empresário adotou garanta avaliação dos jogos. Provavelmente ele seja adepto da multiplicação dos jogos porque não os observa com olhares críticos. Por isso prefiro ficar com um só aparelho e dois jogos entrecortados.</p>
<p>Por não ter o poder da ubiquidade televisa (e muito menos pessoal, evidentemente) jogo na retranca quando se trata de avaliações individuais. Enveredo com certa segurança na estrutura tática das equipes, porque é o conjunto da obra que decide. Entenda-se por conjunto da obra o somatório de vários jogos, de observações que se completam como um mosaico. Também desse conjunto derivam avaliações individuais mais notórias, como é o caso de Vanderlei no São Caetano e de Gil no Santo André.</p>
<p>Está mais que desenhado o perfil das duas equipes. O Santo André é uma opereta técnica de movimentação intensa no ataque com avanços no sistema defensivo. O São Caetano é o contra-regra nada convencional que deixa as digitais de sua especialidade num momento de quase silêncio de uma obra musical, quando surpreende os espectadores com manobra repentina de impacto cortante. O Santo André são as notas musicais que parecem repetitivas, mas sempre encantam. O São Caetano é a sinalização permanente de uma contra-ofensiva para a qual o adversário cada vez mais se prepara.</p>
<p>Traduzindo: o Santo André prima pela vocação incondicional ao ataque, tornando-se até certo grau quase irresponsável, enquanto o São Caetano é a astúcia do contragolpe planejadamente preparado ao atrair o adversário que se imagina com o controle do jogo.</p>
<p>Nessa contabilidade não entra o jogo com o São Paulo. O São Caetano cometeu equívoco preparatório duplo: não percebeu que os jogadores do São Paulo anunciaram nos dias que antecederam ao jogo que fariam espécie de prévia da estréia na Libertadores e foi a campo no primeiro tempo sem a competitividade que um time grande, do outro lado do gramado, merece. A dormência do São Caetano custou caro, menos como resultado numérico, mais pela recaída tática.</p>
<p>Por enquanto, e mesmo com as limitações já anotadas, o Santo André parece estar em estágio superior de arrumação tática. Entretanto, talvez esse parecer não seja o mais correto. Por fazer da criatividade a fonte da bateria tática, o Santo André de jogadores leves e criativos do meio de campo para a frente transmite a idéia de que se arrumou como conjunto mais rapidamente que o São Caetano. Não rejeito, entretanto, a possibilidade de estar equivocado. Afinal, por trás do jeito mais moleque de jogar, o Santo André sugere a idéia de que sofre menos para conter os adversários, o que não é uma verdade que vale para todos os jogos. É uma verdade que cai bem diante de equipes de menor poderio técnico. Já o São Caetano é mais introspectivo, mais defensivo, fica menos exposto de fato ao adversário do que a pressão contrária leva a crer. Não fosse o São Paulo no meio do caminho diria que essa afirmativa não teria fissuras.</p>
<p>Como estamos apenas na sétima rodada da Série A do Campeonato Paulista e, portanto, ainda restam 12 jogos para cada uma das equipes, tudo indica que Santo André e São Caetano vão entrar no Brasileiro em situação jamais vista nas temporadas anteriores, com times organizados, esculpidos taticamente, e, provavelmente, muito melhores do que o estágio que já alcançaram no Campeonato Paulista.</p>
<p>Só faltará, provavelmente, maior apoio do torcedor.</p>
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		<title>São Caetano e Santo André chegam  bem ao final do primeiro circuito</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 17:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Santo André e São Caetano encerraram o primeiro circuito da Séria A do Campeonato Paulista com saldos positivos. O Santo André está no chamado G4 e o São Caetano vem logo em seguida, em sexto lugar. Poderia ser melhor. Mesmo errando, o São Caetano poderia ter vencido o Monte Azul no final de semana. Menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Santo André e São Caetano encerraram o primeiro circuito da Séria A do Campeonato Paulista com saldos positivos. O Santo André está no chamado G4 e o São Caetano vem logo em seguida, em sexto lugar. Poderia ser melhor. Mesmo errando, o São Caetano poderia ter vencido o Monte Azul no final de semana. Menos mal que saiu de uma derrota de 2 a 0 para um empate satisfatório. Para o leitor entender o significado de circuito, dividi o campeonato em cinco etapas, cada uma com cinco jogos. Apenas a etapa final contará com quatro jogos, porque cada equipe disputará 19 partidas na competição.</p>
<p>O aproveitamento das equipes do Grande ABC no primeiro circuito é superior a 50% (exatamente 56,6%), o que sugere certo conforto porque se distancia da zona de rebaixamento, que engolfará os quatro últimos colocados e cuja marca histórica de degola é de 33%. O problema dos times da região é que não enfrentaram nenhum dos quatro grandes até agora. E historicamente, sobremodo no caso do Santo André, a produtividade cai nesses encontros.</p>
<p>As turbulências começam neste meio de semana quando o Santo André enfrenta um Santos que tem pouca ciência tática mas muita virtude técnica e o São Caetano joga com um São Paulo ainda à procura de formato tático e que por isso mesmo recorre à velharia aérea herdada de Muricy Ramalho.</p>
<p>Mais importante mesmo é constatar a evolução do São Caetano e do Santo André. As equipes estão confirmando a expectativa de que têm tudo para terminar a competição preparadas para a Série B do Campeonato Brasileiro, que é o que de fato importa. Essa projeção não deve ser traduzida como descaso a eventuais reforços. Nada disso. Mas a estrutura tática e técnica está se delineando.</p>
<p>No Santo André, em vez de Branquinho, que joga com a cabeça baixa e por isso mesmo compromete a visão periférica e sensibilidade ao conjunto, individualizando demais as jogadas, quem é o cerne técnico-tático chama-se Gil, falso ponta-direita que compõe e dá densidade ao meio de campo e também alimenta o contragolpe &#8212; como no segundo gol de ontem contra o Ituano. Gil é desses jogadores que passam despercebidos aos olhos que se fixam apenas na bola, quando de fato é a movimentação coletiva e a capacidade de intervir sem grandes alardes que costumam fazer a diferença. Principalmente para quem não é craque.</p>
<p>Quem dá o tom, a régua e o compasso no São Caetano é um Vanderlei cada vez mais lépido, mais clarividente, mais contundente. Um atacante que, a continuar no ritmo de evolução técnica, provavelmente não terá outro destino senão um grande time. Vanderlei consegue ser múltiplo no ataque. Desloca-se às costas dos zagueiros, abre espaços pelas laterais e, quando preciso, torna-se contundente como atacante que vem de trás. É incompreensível que ainda não tenha explodido como talento na arte de infernizar a vida de zagueiros. Talvez lhe falte apenas sequência de jogos. Assim ele definirá de vez um estilo aterrorizador: parece movimentar-se com lentidão mas de fato, verdadeiramente, é estupendamente racional na redução ou ampliação de espaços.</p>
<p>Ainda é muito cedo para traçar o destino de Santo André e São Caetano na Série A do Campeonato Paulista, mas não é exagero dizer que as perspectivas para o Campeonato Brasileiro são motivadoras porque a modelagem está se definindo. Basta que dirigentes afoitos ou sedentos de personalismo não metam os pés pelas mãos.</p>
<p>Vou traduzir o que quero dizer: há dirigentes que não suportam o sucesso de uma equipe. Principalmente quando se atribui a maior parcela desse sucesso aos treinadores que são, em última instância, os responsáveis maiores pelo planejamento, montagem e estruturação dos elencos.</p>
<p>Como são personalistas e não se satisfazem com a condição de dirigentes, esquecendo-se portanto que sucessos e fracassos também lhes são creditados ou debitados, exageram em medidas intervencionistas.</p>
<p>Principalmente porque escancaram as portas para empresários que, quando vislumbram equipes potencialmente vencedoras numa temporada, querem que querem incorporar ativos técnicos &#8212; no caso jogadores cujos direitos federativos lhes pertencem. O cerco nas equipes que começam a dar sinais de que podem brilhar é intenso e se não houver controle de gestão, a bagunça estará instaurada. Não é diferente o comportamento que atinge as equipes que se vêem em maus lençóis, porque não faltam empresários milagreiros com receitas redentoras.</p>
<p>Em suma, o futebol nestes tempos inescapáveis de empreendedorismo privado é um pulsar constante de interesses multilaterais que costumam sequestrar quem não tem preparo para resistir a pressões. O Santo André e o São Caetano não terminaram por acaso a última temporada com elencos de mais de quatro dezenas de jogadores. Quanto maior o elenco, mais complicações gerenciais e mais possibilidades de o ambiente deteriorar-se.</p>
<p>Ao enxugarem os quadros para esta temporada e ao entregarem aos técnicos Antonio Carlos Zago e Sérgio Soares a independência relativa que deve definir a função, tanto os dirigentes do Santo André quanto do São Caetano reconheceram os descaminhos da temporada anterior e, portanto, demonstraram amadurecimento. Agora precisam estar preparados para novos assédios.</p>
<p>Que não se perca a perspectiva de que o que mais interessa mesmo é a Série B do Campeonato Brasileiro. O Campeonato Paulista é um ótimo campo de provas.</p>
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		<title>Sansão seria o time ideal de  Santo André e São Caetano</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 19:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora seja muito cedo para definir o perfil de cada uma das equipes após três rodadas da temporada, ouso dizer que o São Caetano e o Santo André que estão disputando a Série A do Campeonato Paulista oferecem a perspectiva de que adotarão ferramentais táticos e técnicos diferentes neste primeiro ano de nova década. Melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora seja muito cedo para definir o perfil de cada uma das equipes após três rodadas da temporada, ouso dizer que o São Caetano e o Santo André que estão disputando a Série A do Campeonato Paulista oferecem a perspectiva de que adotarão ferramentais táticos e técnicos diferentes neste primeiro ano de nova década. Melhor seria se fosse possível fundir os predicados das duas equipes para se chegar ao Sansão, um time que representasse o Grande ABC nas competições. </p>
<p>O São Caetano que ganhou sete dos 10 pontos é um time mais sólido, porque pouco mexeu na estrutura tática do grupo titular que encerrou a temporada passada. O técnico Antonio Carlos Zago coerentemente está aperfeiçoando o estilo. </p>
<p>O Santo André, praticamente refeito depois do desmanche do final de ano, optou por mais habilidade e leveza. Ganhou metade dos pontos que disputou até agora. O técnico Sérgio Soares, também coerentemente, quer voltar ao passado tático de glória. </p>
<p>O ex-zagueiro Antonio Carlos quer um São Caetano mais forte no sistema defensivo.</p>
<p>O ex-meiocampista Sérgio Soares quer um Santo André mais envolvente no ataque. </p>
<p>Sei que é arriscado antecipar resultados classificatórios e nem vou fazê-lo, mas não custa especular um pouco sobre o que vi nas primeiras rodadas. </p>
<p>Para começar, não vi tudo. Acompanhei parte dos jogos das duas equipes pela televisão, com restrição de visão periférica que, de alguma forma, é compensada com focalização mais precisa. </p>
<p>Assistir a jogos pela TV e mesmo assim não integralmente não é a melhor maneira de construir teorias. Só o faço porque gosto de desafios. Já vi tanta bola a ponto de entender que, mesmo ao acompanhar fragmentos de jogos, é possível montar um mosaico de dados que acabam redundando em teorias. Serei comedido, é claro, porque a situação assim o exige. Talvez a ousadia destas linhas seja melhor que a omissão tácita de não-comprometimento. </p>
<p>Para mim, a maior graça do futebol, além de gols, é o apetrecho tático e estratégico por trás de cada equipe. Vitórias ou derrotas por acaso são exceções no futebol cada vez mais esquadrinhado fora das quatro linhas. Principalmente pela tecnologia manipulada por espiões especializados em antecipar movimentos individuais e coletivos.   </p>
<p>O Santo André é um time mais agradável de ver jogar neste início de temporada, há mais virtuoses no campo ofensivo, mais diversidade de repertório de ataque, mas demonstra também vulnerabilidades. O Santo André despreza a marcação mais solidária, regateia a acumulação de valores na intermediária e reúne baixo comprometimento destrutivo dos jogadores de meio de campo e de ataque. Talvez a fase inicial de preparação explique tudo isso e o tempo corrija, mas a vocação ofensiva e liberal parece mais evidente ao se avaliar a característica individual de boa parte dos titulares. </p>
<p>O São Caetano apresenta-se menos brilhante individualmente, ainda é reticente nas estocadas de contragolpe, mas tem racionalidade tática que faz a diferença. Parece amadurecer no processo de solidez defensiva, especialidade do técnico Antonio Carlos Zago. </p>
<p>Se no ano passado, na Série B do Brasileiro, o São Caetano terminou em sétimo lugar na classificação final mas em terceiro entre as melhores defesas, a sensação que transmite para esta temporada é que aperfeiçoará de tal maneira esse veio que será muito difícil bombardear o gol de Luiz. O mesmo Luiz que entre as traves é um grande goleiro, mas tem dificuldade de cortar bolas alçadas próximas à pequena área, como nos dois gols que sofreu contra o Santo André.</p>
<p>Tanto o técnico Antonio Carlos Zago como Sérgio Soares seguem à risca um mantra do futebol, que é a obsessão pela posse de bola. </p>
<p>Propagandeada por Carlos Alberto Parreira, especialista em produzir equipes que fazem do girar da bola no gramado um intermeio para chegar com contundência ao gol adversário, a teoria da posse de bola encontra nos dois treinadores das equipes da região o evangelho básico da arrumação tática.</p>
<p>Sérgio Soares fez da aparente malemolência do Santo André arma fatal para chegar à Série A do Campeonato Brasileiro. Antonio Carlos, novato na profissão, pegou o São Caetano em situação emergencial no ano passado, entre os últimos colocados, e, sem ter podido escolher os jogadores com os quais pretendia contar e sem tempo para preparação do grupo com dois jogos por semana, imprimiu filosofia que jamais chegou próxima do controle da bola, mas suficiente para melhorar a equipe. </p>
<p>Não gosto de retirar o caráter coletivo de análises de futebol, embora algumas individualidades precisem ser ressaltadas porque fortalecem ou enfraquecem os valores globais das equipes. </p>
<p>No caso do São Caetano é flagrante que o atacante Vanderlei, que atuou pelo Santo André no ano passado, é o ponto de apoio de inventividade e inteligência e que o meio-campista Everton Ribeiro é um motorzinho que dá o toque de velocidade que os contragolpes exigem. A maioria dos titulares é formada sob as luzes de pragmatismo técnico e tático. </p>
<p>No caso do Santo André, desponta neste começo de temporada o mesmo Branquinho que no ano passado fez sucesso no Botafogo de Ribeirão Preto, embora a expectativa maior do técnico Sérgio Soares repouse no armador Bruno César, de semelhança física e estilo de Ricardinho, que tanto sucesso fez no Corinthians. Branquinho arrebentou a boca do balão ontem de manhã e Ricardinho repetiu os jogos anteriores de muita lentidão, pouca mobilidade e propensão a deixar o adversário jogar às suas costas. Talvez esteja fora de ritmo, além de precariedade física, mas se insinua como um meia de ligação qualificado. </p>
<p>Insisto em dizer que tudo isso não passa de mera especulação, mas uma especulação com alguma base. Base suficiente para dizer que o time ideal para um hipotético Sansão, que seria uma equipe só, formada por São Caetano e Santo André, seria conciliar a competitividade de Antonio Carlos Zago com a liberdade ofensiva do técnico Sérgio Soares. Aí teríamos um time mais equilibrado, mais contundente, mais alegre, menos previsível. Com esse Sansão imaginário que se apresenta inicialmente nesta temporada, teríamos um time para disputar os primeiros lugares. </p>
<p>A temporada vai responder à pergunta principal à qual quero chegar: quem fará melhor campanha no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro? </p>
<p>Muita água há de rolar sob essa ponte de exposições, mas não tenho dúvida em dizer que se não faltar equilíbrio diretivo a tendência é de que Santo André e São Caetano entrarão no Brasileiro com possibilidades de surpreender as demais equipes. </p>
<p>Quanto falo em equilíbrio quero dizer principalmente que não pode aflorar nos dirigentes a falta de foco no material de que dispõem, analisando cada executor de função tática com cuidado, ouvindo atentamente os profissionais que contrataram para comandar os elencos. Se cometerem o erro de inflarem os grupos com contratações a torto e a direito, pressionados que sempre serão por interesses de terceiros, vão acabar desmontando uma base estrutural que parece interessante. </p>
<p>Fazer boa campanha no Campeonato Paulista é a plataforma sobre a qual o São Caetano e o Santo André podem saltar para o sucesso na Série B do Brasileiro. Não há vestibular mais concorrido.</p>
<p>Um dia desses escreveremos especificamente sobre uma fusão de Santo André e São Caetano (e quem sabe com a inclusão do São Bernardo da Série B do Paulista também), algo que há mais de uma década José Carlos Brunoro ousou sugerir. No estágio em que chegou o futebol que se confunde com marketing que se confunde com negócios que se confunde com audiência, a sugestão deixou de ser uma aberração para se converter em algo que vale a pena ser estudado. Ou não?  </p>
<p>Alguém por acaso já tem sugestão do nome, além de Sansão, que serve inclusive para a incorporação do São Bernardo?   </p>
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		<title>O que será do Sansão?</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 19:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que será do Sansão no próximo ano? Sansão é a versão regional de São Caetano e Santo André no futebol. Final de temporada e despontar de novos horizontes significam momentos de reflexão, principalmente para equipes que não têm tanta disponibilidade de recursos financeiros quando comparadas aos donos da mídia. 
A associação de reformulação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que será do Sansão no próximo ano? Sansão é a versão regional de São Caetano e Santo André no futebol. Final de temporada e despontar de novos horizontes significam momentos de reflexão, principalmente para equipes que não têm tanta disponibilidade de recursos financeiros quando comparadas aos donos da mídia. </p>
<p>A associação de reformulação de elenco e de contratação de reforços é um desafio que exige cautela sem renúncia à ousadia. O São Caetano aparentemente revela menos traumas do que o Santo André, porque o sétimo lugar na Série B acabou caindo bem para um time que flertou com o rebaixamento no primeiro turno, enquanto a queda à Série B foi uma hecatombe para um time que passou toda a Série A desfilando sonhos de Libertadores. </p>
<p>Vou ficar apenas no âmbito esportivo envolvendo Santo André e São Caetano, embora no fundo da alma pense em outras coisas, mas essas outras coisas não cabem agora. O que quero mesmo nesse momento é acreditar que tanto um quanto outro vão dar mais alegria aos torcedores na próxima temporada, tanto no Campeonato Paulista quanto no Brasileiro. </p>
<p>Ainda bem que o São Caetano não perdeu a liderança do técnico Antonio Carlos Zago. A autoridade do treinador parece ter assentado a poeira gerencial da equipe. Como duvidar disso se ainda outro dia o presidente Nairo de Souza disse ao Diário do Grande ABC o que normalmente se esperaria que dissesse apenas num confessionário: que o clube errou demais na substituição de treinadores ao sabor de resultados e no volume de jogadores contratados por conta da natural rotatividade imposta pelo mundo empresarial do futebol. </p>
<p>Se o presidente do São Caetano ocupa espaço na imprensa para dizer o que disse, e se disse tudo o que disse porque provavelmente precisava desopilar a mente, que expectativa se poderia gerar para a próxima temporada? </p>
<p>Que o São Caetano volte mais forte dentro de campo. E olhem que esse voltar mais forte poderia ter sido consagrado nesta temporada, mas a equipe deu tremendo azar. Ou não é pisar no tomate do destino perder jogadores tão importantes como perdeu justamente naquele ciclo de jogos decisivos contra adversários mais bem colocados na tabela? </p>
<p>Aquela série de jogos contra seis equipes diretamente envolvidas na disputa por uma das vagas ao acesso &#8212; a primeira das quais contra o Vasco da Gama, que abriu a série de contusões graves &#8212; quebrou a espinha dorsal da reação empreendida pelo grupo depois de manter-se insistentemente entre os rebaixáveis no primeiro turno. </p>
<p>Espero não estar enganado quanto ao futuro mais próximo do São Caetano. A julgar pela permanência de Antonio Carlos, com ampla liberdade de conceber o planejamento e a execução da proposta de fortalecimento da equipe em 2010, e também pelo recolhimento do trem de pouso da empáfia de Nairo de Souza, tudo indica que já no Campeonato Paulista a equipe poderá surpreender. </p>
<p>Ou não estaria pronto para oferecer resultados acima da expectativa um grupo de jogadores que tem um treinador qualificadíssimo na arte de transformar o sistema defensivo no aprisionamento dos adversários? Afinal, mesmo com toda a instabilidade na Série B do Brasileiro, o São Caetano terminou como terceira defesa menos vazada. </p>
<p>Já o Santo André ainda não mostrou todas as patas de planejamento. Transmite a diretoria a sensação de que tanto pode enxugar o elenco ao extremo e ficar com sobra qualificada de jogadores que já constam do elenco como, também, pode seguir na toada de experimentos caudalosos que em resumo levam ao treinador um ambiente de complicações. </p>
<p>Quem tem jogadores demais com semelhante perfil profissional, onde todos se acham no direito de reivindicar a titularidade, de fato assina um contrato de risco na formatação do time principal. Essa foi uma das razões de o Santo André ter sido rebaixado nesta temporada. Não é todo treinador nem todo dirigente que suporta pressões de bastidores, compulsórias no mundo da bola. Também é assim em qualquer ambiente corporativo mais competitivo. Nem sempre os melhores são contemplados. Há falastrões que deitam e rolam ao engravidarem parceiros de trabalho.  </p>
<p>Vamos aguardar os próximos capítulos do noticiário esportivo para entender melhor o que vem por aí. Tomara que São Caetano e Santo André honrem a junção de iniciais e a metáfora de Sansão. Precisamos de um futebol forte dentro e fora de campo. Quanto ao fora de campo, qualquer dia desses escreveremos a respeito. </p>
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		<title>Até tu, Marcelinho?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 18:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marcelinho Carioca concedeu entrevista à chegada da delegação do Santo André em São Paulo após a derrota para o Internacional de Porto Alegre com a costumeira fidelidade e coerência que os contemporâneos de treinamentos e vestiários lhe conferem. Marcelinho disse, em resposta às razões do rebaixamento do Ramalhão, que faltou planejamento para disputar a Série [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcelinho Carioca concedeu entrevista à chegada da delegação do Santo André em São Paulo após a derrota para o Internacional de Porto Alegre com a costumeira fidelidade e coerência que os contemporâneos de treinamentos e vestiários lhe conferem. Marcelinho disse, em resposta às razões do rebaixamento do Ramalhão, que faltou planejamento para disputar a Série A e que também houve precipitações ou algo semelhante com a negociação de meia dúzia de jogadores da equipe base que disputou o Campeonato Paulista. </p>
<p>Provavelmente o que mais dói no presidente Ronan Maria Pinto nestes dias pós-rebaixamento são as frases de Marcelinho Carioca. Exceto se não esperava outra coisa de um Marcelinho que também tem parcela de responsabilidade nesse latifúndio de decepções.  </p>
<p>Até recentemente Marcelinho Carioca parecia um boneco animado com dispositivo de gravação pronto a reproduzir aos repórteres de campo sempre a mesma resposta depois de um bom resultado do Santo André na Série A. Enchia a bola de Ronan Maria Pinto no começo, no meio e no fim de cada frase. Embalava-o o sonho da Taça Libertadores e, com isso, potencializar ainda mais o eleitorado que pretende amealhar para chegar à Câmara Federal e, mais tarde, à Prefeitura de Santo André. </p>
<p>O que quero dizer é que se tem alguém sem credibilidade para analisar a queda do Santo André é justamente Marcelinho Carioca. Não só ele, mas todos que cercaram Ronan Maria Pinto de elogios, de frases feitas, de engomação verbal, de tudo que deva ser interpretado como mensagens de devoção &#8212; e nada de advertência.  </p>
<p>O embevecido Ronan Maria Pinto não foge da raia, diz que errou mas que aprendeu. Provavelmente será mais receptivo às críticas nas próximas temporadas. </p>
<p>Ronan Maria Pinto acreditou em todos o tempo todo e o tempo que é o senhor da razão tratou de colocar a situação em ordem. O Santo André caiu por causa de uma montanha de motivos fora e dentro de campo, como todo time que cai, mas o que mais pesou mesmo foi a troca de treinadores. </p>
<p>Vá lá que não ficasse com Sérgio Soares, que comandou a equipe no acesso à Série A no ano passado, mas a chegada de Alexandre Galo nada acrescentou, exceto um acentuado divisionismo no elenco sempre sob a influência de Marcelinho Carioca. Sérgio Soares chegou tarde e não pode imprimir na equipe a personalidade tática que a levou ao sucesso no ano anterior e que também, por recall, manteve em bom nível o rendimento no Campeonato Paulista. </p>
<p>A substituição de técnico, como a troca de executivo numa empresa e de gestor público na atividade governamental, não pode ser encarada como rotina. É certo que não há verdade absoluta sobre a influência de um treinador competente num grupo de jogadores na medida em que prolonga permanência, mas as probabilidades de somar resultados positivos são comprovadamente bem maiores que os solavancos de troca intermitente de comandante. </p>
<p>Há momentos de choques com a chegada de nova chefia que valem a pena, principalmente em situações que cobram impactos para eliminar zonas de conforto exagerado ou de idiossincrasias exacerbadas, mas nem sempre o tiro é certeiro. Na maioria dos casos sai pela culatra. </p>
<p>Mais importante agora do que debater as razões da queda do Santo André é redesenhar o figurino do clube-empresa para a próxima temporada.</p>
<p>Os acontecimentos de 2009 precisam ser avaliados, esmiuçados até, para que não se repitam no ano que vem. Entretanto, cair na real de que se está de volta à Série B do Brasileiro e que a Séria A do Campeonato Paulista não é galinha morta, embora parte dos concorrentes seja estruturada em cima da hora, é questão de sobrevivência. O trauma da queda não pode estender-se indefinidamente mas fingir que não ficaram marcas indeléveis de complicações seria o cúmulo do exagero. Modular o passado recente de fracasso e o futuro necessário de sucesso é, portanto, a grande tacada. </p>
<p>O Santo André começará 2010 com o peso dos desajustes de 2009, mas não pode deixar-se aprisionar pelo afundamento na principal competição do País. </p>
<p>A recomposição do elenco e principalmente do time base para o primeiro semestre do ano que vem é o novo desafio. E nesse ponto a direção acertou primeiro por recontratar Sérgio Soares já com olhos postos em 2010 e também ao trazer um profissional de administração esportiva, Carlito, como facilitador na captura de reforços. </p>
<p>O modelo gerencial do Santo André e da maioria dos clubes puramente esportivos ou igualmente empresariais não me agrada porque, no fundo, no fundo, é a eternização de presidencialismo absolutista disfarçado tanto por colaboradores voluntários como por acionistas submissos. Esse, na verdade, é o preço que se paga porque se entrega a apenas um dirigente praticamente todas as peças de um quebra-cabeças de responsabilidades e decisões.</p>
<p>No mundo futebolístico os resultados não são cientificamente garantidos com base no passado de sucesso nem irremediavelmente sacramentados por causa de fracasso anterior.  Aliás, o Santo André é prova viva disso. </p>
<p>Entretanto, com organização, metodologia e definição de metas é possível amansar o burro bravo do imponderável com razoável eficiência, evitando-se catástrofes como o rebaixamento. </p>
<p>Futebol é algo tão sujeito a chuvas e trovoadas que o melhor que os dirigentes podem fazer é reduzir o grau de instabilidade de resultados, porque erros são quase compulsórios. Não fosse assim, os times, todos os times, não passariam o final e o começo do ano negociando jogadores que deram com os burros nágua, mesmo que, quando contratados, tenham sido cuidadosamente submetidos a avaliações e invariavelmente festejados como soluções. </p>
<p>Marcelinho Carioca tem razão quando fala na falta de planejamento e no excessivo contingente de jogadores negociados, mas não tem o direito de fazer comentários porque passou o tempo todo repetindo a toada bajulativa a quem o idealizou candidato.  </p>
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		<title>Fora a matemática!</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 16:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como não acredito em conceitos matemáticos desenhados por gente especializada em números que transforma estudos esportivos em marimbondos enlouquecidos, procuro outra vereda para tentar estabelecer algum juízo de valor das possibilidades de o Santo André safar-se da Série B do Campeonato Brasileiro na próxima temporada. 
Os quase 100% atribuídos ao Santo André como probabilidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como não acredito em conceitos matemáticos desenhados por gente especializada em números que transforma estudos esportivos em marimbondos enlouquecidos, procuro outra vereda para tentar estabelecer algum juízo de valor das possibilidades de o Santo André safar-se da Série B do Campeonato Brasileiro na próxima temporada. </p>
<p>Os quase 100% atribuídos ao Santo André como probabilidade de queda pelos estatísticos de plantão não me dizem nada. Eles já o fizeram com relação ao Fluminense e todos viram no que deu. E também o fizeram em relação ao Palmeiras e, igualmente, deram com os burros nágua. </p>
<p>Qual seria de fato a situação classificatória do Santo André na competição, matemática fora, agora que três resultados interdependentes decidirão se seguirá na Série A? </p>
<p>Como se sabe, o time de Sérgio Soares precisa vencer o Internacional em Porto Alegre e contar também com a derrota do Botafogo para o Palmeiras no Engenhão e do Coritiba para o Fluminense no Couto Pereira. Dá para tomar um Kaiser antes? &#8212; perguntaria o torcedor mais equilibrado. </p>
<p>Vejo o Santo André fora do rebaixamento à Série A da mesma forma que vejo o São Paulo tetracampeão da competição. O quanto isso significa em termos matemáticos é o que menos me interessa. Quero mesmo é fazer conjecturas técnicas. </p>
<p>Para ganhar o título da temporada o São Paulo precisa vencer o Sport e torcer para que Flamengo, Palmeiras e Internacional não vençam. Se o técnico Ricardo Gomes praticamente jogou a toalha nas entrevistas que concedeu após a goleada diante do Goiás, domingo passado, por que Sérgio Soares deveria agir diferentemente? </p>
<p>Apenas o Diário do Grande ABC, das leituras que fiz dos jornais de segunda-feira passada, tratou a rodada do final de semana como restauradora para o Santo André. Passou-se mensagem de expectativa de salvamento que os números classificatórios e as especificidades da rodada não endossam. </p>
<p>Jogasse o Santo André em casa, o Botafogo no Parque Antártica e o Coritiba no Maracanã, as possibilidades de safar-se seriam bem maiores, mas nem por isso redentoras. Menos mal que o Ramalhão não tenha de enfrentar um Internacional desesperado por uma vaga na Taça Libertadores, já garantida.</p>
<p>Uma leitura mais que otimista da rodada de domingo está alimentando as parcas esperanças de o Santo André continuar na principal vitrine do futebol brasileiro. Que cenário seria esse?</p>
<p>Imaginem que o Internacional, atingido em cheio por uma vitória rapidíssima do Flamengo no Maracanã diante de um Grêmio desinteressadíssimo, resolvesse afrouxar o ritmo e relegasse o jogo a um simples amistoso? Seria a oportunidade do Santo André conquistar os três pontos. </p>
<p>Mas o que pergunto é o seguinte: será que o Internacional vai se deixar abater por eventual definição rápida do resultado no Maracanã, que aumentaria a suspeita de malandragem do Grêmio? Não estaria o Internacional preparado para esse cenário e decidido, por conta disso, a ganhar o jogo de qualquer forma para, pelo menos no ambiente beligerante do Sul, propagandear um título moral, como a Seleção Brasileira de Cláudio Coutinho na Copa da Argentina, ao mesmo tempo em que infligiria toneladas de desconfiança e de traição para soterrar a credibilidade do velho rival? </p>
<p>Alguém acredita que o Internacional vencedor contra o Santo André e prejudicado por eventual corpo mole do Grêmio no Maracanã vai deixar barato a possibilidade de retaliar o arqui-inimigo? Por isso, a possibilidade de o Internacional entregar a rapadura motivacional contra o Santo André não é lá algo plausível. O Santo André, portanto, que conte com suas próprias virtudes se quiser surpreender. </p>
<p>Voltando ao cenário otimista de o Santo André vencer o Internacional em Porto Alegre, ainda faltariam os resultados em Curitiba e no Rio de Janeiro. </p>
<p>A derrota do Botafogo seria a consequência de um Palmeiras motivadíssimo, depois de ameaçado com a notícia de que no mesmo horário, na Vila Belmiro, o Cruzeiro vencia o Santos e obrigava o time de Muricy Ramalho a somar pelo menos um ponto. Esse é o problema, porque basta um ponto conquistado pelo Botafogo para estreitar-se ainda mais a sobrevivência do Santo André na competição.  </p>
<p>O Botafogo poderá até safar-se com o empate, mas para o Santo André não existe condicionalidade: uma das quatro últimas posições ainda estaria em disputa. No caso do Botafogo não somar ponto, o Santo André teria ainda de concentrar a torcida contra o Coritiba, que sequer pode empatar com o Fluminense, senão a vaca ramalhina iria para o brejo. </p>
<p>Como quebrar o ímpeto do Coritiba se a equipe da capital paranaense só depende das próprias forças para não manchar o centenário de fundação com um ingresso na Série B? Só mesmo o Fluminense, além do Palmeiras, poderia salvar o Santo André. Um Fluminense extraordinariamente reestruturado pelo técnico Cuca e que, verdade seja dita, não merece o rebaixamento depois de saga fabulosa de recuperação. </p>
<p>É possível que desde a implantação de pontos corridos e de 20 concorrentes participarem da Série A do Campeonato Brasileiro o limite de 45 pontos ganhos não seja suficiente para fugir do rebaixamento. Nas temporadas passadas quem chegou a 45 pontos em 38 jogos respirou fora da zona de rebaixamento. Nesta rodada de domingo, a estatística só seria fortalecida com a derrota do Botafogo ou com a derrota do Coritiba, que somam 44 pontos, número ao qual chegaria o Santo André em caso de vitória no Sul. Na Série B, o dique dos 45 pontos não foi rompido. </p>
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		<title>Marimbondos enlouquecidos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 18:55:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escrevi ainda outro dia sobre o assunto, mas como o fiz de passagem, sem a menor preocupação com profundidade, com densidade de argumento, porque não era o foco da abordagem, acho que chegou a hora de matar a cobra e mostrar o pau de reflexões. O fato é que esses estudos ou supostos estudos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevi ainda outro dia sobre o assunto, mas como o fiz de passagem, sem a menor preocupação com profundidade, com densidade de argumento, porque não era o foco da abordagem, acho que chegou a hora de matar a cobra e mostrar o pau de reflexões. O fato é que esses estudos ou supostos estudos que procuram decifrar o genoma de possibilidades matemáticas de classificação à Libertadores, de viabilidade ao título e mesmo de grau de risco de rebaixamento me parecem mais marketing do que qualquer outra coisa. É chutometria travestida de cientificismo.</p>
<p>Não desprezo essa metodologia que desconheço porque jamais é revelada, devo adiantar a todos. Pelo contrário: aprecio os resultados como torcedor, mas os contesto como profissional de comunicação porque exalam odor estranho de manipulação de emoções.</p>
<p>Até porque, por mais que ciências diversas conspirem cada vez mais num mundo cantado em verso e prosa no passado como puramente passional, o imponderável do esporte mais popular do mundo ainda dita as regras. Não fosse assim e, principalmente no caso do futebol brasileiro, de equilíbrio entre grande parte das equipes do principal campeonato nacional, os estragos que o Palmeiras sofreu contra os times que ocupam as últimas colocações seriam praticamente descartáveis.</p>
<p>Por falar nisso, basta buscar nos arquivos o quanto desmoronou a montanha de favoritismo palmeirense na Série A do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Tanto é verdade o que penso e escrevo sobre os bidus do futebol que desfilam numeralha de possibilidades das equipes, também o Fluminense tratou de desmoralizar a todos.</p>
<p>O time carioca só não escapou ainda do rebaixamento, mas que já constou da lista de inapelavelmente batido, isso todo mundo sabe. Menos mal a recuperação do Fluminense para os jornalistas que tropeçaram única e exclusivamente na associação de índice de produtividade e rendimento técnico, como este profissional.</p>
<p>Já os estatísticos que sobrepõem aos fundamentos analíticos técnico-táticos e classificatórios a armadura da cientificidade, esses quebraram a cara.</p>
<p>Pelo andar da carruagem dos dados que divulgaram já faz tempo, o Fluminense estaria morto e sepultado e, no entanto, está aí dependendo das próprias forças e dos gols do artilheiro Fred.</p>
<p>Não vou me pendurar aqui em argolas numéricas porque não tenho vocação a equilibrista ou a contorcionista. Poderia citar inúmeros exemplos de dança de números atribuídos pelos estatísticos de plantão, Tristão Garcia e Oswald de Souza, aos pretendentes ao título do Campeonato Brasileiro da Série A, aos que respiram possibilidades de chegar à Taça Libertadores e também aos que querem fugir da zona do rebaixamento. São números malucos, que crescem exponencialmente ou incrivelmente murcham de acordo com os resultados de cada rodada.</p>
<p>Ninguém me tira da cabeça que é um exagero.</p>
<p>Qual é a fórmula que leva um estatístico a garantir que determinada equipe tem tantos por cento de possibilidades de cair enquanto uma outra, com a mesma pontuação, soma mais ou soma menos percentual? Os jogos restantes da competição? Tudo bem, mas os jogos restantes da competição são vulneráveis sempre e sempre à próxima rodada. Então, está explicado: como os jogos restantes pesam nas avaliações, a cada rodada novas avaliações são necessárias. E assim se alimenta o dragão da especulação em forma de certezas numéricas.</p>
<p>Tudo isso pode parecer um samba do crioulo doido, mas não é. De fato, os chamados estudiosos da bola movem-se por leis de probabilidades cujos critérios eles mesmos criaram, cada um a sua maneira, estabelecendo pesos relativos geralmente subjetivos. E com isso deitam e rolam na cabeça dos torcedores. Não são charlatães, que fique bem claro. São apenas, diríamos, exacerbados estatísticos em busca de enredos mais improváveis quanto mais se manifestarem as travessuras nos gramados. Como nesta temporada na Série A, destruidora de prestidigitações.</p>
<p>O que de fato os matemáticos do futebol querem é transplantar para o ambiente esportivo a idéia de precisão ou quase precisão das pesquisas eleitorais. Se esquecem, entretanto, que os movimentos de intenção de votos são rigorosamente mais abalizados e confiáveis quando não se tem maracutaias a induzir o eleitorado. Os trancos numéricos são raríssimos. Diferentemente, portanto, dos dados semanais do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Nem mesmo a vitória de Aidan Ravin à Prefeitura de Santo André em outubro do ano passado entra na categoria de trancos raríssimos, apesar do fluxo silencioso que o retirou de 21% dos votos válidos e o levou a 55% em três semanas. A performance da maior zebra eleitoral que o Brasil já produziu desde a implantação de dois turnos se deu de forma forte e constante, sem que se parecesse em qualquer momento como vendaval. Nem mesmo o Ibope, em pesquisa publicada na véspera da votação em segundo turno, arriscou garantir a vitória do petebista, atribuindo à disputa empate técnico.</p>
<p>Os ares de respeitabilidade que os matemáticos pretendem conferir às probabilidades de cada equipe envolvida em postos mais sensíveis na classificação do Campeonato Brasileiro são uma espécie de teatralização para seduzir o distinto público. Suponho que o façam acreditando em formulações que lembram algum pó mágico. A precisão numérica faz parte do show como os números cheios ou com números decimais de previsão do PIB. Os matemáticos do esporte ainda não chegaram aos decimais provavelmente por pudores que os economistas não costumam ter.</p>
<p>Quem duvidar da febre por adivinhações esportivas que pesquise os pesquisadores da moda, retrocedendo no tempo para aferir o quanto já empinaram e rebaixaram números que lembram marimbondos enlouquecidos.</p>
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		<title>Abraço de afogados</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Respirando por avariados aparelhos matemáticos, Santo André e Náutico se enfrentam neste final de semana para assinar o atestado de óbito na Série A do Campeonato Brasileiro. E o Fluminense, caçapa cantada de rebaixamento por todos os cronistas com um mínimo de juízo, está aí dependente das próprias forças para seguir na principal vitrine do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respirando por avariados aparelhos matemáticos, Santo André e Náutico se enfrentam neste final de semana para assinar o atestado de óbito na Série A do Campeonato Brasileiro. E o Fluminense, caçapa cantada de rebaixamento por todos os cronistas com um mínimo de juízo, está aí dependente das próprias forças para seguir na principal vitrine do nosso futebol. Quem disse que o Sobrenatural de Almeida do tricolino Nelson Rodrigues não reapareceria no mundo da bola? </p>
<p>A campanha do Fluminense nesta reta final confirma a única possibilidade de mudança significativa na competição, situação vivenciada no passado pelo Flamengo e pelo Goiás, que escaparam da queda com arrancadas espetaculares na reta de chegada, que também poderia ser reta de partida, e do São Paulo, que chegou ao título do ano passado depois de descartado pela maioria dos analistas. </p>
<p>Duvido que equipes sem institucionalidade consigam registrar feitos memoráveis semelhantes porque é nessas horas que o conjunto formado por tradição, torcida, bastidores e, principalmente, confiança do elenco, faz a diferença. É até possível que o Fluminense não escape da degola, o que seria uma pena. O time carioca oferece emocionante lição reabilitadora não só no campo esportivo, mas também ao cotidiano de quem sempre busca exemplos de superação.  </p>
<p>Talvez o Fluminense ainda tenha de pagar o preço da estupidez de ter demitido o técnico Carlos Alberto Parreira, por conta de arrogância de considerar-se humilhado por perder em casa para o Santo André. A mesma arrogância que o time do Grande ABC desfilou na competição e, por isso mesmo, está às portas da Série B. </p>
<p>Sim, o Fluminense não admitiu a derrota em casa para o Santo André, um time sem tradição na competição, um time da periferia da Capital paulista &#8212; essas coisas que pesam subjetivamente na interpretação de um resultado.  No caso do Santo André, a empáfia de propagar até recentemente que pretendia mesmo uma vaga na Libertadores da América criou um mundo imaginário do qual só se deu conta quando a vaca já estava irremediavelmente no brejo. </p>
<p>A goleada do Santo André sobre o Avaí é assunto sobre o qual não posso emitir qualquer juízo de valor técnico e tático. Estava grudado na telinha, acompanhando a vitória do Botafogo contra o São Paulo. Logo depois assisti ao apressado Flamengo diante de um Goiás retemperado que, se repetir a dose contra os sãopaulinos, domingo, levará a decisão da competição para a rodada final. Uma combinação nada exótica de resultados no final de semana colocaria São Paulo, Flamengo, Internacional e Palmeiras com 62 pontos. Com vantagem para o Internacional, com mais vitórias e mais saldo de gols.  </p>
<p>A imagem de respirar por aparelhos não tem porção catastrófica. A rodada do final de semana não foi nada generosa com o Santo André e o Náutico, já que tanto o Fluminense quanto o Botafogo venceram. Reta de chegada é assim mesmo. Nem sempre o melhor é apenas vencer. É preciso vencer e esperar que os concorrentes diretos tropecem. </p>
<p>A novidade na zona de influência do descenso é que os dois times paranaenses entraram no eixo de turbulência, com 44 pontos ganhos cada um, como o Botafogo, dois pontos apenas à frente do Fluminense. Ao que tudo indica, ficará para a rodada final, principalmente no envolvente Coritiba versus Fluminense e Botafogo versus Palmeiras a definição do último dos moicanos do rebaixamento. Estou começando a desconfiar que os cariocas podem se salvar por completo. </p>
<p>Uma análise da Série A do Campeonato Brasileiro desde a implantação do regime de pontos corridos conclui que esta é a versão de maior estreitamento da diferença de produtividade dos times que ocupam os quatro primeiros lugares na classificação e dos quatro da zona de rebaixamento. </p>
<p>São Paulo, Flamengo, Internacional e Palmeiras totalizam 241 pontos ganhos após 36 rodadas, contra 149 pontos de Fluminense, Santo André, Náutico e Sport.  O índice de produtividade dos quatro primeiros é apenas 38,17% superior ao dos quatro últimos. Nas edições anteriores a diferença sempre foi superior a 42% e chegou até mesmo a 48%. </p>
<p>O que isso significa? Significa que os primeiros colocados jamais foram tão pouco produtivos. Já os quatro últimos não são assim tão resistentes porque em outras temporadas a soma de pontos dos integrantes da zona do rebaixamento após 36 rodadas não era muito diferente da deste ano. Em alguns casos, a soma de pontos dos lanterninhas era superior a desta temporada. O que talvez ocorra pela primeira vez é o rompimento do limite histórico de 45 pontos (ou 39,5% de produtividade) para se manter na Série A. Responsabilidade do desvio estatístico que o Fluminense pode patrocinar sob a liderança de Fred.  </p>
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		<title>Quem ama o Santo André?</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 19:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Santo André já entregou a rapadura da permanência na Série A do Campeonato Brasileiro, depois do apático jogo contra o Goiás. O Ramalhão assumiu publicamente que já caiu para a Série B. Nada mais sensato. Nada mais lamentável. E também nada mais lógico. 
Faz tempo que o time caiu. Agora só falta a dosagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André já entregou a rapadura da permanência na Série A do Campeonato Brasileiro, depois do apático jogo contra o Goiás. O Ramalhão assumiu publicamente que já caiu para a Série B. Nada mais sensato. Nada mais lamentável. E também nada mais lógico. </p>
<p>Faz tempo que o time caiu. Agora só falta a dosagem mortal da matemática. Ainda não escreveremos sobre o futuro do Santo André. O debate que proponho é outro: até que ponto o Santo André faz parte da sociedade municipal e regional? Até que ponto a sociedade municipal e regional merece o Santo André na<br />
Série A? </p>
<p>Estou muito à vontade para escrever sobre o que chamo de institucionalidade do Santo André porque há muito me dedico ao tema. Somos uma região cada vez mais fragilizada em capital social e desconfio que não sairemos tão cedo do buraco em que nos metemos. O futebol faz parte desse processo e, como tal, sofre todas as consequências. </p>
<p>Nossa identidade social, esportiva, cultural e econômica é frágil e fragmentada, como escrevi há sete anos no livro &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221;. </p>
<p>O Diário do Grande ABC, não por acaso de propriedade do presidente do Santo André, está costurando nova campanha que supostamente visa a elevar a autoestima regional, com o mote &#8220;Por que amo o Grande ABC&#8221;. </p>
<p>Nos tempos dos Dottos e dos Polesi, antecessores diretivos da publicação, o Diário do Grande ABC adotou o slogan &#8220;Meu Grande ABC&#8221; num período &#8212; meados da última década do século passado &#8212; no qual a região mais riquezas perdeu, sob o mandato do destruidor Fernando Henrique Cardoso. O Diário do Grande ABC procurou dourar a pílula do Grande ABC como a TV Globo insiste em tentar dourar a pílula do Rio de Janeiro. Tudo com a competência técnica de um grupo de jornalistas doutrinados a enxergar o que os triunfalistas propagandeavam aos sete cantos. </p>
<p>Do outro lado da trincheira, cá estava este jornalista num combate inglório que redundou nos livros &#8220;Meias Verdades&#8221;, &#8220;República Republiqueta&#8221;, &#8220;Na Cova dos Leões&#8221; e, principalmente, o primeiro da fila, &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221;. Sem contar milhares de páginas na revista LivreMercado (não a &#8220;Deus me livre&#8221; de agora) e também no mundo digital.</p>
<p>Não pensem os leitores que não existe motivação para um grupo de acomodados detestar este jornalista. Eles estão atolados de motivos. Provavelmente enquanto eu viver eles me detestarão, porque serei sempre a lembrança viva de suas omissões, quando não de suas manipulações. O azar deles é que este endereço permanecerá no mercado editorial independentemente de seu responsável continuar neste mundo. Mas isso é outra história.  </p>
<p>Nada contra a nova campanha do Diário do Grande ABC. Provavelmente há por trás da medida estudos de especialistas em sociologia e em negócios. Se forem apenas publicitários, correremos novos riscos, porque publicitários adoram superestimar verdades e esconder problemas. Alguns até fazem muito mais que isso, mas também isso é outra história. </p>
<p>O nó górdio é que larga parcela de especialistas em pesquisas desconhecem minúcias da região que vão muito além de números e de propostas pré-elaboradas. Mais que isso: querem vender simpatia, sorrisos, tudo que lembre o politicamente correto. Os resultados deverão ser fabulosos, senão na quantidade ao menos na qualidade sentimental das frases. </p>
<p>Pena que na maioria dos casos desse tipo de prospecção captam-se declarações materialmente improdutivas, sem a correspondente ação. Gostar do lugar onde se vive é algo tão automático como trocar marcha de veículo. O medo do desconhecido é uma das marcas registradas da espécime humana. Há os aventureiros que confirmam a regra. </p>
<p>Lembro que o Instituto Brasmarket realizou a meu pedido, em 2004, uma pesquisa que, entre outros pontos, procurava detectar o grau de satisfação dos moradores de cada Município do Grande ABC. Estava este jornalista Diretor de Redação do Diário do Grande ABC. Os resultados foram expressivamente satisfatórios. A maioria que mora no Grande ABC ama o Grande ABC. Há menor incidência de aprovação, sem comprometer a vantagem, nos municípios menos dotados de infra-estrutura pública e mais recheados de bolsões populares.  </p>
<p>Moradores de outros endereços além-Grande ABC comportam-se de forma similar quando se trata de dizer o que acham do lugar em que estão estabelecidos. </p>
<p>São muitos os fatores que levam alguém a reconhecer-se satisfeito no endereço em que fixou raízes. Relacionamentos pessoais, familiares e profissionais pesam sobremaneira. Talvez menos que o natural egoísmo da propriedade imobiliária, sempre ultravalorizada. </p>
<p>Sugeriria, por essas e por tantas outras razões, que os marqueteiros de plantão redirecionassem baterias no sentido senão oposto mas mais fértil ao manifestado pela proposta do Diário do Grande ABC. Por que não saber o que individualmente os moradores estão contribuindo para o futuro do Grande ABC? Algo como:</p>
<p>&#8220;O que você está fazendo de bom para o Grande ABC?&#8221;</p>
<p>Não, não estou nem de longe convocando algo que se tornasse réplica dos fiscais de Sarney, como ficaram conhecidos os consumidores que lutaram brava e inutilmente pelo congelamento de preços do Plano Cruzado. Cidadania e engajamento a plano econômico não têm nada a ver, embora muitos fizessem crer naquele período de laçar gado no pasto. </p>
<p>Não estou convocando ninguém a perscrutar a vida alheia, a devassar a integridade de lideranças e supostas lideranças de vários setores e aferir se de fato são tudo isso que dizem. Não estou direcionando nada no sentido de desnudar gente que ocupa os mesmos cargos ou cargos assemelhados há muito tempo e produzem tão pouco.  </p>
<p>Quero apenas e simplesmente que cada morador do Grande ABC diga exatamente o que está fazendo em favor da região, à parte interesses pessoais, familiares e profissionais? </p>
<p>Que exemplos cada um de nós temos a oferecer? </p>
<p>É aí voltamos ao Santo André e ao rebaixamento.</p>
<p>Quantas vezes o leitor esteve nos jogos do Santo André no Estádio Bruno Daniel neste ano? </p>
<p>As arquibancadas vazias durante praticamente toda a competição, exceto quando os visitantes dominavam a cena, são o testemunho mais fiel e doloroso de que ao menos no caso de Santo André, declarações de amor vão soar como enganação pura. Ou o futebol da cidade seria assim tão pouco importante?</p>
<p>O Grande ABC finge que se ama, mas está mesmo é de olhos e ouvidos na Capital tão próxima em quase todas as atividades humanas, inclusive no futebol. </p>
<p>Nosso Complexo de Gata Borralheira é muito mais grave do que supomos e admitimos. </p>
<p>Somos uma sociedade sem alma, uma periferia metropolitana que de vez em quando se mete a besta mas é incapaz de reconhecer e prestigiar os valores individuais que estão muito além de endereços tradicionais e que raramente aparecem na mídia. </p>
<p>Precisamos passar o Grande ABC a limpo, mas, convenhamos, isso é uma tremenda idiotice no campo prático. </p>
<p>Tenho razões de sobra para amar o Grande ABC mas não nego que tenho motivos de sobra também para, se necessário, deixar o Grande ABC. </p>
<p>Não sou como hipócritas que, enquanto manejavam discursos de louvação à região, preparavam as malas corporativas, profissionais e pessoais rumo à Cinderela da Capital tão próxima ou de redutos interioranos bem mais prósperos e tranquilos. </p>
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		<title>Sobrenatural de Almeida</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 19:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é porque o Santo André está com a alma encomendada e a caminho do purgatório que deva entregar a rapadura antes que as ínfimas possibilidades matemáticas evaporem. 
O rebaixamento do Santo André à Série B do Campeonato Brasileiro é uma crônica esportiva anunciada, mas o imponderável não pode ser descartado jamais. 
Ganhar os quatro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é porque o Santo André está com a alma encomendada e a caminho do purgatório que deva entregar a rapadura antes que as ínfimas possibilidades matemáticas evaporem. </p>
<p>O rebaixamento do Santo André à Série B do Campeonato Brasileiro é uma crônica esportiva anunciada, mas o imponderável não pode ser descartado jamais. </p>
<p>Ganhar os quatro jogos é a única saída e isso tem significado assustador. Já no final de semana contra o Goiás no Serra Dourada o Santo André poderá dar adeus ao experimento mais fantástico em quatro décadas de futebol, ou seja, atuar durante tantos meses na principal vitrine esportiva do País. </p>
<p>Muito ainda haverá de ser escrito e discutido sobre a atuação do Santo André nesta temporada. Neste momento, as possibilidades de seguir na Série A rivalizam-se com a recuperação da imagem da Uniban diante das feministas após o ruinoso caso daquela loira postiça de pernas grossas. Quem achar a comparação forte certamente desconhece a gana das mulheres que não abrem mão de defender as mulheres em quaisquer circunstâncias ou então não pesquisou a classificação do campeonato. </p>
<p>Esse deve ser o ponto de partida para qualquer tipo de estratégia que o Santo André adotar neste final de competição. </p>
<p>Suavizar a situação é utilizar a arma da dissimulação que não conduzirá a resultado positivo algum. Jogadores, comissão técnica e dirigentes devem encarar o quadro de emergência a ser superado. </p>
<p>Parece que foi assim que o Fluminense partiu para uma reviravolta da qual continuo a duvidar que alcance o objetivo libertador. Mas ninguém jamais poderá contestar a recuperação do Fluminense como prova viva de dignidade e determinação de um grupo de profissionais. </p>
<p>O que quero dizer é que o Santo André não pode jogar a toalha, como parece que jogou domingo contra o Corinthians, notadamente após o segundo gol. </p>
<p>Pior que o rebaixamento é o rebaixamento sem luta, sem fé, sem determinação. </p>
<p>Este não é o momento apropriado para incursões por outras áreas do Santo André, as quais poderiam facilmente explicar os resultados em campo. </p>
<p>Não seria este jornalista o responsável pela instauração de um ambiente de mal-estar permanente por conta da realidade na tábua de classificação. </p>
<p>Independentemente do resultado final da competição, sei bem o que pretendo fazer como profissional que tem a obrigação de informar. O Santo André do futuro com que todos sonham não será melhor ou pior se a equipe estiver na Série A ou Série B do Campeonato Brasileiro. Será simplesmente o Santo André diferente do passado de romantismo esportivo e do Santo André do presente de gulodice empresarial.  </p>
<p>Futebol é algo tão contraditório que os cases de sucesso e de fracasso se misturam. Pequenos detalhes fazem a diferença entre um modelo vitorioso e um modelo perdedor, mas também em outras situações não fazem diferença alguma. </p>
<p>A fórmula do triunfo de hoje pode ganhar roupagem diferente e constrangedora amanhã. As circunstâncias costumam mudar os rumos dos acontecimentos. </p>
<p>Um grande dirigente esportivo num ano pode ser a bola da vez de críticas no ano seguinte. Um técnico badalado hoje pode estar numa nau à deriva logo em seguida. </p>
<p>O mundo da bola é muito mais travesso que qualquer outro mundo. </p>
<p>Telê Santana entrou para a história do São Paulo bicampeão mundial nos anos 1990 depois de chegar ao Morumbi com a pecha de pé-frio na Seleção Brasileira. Tantos outros exemplos poderiam ser rebocados. Em contraposição, Oswaldo de Oliveira, um técnico apenas bem educado com a Imprensa, ganhou o Mundial de Clubes com o Corinthians na esteira do planejamento e das obras técnico-táticas de Vanderlei Luxemburgo. </p>
<p>O que quero dizer com isso é que não existem verdades absolutas no futebol. O Sobrenatural de Almeida tem sua porção de participação que costuma mudar tudo. </p>
<p>É do Sobrenatural de Almeida que o Santo André precisa nesta reta de chegada, mas a impressão é que também nessa corrida o Ramalhão chegou atrasado, porque essa alma gestada pelo gênio de Nelson Rodrigues em crônicas antológicas já tomou o corpo do Fluminense, clube de coração do cronista carioca.  </p>
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		<title>Testes de resistência</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 20:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Vencer o Grêmio mas terminar a rodada da Série A do Campeonato Brasileiro com sorriso amarelo porque não obteve a recompensa classificatória &#8212; eis um final de semana distante do ideal para o Santo André. Dificilmente alguém teria acertado os resultados conjugados das equipes que estão na zona de rebaixamento.
É claro que o resultado do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vencer o Grêmio mas terminar a rodada da Série A do Campeonato Brasileiro com sorriso amarelo porque não obteve a recompensa classificatória &#8212; eis um final de semana distante do ideal para o Santo André. Dificilmente alguém teria acertado os resultados conjugados das equipes que estão na zona de rebaixamento.</p>
<p>É claro que o resultado do Santo André foi tão importante quanto justo, mas estamos falando de reta de chegada, de rebaixamento, de tudo que de fato pesa na balança da temporada &#8212; e é nessas horas que vai bem uma boa dose de sorte. </p>
<p>E o Santo André não contou com a sorte. A vitória do Botafogo em Porto Alegre, do Fluminense no Mineirão e do Náutico no clássico do Estádio dos Aflitos contra o Sport foram tudo que não poderia acontecer. </p>
<p>Querem os leitores que torcem pela permanência do Santo André na Série A mais uma justificativa para entenderem que o final de semana foi complicado? Pois também é um mau negócio a troca do Fluminense pelo Sport na lanterninha na competição. Embora o Botafogo seja mesmo o concorrente que deve se livrar da degola, o Fluminense entra na parada para acentuar a fragilidade institucional do Santo André. Apenas um carioca cairá, provavelmente o heróico Fluminense, mas até que a extrema unção seja dada, pode ajudar a entornar ainda mais o caldo do Santo André. </p>
<p>O time de Sérgio Soares caminha para ampla e irrestrita queda à Série B, mas ao que tudo indica o fará de forma honrada, sem entregar a rapadura. Os resultados contra Palmeiras e Grêmio são indicativos disso, mas não resisto a lamentar novamente os exageros defensivos contra o Cruzeiro no Mineirão. </p>
<p>O Fluminense não precisou de mais que três dias para, em situação muito mais adversa, mostrar que camisa e institucionalidade podem fazer a diferença. Fez com o Cruzeiro o que se apresentou de forma muito mais palpável ao Santo André. Teve aquela personalidade tática e técnica que emerge da história. Faltou ao Santo André contra o Cruzeiro o rompimento do Complexo de Gata Borralheira que calou o Maracanã naquele final de junho de 2004 de decisão da Copa do Brasil.   </p>
<p>Sei lá quantos por cento os estatísticos que frequentam sites esportivos e programação de televisão atribuem à possibilidade de queda do Santo André à Série B. </p>
<p>Só sei que, como insinuei ainda outro dia, não confio muito nos números de Oswald de Souza e de Tristão Garcia. Eles são voláteis demais, saltitantes demais. A cada rodada a numerologia ganha novas formas. Como estou acostumado com pesquisas eleitorais, muito mais moderadas, mais sensatas, muito mais graduais, fico de orelha em pé. </p>
<p>Será que tanto um quanto outro estudioso não estaria forçando a barra com metodologias malucas voltadas à audiência? Se alguém se meter a fazer um estudo minucioso do andar da carruagem dos números que os professores desfilam ao final de cada rodada, inquietudes não faltarão. </p>
<p>Ainda outro dia Tristão Garcia escreveu que 48 pontos seriam indispensáveis à fuga do rebaixamento. Logo em seguida baixou para 47. Agora dizem que chegou aos 45 pontos que apontei faz muito tempo sem volatilidade, sem saltos, sem idas e vindas. Apenas guiado por dados históricos, que cabem perfeitamente na lógica matemática, se lógica matemática for a expressão mais adequada para explicar o índice de aproveitamento indispensável para ganhar título, classificar-se à Libertadores, garantir uma vaga na Sul-Americana e fugir do rebaixamento. </p>
<p>Tudo absolutamente previsível por conta de experiências da própria competição. </p>
<p>O que sei mesmo e já cansei de escrever, porque fui aos meandros classificatórios de todas as edições anteriores, é que está cada vez mais consolidada a projeção de que bastam 39,5% (tenho arredondado para 40%, porque significam 45 pontos ganhos) de aproveitamento para fugir do rebaixamento. Qualquer time que entre numa disputa do Brasileiro, seja da Série A, seja da Série B, tem que projetar um mínimo de 39,6% de produtividade para não ser assaltado pela queda. Já para garantir o título com folga o mínimo necessário é de 68% de aproveitamento. </p>
<p>Para chegar a 45 pontos ganhos o Santo André precisará somar 10 dos 15 dos cinco jogos que restam. Como o Náutico. O Fluminense precisa de 12 dos 15 pontos e o Botafogo de apenas sete. Atlético Paranaense e Coritiba já estão praticamente fora desse barco que aderna. É possível sim que com menos de 45 pontos em 114 disputados se escape do rebaixamento, mas aí entra em jogo série de ponderações e, principalmente, a expectativa até a última rodada. Garantia mesmo são 45 pontos ganhos, e estamos conversados. </p>
<p>Com três jogos fora &#8212; Corinthians, Goiás e Internacional &#8212; e dois em casa &#8212; Avaí e Náutico &#8212; a situação está pra lá de estressante ao Santo André. Ainda mais que agora disputa a última vaga para fugir da queda com Botafogo, Náutico e Fluminense. O consolo é que dá sinais de que estabilizou o processo de recuperação. Isso significa que o time de Sérgio Soares já não oscila para baixo, já não é um avião em queda livre. </p>
<p>Tudo certo não fosse a situação em que o Santo André se encontra na classificação, exigindo-lhe arremetida forte. Algo que a equipe ainda não sinalizou. Ganhar 10 pontos em 15 significa conquistar 66,6% dos pontos a disputar até o final da competição e, com isso, alcançar 39,5% de produtividade geral. Uma tarefa nada fácil porque até agora, em 33 jogos, registrou 35,35% de produtividade. </p>
<p>Qualquer um dos degoláveis só escapará do rebaixamento, exceto o Botafogo, se alcançar nos cinco jogos finais números que estariam acima da produtividade que São Paulo e Palmeiras contabilizaram até agora, com 58,5% de rendimento. Ou seja: futebol de candidatíssimo ao título. O Botafogo só precisa de 46,6% para respirar aliviado ao final da última rodada. </p>
<p>Nada é impossível, porque são vários os casos de equipes que nos chamados tiros curtos, de série de cinco jogos ou mais alguns, registram índices de rendimento espetaculares. Mas são raríssimos os casos de tamanha superação em reta de chegada, quando os nervos gerais estão à flor da pele e vagas para diferentes competições escancaram-se matematicamente.  </p>
<p>Ao Santo André não resta saída senão derrotar o Corinthians domingo no Pacaembu para baixar a taxa de exigência de rendimento para 58% nos quatro jogos finais. Viram como a fuga do rebaixamento seria heróica? Tanto quanto para o Fluminense como para o Náutico. Três pontos de dianteira a cinco rodadas do final fazem muita diferença. </p>
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		<title>Sinistralidade em alta</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 19:57:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aumentou o risco de sinistralidade do Santo André na Série A do Campeonato Brasileiro. Fosse um veículo, o Santo André seria um dos modelos mais procurados por quem vive de furtos e roubos. E, portanto, a apólice de seguros ficaria bem mais salgada.
Numa casa de apostas, se casas de apostam existissem no Brasil, como as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aumentou o risco de sinistralidade do Santo André na Série A do Campeonato Brasileiro. Fosse um veículo, o Santo André seria um dos modelos mais procurados por quem vive de furtos e roubos. E, portanto, a apólice de seguros ficaria bem mais salgada.</p>
<p>Numa casa de apostas, se casas de apostam existissem no Brasil, como as casas de apostas de Londres, o Santo André estaria entre os degoláveis da vez. E significaria altíssimo prêmio a quem apostasse permanência na Série A do próximo ano. </p>
<p>Quem estaria disposto a bancar a escapadela do Santo André da Série B do Brasileiro do ano que vem depois da noite de quarta-feira? </p>
<p>Perder para o Cruzeiro não deveria provocar nenhum trauma. Primeiro porque o jogo foi no Mineirão, segundo porque o Cruzeiro tem mais time que a maioria dos adversários, e terceiro porque o Santo André não anda lá das pernas. </p>
<p>O problema é que o Santo André perdeu quando estava com o jogo ganho, embora pudesse ter virado o primeiro tempo em imensa desvantagem. </p>
<p>Trocando em miúdos: O Santo André estava vencendo o jogo mais perdido da temporada e acabou perdendo os três pontos mais escancarados dessa mesma temporada. </p>
<p>O Santo André deixou que a canoa virasse quando tudo indicava que o Cruzeiro fazia água. </p>
<p>O gol de Júnior Dutra parecia repetir sobre o Cruzeiro os efeitos do segundo gol do Estudiantes na final da Copa Libertadores da América, também no Mineirão. Igualmente de virada. O Cruzeiro ficou atordoado, entregue à própria sorte. Mas o Santo André não aproveitou, deu tempo para o adversário arranjar-se emocionalmente. O desenlace não poderia ser outro.  Restou o choro inútil e exagerado dos perdedores, de reclamar da arbitragem irregularidade no terceiro gol dos mineiros. </p>
<p>Estou ainda mais convicto de que o Botafogo do Rio vai escapar da degola. O jogo com o Náutico e a derrota para o Flamengo no final de semana são sintomáticos. Foram dois pênaltis assinalados em circunstâncias mais que duvidosas. Contra o Flamengo foi um escândalo, já que o centroavante André Lima atirou-se ao solo, fingindo contato com um zagueiro adversário. Contra o Náutico a cena foi igualmente cinematográfica. </p>
<p>O Botafogo só não será apeado da Série A se errar demais. Como é um time do mesmo nível ou um pouco mais apetrechado que os demais ameaçados de descenso, o fator político-institucional deve fazer a diferença. É tão pouco provável que dois times cariocas caiam na mesma temporada quanto sugerir que o Santo André, o mais frágil em institucionalidade entre os ameaçados de rebaixamento, terá alguma dose de colaboração das arbitragens. Já deveria erguer mãos aos céus por não estar sendo prejudicado. E não pensem que estou lançando desconfiança sobre as arbitragens dos jogos dos rebaixáveis. O ambiente de cada jogo e o entorno histórico também determinam a construção de resultado &#8212; que muitas vezes deriva de pressão à arbitragem.  </p>
<p>Que a proteção ao Botafogo não sirva de desculpa ao Santo André. Até porque, pelo andar da carruagem, o time de Sérgio Soares possivelmente nem poderá reclamar de benesses aos cariocas, já que está ameaçadíssimo de ficar abaixo do Náutico e do Sport na classificação. </p>
<p>Na hora de a onça da personalidade coletiva beber a água da autosustentação técnica e tática, como foram os últimos 20 minutos do jogo com o Cruzeiro, o que se viu foi a lambança de amedrontamento. A defesa e o meio de campo do Santo André enfiaram-se sob a saia territorial do goleiro Neneca. Sobrou espaço para o Cruzeiro fazer ainda melhor o que já faz normalmente: a exploração lateral do campo em velocidade, em passes rápidos, em triangulações, com cruzamentos e viradas de jogo permanentes. Quem oferece espaço para o Cruzeiro jogar, fica fora do jogo. </p>
<p>Não consto da relação de jornalistas que procuram individualizar bode expiatório nos maus resultados, mas as últimas atuações de Marcelinho Carioca fogem ao padrão imediatamente anterior no Santo André. </p>
<p>Marcelinho já não tem idade nem fôlego para brilhar o tempo todo, como tantos outros veteranos que desfilam pelos gramados do Brasileiro. Entretanto, é indiscutível a queda de produção. Sei lá se está desconcentrado por conta de ambições políticas, mas que não consegue ser importante para o Santo André como Paulo Bayer é para o Atlético Paranaense, Marcelinho Paraíba para o Coritiba e Carlinhos Bala para o Náutico, só para citar algumas celebridades dos gramados, isso é inegável. Talvez sinta também individualmente a debilidade do conjunto. </p>
<p>Embora acredite que além de veículo visadíssimo pelos malfeitores do rebaixamento acuse complicações que o levam ao acostamento da competitividade, o Santo André não pode jamais jogar a toalha. </p>
<p>O jogo com o Grêmio é oportunidade de ouro para recuperar-se do amedrontamento tático do Mineirão e, com isso, voltar à disputa em condições semelhantes à dos demais ameaçados. </p>
<p>Sinceramente não acredito em milagres, mas como está nas páginas de jornais e revistas uma candidata a santa que viveu em Santo André, quem sabe não valeria a pena uma esticadinha adicional de fé. Até porque fé não tem limites. </p>
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		<title>Entre os enforcados</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 17:53:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Santo André vive a mesma situação do Botafogo, do Sport e do Náutico na Série A do Campeonato Brasileiro: está com a corda no pescoço à espera que um deus justiceiro lhe estenda a mão da matemática e o salve da dor do rebaixamento. O Fluminense está se asfixiando a cada tentativa de salvamento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André vive a mesma situação do Botafogo, do Sport e do Náutico na Série A do Campeonato Brasileiro: está com a corda no pescoço à espera que um deus justiceiro lhe estenda a mão da matemática e o salve da dor do rebaixamento. O Fluminense está se asfixiando a cada tentativa de salvamento. </p>
<p>Não é à toa que falar em corda no pescoço a representantes dos candidatos ao rebaixamento, mesmo na brincadeira, soa como tremenda mancada ou provocação &#8212; com possibilidades de despertar a ira dos interlocutores. </p>
<p>A mais recente rodada da competição, iniciada quarta-feira à noite com a vitória do Santo André sobre o Palmeiras, acrescentou mais fervura na disputa. A derrota do Botafogo para o Flamengo foi comemorada por todos os degoláveis. </p>
<p>O Santo André conseguiu grande resultado, mas os resultados subsequentes poderiam ser mais interessantes. O Náutico insiste em manter-se vivo, o Sport também não entrega a rapadura e o Botafogo vencido no clássico carioca não saiu de campo fora do eixo. Um clássico pode provocar estragos com efeitos prolongados. Não parece ser o caso do Botafogo. O lamento do pênalti perdido deve ser entendido como capacidade para enfrentar um embalado e tradicional adversário, o que retroalimenta a autoestima para futuros combates.  </p>
<p>O técnico Sérgio Soares está conseguindo reconstruir a estrutura tática do Santo André, mas não alcançará o nível de excelência da Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado. Aquele time falsamente molemonte, teatralmente preguiçoso, aquele time que parecia não querer nada com o jogo, aquele time está aparecendo de novo nos gramados, embora ainda não reviva a antiga performance durante todo o tempo. Contra o Palmeiras foi assim. O adversário parece hipnotizado diante daquela troca de passes sem pressa que, de repente, transforma-se em contragolpe fatal. Há ajustes na defesa, no meio de campo e no ataque, mas é evidente que Camilo e Vanderlei são talentosos. No jogo desta quarta-feira contra o Cruzeiro é preciso atenção redobrada no posicionamento defensivo. O time mineiro vira o jogo com muita facilidade. </p>
<p>Resta saber também se nas sete rodadas que faltam Sérgio Soares conseguirá acelerar o nível de aprendizagem ou de reaprendizagem coletiva de que a equipe ainda carece. </p>
<p>Também é preciso levar em conta que o grupo do ano passado era mais equilibrado em todos os quesitos. Não havia, como agora, jogadores em busca da melhor forma física e técnica, depois de passarem por inatividade ou por contusões, ou mesmo por adaptação tática e ambiental. </p>
<p>Esse é o ônus às equipes que sofrem desmanches ou experimentam novos treinadores e atletas. O Santo André contou com três técnicos durante a competição. O Atlético Mineiro de Celso Roth é o contraponto, porque acertou na mosca nas contratações e se arrumou cirurgicamente. Quando Santo André e Atlético Mineiro jogaram nas primeiras rodadas do primeiro turno no Mineirão, a equipe do Grande ABC era nitidamente mais apetrechada. O Santo André vinha de excelente Campeonato Paulista e o Atlético de desastrada final do Campeonato Mineiro sob as ordens de Emerson Leão. </p>
<p>Segue valendo a projeção de que a salvação do rebaixamento está no índice de produtividade de 40% (mais precisamente de 39,5%), que corresponderia a 45 pontos em 114 disputados. Quem quiser respirar aliviado deve mesmo utilizar a máscara protetora daquela pontuação. O Figueirense foi rebaixado na Série A do Brasileiro do ano passado, como primeiro abaixo da linha de corte, com 44 pontos ganhos. O Náutico obteve a mesma pontuação, mas se safou por conta do número de vitórias. </p>
<p>Após 31 rodadas nesta temporada, o agrupamento dos quatro últimos colocados segue semelhantemente à situação do ano passado. Os quatro últimos de 2008 haviam acumulado até a 31ª rodada o total de 121 pontos, ou média geral de produtividade de 13% &#8212; 121 pontos divididos por 930 pontos gerais disputados pelas 20 equipes. Neste ano, são 120 pontos, com média geral de 12,90%. Na temporada passada havia sete equipes ameaçadas de queda nestas alturas do campeonato, contra apenas cinco deste ano.  </p>
<p>Tenho desconfianças quanto ao dimensionamento matemático propagado por especialistas como Tristão Garcia e Oswald de Souza. Longe de mim desacreditá-los, mas a volatilidade dos indicadores liga o desconfiometro de que por mais que tenham embasamento científico, alquimias estatísticas não podem ser levadas a sério em demasia. São interessantíssimos marketing de audiência, como as pesquisas eleitorais, mas sem a precisão de pesquisas eleitorais sérias. Até porque os humores da sociedade são menos suscetíveis a mudanças radicais. Os gramados costumam aprontar muito mais.  </p>
<p>Ainda outro dia o Palmeiras estava lá nas alturas no ranking de probabilidades de chegar ao título. Quatro rodadas depois, desabou. Está certo que aqueles números retrataram o momento, mas quando se trata de título nacional não creio que seja o suficiente para convencer o distinto público de que não carregue fortes impulsos de chutometria. Até porque futebol não é ciência exata. O Santo André que o diga contra o líder Palmeiras, por exemplo. </p>
<p>Escrevi ainda outro dia em oposição a Tristão Garcia que 45 pontos são mais que suficientes para fugir do rebaixamento. O professor gaúcho publicara que o mínimo seriam 48 pontos. Mostrei que desde a introdução de pontos corridos e desde que 20 equipes estão na Série A e também na Série B, jamais houve descenso para quem chegou a 45 pontos. Não seria este ano, como prova o andar da carruagem de cada rodada. </p>
<p>Acredito que nova metodologia deveria ser gestada pelos matemáticos para aproximar os percentuais de probabilidades tanto para a definição do título como para o calabouço da queda. Sei lá a metodologia utilizada, por mais que tenha procurado desvendá-la. Só sei mesmo que há movimentos abruptos demais a cada rodada, principalmente quando se projetam favoritismos que não se confirmam. Não seriam esses favoritismos exagerados numa competição na qual diferenças de poderio entre as equipes são muito mais estreitas do que os frios números da classificação?</p>
<p>Ainda acho que o índice de produtividade deve balizar todas as equipes, porque é espécie de plano de vôo que permite medidas táticas para correção de rotas. Estatisticamente, chega-se à Taça Libertadores com aproveitamento de 58%, ao título do Brasileiro com 68% e se foge do rebaixamento com 39,5%. Em todas as situações, há margem de manobra, de conforto. Eventuais sazonalidades que possam aparecer no radar, detectadas em constante monitoramento, poderão ser cautelarmente tratadas. Um caso típico é o índice de produtividade da Série A, que confere a liderança ao Palmeiras com 58,1% dos pontos, quando a marca em outras temporadas garantia apenas o quarto lugar.   </p>
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		<title>Ronan, o absolutista</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:50:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Santo André só chegou à Série A do Campeonato Brasileiro porque contava com o comando diretivo de Ronan Maria Pinto. 
O Santo André só chegou à zona de rebaixamento da Série A do Campeonato Brasileiro porque conta com o comando diretivo de Ronan Maria Pinto.
O Diário do Grande ABC só resistiu nos últimos anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Santo André só chegou à Série A do Campeonato Brasileiro porque contava com o comando diretivo de Ronan Maria Pinto. </p>
<p>O Santo André só chegou à zona de rebaixamento da Série A do Campeonato Brasileiro porque conta com o comando diretivo de Ronan Maria Pinto.</p>
<p>O Diário do Grande ABC só resistiu nos últimos anos depois de série de contratempos administrativos e financeiros porque o empresário Ronan Maria Pinto tomou conta das ações.</p>
<p>O Diário do Grande ABC só declinou como produto jornalístico nos últimos anos e assume cada vez mais ares provincianos porque conta com o controle de Ronan Maria Pinto. </p>
<p>Não é por acaso que Ronan Maria Pinto e absolutismo são sinônimos. </p>
<p>O ex-cobrador de ônibus do grupo de Nenê Constantino é empreendedor que não mede esforços e consequências para alcançar objetivos nem sempre traçados com ciência. </p>
<p>Além de absolutista, Ronan Maria Pinto é paradoxal. </p>
<p>Quem o vê apenas de casca e tudo, publicamente, destilando gentilezas e sorrisos, jamais seria capaz de imaginar o quanto transmuda nos bastidores. </p>
<p>Ronan Maria Pinto é ardiloso acima da média natural de quem quer se dar bem nos negócios. </p>
<p>Ronan Maria Pinto mostra os dentes com a classe e a discrição dos especialistas em sedução. Apenas em situações especiais contrai os músculos faciais a denotar contrariedade. Tirá-lo do sério é uma arte contraposta à arte da dissimulação da qual é mestre. </p>
<p>Dificilmente se encontra na praça quem seja mais controlador dos próprios nervos do que Ronan Maria Pinto. </p>
<p>A impressão que Ronan Maria Pinto transmite é de que fez tratado com deuses ou demônios para jamais perder a linha em público. É agradabilíssimo em encontros grupais. Tanto quanto complicadíssimo nas relações reservadas.  </p>
<p>Nem tudo que parece é de fato quando Ronan Maria Pinto está em público. </p>
<p>Tudo que parece é de fato quando Ronan Maria Pinto exerce poder nos bastidores. </p>
<p>O Santo André deve muito ao perfil comportamental de Ronan Maria Pinto. Sem a ultrapassagem dos limites da razoabilidade econômico-financeira a equipe jamais teria chegado à Série A do Campeonato Brasileiro. </p>
<p>A Santo André que não está nem aí com o futebol profissional representado pelo Santo André de Ronan Maria Pinto ainda não conseguiu dimensionar o que pode lhe sobrar se a impetuosidade do empresário der com os burros nágua ou, muito improvável, se engrenar para valer. Catanduva e, vejam só, Tóquio, são limites extremos. Muito mais Catanduva, é claro.  </p>
<p>As informações sobre o déficit orçamentário do Santo André nesta temporada são conflitantes apenas num ponto: se alcançará mesmo R$ 10 milhões ou se se limitará à proximidade de R$ 8 milhões. </p>
<p>Certo, certíssimo, é que o prejuízo será enorme e poderá comprometer a temporada de 2010 e subsequentes. </p>
<p>Como se sabe, a contratação do rebaixamento não é obra do acaso. É sucessão de equívocos. </p>
<p>Da mesma forma, a conquista de um título importante não nasce do nada, mas de planejamento, dedicação e muito mais.</p>
<p>A megalomania de Ronan Maria Pinto em levar a equipe à Libertadores da América ou à Sul-Americana está custando caro. O rebaixamento seria a consagração da incompetência. Gastar-se-iam os tubos para voltar à Série B.</p>
<p>Historicamente o Santo André de brilho discreto foi plasmado pelo conservadorismo de investimentos. Sempre se priorizou a perpetuidade da agremiação. </p>
<p>A conquista épica da Copa do Brasil de repercussão internacional foi a confluência de vários fatores, entre os quais a sorte de uma disputa senão lotérica, bem próxima disso, por conta do sistema de mata-mata. </p>
<p>O presidente daquela memorável conquista, Jairo Livolis, lamenta até hoje os desarranjos orçamentários após a participação na Taça Libertadores da América. O Santo André não tinha estrutura econômico-financeira para dar aquele salto. </p>
<p>Dinâmico, atrevido, dedicadíssimo à causa que devota, principalmente se a causa render os objetivos materiais que jamais negou, Ronan Maria Pinto faz das tripas coração para evitar a queda do Santo André. </p>
<p>Ronan Maria Pinto sabe que será difícil contornar na reta de chegada a série de bobagens que patrocinou desde o acesso no ano passado. O deslumbre já custou caro. O rebaixamento seria um desastre. </p>
<p>O Santo André é um festival de besteiras diretivas com profundos reflexos nos gramados. </p>
<p>Jornalista independente que seja amado e odiado é natural. Aliás, os grandes nomes do mercado regional e nacional são feitos dessa matéria prima indissolúvel mesmo diante de eventuais ameaças. </p>
<p>Já um presidente de clube-empresa que é visto com desconfiança pelos pares da empreitada é algo a inquietar. E Ronan Maria Pinto é observado sob lentes críticas cada vez mais próximas. </p>
<p>Há um sentimento em comum entre os acionistas do Santo André que fazem oposição velada a Ronan Maria Pinto: o temor de represálias nas páginas do jornal que o empresário comanda. </p>
<p>A perseguição que a publicação move contra o prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo, é sintomática. O passado especulativo de participação do empresário na morte do prefeito Celso Daniel, contrariamente ao que concluiu a Polícia Civil em três investigações, ajudou a erigir a imagem alcaponesca de Ronan Maria Pinto. </p>
<p>Por isso, os acionistas permanecem calados ou condescendentes com tudo nas reuniões. </p>
<p>O regime diretivo do Santo André é de cartas marcadas, de simulacro de consensos produtivos.  </p>
<p>Deixei de participar de reuniões dos acionistas quando percebi o prevalecimento de uma mistura de temor silencioso e engajamento tácito com o presidente Ronan Maria Pinto. Não é assim, convenhamos, que se constrói uma democracia esportivo-empresarial. </p>
<p>Ronan Maria Pinto é tão absolutista no comando do Santo André que introduziu sem o menor pudor a política partidária na engrenagem da agremiação. </p>
<p>A candidatura de Marcelinho Carioca e do vice-presidente Romualdo Magro Júnior às eleições do ano que vem para a Câmara Federal e a Assembléia Legislativa confunde os leitores do Diário do Grande ABC. Os noticiários se entrelaçam, independentemente dos humores resultantes dos gramados. Os interesses eleitorais passam ao largo das necessidades matemáticas de superação da ameaça de rebaixamento. Ronan Maria Pinto concebeu essa dupla eleitoral e a sustenta com a institucionalidade do Diário do Grande ABC. </p>
<p>Ronan Maria Pinto é um dos homens mais dinâmicos que este jornalista já conheceu. Cada minuto lhe parece o último, tal a forma com que se lança no cumprimento da agenda. </p>
<p>O problema de Ronan Maria Pinto é que não lhe sobra muito tempo para reflexão. Os ataques de estrelismo, que disfarça com frases de programada modéstia, sabotam qualquer expectativa de equilíbrio na execução de projetos. </p>
<p>Um exemplo imbatível do ciclotímico temperamento de Ronan Maria Pinto é o técnico Sérgio Soares, que deixou o Santo André após o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Retornou depois de fracassadas experiências do Santo André nesta temporada com Sérgio Guedes e Gallo. O mesmo Ronan Maria Pinto que não fez esforço nenhum &#8212; muito pelo contrário &#8212; para reter o treinador na virada do ano, por considerá-lo menos importante do que de fato fora na conquista do Acesso à Série A, viu-se forçado a rever aquela decisão. </p>
<p>Ronan Maria Pinto só revê decisões quando as decisões tomadas o encalacram.  </p>
<p>Ronan Maria Pinto é uma locomotiva sem freios que exerce o poder de forma avassaladora. </p>
<p>Ronan Maria Pinto raramente aceita ser o número dois em qualquer empreitada em que se mete. Terceiro, quarto ou qualquer outra colocação, só se estiver certo de que o exercício da paciência será recompensado. O prefeito de Santo André, Aidan Ravin, sabe disso. Os acionistas do Santo André também. O prefeito Luiz Marinho igualmente. </p>
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		<title>Clássico na Série B</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 17:09:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos ao que interessa, depois da rodada do final de semana da Série A e da Série B do Campeonato Brasileiro: embora a apenas três pontos da marca de salvamento, o Santo André tem muito menos condições gerais para escapar da degola do que o São Caetano de chegar à Série A, apesar de estar seis pontos abaixo do quarto colocado da Série B. Faltam em cada uma das duas competições oito rodadas ou 21% dos pontos da temporada. Como se observa, escasseia terrivelmente espaço para reviravoltas. </p>
<p>Ao Santo André faltam equilíbrio tático e virtudes técnicas para fugir do rebaixamento iminente. </p>
<p>Ao São Caetano faltou nos momentos decisivos, contra as equipes que estão à frente na classificação, uma azeitada mais forte do conjunto adquirido na competição após a contratação de reforços. </p>
<p>O Santo André teve uma capacidade insuperável de desmanchar o que vinha dando certo, porque o pecado da soberba o atingiu diretivamente. As jornadas na Série B moldaram o Avaí e o Barueri, clubes com os quais o Santo André pode ser comparado, clube com os quais, aliás, disputou a competição no ano passado e os superou na classificação final. </p>
<p>O São Caetano encontrou forças, bom senso e competência para reestruturar-se durante a competição deste ano. Seria demais esperar que após péssima largada, quando inclusive frequentou insistentemente a zona de rebaixamento, chegasse entre os quatro. Ainda há esperanças, é verdade, mas provavelmente não passará disso. </p>
<p>É mais que provável que Santo André e São Caetano façam clássicos na Série B do ano que vem. Quem disser o contrário é discípulo de Pangloss, de otimismo incurável. </p>
<p>Apenas para reforçar os conceitos: o grande fosso entre o Santo André e o São Caetano nesta temporada do Brasileiro é que o Ramalhão se desmanchou a cada rodada com uma carga pesadíssima de erros crassos, enquanto o São Caetano saiu das trevas de um descenso cantado em verso e prosa e, recuperando fôlego a cada rodada, ainda que tenuamente flerta com o acesso. </p>
<p>Está tão fácil e escancarada para um a queda quanto está complicado e quase impossível para outro o acesso. </p>
<p>Enquanto ao Santo André resta praticamente a disputa com o Botafogo do Rio para fugir da queda (sem contar que o Náutico e o Sport chegam para tumultuar ainda mais a situação), para o São Caetano há três candidatos (Figueirense, Atlético Goianiense e Portuguesa de Desportos) à única vaga ao acesso.  </p>
<p>Pensando bem, as duas equipes estão, nesse caso, em situação semelhante: disputam com outras três o direito de manter-se na Série A (no caso do Santo André) ou de chegar à Série A (no caso do São Caetano). </p>
<p>Vi pela televisão os jogos do São Caetano e do Santo André no final de semana. </p>
<p>O São Caetano voltou a mostrar que possivelmente não terá grandes dificuldades de, nas oito rodadas que restam, somar pontos suficientes para ficar pelo menos entre os seis primeiros colocados. É claro que o quinto e o sexto lugares não adiantarão nada, exceto a prova da recuperação. </p>
<p>Se repetir os pontos conquistados nas oito últimas rodadas do primeiro turno contra os adversários que virão, com mando de jogo invertido, poderá inclusive aproximar-se para valer da última vaga. É bom lembrar que naqueles oito jogos o São Caetano confirmou a arrancada que o retirou da zona de rebaixamento e o levou às margens do acesso. Arrancada que começou um jogo antes, contra o ABC. O mesmo ABC derrotado sexta-feira. Se repetir a tabela, o São Caetano chegaria a  55% de aproveitamento. O projetado para garantir o acesso são 58%. </p>
<p>Não tivesse perdido os dois alas (Arthur e Éverton Ribeiro) nos jogos mais importantes do segundo turno, contra as equipes que o superam na classificação, o São Caetano possivelmente teria acumulado pontos para estar na briga do acesso com uma dose maior de realismo. </p>
<p>Também fez falta um jogador que não consta do elenco: um ponta de lança com fome de gol, para aproximar-se mais constantemente do centroavante Washington. A suspensão do técnico Antonio Carlos Zago também pesou um bocado. Ele exerce importante liderança à beira do gramado. Embora ainda não consiga manter-se estável durante todo o jogo, o São Caetano está longe do time desajustado do primeiro turno. </p>
<p>Já o Santo André que a TV mostrou contra o Atlético Paranaense está a caminho de certa arrumação tática, depois da chegada de Sérgio Soares. Entretanto, o peso das mudanças constantes, com o desembarque de jogadores que demoram a adquirir ritmo desejado, e o desespero provocado pela frequência com que está na zona do rebaixamento, intranquilizam tremendamente.</p>
<p>O Santo André que fez da paciência a arma letal na Série B do ano passado e na Série A do Campeonato Paulista deste ano está preso à urgência de vencer. Por isso, sofre enxurradas de contragolpes e ataca sem criatividade. Insiste em jogadas repetitivas com jogadores sem confiança. </p>
<p>Chegou o Santo André ao ponto de exigir dos críticos certos cuidados com sentenças definitivas. O precário sentido de grupo torna cada jogador vítima preferencial dos desajustes. Quando uma equipe está organizada, as individualidades costumam ser melhores do que de fato o são, porque a força do conjunto agrega valor. Quando falta coletivismo, as individualidades rendem muito menos do que de fato podem render. Também é assim na vida corporativa, nas famílias, nas entidades. </p>
<p>Ninguém faz sucesso sozinho, como reforça o livro lançado ainda outro dia pelo dono da Jovem Pan, Antonio Augusto Amaral de Carvalho. </p>
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		<title>Recuperando a história</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 20:07:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora fosse vista pela maioria como revista econômica, porque a marca assim a identifica, de fato LivreMercado era múltipla. Foram várias as incursões esportivas. E o Santo André virou três vezes Reportagem de Capa, principalmente por conta do projeto de substituição da desgastada engrenagem convencional do futebol, de clube-clube, pelo esperado dinamismo de clube-empresa. 
É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora fosse vista pela maioria como revista econômica, porque a marca assim a identifica, de fato LivreMercado era múltipla. Foram várias as incursões esportivas. E o Santo André virou três vezes Reportagem de Capa, principalmente por conta do projeto de substituição da desgastada engrenagem convencional do futebol, de clube-clube, pelo esperado dinamismo de clube-empresa. </p>
<p>É esse legado de várias publicações que recuperaremos nos próximos tempos neste site. Vamos reproduzir, na respectiva categoria e para a posteridade permitida pela Internet, as matérias mais emblemáticas que anteciparam a mudança de roupagem jurídica do clube que já foi o mais popular do Grande ABC. </p>
<p>Ainda não me dei ao trabalho de reler integralmente aquelas matérias-chave de um conceito que, infelizmente, está sendo muito mal aplicado. </p>
<p>O que significa essa conclusão?</p>
<p>Que o clube-empresa com o qual sonhava em Santo André corre a léguas de distância da raia da modernidade. </p>
<p>O Santo André virou uma sociedade limitada que, na prática, não passa de corporação com dono, personalizada. No caso, o empresário Ronan Maria Pinto. Tanto quanto o Diário do Grande ABC, também de Ronan Maria Pinto, quanto a empresa que detém o maior bolo da concessão de transporte coletivo de Santo André, igualmente de Ronan Maria Pinto.</p>
<p>Nada necessariamente contra um clube com dono, porque muitos o são de fato, até mesmo os chamados clubes-clubes, porque o regime presidencialista e a passividade diretiva induzem a isso. Os vice-presidentes e diretores, os conselheiros e os torcedores, são apenas apêndice. As exceções confirmam a regra. </p>
<p>No fundo, no fundo, o problema não é um clube profissional de futebol tornar-se empresa de futebol, mas sim perder a sensibilidade de entender que já que é negócio e negócio exige resultados, por que então não estruturar-se como corporação para obter o máximo possível de retorno e, principalmente, atuar de forma socialmente responsável? </p>
<p>O Santo André perdeu uma grande oportunidade de fortalecer-se institucionalmente nas duas últimas temporadas de resultados bastante positivos nos gramados. Agora que vai mal das pernas, sente o custo da ausência de representatividade nas arquibancadas. Virou motivo de chacota de cronistas menos condescendentes, de gente da mídia que não tem preocupação em agradar. </p>
<p>O melhor cartão postal do Grande ABC, por força da visibilidade da Série A do Campeonato Brasileiro, transformou-se em bumerangue por conta dos maus resultados, do péssimo posicionamento na tabela e sobretudo da apatia nas arquibancadas. </p>
<p>Infelizmente o melhor modelo de clube-empresa que se sugeriu ao Santo André, de pulverização social das ações, como defendia o então presidente Jairo Livolis, fechou de tal maneira o circuito de investidores que só poderia dar no que deu: mantém de fato uma estrutura tão diminuta e centralizadora quanto nos tempos de clube-clube, com a diferença de que o apelo público da agremiação restringe-se, com as limitações já mencionadas, aos gramados, já que, diretivamente, é gerenciado com extremo ímpeto econômico, para não dizer comercial. </p>
<p>Depois de chegar à glória de dois acessos seguidos, à Série A do Campeonato Paulista e à Série A do Campeonato Brasileiro, o Santo André de Ronan Maria Pinto mergulha num mar de inquietações. A ameaça de rebaixamento é um bom teste para saber até que ponto a carga de passionalidade do passado de clube-clube reunia ou não mais salvaguardas do que nestes tempos empresariais.</p>
<p>Seria o Santo André no modelo antigo de clube-clube menos suscetível a crises de proporções graves do que o Santo André clube-empresa que raciocina e delibera além dos limites puramente esportivos? </p>
<p>Trocando em miúdos: estaria o Santo André clube-empresa diretivamente preparado para os reveses do futebol em relação ao Santo André clube-clube que se manteve durante 40 anos seguindo o evangelho conservador de preocupação maior com os resultados dentro de campo? </p>
<p>Trocando em mais miúdos ainda: até que ponto o Santo André clube-empresa, eventualmente apeado da Série A do Brasileiro, não comprometerá as próximas temporadas, por causa de investimentos além da conta, diferentemente do Santo André clube-clube do passado, que não se permitia ultrapassar os limites orçamentários muito mais modestos? </p>
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		<title>Boa notícia e má notícia</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 19:23:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho uma boa e uma má notícia para torcida do Santo André e do Grande ABC na Série A do Campeonato Brasileiro.
A boa notícia é que o técnico Sérgio Soares, prestes a completar um mês de trabalho e, provando mais uma vez que futebol é coletivismo, já está esculpindo a cara tática e técnica do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho uma boa e uma má notícia para torcida do Santo André e do Grande ABC na Série A do Campeonato Brasileiro.</p>
<p>A boa notícia é que o técnico Sérgio Soares, prestes a completar um mês de trabalho e, provando mais uma vez que futebol é coletivismo, já está esculpindo a cara tática e técnica do Santo André, algo parecido com o que concebeu no ano passado e que levou o time à mesma Série A, como vice-campeão, atrás apenas do recordista Corinthians.</p>
<p>A má notícia é que provavelmente, muito provavelmente, a melhora não será na intensidade, na profundidade e no tempo impostos à equipe na competição, em contraste com a evolução e a auto-estima do Botafogo do Rio, adversário com o qual, salvo grande surpresa, disputará a última vaga para fugir do rebaixamento. Fluminense, Náutico e Sport já têm a alma encomendada.</p>
<p>O primeiro dos três últimos minitorneios de cinco jogos cada em que subdividi a Série A, como o fazem os principais treinadores do País, apontou saldo negativo do Santo André em relação à pontuação mínima necessária, enquanto deu mais embalo ao Botafogo do Rio.</p>
<p>O Santo André que precisava fazer sete em cada 15 pontos nos cinco jogos de cada um dos três minitorneios agora precisará somar oito em cada um dos dois minitorneios que restam para escapar do descenso.</p>
<p>Para escapar do descenso, como se sabe, são necessários garantidamente 45 pontos ganhos em 114 da competição, ou 40% de índice de aproveitamento. Esse é o corte histórico.</p>
<p>Todas as equipes que atingiram esse patamar de pontos nas edições anteriores deixaram a ameaça de queda para trás. Hoje o Santo André tem 35% de aproveitamento contra 37% do Botafogo. O Coritiba, com 40%, está bem mais confortável e fora de qualquer lista de rebaixáveis.</p>
<p>Já o Botafogo do Rio precisará somar sete pontos em cada 15 nos dois minitorneios que restam para fugir do descenso. A vantagem de dois pontos sobre o Santo André na classificação geral, depois de vencer o Atlético Mineiro nesta quinta-feira e do empate do Santo André em Barueri, dá certa folga aos cariocas. Qualquer ponto nestas alturas do campeonato é água no deserto.</p>
<p>O favoritismo do Botafogo à escapada do rebaixamento tem também forte componente estrutural. A equipe parece ter deslanchado na competição, depois de muito tempo encruada. A sequência de empates e derrotas parece que ficou no passado, após as vitórias contra o Goiás fora de casa e contra o Atlético Mineiro no Rio.</p>
<p>Sob o comando de Estevam Soares, que trocou o Barueri em situação confortável por uma empreitada de risco, o time carioca parece ter encontrado a dose certa de técnica e competitividade. É muito superior ao Santo André dentro de campo. Fora de campo, então, não dá nem para comparar.</p>
<p>Basta ver como ficará o Engenhão nesta segunda-feira quando a equipe enfrentará o Avaí e confrontar com os gatos pingados que vão ver o Santo André neste sábado no Estádio Bruno Daniel contra o Fluminense.</p>
<p>Aliás, por mais estranho que possa parecer, o confronto com o Fluminense é problemático demais para o Santo André. As dificuldades vão muito além do aspecto psicológico de duas equipes ameaçadíssimas de rebaixamento. O Santo André precisa torcer para o Fluminense não jogar mesmo a toalha antes da hora e que saia em busca do gol. Se ficar atrás, esperando por descuidos do Santo André, o Fluminense retirará do time de Sérgio Soares o que tem de melhor: a malandragem do contragolpe, do jogo malemolente que parece estar retornando depois da temporada de descaracterização sob a direção de Sérgio Guedes e de Gallo.</p>
<p>A dificuldade do Santo André em aplicar roteiro de dissimulação produtiva é que, diferentemente do passado que transformava o tempo em aliado, agora o tempo é adversário. Não é possível deixar o jogo escorrer sob a tranquilidade de um mosteiro, por conta da aflitividade de uma enxurrada de complicações classificatórias.</p>
<p>O Santo André que vi contra o Barueri, principalmente o Santo André do segundo tempo, lembrou aquele time traiçoeiro que sugere ao adversário um certo desdém pelo resultado, uma certa inapetência pelo resultado mas que, de repente, pimba, está lá metendo uma bola na trave.</p>
<p>É esse o Santo André com a cara de Sérgio Soares, um Santo André que poderá sofrer sim as consequências de ter se afastado de Sérgio Soares durante toda essa temporada.</p>
<p>Ou seja, é um Santo André em busca da identidade perdida com a saída de Sérgio Soares num negócio típico de português da anedota: perdeu o treinador, que virou um fantasma por onde passou desde o começo do ano, e perdeu o Santo André, entregue a experimentos táticos válidos, emanados dos treinadores que passaram por aqui, mas que não deram bons frutos. Exceto no Campeonato Paulista, quando a base deixada por Sérgio Soares impediu contravenção mais drástica do cromossomo tático.</p>
<p>Observando o restante da tabela da Série A e seguindo à risca a divisão dos 10 jogos em dois minitorneios, é nítida a vantagem do Botafogo sobre o Santo André. Vou tentar definir as razões.</p>
<p>Primeiro, porque o Botafogo joga seis vezes em casa (um dos quais o clássico contra o Flamengo e os demais contra Avaí, Náutico, Coritiba, São Paulo e Palmeiras) e apenas quatro fora (Cruzeiro, Internacional, Barueri e Atlético Paranaense). O Santo André joga cinco vezes em casa (Fluminense, Palmeiras, Grêmio, Avaí e Náutico) e cinco vezes fora (Atlético Paranaense, Cruzeiro, Corinthians, Goiás e Internacional). Quem tem torcida como o Botafogo e quem não tem como o Santo André sabe a importância do apoio das arquibancadas na reta de chegada.</p>
<p>Segundo, evidentemente, porque precisa de menos pontos. O ciclo de pelo menos sete pontos em cada um dos dois minitorneios parece menos complicado no segundo do que no primeiro. Terminar a competição jogando em casa com um Palmeiras que poderá ter a situação já definida seria vantagem considerável, já que o mesmo Palmeiras enfrentará o Santo André bem antes, quando a classificação estará mais acirrada.</p>
<p>Terceiro, se o passado recente serve para alguma coisa, nesses mesmos 10 jogos do primeiro turno o Botafogo se saiu bem melhor que o Santo André. Contra os mesmos adversários que vai enfrentar no returno, o Santo André ganhou apenas sete pontos no primeiro turno, enquanto o Botafogo ganhou 13. Quem entende que esse confronto é irrelevante, provavelmente juntará uns 10 motivos para provar, mas não custa nada desfilá-los. É muito importante, porque é uma sequência de jogos que vai se repetir, com mandos trocados.</p>
<p>Não há na literatura esportiva nenhuma evidência de que um conjunto de jogos do primeiro turno, quando colocado em enfrentamento com os mesmos jogos do segundo turno, apresente probabilidades de resultados semelhantes. Mas também não há nada em contrário. Só uma profunda pesquisa poderia elucidar a questão. Não é hora para isso, mas acredito que no mínimo a especulação, no sentido literal, tem algum valor.</p>
<p>Gostaria de contabilizar argumentos francamente favoráveis ao Santo André, como o fiz em outras situações (basta acionar o mecanismo de &#8220;busca&#8221; deste site) mas insisto na teimosia de não vender ilusões para agradar a platéia.</p>
<p>O Santo André está melhorando dentro de campo mas transmite a sensação de que é aquela melhora do desenganado. O Botafogo seria a eutanásia do Santo André na Série A do Campeonato Brasileiro.</p>
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		<title>Megalomania sob controle</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 20:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A melhor notícia do Santo André no final de semana de vitória na Série A do Campeonato Brasileiro e consequente afastamento milimétrico da zona de rebaixamento é que a megalomania diretiva está sob controle.
A propagação de conquista de uma das quatro primeiras colocações que garantem vaga à Taça Libertadores da América e, após sequência de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A melhor notícia do Santo André no final de semana de vitória na Série A do Campeonato Brasileiro e consequente afastamento milimétrico da zona de rebaixamento é que a megalomania diretiva está sob controle.</p>
<p>A propagação de conquista de uma das quatro primeiras colocações que garantem vaga à Taça Libertadores da América e, após sequência de maus resultados, o consolo de uma vaga entre os oito colocados imediatos à Copa Sul-Americana, demoraram a sair do radar do bom senso e do realismo.</p>
<p>Agora a ordem é fugir do rebaixamento a qualquer custo. Inclusive metafísico, já que ressuscitaram a camisa amarela dos tempos do presidente Wigand Rodrigues dos Santos, início da história do clube, quando a torcida era muito maior.</p>
<p>O problema do Santo André é que os investimentos foram projetados e efetivados para disputar a Taça Libertadores. Acreditava-se piamente que a equipe iria abafar na temporada, como o fizera na Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado e no Campeonato Paulista deste ano.</p>
<p>Entretanto, esqueceram de combinar com os adversários. E os adversários, como se sabe, quando se trata de Série A do Campeonato Brasileiro, não são de fácil digestão.</p>
<p>Que o digam os dois clubes cariocas ameaçados de rebaixamento. Nada pior para o Santo André porque, infelizmente, reafirmo a desconfiança de que a Série B só tem espaço para um time grande do Rio de Janeiro, Estado que trocará o Vasco da Gama, um dos quatro que subirão nesta temporada, pelo Fluminense, praticamente nocauteado após a derrota para o Flamengo.</p>
<p>A ficha do Santo André demorou a cair. Às vezes me pergunto a razão. Será que os sensores estavam desligados por conta da mistura de futebol e política, com o vice-presidente Romualdo Magro e o craque Marcelinho Carioca dividindo a concentração e o empenho entre gramados e votos?</p>
<p>Nada contra objetivos políticos tanto de um como de outro, mas jamais na história do Santo André se projetou associação de votos e futebol. Essa combinação dificilmente dá bom resultado.</p>
<p>Tenho cá comigo que se Marcelinho Carioca concentrasse única e exclusivamente interesses na equipe, o desempenho sempre maiúsculo poderia ter assegurado mais alguns pontos decisivos ao Santo André. Performance sempre destacada e ausência dos gramados foram intermitentes durante a temporada.</p>
<p>Confesso que não vi o jogo de sábado contra o Vitória, exceto os chamados melhores momentos, mas ouvi várias fontes que me relatam que o time jogou como deveria ter jogado tantos outros jogos, ou seja, cuidando primeiro da defesa, reconhecendo-se inferior aos adversários, e contragolpeando com eficiência.</p>
<p>O técnico Sérgio Soares deverá encontrar ainda uma maneira inteligente de a equipe se comportar no campeonato. A dúvida é se haverá tempo à recuperação. Duvido, por conta de que há apenas cinco concorrentes ao rebaixamento. Como o Fluminense está com o pé na cova, parece longe de exagero dizer que de fato há quatro concorrentes à degola. Aposto que o Botafogo escapará.</p>
<p>Dirão os mais otimistas que o Flamengo também tinha tudo isso a mais que o Santo André, mas perdeu a Copa do Brasil no Maracanã para os comandados de Péricles Chamusca. Providencial o argumento. A diferença é que Copa do Brasil equivale a 100 metros rasos de mata-mata e Campeonato Brasileiro é maratona.</p>
<p>Aliás, não é de hoje que aposto no Botafogo por razões mais que óbvias: tem mais time, mais representatividade política, mais institucionalidade e mais camisa que o Santo André.</p>
<p>Estou apontando o time que fugirá do descenso sem temer olhares de reprovação. Todos sabem que não visto a armadura do politicamente correto e que, nesse caso, gostaria muito de estar enganado.</p>
<p>A maioria dos torcedores e dirigentes do Santo André com os quais converso tem praticamente a mesma opinião. A única diferença está no apontamento de quem escapará. O Santo André está em todas as listas de rebaixados. É um time que se desmanchou durante a competição porque a grandiloquência sufocou a prudência. Confundiu-se quantidade com qualidade. Subestimou o coletivo em favor do individual.</p>
<p>A reação do presidente Ronan Maria Pinto na última semana é sintomática da gravidade da situação e por isso mesmo carrega valor intrínseco. Primeiro, porque o apeia de vez do cavalo do exagero a idealização de Libertadores e Sul-Americana. Segundo, porque exterioriza o que tem de melhor como presidente do clube &#8212; o sentido motivacional. Terceiro, porque o grupo de jogadores estava precisando mesmo de um puxão de orelhas, embora o formato público, em manchete de jornal, não seja o mais recomendável num regime empresarial. Quarto, porque nestas alturas do campeonato, o dirigente não tem mais nada a perder. A vaca da Série A está indo para o brejo e nada mais razoável que tentar salvar a companhia. Ou, quem sabe, retirar das costas diretivas o maior peso dos desencontros.</p>
<p>Se o resultado de sábado diante do Vitória parecia levar o Santo André a um final de semana feliz, tudo complicou nos jogos de domingo com a surpreendente conquista de três pontos do Botafogo em Goiás e o empate do Sport em Porto Alegre. Estar momentaneamente fora da zona de rebaixamento é importante. A pressão psicológica é sempre um inferno a ser administrado. Mas ainda é pouco quando se observa as próximas rodadas.</p>
<p>A troca de camisa, o impacto das declarações do presidente Ronan Maria Pinto e as cartinhas encaminhadas aos jogadores por meninos e meninas carentes de uma entidade assistencial de Santo André são peças de um mesmo tabuleiro emocional, assim como outras iniciativas não reveladas. Ah, teve também desfile de adolescentes por vários pontos geográficos de Santo André. Uma pena que menos de duas mil pessoas insistiram em acompanhar o jogo no Estádio Bruno Daniel. Imaginar que o Santo André recuperará a torcida num passe de mágica é acreditar que basta bater três vezes na madeira e gritar campeão para revirar a tabela de ponta cabeça.</p>
<p>Mesmo assim, acho que o Santo André poderia apelar ainda mais para o emocional nas rodadas que faltam ao convocar a sociedade local a comparecer ao Estádio Bruno Daniel, jogando com a importância de permanecer na Série A. Sei que a iniciativa poderá não derreter a camada de gelo de desinteresse de uma maioria assustadora que não está nem aí com a sorte da equipe, mas se o apelo envolver cidadania municipal, quem sabe um punhado de gente resolva sair do armário da apatia.</p>
<p>O Santo André não pode jogar a toalha jamais, mas também já deu mostras contábeis de que se excedeu além da conta nos investimentos. Há déficit orçamentário que só será atenuado se a equipe não for rebaixada. Mesmo assim, mesmo com eventual manutenção na Série A, será um desastre porque o custo-benefício poderá comprometer a próxima temporada.</p>
<p>Não é sensato dizer que qualquer custo é válido para sustentar um time na Série A, porque o conceito ensejaria liberalidade excessiva no planejamento financeiro, em conflito com as fontes de receitas.</p>
<p>Nenhuma equipe sofre o peso do rebaixamento por acaso. Assim como subdesenvolvimento, rebaixamento é sucessão de equívocos.</p>
<p>Os times médios que se perdem numa temporada costumam cair na mesma temporada ou numa das temporadas seguintes, porque o acúmulo de complicações drena a resistência.</p>
<p>Já os times grandes que aprendem com as dores da queda concretizada ou da ameaça da queda iminente, como Corinthians, Internacional, Flamengo, Palmeiras e tantos outros, acabam fortalecidos.</p>
<p>Faltou ao Santo André humildade para gerenciar com equilíbrio a participação na Série A, por isso corre o risco de ser um time temporão na principal competição do futebol do País. As próximas 11 rodadas vão decidir a sorte. O inimigo é o Botafogo do Rio.</p>
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		<title>Complicações caseiras</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 18:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[As complicações caseiras do São Caetano na Série B do Campeonato Brasileiro podem conduzir a equipe a clássicos regionais na mesma competição no ano que vem, diante da possibilidade de o Santo André ser rebaixado da Série A.
Não cometeria o sacrilégio de mandar confeccionar ingressos para os supostos dois jogos das equipes na próxima temporada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As complicações caseiras do São Caetano na Série B do Campeonato Brasileiro podem conduzir a equipe a clássicos regionais na mesma competição no ano que vem, diante da possibilidade de o Santo André ser rebaixado da Série A.</p>
<p>Não cometeria o sacrilégio de mandar confeccionar ingressos para os supostos dois jogos das equipes na próxima temporada do Brasileiro da Série B. Também não incidiria no entusiasmo desregrado de sugerir que as duas equipes jogariam sim, mas pela Série A. Embora fosse mal menor, está longe das perspectivas a possibilidade de continuarem onde estão nesta temporada, porque a situação do Santo André é dramática.</p>
<p>Não estou entregando nem os pontos do acesso do São Caetano nem do descenso do Santo André, mas o rendimento das equipes e os números das duas competições não podem submergir à torcida regional. Estamos numa situação desagradavelmente incômoda.</p>
<p>Entre as três alternativas apontadas acima, fico constrangidamente com a primeira. Vamos ter clássicos regionais pelo Brasileiro da Série B, ano que vem. Qualquer resultado fora desse diagnóstico me deixaria imensamente feliz.</p>
<p>A derrota do São Caetano em casa para o Guarani de Campinas na noite de terça-feira foi agravada na luta pelo acesso também pelo surpreendente resultado do Figueirense contra o Vasco porque eleva para pelo menos cinco o número de concorrentes às duas vagas mais visíveis à Série A. Vasco e Guarani parecem estar com o passaporte assegurado.</p>
<p>Embora tenha assistido apenas ao segundo tempo do jogo com o Guarani na televisão, por conta de compromisso em São Paulo, não tenho dúvidas em afirmar que o São Caetano sofreu com as mesmas limitações do jogo igualmente importante em casa contra o Ceará: a ausência de alternativa de jogo além do passe sempre bem feito, das viradas sob medida, da previsibilidade de algumas triangulações e ultrapassagens centrais ou laterais, essas coisas bem treinadas mas que ainda não atingiram a velocidade desejada por conta de arrumação tática recente de um grupo reformulado durante a competição.</p>
<p>Uma situação coletiva bem melhor que a do Santo André na Série A, por exemplo, tanto que o São Caetano logo se afastou da zona de rebaixamento, onde parecia afundar, e se projetou rumo a uma agora improvável classificação entre os quatro primeiros.</p>
<p>A perda por contusão dos dois alas, um dos quais no desastrado jogo com o Vasco da Gama,  minou o potencial de redenção do São Caetano no campeonato.</p>
<p>Sem Arthur e sem Everton Ribeiro, gravemente contundidos, o São Caetano perdeu mais que bons marcadores e o posicionamento defensivo: Arthur e Everton Ribeiro ocupavam também espaços estratégicos de suporte ao meio de campo e ao ataque, além de lubrificarem a engrenagem de dinamismo do restante do grupo.</p>
<p>Sem os dois jogadores o São Caetano tornou-se repetitivo, previsível e enfadonho na construção ofensiva. Sobretudo num Estádio Anacleto Campanella de dimensões reduzidas e de adversários mais interessados em bloquear e jogar no contragolpe.</p>
<p>Também pesa nessa equação de limitações técnicas e táticas do São Caetano a ausência de Antonio Carlos Zago na área técnica, por conta de suspensão de 120 dias por ter invadido o campo para comemorar um gol da equipe em cima da hora. Trata-se de exagero do tribunal da CBF. Situações análogas jamais tiveram decisões tão drásticas.</p>
<p>Teria sido tardia a reformulação do São Caetano, logo depois de largada sofrível no primeiro turno, quando ganhou apenas um dos 10 primeiros jogos?</p>
<p>A fórmula ideal para quem quer subir é montar o time o quanto antes da competição ser iniciada, mas não existe receituário que não possa ser explorado. O risco para quem protela mudanças ou para quem procede a mudanças desnecessárias sempre existe. O Grêmio de Mano Menezes foi estruturado durante a competição e subiu na Batalha dos Aflitos. O que parece pesar de fato no caso do São Caetano é o duplo golpe dos laterais-alas. É uma tremenda falta de sorte a supressão de duas peças chave do sistema tático.</p>
<p>Sem volantes criativos e invasivos e com dois meias &#8212; Xuxa e Eduardo Ramos &#8212; pouco ponteagudos em infiltrações, os pontas de lança representados por Arthur e Everton Ribeiro eram agudamente produtivos. O talento de Roger, lateral/ala de muita classe, está comprometido por flagrante debilidade física provocada pela descontinuidade da carga de treinamentos. Quem fica fora de alguns jogos sempre precisará de alguns jogos para recuperar a forma.</p>
<p>O que mais interessa nesse momento ao torcedor do São Caetano é o que será da equipe nas últimas 11 rodadas. O afastamento da zona de classificação quando se acreditava que os jogos contra o Ceará e o Guarani em casa seriam plataformas de salto na tabela é frustrante mesmo. Agora a equipe de Antonio Carlos está a seis pontos da linha de corte do acesso. Reúne 41 pontos ganhos como a Portuguesa (50,6% de aproveitamento), enquanto o Ceará conta com 47 pontos (58%) como o Atlético Goianiense. Já o Guarani com 52 pontos (64,2% de aproveitamento) e o Vasco com 55 (67,9% de aproveitamento) estão prestes a comemorar o retorno à Série A.</p>
<p>A matemática desafia o São Caetano a novas superações. Para atingir a meta mínima classificatória de 58% de aproveitamento ao final da disputa (nenhuma equipe precisou subir para a Série A do Brasileiro com índice maior do que esse) terá de ganhar 25 pontos em 33, ou 75,7% de aproveitamento.</p>
<p>É quase impossível. Talvez a vantagem ou o consolo seja a programação das rodadas que restam. Depois de desperdiçar oportunidades de superar parte dos principais concorrentes nos confrontos diretos, sobrarão equipes de menor peso na competição. É fato que Atlético Goianiense, Portuguesa e Figueirense, com as quais o São Caetano disputa uma das duas vagas que restariam na competição (além do Ceará) estão no caminho da equipe. Talvez esses novos jogos de chamados seis pontos definam mesmo as duas últimas vagas. Seria preciso o São Caetano repetir a façanha do primeiro turno, quando venceu sete jogos seguidos.</p>
<p>O Guarani está com um pé na Série A já que precisa somar apenas novos 14 pontos em 33 &#8212; ou 42,4% de aproveitamento &#8212; para deixar os pontepretanos irados de vez. Ganhar 42,4% dos pontos na reta de chegada da competição para quem até agora alcançou 64,2% não foge das probabilidades.</p>
<p>Já o Vasco com 55 pontos parece dar sinais de afrouxamento típico de quem intimamente reconhece que resgatará uma das vagas do Rio de Janeiro no próximo Brasileiro da Série A, quem sabe para amenizar a queda de pelo menos um dos rivais regionais, Fluminense ou Botafogo, ou mesmo os dois. O sonho vascaíno de superar o Corinthians, recordista de produtividade da Série B, parece desvanecer. Terá de somar 31 dos 33 pontos para superar os paulistas.</p>
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		<title>Rabeira disputadíssima</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 18:54:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[A salvação para o Santo André fugir do rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro está na constatação de que há rabeiras tão rabeiras quanto o próprio Santo André. Entenda-se por rabeiras os times mais mal classificados e igualmente capengas na principal competição do País. Náutico, Santo André, Botafogo, Sport e Fluminense formam um quinteto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A salvação para o Santo André fugir do rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro está na constatação de que há rabeiras tão rabeiras quanto o próprio Santo André. Entenda-se por rabeiras os times mais mal classificados e igualmente capengas na principal competição do País. Náutico, Santo André, Botafogo, Sport e Fluminense formam um quinteto desafinado de lascar. Se fossem pretendentes à orquestra sinfônica, o público não perdoaria e arremessaria melancias ao palco. </p>
<p>Na medida em que esses fantasmas submergem nas últimas colocações, mais atolam na baixa produtividade técnica e tática. São almas penadas nos gramados. O jogo entre Sport e Santo André domingo na Ilha do Retiro foi um atestado de paciência ou de resignação para quem o suportou ao vivo ou na televisão. Fica difícil acreditar que aquelas equipes escaparão da degola. Os nervos estão à flor da pele, a técnica entrou em colapso, a tática é do vai como Deus quiser e estamos conversados. </p>
<p>O estigma do rebaixamento abate tanto as equipes que os próprios torcedores se sentem perplexos. Jamais vi o Sport jogar diante de sua torcida como se fosse um funeral. O silêncio só foi quebrado nos dois gols. O acovardamento após o desempate, entregando o campo ofensivo ao Santo André, só não teve maiores consequências porque o adversário parecia não estar acreditando que se lhe ofereciam tanto espaço. </p>
<p>Seja qual for o resultado final da competição, é certo que o Santo André sofrerá rebaixamento moral, exceto se, por obra do acaso, só do acaso, desandar a ganhar os próximos jogos e, de repente, firmar-se rumo a uma das vagas da Sul-Americana. Mas, sinceramente, isso é apenas conjectura porque o futebol que a equipe anda jogando só não está condenado à Série B sem apelação porque os outros quatro concorrentes são semelhantes na ostensiva criminalidade de maltratar a bola. </p>
<p>Se existe Lei Maria da Penha para quem agride mulher, no futebol o jogo mal jogado poderia muito bem condenar os infratores à Lei Maria Chuteira. Ou será que as Marias Chuteiras não estão nem aí com a qualidade do jogo, mas apenas com as celebridades de ocasião?  </p>
<p>Voltando a escrever sério, não tem essa história de que o Santo André precisava mesmo mexer no grupo de jogadores por conta das dificuldades do Campeonato Brasileiro. Exageram na dose, aprofundaram as cirurgias, transformaram uma recauchutagem simples, sem maiores riscos, numa cirurgia bariátrica, perpetrou-se intensa sessão de silicone nos seios, na face, na testa, no escambau. Conceberam um monstro de desorganização coletiva. </p>
<p>Não é nada agradável ler o que vou escrever, porque também não é nada agradável escrever o que estou escrevendo, mas se tivesse um bolo de apostas para definir os quatro rebaixados da temporada cravaria Fluminense, Náutico, Sport e Santo André, não necessariamente nesta ordem. Aliás, qualquer ordem não alteraria o infortúnio final. </p>
<p>Detesto dar palpite em futebol ou em qualquer outra atividade. Sou avesso a apontar resultado de jogos, a arriscar a cor das anáguas, tamanho de sutiã, essas coisas, porque tudo não passa de loteria e como tal enfraquece o senso analítico do qual não gosto de abrir mão. Entretanto, nesse caso do rebaixamento, não tem jeito senão apontar os prováveis degolados. E não se trata de palpite, mas de somatório de motivos ramificados em observações. </p>
<p>O Santo André é candidatíssimo à queda por vários motivos, como já escrevi. Não tem institucionalidade político-esportiva e social, está desgovernado tecnicamente, mal consegue se rearrumar taticamente, digladia-se num ambiente de privilégios a alguns jogadores, sobretudo Marcelinho Carioca que mistura política e futebol em hora errada, sofre com a impetuosidade do presidente Ronan Maria Pinto e assusta-se com o peso do fantasma de egresso da Série B, que ataca a auto-estima do grupo. Não se pode esquecer o que diz a estatística: metade dos times que subiram para a Série A foi devolvida à origem no ano seguinte. </p>
<p>Para escapar da Série B o Santo André precisaria contar com equipe bem mais organizada que as demais ameaçadas, todas mais tradicionais e com maior peso institucional. Esse é o problema, porque o Santo André provavelmente como grupo consegue ser o pior entre os cinco concorrentes às quatro valas de descenso. </p>
<p>Por mais que o técnico Sérgio Soares seja competente, ao que saiba não conta com passaporte à divindade. A equipe sob seu comando há três semanas emite alguns sinais de coletivismo, mas a debilidade é flagrante. Principalmente do sistema defensivo, uma passarela para os adversários deitarem e rolarem. São esporádicos e inconsistentes os momentos em que o Santo André parece uma equipe de futebol. </p>
<p>Mantenho a previsão de que serão necessários 45 pontos ganhos ou 40% de índice de aproveitamento para escapar da Série B, porque me fio nas edições anteriores do campeonato. Ninguém caiu até agora com 40% de produtividade e nem cairá este ano. Pode até ser que com um pouco menos se possa continuar na Série A, como o que temos agora, ao final de 26 rodadas, quando o Náutico está acima da linha de corte com 33,3% de produtividade. Mas é uma margem tênue demais. O Coritiba com 38,5% tem folga bem maior. O Atlético Paranaense também vai bem com 39,7%. </p>
<p>Ora, se é preciso chegar a 45 pontos ganhos ou 40% de produtividade, faltam ao Santo André 20 pontos em 36 a disputar, ou 55,5% de produtividade, marca semelhante a do Atlético Mineiro até agora na competição. Convenhamos que não é nada fácil. </p>
<p>Mesmo a projeção de que é possível que a pontuação dos quatro rebaixados ao final da temporada seja inferior a do ano passado e com isso a linha de corte não precise atingir 45 pontos ganhos ou 40% de produtividade, deve ser relativizada. Há pouca diferença entre os números dos quatro últimos colocados após a 26a rodada da Série A do ano passado e a Série A deste ano. O Vasco estava em 17° lugar no ano passado com 26 pontos ganhos (ou 33,3% de aproveitamento) enquanto neste ano o Santo André na mesma colocação está um pouco abaixo, com 25 pontos (ou 32,1%). Na média do ano passado os quatro últimos colocados somavam 32,37% de pontos na 26ª rodada contra 30,12% deste ano. Uma diferença irrelevante de 7%. </p>
<p>A má notícia para os clubes que estão frequentando o redemoinho rebaixista desta temporada é que, na mesma 26ª a rodada do ano passado, dos ocupantes dos quatro últimos postos apenas o Fluminense escapou da queda ao final da competição. Vasco, Portuguesa e Ipatinga caíram juntamente com o Figueirense, que, naquela 26ª rodada, ocupava o 15° lugar com 28 pontos, ou 35,9% de produtividade. </p>
<p>Quem será o Fluminense desta temporada, se Fluminense houver? Já imaginaram se for o próprio Fluminense, finalmente vencedor na rodada de domingo? Não acredito nessa possibilidade, depois da bobagem da demissão de Carlos Alberto Parreira. </p>
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		<title>Dois anos em cinco décadas</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 19:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A chamada Gestão Empresarial que administra o Santo André está completando dois anos de atividades sob o controle do empresário Ronan Maria Pinto. O que temos em sustentação da estrutura esportiva está aquém do desenho do clube fundado há quase meio século nas antigas instalações do Tiro de Guerra de Santo André. O modelo romântico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A chamada Gestão Empresarial que administra o Santo André está completando dois anos de atividades sob o controle do empresário Ronan Maria Pinto. O que temos em sustentação da estrutura esportiva está aquém do desenho do clube fundado há quase meio século nas antigas instalações do Tiro de Guerra de Santo André. O modelo romântico do passado do futebol ganhou roupagem empresarial, é verdade, mas o Santo André aprofunda-se como apêndice para a sociedade local. Até o começo dos anos 1990 o Santo André era importante para o público, mas foi desgrudando do coração da quase totalidade até atingir nos últimos anos situação de penúria afetiva. </p>
<p>Não é fácil para quem acompanha a história do Santo André praticamente desde a fundação chegar a essa conclusão, mas não é de hoje que sinto a necessidade de atualizar um desabafo que é antigo e já foi impresso em tantos outros textos. </p>
<p>Minha preocupação é que os festejos de dois anos de gerenciamento empresarial passem um atestado de grandiosidade de que o clube mudou radicalmente a ponto de oferecer perspectiva agasalhadora à esperança de perpetuar-se no seio da sociedade. O fato é que o Santo André está cada vez mais distante da comunidade. Os poucos mais de mil gatos pingados nos jogos no Estádio Bruno Daniel são a legenda mais constrangedora da esqualidez popular.  </p>
<p>Os momentos de representatividade comunitária ficaram no passado. A agressiva linha de corte foi a descoberta do futebol e dos grandes clubes da Capital pela TV. A transfusão de recursos de anunciantes e patrocinadores desencadeou forte valorização do produto. Sem TV de massa e com baixa institucionalidade o Santo André definhou. É um desfiladeiro sem fim, como se tem observado. </p>
<p>A conquista da Copa do Brasil em 2004 foi um épico de exceção à regra. Ali a cidade e a região se sentiram representadas por um grupo de futebol. O Brasil inteiro, exceto os flamenguistas, vestiu a camisa do Santo André. Mas a reação popular foi egoísta e extemporânea. Tudo voltou ao desinteresse quase geral de sempre. O Santo André passa pela vida da sociedade local e regional com a sazonalidade de um Carnaval. </p>
<p>Como a maioria dos clubes da periferia de metrópoles, igualmente alijados do circuito de TV aberta, o Santo André restringe-se ao refluir persistente de torcedores. E não produz iniciativa consistente para mudar a situação porque não tem massa crítica interna, diretiva, para tanto. Talvez nem se a tivesse conseguiria. O confronto com os interesses econômicos em forma de audiência dos clubes mais populares da Capital está subordinado aos ditames de um capitalismo selvagem. Também pesa o modelo comportamental da sociedade. </p>
<p>Por mais que seja válida a máxima de que o local tem mais peso que o global nestes tempos em que a Tecnologia da Comunicação dinamita espaços territoriais, há determinados fenômenos culturais que sufocam o conceito e abrem brechas de exceções. O futebol de dísticos clubistas mais tradicionais e de estrelas de primeira grandeza é um desses casos. O Santo André e os demais clubes profissionais da região têm muito menos valor em campo e nas transmissões esportivas do que os tradicionais clubes da Capital. Audiência é a palavra chave. </p>
<p>O confronto regional versus global é outro quando se trata de problemas do cotidiano, como transporte, saúde, administração pública, meio ambiente, nos quais a veia local e regional é preponderante como demanda de interesse. Casos como o da explosão de uma loja de fogos de artifícios em Santo André só interessam à mídia além fronteiras do Grande ABC porque provocaram estragos visuais e materiais que enchem as audiências e vendem exemplares de jornais. É na desgraça do Grande ABC que se concentra a pauta jornalística da mídia da Capital. </p>
<p>Os problemas corriqueiros do cotidiano regional não despertam mobilizações externas, embora infernizem a vida da população, que encontra nos veículos de comunicação locais o respaldo de que tanto reclama. O Santo André é o cotidiano corriqueiro do Grande ABC que desaparece do radar de prioridade da mídia paulistana porque concorre diariamente com a loja de fogos de artifício que explodem na forma dos grandes clubes.  </p>
<p>No aspecto administrativo, o Santo André que está aí na Série A do Campeonato Brasileiro não é na essência diferente demais do Santo André que há 25 anos disputava a mesma competição com o também empresário do setor de transporte coletivo Lourival Passarelli. O centralismo diretivo é uma versão do caciquismo político nas agremiações partidárias. </p>
<p>Tanto naquele caso quanto nesse, e também dos demais dirigentes que comandaram o Santo André, o que pesa na definição do modelo administrativo é a personalidade e o tamanho do bolso do presidente de plantão. Com Ronan Maria Pinto, homem de posses e de créditos, o Santo André chegou ao paroximismo do centralismo.  Seu antecessor, Jairo Livolis, e os antecessores de Jairo Livolis, também concentravam as decisões mais importantes, mas não reuniam individualmente o poder monolítico de Ronan Maria Pinto. </p>
<p>A estrutura organizacional era mais receptiva a intervenções de terceiros no período em que o Santo André se voltava mais para os resultados dentro de campo. O Santo André de Ronan Maria Pinto adotou o regime de resultados financeiros em primeiro lugar, como é próprio do futebol profissional destes tempos. Cada ponto ganho num passado não muito distante custava bem menos que cada ponto ganho conquistado nestes tempos. O futebol vive números inflacionários. </p>
<p>Até a chegada de Ronan Maria Pinto o Santo André detinha presidencialismo mitigado. Não chegava a ser um exemplo de democracia, mas tinha decisões compartilhadas entre os mais próximos. Os então presidentes não reuniam o estofo financeiro e empresarial de Ronan Maria Pinto. Com Ronan Maria Pinto e suas circunstâncias, o debate de idéias é mais frágil, as decisões são praticamente autocráticas, embora num caso ou noutro possa parecer diferente. As marcas do presidente são mais pronunciadas. </p>
<p>O estilo de Ronan Maria Pinto não seria diverso do da maioria dos antecessores no Santo André, mas as circunstâncias o catapultaram a um nível que o tornou comandante supremo. Ele tem motivos de sobra para justificar as medidas que toma. Os resultados lhe são bastante favoráveis, com dois acessos consecutivos nas competições mais importantes do País. O desembarque na Série A do Campeonato Brasileiro, então, é um feito memorável. </p>
<p>Entretanto, sombras de inquietação com a possibilidade de rebaixamento podem ameaçar o brilho de uma gestão que se limita a vetores esportivos. O Santo André, repito, não conseguiu resgatar o sentimento patrimonialista da comunidade. É quase um estranho em seu próprio ninho.  </p>
<p>A diferença entre o Santo André do passado e de agora é que o futebol ficou mais caro e possíveis desarranjos financeiros podem ser fatais e barulhentos como a loja de fogos de artifício. </p>
<p>A recíproca também é verdadeira, embora menos provável: a lucratividade jamais concretizada no passado de romantismo pode consolidar-se nestes tempos se uma sorte grande de uma pepita técnica de alto quilate for negociada. Mas também nesse ponto a probabilidade é baixa e lotérica: o Santo André empresarial vive de vendas precoces de talentos que desabrocham de vez em outros endereços. Aliás, esse é o destino de clubes médios e pequenos, correias de transmissão do mundo financeiro do futebol.</p>
<p>Embora a chegada de Ronan Maria Pinto ao Santo André tenha sido providencial, porque a equipe parecia exaurir-se, os dois últimos anos não devem ser festejados acriticamente. Mesmo com os resultados em campo muito acima do esperado, e, independentemente de possível rebaixamento nesta temporada, o Santo André não consegue demover desconfianças como instituição. </p>
<p>O divórcio da comunidade é um buraco fatal nestes tempos em que instrumentos de marketing acrescentam valores imensuráveis às marcas esportivas em forma de patrocínios, cotas das emissoras de TV e de participação nas competições. </p>
<p>O Santo André é um genérico do mundo do futebol profissional, como tantos outros clubes médios e pequenos, sobretudo aqueles que estão nos limites metropolitanos, muito mais vulneráveis ao domínio cultural dos grandes.  Com tudo isso, possivelmente o Santo André pode até ser um negócio interessante para seus acionistas, mas jamais será um clube de verdade se não resolver desafiar todas as intempéries que o cercam. </p>
<p>O sucesso esportivo do Santo André dos dois últimos anos, como o sucesso esportivo em anos específicos como o 2004 da Copa do Brasil, o 1981 do Acesso à Série A do Campeonato Paulista, como o 1984 do Campeonato Brasileiro, é apenas um elo mais vistoso de uma corrente que se estende por quase cinco décadas e vive contração permanente de representatividade social. E isso é gravíssimo porque contragolpeia mortalmente o núcleo principal do futebol empresarial que vive da demanda de consumidores-torcedores.  </p>
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		<title>Perspectivas inalteradas</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 17:43:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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Primeiro, o São Caetano não se deixou abalar pela derrota na terça-feira da semana passada para o Vasco e registrou na sexta-feira resultado estrondoso em Campinas contra a Ponte Preta. Com isso, confirmou a expectativa de que luta para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A mais recente rodada da Série A e da Série B do Campeonato Brasileiro confirmou minha suspeita.</p>
<p>Primeiro, o São Caetano não se deixou abalar pela derrota na terça-feira da semana passada para o Vasco e registrou na sexta-feira resultado estrondoso em Campinas contra a Ponte Preta. Com isso, confirmou a expectativa de que luta para valer pelo acesso, com possibilidades de sucesso além da frieza da matemática.</p>
<p>Segundo, o Santo André surpreendeu apenas no resultado com o indolente São Paulo. Com melhora coletiva tênue, não mais que isso, a equipe de Sérgio Soares não transmitiu a segurança de que vai escapar da zona de rebaixamento. Se escapar numa ou noutra rodada, a degola deverá atormentar a equipe até as últimas rodadas, com possibilidades avantajadas de cair. </p>
<p>É bom explicar que não pretendo jamais estimular área de conflito, de competição, de rivalidade, nos enunciados expostos.  </p>
<p>Garanto que torço muito para ver as duas equipes na Série A, mas são incontornáveis as comparações nestes momentos em que a reta de chegada aparece no horizonte. </p>
<p>Confrontar as possibilidades das duas principais equipes do Grande ABC está, portanto, distante de antagonizá-las, de recrudescer uma rivalidade mesmo que sadia. Trata-se de esquematização analítica, nada mais. </p>
<p>Insisto na seguinte teoria: o São Caetano está tão próximo embora não tão próximo da Série A do Campeonato Brasileiro do ano que vem quanto o Santo André está tão próximo, flagrantemente tão próximo, da Série B do Campeonato Brasileiro do ano que vem. O jogo de palavras é proposital, para forçar o leitor a reler a frase e memorizar o conteúdo aparentemente confuso, só aparentemente confuso. </p>
<p>Tanto o São Caetano pode frustrar-se ao final da competição quanto o Santo André festejar a manutenção na Série A. São possibilidades conectadas com as probabilidades compulsórias do futebol. O problema é que o Santo André não inspira confiança de que escapará e o São Caetano transpira a sensação de que pode mesmo voltar à Série A. </p>
<p>Além da matemática, que não pode ser lançada ao vento, o que conta nessa avaliação é o que se vê em campo. </p>
<p>A rodada iniciada na sexta-feira e encerrada no sábado não poderia ter sido mais satisfatória ao São Caetano. A vitória contra a Ponte Preta não responde por tudo de bom que ocorreu com a equipe do técnico Antonio Carlos Zago. </p>
<p>Além daqueles três pontos com três gols em 30 minutos o São Caetano ganhou outros 12. Explico: a vitória do Vasco sobre o Guarani, do Figueirense sobre o Atlético Goianiense, do Paraná sobre o Ceará e do Ipatinga diante da Portuguesa mantiveram a pontuação dos principais rivais rumo ao Acesso e, consequentemente, reduziu o índice de aproveitamento individual. </p>
<p>O São Caetano está a um passo do G-4 e tem nas duas próximas rodadas todas as possibilidades de fincar estacas na zona classificatória, porque joga em casa contra Ceará e Guarani, adversários diretos por uma das três vagas que restam. A primeira, como se sabe, é do Vasco da Gama. </p>
<p>Aliás, a única dúvida quanto ao futuro do Vasco na competição é se conseguirá atingir a marca do Corinthians, recordista de eficiência desde que a Série B ganhou a atual roupagem. Para isso, precisará somar pelo menos (para empatar) 85 pontos, ou 74,56% de produtividade geral.  Ou seja: nos 13 jogos que restam, o Vasco precisará ganhar 33 pontos, com 10 vitórias e três empates. Quase impossível.  </p>
<p>O São Caetano não conta apenas com o suporte da tabela para entrar provavelmente consolidado no G-4. Há dois jogos na próxima rodada que poderão beneficiar a equipe. São os clássicos Atlético Goianiense versus Vila Nova e Guarani versus Ponte Preta. </p>
<p>Não vou me estender em observações técnicas e táticas, mas é evidente que o São Caetano está no mesmo nível dos principais concorrentes ao Acesso, exceto o Vasco da Gama. </p>
<p>Nada melhor, portanto, já que nestas alturas do campeonato, no primeiro turno, o São Caetano caía pelas tabelas e muitos precipitados já o colocavam na Série C. </p>
<p>A vantagem do São Caetano em relação aos concorrentes diretos é que conta com uma banda larga para a melhoria individual e coletiva, na esteira das reformas táticas e técnicas de Antonio Carlos Zago. Os adversários, por saírem de base comparativa mais forte, por não viverem a depressão do primeiro turno do São Caetano, praticamente já atingiram o limite de rendimento. </p>
<p>Trocando em miúdos: o São Caetano sugere a possibilidade de que tem mais combustível no tangue do que os adversários diretos. Provavelmente não precisará fazer um pit stop nem derrapará na pista. </p>
<p>Já a sorte do Santo André na Série A do Brasileiro é mais complexa. Pelo andar da carruagem de pontos, restariam apenas quatro equipes para fugir das três últimas posições de degola, já que o Fluminense teve a alma encomendada e o Coritiba poderá fugir sem grandes sobressaltos do embolamento atual das últimas posições. </p>
<p>Náutico, Botafogo do Rio e Sport Recife formam a trinca com a qual o Santo André lutaria para continuar na Série A. Todos com mais tradição, mais torcida, mais institucionalidade. Uma equipe com a diagramação histórica do Santo André teria mais possibilidades de fugir do rebaixamento se fosse bem melhor que os adversários que se apresentam. Infelizmente, não é o caso. Um pênalti semelhante ao cometido por Miranda domingo passado dificilmente deixaria de ser marcado se o adversário fosse Botafogo, Náutico ou Sport. </p>
<p>Quem sabe o técnico Sérgio Soares consiga o milagre de dar arrumação tática que encurte o caminho ao coletivismo. Contra o São Paulo houve melhoria razoável da postura tática. Já não se deixaram tantos espaços para os contragolpes, o meio de campo não se afastou demais dos zagueiros, os zagueiros não se juntaram desnecessariamente ao goleiro, e os atacantes não ficaram tão abandonados. Mas nada disso chegou ao ponto de arrumação da maioria dos adversários. </p>
<p>O jogo de domingo com o Sport no Recife virou a batalha da ponte, porque com uma vitória o Santo André poderia matar dois coelhos com uma só cajadada. Primeiro, o Sport entraria definitivamente na lista dos desesperançados. Segundo, o Santo André daria uma respirada forte na hora certa, embora ainda insuficiente. </p>
<p>Reparou o leitor que a primeira e a segunda situações embutem contraditório que revela o tamanho da encrenca em que se meteu o Santo André? Esclareço: a recíproca do resultado do jogo também é verdadeira, porque se perder para o Sport o Santo André não só reabilitaria de vez o adversário à fuga do descenso como, também, mergulharia de vez no rio de crocodilos da degola. </p>
<p>Que os torcedores do Santo André não se iludam: o jogo com o Sport será muito mais difícil que o contra o preguiçoso São Paulo. Jogar na Ilha do Retiro é sempre uma aventura. A pressão é total. O Sport tem muito mais qualidade para permanecer na Série A do que deficiências para explicar eventual queda.   </p>
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		<title>Crédito e desconfiança cabem bem</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 21:07:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma pergunta: merece crédito a direção do Santo André neste momento em que a equipe flerta para valer e com desgosto com a Série B do Campeonato Brasileiro, levando-se em conta que nas duas últimas competições viveu dois acessos, da Série B para a Série A do Campeonato Paulista e da Série B para a Série A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pergunta: merece crédito a direção do Santo André neste momento em que a equipe flerta para valer e com desgosto com a Série B do Campeonato Brasileiro, levando-se em conta que nas duas últimas competições viveu dois acessos, da Série B para a Série A do Campeonato Paulista e da Série B para a Série A do Campeonato Brasileiro, destacando-se tanto num quanto noutro? É claro que merece crédito.</p>
<p>Outra pergunta: merece desconfiança a direção do Santo André neste momento em que a equipe flerta para valer e com desgosto com a Série B do Campeonato Brasileiro, levando-se em conta que nas duas últimas competições viveu dois acessos, da Série B para a Série A do Campeonato Paulista e da Série B para a Série A do Campeonato Brasileiro? É claro que merece desconfiança.</p>
<p>Calma, calma aos leitores mais apressados. Não há nada de equivocado nos dois enunciados. Nem equivocado nem necessariamente contraditório. Há mesmo sincronia fina, coerência.</p>
<p>Se o Santo André chegou aonde chegou literalmente nestas alturas do campeonato, ameaçadíssimo de rebaixamento a 14 rodadas do final da competição, não foi por obra do acaso.</p>
<p>Se o Santo André chegou ao mais equilibrado campeonato nacional do mundo, também não foi por obra do acaso.</p>
<p>Então, o que teria acontecido para mudança tão radical de cenário?</p>
<p>Talvez cometa o risco de ser interpretado por crime de simplificação, mas dou ao que se segue o qualificativo de concisão: o Santo André perdeu a humildade fora de campo, desmanchou-se em campo e segue praticamente ignorado nas arquibancadas. Tudo isso tem correlações.</p>
<p>No futebol, assim como na vida, o inebriar cego das vitórias pode custar a dor aguda do insucesso.</p>
<p>O Santo André abusou do direito de alterar o insumo mais precioso que determinou o sucesso nas duas temporadas: o equilíbrio coletivo em campo e o comedimento diretivo. Sem coletivo, essência do futebol, as individualidades estrebucham. Com coletivismo, as individualidades se sobressaem além do valor bruto de cada um.</p>
<p>Não chegaria ao ponto de afirmar que o presidente do Santo André Ronan Maria Pinto se deslumbrou com as temporadas anteriores, mas o desempenho da equipe não deixa margem a dúvidas: ele e os demais acionistas subestimaram as armadilhas que se anteporiam à notoriedade e a notabilidade alcançadas pelo Santo André.</p>
<p>A troca de comando da equipe, tanto de treinadores como da perda do assistente técnico Sérgio do Prado, agora no Palmeiras, quebrou parte da unidade do grupo. A dissolvição da personalidade tática, que de um tango maliciosamente indolente se entregou ao arrastapé improdutivo, extratifica a diferença entre sucesso e fracasso.</p>
<p>O Santo André perdeu a personalidade tática. As mudanças individuais na equipe, as indefinições frequentes na estruturação de jogo e uma sucessão de negócios fragilizaram o tônus coletivo.</p>
<p>O Santo André parece querer agarrar o mundo esportivo do Grande ABC. Assumiu o comando do Palestra de São Bernardo e está de olho no Grêmio Mauaense. A Saged, como é conhecido o empreendimento que dirige o futebol do Esporte Clube Santo André, ganha contornos de holding de negócios esportivos. É mais que provável que o Santo André tenha perdido em algum momento parte do grau de prioridade com que deveria ser monitorado pela presidência da Saged. O ganho de escala do empreendimento sacrificou o foco.</p>
<p>Da mesma forma que não se chega por acaso à Série A das duas principais competições do País, a derrocada atual não é fruto do maquiavelismo de árbitros, de conspiração dos adversários que pretenderiam apear da hierarquia uma equipe sem torcida, ou qualquer outra desculpa esfarrapada.</p>
<p>O Santo André paga o preço dos próprios erros. Cansou de bradar sem modéstia uma vaga na Taça Libertadores enquanto, em situação muito mais confortável há muito mais tempo, o Avaí de Florianópolis bate na tecla de permanecer na Série A.</p>
<p>O jogo deste domingo contra o São Paulo em campo adversário (quem duvida que Ribeirão Preto seja inteiramente tricolina?) poderá dar uma respirada mais profunda da equipe para fugir da zona de rebaixamento, mas também pode despachá-la de vez a um gueto do qual mais e mais se sentirá impotente à reação.</p>
<p>Ganhar do São Paulo é tudo que o Santo André precisa para reagir. E é exatamente esse o problema. Seria muito melhor se a equipe jogasse em casa contra o Fluminense. As possibilidades de dar uma sacudidela no incômodo classificatório seria muito maior.</p>
<p>A expectativa é de que o técnico Sérgio Soares tenha obtido o máximo de aproveitamento do grupo durante os treinamentos da semana no Interior. O grande condutor do acesso do Santo André à Série A do Campeonato Brasileiro é um arrumador do sistema defensivo. A organização territorial da equipe, com ocupação científica dos espaços, é uma arte que Sérgio Soares domina. As equipes que dirige costumam ser compactas. Mas é preciso que se lhe dê tempo e condições de trabalho. Uma semana é muito pouco, mas é muito melhor que nada.</p>
<p>Sérgio Soares demorou para chegar ao Santo André. Deveria ter vindo logo após a demissão de Sérgio Guedes, se motivos existissem de fato para a queda daquele treinador. Provavelmente com isso o Santo André já estaria com cara de time, não de rebotalho.</p>
<p>Para escapar do rebaixamento, levando-se em conta o histórico de produtividade das equipes das três últimas edições da Série A, que contaram com 20 participantes, é necessário fazer 45 pontos, ou 40% de aproveitamento. O Santo André precisa de 21 pontos em 14 jogos.</p>
<p>Ao dividir os 15 jogos restantes do campeonato (contando-se com o Santos no último domingo) em três minitorneios de cinco jogos cada, o Santo André terá de somar sete pontos em cada um dos ciclos. Ou seja: de cada 15 pontos, terá de ganhar sete para fugir do rebaixamento. A margem se estreitou com a derrota na Vila Belmiro. Agora precisa de sete pontos em 12 a serem disputados. Uma derrota para o São Paulo o obrigará a produzir sete em nove pontos nos três jogos restantes do primeiro minitorneio.</p>
<p>Perceberam que o cerco ao rebaixamento aperta para o Santo André de tal maneira que ganhar do São Paulo passou a ser obrigação matemática?</p>
<p>Foi precisamente por ter deixado desgarrar a tranquilidade de jogar com paciência, explorando a responsabilidade de equipes mais tradicionais, que o Santo André começou a se dar mal na competição.</p>
<p>O Santo André em fase de refazimento (é isso mesmo, refazimento) tático precisará se expor para somar os pontos de que carece na competição. Está nesse descompasso a maior de todas as complicações.</p>
<p>O Santo André está na mesma situação do piloto de automobilismo que sabe quantos pontos precisa somar para chegar a pódium, mas já não dispõe da alternativa de esperar pelos erros dos outros para alcançar o objetivo. Agora é preciso ousar, agredir, impor o ritmo. E a cada rodada poderá se agravar esse compromisso.</p>
<p>É aí que mora o perigo.</p>
<p>Para completar e enveredando por caminhos estatísticos, respondo ao ex-presidente do Santo André, Jairo Livolis, com quem me encontrei ontem à noite na festa de 42 anos do clube. Ele queria saber como estava a zona de rebaixamento da Série A do Brasileiro no ano passado, depois de 24 rodadas. Fui mais longe. Recuei também às edições de 2006 e 2007 que, como a do ano passado, contaram com 20 equipes e pontos corridos em dois turnos.</p>
<p>Das 12 equipes que frequentavam a zona de rebaixamento ao serem atingidas 24 rodadas nas três edições (quatro por edição), apenas um terço escapou da degola: o Goiás em 2006 (estava em 17o lugar com 29 pontos ganhos, ou 40,27% de produtividade e acabou na rodada final com 48,24%); o Náutico em 2007 (estava com 24 pontos e produtividade de 33,33% e acabou o campeonato com 42,98%); o Fluminense do Rio e o Atlético Paranaense no ano passado &#8212; os cariocas tinham 25 pontos ganhos em 24 rodadas e o Atlético Paranaense 23.</p>
<p>Ainda para quem quer mais detalhe: a linha de corte naquelas três edições da Série A do Brasileiro (ou seja, a equipe que iniciava a zona de rebaixamento) apresentava o Goiás em 2006 com 29 pontos ganhos, o Paraná em 2007 com 28 pontos ganhos e o Fluminense no ano passado com 25 pontos ganhos.</p>
<p>Já na linha de corte após a última rodada, e que definiu os rebaixamentos, a Ponte Preta acumulava 39 pontos ganhos (34,2% de aproveitamento) em 2006, o Corinthians 44 pontos ganhos (38,6% de aproveitamento) em 2007 e o Figueirense também com 44 pontos ganhos em 2008.</p>
<p>Por isso defendo a tese de 45 pontos ganhos como segurança absoluta à fuga do rebaixamento &#8212; ou 40% de aproveitamento. O Santo André conta com 33,3% de produtividade. Para chegar a 40% precisa ganhar 50% dos pontos que restam. Uma campanha semelhante a do Barueri até agora.</p>
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		<title>Uma lição a ser aproveitada</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 19:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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Se o for, a disputa por uma das quatro vagas à Série A do Campeonato Brasileiro não está comprometida, porque o time de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do jogo que perdeu em casa nesta terça-feira à noite para o líder Vasco da Gama, aflorou pelo menos uma interrogação envolvendo o São Caetano: será aquele futebol o teto da equipe?</p>
<p>Se o for, a disputa por uma das quatro vagas à Série A do Campeonato Brasileiro não está comprometida, porque o time de Antonio Carlos Zago não decepcionou, mas a briga será ainda mais árdua, porque há outros competidores com qualificações semelhantes. Ou seja: o São Caetano não fugiria da regra e do compasso do emparelhamento das equipes que disputam três vagas.</p>
<p>O Vasco da Gama que amadurece taticamente a cada rodada e sobre o qual não resta dúvida de que é questão de tempo a volta à Série A, deixou lição importante no Anacleto Campanella: definiu um limite da força do adversário que, possivelmente, a série de vitórias na espetacular arrancada que levou o São Caetano às primeiras colocações, poderia induzir a juízo de qualificações superestimadas.</p>
<p>O São Caetano é um dos principais times da competição, mas, Vasco da Gama fora, não se diferencia para mais ou para menos de forma indiscutível dos concorrentes mais diretos às vagas que restam. Portanto, terá de colocar a mão na massa com mais empenho ainda para retomar o posto na principal divisão do País. Desta forma, o melhor mesmo é esquecer o passado recente de acúmulo de vitórias que poderiam sugerir a ideia de lugar garantido entre os quatro. A disputa é acirradíssima. Guarani, Atlético Goianiense, Ceará, Portuguesa e Ponte Preta também têm amplas possibilidades de sucesso.</p>
<p>Até que o empate poderia ter caído bem, mas não necessariamente satisfatório ao São Caetano na noite de terça-feira. A vitória do Vasco da Gama encaixou-se melhor no rendimento das equipes, embora imprimisse um tom de mérito excessivo porque conquistada nos últimos minutos. </p>
<p>Quando aquela bola cruzada da esquerda encontrou Elton na posição em que é mais fértil, com espaço para dominar e chutar com a violência de sempre, o São Caetano pagava o preço de ter perdido um jogador de defesa por expulsão. Mas mesmo com 11 em campo a equipe de Antonio Carlos Zago penou para tentar igualar o jogo. Mais por méritos do Vasco de Dorival Júnior, time fortíssimo na marcação, razoavelmente rápido no contragolpe e, principalmente, concentrado o tempo todo na virtude de ter o controle das ações.</p>
<p>O São Caetano perdeu para um grande adversário sem ter decepcionado. É importante enxergar o outro lado em qualquer análise.</p>
<p>O sucesso do Corinthians nesta temporada, campeão paulista invicto e também campeão da Copa do Brasil, retira o preconceito de que a Série B do Campeonato Brasileiro é uma competição qualquer.</p>
<p>Com poucas mudanças, o time de Mano Menezes fez sucesso em duas competições importantes com a base consolidada na Série B. Estão aí também o Avaí e o Barueri como exemplos de que Série B não é depósito de lixo técnico e tático.</p>
<p>O Santo André de infortúnios recentes também consolida essa tese, porque mexeu tanto naquele grupo vitorioso que se dá mal na Série A.</p>
<p>O que quero dizer com isso? Que o Vasco da Gama é o divã dos principais concorrentes da Série B. É espécie de momento único da competição em que se aferem virtudes e limitações. Por isso, transformar uma derrota como a de terça-feira em catástrofe seria a pior saída do São Caetano. O resultado foi normal dentro das regras do mercado que, em condições normais de altitude e temperatura, determinam que quem mais investe tem mais possibilidades de sucesso. O gostinho amargo da derrota de terça-feira não pode passar de situação passageira ao São Caetano.</p>
<p>Talvez o melhor reforço que a equipe possa ter nas próximas rodadas é o retorno do técnico Antonio Carlos ao banco de reservas. A extravagante punição imposta pela CBF por rotineira invasão de campo para comemorar um gol não pode estender-se mais.</p>
<p>Quem conhece a influência de Antonio Carlos no elenco sabe o quanto a ausência no espaço determinado pelo regulamento atrapalha o grupo. A segurança que Antonio Carlos transmite à beira de campo é essencial à dinâmica de jogo. O São Caetano de terça-feira possivelmente teria sido mais vibrante e menos calculista se seu técnico estivesse mais próximo dos atletas. Um técnico com a força pessoal de Antonio Carlos relegado à arquibancada é um baita desfalque.</p>
<p>Há determinados momentos de um jogo em que só quem é do ramo sabe que é possível aproveitar o desnível adversário. E houve esse momento durante pelo menos 15 minutos pós-expulsão do zagueiro do São Caetano. O Vasco pareceu refluir o ímpeto de marcação por conta da vantagem numérica. O São Caetano acertou dois ou três contragolpes mas poderia ter contado com a velocidade e a boa técnica do jovem e promissor atacante Wendel, que demorou para entrar.</p>
<p>O Vasco da Gama foi o primeiro de uma série de confrontos diretos do São Caetano porque vem a Ponte Preta e o Ceará na sequência. Para chegar a 58% de produtividade geral nos 14 jogos que restam, ao São Caetano não sobra alternativa senão acumular vitórias e vitórias. Se souber extrair do resultado de terça-feira os ensinamentos que muitas vezes escapam nas derrotas, poderá chegar ao objetivo traçado. É hora portanto de maturidade avaliativa.</p>
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		<title>Cartão postal desbotado</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 20:53:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo atirado às feras da zona do rebaixamento da concorridíssima Série A do Campeonato Brasileiro, o Santo André continua sendo o mais importante cartão postal do Grande ABC nesta temporada. O problema é que o cartão postal está desbotado e com carimbo de atualidade duvidosa.
A pergunta que mais se ouve é se a equipe vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo atirado às feras da zona do rebaixamento da concorridíssima Série A do Campeonato Brasileiro, o Santo André continua sendo o mais importante cartão postal do Grande ABC nesta temporada. O problema é que o cartão postal está desbotado e com carimbo de atualidade duvidosa.</p>
<p>A pergunta que mais se ouve é se a equipe vai conseguir safar-se da corda bamba. Quem viu os últimos jogos &#8212; e põe últimos jogos aí &#8212; não acredita em rede de proteção. O corpo já estaria estatelado. A alma já estaria encomendada.</p>
<p>Mais que perder, o Santo André desaprendeu a jogar, o que é muito pior. Perder por circunstâncias de jogo é uma coisa. Perder por inapetência de jogo é outra.</p>
<p>A derrota de domingo para um Santos quase sonolento foi uma calamidade que compromete ainda mais o percurso à recuperação.</p>
<p>O Santo André é um enfadonho grupo que imagina ser capaz de chegar ao gol adversário com jogadas mecânicas mal elaboradas e por isso mesmo previsíveis e neutralizáveis. Joga em câmara lenta como num passado de sucesso ainda recente. A diferença é que a câmara lenta de antes era um estilo de jogo que engabelava os adversários e os colocava a nocaute. Agora é uma caricatura inofensiva de falta de inspiração e de decisão.</p>
<p>Não pretendo desfiar aqui um rosário de explicações táticas para o Santo André ter desabado tanto na competição, depois de um bom começo. Mas há alguns pontos que deveriam servir de aprendizado.</p>
<p>Primeiro, o Santo André não teve humildade de disputar a competição de olho no fortalecimento do grupo para fugir do rebaixamento. Propagandeou uma vaga na Taça Libertadores sem levar em conta a regra que não se passa impunemente de uma divisão inferior para uma divisão superior. Criou com isso falsa expectativa de sucesso. A diferença entre uma divisão e outra é tão pronunciada quanto acreditar que um empreendedor de pequena empresa pode ser guindado de repente à direção de uma grande empresa. Tudo tem o seu tempo. Cinco das 10 equipes que subiram para a Série A desde a Era dos Pontos Corridos do Campeonato Brasileiro voltaram no ano seguinte para a Série B. O índice de mortalidade é grande.</p>
<p>Segundo, o Santo André abriu mão da maioria dos jogadores e da estrutura tática que o colocaram na condição de vice-campeão da Série B do Brasileiro do ano passado, atrás apenas do Corinthians, e também a um passo das finais da Série A do Campeonato Paulista deste ano. A negociação de jogadores importantes e, mais que isso, o excesso de contratações de jogadores durante a Série A do Brasileiro acabaram destruindo o que a equipe tinha de melhor – o conhecimento mútuo e a solidariedade organizacional. Sucessivas trocas de técnicos ampliaram os transtornos.</p>
<p>Experimente substituir três vezes no ano a secretária que cuida de seu dia-a-dia doméstico e veja o que acontece. No futebol ou na vida corporativa, os estragos são multiplicados.</p>
<p>Talvez haja mais pontos a serem considerados, mas basicamente o excesso de confiança e a gradual dissolução da equipe vencedora nas duas competições anteriores &#8212; ao contrário do que Barueri e Avaí fizeram depois de deixarem a Série B do Brasileiro do ano passado &#8212; estão muito acima dos demais.</p>
<p>A missão de ganhar sete de cada grupo de 15 pontos nos três minitorneios que escalonam a participação da equipe nas rodadas decisivas da competição agravou-se com a derrota na Vila Belmiro.</p>
<p>Agora, nos quatro jogos que restam do primeiro minitorneio, o Santo André continuará necessitando de sete pontos. Enfrentará o São Paulo em Ribeirão Preto e o Sport no Recife nas duas próximas rodadas. A margem de manobra se estreitará mais e mais à medida que não alcançar cada uma das metas. Quanto mais apertar o nó de produtividade, mais as possibilidades de permanecer na Série A desvanecerão.</p>
<p>Se o primeiro minitorneio de cinco jogos poderia assegurar alguma gordura ao segundo minitorneio, imagine o que acontecerá se a lógica for inversa?</p>
<p>Teoricamente os números não são uma caminhada sobre lâmina a 100 metros de altura, mas tecnicamente significam saltar de paraquedas num circulo retângulo de um metro de diâmetro em plena tempestade de areia.</p>
<p>O Santo André é um saco de gatos. Compartimentado, embaralhado, sem força física, vive de um Marcelinho Carioca individualmente brilhante, de uma ou outra estocada do versátil Rômulo, de um chute lotérico de Júnior Dutra e, francamente, nada mais. O poder de marcação é deficiente e expõe demais a defesa que cada vez convive com mais zagueiros e volantes-zagueiros, o que abre um buraco no meio de campo. O Santo André substituiu o tango com que se consagrou nas duas competições anteriores por um arrasta-pé desordenado.</p>
<p>Não arriscaria afirmar que o Santo André já dançou na competição, mas pretendo preservar a sanidade mental pública ao não declarar que tudo vai passar e nas próximas rodadas haverá reviravolta.</p>
<p>Se não terminar bem o primeiro minitorneio de cinco jogos em que se dividiu a reta de chegada de 15 confrontos, a recuperação nos dois minitorneios seguintes ficará ainda mais improvável. E sabem por quê? Porque o peso da torcida, da tradição, da arbitragem, da institucionalidade esportiva, acabará falando mais alto. Se nem o poderoso Corinthians, esfacelado fora de campo, resistiu, como resistirá o Santo André? Com os gatos pingados que comparecem ao Estádio Bruno Daniel, prova viva de que o Grande ABC vive uma crise de identidade jamais vista na história?</p>
<p>Por mais que o futebol profissional destes tempos seja um negócio, e isso não pode ser condenado, há determinados ingredientes dos tempos em que o futebol era romântico que continuam na moda.</p>
<p>Somente o apoio popular não resolve, mas em condições de semelhança de forças, ajuda a desequilibrar a balança. O Santo André não tem a respeitabilidade das arquibancadas para esmurrar qualquer mesa diretiva. Jogar fora de casa com o São Paulo é prova disso. Quem se confessa despreparado para receber uma grande equipe em casa num momento em que a familiaridade com o espaço de jogo ajuda a construir um resultado está assumindo a condição de despejado potencial da Série A.</p>
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		<title>Excessos de um estatístico</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 19:40:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[O professor Tristão Garcia, da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é sinônimo de estatística no futebol. Sempre que o Campeonato Brasileiro começa a embicar o nariz para a aterrissagem de definições do título, do rebaixamento e de outros posicionamentos, eis que o professor aparece em cena, inclusive em audiência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O professor Tristão Garcia, da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é sinônimo de estatística no futebol. Sempre que o Campeonato Brasileiro começa a embicar o nariz para a aterrissagem de definições do título, do rebaixamento e de outros posicionamentos, eis que o professor aparece em cena, inclusive em audiência nacional.</p>
<p>Ouvido pelo Diário do Grande ABC, em matéria publicada nesta sexta-feira, Tristão Garcia apontou o Santo André como possível rebaixado à Série B do Brasileiro. Até aí, nada demais. Já fiz o prognóstico há mais tempo. O problema é que ele diagnostica que o time do técnico Sérgio Soares precisará de 48 pontos para evitar a queda. Aí Tristão Garcia se engana. Se prevalecer a estatística das edições anteriores, o Santo André se livrará da derrocada com 45 pontos, ou 39,47% de Índice de Produtividade Geral &#8212; que vem a ser os 45 pontos conquistáveis divididos pelos 114 pontos disputados até a última rodada.</p>
<p>Já fiz essas contas em artigos anteriores, disponíveis neste site, mas não custa rememorar.</p>
<p>Nenhuma equipe caiu com a produtividade de 40% que projetei para o Santo André, quando analisadas as três edições da Série A do Campeonato Brasileiro de pontos corridos com 20 participantes. A Ponte Preta, última equipe da linha de descenso em 2006 (ou 17ª na colocação final, com 39 pontos) atingiu 34,2% de produtividade, contra 38,6% do Corinthians no ano seguinte (44 pontos ganhos) e 38,6% do Figueirense no ano passado (44 pontos ganhos). Na Era dos Pontos Corridos com a participação de mais de 20 equipes, entre 2003 e 2005, nenhuma equipe rebaixada em 17° lugar chegou a 40% de produtividade. O Grêmio caiu em 2003 com 36,2%, o Criciúma em 2004 com 36,2% e o Coritiba em 2005 com 38,9%.</p>
<p>Portanto, o gaúcho não tem cobertura estatística para ampliar as complicações já por demais indigestas do Santo André. Há exagero que também pode ser confundido com gordura preventiva na imperiosidade de o Santo André acumular 48 pontos, o que significaria produtividade de 42,10% ao final do campeonato. Com 42% de aproveitamento na atual temporada, o Cruzeiro está na 13ª colocação na classificação geral. Os dados históricos confirmam que 40% de produtividade embutem carga sobressalente de tranquilidade para quem quer fugir da degola. Tristão Garcia está esticando demais a corda.</p>
<p>Não estou desclassificando a projeção de um profissional que é referência no assunto. Sem dispor dos apetrechos técnicos de quem tem estreita intimidade com a matemática e a aritmética, guio-me por dados históricos. E os dados históricos apontam que, com 40% de produtividade não há queda possível, seja o Campeonato Brasileiro da Série A di