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	<title>CapitalSocial &#187; Caso Celso Daniel</title>
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		<title>Caso Celso Daniel: júri popular  conectado ao calendário eleitoral</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 20:36:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma disputa no campo jurídico atrelado ao político-partidário para manter e também para mudar a data do julgamento dos acusados pela morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel. O site Consultor Jurídico anunciou nesta quarta-feira que um dos sequestradores, Marcos Roberto Bispo dos Santos, teve o julgamento adiado para novembro, a pedido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma disputa no campo jurídico atrelado ao político-partidário para manter e também para mudar a data do julgamento dos acusados pela morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel. O site Consultor Jurídico anunciou nesta quarta-feira que um dos sequestradores, Marcos Roberto Bispo dos Santos, teve o julgamento adiado para novembro, a pedido da promotoria. O juiz da 1ª Vara de Itapecerica da Serra, Antonio Augusto Galvão de França, remarcou a plenária para 18 de novembro, logo após o segundo turno das eleições. </p>
<p>Outros cinco acusados ingressaram com recurso contra a sentença de pronúncia que os levaria a júri popular ainda em agosto. Já Sérgio Gomes da Silva, a quem a força-tarefa do Ministério Público em Santo André acusa de mandante do crime, numa operação que cansei de denunciar como política, não irá a julgamento. O processo contra ele foi desmembrado. O andamento da acusação que lhe pesa depende de entrega de provas solicitadas pela defesa. </p>
<p>No fundo, no fundo, tudo isso já era previsto, porque o ordenamento jurídico assim o indicava. O mundo criminal é um jogo com muitas prorrogações, com cobranças de pênaltis que se alongam quase à eternidade. A movimentação de peças em situações excepcionais como do caso Celso Daniel reúne batalhões de especialistas em multiplicar a subjetividade do tempo, porção metafísica de medição incalculável. </p>
<p>A movimentação extra-campo desse novo capítulo do caso Celso Daniel está permeadíssima de interesses que ultrapassam o campo criminal. </p>
<p>Como se sabe, também invade a área constitucional &#8212; na briga de foice no escuro de manejo de filigranas jurídicas entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público, forças concorrenciais em defesa de interesses corporativos quanto à legalidade do poder de investigação dos promotores criminais. Tudo desemboca, nesse caso, no campo eleitoral. Ou alguém se esqueceu que está programada para outubro uma peleja nacional para os cargos executivos e legislativos mais importantes do País? Basta recorrer ao noticiário político &#8212; que se assemelha à guerra de vizinhos – e ao linguajar bélico de José Serra e de Dilma Rousseff. </p>
<p>Já imaginaram os estragos às candidaturas petistas e de aliados se o júri popular instalar-se antes das eleições desta temporada? </p>
<p>Um vendaval de ilações tornaria Itapecerica da Serra espécie de Serra Pelada criminal, para onde acorreriam todas as manchetes sensacionalistas de uma mídia sempre disposta a priorizar três desdobramentos de situações semelhantes: audiência, depois audiência e, finalmente, audiência. </p>
<p>Nem a mais cobiçada rede de televisão, que tem por costume e competência dar roupagem mais sofisticada a assuntos policiais &#8212; retirando-os do populismo ao qual os menos apetrechados se atiram freneticamente &#8212; se furtaria a adicionar algumas toneladas de dinamite à carga pesada que relegaria a cobertura do caso Nardoni a apagadíssimo festim.  </p>
<p>A Procuradoria-Geral paulista trata o julgamento do caso Celso Daniel como um dos mais importantes na esfera criminal. Nenhuma surpresa. Por causa disso, aliás, indicou, conforme noticia o Consultor Jurídico, uma tropa de choque do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao crime Organizado) do Grande ABC. Mais que isso: escalou uma megaestrela do mundo criminal. O promotor Francisco Cembranelli, popstar do julgamento do casal Nardoni, que atua no 2º Tribunal do Júri da Capital, foi designado ao julgamento de todos os réus do caso Celso Daniel. </p>
<p>Uma jogada de mestre para quem quer ver em chamas o circo do Partido dos Trabalhadores, ao qual Sérgio Gomes da Silva estava atrelado à época da morte de Celso Daniel. Do outro lado do júri popular poderá estar o advogado de defesa, Roberto Podval, que atuou a favor dos Nardoni. Pode estar certo de que ainda está com o juízo em dia quem chegar à conclusão de que poderá ser automática a mancha de contaminação à criminalização do então primeiro amigo de Celso Daniel. </p>
<p>Como se sabe, Sérgio Gomes da Silva foi apontado pelo Gaeco como mandante do crime, apesar de todas as evidências e provas em contrário de duas minuciosas investigações da Polícia Civil do Estado de São Paulo e uma da Polícia Federal, esta por determinação do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, atendendo solicitação do então presidenciável Lula da Silva. </p>
<p>Será que Sérgio Gomes da Silva levado à júri popular tendo Francisco Cembranelli a acusá-lo e Roberto Podval a defendê-lo conseguiria escapar de uma sentença do júri popular que, representando o pensamento médio da população brasileira, o coloca como acusado às portas da condenação? </p>
<p>Quem ao longo de quatro anos em que os policiais civis e federais foram instados a silenciar-se, enquanto os promotores criminais ocuparam sistematicamente a mídia com o desfilar de declarações que incriminaram Sérgio Gomes da Silva, resistiria à condenação pública? </p>
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		<title>Um livro escrito a oito mãos sobre  a morte do prefeito Celso Daniel</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 12:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Seria uma espécie de prévia do júri popular a que a Justiça de Itapecerica da Serra levará Sérgio Gomes da Silva só Deus sabe quando, já que recursos legais não faltam para protelar a decisão. Trata-se do seguinte: estou disposto a deslocar a segundo plano a ideia de escrever livro de tudo o que apurei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seria uma espécie de prévia do júri popular a que a Justiça de Itapecerica da Serra levará Sérgio Gomes da Silva só Deus sabe quando, já que recursos legais não faltam para protelar a decisão. Trata-se do seguinte: estou disposto a deslocar a segundo plano a ideia de escrever livro de tudo o que apurei no caso Celso Daniel. Trocaria a iniciativa individual por um livro escrito a oito mãos &#8212; duas minhas e outras seis dos promotores públicos que integravam o Gaeco, grupo especial que o governo do Estado instalou em Santo André para melar a bateria de críticas do PT contra a caótica situação da Segurança Pública no Estado de São Paulo naquele janeiro de 2002, correlacionando-a diretamente à morte de Celso Daniel.</p>
<p>Há divergências graves entre o que os promotores criminais apuraram e o que este jornalista apurou. Mais que isso: entre o que os promotores criminais apuraram e o que a Polícia Civil e a Polícia Federal apuraram.</p>
<p>Que tal, então, um livro que reproduza o ritual de um tribunal de júri, com direito a acusação, defesa, réplicas e tréplicas?</p>
<p>Estou pronto para enfrentar os promotores que já não estão mais no Gaeco em Santo André, mas que atuaram incisivamente na elucidação do assassinato. Entenda-se elucidação do assassinato sob o ângulo deles, promotores criminais, resultado que conflitou diretamente com as conclusões da Polícia Civil e da Polícia Federal. E também com o resgate de um enredo vivenciado por este jornalista.</p>
<p>Quem ganhará com esse modelo serão os leitores, porque terão a oportunidade de acompanhar, num mesmo volume impresso, o manancial de informações que acabou disperso e contaminado de inverdades durante muitos anos de noticiários.</p>
<p>Seria um documento muito importante para acabar de vez &#8212; ou diminuir bastante &#8212; com a espetacularização de um assassinato sobre o qual anônimos do mundo digital e celebridades do mundo midiático desfilam insanidades brutais em nome da liberdade de expressão.</p>
<p>Não chamem essa proposta de algo abusivo ou provocativo porque é o que exatamente se apresenta: uma proposta de democratização do caso Celso Daniel. Não se trata, portanto, de desafio deste jornalista aos promotores criminais. Muito menos uma convocação à guerra de versões. No máximo, no máximo, permitindo-se certa liberdade de interpretação, o que teremos é um providencial entrechoque do qual esperamos que saiam sãos e salvos os mariscos da verdade que acabarão por se chocar com as rochas de eventuais manipulações.</p>
<p>O que quero é que a sociedade tenha a possibilidade de encontrar um norte na avaliação do caso, sem interferências de uma parte da imprensa partidária e ideológica que atuou descaradamente na degeneração de informações. Tratarei cuidadosamente de tudo isso na obra, porque provas não me faltam.</p>
<p>Sei lá se os promotores criminais topam a parada, mas acho que deveriam topar. O caso Celso Daniel é um prato cheio para quem gosta de emoções, como tenho provado e comprovado nas oportunidades em que sou questionado pessoalmente ou por e-mail. Duvido que com os promotores criminais seja diferente. Gostem ou não, tanto eles quanto eu, vivemos permanentemente sob a mira da curiosidade popular, quando não de impiedosos, desastrados e enlouquecidos atiradores partidários e ideológicos.</p>
<p>Não me iludo e jamais me iludirei com o resultado parcial deste confronto com promotores criminais. Seria ingenuidade demais acreditar que, pelas especificidades do caso Celso Daniel, pudesse estar este jornalista em outra situação perante a maioria dos leitores senão tomando uma goleada. Não diria que são 10 a 0, porque um golzinho devo ter marcado, mas que a maioria da população bandeou-se para a certeza de crime de encomenda, não tenho dúvida.</p>
<p>Nem poderia ser diferente. Experimente fechar a boca durante pelo menos quatro anos e, em posição inversa, permitir que adversários veiculem nas principais mídias do País tudo o que acreditarem de negativo sobre você. Tente reverter o quadro em seguida, quando resolver botar a boca no trombone, sem que, as mesmas fontes divulgadoras de versão em contrário, lhe abram as portas.</p>
<p>Foi exatamente isso o que ocorreu tanto com as forças policiais paulistas quanto federais, pressionadas por razões diversas a se calarem durante a fase em que o Ministério Público mais se expôs para condenar publicamente Sérgio Gomes da Silva. Apenas este jornalista, por razões que já cansei de afirmar, ousou furar a barreira de fogo. Contei com algumas fontes policiais que atuaram diretamente no caso Celso Daniel para quebrar a monotonia da unanimidade burra.</p>
<p>O caso Celso Daniel é apenas mais um capítulo no qual contabilizo de imediato extrema desvantagem no placar, porque o combate se apresentava desigual. Virei muitos resultados. Sei que não vou virar esse placar facilmente. Talvez nem o consiga integralmente. Haverá sempre no subconsciente popular a certeza de crime de encomenda. Não tenho ilusões, portanto. Mas terá valido a pena, mais que qualquer reconhecimento social, a salvação de um inocente. Como, aliás, constataram tanto as investigações da Polícia Civil como da Polícia Federal.</p>
<p>Por tudo isso e por muito mais, teria imenso prazer em debater democraticamente como os promotores criminais.</p>
<p>Não gosto de utilizar linguagem armamentista, para não transmitir a ideia de que sou belicista, mas não me falta munição da pesada para descaracterizar imensa gama de imprecisões das investigações do Ministério Público. Principalmente porque os promotores criminais eles ficaram reféns dos irmãos de Celso Daniel. Nada pior do que ficar refém de parente que se sente de alguma forma culpado por não ter conseguido captar a importância de quem se foi. João Francisco e Bruno Daniel não dormem em paz entre outros motivos porque se recriminam por não terem tido a percepção ou a humildade de reconhecer a exuberância intelectual do irmão famoso.</p>
<p>Já tenho a ideia de como poderia ser o formato do livro que trataria do caso Celso Daniel a oito mãos. Um máximo de 300 páginas seria suficiente. Contaríamos com um mediador escolhido de comum acordo para receber o material redigido. Numa primeira etapa, seriam 80 mil caracteres para a atuação do Ministério Público, contra 80 mil caracteres para expor meu trabalho. Cada material seriam entregue ao mediador e lido pelas partes, que, então, preparariam réplica de até 40 mil caracteres cada. Material novamente entregue, novamente lido pelas partes, partiríamos, eu e os promotores, à tréplica de 30 mil caracteres cada. Depois é só editar e lançar na praça. Já tenho editora interessada.</p>
<p>É claro que sintetizei toda a operação. Um contrato detalhando a operação seria preparado. Estou pronto, prontíssimo, para disputar esse jogo de informações e de provas. Quero sim socializar o quanto puder o caso Celso Daniel dentro de regras mais justas. Troco a unilateralidade que estaria indelevelmente acondicionada num livro com minha assinatura, pela multilateralidade de até oito mãos de uma obra que trataria de retirar muitas névoas desse que é um dos fatos mais marcantes, instigantes e intrigantes da vida brasileira.</p>
<p>Será que os promotores criminais estão dispostos a estabelecer esse diálogo ou preferirão o conforto sempre vassalo de uma imprensa que, ao se afundar em versões rocambolescas, não tem como escapar da armadilha em que se meteu senão insistir nos mesmos erros e condenar ainda mais o primeiro-amigo de Celso Daniel?</p>
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		<title>Caso Celso Daniel: quando a  informação vira grande fuzarca</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 13:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem se aventurar a conhecer mais de perto o caso Celso Daniel e recorrer ao Google corre sério risco de bater contra o muro de fantasias e elucubrações de gente que tem tanta habilidade com o assunto quanto a Igreja Católica com escândalos de pedofilia. Há no mercado de peixe da Internet imprecisões e bobagens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem se aventurar a conhecer mais de perto o caso Celso Daniel e recorrer ao Google corre sério risco de bater contra o muro de fantasias e elucubrações de gente que tem tanta habilidade com o assunto quanto a Igreja Católica com escândalos de pedofilia. Há no mercado de peixe da Internet imprecisões e bobagens tanto quanto tudo que a chamada grande imprensa escreveu ao longo das abordagens. </p>
<p>Costumo citar a revista Veja para sintetizar o histórico do caso Celso Daniel em termos de veracidade da versão de que foi o primeiro-amigo do então prefeito de Santo André o autor da armadilha do sequestro e do assassinato. Reconhecidamente a serviço de qualquer ideologia que não se aproxime dos petistas, Veja não correu o risco da manipulação dos fatos. Em capa histórica de denuncismo contra o PT, preferiu instalar a morte de Celso Daniel num compartimento de dúvida &#8212; a única dúvida entre quatro certezas que serviram de mote para o título da matéria. </p>
<p>Menos mal, menos mal, porque o autor da reportagem, um jornalista que não está mais na Veja, João Gabriel de Lima, manteve comigo, na fase de apurações, encontro reservado num restaurante de Santo André. Ele já havia apurado todo o material com o qual produziria texto denso e, independente de juízo de valor, de alta qualidade técnica.</p>
<p>Não creio que esteja quebrando sigilo profissional ao reproduzir um dos trechos da conversa com o então repórter de Veja. Disse ele, num determinado momento, que não havia como introduzir no enredo do assassinato de Celso Daniel os condimentos apimentados que os idealizadores da trama pretendiam quando lançaram mão de uma força-tarefa do Ministério Público Estadual para melar a versão petista de incompetência dos tucanos na gestão da Secretaria de Segurança Pública. </p>
<p>João Gabriel de Lima ouvira todas as fontes policiais possíveis para concluir que não havia conexão entre o suposto esquema de propina na Prefeitura de Santo André, que seria o centro aglutinador e difusor de receitas paralelas de prefeituras petistas, e o assassinato de um dos cinco maiores dirigentes do partido, coordenador-geral da campanha que Lula da Silva reiniciara para chegar ao Palácio do Planalto. </p>
<p>Até então, e mesmo sem detalhar as operações com fontes policiais, João Gabriel de Lima foi o profissional de imprensa que mais próximo chegou de escalões policiais e do Ministério Público. Mais tarde, por obra do destino e de persistência, me embrenhei de tal maneira nessa missão que ultrapassei todos os limites de razoabilidade para erigir um edifício de credibilidade informativa.  </p>
<p>Para brutamontes verbais que contestam por contestar não vale informação alguma que não convirja para as preferências que exercitam como pano de fundo de queixas pessoais contra os envolvidos ou principalmente por causa de injunções político-partidárias. </p>
<p>Se Veja, repito, não conseguiu conectar uma situação e outra, ou seja, o suposto financiamento irregular de campanhas eleitorais petistas e a morte do prefeito Celso Daniel, e, por isso mesmo, optou por levar mais dúvida que certeza aos leitores, o que contestar? </p>
<p>Só é pouco para quem ignora que Veja foi instrumentalizada pelos promotores criminais que atuaram no caso Celso Daniel. </p>
<p>A maior revista nacional foi utilizada em momentos cruciais para culpabilizar Sérgio Gomes da Silva. Inclusive na antecipação do desfecho da prisão preventiva do primeiro-amigo de Celso Daniel, em dezembro de 2004. Tudo, para quem entende de jornalismo, dentro de figurino manjadíssimo de reciprocidades. </p>
<p>Voltando à Internet, que tudo aceita de gente sem qualificação jornalística para dar conta de fatos e de presunções, de verdades e de abusos, a recomendação aos leitores é que tomem muito cuidado. </p>
<p>Os jornais que publicaram muitas besteiras sobre o caso Celso Daniel já mofam nos arquivos ou já serviram à higiene pessoal. A reprodução dos textos no mundo digital está ao alcance de todos, é verdade, mas não encontra facilidades de critérios de edição da mídia impressa. </p>
<p>Dá muito trabalho resgatar na Internet matérias jornalistas no contexto em que fluíram. Tenho-as em meus arquivos impressos pessoais e sei bem a diferença entre revisitá-las a qualquer momento e procurar por duplicadas digitais. </p>
<p>Por isso, mesmo os iniciados na Internet não terão dificuldades em obter informações sobre o caso Celso Daniel em mecanismos de buscas que, repito, podem mais atrapalhar do que contribuir à interpretação dos fatos. Fiz essa experiência ainda ontem e fiquei abismado com o grau de periculosidade informativa. Há absurdos de todos os níveis. Paraquedistas não faltam.</p>
<p>É por tudo isso e muito mais que estou frustrado por não conseguir, ainda, encaminhar a publicação do livro com o resumo comentado de tudo o que escrevi e desvendei. É preciso colocar ordem nesse galinheiro de interesses mesquinhos. Este endereço digital é um antídoto contra delinquentes, embora nem tudo que escrevi sobre o caso Celso Daniel esteja disponível aqui. Guardo a maior parte do material para o livro pretendido. </p>
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		<title>Caso Celso Daniel: e se Sérgio  Gomes for mesmo a júri popular?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 12:42:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Não pretendia escrever, ainda, sobre o novo capítulo do caso Celso Daniel. Entretanto, como há leitores que pedem ou mesmo exigem posicionamento, não dá para esperar um documento que julgo importante para o contraditório que só os imbecis temem. 
Trata-se de responder à seguinte questão: e se Sérgio Gomes da Silva, que a imprensa ostensivamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não pretendia escrever, ainda, sobre o novo capítulo do caso Celso Daniel. Entretanto, como há leitores que pedem ou mesmo exigem posicionamento, não dá para esperar um documento que julgo importante para o contraditório que só os imbecis temem. </p>
<p>Trata-se de responder à seguinte questão: e se Sérgio Gomes da Silva, que a imprensa ostensivamente favorável à consumação jurídica da condenação popular chama de &#8220;Sombra&#8221;, for a júri popular? </p>
<p>Estaria Sérgio Gomes irremediavelmente condenado e trancafiado?</p>
<p>Já fui partidário da certeza de que, por conta do histórico de extravagâncias que constituem meias verdades e, principalmente, mentiras inteiras, Sérgio Gomes não teria possibilidade de escapar de condenação. O júri popular seria uma farra de pressões e de espetacularizações. Uma romaria de candidatos a celebridade de ocasião. Coisas que os leitores sabem como são. </p>
<p>Agora penso diferente: exceto se as condições ambientais não ultrapassarem todos os limites de grande show televisivo, os defensores legais terão elementos de sobra para convencer os jurados de que, além de vítima do sequestro, Sérgio Gomes converteu-se em boi de piranha de investigações viciadas que deslocaram assunto estritamente criminal à esfera política. </p>
<p>São tantas as nuances nas quais mergulhei durante tanto tempo para consolidar a convicção baseada em materialidades de que Sérgio Gomes da Silva é inocente que, francamente, nem sei por onde continuar este texto. </p>
<p>Há entrecruzamentos tão diversos do caso Celso Daniel que talvez a melhor maneira de explicar aos leitores as razões de acreditar num resultado favorável a Sérgio Gomes da Silva seja o cotidiano de explicações que me pedem leitores mais frequentes ou interlocutores ocasionais. </p>
<p>Ainda neste final de semana prolongado, num passeio no Shopping Metrópole, em São Bernardo, mantive contato com três pessoas com as quais jamais trocara mais que algumas frases. Conversamos por mais de três horas sentados que estávamos num dos bancos instalados nos corredores do shopping e, eis que a morte do então prefeito de Santo André acabou lançada na arena de comentários. </p>
<p>Era o que mais temia, porque me desgasto toda vez que tenho de explicar apurações jornalísticas. Poderia simplesmente concordar com a abordagem e dar ao tema a durabilidade de uma bolha de sabão. Mas, confesso, não resisto ao assunto. Principalmente quanto tenho tempo para debatê-lo. </p>
<p>Os interlocutores não tinham conhecimento de meus mais de dois milhões de caracteres sobre o caso Celso Daniel. Jamais imaginaram que estavam diante de quem não sossegou o facho enquanto não foi às profundezas das investigações da Polícia Civil, da Polícia Federal e do Ministério Público. </p>
<p>Querem saber o resultado da conversa? A certeza de que &#8220;Sombra&#8221; era um assassino frio e calculista, que Celso Daniel era um santo administrador público que jamais participou de qualquer iniciativa que visasse a arrecadar fundos para o Partido dos Trabalhadores, entre tantas variáveis, ruiu como o alambrado do Estádio Anacleta Campanella, em São Caetano, naquele jogo em que o Santo André venceu o Saad na prorrogação, gol de Lance, e se classificou para as semifinais do campeonato de acesso que o levaria à Primeira Divisão, em 1981.  </p>
<p>Expus aos interlocutores apenas alguns aspectos das verdades substantivas que a chamada grande imprensa omitiu descaradamente ao longo do tempo para sustentar a versão de crime de encomenda por motivação político-administrativa. Expliquei a farsa da versão estúpida do assassinato do perito do caso, contestei com dados e remissão a fontes policiais a idiotice de troca de calça de Celso Daniel entre o sequestro e o assassinato, destrocei as milongas sobre o assassinato de várias testemunhas, desmascarei a bobagem de que Celso Daniel foi encontrado de cueca pelo avesso, entre outros pontos. </p>
<p>Esqueci das patetices do senador Eduardo Suplicy e sua aventura rocambolesca com um pastor evangélico que teria não só assistido a tudo nos Três Tombos, onde o veículo dirigido por Sérgio Gomes foi abalroado, como também gravado as cenas. Um desvario que se comprovou estupidez, porque o suposto pastor não passava de um vigarista e o senador petista, como se sabe, é um candidato sempre pronto a chamar holofotes para si. </p>
<p>Querem saber o resultado final da conversa? Como um doutrinador, um missionário da Justiça, meus vizinhos de bancada de shopping mudaram completamente de posição ao ouvirem minhas explicações. Passaram a entender que o caso Celso Daniel jamais foi uma complementaridade entre as supostas propinas no Paço Municipal de Santo André e o sequestro que terminou com a morte do então prefeito. </p>
<p>A pergunta que mais ouço de leitores ou curiosos refere-se aos motivos que me levaram a comprar uma briga de cachorros grandes, de gente graduadíssima que digladia por espaço político e corporativo. </p>
<p>A resposta mais comum que exponho sem frescura é que sou jornalista independente, um completo idiota porque sei que meus textos sobre o caso Celso Daniel só me causaram prejuízos com perseguições, mas que, sempre estúpido, jamais vacilei entre a obrigação de informar e a compensação por não informar. Faço isso há 45 anos, sejam quais forem os assuntos a que o destino me apresenta. </p>
<p>O caso Celso Daniel marcou minha vida entre outros motivos porque, além de sentir na pele e no bolso o quanto custa contrariar poderosos de plantão, descobri que há mais sujeira e indecência ética nos grandes veículos de comunicação do que os tolos imaginam e os céticos têm certeza. </p>
<p>Uma tristeza, convenhamos, porque as perversidades jornalísticas a mando de patrões mercantilistas incentivam e se tornam salvo-condutos a donos de jornais mais modestos, que se sentem à vontade para agir sob o escudo de liberdade de expressão, que, de fato, não passa de liberdade do patrão. </p>
<p>Sérgio Gomes da Silva tem sérios motivos sim para ficar preocupado com possível julgamento popular, embora os fatos e as provas lhes sejam amplamente favoráveis. A imprensa sórdida que o condenou antecipadamente, industrializando mentiras e sonegando o contraditório, não encontrará barreiras éticas para sustentar uma farsa sobre a qual a maioria da população tem absoluta certeza de que se trata de puríssima verdade. </p>
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		<title>Caso Celso Daniel: derrota do MP  na denúncia do juiz de Itapecerica</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 19:22:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou meio enferrujado para escrever sobre o caso Celso Daniel, mas, como conhecimentos específicos têm o mesmo significado que andar de bicicleta, ou seja, a gente nunca esquece, eis que surjo de novo em cena para preencher um vazio imenso da mídia ao noticiar que a Justiça de Itapecerica da Serra determinou que seis sequestradores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou meio enferrujado para escrever sobre o caso Celso Daniel, mas, como conhecimentos específicos têm o mesmo significado que andar de bicicleta, ou seja, a gente nunca esquece, eis que surjo de novo em cena para preencher um vazio imenso da mídia ao noticiar que a Justiça de Itapecerica da Serra determinou que seis sequestradores do então prefeito de Santo André serão submetidos ao Tribunal do Júri.</p>
<p>Faltou dar ênfase ao fato de que um sétimo denunciado pelo Ministério Público foi excluído da relação pelo juiz Antonio da França. Não se trata de um acusado qualquer. Retirá-lo da lista significa um forte golpe na mandíbula investigativa do MP.</p>
<p>É sobre esse suposto sétimo sequestrador que está o &#8220;xis&#8221; da questão.</p>
<p>A renovação de informações do caso Celso Daniel coincidiu com o julgamento do caso Nardoni e também com a mais que manjada intenção da Imprensa de jogar na lata do lixo tudo que se referir à confirmação das investigações policiais que colocam a morte do então prefeito de Santo André na categoria dos crimes comuns, contrariamente, portanto, à versão rocambolesca do MP.</p>
<p>O Gaerco, grupo especial de promotores públicos foi providencialmente constituído em Santo André logo após o crime para embananar as conclusões tanto da Policia Civil quanto da Polícia Federal, que igualmente concluíram tratar-se de caso sem qualquer relação com a administração do então prefeito petista. Em inúmeras matérias expliquei as razões da intervenção desse grupo especial. Não pretendo rememorá-las agora.</p>
<p>Para quem está chegando agora nessa interpretação do caso Celso Daniel, que difere completamente do que leitores em geral consumiram de outras fontes ao longo dos tempos, devo lembrar que, sem falsa modéstia, no âmbito jornalístico ninguém foi tão detalhista e investigativo quanto este jornalista.</p>
<p>Livre de interesses políticos, partidários e ideológicos, que, como se sabe, em determinadas questões, prevalecem na mídia, pude construir série de reportagens até chegar à conclusão similar à dos policiais civis e federais: o prefeito de Santo André foi vítima de uma fatalidade.</p>
<p>Sei que há leitores tão doutrinados a acreditar no contrário que me abominarão e me atacarão. Que posso fazer se meu compromisso é com os fatos, apenas com os fatos?</p>
<p>Para completar essa volta ao passado de modo que possa preparar a plataforma de novas informações, devo repetir mais uma vez que a inocência de Sergio Gomes da Silva, apontado pelo MP como mandante do crime (outros mandantes teriam sido sugeridos pelos integrantes do Gaerco, casos de Ronan Maria Pinto e Klinger Souza, mas jamais se confirmaram condições mínimas para dar sustentação à amplitude de participantes) não esteriliza a possibilidade de que havia relações incestuosas na administração de Celso Daniel.</p>
<p>Não seria este jornalista leviano ao entregar-se às investigações do Ministério Público, porque faltam elementos comprobatórios. Já quanto à motivação do assassinato de Celso Daniel, as provas são inúmeras. Policiais civis e federais foram minuciosos ao desclassificarem completamente as conclusões dos promotores criminais.</p>
<p>Retomando agora o caso Celso Daniel pelo ângulo da denúncia contra seis e não sete sequestradores, lembro que quem ficou de fora da relação foi José Erivan Aleixo da Silva. O juiz de Itapecerica da Serra entendeu que não há provas suficientes para levá-lo a júri.</p>
<p>Para dar mais autenticidade à decisão, recorro ao despacho do próprio juiz Antonio da França</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> (&#8230;) Por outro lado, não há maiores provas em detrimento do acusado José Erivan. Nesse mister, primeiramente, saliento que o Ministério Público, apesar de ter solicitado a pronúncia desse acusado, não indicou, em seus memoriais, qualquer prova produzida contra esse. Outrossim, esquadrinhando as provas produzidas sob o crivo do contraditório, verifico que a única vaga e lacônica menção à eventual participação de José Erivan ocorreu no depoimento do delegado de Polícia Edison Remígio de Santi, o qual, de passagem, disse que: &#8220;José Erivan também teve participação no cativeiro&#8221;. Contudo, a Autoridade Policial não especifica, e aparentemente, nem lhe fora indagado, qual teria sido a &#8220;participação&#8221; desse acusado e, tampouco, de onde extraiu tal precário dado, havendo somente genérica referência de que tal informação proveio de &#8220;Promotor Público&#8221; não identificado. Como se não bastasse essa suposta &#8220;participação no cativeiro&#8221; sequer se coaduna com a conduta imputada ao réu, o qual, segundo o aditamento à denúncia, teria prestado auxílio aos demais, conduzindo seu irmão José Edison até o local do arrebatamento da vítima. É certo que, no procedimento administrativo ministerial que embasou o aditamento, há o depoimento extrajudicial de Itamar, o qual indicou José Erivan como eventual partícipe, dizendo que: &#8220;José Erivan foi trazido em um Monza, de propriedade de seu irmão &#8220;Van&#8221;, que o acompanhava&#8221;. Porém, em seus interrogatórios judiciais, Itamar não confirmou tal declaração, que não foi corroborada por qualquer prova colhida em juízo. Portanto, em relação a José Erivan, o conjunto das provas é extremamente frágil, não autorizando sua pronúncia&#8221; &#8212; decidiu o juiz Antonio da França.</p>
<p>A eliminação de José Erivan do banco dos réus do Tribunal do Júri que será montado em Itapecerica da Serra foi uma derrota para o grupo de promotores públicos que atuou na formulação da denúncia.</p>
<p>A Imprensa não atentou para esse desenlace porque é tão descuidada quanto desinteressada em aprofundar-se no caso Celso Daniel. A suposta participação de José Erivan no sequestro de Celso Daniel era ponto de honra para o Ministério Público. Em suma, o acusado estaria em um terceiro veículo usado na ação cinematográfica que teve como cenário o chamado Três Tombos, na Capital.</p>
<p>Em dezembro de 2003, o promotor público José Reinaldo Carneiro disse que José Erivan Aleixo da Silva, irmão de José Edison da Silva, um dos seis acusados de sequestrar Celso Daniel, ocuparia um suposto terceiro veículo, situação que reforçaria a suspeita de que o então prefeito de Santo André teria sido seguido desde que saiu do restaurante com o primeiro-amigo Sérgio Gomes da Silva. Prevalecendo essa tese, a promotoria fincaria mais estacas no plano de comprovação de que o crime não foi ocasional, de um grupo de sequestradores que resolveu abalroar o primeiro veículo importado que cruzasse seu caminho, depois de tentativa frustrada de sequestrar um comerciante do Ceagesp.</p>
<p>&#8220;A participação de José Erivan mostra que o outro empresário nunca existiu&#8221; &#8212; disse o promotor José Reinaldo Carneiro há quase sete anos.</p>
<p>Além do desmonte da versão do Ministério Público agora com a decisão do juiz de Itapecerica da Serra, acrescento o fato de que entrevistei pessoalmente, por telefone, e reproduzi nas páginas da revista LivreMercado (então sob meu controle editorial) como o comerciante do Ceagesp escapou das garras dos sequestradores, repassando o infortúnio a Sérgio Gomes da Silva e Celso Daniel.</p>
<p>Para completar mais este capítulo sobre o caso Celso Daniel, os arquivos são fartos sobre a participação dos seis sequestradores denunciados pela Justiça de Itapecerica da Serra. Eles passaram por acareações, a última das quais realizada em novembro de 2005 durante a CPI dos Bingos, em São Paulo, quando voltaram a negar a participação de Sérgio Gomes da Silva no crime, ocorrido em janeiro de 2002. Vejam alguns trechos da matéria publicada pela Folha de S. Paulo:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Até mesmo Elcyd Oliveira Brito, conhecido como John, que seria o autor de uma carta endereçada ao empresário para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito, recuou e afirmou que escreveu a carta para extorquir dinheiro de Sérgio Gomes da Silva. &#8220;Confesso que menti ao juiz. Eu escrevi a carta tentando extorquir ele (Gomes da Silva). Isso não tem nada a ver com crime político, foi um crime comum. O rapaz (Gomes da Silva) não tem nada a ver com isso&#8221;, disse Elcid, segundo o relato da Folha.</p>
<p>Estou analisando nos últimos dias a possibilidade de transportar para este espaço digital todo o material que produzi para a revista LivreMercado sobre o caso Celso Daniel. Entretanto, como ainda não se esvaiu a possibilidade de, antes disso, lançar um livro que aborde os pontos mais importantes de um crime que fugiu completamente da bitola judicial, devo esperar mais um pouco.</p>
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		<title>Veja é prova de um dos muitos  tropeços de Augusto Nunes</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 18:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Não vou esticar demais a corda dos fatos para ressaltar a irresponsabilidade informativa do jornalista Augusto Nunes (Veja.com) no caso Celso Daniel. Comentarei apenas um dos vetores com a independência partidária e ideológica que ele não tem porque faz parte de uma confraria de direita semelhante às confrarias de esquerda do jornalismo verde-amarelo: tudo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou esticar demais a corda dos fatos para ressaltar a irresponsabilidade informativa do jornalista Augusto Nunes (Veja.com) no caso Celso Daniel. Comentarei apenas um dos vetores com a independência partidária e ideológica que ele não tem porque faz parte de uma confraria de direita semelhante às confrarias de esquerda do jornalismo verde-amarelo: tudo o que o outro lado da porteira de poder exercitar como supostamente suspeito deverá ser traduzido como crime e, desta forma, condenado sem dó nem piedade.</p>
<p>Apenas a título complementar: Augusto Nunes e suas estripulias no caso Celso Daniel (desconheço eventuais estripulias desse veterano jornalista em outras questões, mas pelo tamanho dos dedos de imprecisões se conhece o gigantismo de bobagens) me deixam cada vez mais seguro de que fiz muito bem em incentivar minha filha Lara a abandonar a Faculdade de Jornalismo no ano passado, logo após o fim do diploma para o exercício da profissão. Já imaginaram entregar uma profissional recém-formada ou mesmo já experiente à sanha deformadora de Augusto Nunes? Ou de donos de veículos de comunicação que sustentam tantos Augustos Nunes?</p>
<p>Vamos ao que mais interessa &#8212; um dos escorregões de Augusto Nunes sobre o caso Celso Daniel. Ele escreveu na Veja.com de novembro do ano passado:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> (&#8230;) Foi um crime político, berraram em coro os Altos Companheiros já no momento em que o corpo foi encontrado numa estrada de terra perto da capital. A comissão de frente escalada pelo PT para o cortejo fúnebre, liderada por José Dirceu, Aloízio Mercadante e Luiz Eduardo Greenhalg, caprichou no visual. O olhar colérico, os trajes de quem não tivera tempo nem cabeça para combinar o paletó com a gravata, o choro dos inconsoláveis, os cabelos cuidadosamente desalinhados &#8212; todos os detalhes da paisagem endossavam a discurseira. Até ali, sabia-se o que tinha contado o empresário Sérgio Gomes da Silva, o &#8220;Sombra&#8221;, ex-assessor de Celso Daniel (&#8230;) A letra decorada pelo PT garantia que Celso Daniel fora assassinado por motivos políticos. Dirceu e Mercadante lembraram que panfletos atribuídos a uma misteriosa organização ultradireitista haviam prometido a execução de dirigentes petistas. Greenhalgh informou que o presidente Fernando Henrique Cardoso não tomara as devidas providências. Animados com a indiferença do governo, como recitou o trio, os carrascos resolveram agir. Celso Daniel foi o primeiro &#8212; escreveu melodramático Augusto Nunes.</p>
<p>O veterano jornalista da Veja.com não sabe o que escreve, por isso vou orientá-lo a seguir a cartilha dos fatos consumados. E, repetindo texto anterior, o desafio a um debate público para esclarecer todos os pontos do caso Celso Daniel. Sei que ele não aceitará. Muito menos os promotores criminais escalados pelo governo do Estado para tumultuar um jogo em que o PT ajudou a complicar na medida em que politizou o sequestro. Tudo, convenhamos, dentro das regras flexíveis de disputas políticas.</p>
<p>A colocação do crime na bitola política é uma farsa do jornalista da Veja.com. Acompanhei atentamente os acontecimentos a partir daquele sábado de manhã no Paço Municipal, quando praticamente toda a cúpula nacional do PT desembarcou em Santo André.</p>
<p>A &#8220;discurseira&#8221;, como afirma Augusto Nunes, de suspeição a um agrupamento de ultradireita jamais ganhou ênfase. Nenhuma manchete de vulto se imprimiu nos grandes jornais. Desde o início os petistas partiram forte e firme sim em direção à política de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin, prorrogação dos Direitos Humanos deixados por Mário Covas com o leniente Marco Vinício Petrelluzzi no comando da secretaria.</p>
<p>O desgaste provocado pela crítica petista desencadeou, de imediato, a reverberação de duas ondas sincronizadas:</p>
<p>Primeiro, no dia seguinte ao enterro de Celso Daniel, Marco Vinício Petrelluzzi foi defenestrado do cargo, substituído pelo linha dura Saulo de Castro Abreu Filho. O governador sentiu o peso das críticas porque, entre outros pontos, os casos de sequestro quadruplicaram no Estado. Iniciou-se ali nova jornada na criminalidade paulista que, até o final de 2008, poupou a vida de mais de 35 mil pessoas. A base de cálculos foram os assassinatos em 2001.</p>
<p>Segundo, iniciaram-se estudos e planejamentos para contragolpear as críticas petistas naquele ano eleitoral e, dias depois, começaram a vazar informações sobre supostas propinas na administração de Celso Daniel e, também, a possibilidade de Sérgio Gomes da Silva ter planejado o sequestro, em vez de ter sido vítima. Tudo muito bem executado, conforme escrevi já há algum tempo. Tanto que a versão de culpabilidade de Sérgio Gomes é de domínio público.</p>
<p>Tenho em meus arquivos tudo ou quase tudo sobre o caso Celso Daniel. Tanto sobre o que escrevi e analisei quanto de terceiros. Entre estes, edições da revista Veja, da mesma Editora Abril do desinformado Augusto Nunes. O que escreveu Veja na edição de final de semana imediatamente após o enterro de Celso Daniel?</p>
<p>A Reportagem de Capa foi caudalosa. Páginas e páginas da revista de maior tiragem do País trataram do assassinato. E em todas as páginas o tom foi sempre o mesmo: o caos do sistema de segurança pública no País, do qual São Paulo era a vitrine mais estilhaçada. Foram milhares de caracteres produzidos pelos jornalistas e consultores de Veja. E apenas num breve trecho, houve referência à elucubração de Augusto Nunes:</p>
<p><img title="bullet_quadrado" src="http://www.capitalsocial.com.br/wp-content/uploads/bullet_quadrado34.gif" alt="bullet_quadrado" width="8" height="8" /> Até sexta-feira à noite não havia uma explicação clara para a morte do prefeito de Santo André, sequestrado quando saía com um amigo de uma churrascaria em São Paulo e assassinado 24 horas depois. Em virtude de outro crime de morte em que a vítima foi um prefeito do Partido dos Trabalhadores, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, de Campinas, Interior de São Paulo, chegou-se a cogitar de uma conspiração política destinada a matar integrantes do partido de Lula. A morte de Celso Daniel, segundo essa interpretação, teria sido um crime político. Os próprios líderes do PT, no entanto, admitem que essa é a mais fraca das hipóteses a ser investigadas &#8212; escreveu Veja, Edição 1.736.</p>
<p>O descuidado e deflorador da verdade Augusto Nunes não pode nem mesmo tergiversar sobre os fatos, atribuindo à Veja imprecisão informativa. Todos os jornais e as demais revistas semanais de informações seguiram a mesma trilha &#8212; a trilha do caso como acontecimento criminal, não político.</p>
<p>Mais tarde, foram os promotores criminais de Santo André que politizaram o caso, mas não no sentido configurado por Augusto Nunes. Eles negam hoje que o tenham feito, mas há páginas de jornais que confirmam minhas afirmações. Eles disseram que o crime foi político no sentido de que havia imbricamento dos fatos com supostas propinas na gestão da Prefeitura de Santo André. Na realidade, se as denúncias dos promotores criminais fossem confirmadas, o crime não seria nem comum nem político &#8212; seria um crime político-administrativo.</p>
<p>O texto que Augusto Nunes assinou na Veja.com é, repito, um amontoado de bobagens. Peguei apenas um ponto específico para dar a dimensão do quanto aquele jornalista se deixa levar pelo fígado. Mentir descaradamente sobre o caso Celso Daniel não é a melhor maneira de atingir o governo Lula da Silva. Há tantos buracos, naturais em qualquer administração, que, quando abordados com ciência e competência, enobrecem a profissão e se encaixam em pressupostos de responsabilidade social.</p>
<p>Não cobrarei nada de Augusto Nunes ou de quem quer que seja por possíveis aulas do caso Celso Daniel. Tenho obrigação de repassar conhecimentos porque me empenhei como nenhum outro jornalista para levar claridade onde só havia trevas ou um estudado plano diversionista que custou a destruição da imagem de um inocente.</p>
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		<title>Que besta quadrada é o  jornalista Augusto Nunes!</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Calma leitores, calma leitores, porque não estou sendo mais desrespeitoso ou supostamente desrespeitoso com o veterano jornalista Augusto Nunes, hoje blogueiro da Veja.com, do que ele o foi ontem com o ministro Nelson Jobim. &#8220;Aqui entre nós, amigos: que besta quadrada é o Nelson Jobim!&#8221;, escreveu Augusto Nunes no alto da coluna que assina no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Calma leitores, calma leitores, porque não estou sendo mais desrespeitoso ou supostamente desrespeitoso com o veterano jornalista Augusto Nunes, hoje blogueiro da Veja.com, do que ele o foi ontem com o ministro Nelson Jobim. &#8220;Aqui entre nós, amigos: que besta quadrada é o Nelson Jobim!&#8221;, escreveu Augusto Nunes no alto da coluna que assina no endereço eletrônico da Editora Abril. </p>
<p>Tomo emprestado dele a frase cortante, que foge às minhas características que não são lá muito delicadas, para voltar ao caso Celso Daniel, uma de minhas especialidades. Augusto Nunes não passa de aprendiz desastrado.</p>
<p>Duvido que seja desastrado involuntário, porque reúne experiência para acreditar que possa dar um nó nos leitores manipulando a capacidade de sedução embutida na marca pessoal. Fosse foca, desses que saem das faculdades certos de que são jornalistas de verdade, os desatinos até seriam compreensíveis.</p>
<p>Não há em regra jornalistas inexperientes a procurar atualizar as informações ou resgatar o histórico do caso Celso Daniel. Principalmente os jornalões colocam em campo profissionais orientadíssimos para sustentar a fantasiosa versão de crime político. Uma tranqueira informativa que não resiste à realidade dos fatos. </p>
<p>Se esses jornalistas estivessem preocupados com a responsabilidade social inerente à profissão, poderiam saber muito mais do que escondem e jogar às traças o que veiculam. Basta visitarem meu site. E olhem que o material que disponibilizei até agora não significa 10% de tudo que escrevi no período. Tenho guardado acervo que pretendo transformar em livro.  </p>
<p>Um profissional com a biografia de Augusto Nunes &#8212; pelo menos a biografia profissional que se conhece &#8212; não pode incidir na besteira juramentada de seguir escrevendo bobagens sobre o caso Celso Daniel, sempre com a assessoria recalcitrante e psicologicamente comprometida dos irmãos biológicos do maior prefeito que o Grande ABC já contou &#8212; e também com o auxílio de promotores criminais que atuaram no caso a mando do governo do Estado. Esse foi o troco de Geraldo Alckmin para melar a investida do PT contra o descaso que dominava a área de Segurança Pública, politizando-a durante e após o sequestro naquele início de 2002. </p>
<p>Vou explicar o por quê de irmãos ideológicos. Tanto Bruno Daniel quanto João Francisco não tinham afinidades com Celso Daniel. Houve um pouco antes do assassinato uma tentativa de aproximação de João Francisco com o irmão famoso, mas nada que apagasse o passado de ressentimentos. João Francisco era seletivíssimo nas visitas a Celso Daniel no Paço Municipal de Santo André. Geralmente garimpava favores. Já Bruno Daniel afastara-se de Celso Daniel desde que, na primeira gestão do petista, entre 1989 e 1992, rompera relações por conta de ser preterido a uma secretaria e, principalmente porque sua mulher, Marilena Nakano, titular de Educação, pretendia socializar a gestão municipal de cabo a rabo.  </p>
<p>Havia tanta sincronia ideológica entre Celso Daniel e seus irmãos como entre Dilma Roussef, Paulo Maluf e Heloisa Helena. Aliás, João Francisco e Bruno Daniel também não se toleravam. A ideologia sempre entrava em campo e acionava o cartão vermelho de relacionamento. Era difícil conciliar o extremista de direita João Francisco e o extreminista de esquerda Bruno Daniel. Celso Daniel saiu de uma esquerda um pouco mais radical mas nem tanto quanto a esquerda radical de Bruno Daniel para uma centro-esquerda abjeta tanto para um quanto para outro irmãos. O que incomodava os irmãos biológicos era a flexibilidade ideológica de Celso Daniel numa banda comedidamente larga que jamais comprometeu a coerência de um socialista em busca da modernidade. </p>
<p>Feitas essas observações, hão de entender os leitores a razão de definir Bruno Daniel e João Francisco como irmãos biológicos. Eles só se encontravam nas enfadonhas festas de aniversário da família Daniel &#8212; ou no caso específico de João Francisco no Paço Municipal.  </p>
<p>Por isso e por muito mais, há diferenças abissais entre mim e Augusto Nunes quanto à vida e à morte de Celso Daniel. Augusto Nunes não ouviu os dois lados, não reuniu dados, informações e vivências precedentes ao sequestro seguido de assassinato, não leu os depoimentos dos sequestradores, entre tantos outros elementos. E principalmente, ao contrário deste jornalista, trabalha o tempo todo na raia da partidarização e da politização. Augusto Nunes escreve subordinado ao cabresto de Veja. Escrevo subordinado ao cabresto de conhecimentos livres de qualquer injunção política, ideológica, financeira e o escambau. </p>
<p>Augusto Nunes, portanto, é muito mais esperto do que Daniel Lima. Ele escreve o que parte do leitorado em forma de eleitorado quer ler. Escrevo o que o leitorado e o eleitorado precisam ler. </p>
<p>Augusto Nunes não consegue entender &#8212; e jamais entenderá porque é refém ideológico &#8212; que a morte de Celso Daniel é uma coisa completamente distinta do suposto esquema de propina na Prefeitura de Santo André. </p>
<p>Reúno tanto material do caso Celso Daniel que deixo de lado a falsa modéstia para afirmar com segurança que não há nenhum jornalista que ao menos chegue perto do conjunto de informações que detenho. Foram mais de dois milhões de caracteres produzidos entre 2005 e 2007. Sem contar os anteriores. </p>
<p>Por isso, a propósito dos artigos que Augusto Nunes escreve sazonalmente sobre o caso Celso Daniel, só tenho a lamentar. Ele segue sempre a mesma toada entojada e viciada dos irmãos biológicos. Amontoa mentiras inteiras e meias verdades. De vez em quando, para não perder a credibilidade que imagina ter quando trata do caso, acrescenta alguma verdade. Nada mais que um truque manjadíssimo de jornalismo de pau mandado. </p>
<p>A primeira vez que li alguma coisa de Augusto Nunes sobre o caso Celso Daniel me provocou gargalhadas incontroláveis. Já faz algum tempo e meus arquivos impressos me oferecem a prova do crime. Augusto Nunes escreveu que uma das razões para suspeitar da definição de crime comum era o fato de Celso Daniel e Sérgio Gomes terem jantado em São Paulo. Alheio ao Complexo de Gata Borralheira do Grande ABC, alheio às especificidades provincianas do Grande ABC, alheio às medidas de segurança informativa fora do ambiente especulativo do Grande ABC, Augusto Nunes considerou um despropósito um jantar na Capital, como se o Grande ABC não reunisse variedade de opções gastronômicas. </p>
<p>Fosse mais repórter e menos articulista de orelhada, Augusto Nunes pouparia os leitores de tamanha estultice. Todo mundo está careca de saber que determinados assuntos envolvendo determinados integrantes da vida política, social e empresarial do Grande ABC são debatidos e resolvidos exatamente onde Celso Daniel e Sérgio Gomes foram naquela noite de 18 de janeiro de 2002 &#8212; na cinderelesca Capital do Estado, a menos de 50 quilômetros (ida e volta) de Santo André. Celso Daniel e Sérgio Gomes sempre buscaram o anonimato de jantar em São Paulo. Raramente eram vistos em restaurantes no Grande ABC. Tantos outros fazem o mesmo. </p>
<p>Talvez um dia destes pegue ponto por ponto daquele artigo de 2 de novembro do ano passado escrito por Augusto Nunes (&#8221;O caso insepulto assombra o PT&#8221;).  </p>
<p>Hoje fico por aqui com o seguinte desafio a Augusto Nunes e aos promotores criminais que atuaram no Caso Celso Daniel: escolham o espaço público ou privado que quiserem, preparem as baterias e me convidem para um debate sério e responsável sobre a vida e a morte do prefeito de Santo André. </p>
<p>Vou trucidá-los, no sentido figurado, é claro, com a enxurrada de informações, dados e provas materiais sobre a distinção entre uma coisa e outra, ou seja, a administração da Prefeitura de Santo André e o sequestro seguido de morte. </p>
<p>Parem, por favor, de fazer chanchadas ideológicas do caso Celso Daniel. </p>
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		<title>Assassinato de Celso Daniel salva um Pacaembu inteiro em sete anos</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 18:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marco zero na reestruturação da política de segurança pública do Estado de São Paulo, entregue às baratas de Direitos Humanos que se confundiram com negligência e frouxidão, o assassinato de Celso Daniel completa oito anos neste 20 de janeiro com saldo de ter poupado a vida de pelo menos 33.335 paulistas em sete anos, entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marco zero na reestruturação da política de segurança pública do Estado de São Paulo, entregue às baratas de Direitos Humanos que se confundiram com negligência e frouxidão, o assassinato de Celso Daniel completa oito anos neste 20 de janeiro com saldo de ter poupado a vida de pelo menos 33.335 paulistas em sete anos, entre 2002 e 2008. Somente por isso, fosse a Imprensa menos óbvia, repetitiva, comodotizada e desatenta, já valeria a pena lembrar a data. Toda a obra intelectual e administrativa do maior prefeito que o Grande ABC já conheceu, portanto, poderia ser jogada às traças, como o foi pela maioria dos veículos de comunicação desde que Celso Daniel foi morto. Preferiu-se, sempre, o espólio da espetacularização do crime.  </p>
<p>Vou explicar como cheguei a um Pacaembu inteiro de potenciais vítimas que escaparam de homicídios no Estado de São Paulo. Do total, nada menos que 2.821 seriam contabilizadas nos sete municípios do Grande ABC. Quantidade suficiente para lotar o Teatro Municipal de Santo André em show artístico de sessão única durante uma semana inteira. </p>
<p>Antes de detalhar a metodologia que culminou com o Pacaembu lotado de sobreviventes da criminalidade paulista é preciso reforçar os enunciados preventivos a eventuais leitores precipitados ou mal acostumados com textos digitais e impressos quase sempre superficiais. </p>
<p>O rompimento da política de segurança pública do governo Geraldo Alckmin naquele janeiro de 2002, quando Celso Daniel foi encontrado morto numa estrada vicinal de Juquitiba, na Grande São Paulo, virou a gota dágua que faltava para transpor os limites do copo de paciência de algo entalado nos comandos policiais. O secretário Marco Vinício Petrelluzzi, nomeado em fevereiro de 1999 pelo então governador Mário Covas, não agradava às forças policiais. As tropas estavam desaparelhadas, é verdade, os soldos seguiam ritual ofensivo às responsabilidades funcionais e à qualidade de vida do efetivo, sem dúvida, mas a contrapartida a eventuais excessos nos embates com facções criminosas era extremamente desestimulante. </p>
<p>Marco Vinício Petrelluzzi foi demitido logo após o catártico sepultamento do corpo de Celso Daniel. Mais de 100 mil pessoas foram às ruas de Santo André. O crime teve repercussão internacional. Só alguns dias mais tarde é que se iniciou o plano diversionista de conduzir o enredo de crime comum para o campo político-administrativo. Afinal, a disputa pelo governo do Estado dominaria a pauta política daquela temporada. Celso Daniel era um dos homens de ouro do candidato Lula da Silva à presidência da República. Coordenador-geral do programa de governo do petista, após consagrar-se no encontro nacional do partido dois meses antes em Recife, Celso Daniel era estrela ascendente. Eleito Lula da Silva, seria o ministro do Planejamento, que teria status valorizadíssimo no organograma do Palácio. Antonio Palocci o sucedeu com semelhante discrição mas, embora bem articulado, sem o mesmo brilho. </p>
<p>Quando Celso Daniel morreu naquele janeiro de 2002 e o Partido dos Trabalhadores fez um escarcéu tremendo contra o caos criminal em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin lançou mar adentro a indumentária politicamente correta de Direitos Humanos. Apeou da secretaria o cortez Petrelluzzi e nomeou o implacável promotor público Saulo de Castro Abreu Filho. Daí em diante o governador paulista endureceu para valer o jogo e os números gerais de criminalidade despencaram. Também colaborou para esse resultado o acordo entre facções criminais e policiais civis e militares de preservação das cidadelas de tráfico de entorpecentes. Criaram-se códigos de honra que só são quebrados quando alguém pisa na bola da ganância e da esperteza. Aí o pau quebra.  </p>
<p>Quando deixou o cargo, Marco Vinício Petrelluzzi carregou comboio de críticas &#8212; até porque, defenestrado, tornou-se símbolo da reação de um Geraldo Alckmin visto como leniente. Os índices de sequestro sob Petrelluzzi aumentaram em quase 400% no Estado. Havia clamor público à troca de comando na Secretaria de Segurança Pública. O ambiente para o titular da Secretaria de Segurança Pública seguir no cargo era delicadíssimo. Geraldo Alckmin agiu com o pragmatismo dos dirigentes esportivos que, pós-derrota importante, entregam a cabeça do treinador aos torcedores organizados e à mídia provocativa. </p>
<p>Homicídios dolosos são o pedaço mais substancial do tecido de análise de Segurança Pública. A letalidade dos casos dispensa explicações e não há risco de subnotificações expressivas, mesmo admitindo-se desvios estatísticos por conta de métodos de registros e contabilidade viciados, como se denunciaram ainda recentemente. </p>
<p>O impacto das estatísticas de homicídios pode levar qualquer governo ao estresse político e administrativo, com abalos no senso de percepção da sociedade. Naquele janeiro de 2002 de Celso Daniel estirado no chão de terra batida de Juquitiba, os estragos na imagem do governo do Estado foram contundentes. Se homicídios naturalmente já incomodam qualquer governo, imaginem homicídio decorrente de sequestro. Com agravante de sequestro de político importante. Uma combinação gravíssima.</p>
<p>Foi por essas e outras que os petistas resolveram atacar na coletiva à imprensa realizada no Paço Municipal de Santo André quando Celso Daniel estava sequestrado naquele sábado, 19 de janeiro de 2002. </p>
<p>Daí a decisão tucana de contra-atacar e carregar dúvidas sobre o enredo do crime. A mídia comprou acriticamente a contra-ofensiva.  Para desgraça de Sérgio Gomes da Silva, primeiro-amigo do prefeito, que dirigia a Pajero abalroada pelo bando de marginais pés-de-chinelo &#8212; conforme definição de policiais civis que chefiaram as investigações e concluíram, em três inquéritos, por crime comum.  </p>
<p>Feita a troca de comandante e de metodologia, adotando-se linha dura, e também contando com o despertar da maioria dos municípios de regiões metropolitanas paulistas que passaram a investir mais em segurança pública, bem como o governo federal, o que tivemos nos últimos anos foi um despencar dos casos letais. </p>
<p>A base de cálculos para chegar a mais de 33 mil vidas poupadas no Estado de São Paulo são homicídios dolosos registrados no ano imediatamente anterior ao assassinato de Celso Daniel: em 2001, a Secretaria de Segurança Pública apontou 12.475 assassinatos no Estado de São Paulo, dos quais 949 no Grande ABC. Se adotássemos a média de homicídios de cinco anos anteriores, a base de cálculo seria ainda maior, mas faltam números estaduais no portal da SSP. Os do Grande ABC tenho nos arquivos. Chegamos a perto de 1,5 mil assassinatos numa única temporada. </p>
<p>Voltando à contabilidade explicativa, em 2008 o total de homicídios no Estado de São Paulo caiu para 4.426, poupando-se, portanto, 8.049 vidas em relação à temporada de 2001. No Grande ABC foram 369 assassinatos, ou 580 vidas preservadas em relação a 2001. </p>
<p>Como cheguei, então, às mais de 33 mil potenciais vítimas salvas pela repercussão e pelas providências pós-morte de Celso Daniel? Somei todos os assassinatos registrados entre 2002 e 2008 (53.990) e dividi por sete (os sete anos pesquisados), chegando à média anual de 7.712. Contrapondo esse resultado aos 12.475 casos registrados em 2001, cheguei à redução média anual de 38,18%. Um pouco menos que a redução média anual registrada no Grande ABC (42,46%). </p>
<p>Quando se acrescentarem os números do ano passado, ainda não disponíveis no site da Secretaria de Segurança Pública, teremos lotado o Pacaembu. Quem quiser imagem mais realista do que isso significa, espere até o dia 24 de fevereiro próximo quando o Corinthians estréia na Taça Libertadores. </p>
<p>A morte de Celso Daniel completa oito anos hoje sob o silêncio do descaso generalizado de uma sociedade que não preserva a memória nem de quem teve a estatura pública do maior prefeito da história do Grande ABC. Não terá sido em vão. É um consolo para tentar preencher o vazio institucional de políticas integracionistas de um Grande ABC dividido em sete pedaços diferentes e, apesar dos esforços individuais, incapaz de juntar-se em projeto comum. </p>
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		<title>Ronan, absolutamente inocente</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 17:11:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[É natural que internautas de todas as partes do Brasil e até mesmo do exterior participem como estão participando do blog do jornalista Juca Kfouri em forma de comentários ao texto que escrevi ainda outro dia sobre o empresário Ronan Maria Pinto à frente do Santo André. Entretanto, o silêncio covarde de ver o circo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É natural que internautas de todas as partes do Brasil e até mesmo do exterior participem como estão participando do blog do jornalista Juca Kfouri em forma de comentários ao texto que escrevi ainda outro dia sobre o empresário Ronan Maria Pinto à frente do Santo André. Entretanto, o silêncio covarde de ver o circo pegar fogo não faz parte de minha personalidade. Prefiro sempre e sempre a luz à penumbra.</p>
<p>Tenho muitos motivos como profissional de jornalismo para criticar Ronan Maria Pinto na presidência do Diário do Grande ABC e na presidência do Santo André. Mas também tenho todos os motivos para retirá-lo da cena do crime ou da idealização do crime em que o colocaram e ainda o colocam no caso Celso Daniel.</p>
<p>Possivelmente por não terem agregado de conhecimentos sobre minha atuação jornalística, alguns internautas deram interpretação exacerbadamente equivocada a alguns parágrafos, associando ao sabor da livre interpretação o que é realidade e o que não passa de fantasia.</p>
<p>Tanto que me atingiram também. Faz parte do show, diriam os mais objetivos. Responderia este jornalista que esse tipo de show jamais me encantou, embora não tenha o direito de cerceá-lo.</p>
<p>O ponto mais delicado daquele texto e que provocou leitura abrasiva trata do assassinato do prefeito Celso Daniel. Não faltaram comentários de internautas que relacionaram aquele acontecimento a Ronan Maria Pinto. Pura bobagem.</p>
<p>Tenho dito e escrito ao longo dos anos que tanto Ronan Maria Pinto quanto Klinger Souza e Sérgio Gomes da Silva, o triuvirato que o Ministério Público escolheu para pagar a conta, jamais tiveram qualquer participação naquele incidente. Tratou-se sim e comprovadamente de crime ocasional, como cansou de apurar a Polícia Civil de um governo estadual antipetista &#8212; e também a Polícia Federal sob o governo de Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>Reafirmo categoricamente a inocência deles porque, inconformado com o noticiário reticente, quando não estreitamente próximo demais da força-tarefa do Ministério Público, avancei profundamente nas investigações. Peguei o touro a unha. Não fiquei na janela vendo a banda passar, nem tampouco selecionando fontes de informações para confirmar a versão de crime de encomenda.</p>
<p>Ouvi todos os lados, como recomenda o bom jornalismo. Nenhum outro jornalista ouviu, por exemplo, um delegado da Polícia Federal &#8212; José Pinto de Luna &#8212; que investigou a fundo a possibilidade de a suposta rede de propina na Prefeitura de Santo André estar interligada à morte do prefeito.</p>
<p>Lembro-me perfeitamente das declarações do delegado numa entrevista gravada em meu veículo, numa rua da Capital. Ele confessou que viera ao Grande ABC para prender Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes e Klinger Souza, mas ficou frustrado. Nada, absolutamente nada, ligava um caso, de suposta propina, a outro caso, de assassinato.</p>
<p>Longe de mim o monopólio da verdade, mas também não pratico a hipocrisia de juntar-me à maioria massacrante e conveniente de alinhamento automático à tese de crime administrativo envolvendo Celso Daniel. A manipulação do noticiário por interesses estranhos ou simplesmente porque o jornalismo investigativo já viveu melhores dias cobriu o caso com densa carga de interrogações que, sei bem, jamais serão eliminadas. Não há morte de gente famosa que não passe pelo corredor polonês de múltiplas versões. Vejam o que dizem de Michael Jackson, de princesa Diana, de Kennedy e de tantos outros.</p>
<p>Por isso mesmo escrevi perto de 300 páginas em formato revista sobre o caso. Foram anos de trabalho, de indisposições com o Ministério Público de Santo André. Não me arrependo de uma linha sequer, até porque foram resultado de muito trabalho e nenhum tipo de comprometimento com as partes. Daí, inclusive, mantenho ampla liberdade como crítico do dirigente esportivo e do empresário de comunicação Ronan Maria Pinto.</p>
<p>Retirar da esfera esportiva e empresarial a crítica que produzi no artigo &#8220;Ronan, o absolutista”, transplantando-a para a arena criminal especulativa é forçada de barra à qual os internautas, fustigados durante todo o tempo pela versão única do assassinato, têm todo o direito. Mas não seria justo que me calasse.</p>
<p>É verdade que me referi tangencialmente ao caso Celso Daniel naquele artigo, mas foi sobre algo que chamaria de legítima defesa para tipificar o relacionamento que determinados acionistas do Santo André mantêm com o presidente do clube empresarial, consequência daquele acontecimento que ganhou manchetes internacionais. Ronan Maria Pinto, Klinger Sousa e Sérgio Gomes da Silva estão pagando e vão pagar para sempre o preço da acusação pública persistente de que estariam envolvidos na morte do prefeito de Santo André.</p>
<p>Não tenho e jamais tive dúvidas sobre as consequências de meus textos investigativos sobre o caso Celso Daniel. Seria sempre lembrado como o jornalista que se opôs à realidade dos fatos, à realidade dos promotores públicos, instituição de goza de amplo prestígio na sociedade. Não carrego esse peso com desconforto. Minha consciência profissional está em paz. Só não posso me calar para entregar Ronan Maria Pinto à sanha pontual de rescaldos de um artigo que era e sempre se pretendeu esportivo-empresarial.</p>
<p>Jamais teria aceitado trabalhar como diretor de Redação do Diário do Grande ABC entre julho de 2004 e abril de 2005 se não tivesse absoluta certeza da inocência de Ronan Maria Pinto, de Sérgio Gomes da Silva e de Klinger Souza. Da mesma forma que vou colocar à venda o 1% do naco de ações do clube empresarial em que se transformou o Santo André caso se mantenha o estado de anorexia de um agrupamento de acionistas que ainda não entendeu a responsabilidade social do empreendimento. E é claro que, por ser o presidente e exercer o cargo com impetuosidade comum aos presidentes, Ronan Maria Pinto é o maior responsável pela situação.</p>
<p>Ronan Maria Pinto é sim absolutista no futebol, com amplo direito de defesa que este site lhe dará, numa entrevista exclusiva, mas é absolutamente inocente no caso Celso Daniel.</p>
<p>Já dava este texto por encerrado quando me ocorreu a ideia de resgatar ao menos um dos trabalhos do caso Celso Daniel. E encontrei em meus arquivos (tenho tudo pronto para publicar o livro sobre a morte do prefeito, menos dinheiro) o texto da edição de fevereiro de 2006 de LivreMercado (revista que criei e comandei por 19 anos) sobre a CPI dos Bingos, na qual politicamente enfiaram o assassinato do prefeito de Santo André.</p>
<p>Acompanhem aquela análise e vejam o quanto a mídia, de maneira geral, selecionou o que deveria informar sobre o caso Celso Daniel:</p>
<p>O médico-legista Carlos Delmonte Printes, morto em outubro do ano passado, mentiu ao afirmar ao Ministério Público e à Imprensa que o prefeito Celso Daniel foi torturado em janeiro de 2002, antes de ser assassinado por sequestradores que o apanharam no chamado &#8220;Três Tombos&#8221;. A informação foi prestada em tom moderado mas firme pelo delegado federal José Pinto de Luna durante a sessão da CPI dos Bingos, dia 24 de janeiro em Brasília. Embora importantíssima, a revelação não teve repercussão na Imprensa. Fundamental para definir a atuação ética de Carlos Delmonte, o depoimento do delegado federal foi praticamente ignorado. Ele atuou no caso por decisão do governo Fernando Henrique Cardoso e a pedido do Partido dos Trabalhadores.</p>
<p>A relevância da informação é explícita: Carlos Delmonte ateou fogo na versão de que o crime cometido contra o prefeito de Santo André decorreu de supostas irregularidades administrativas na Prefeitura petista. Tese defendida pelo Ministério Público para incriminar Sérgio Gomes. Segundo o delegado, o legista afirmou que os ferimentos não tinham relação com tortura física de crime político-administrativo, principal vereda pela qual tanto a Polícia Federal quanto a Polícia Civil abriram as investigações após o crime. A declaração lança suspeita de que, mais de três anos depois de necropsiado o corpo de Celso Daniel, Delmonte teria metabolizado o conceito de &#8220;tortura&#8221; que consta do laudo, encaminhando-o em direção a aspectos político-administrativos.</p>
<p>O delegado federal José Pinto de Luna é discreto. Tem-se recusado a dar entrevistas sobre a morte do prefeito de Santo André. Mas, convocado pelos senadores, foi a Brasília. Confirmou o inquérito da PF: Celso Daniel foi vítima de crime comum. Lamentou que Carlos Delmonte não estivesse vivo e presente à CPI para confirmar as informações que lhe prestou sobre o assassinato do prefeito. José Pinto de Luna disse que não poderia esperar a formalidade da produção do laudo do exame de necropsia para continuar investigando o crime, por isso indagou de Delmonte a tipologia dos estragos no corpo do prefeito, exposto no Instituto Médico-Legal naquela manhã de 20 de janeiro de 2002.</p>
<p>A resposta de Carlos Delmonte, segundo relato de José Pinto de Luna, é que se tratava de homicídio. Em nenhum momento, apesar de inquerido, Delmonte fez menção ao conceito político de tortura. O trecho do depoimento em que o delegado da Polícia Federal abordou as declarações de Carlos Delmonte foi quase que apressadamente atropelado. Senadores de oposição dominam a CPI dos Bingos e não têm interesse em dar crédito a informações que retirem o caso Celso Daniel da bitola de crime encomendado. E os petistas que participam da CPI são em geral desinformados ou receosos de exporem-se na defesa das investigações policiais.</p>
<p>Sem contar que o senador Eduardo Suplicy mantém comportamento ambíguo, ora como aliado de crime comum, ora como crédulo de crime encomendado. Suplicy transmite a sensação de que pisa em ovos, como se não pretendesse romper a casca de neutralidade. Mesmo que para tanto mergulhe na omissão ou, em contrapartida, se lance precipitadamente em direção à mídia, como no caso da propagação da suposta testemunha-chave de um pastor evangélico vivido em carne e osso por um estelionatário profissional que se dizia possuidor de uma fita de vídeo que comprometeria Sérgio Gomes. A Polícia Federal desvendou a farsa, embora os advogados de Sérgio Gomes, o homem acusado pelo Ministério Público de ser um dos mandantes do crime, torcessem para que a suposta fita de vídeo saísse da dimensão paranóica do falso pastor e se consumasse como extraordinário reforço de defesa.</p>
<p>Embora as declarações do delegado federal fossem a principal novidade da CPI dos Bingos, prevaleceu a repercussão de uma notícia velha e surrada, divulgada na semana anterior: o médico-legista Paulo Vasques reafirmou durante a sessão que Celso Daniel foi torturado antes de morrer. Paulo Vasques é o substituto de Carlos Delmonte na elaboração de laudo suplementar sobre a morte de Celso Daniel. Na semana anterior à sessão da CPI ele encaminhara o relatório aos promotores criminais de Santo André, tratada com ênfase pela mídia.</p>
<p>Paulo Vasques foi burocrático na exposição do relatório, inclusive com o uso de fotos que identificavam marcas de coronhadas na cabeça do prefeito &#8212; que teriam sido desferidas no momento em que foi retirado da Pajero pelos sequestradores. Além disso, Celso Daniel foi atingido por oito disparos de uma pistola no rosto, no tórax, nas mãos e nas pernas. As explicações do legista Paulo Vasques não foram contrapostas, embora vários pontos fossem indispensáveis.</p>
<p>Primeiro: a execução de Celso Daniel foi rápida, sequencial, e, portanto, sem o viés de tortura fora dos padrões criminais. Não se tratou de ritual demorado, de quem pretende de fato arrancar informações supostamente valiosas da vítima. Foi assassinato.</p>
<p>Segundo: o legista substituto afirmou que Celso Daniel foi torturado antes de ser morto. Trata-se de questão temporal extraordinariamente lógica: Celso Daniel só morreria depois dos disparos, essência de tortura de quem sofre o impacto dos projéteis.</p>
<p>Terceiro: nenhum senador, nem mesmo os petistas tão desorganizados, indagou do legista a precisão do conceito do termo &#8220;tortura&#8221; que ele, repetidamente, apresentou durante a sessão. Quando a Polícia Civil e a Polícia Federal encerraram a apuração, atribuíram ao enredo crime comum. Nada, portanto, que resvalasse no conceito de &#8220;tortura política&#8221;, mais tarde defendida pelo Ministério Público. &#8220;Tortura política&#8221; seria a comprovação de que Celso Daniel teria sido castigado fisicamente num ritual prolongado para revelar supostas irregularidades que estariam ocorrendo em sua administração, apesar de os mesmos formuladores dessa tese, no caso os promotores públicos, declararem que o prefeito participava efetivamente das irregularidades.</p>
<p>Ao bater o tempo todo na tecla de &#8220;tortura&#8221;, o legista referia-se à &#8220;tortura criminal&#8221;, sem necessariamente estar relacionada com supostas propinas em Santo André. Mesmo quando afirmou que uma das vertentes da &#8220;tortura&#8221; poderia ser crime de mando, o legista abriu a janela de uma realidade que está nos inquéritos: de fato houve crime de mando, ou melhor, de contramando, já que dois dos sequestradores ignoraram a orientação de libertar o prefeito depois da intensa repercussão do sequestro na mídia. &#8220;Solte o homem que ele é uma bomba&#8221; &#8212; disse Ivan Monstro da Silva, chefe dos quadrilheiros, segundo consta dos inquéritos policiais. A resposta dos dois sequestradores que mantinham Celso Daniel no cativeiro em Juquitiba foi em sentido inverso, porque temiam ser identificados pelo prefeito.</p>
<p>Não faltaram lances de dramaticidade entre senadores que participaram de mais uma sessão em que o caso Celso Daniel foi exaustivamente debatido. O mineiro Wellington Salgado (PMDB) deixou a sala depois de declarar-se comovido com a sequência de fotos. Antes, ironizou opiniões contrárias à tese de tortura.</p>
<p>Provavelmente o senador teria mais dificuldades de aceitar imagens da violência urbana se lhe fossem apresentadas fotos de crimes da periferia metropolitana. Principalmente de jovens delinquentes metralhados por causa do tráfico de drogas. A propósito: num tipo de crime como esse, banalizado nas metrópoles, os médico-legistas também identificam a ocorrência como tortura seguida de morte.</p>
<p>O laudo escrito pelo legista Paulo Vasques não descreve sinais de espancamento em Celso Daniel. &#8220;Alguns autores psiquiatras já consideram o próprio sequestro como tortura, considerando o sofrimento psíquico intencionalmente infligido a uma pessoa com a finalidade de obter ganhos.&#8221;</p>
<p>O que isso, na prática, significa? Significa que sequestrados famosos e não necessariamente assassinados, casos do dono do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, e do publicitário Washington Olivetto, encaixam-se no conceito de &#8220;tortura&#8221; do legista Paulo Vasques, que examinou o corpo do prefeito Celso Daniel juntamente com Carlos Delmonte. Os promotores de Santo André tomaram o depoimento do legista, que se comprometeu a fazer um laudo complementar. Quando Delmonte se matou, Vasques assumiu essa missão. Outros dois legistas do Instituto Médico-Legal de São Paulo assinaram o exame de necropsia do corpo de Celso Daniel mas, estranhamente, não aparecem nas investigações do Ministério Público.</p>
<p>De fato, de fato, não há novidade alguma no parecer de Paulo Vasques. Em 17 de abril de 2004, o jornal &#8220;Folha de S. Paulo&#8221; publicou matéria (Laudos não elucidam &#8220;tortura&#8221; de Daniel) que apontava diferenciações entre &#8220;tortura&#8221; como sinônimo de violência e &#8220;tortura&#8221; como, por exemplo, medidas para obter informação de alguém, como os promotores públicos de Santo André defendem em relação ao caso Celso Daniel.</p>
<p>Naquela reportagem, a &#8220;Folha&#8221; explica: “O IML (Instituto Médico-Legal) usa o termo tortura em seu laudo de forma diferente do significado mais popular &#8212; violência infligida a alguém para obter uma informação, por exemplo”. A definição que o laudo dá à tortura &#8212; continua a &#8220;Folha&#8221; &#8212; é o seguinte: consideramos como tortura, senso geral, os achados descritos no item anterior acrescidos da multiplicidade e localização dos tiros, além de sinais compatíveis com contato de cano (boca de cano) na arma aquecido com o contorno posterior do tronco. Segundo a &#8220;Folha&#8221;, o item &#8220;anterior&#8221; citado no laudo foi o &#8220;tempo de agonia&#8221; da vítima, estimado em &#8220;minutos&#8221;. &#8220;Consideramos tal agonia como intensa, baseados nos mesmos achados e na observação de espasmo cadavérico, expressão de terror e material expelido pelo corpo por vias naturais&#8221; &#8212; basicamente tudo o que Paulo Vasques repetiu no laudo apresentado em janeiro e logo em seguida à CPI.</p>
<p>Ainda segundo aquela reportagem de abril de 2004 da &#8220;Folha&#8221;, cujos termos também são confirmados por Paulo Vasques, a explicação dada no laudo às marcas no corpo do prefeito é o que os legistas chamam de fragmentação. Uma bala, em contato com o corpo, ossos ou mesmo o chão, após atravessar a vítima, explodiria em vários pedaços, causando ferimentos em outras partes do corpo. Morto com oito tiros, o corpo de Celso Daniel sofreu efeitos dos estilhaços.</p>
<p>Também o delegado Edson de Santi, titular do Deic (Departamento de Investigações contra o Crime Organizado), participou da sessão da CPI dos Bingos. Ele reafirmou todos os pontos das investigações realizadas em conjunto com a Polícia Federal e com o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo. Disse o que os membros da maioria oposicionista preferiria não ouvir: Celso Daniel foi vítima de um tipo de crime que infestava a Região Metropolitana de São Paulo: sequestro seguido de morte. &#8220;Crime comum, senhores senadores.&#8221;</p>
<p>Faltou dizer que Marco Vinício Petrelluzzi, então secretário de Segurança do Estado, foi demitido por causa da repercussão do caso. A medida foi seguida de reviravolta na política de Direitos Humanos herdada por Geraldo Alckmin, então sucessor interino do governador Mário Covas, morto em 2001. A criminalidade sofreu duros reveses nos últimos anos.</p>
<p>A teatralização de alguns senadores, caso, por exemplo, de Magno Malta (PL-ES), faz parte do show da CPI dos Bingos. Magno Malta dispõe de biografia pouco recomendável na defesa da versão de crime de encomenda. Recentemente esteve em São Paulo para conhecer o trajeto percorrido por Sérgio Gomes e Celso Daniel na noite de 18 de janeiro. Confessadamente pouco afeito às peculiaridades do trânsito da metrópole, Magno Malta argumentou que o percurso escolhido por Sérgio Gomes foi preparado em favor dos sequestradores porque seria inviável para quem se dirigia ao Grande ABC.</p>
<p>O senador desconhece que a alternativa dos &#8220;Três Tombos&#8221; para quem está na região dos Jardins, em São Paulo, onde Sérgio Gomes jantou com Celso Daniel, é uma das mais utilizadas. Basta travestir-se de fiscal de trânsito e verificar que, no ponto em que os sequestradores abalroaram a Pajero de Sérgio Gomes, milhares de veículos do Grande ABC repetem o trajeto todos os dias.</p>
<p>Esse mesmo senador, ao questionar as explicações do delegado Edson de Santi, introduziu uma oratória de enredo supostamente lógico, cujos personagens e figurantes obedeceriam rigorosamente seus desejos para cristalizar a tese de crime de encomenda. Ele procurou desqualificar o inquérito policial e tornar sua versão mais digerível. Um show de amadorismo que teve como contrapartida o sorriso discretamente de desprezo do delegado do Deic. Como se sabe, o Senado não permite que convidados ou convocados exibam ostensiva insatisfação. A recíproca de senadores não é verdadeira.</p>
<p>Eles têm liberdade para atazanar a vida de quem se presta a dar informações. Em alguns casos, chegam aos limites da inquisição. Principalmente se as informações não seguirem os rumos de tornar o caso Celso Daniel ponta-de-lança rentável ao jogo político-eleitoral.<br />
A CPI dos Bingos, ardilosamente comandada pelos oposicionistas, incluiu o caso Celso Daniel na pauta de debates para espicaçar a paciência petista. Depois de série de sessões espetaculosas no segundo semestre do ano passado, janeiro começou com um barulhento bate-boca entre o pefelista baiano Antonio Carlos Magalhães e o petista Aloízio Mercadante, provável concorrente ao governo do Estado de São Paulo.</p>
<p>Líder do governo no Senado, Mercadante criticou o governador paulista, Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência, por vetar projeto que proibia máquinas caça-níqueis em bares e restaurantes. &#8220;Vamos fazer esse debate, tomar posição, ou a CPI vai fingir que não está vendo?&#8221; &#8212; questionou o petista. Antonio Carlos Magalhães reagiu, criticou a intromissão de Mercadante na definição do candidato peessedebista à Presidência e sentenciou: &#8220;O que incomoda é que a CPI está desmascarando todos os atos lesivos ao País acobertados pelo PT, até os crimes praticados pelos petistas contra correligionários, como o assassinato do Celso Daniel e do Toninho&#8221; &#8212; acusou ACM. O incidente se estendeu e tornou o ambiente no Senado carregadíssimo.</p>
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		<title>Celso Daniel, 58 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 12:19:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eventuais leitores retardatários (mas nem por isso menos importantes que os mais tradicionais) deste jornalista talvez não compreendam integralmente este texto. Afinal, estão chegando com pelo menos sete anos de atraso a um dos assuntos em que, sem falsa modéstia, sou especialista. Trata-se do Caso Celso Daniel, sobre o qual, entre matérias para a revista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eventuais leitores retardatários (mas nem por isso menos importantes que os mais tradicionais) deste jornalista talvez não compreendam integralmente este texto. Afinal, estão chegando com pelo menos sete anos de atraso a um dos assuntos em que, sem falsa modéstia, sou especialista. Trata-se do Caso Celso Daniel, sobre o qual, entre matérias para a revista LivreMercado (então sob meu controle editorial) e para veículos virtuais (este blog e CapitalSocial Online) escrevi mais de dois milhões de caracteres. Algo como três livros, no mínimo, de 500 páginas cada um.</p>
<p>Do alto de investigações, análises, entrevistas, tudo que um jornalista minimamente cuidadoso deve realizar, afirmo com todas as letras que, independente das dores da perda que jamais serei estúpido a ponto de colocar em dúvida, o irmão de Celso Daniel que se manifesta agora sobre o 58o aniversário daquele que foi o maior prefeito da história do Grande ABC, não passa de um oportunista. Aliás, Bruno Daniel, o irmão em questão, é oportunista há muito tempo, sempre que o termo for apropriado ao relacionamento com Celso Daniel.</p>
<p>A carta que reproduzo abaixo e que, segundo me consta, foi levada ao ar pelo Jornal da Globo, na noite de quarta-feira, é uma forma provavelmente de eficácia precária de Bruno Daniel recuperar parte da dívida acumulada em vida com Celso Daniel. Uma dívida de quase uma década de afastamento das atividades profissionais e pessoais do então prefeito. Bruno Daniel distanciou-se de Celso Daniel a partir do momento em que o então prefeito em primeira gestão (89-92), em início de mandato, botou no olho da rua sua mulher, Marilena Nakano, então secretária de Educação, por conta de tentativa de tomada do poder na Pasta.</p>
<p>A história é longa e não vou retroceder para dar maiores explicações porque, neste contexto, são desnecessárias. O fato simples, reto e direto é que Bruno Daniel não se conformou com a demissão e muito menos com a guinada ideológica gradual mas segura de Celso Daniel de uma extrema esquerda ideológica para uma centro-esquerda mais atualizada, mais responsável, mais compatível com a cultura nacional.</p>
<p>Após a reprodução da carta de Bruno José Daniel (com os devidos comentários entre parênteses) pretendia recolocar no ar um texto de reportagem da revista LivreMercado de maio de 2002. O trabalho jornalístico retrata um evento marcante em Santo André, quando, exatamente há sete anos, em 16 de abril, lotamos o Teatro Municipal no lançamento daquela que é a minha principal obra como escritor, aquela que mais me emociona &#8212; Complexo de Gata Borralheira. O texto fica para outra data, porque problemas técnicos me impediram de capturá-lo nos computadores. Mas jamais será possível esquecer aquela noite de leitura dramática proporcionada a toque de caixa por um grupo de competentíssimos atores voluntários liderados por Euclydes Rocco Júnior.</p>
<p>Agora, vamos à carta de Bruno José Daniel com minhas contraposições:</p>
<p><em>Hoje, 16 de abril, Celso Daniel, meu irmão, estaria completando 58 anos de vida. Como todos sabem, foi sequestrado, torturado e assassinado há mais de sete anos quando era prefeito de Santo André e coordenava a elaboração do programa de governo do então candidato à presidência da república Luis Inácio Lula da Silva. Sérgio Gomes da Silva, que o acompanhava no momento do sequestro, foi denunciado pelo Ministério Público como mandante desse crime. Foi preso por um pequeno período, mas responde em liberdade, após obter habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, sob a alegação de que não representa perigo para a sociedade. </em></p>
<p>(Diferentemente do que afirma o irmão Bruno Daniel, Celso Daniel está completando 58 anos, em vez de &#8220;estaria&#8221; completando 58 anos de vida. Celso Daniel é imortal. Como se verá ao longo da carta, Bruno Daniel só se refere à manipulada, enviesada, incompleta e encomendada ação do Ministério Público de Santo André na suposta apuração do caso, jogando no lixo três investigações da Polícia Civil do Estado de São Paulo, sob o governo de Geraldo Alckmin e José Serra, e uma minuciosa investigação da Polícia Federal, então sob o governo de Fernando Henrique Cardoso. A tática de Bruno Daniel é explicitamente parcial, para dar credibilidade a uma operação fantasiosa de crime de encomenda, quando, de fato, quem entende de investigação, os policiais federais e os policiais civis de São Paulo, consideraram que o crime foi ocasional, sem qualquer relação com as supostas irregularidades administrativas de Celso Daniel à frente da Prefeitura de Santo André)</p>
<p><em>Apesar de todas as evidências colhidas pelo MP que mostraram que o crime foi planejado e que há pelo menos um mandante, o Poder Judiciário ainda sequer decidiu se o julgamento deve ir a júri popular porque, segundo informações que obtivemos do MP, a última das testemunhas arroladas pela defesa de &#8220;Sombra&#8221; (conforme Sérgio é chamado pela imprensa e era conhecido nos meios petistas) ainda não foi ouvida, pois nunca é encontrada. Parece-nos que expedientes como esse e tantos outros são usados para que as tramitações legais se alonguem no tempo, de modo a tornar mais difícil sua solução.</em></p>
<p>(As evidências são de fato de que o crime não passou de ocasionalidade num momento de absoluta impotência do governo do Estado na área de Segurança Pública, a ponto de o secretário de então ser demitido um dia depois do enterro de Celso Daniel. Uma testemunha-chave do Ministério Público, simbologia da patética investigação, é personagem conhecida pelo codinome de Maria Louca. Essa mulher, maníaca por aparecer na Polícia sempre que algum crime retumbante ocorria, foi açodadamente introduzida no caso pelo Ministério Público, ganhou inclusive espaço no programa de proteção de testemunha, e, finalmente, quando se descobriu que se tratava de uma farsante, acabou retirada do rol de acusadores. É claro que a mídia malversadora não deu uma linha sequer sobre o assunto, assim como em tantas outras contraposições que desmantelam a ficção montada pelo Ministério Público).</p>
<p><em>Inúmeros outros assassinatos que ganharam amplo espaço na imprensa já foram resolvidos ou a Justiça já se posicionou quanto ao encaminhamento a ser dado. Como explicar que no Caso Isabella, de cinco anos, morta em 2008 ao cair do apartamento onde residia, seu pai e sua madrasta já tenham ido a júri popular e até hoje o processo de Celso segue sem essa decisão após mais de sete anos? Como explicar que o promotor Igor Ferreira, três anos após ter tirado a vida de sua esposa, já tenha sido julgado e condenado e o caso de Celso segue ainda sem resposta da Justiça? Como explicar que no crime de que foi acusado o promotor Thales Ferri Schoedl a decisão final tenha sido tomada em menos de quatro anos e os indiciados pelo crime contra Celso ainda sequer tenham ido a júri popular? Como explicar que o jornalista Pimenta Neves tenha sido condenado em primeira instância após seis anos pela morte de sua namorada, a jornalista Sandra Gomide, e o assassinato de Celso ainda se encontra em fase de arguição de testemunhas pelo juiz?</em></p>
<p>(Além do erro crasso de antecipar os fatos e afirmar que o casal Nardoni já foi a júri popular, Bruno Daniel correlaciona crimes de enredos completamente diferentes para tentar viciar a interpretação do Caso Celso Daniel. Fosse lúcido o suficiente para enfrentar os fantasmas de irmão oportunista, Bruno Daniel faria uma outra pergunta, simples e clara: por que, diferentemente de todos esses casos, o Ministério Público (cuja autonomia na apuração de crimes é vedada pela Constituição Federal segundo pareceres de grandes autoridades no assunto) se intrometeu num caso policial, tratado pela Polícia? Exatamente porque havia o interesse político de melar a conclusão das apurações policiais.</p>
<p><em>Poderíamos citar outros crimes, mas esses já são exemplares para afirmar: há algo de estranho que impede que o julgamento dos responsáveis por seu sequestro, tortura e assassinato não seja solucionado. Quais são as razões dessa morosidade? Quais são as pessoas e instituições que têm interesse no sentido de que nada seja resolvido?</em></p>
<p>(A resposta é simples: a máscara de uma descarada orquestração para levantar dúvidas sobre a morte de Celso Daniel não só protege os autores da iniciativa como transfere a responsabilidade pelo incidente à esfera político-administrativa e a pelo menos uma pessoa física, no caso Sérgio Gomes da Silva)</p>
<p><em>Não cabe a mim julgar os indiciados, mas cabe a mim denunciar esta morosidade. Além disso tenho o direito de apontar problemas de procedimentos correntes na justiça brasileira. Por exemplo, procedimentos que impedem o juiz de tomar a decisão se o processo relativo ao assassinato de meu irmão, passados mais de sete anos de sua morte, vai ou não a júri popular enquanto não for ouvida a última testemunha de defesa de Sérgio Gomes da Silva.</em></p>
<p>(A afirmativa &#8220;não cabe a mim julgar os indiciados&#8221; é apenas um sofisma, porque, na tentativa, repito, de livrar-se do fantasma do irmão abandonado, Bruno Daniel e João Francisco Daniel, há muito aporcalharam a memória de Celso Daniel, incluindo-o nos supostos desvios de recursos públicos)</p>
<p><em>Que país é o nosso em que pessoas já condenadas em primeira instância podem ficar soltas até que todos os recursos nas demais instâncias sejam analisados enquanto nós, minha família e eu, tivemos que deixar o país em 2006 em função de intimidações, perseguições e ameaças que sofremos e depois de terem ocorrido oito mortes relacionadas à morte do Celso? Se é justo que um julgamento tenha que chegar a seu fim para que haja punições, é justo que os procedimentos legais possam se alongar quase que indefinidamente?</em></p>
<p>(Responderia de outra forma ao irmão tardiamente arrependido: que País é este que permite a interferência política num caso exclusivamente policial unicamente para atender a fins objetivamente eleitorais? Quanto a morar em Paris, diante de supostas ameaças que jamais se confirmaram porque, de fato, faziam parte de uma operação de desgaste do acusado e do partido político ao qual servia, realmente é lamentável o destino de Bruno Daniel. Mas provavelmente seria diferente se não carregasse o sobrenome do irmão famoso. Luanda, quem sabe, seria muito mais apropriado.Quanto às anunciadas oito mortes, notam-se em Bruno Daniel as digitais da irresponsabilidade ou da desinformação, porque dá vez ao ilusionismo explodido há muito tempo por este jornalista, com base nas apurações policiais)</p>
<p><em>Para aqueles que esperam que eu me cale, apesar da condição de exílio que hoje vivo, outorgado pelo Estado francês, uma vida que tem um lado amargo porque fico distante de meu País e sou impedido de ver amigos e parentes, quero dizer que o presente que tenho a dar ao meu irmão em cada um de seus aniversários é e será a minha luta, mesmo à distância, pelo aperfeiçoamento das nossas instituições através de nossas reivindicações de punição aos culpados pela morte de Celso e de mudanças ligadas às causas que lhe deram origem.</em></p>
<p>(Nada mais emocionante, principalmente quando se carrega uma culpa sem tamanho pelo distanciamento por motivação familiar e ideológica.)</p>
<p><em>Como aceitar que Donisete Braga, que teria tido seu celular rastreado na região do cativeiro de meu irmão, tenha direito a foro especial no processo de investigação pelo único fato de ser deputado estadual?</em></p>
<p>(A resposta é do próprio Bruno Daniel, ao estabelecer a condicionalidade de &#8220;teria sido&#8221; para a participação de Donisete Braga. A acusação se provou, tecnicamente, inconsistente)</p>
<p><em>Como aceitar que o &#8220;Sombra&#8221; responda em liberdade por decisão da mais importante instância do Judiciário brasileiro enquanto somos obrigados a viver exilados? Como aceitar que a lentidão de recursos interpostos possam retardar durante anos e anos a punição de criminosos, agora que o STF decidiu que a prisão de um condenado só pode ocorrer quando julgados todos os recursos?</em></p>
<p>(A equação poderia ser outra: como permitir que um inocente tivesse sido preso, apenas para atender à sanha do Ministério Público, enquanto irmãos da vítima, devedores eternos, foram instrumentalizados por oposicionistas políticos ao misturarem uma situação plenamente possível, de irregularidades político-administrativas, e um sequestro comprovadamente de ocasião)</p>
<p><em>Sabemos que contamos com a solidariedade e apoio de muitos que lutam e também desejam que o Brasil seja um País mais democrático e menos injusto. Que esta carta ajude neste sentido e contribua para que o caso seja equacionado o mais rápido possível.</em></p>
<p><em>Bruno José Daniel Filho</em><br />
<em>França, 16 de abril de 2009</em></p>
<p>(Que tanto Bruno Daniel quanto João Francisco Daniel utilizem-se de cópias deste material e de tantos outros aos quais me detenho sobre o Caso Celso Daniel e se dirijam à Justiça. Terei o prazer de provar que, independementemente de juízo de valor sobre a sinceridade da dor evocada, as investidas para a apuração do caso não passaram pelo crivo da seriedade e do compromisso com a verdade).</p>
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		<title>57 anos</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2008 10:26:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Celso Daniel está completando hoje 57 anos. Sou seis meses mais velho do que ele. E muitos fios de cabelo a menos.
Talvez não seja, certamente não sou, a pessoa mais indicada para falar de Celso Daniel como gerenciador público e cidadão. Vários de seus principais assessores contaram com o privilégio da proximidade mais constante.
Entretanto, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Celso Daniel está completando hoje 57 anos. Sou seis meses mais velho do que ele. E muitos fios de cabelo a menos.</p>
<p>Talvez não seja, certamente não sou, a pessoa mais indicada para falar de Celso Daniel como gerenciador público e cidadão. Vários de seus principais assessores contaram com o privilégio da proximidade mais constante.</p>
<p>Entretanto, como jornalista, e me desculpem os coleguinhas, não tem para ninguém: me debrucei sobre suas obras quando ele estava por aqui materialmente, e também nos últimos seis anos, quando está por aqui espiritualmente, apenas.</p>
<p>Provoco certa dose de ciúmes de dirigentes públicos locais quando recoloco constantemente Celso Daniel no pódio de qualificação administrativa do qual os adversários querem apeá-lo de qualquer forma, utilizando para tal armas da ignorância e da maledicência.</p>
<p>Da ignorância porque não têm apetrechos intelectuais para dimensionar o que Celso Daniel representou para a integração regional. Da maledicência porque, se é mais prático desclassificar em vida material, o que dizer então depois que todas as probabilidades de defesa se projetam apenas para o mundo espiritual, íntimo de poucos?</p>
<p>Talvez a melhor homenagem que se faça a Celso Daniel nesta data de aniversário seja exatamente lembrar que ele está completando mais um ano de vida e que aquele corpo encontrado numa estrada vicinal de Juquitiba, na Grande São Paulo, na manhã daquele domingo traumatizante, era apenas a simbologia física de um desbravador público que enxergou o Grande ABC muito além das fronteiras municipais e se preparava, sob aplausos da cúpula e da militância petista, para introduzir uma política econômica voltada ao mercado nacional e à correção das fundas dívidas sociais de um País cujas elites usaram e abusaram do direito de errar ao longo de décadas.</p>
<p>Na noite de 16 de abril de 2002, três meses depois de Celso Daniel viajar em definitivo para outras plagas, o Teatro Municipal de Santo André ficou completamente lotado para acompanhar atentamente uma das maiores alegrias que este jornalista já viveu, senão a maior: atores da região, voluntariamente, encenaram a leitura dramática do livro que escrevi em apenas uma semana.</p>
<p>Coincidentemente, escrevi &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221; da manhã daquela sexta-feira em que Celso Daniel foi sequestrado até a missa de sétimo dia. &#8220;Complexo de Gata Borralheira&#8221; é tributo que presto àquele que, sem a menor margem de erro, mais se dedicou para retirar a região do marasmo institucional e da baixa auto-estima provocada, entre outros fatores, pela Capital tão asfixiante.</p>
<p>O melhor amigo de Celso Daniel, eleito bode expiatório por um ramal de investigação que atuou no sentido inverso da eficiência e independência das pressões políticas e ideológicas, possivelmente viverá neste aniversário mais um dia de intensa reflexão.</p>
<p>Sérgio Gomes segue pagando o preço por ser a presa mais fácil e frágil de corrente e contracorrente de interesses que ultrapassaram largamente o respeito humano e a ética dos meios de comunicação.</p>
<p>A melhor maneira que o Grande ABC dispõe para homenagear os 57 anos completados hoje de Celso Daniel é respeitar seu legado. Exigir prosseguimento às iniciativas do gerenciador público que não se deixou enclausurar pelo municipalismo autárquico seria demais.</p>
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		<title>Seis anos</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 11:28:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Exatamente numa sexta-feira, 18 de janeiro (como amanhã), o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi sequestrado quando retornava de um restaurante da Capital com o amigo Sérgio Gomes da Silva.
Houve jornalista conhecido e respeitado que, entre outras bobagens para atirar pedra na Geni, escreveu que o jantar em São  Paulo era mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exatamente numa sexta-feira, 18 de janeiro (como amanhã), o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi sequestrado quando retornava de um restaurante da Capital com o amigo Sérgio Gomes da Silva.</p>
<p>Houve jornalista conhecido e respeitado que, entre outras bobagens para atirar pedra na Geni, escreveu que o jantar em São  Paulo era mais que suspeito, era prova de armação contra a vida do então prefeito, porque o Grande ABC tem restaurantes de suficiente qualidade para atender ao refinamento gastronômico de um prefeito como Celso Daniel.</p>
<p>Mal sabe aquele jornalista que provavelmente jamais pisou os pés na região que há uma norma não escrita que garante o anonimato de restaurantes da Capital quando se pretende ter encontro mais cuidadoso, ficando o critério oposto, de exposição pública deliberada ou não, quando se escolhe um dos endereços do Grande ABC.</p>
<p>Celso Daniel e Sérgio Gomes não pretendiam ser vistos por ninguém, como em tantas outras ocasiões em que escolheram o mesmo Rubaiyat para tratar da vida longe das fofocas e maledicências da província.</p>
<p>O fato é que já se somam seis anos desde que a história do Grande ABC começou a mudar, o que dinamita uma das frases mais burras que a humanidade consagrou &#8212; a de que não há ninguém insubstituível.</p>
<p>A região ganharia naquele mesmo ano &#8212; 2002 &#8212; um presidente da República, mas perderia bem antes, em 20 de janeiro, o dirigente público que mais enxergou a obviedade de que não chegaremos muito longe se esquecermos o princípio da regionalidade para o enfrentamento de tantos adversários, como a guerra fiscal, a descentralização industrial e, principalmente, a globalização. Amanhã escreveremos sobre a nova investida política de irmão arrependido, caso de Bruno Daniel &#8212; e de João Francisco também.</p>
<p>Não vou me aprofundar na importância da morte de Celso Daniel para o futuro que se seguiu do Grande ABC, porque pretendo de fato traçar paralelo entre aquele acontecimento, o vazio que se instalou na região e o futuro que nos espera no texto que prepararei para dar conta do autoconvite para participar da segunda versão do livro Nosso Século XXI, que será lançado em setembro deste ano.</p>
<p>Talvez o que tenha escrito naquela segunda-feira, 21 de janeiro, no espaço virtual de &#8220;Capital Social Online&#8221;, seja mais apropriado para externar o impacto daquele golpe do destino do que quaisquer outras palavras. Dessa forma, jogo para segunda-feira agora, dia 21 de janeiro, exatamente seis anos depois, a reprodução daquele texto.</p>
<p>Mais que isso: providenciaremos também que a Reportagem de Capa de LivreMercado de fevereiro de 2002, que teve Celso Daniel como protagonista editorial, seja igualmente levada aos leitores de &#8220;LivreMercadoOnline&#8221; também nesta segunda-feira. É uma forma de homenagearmos aquele que seria ministro do Planejamento de Lula da Silva e que, certamente, ganharia a disputa pelo governo do Estado contra Geraldo Alckmin (José Genoino perdeu por número escasso de votos entre outros motivos porque a cosmopolita Capital não abre mão de candidatos que falam menos arrastado, exceto como foi o caso de Luiza Erundina, por conta da rejeição a Paulo Maluf).</p>
<p>É muito provável que o sexto ano da morte de Celso Daniel seja maltratado pela Imprensa. A maioria se refestelou enquanto o assunto garantia dividendos políticos, partidários e ideológicos de caça à bruxa de um inocente a quem imputaram (menos a Polícia Civil de São Paulo, do governo Geraldo Alckmin, e a Polícia Federal, do governo Fernando Henrique Cardoso) mando de um crime comprovadamente ocasional.</p>
<p>Explicar-se-á sem dificuldade o encolhimento da mídia: todos caminharam no mesmo tom de irresponsabilidade ao apoiar as conclusões insustentáveis do Ministério Público e, com isso, na medida em que o edifício de fantasias virou pó, o recolhimento das armas do sensacionalismo tornou-se questão de sobrevivência.</p>
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		<title>Gato escaldado</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Dec 2007 12:45:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois do caso Celso Daniel, verdadeiro saco sem fundos de contradições do Ministério Público de Santo André, fico com um pé atrás e o outro pronto para recuar quando se trata de denúncias. Enquanto não considerar que está tudo devidamente apurado, com direito a contraditório e julgamento, não sacramentarei supostas culpabilidades.
Tanto num caso de assassinato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do caso Celso Daniel, verdadeiro saco sem fundos de contradições do Ministério Público de Santo André, fico com um pé atrás e o outro pronto para recuar quando se trata de denúncias. Enquanto não considerar que está tudo devidamente apurado, com direito a contraditório e julgamento, não sacramentarei supostas culpabilidades.</p>
<p>Tanto num caso de assassinato quanto num suposto problema de desvios de recursos públicos é mais que provável encontrarem-se várias tipologias de informações que possam conduzir a determinadas conclusões, principalmente por parte de quem não tem intimidade com os meandros investigativos. Pessoas anônimas já morreram em situação absolutamente semelhante à de Celso Daniel sem que se colocasse em dúvida uma vírgula sequer dos enunciados necropsiais.</p>
<p>Quantos cadáveres de jovens já foram encontrados com tiraços no rosto e no tórax sem que nem de leve suscitassem a possibilidade de terem sido vítimas de tortura? Celso Daniel morreu exatamente assim, as necropsias do Instituto Médico-Legal asseguraram que não havia marcas características de tortura no sentido coercitivo do termo, mas apareceu um médico-legista três anos depois com uma narrativa ao gosto do freguês e deu no que deu. Coincidentemente, ele se matou pouco tempo depois, deixando inclusive carta de despedida à mulher que o abandonara, mas não faltaram especulações sobre possível assassinato.</p>
<p>Um caso menos espalhafatoso do que aquele do qual saiu chamuscada a imagem do ex-prefeito de Santo André por conta da voracidade dos próprios irmãos e no qual a segunda maior vítima é o empresário Sérgio Gomes da Silva está a todo vapor em São Caetano. É a estranhíssima denúncia do construtor Antonio Cressoni contra o ex-prefeito Luiz Tortorello e o atual ocupante do Paço Municipal, o médico José Auricchio.</p>
<p>Há muito estardalhaço por conta do que o Ministério Público chama de indícios de fraude em algumas dezenas de licitações, a maioria das quais no governo Tortorello.</p>
<p>Não seria mais prudente que tudo fosse devidamente reservado como peça silenciosa de investigação e, confirmadas as suspeitas, aí sim se oferecesse a denúncia?</p>
<p>O poder absoluto de o Ministério Público divulgar apurações parciais impõe jogo sofridamente desvantajoso para os investigados. A Imprensa está acostumada a dar todo o destaque do mundo para acusações de supostas evidências. Entretanto, quando sufocada pela inexistência de provas, essa mesma Imprensa recolhe-se em notinhas de pé de página, quando não simplesmente esquece o assunto.</p>
<p>Os promotores criminais de Santo André, os mesmos do caso Celso Daniel, costumam avocar a atuação internacional de profissionais congêneres para sustentar a defesa de ampla autonomia investigativa, inclusive sobrepondo-se às forças policiais. Entretanto, eles só contam uma parte da verdade.</p>
<p>Uma entrevista recentemente concedida pelo promotor de Justiça Federal nos Estados Unidos Gregory West, graduado em Direito pela Universidade de Syracuse, dá bem a diferença entre o que ocorre por aquelas bandas e o que assistimos nestes cantos. Lamentou o promotor os excessos da mídia americana, mas ressaltou a necessidade de que, durante um julgamento, os jurados se atenham aos fatos do processo e ignorem informações antecipadas pelos meios de comunicação.</p>
<p>Disse também Gregory West: &#8220;As nossas regras de responsabilidade profissional nos Estados Unidos impedem os promotores de dar informação à Imprensa, se não é uma questão de domínio público. Essa lei foi redigida para garantir que o réu receba um julgamento justo por um júri imparcial baseado apenas na prova que o juiz permite que o júri ouça na sessão do tribunal&#8221;.</p>
<p>Nos Estados Unidos, segundo relata o promotor, há regras muito rígidas sobre as informações que o Departamento de Justiça pode fornecer à mídia, os comentários que os promotores federais podem fazer em relação aos crimes, não só o crime organizado. &#8220;Essas restrições e limitações têm como objetivo garantir um julgamento justo ao acusado, porque se nós passarmos para a Imprensa todas as provas que serão apresentadas em juízo antes do julgamento, as pessoas, o júri, por exemplo, vão ter tudo nos jornais, e presumivelmente vai ser mais difícil dar um veredicto imparcial com base naquilo que o juiz permitir apresentar como provas em juízo&#8221; &#8212; disse Gregory West.</p>
<p>Não custa lembrar entre tantos escorregões dos promotores criminais de Santo André no caso Celso Daniel uma desmiolada testemunha de acusação que, vejam só, teria presenciado diálogos que incriminariam Sérgio Gomes da Silva. Conhecida como &#8220;Maria Louca&#8221;, a testemunha em questão recebeu tratamento vip, inclusive ao ser incluída, juntamente com as filhas, em programa de proteção.</p>
<p>Mais tarde, na fase de depoimentos, Maria Louca não foi requisitada pelos promotores criminais porque se descobrira que simplesmente inventava histórias para aparecer na mídia. Até alguns crimes do Maníaco do Parque ela teria testemunhado, mas foi logo desmascarada por experientes policiais de São Paulo. Os mesmos policiais, coincidentemente, que a mandaram de volta para casa quando apareceu para falar sobre Sérgio Gomes da Silva. Pouco tempo depois o MP deu a Maria Louca toda credibilidade do mundo, transformando-a em peça-chave do processo.</p>
<p>Se um dia precisar recorrer ao Ministério Público, tomarei todos os cuidados para apresentar farta documentação e, mesmo assim, pedirei para que faça a denúncia pública depois de minuciosa investigação. Ter o aval do MP é tão importante quanto sugerir que atue com cautela porque melhor que denunciar é denunciar sem dar margem a injustiças.</p>
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		<title>O Terceiro Assassinato</title>
		<link>http://www.capitalsocial.com.br/caso-celso-daniel/o-terceiro-assassinato/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Nov 2007 12:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar do respeito que merece de mim o prefeito de Santo André, João Avamileno, chego à conclusão de que ele despirocou e está tecendo um novo capítulo do caso Celso Daniel, que poderia ser chamado de &#8220;O Terceiro Assassinato&#8221;.
Não é fácil admitir esse diagnóstico. Lutei para fugir dessa constatação. Pensei mil vezes, mas não tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar do respeito que merece de mim o prefeito de Santo André, João Avamileno, chego à conclusão de que ele despirocou e está tecendo um novo capítulo do caso Celso Daniel, que poderia ser chamado de &#8220;O Terceiro Assassinato&#8221;.</p>
<p>Não é fácil admitir esse diagnóstico. Lutei para fugir dessa constatação. Pensei mil vezes, mas não tem jeito mesmo: ao se meter numa aventura por pressão de familiares e de alguns apoiadores sob encomenda, o prefeito de Santo André caiu numa armadilha fatal.</p>
<p>Que armadilha é essa, afinal?</p>
<p>A de que a biografia que construiu durante longos seis anos pós-morte do prefeito Celso Daniel, de quem era vice, está indo literalmente para o ralo. Ao deixar a condição de magistrado nas prévias do PT que escolherão o candidato do partido para as eleições do ano que vem e jogar-se de corpo e alma nas águas revoltas da candidatura do deputado estadual Vanderlei Siraque, João Avamileno deveria ter avaliado que a travessia não tem volta. Se ganhar o bicho pega, se correr o bicho come.</p>
<p>A Imprensa mais doutrinada às conveniências jamais se preocupará em exumar as repercussões do gesto de João Avamileno que, depois de anunciar apoio público a Vanderlei Siraque, dispensou o secretário de Governo Mário Maurici, marido da candidata Ivete Garcia e homem forte de Brasília em Santo André.</p>
<p>Preferirá esse tipo de mídia apenas relatar informações. Esse é um modelo típico de não-comprometimento e de preservação de relacionamentos à custa da sonegação de esclarecimentos. Filtram-se declarações para amenizar a crise partidária, o desarranjo da gestão da Prefeitura e o desassossego do restante do mandato de João Avamileno.</p>
<p>Não vamos detalhar baixarias das disputas petistas, porque fazem parte do cardápio da democracia alguns excessos. Entretanto, quando o prefeito está diretamente ligado às ações dissuasivas de votos em favor de Ivete Garcia, o que se tem é o estrebuchamento da hierarquia. O varejismo reduz a política à zona de meretrício.</p>
<p>João Avamileno perdeu o controle do secretariado, integralmente favorável à vice-prefeita. Depois das prévias terá trabalho redobrado para reparar o desastre do qual é o principal responsável. Ganhando ou perdendo seu candidato, dificilmente as louças se recomporão depois de quebradas, porque louças recompostas deixam sempre marcas de que já não são as mesmas de antes. Atirar algumas ao lixo da conveniência administrativa e de novos arranjos gerenciais parecerá a melhor solução, mas só agravará o ambiente de hostilidades.</p>
<p>O que mais pesa sobre a decisão de João Avamileno ao pronunciar apoio a Vanderlei Siraque é a quebra da confiança dos petistas com os quais convive no Paço Municipal. Em março deste ano, numa reunião de secretariado, com provas testemunhais, ele anunciou decisão de apoiar a vice-prefeita. Siraque era carta fora do baralho por conta de algumas operações corporais que abalaram segmentos petistas.</p>
<p>O que teria levado João Avamileno a mudar de opinião? Há piratas que não pretendem que as digitais programáticas do Partido dos Trabalhadores impressas pelo grupo de Celso Daniel sejam perpetuadas. Pretende-se promover um governo populista de esquerda, que navegará conforme as ondas de interesses de ocasião, com amplas possibilidades de acirrar ânimos ideológicos e partidários que estão na raiz da crise institucional do Grande ABC.</p>
<p>Até a queima de reputações que resistiram ao bombardeio adversário por conta da morte de Celso Daniel, e também do mensalão, integra a ladainha de bastidores para reverter votos consumados em favor de Ivete Garcia. Só não colocam Ronan Maria Pinto no alvo do requentamento de casos que a dupla Brandão-Pisaneschi utilizou à exaustão nas eleições de 2004 porque o empresário de ônibus está à frente do Diário do Grande ABC. Já Luizinho Carlos da Silva e Klinger Sousa não contam com compaixão alguma.</p>
<p>A derrota de Vanderlei Siraque quando os votos do primeiro turno das prévias foram apurados foi um golpe que o deputado estadual não assimilou, mas atingiu mais profundamente o prefeito João Avamileno. Venderam-lhe a certeza de que a disputa já estava liquidada. Daí a volúpia com que jogou fora o figurino de comedimento e tolerância para romper com o assessor imediato que tanto o protegeu dos percalços de um poder que lhe caiu no colo por conta de um infortúnio e que, mais tarde, arrebatou numa disputa dificílima.</p>
<p>Lamentavelmente, João Avamileno jogou às traças o histórico pessoal de conciliação, de negociação, de aproximação dos contrários. Acenaram-lhe futuro político de legislador estadual, de possível retorno ao Paço na sequência, e lá se formatou o plasma da contraface de João Avamileno boa-praça, um João Avamileno intolerante, exclusivista, rancoroso porque, sendo a regra do jogo democrático a liberdade de escolha, não perdoa quem o contrarie na decisão de optar por Ivete.</p>
<p>E, sempre com a assessoria arrogante de quem não admite o contraditório, observa parcialidade em quem tem a coragem e a independência para escrever que ele errou no começo, errou no meio e terá errado completamente e sempre nesse caso, seja qual for o resultado de domingo.</p>
<p>João Avamileno tinha tudo para ficar na história política de Santo André como o homem que conseguiu superar o maior trauma social de uma administração pública, ou seja, a perda de um estadista do tamanho de Celso Daniel. Infelizmente, quando essa biografia parecia cimentada, eis que apareceram umas prévias em sua trajetória e, tristemente, a nocauteá-lo como chefe de Governo e a derrubá-lo como liderança petista.</p>
<p>A paralisia e o divisionismo da administração pública de Santo André são uma obra acabadíssima da enrascada em que  João Avamileno se meteu ao não respeitar os próprios limites.</p>
<p>O legado de Celso Daniel sustentado principalmente pela força coletiva do secretariado em risco significa, sem rodeios, espécie de terceiro assassinato do executivo público mais brilhante que o Grande ABC produziu ao longo da história &#8212; o segundo assassinato, como se sabe, foram as investigações dos promotores criminais que contaram com o tom de veracidade acrítica dos irmãos João Francisco e Bruno, que pegaram carona no prestígio e na canonização do prefeito assassinado.</p>
<p>Que se passa, afinal, com a transfiguração de João Avamileno? Por que aqueles que o rodeiam têm tanto poder de persuasão? De que João Avamileno tem medo, afinal? E se não tem medo de nada, por que tem utilizado de artimanhas protelatórias para tentar manter no cabresto alguém que ele imagina capaz de atrapalhar os planos de seu grupo?</p>
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		<title>Desistir, jamais</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2007 13:13:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem acredita que desistirei da cobertura do caso Celso Daniel por conta da omissão envergonhada da chamada grande imprensa, depois de desmascarada, perderá tempo e paciência.
Desistir, jamais.
Nas últimas 24 edições da revista LivreMercado, escrevi quase 800 mil caracteres sobre o assassinato do então prefeito de Santo André e os desdobramentos que determinaram a responsabilização equivocada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acredita que desistirei da cobertura do caso Celso Daniel por conta da omissão envergonhada da chamada grande imprensa, depois de desmascarada, perderá tempo e paciência.</p>
<p>Desistir, jamais.</p>
<p>Nas últimas 24 edições da revista LivreMercado, escrevi quase 800 mil caracteres sobre o assassinato do então prefeito de Santo André e os desdobramentos que determinaram a responsabilização equivocada do empresário Sérgio Gomes da Silva &#8212; um personagem dessa história que, vejam bem, conhecia apenas de passagem, de uma apresentação rápida num restaurante de Santo André.</p>
<p>Oitocentos mil caracteres são um livro de tamanho padrão com pelo menos 500 páginas. Nessa contabilidade não entra o que escrevi para a newsletter Capital Social Online, tampouco neste blog. Somando tudo, tudinho, o total aproxima-se de dois milhões de caracteres. Só nos últimos 24 meses.</p>
<p>Por que nos últimos 24 meses? Justamente porque se deu, em outubro de 2005, uma entrevista inédita com o titular do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Armando de Oliveira Costa Filho, que, finalmente, ganhou carta de alforria do governo do Estado para falar sobre o assunto, depois de três anos de mudez absoluta. Nesse período, os promotores criminais deitaram e rolaram com o beneplácito daquilo que o jornalista Paulo Henrique Amorim chama de Imprensa sensacionalista e golpista, referindo-se entre outros veículos à Folha de S. Paulo e ao Estadão.</p>
<p>Na edição de LivreMercado de setembro, que já foi distribuída, completamos 200 páginas de matérias desde aquele outubro. Ouvimos o delegado Armando Coelho Neto, de biografia e sensibilidade suficientes para discorrer sobre o caso Celso Daniel sem que os promotores criminais o relacionem com o que chamam de quadrilha. Sim, porque basta apresentar versão que contradite o rocambolesco enredo de crime político, ou crime de encomenda, para os promotores alçarem os opositores à condição de delinquentes.</p>
<p>Como ainda nutro a expectativa de que os promotores criminais são acima de tudo promotores de Justiça, não descarto a possibilidade de, mais dia, menos dia, oferecerem ao distinto público versão com o plasma da realidade dos fatos.</p>
<p>Houve série de interesses escusos que manipularam pontos importantíssimos das operações de investigação que, de alguma forma, levaram os promotores criminais a enganos. Talvez seja ingenuidade acreditar que voltem atrás, que admitam falhas, tantas foram as incorreções, mas não vejo por que a Justiça não deva prevalecer.</p>
<p>A credibilidade da Imprensa no caso Celso Daniel ganhou a forma de um buraco negro e profundo que, a dar razão às críticas de Paulo Henrique Amorim, coloca a mídia de maior porte sob suspeição também em tantas outras questões. A politização e a partidarização do noticiário transformaram o jornalismo em exercício de manipulação vergonhosa. Os leitores, ouvintes e telespectadores compram gato por lebre sem pestanejar, porque ainda não aprenderam a questionar. Preferem a reverência acrítica.</p>
<p>Estou sempre pronto para o contraditório inteligente e prospectivo. Os mal-educados que ideologizam tudo, descarto sem pestanejar, porque não tenho tempo a perder.</p>
<p>Na edição de outubro vou apresentar novos fatos do caso Celso Daniel. Para destruir de vez a tese de crime de encomenda. Não descansarei enquanto a verdade não for estabelecida na Justiça. Mesmo sabendo que, para a massa de consumidores de informações contaminadas, Sérgio Gomes é o mandante do crime. O intento de levar aos incautos dúvidas onde só havia certeza jamais será desativado, sei bem disso, mas não me importo. O dever profissional está acima de tudo. Inclusive de idiossincrasias.</p>
<p>Na edição de amanhã da newsletter LivreMercado Online, vamos reproduzir a entrevista com o delegado federal Armando Coelho Neto. É imperdível.</p>
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		<title>Segredo de injustiça</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jul 2007 00:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Sugeri a dois parlamentares petistas, em rápidos telefonemas, intervenção diplomática para retirar o lacre de segredo de Justiça do inquérito da morte do sequestrador Dionísio de Aquino Severo.
Como se sabe, Dionísio de Aquino Severo fugiu espetacularmente de helicóptero da Penitenciária de Guarulhos na véspera do abalroamento do veículo em que Sérgio Gomes da Silva conduzia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sugeri a dois parlamentares petistas, em rápidos telefonemas, intervenção diplomática para retirar o lacre de segredo de Justiça do inquérito da morte do sequestrador Dionísio de Aquino Severo.</p>
<p>Como se sabe, Dionísio de Aquino Severo fugiu espetacularmente de helicóptero da Penitenciária de Guarulhos na véspera do abalroamento do veículo em que Sérgio Gomes da Silva conduzia o prefeito Celso Daniel de volta a Santo André. Severo foi introduzido de forma igualmente espetacular no enredo por conta de uma história estranhamente contada pelo delegado Romeu Tuma Júnior.</p>
<p>Consequência disso? Num inquérito ministerial que não levou em conta série de procedimentos legais, Sérgio Gomes foi denunciado como mandante do assassinato e só goza de liberdade por conta de liminar do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Como se sabe, antes disso, dois inquéritos policiais, da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal, concluíram que Sérgio Gomes também fora vítima dos sequestradores. Mais tarde, com acompanhamento de promotores criminais como nos dois inquéritos anteriores, a delegada Elisabete Sato, campeoníssima em idoneidade, como os delegados de elite da Polícia paulista que atuaram anteriormente, concluiu que o crime de mando denunciado pelo MP não tinha respaldo nas novas investigações.</p>
<p>Por que o inquérito que apurou a morte de Dionísio de Aquino Severo continua sob segredo de Justiça?</p>
<p>Não tem o menor sentido ético e jurídico, essa é a verdade verdadeira. As investigações concluíram que a morte que o abateu numa cadeia da Capital, transferido que foi de forma estranha tanto quanto a versão de ter sido contratado para a operação nos Três Tombos, não tem relação alguma com o caso Celso Daniel.</p>
<p>Repito: por que o inquérito que apurou a morte de Dionísio de Aquino Severo continua sob segredo de Justiça?</p>
<p>A explicação é simples: segredo de Justiça pode ser compreendido até prova em contrário como forma de blindar a operação do Ministério Público de Santo André e jogar os esclarecimentos finais do caso Celso Daniel para as calendas gregas porque não interessa nem à cúpula da Polícia Civil de São Paulo, pressionada pelo governo paulista, muito menos ao MP, tampouco para a maioria da Imprensa, que caiu na esparrela da versão de crime político, que a verdade há muito explicitada e comprovada por este jornalista, ouvindo todas as partes, seja levada a público.</p>
<p>Para encurtar este novo capítulo sobre o caso Celso Daniel, até porque voltarei muitas e muitas vezes ao assunto na medida em que enriqueço de novidades o livro que estou preparando sobre o assunto, passo logo às interlocuções com os parlamentares. São o senador Eduardo Suplicy e o deputado estadual Vanderlei Siraque alvos de minha sugestão para a quebra do segredo de Justiça do inquérito de Dionísio de Aquino Severo. A verdade não pode mais ser protelada, independentemente do julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Solicitei ao senador Eduardo Suplicy a atenção para o caso porque ele atuou diretamente como membro do CPI dos Bingos, aquela estupidez em forma de apuração legislativa que não resiste a um simples cutucão de contraditório sério.</p>
<p>Suplicy se alinhou à tese dos promotores criminais, mesmo sem apresentar substância nas intervenções. Travestiu-se inclusive de investigador de rua, juntamente com Magno Malta, ex-pastor que se complicou recentemente por conta de denúncias de corrupção. Já Vanderlei Siraque é parlamentar inquieto com questões criminais. Jamais se meteu no caso Celso Daniel, mas agora, por conta do telefonema que lhe dei, prometeu agir. Vamos esperar.</p>
<p>O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh também foi contatado por este jornalista porque atuou diretamente no primeiro inquérito da Polícia Civil. Acompanhou atentamente tudo, por recomendação do presidente Lula da Silva, então candidato presidencial, em 2002. Danou-se com a exposição, porque o desequilíbrio de tratamento da mídia à morte de Celso Daniel, bandeando-se jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão à tese unilateral do Ministério Público, tornou-o politicamente incorreto diante do eleitorado. Acabou derrotado nas eleições do ano passado.</p>
<p>Luiz Eduardo Greenhalgh reagiu de forma peremptória à minha provocação sobre como poderia contribuir para a retirada do segredo de Justiça do inquérito de Dionísio de Aquino Severo. Era o que eu queria. Greenhalgh foi claro e objetivo: &#8220;Eu ouvi todas as fitas das gravações da Polícia que esclareceram a morte do Dionísio pelo PCC, numa ação completamente desvinculada do caso Celso Daniel. Para mim não é nenhuma novidade a conclusão do inquérito que não liga a morte do Dionísio à morte de Celso Daniel&#8221;.</p>
<p>É por essas e outras que o segredo de Justiça não pode ser ferramental de injustiça.</p>
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		<title>Cadê o inquérito?</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 00:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[É impressionante a dificuldade para penetrar no âmago de um inquérito policial que deveria, pelas circunstâncias históricas que o envolvem, ser repassado de forma transparentemente democrática à mídia em geral.
Quem sabe até em entrevista coletiva com direito a esmiuçamento completo. Inclusive com a presença de promotores criminais de Santo André, advogados do empresário Sérgio Gomes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a dificuldade para penetrar no âmago de um inquérito policial que deveria, pelas circunstâncias históricas que o envolvem, ser repassado de forma transparentemente democrática à mídia em geral.</p>
<p>Quem sabe até em entrevista coletiva com direito a esmiuçamento completo. Inclusive com a presença de promotores criminais de Santo André, advogados do empresário Sérgio Gomes da Silva e até dos senadores Eduardo Suplicy e Magno Malta, trôpegos integrantes da tropa de choque da CPI dos Bingos, também conhecida como CPI do Fim do Fundo, que andaram vasculhando com ares de detetives o caminho por onde Celso Daniel e Sérgio Gomes resolveram retornar da Capital naquela fatídica noite de 18 de janeiro de 2002.</p>
<p>Também deveria ser convidado à prestação de contas da atuação daquele sequestrador abatido pelo Primeiro Comando da Capital, o então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que atuou brilhantemente durante a primeira fase de investigações da morte do prefeito Celso Daniel a ponto de ter seu nome colado ao caso e, com isso, sofrido as agruras nas urnas eleitorais, sob o evidente peso de atuar na contramão do politicamente correto. Ou não era politicamente correto bandear-se para a teoria dos promotores criminais que contaram durante três anos com a unilateralidade da mídia entre outros motivos porque a Polícia Civil foi proibida de pronunciar-se?</p>
<p>Vou mais longe: até o delegado Romeu Tuma Júnior que, estranhamente, alimentou o diversionismo da ação de Dionísio de Aquino Severo no caso Celso Daniel, deveria ser instado a participar da entrevista coletiva. Seria interessante ouvi-lo contradizer as rigorosas investigações que ocorreram à parte daquele assassinato.</p>
<p>A blindagem em torno do inquérito que apurou a morte do sequestrador Dionísio de Aquino Severo pode ter todas as explicações jurídico-legais do mundo, mas não convence. Muito menos o silêncio supostamente amedrontado de instâncias policiais de alto calibre que transmitem a sensação de que não querem colocar a mão numa batata quente, quentíssima, porque há forças do governo estadual que poderia retaliá-las.</p>
<p>Os promotores criminais de Santo André, que atuaram bravamente mas ao arrepio da Constituição Federal na apuração do caso Celso Daniel, elegendo como elegeram Sérgio Gomes da Silva mandante do crime, entre outros supostos mandantes até agora desconhecidos no oceano de contradições, os promotores criminais, como dizia, também não se dedicam a gestões que facilitem a quebra do segredo de Justiça de um assassinato &#8212; do sequestrador Dionísio de Aquino Severo &#8212; que, convenhamos, não tem outra importância senão, e aí é bastante, por ter sido envolvido na história rocambolesca de incriminação de Sérgio Gomes.</p>
<p>Quem conhece um mínimo sequer da denúncia levada aos veículos de comunicação pelos promotores criminais de Santo André sabe que Dionísio de Aquino Severo teria sido peça-chave na transposição de Sérgio Gomes de vítima a mandante, na versão do inquérito investigativo independente e solitário do Ministério Público.</p>
<p>Foi entre outros pontos por conta da narrativa da participação substancial de Dionísio de Aquino Severo na operação de abalroamento e sequestro de Celso Daniel, no dia seguinte à espetacular fuga de helicóptero da Penitenciária de Guarulhos, que Sérgio Gomes acabou trancafiado durante oito meses por decisão do juiz de Itapecerica da Serra, atendendo à denúncia do MP de Santo André.</p>
<p>O inquérito policial que investigou a morte de Dionísio de Aquino Severo numa cadeia em São Paulo, três meses depois do assassinato de Celso Daniel, assegura que não há cruzamento algum entre um caso e outro.</p>
<p>Aliás, a investigação confirma informação que me foi passada numa entrevista exclusiva que realizei em setembro de 2005 com o delegado-titular do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Disse-me o delegado Armando de Oliveira que a intersecção de Dionísio Severo com Celso Daniel foi um disparate na apuração dos promotores criminais. O inquérito policial em segredo de Justiça confirma a versão por contraste, já que não há qualquer fato que ligue um caso ao outro. Aliás, por ser inquérito completamente diferente dos que desvendaram no campo policial a morte de Celso Daniel, a apuração da morte de Dionísio de Aquino Severo é por si só um chute no balde da atuação do Ministério Público.</p>
<p>O governo do Estado parece não ter o menor interesse em esclarecer o caso Celso Daniel, retirando portanto Sérgio Gomes da Silva da empreitada realizada única e exclusivamente por bandidos pés-de-chinelo. O primeiro-amigo de Celso Daniel não tem a menor importância para todos aqueles que o mataram publicamente.</p>
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		<title>Testemunha fugidia</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jun 2007 04:12:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Está-se tornando cada vez mais frágil a peça acusatória do Ministério Público contra o empresário Sérgio Gomes, comprovadíssimo inocente em diferentes apurações policiais do caso Celso Daniel.
Já escrevemos na revista LivreMercado a história de Maria Louca que, durante mais de um ano, contou com o Programa de Proteção a Testemunha e que, surpreendentemente, foi descartada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está-se tornando cada vez mais frágil a peça acusatória do Ministério Público contra o empresário Sérgio Gomes, comprovadíssimo inocente em diferentes apurações policiais do caso Celso Daniel.</p>
<p>Já escrevemos na revista LivreMercado a história de Maria Louca que, durante mais de um ano, contou com o Programa de Proteção a Testemunha e que, surpreendentemente, foi descartada pelos promotores criminais no processo judicial. Ou seja: o depoimento de Maria Louca ao MP durante a fase investigatória que culminou com a denúncia de Sérgio Gomes à Justiça de Itapecerica da Serra foi varrido para debaixo do tapete de imprecisões investigatórias.</p>
<p>Nenhum outro veículo de comunicação se preocupou com essa informação, como era de se esperar, embora tenha este jornalista, pessoalmente, cuidado de enviar o material a extensa relação de representantes da mídia. Tampouco alguns colunistas deram o ar da graça.</p>
<p>Todos foram apressadinhos durante a fase de investigação e de ampla divulgação de informações prestadas pelo Ministério Público de Santo André. Em contraponto à avalanche de acusações a Sérgio Gomes patrocinada pelo MP, o governo do Estado, por interesses políticos, impôs completo silêncio às instâncias policiais, num ritual de ausência de contraditório que fermentou o caldo de cultura de criminalização e prisão preventiva de Sérgio Gomes.</p>
<p>Quebramos aquela mudez imposta com entrevista histórica em outubro de 2005 com o titular do DHPP de São Paulo, delegado Armando de Oliveira.</p>
<p>Viveu-se durante vários anos, pós-intervenção do MP na apuração do crime, um dos processos mais vergonhosos de manipulação informativa. A mídia, de maneira geral, principalmente a chamada e cada vez mais mambembe grande mídia, travestiu cada informação do MP em mandamento sagrado. Disputas eleitorais balizaram o enfoque oposicionista de maltraçadas e viciadas linhas.</p>
<p>Se uma Maria Louca já era suficiente para transbordar a paciência de incorreções do Ministério Público, eis que surge uma nova testemunha &#8212; agora um homem &#8211;, igualmente de identidade preservada que, como Maria Louca, foi retirado do pelotão acusatório. Sabem por quê? Porque o depoimento que prestou na fase de investigação não pode ser levado à Justiça sob pena de desmoralização do enredo do MP.</p>
<p>Sim, a testemunha em questão não pode depor porque tudo o que disse, como suposto observador da operação de sequestro no chamado Três Tombos, conflita com depoimentos de outras testemunhas dos promotores criminais.</p>
<p>Não é esse o único exemplar de gente sempre pronta a prestar depoimento em casos de crimes de notoriedade midiática mas que se vê em situação embaraçosa quando os holofotes se apagam. Experientes policiais contam histórias fantásticas de personagens decididos a alcançar 15 minutos de fama. A mesma Maria Louca do caso Celso Daniel teria se apresentado à Polícia Civil como vítima do Maníaco do Parque. Nas duas situações, os policiais a descartaram.</p>
<p>Os advogados de Sérgio Gomes querem que querem que a Justiça ouça a testemunha do MP que disse ter presenciado o arrebatamento de Celso Daniel. A versão interessa à reiteração de defesa de um inocente metralhado pela Imprensa. A mesma Imprensa que se cala diante de novas revelações, porque lhe doem na consciência as travessuras éticas que praticou.</p>
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		<title>O sobrevivente</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2007 04:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem acompanha atentamente meus escritos não se surpreendeu com o fato de o caso Celso Daniel ganhar elasticidade no Supremo Tribunal Federal. Antecipamos que, dada a retirada de cena do inquérito que envolvia o então deputado Remi Trinta (PL-MA), a denúncia do Ministério Público Estadual contra o inocente Sérgio Gomes da Silva iria transformar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanha atentamente meus escritos não se surpreendeu com o fato de o caso Celso Daniel ganhar elasticidade no Supremo Tribunal Federal. Antecipamos que, dada a retirada de cena do inquérito que envolvia o então deputado Remi Trinta (PL-MA), a denúncia do Ministério Público Estadual contra o inocente Sérgio Gomes da Silva iria transformar o primeiro-amigo do prefeito assassinado em ponto nuclear da questionada constitucionalidade de investigação criminal dos promotores de Justiça.</p>
<p>Não deu outra. Anteontem, segunda-feira, o STF adiou mais uma vez a decisão sobre o poder investigatório do MP em matéria criminal.</p>
<p>Para variar, a mídia cobre muito mal o caso Celso Daniel. Depois de produzir quase 700 mil caracteres (ou 186 páginas) para a revista LivreMercado desde outubro de 2005, asseguro que o tratamento da Imprensa é uma mistura de incompetência e desinformação. Um ou outro jornalista mais cuidadoso ao menos não comete escorregões. Resgatar o caso sem o ranço da culpabilidade acrítica de um inocente é impossível aos jornalistas acomodados, diligentes presas de informações unilaterais.</p>
<p>A decisão parcial do Supremo Tribunal Federal não permite prognósticos sobre o placar final. É provável que a interrogação se prolongue por mais tempo, porque o temário é explosivo. Se for confirmado o mérito do habeas corpus do empresário Sérgio Gomes e também a anulação da ação penal do MP de Santo André, casos análogos seguiriam pela correnteza da jurisprudência.</p>
<p>Ou seja: eventualmente poderá haver pressão despropositada que refletiria em prejuízo latente a Sérgio Gomes, repito, inocentado em todas as investigações policiais, as quais se deram com o acompanhamento de membros do Ministério Público &#8212; como determina a Constituição Federal.</p>
<p>Embora o placar interrompido seja de empate na interpretação do poder investigatório-criminal do MP, no caso específico da confirmação da liminar de habeas corpus, que retirou Sérgio Gomes da prisão, o primeiro-amigo de Celso Daniel vence por dois a zero, porque tanto o relator do STF, ministro Marco Aurélio, quanto Sepúlveda Pertence entenderam que a prisão preventiva não se sustenta. Ou seja: Sérgio Gomes foi vítima de abuso judicial.</p>
<p>Obviamente, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, defende a atuação do Ministério Público Estadual como agente de investigação e denúncia de Sérgio Gomes. Disse ele ao G1, site de notícias do jornal &#8220;O Globo&#8221;: &#8220;Não há na Constituição Federal nenhuma regra que exclua o poder investigatório do MP. As normas estabelecidas trabalham no sentido da sua ampla legitimidade investigatória, seja na área penal ou não. No caso concreto, a atividade do MP foi supletiva à policial&#8221;, afirmou.</p>
<p>O procurador-geral da República está enganado: a atuação do MP de Santo André não foi supletiva em relação à policial, mas substitutiva, porque agiu fora do enquadramento constitucional, à parte das apurações da Polícia Civil e da Polícia Federal.</p>
<p>Sérgio Gomes é sobrevivente de uma opereta irracional que o elegeu bode expiatório, aniquilando-o em todos os sentidos. Nenhuma reparação financeira conseguirá amenizar jamais as barbaridades que o atingiram, com efeitos danosos sobre seus familiares.</p>
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		<title>Sugestão aos Daniel</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2005 16:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Não resisto a formular convite aos parentes do eterno prefeito Celso Daniel que, em novo aniversário de nascimento do mais ilustre membro dessa tradicional família de Santo André, na última sexta-feira, repetiram o velho e surrado ritual de requentar versões sobre o assassinato de janeiro de 2002. 
Que tal se todos eles, irmãos e irmãs, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não resisto a formular convite aos parentes do eterno prefeito Celso Daniel que, em novo aniversário de nascimento do mais ilustre membro dessa tradicional família de Santo André, na última sexta-feira, repetiram o velho e surrado ritual de requentar versões sobre o assassinato de janeiro de 2002. </p>
<p>Que tal se todos eles, irmãos e irmãs, e também os áulicos de sempre que engrossam as manifestações, se dessem a uma outra tarefa, mesmo que não abandonassem a original, porque ninguém é de ferro? </p>
<p>Que tal iniciarem algo como uma Fundação Celso Daniel para rastrear tudo que se referir à grande paixão do então prefeito, do ex-deputado federal, do futuro ministro do governo Lula da Silva, ou seja, a regionalidade do Grande ABC incrustrada na metrópole paulista? </p>
<p>Sim, isso mesmo. O que estamos fazendo e faz muitos anos no jornalismo, em parte sob inspiração do próprio Celso Daniel, eles, os parentes tão sofridos com a ausência de exuberante exemplar da inteligência regional, poderiam replicar no campo comunitário. Se se empenharem para valer no projeto como na tentativa de provar a tese de crime encomendado, asseguro por todos os juros que a memória de Celso Daniel será reverenciada sob aspectos muito mais luminosos do que a renitente busca de obscuro enredo descartado pela Polícia Civil. </p>
<p>Está certo que João Francisco, Bruno Daniel Filho e outros terão muitas dificuldades para reconstruir a trajetória político-administrativa de Celso Daniel. Foram anos e anos de distanciamento depois de entrevero do então prefeito com a mulher do irmão Bruno. O primeiro irmão, João Francisco, se mostrou preocupadíssimo durante o período posterior ao assassinato, provavelmente para recompor o lapso de tempo de convivência que sonegara. </p>
<p>Por mais que se entenda a dor da família quando defrontada com a data de aniversário de nascimento de Celso Daniel, por mais que se respeite a vereda de crime encomendado, por mais que se despreze eventual volúpia à notoriedade e à politização das manifestações naquela data, não se compreende a razão de o legado de Celso Daniel ser rigorosamente afastado de cogitações familiares. </p>
<p>Aliás, para aprofundar ainda mais a desconfiança de que Celso Daniel não tem recebido dos próprios familiares o desencadeamento histórico que provavelmente gostaria se testamento pudesse ter feito, a extensão de sua existência material em forma de uma filha comprovadamente portadora de suas características genéticas não encontra ressonância entre os irmãos.</p>
<p>Isso mesmo: a futura jornalista Liora Mindrisz ainda não tem o direito legal de eventualmente acrescentar o sobrenome de seu pai porque a família Daniel, segundo consta, ainda resiste a aceitar o desfecho do exame inicial de DNA. Basta olhar para Liora para ver Celso Daniel. Entretanto, isso não seria suficiente para demover seus tios do vínculo familiar legal, quanto menos de fato. </p>
<p>É possível que um ou outro venha a me acusar de ingerência familiar. Bobagem. Celso Daniel é um caso de domínio público em vida e em morte. Queira ou não, Liora Daniel ou Liora Mindrisz sempre será apontada como filha do maior prefeito que Santo André já teve. Seus passos serão seguidos na exata medida em que, eventualmente, ganhar notoriedade ou notabilidade. Aliás, como ocorre com seus tios refratários que, a reboque do irmão famoso, sobem na ribalta da espetacularização anual em 16 de abril. Quando não em um ou outro momento em que a mídia remexe pontos especulativos do assassinato. </p>
<p>Embora haja no Instituto Metodista uma cátedra em homenagem a Celso Daniel, a importância histórica do triprefeito de Santo André está muito longe do reconhecimento regional. A produção administrativa, gerencial e institucional que Celso Daniel gerou em 20 anos de atividades públicas mereceria maiores cuidados. </p>
<p>O Eixo Tamanduatehy, por exemplo, simboliza a magnitude visionária de um dirigente público que emergiu numa grande província e que, ao se deslocar mundo afora em busca de inspiração e conhecimentos para dar nova roupagem urbanística e econômica a Santo André, chegou a ser ridicularizado por adversários incapazes de vislumbrar a próxima esquina. </p>
<p>Já passou da hora de os irmãos começarem a entender a obra de Celso Daniel. Vai dar um certo trabalho, porque eles pouco se interessaram em vida pela trajetória do mais brilhante integracionista que o Grande ABC já teve. Mas será reconfortante, porque a memória de Celso Daniel vale muito mais pela abundância intelectual do que pela persistência policial.    </p>
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		<title>Freios providenciais</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Sep 2004 18:36:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Ora, ora, não é que até um dos jornais paulistanos de maior influência no País se dobrou ao óbvio ululante de que o Ministério Público não pode ter a liberdade que alguns ditadores de plantão tanto avocam por motivos que vão muito além do campo criminal porque invadem a seara político-partidária?
Demorou para cair a ficha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ora, ora, não é que até um dos jornais paulistanos de maior influência no País se dobrou ao óbvio ululante de que o Ministério Público não pode ter a liberdade que alguns ditadores de plantão tanto avocam por motivos que vão muito além do campo criminal porque invadem a seara político-partidária?</p>
<p>Demorou para cair a ficha daquele periódico e se espera que um outro, igualmente importante, não se faça de dissimulado e passe a enfrentar com serenidade o princípio imaculadamente marcante de que a Constituição Federal veda ao Ministério Público o totalitarismo de investigar e acusar sem nem mesmo acompanhamento externo.</p>
<p>Não faltam exemplos de exacerbação operacional de membros do Ministério Público, mas o caso envolvendo o empresário Sérgio Gomes da Silva é, pela natureza de proximidade territorial, o mais emblemático. Sérgio Gomes foi literalmente caçado pelo MP incrustado em Santo André numa investigação à parte da Polícia Civil e da Polícia Federal, que o inocentaram.</p>
<p>Aliás, nem o inocentaram porque Sérgio Gomes jamais constou da lista de suspeitos da polícia judiciária. Quem o enfiou arbitrariamente entre os suspeitos, desconsiderando a polícia tecnicamente mais preparada do Estado, no caso o DHPP, foi o Ministério Público de Santo André, partindo daí as jogadas ensaiadas para conferir enredo compatível com resultado plenamente atingido &#8212; de embolar o jogo da compreensão do caso.</p>
<p>A posição adotada em editorial de domingo da Folha de S. Paulo é quase que providencial e sincera mea-culpa, porque aquele veículo respeitabilíssimo inclui-se no círculo de fogo que, mais que chamuscou, praticamente cremou Sérgio Gomes da Silva. Aliás, não foi somente a Folha de S. Paulo que se deixou levar pelo vai-da-valsa instrumentalizado pelos excessos do Ministério Público. Todos os demais jornais, emissoras de rádio e de TV deram aos promotores públicos carta branca para elucubrações. Eles investigaram e julgaram à revelia da equipe especializada da Polícia, com a qual, aliás, não mantêm relacionamento suportavelmente diplomático.</p>
<p>A inocência de Sérgio Gomes da Silva é extraordinariamente acachapante, embora subvertida no processo do Ministério Público que o acusa de ter mandado matar o prefeito Celso Daniel. Tanto que os advogados contratados para defender o primeiro-amigo de Celso Daniel arrolaram como uma das testemunhas outro senão o delegado da Polícia Civil do governo tucano de Geraldo Alckmin. Chama-se Edson De Santi o homem que conduziu todas as investigações e que reúne documentos que comprovam o fato que só os incautos negam: Sérgio Gomes da Silva foi vítima, não mandante do crime que mudou a história político-administrativa do Grande ABC.</p>
<p>A troco de que voltamos a este assunto? Querem mais que um jornal de alcance nacional defender em editorial a teoria da legitimidade da improcedência de o Ministério Público jogar em todas as posições do campo criminal?</p>
<p>A Folha de S. Paulo não faz menção sobre caso algum para sustentar em editorial um redirecionamento das ações do Ministério Público, a quem até recentemente defendia sem restrições. É provável até que o articulista não tenha se referido especificamente ao caso Celso Daniel, mas o fato é que a costura cabe perfeitamente no molde de predomínio das versões do MP que culminaram com a prisão de Sérgio Gomes da Silva.</p>
<p>Para completar: ao constatar que uma revista de âmbito nacional e notoriamente contrária ao governo Lula da Silva não levou para suas páginas em reportagem especial uma série de investigações sobre o caso Celso Daniel, tenho minhas convicções consolidadas sobre a inocência de Sérgio Gomes da Silva. A matéria provavelmente não seguiu o desenlace previamente sugerido. Pelo menos a editora foi mais comedida que o MP.</p>
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		<title>Moeda política</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2004 22:11:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[É politicamente incorreto defender protagonistas unilateralmente metralhados e que, portanto, tenham virado a bola da vez da moralidade pública e da justiça criminal. Entretanto, mais uma vez, que se dane o politicamente correto. O fato é que o empresário Sérgio Gomes da Silva está livre, depois de sete meses de prisão fundamentada em abstrações, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É politicamente incorreto defender protagonistas unilateralmente metralhados e que, portanto, tenham virado a bola da vez da moralidade pública e da justiça criminal. Entretanto, mais uma vez, que se dane o politicamente correto. O fato é que o empresário Sérgio Gomes da Silva está livre, depois de sete meses de prisão fundamentada em abstrações, como preciosamente definiu o ministro do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, referindo-se à denúncia do Ministério Público Estadual incrustado em Santo André.</p>
<p>Sérgio Gomes da Silva é valiosa moeda política que só não emergiu no cenário de disputas à Presidência da República em 2002 porque um pacto de não-agressão entre os principais concorrentes demarcou a área da responsabilidade eleitoral.</p>
<p>Entretanto, nesta temporada, Sérgio Gomes está com a cotação em  alta. Sua libertação virou a biruta e lança dúvidas entre aqueles que apostavam na culpabilidade do amigo do prefeito Celso Daniel.</p>
<p>Ao mesmo tempo, fortalece-se a convicção de quem sempre desconfiou de que há caroço de oportunismo nesse angu investigatório que o absolveu de um lado e o incriminou de outro.</p>
<p>O que deveria ser padrão de interpretação minimamente sensata, ou seja, que Sérgio Gomes da Silva é inocente até prova em contrário, se apresentou, ao longo dos dois últimos anos, como disparatosa perseguição pessoal. A atuação do MPE fora dos preceitos constitucionais, segundo os quais investigações criminais não fazem parte de atribuições dos promotores, simplesmente obscureceu as conclusões da Policia Civil e da Polícia Federal. Apesar de insistentemente a mídia desprezar a informação, inquéritos policiais caracterizaram o sequestro seguido de morte do prefeito Celso Daniel como crime urbano comum.</p>
<p>O noticiário de jornais e revistas daquele período está à disposição de quem aprecia a história: a Grande São Paulo vivia um dos momentos mais dramáticos na área de segurança pública. Enquanto o secretário estadual insistia com uma política de direitos humanos para deliquentes, a rentabilidade das operações criminosas se rivalizava com os juros estratosféricos mantidos pelo Banco Central.</p>
<p>Depois da morte de Celso Daniel e do resgate do publicitário Washington Olivetto, o governo do Estado resolveu afastar o secretário de Segurança Pública. Implementou algo semelhante à atuação da Rota nos tempos de Paulo Maluf.</p>
<p>A sentença do ministro Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal, restabeleceu a compreensão de que a decisão do MPE em mandar prender Sérgio Gomes da Silva foi um exagero. Disse Jobim que a lei prevê prisão preventiva só em determinadas hipóteses, entre as quais a periculosidade. Desclassificou também o &#8220;clamor popular&#8221; apontado pelo MPE. Ou seja: o suporte flácido de duas abstrações levou o primeiro amigo de Celso Daniel à prisão.</p>
<p>Há prova irrefutável de que a liberdade de Sérgio Gomes não ameaçou jamais o grupo econômico e político que ofereceu suprimentos mais que duvidosos à denúncia do MPE. Entre 24 de janeiro &#8212; semana seguinte à morte de Celso Daniel &#8212; e dezembro do ano passado &#8212; quando foi decidida a prisão preventiva &#8211;, Sérgio Gomes da Silva gozava de convívio social como cidadão comum. Uma semana após o enterro de Celso Daniel, Sérgio Gomes já constava da lista de suspeitos do Ministério Público, que recebeu, em São Paulo, a empresária de transportes Rosangela Gabrilli. Ali, ela mencionou a possibilidade de o crime estar sob a influência de Sérgio Gomes da Silva e amigos, supostamente beneficiários de um esquema de propinas no Paço de Santo André.</p>
<p>Mesmo antes desse depoimento Sérgio Gomes já figurava como suspeito porque dirigia o veículo abalroado pelos sequestradores. Não parece lúcido supor que alguém a quem tenham sobreposto ao nome de batismo a alcunha de Sombra pretendesse saltar para o estrelato da desconfiança. A arquitetura de um crime encomendado, portanto, não suporta um beliscão sequer de sensatez.</p>
<p>Prender Sérgio Gomes da Silva preventivamente sob argumentos juridicamente esgarçados, como expressa a sentença do ministro do Supremo Tribunal Federal, foi provavelmente uma estratégia para desestabilizá-lo emocionalmente, tornando-o vulnerável à suposta possibilidade de confessar crimes de que teria participado na administração Celso Daniel.</p>
<p>Aliás, a correlação de dois vetores completamente antagônicos &#8212; de que o assassinato teria como base o financiamento de campanha eleitoral que Celso Daniel pretendia barrar &#8212; moldou a chave do aprisionamento preventivo do empresário. Nada mais surrealista.</p>
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		<title>Entrevistas coletivas com  Celso Daniel e Washington Olivetto</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Feb 2002 13:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Celso Daniel não queria reunir a Imprensa para contar o que viveu no cativeiro desde que foi sequestrado nos três tombos, periferia de São Paulo. Achava melhor esquecer o assunto, refazer-se do susto e trabalhar nos projetos administrativos, partidários, acadêmicos e sociais. Concordou sob pressão do partido, cujas lideranças nacionais usaram o argumento de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Celso Daniel não queria reunir a Imprensa para contar o que viveu no cativeiro desde que foi sequestrado nos três tombos, periferia de São Paulo. Achava melhor esquecer o assunto, refazer-se do susto e trabalhar nos projetos administrativos, partidários, acadêmicos e sociais. Concordou sob pressão do partido, cujas lideranças nacionais usaram o argumento de que suas declarações poderiam ajudar a minimizar o quadro de exclusão social, raiz da criminalidade. Mas Celso Daniel não abriu mão de um hotel três estrelas de Santo André, a cuja inauguração compareceu poucos meses antes. Queria o máximo possível de despojamento.</p>
<p>Washington Olivetto gostou da idéia de contar sua saga em solitária de luxo que ninguém há de desejar. Afinal, ele se preparara para tudo. Manuscreveu até um diário sobre a epopéia de ficar emparedado enquanto as negociações para seu resgate fossem concretizadas. Ainda atordoado com o desenlace do sequestro, Washington Olivetto nem se dera conta de que devia sua vida ao entrevistado em outro ponto da Grande São Paulo. Afinal, não fosse a repercussão provocada pelo sequestro do prefeito de Santo André e coordenador do programa do candidato líder nas pesquisas para a Presidência da República, provavelmente ele seria executado, mais dia, menos dia. </p>
<p>O sequestro de Celso Daniel teve repercussão mundial e serviu de combustível para série de anúncios de tomadas de decisão do governo estadual e do governo federal na área de segurança pública. Foi o rastreamento dos cativeiros que permitiu encontrar Washington Olivetto, depois de denúncia de um vizinho dos sequestradores. Outros sequestrados menos famosos também engrossaram a lista subsequente de libertações. </p>
<p>Os telespectadores não gostaram da decisão de apresentar os dois ex-sequestrados como competidores por audiência. Mas não reclamaram porque pelo menos não foram atrações especiais cujo horário de exibição rivalizasse com Big Brother. Também os donos das emissoras de TV lamentaram a coincidência de horário e dia, mas trataram de negociar a antecipação das duas entrevistas para o período da manhã, preservando os programas populares movidos à violência ao final de cada tarde. Argumentaram, antes disso, que os ganhos publicitários e de audiência seriam maiores se a Celso Daniel se reservasse um dia e a Washington Olivetto, outro. Assim, a mídia poderia explorar ao máximo os detalhes das duas vítimas de mundos diferentes, antípodas. Não conseguiram convencer as respectivas assessorias de Imprensa. </p>
<p>Washington Olivetto é filho do glamour paulistano, das lantejoulas frenéticas do universo da publicidade, das colunas sociais recheadas de prazeres dos incluídos, um gênio da criatividade paparicado por produtores de programas de rádio, televisão e pelos agentes comerciais dos jornais e revistas e programadores de mídia que disputam centímetro por centímetro, segundo por segundo, as importantes contas que detém.</p>
<p>Celso Daniel é fruto do chamado provincianismo do Grande ABC, exorcizador do Complexo de Gata Borralheira, é verdade, mas um homem simples, comedido, discreto. Seu universo é a administração pública cercada de demandas sociais por todos os lados. Quer ver aplicada em Brasília sua ideologia de centro-esquerda sem que isso seja interpretado como ambição desmedida. Sim, porque para ele bastava continuar em Santo André, ser prefeito quantas vezes se candidatasse, porque no fundo, no fundo, gosta mesmo é de aplicar na prática o que aprendeu nas leituras incansáveis dos grandes clássicos da teoria política e econômica.</p>
<p>Melhor mesmo seria se, em vez de um dia de diferença entre uma entrevista e outra, se dessem dois ou três, porque assim, após a primeira coletiva, de Celso Daniel, os jornais poderiam repercutir todas as declarações do prefeito recuperado pela polícia. Aí, então, viria a entrevista com Washington Olivetto. Por que essa ordem? Porque os alquimistas da audiência fizeram um teste de ressonância ibopeano e descobriram que Washington Olivetto seria um produto mais interessante para o público. Provavelmente provocaria mais catarse, mais audiência. Seu perfil solto, leve, debochado até, contrastava com a introspecção, a sobriedade e o indisfarçável abalo emocional que Celso Daniel apresentava depois que foi recolhido de calças jeans, as calças que sempre usava, numa favela de Diadema. </p>
<p>Simultaneamente, as duas entrevistas foram vistas por públicos diferentes. Quem gosta de emoção, quem aprecia os programas mais populares que não fazem cerimônia em oferecer corpos estendidos de mortes matadas, fixou os olhos e acoplou os ouvidos em Washington Olivetto. Seus gestos, seu heroísmo de enfrentar os bandidos, sua facilidade de expressão verbal, tudo contribuía para que se tornasse um entrevistado sob medida para a mídia mais voraz por audiência. Aliás, sua especialidade como comunicador. O primeiro sutiã a gente nunca esquece, lembram-se?</p>
<p>Em Santo André, Celso Daniel era um espetáculo, se se pode dizer isso, para os seletivos apreciadores dos noticiários mais rigorosamente discretos, como os da TV Cultura. Celso Daniel falava com calma, sem gestos, evitava aprofundar-se nos detalhes que marcaram os momentos dramáticos desde que saiu para jantar com o amigo Sérgio Gomes. Desta vez, ninguém teve a desfaçatez de lhe perguntar nada sobre sexualidade. À volúpia por detalhes do sequestro se contrapunha a frieza de quem era naturalmente discreto e reservado. </p>
<p>Celso Daniel estava abalado demais emocionalmente para fazer da entrevista qualquer coisa que não fosse uma obrigação quase imposta goela abaixo pelas lideranças nacionais do PT. As mesmas lideranças que quase o levaram à morte quando reagiram ao sequestro com a interpretação político-eleitoral de que se tratava de ação retaliadora ao partido. Algo semelhante aos supostos motivos da morte do prefeito Antonio da Costa, o Toninho do PT de Campinas.</p>
<p>A repercussão das duas entrevistas dos sobreviventes destes tempos nada românticos de diligências policiais, nem sempre seguidas de sucesso, foi o que se esperava de fato para um País de ratinização da audiência. Celso Daniel só conseguiu míseros pontos percentuais de Ibope. Nem poderia ser diferente, porque insistiu em negar canapés de sofrimento pessoal, como se já não bastasse o medo interiorizado, metabolizado e psicossomatizado daqueles dias de terror. O quartinho de piso de terra batida e ventilação ofegante, a comida simples de horário nem sempre lógico, a água de torneira, o penico para fazer as necessidades, isso e muito mais Celso Daniel quer esquecer. </p>
<p>Washington Olivetto, descontraído, alegre até, prepara um livro sobre os 53 dias que ficou entre quatro paredes de casa de rico, tecnologicamente preparada para preservar sua vida. Há quem pense em contratá-lo também para ancorar algum programa de televisão, porque o sofrimento o transformou em herói e sua reabilitação emocional mostra que é um homem pronto para suportar qualquer tipo de confronto. Patrocinadores, evidentemente, não lhe vão faltar. É um dos homens de ouro da propaganda brasileira e isso ajuda a direcionar os anunciantes para onde seu bom senso indicar. É claro que, dada sua versatilidade e poder midiático também no vídeo, algo que desconhecia, não há como deixar de ouvir o apelo dos próprios anunciantes para que anuncie sim em seus próprios programas. Talvez Washington não aceite, porque é um homem sobre cuja ética profissional não há reparos a fazer. </p>
<p>Celso Daniel continua sua vida de administrador público inigualável no Grande ABC, sua carreira de professor, seus jogos de basquetebol e seu apoio à disputa eleitoral de Lula da Silva. Diferentemente de Washington Olivetto, mobilizador de recursos de grandes corporações em busca de novas fatias do mercado de consumo, Celso Daniel espera minguados e disputadíssimos recursos financeiros internacionais para investir em projetos sociais em favelas. Pode virar ministro de Estado ou mesmo governador de São Paulo num futuro breve. Substituirá a escassez de audiência do show business da mídia pela abundância de votos, num milagre pouco explicado porque jamais vestiu a fantasia de populista.  </p>
<p>Talvez qualquer dia destes Celso Daniel e Washington Olivetto se encontrem ocasionalmente num estádio qualquer, torcendo pelo Corinthians. Aí eles serão absolutamente iguais na paixão, nos gestos, no amor alvinegro. </p>
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		<title>Caso Celso Daniel: nem  tudo que brilha é ouro</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2002 13:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[O que se passou no Paço Municipal de Santo André durante o período entre o sequestro, o assassinato, o velório e o enterro do prefeito Celso Daniel provoca interpretações equivocadas em vários campos. A visibilidade que estrelas locais, estaduais e nacionais do Partido dos Trabalhadores tiveram durante aquelas longas horas de angústia, desconsolo e prostração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que se passou no Paço Municipal de Santo André durante o período entre o sequestro, o assassinato, o velório e o enterro do prefeito Celso Daniel provoca interpretações equivocadas em vários campos. A visibilidade que estrelas locais, estaduais e nacionais do Partido dos Trabalhadores tiveram durante aquelas longas horas de angústia, desconsolo e prostração no Paço Municipal não significa que a luminosidade tenha imperado. E nem que aqueles que não foram vistos com frequência entre os batalhões de destaques do PT tenham se omitido a partir do momento em que a TV Globo anunciou o sequestro nos três tombos, no final da noite de sexta-feira. Pelo contrário. Nem tudo que reluziu foi ouro de dignidade e compaixão. Nem toda opacidade foi desinteresse, omissão e covardia. </p>
<p>Para que a verdade seja estabelecida e os valores humanos, partidários e éticos não sofram avaliações distorcidas, é preciso que se estabeleçam algumas referências por quem, como este jornalista, viveu intensamente aquele período no Paço Municipal, numa mistura de profissional em busca de informações e agente social inquieto com os acontecimentos.  </p>
<p>Já escrevemos sobre a intempestiva &#8212; embora aparentemente incontrolável &#8212; politização do sequestro pela cúpula nacional e estadual do PT. Enquanto as estrelas nacionais e estaduais do partido apareciam nas entrevistas de emissoras de rádio e televisão à exaustão, numa associação de solidariedade e oportunidade que o sequestro &#8212; e, na sequência, o próprio assassinato &#8212; ensejava, um grupo de elite do PT de Santo André trabalhava intensamente nos bastidores, no prédio do Executivo. Viveu esse grupo, anonimamente, horas seguidas de tensão. Primeiro à espera de eventuais contatos dos sequestradores. Depois, tomando as providências de praxe para cuidar do corpo encontrado em Juquitiba e levado ao IML da Capital.  </p>
<p>Esse grupo, do qual fazem parte os irmãos Mindrisz, Klinger Sousa, Ivone de Santana e Gilberto Carvalho, entre outros comandantes ou petistas influentes no Paço Municipal, não foi visto em noticiário algum, não deu entrevista nem palminhas nas costas de quem lotou o Paço Municipal. Enfim, permaneceu no quartel-general em busca de um fio de esperança com relação à sorte do prefeito Celso Daniel e, depois, operacionalizando ações igualmente discretas para que pudessem ser tomadas todas as medidas legais e burocráticas a partir do telefonema da polícia sobre a desova do corpo. </p>
<p>Enquanto isso &#8212; e posso afirmar sem medo de cometer pecado porque observei os movimentos no Paço e na Câmara Municipal &#8212; não faltaram aqueles que, além da natural comoção pelo infausto acontecimento, trataram de reforçar posições no jogo político-partidário do PT municipal, avocando para isso, inclusive, o suporte estrelado de representantes estaduais e nacionais, já que, como se sabe, Celso Daniel comandava o PT municipal com seu grupo de colaboradores sem depender de terceiros não radicados no Município. Reuniões paralelas ao sequestro seguido de assassinato e de velório foram ardilosamente organizadas. Não se esperou nem o corpo descer ao túmulo. Um excesso de zelo pela governabilidade do Paço Municipal foi estranhamente ensaiado, como se a torre enlutada estivesse à deriva.  </p>
<p>Um dos petistas que tiveram comportamento exemplar em todo o acontecimento foi o agora prefeito João Avamileno, que se manteve o tempo todo ocupado com o que era de fato importante. </p>
<p>Se parte do PT não conseguiu neutralizar a fome de poder municipal diante de situação excepcionalmente dramática, como cobrar que candidatos à Prefeitura de Santo André e seus mais diretos colaboradores disseminassem na imprevidente imprensa paulistana, sobretudo de televisão, versões espetaculosas sobre as motivações que teriam provocado o crime e até levantassem escombros esquecidos na Justiça sobre supostas irregularidades licitatórias? A carnificina ética foi consumada a partir do anúncio do sequestro, expandiu-se com a chegada do séquito nacional e estadual do PT e ainda não terminou, porque os opositores de olho no Paço Municipal querem mais cadáveres, agora eleitorais. </p>
<p>Vivemos um País de ovação à Casa dos Artistas e ao Big Brother. O que se poderia esperar de diferente de representantes políticos à direita e à esquerda do bom senso? </p>
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		<title>Quanto custa produzir nossos Celsos Daniéis?</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2002 13:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Vão prevalecer no pós-morte do prefeito Celso Daniel tentativas alucinadas do governo do Estado de desclassificar as evidências de que se tratou de um crime encomendado. Ante o oportunismo de algumas lideranças do Partido dos Trabalhadores que reagiram ao sequestro com fome pantagruélica de politização e partidarização, seguida de incontrolável banqueteamento provocado pelo assassinato, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vão prevalecer no pós-morte do prefeito Celso Daniel tentativas alucinadas do governo do Estado de desclassificar as evidências de que se tratou de um crime encomendado. Ante o oportunismo de algumas lideranças do Partido dos Trabalhadores que reagiram ao sequestro com fome pantagruélica de politização e partidarização, seguida de incontrolável banqueteamento provocado pelo assassinato, o governo de Geraldo Alckmin e a Presidência da República responderam com medidas cosméticas &#8212; a maioria das quais há muito anunciadas e jamais aplicadas.</p>
<p>No caso específico da Secretaria de Segurança Pública do Estado, industrializaram-se alguns factóides que entre outros objetivos pretendem colocar o episódio de fundas repercussões políticas, sociais e econômicas no saco de gatos desclassificatórios de versões rocambolescas. Impera o anarquismo da informação e da multiplicação de versões como antídoto ao pragmatismo das investigações. </p>
<p>O fato é que a morte de Celso Daniel, como outros 108 assassinatos que devem ter ocorrido domingo no Brasil, nessa estúpida contabilidade de nossa fragilidade institucional e estrutural, está a léguas de distância do que a maioria dos atores do noticiário destes últimos dias insiste em destilar. Estamos em guerra civil há muitos anos. A pena de morte já foi decretada informalmente nos guetos de pobreza e miséria, focos do banditismo. Não será apenas com mais policiamento, mais equipamentos, mais viaturas, mais movimentos populares de solidariedade e mais discursos que eliminaremos a raiz desse cipoal de infortúnios que se espalham nas mais diferentes modalidades de crimes. </p>
<p>Deformado culturalmente pela centralidade asfixiante do Estado-do-Mal-Estar-Social, o Brasil é um país a ser reconstruído. Só não se pode perder a percepção de que essa reconstrução deva se iniciar pelas causas, e não pelos efeitos, e a sociedade amorfa, ignorante, passiva, é elemento-chave. </p>
<p>Sobretudo as regiões metropolitanas &#8212; e esse é um temário muito caro a este jornalista e à revista que dirijo, contrariamente à omissão da quase totalidade da mídia nacional &#8212; requerem tratamento constitucional, institucional e político diferenciado. Não é possível que 16 milhões de pessoas que se apertam em disparidade social e em desemprego na Grande São Paulo resolvam, de uma hora para outra, fazer um pacto de não-agressão, de civilidade. Somos o retrato de um País sem eira nem beira que já fez muitas vítimas semelhantes à grandeza humana e profissional de Celso Daniel. </p>
<p>Quanto custa produzir um Celso Daniel, integrante de uma elite de competência e de integridade de que o País tanto carece? Quantos outros Celsos já se foram em operações que não tiveram visibilidade e repercussão, mas de prejuízos semelhantes? </p>
<p>Um Celso Daniel perdido corresponde à contrapartida matemática e social de dezenas de anônimos excluídos que, queiram ou não os hipócritas, estão muito mais suscetíveis a conquistar a hierarquia da criminalidade. Os sequestradores de Celso Daniel, motivados por razões econômicas ou políticas, não interessa, agiram como profissionais que ou são sumidades precoces ou escalaram sim vários degraus da escola de transgressões legais. Somos uma usina com alta capacidade de geração de dejetos como esses. </p>
<p>A indignação que cerca o assassinato de Celso Daniel deveria ser canalizada também para os produtores de ilusões estatísticas, de bobagens midiáticas, de malversação da informação jornalística, que usam jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão com objetivos claramente propagandísticos, mercantilistas, exclusivistas, individualistas. Desenvolvimento Econômico Sustentável, que é a resposta a tudo isso, não é assunto que interessa à maioria dos veículos de comunicação.  </p>
<p>Celso Daniel não morreu apenas porque alguns profissionais do crime o levaram de um veículo numa noite de sexta-feira. Celso Daniel e tantos outros brasileiros tiveram a vida abreviada porque precisamos construir um novo País. Há crimes menos impactantes e menos evidentes que são cometidos impunemente e já se transformaram em cultura nacional, sob a indiferença de uma sociedade que se omite permanentemente.</p>
<p>Somos um País macunaímico colombizado. Precisa mais? </p>
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		<title>Será que Celso Daniel  aceitaria a ressurreição?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jan 2002 13:16:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a Celso Daniel fosse concedido o privilégio divino da ressurreição entre o momento em que seu corpo foi encontrado em chão de terra batida em Juquitiba e desceu à terra fresca de Santo André, será que se levantaria e voltaria ao Paço Municipal onde governou durante mais de nove anos?
Tenho muitas dúvidas sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se a Celso Daniel fosse concedido o privilégio divino da ressurreição entre o momento em que seu corpo foi encontrado em chão de terra batida em Juquitiba e desceu à terra fresca de Santo André, será que se levantaria e voltaria ao Paço Municipal onde governou durante mais de nove anos?</p>
<p>Tenho muitas dúvidas sobre a decisão de Celso Daniel. Se a ele tivesse sido conferido o poder de acompanhar como uma câmara móvel todas as atitudes, ações e interlocuções daqueles que se movimentaram em torno do espólio do corpo crivado de balas covardes, certamente ele pensaria duas vezes.</p>
<p>O povo anônimo e muitas figurinhas carimbadas transformaram o velório em quilométricas filas de emoção e de solidariedade, mas não faltaram os oportunistas de plantão para impregnar idiossincrasias, a destilar o fel da maledicência, a multiplicar conjecturas políticas, a esquartejar seu corpo e seu legado em escabrosas subdivisões de marketing do horror que trafegaram do terreno ardiloso da política partidária e da política eleitoral à areia movediça do mercantilismo comercial.</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição sabendo que sua morte covarde foi chorada para valer por milhares de pessoas que lhe retribuíram a dedicação em tempo integral com que se lançou contra os paradoxos sociais e econômicos do Grande ABC, terra rica e terra pobre?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição sabendo que algumas almas penadas de detratores olharam-no pela última vez não com sentimento de cristãos que reconhecem a obra e perdoam as falhas, enaltecem a construção e subestimam as limitações?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição e retiraria de seu caixão as bandeiras do Corinthians, do Santo André, do Brasil e do PT se soubesse que seu legado, embora inédito na historiografia política do Grande ABC, ainda não estava completo e que só sua presença física poderia garantir avanços já tão difíceis mesmo com ele vivo?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição sabendo que, mal baixasse à terra, as conversas miúdas em decibéis e em conteúdo ganhariam formas mais abusadas e desrespeitosas como se em vez de vítima fosse o réu?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição se olhasse no horizonte e se emocionasse com o cortejo de seu corpo inerte que serpenteava as ruas e avenidas de Santo André, num espetáculo de compaixão e respeito que jamais o Grande ABC viveu em todos os tempos?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição se soubesse que a governabilidade da Santo André que liderou com fair play nos últimos anos correria risco de entrar em parafuso?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição se soubesse que ironicamente sua morte, mais que sua vida produtiva, causaria uma comoção nacional e provocaria, enfim, uma reação aparentemente consistente de medidas para aplacar a colombização do Brasil?</p>
<p>Será que Celso Daniel aceitaria a ressurreição?</p>
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		<title>Mataram o maior administrador  público da história do Grande ABC</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2002 11:25:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniellima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caso Celso Daniel]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdemos o maior gerenciador público da história do Grande ABC. O Brasil que se comove com o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, não tem culpa de conhecê-lo tão pouco. Só mais adiante saberia o quanto ele poderia apresentar de inovação no espectro político-administrativo, quando comandaria o programa econômico de Lula da Silva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perdemos o maior gerenciador público da história do Grande ABC. O Brasil que se comove com o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, não tem culpa de conhecê-lo tão pouco. Só mais adiante saberia o quanto ele poderia apresentar de inovação no espectro político-administrativo, quando comandaria o programa econômico de Lula da Silva à presidência da República. Nós tivemos mais de 10 anos para metabolizar suas idéias, mas a maioria estava despreparada para entender sua profícua vocação inter-regional. A dimensão de seu legado só será entendida à medida que o tempo tentar apagar a saudade que todos sentiremos dele.</p>
<p>Juntem a principal qualidade de cada um dos administradores públicos que estão e que passaram pelos sete municípios do Grande ABC e descartem todos os defeitos. O resultado será o perfil de Celso Daniel. É impossível que reunisse na mesma intensidade todos os pontos positivos de cada um dos prefeitos da região, de agora e do passado, mas os teve em quantidade suficiente para ser reverenciado como o maior de todos. Pelé não era o melhor passador, o melhor cabeceador, o melhor finalizador, o melhor disso ou daquilo. Pelé reunia as qualidades máximas dos principais craques do futebol. Celso Daniel deve ser entendido analogamente assim.</p>
<p>Era um visionário com senso de emergência. Era um descentralizador administrativo com amplo sentido de coordenação. Era um democrata que não deixava dúvidas quanto à importância da autoridade. Professor, tinha a didática para expressar-se e também para coordenar a exposição dos companheiros de reunião. Sistematizava os encontros com rara habilidade, conectando fidelidade e hierarquia das informações como poucos jornalistas são capazes. Sempre fez seus secretários sentirem-se importantes como ele, colocando-os na ribalta e, modesto, recolhendo-se à platéia. Poucos entendiam de políticas públicas como Celso Daniel.</p>
<p>Celso Daniel não foi apenas prefeito de Santo André, a cidade que mais empobreceu nos últimos 30 anos no Estado de São Paulo e sobre a qual derramava suas inquietações.</p>
<p>Celso Daniel foi também o gerenciador público que pensou o Grande ABC em período integral. Nenhum outro prefeito, nenhum legislador local, poucos da mídia, pouquíssimos, conseguiam enxergar seus objetivos. Celso Daniel chegou ao ponto, neste terceiro mandato incompletado pela brutalidade, de puxar o freio de mão de seu ímpeto regional, como grande formulador do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos, diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico e entusiasta defensor da Câmara Regional, porque sentiu que era o único a estar no passo e no ritmo necessários.</p>
<p>Tratou de cuidar um pouco mais de Santo André, decepcionado com boa parte dos demais prefeitos, imersos em cotidianos de incêndios a apagar, e não de pontes a construir. Uma decepção silenciosa, discreta, porque Celso Daniel não praticava choros públicos.</p>
<p>Celso Daniel era um democrata. Aprendi a gostar dele como gente nas poucas vezes em que nos chocamos em pontos de vista. Ao contrário de prima-donas que não suportam o cheiro da brilhantina de críticas, Celso Daniel era convergente. Respeitá-lo como um dos principais ideólogos da regionalidade, da metropolização, e acima de partidos e limites geográficos do Grande ABC, era consequência natural de quem também observa a região como uma unidade além das especificidades municipais. Admirá-lo pelo tom conciliador e pela grandeza da alma converteu-se para mim em reciprocidade de bom senso.</p>
<p>O Brasil não sabe o que perdeu. O Grande ABC, tão próximo do coração, da alma e dos conhecimentos de Celso Daniel, também não perceberá tão cedo a imensidão de seu legado.</p>
<p>Perdemos nossa grande referência regional. O Grande ABC está órfão. Celso Daniel morreu como estadista regional. O tempo o faria estadista nacional em políticas públicas. Ele retirou o Grande ABC do provincianismo da administração pública. Ele retiraria também o Brasil dessa pasmaceira secular do imediatismo a qualquer preço.</p>
<p>Celso Daniel era um administrador com os olhos postos no futuro e os pés no presente. Sua morte física deverá consagrar à imortalidade o apuro prospectivo de fundamentos teóricos que o Grande ABC, por não saber acompanhar seus passos, ficou a lhe dever na prática. Mas como suas propostas estão à frente deste tempo, ainda há forma de recuperá-las.</p>
<p>Mataram um gerenciador público que fazia do futuro seu dogma. Portanto, Celso Daniel vive em cada linha, vive em cada pensamento, vive em cada gesto que signifique compromisso com o amanhã.</p>
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