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Caso Celso Daniel
Desistir, jamais
DANIEL LIMA 13/09/2007
Quem acredita que desistirei da cobertura do caso Celso Daniel por conta da omissão envergonhada da chamada grande imprensa, depois de desmascarada, perderá tempo e paciência.
Desistir, jamais.
Nas últimas 24 edições da revista LivreMercado, escrevi quase 800 mil caracteres sobre o assassinato do então prefeito de Santo André e os desdobramentos que determinaram a responsabilização equivocada do empresário Sérgio Gomes da Silva — um personagem dessa história que, vejam bem, conhecia apenas de passagem, de uma apresentação rápida num restaurante de Santo André.
Oitocentos mil caracteres são um livro de tamanho padrão com pelo menos 500 páginas. Nessa contabilidade não entra o que escrevi para a newsletter Capital Social Online, tampouco neste blog. Somando tudo, tudinho, o total aproxima-se de dois milhões de caracteres. Só nos últimos 24 meses.
Por que nos últimos 24 meses? Justamente porque se deu, em outubro de 2005, uma entrevista inédita com o titular do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Armando de Oliveira Costa Filho, que, finalmente, ganhou carta de alforria do governo do Estado para falar sobre o assunto, depois de três anos de mudez absoluta. Nesse período, os promotores criminais deitaram e rolaram com o beneplácito daquilo que o jornalista Paulo Henrique Amorim chama de Imprensa sensacionalista e golpista, referindo-se entre outros veículos à Folha de S. Paulo e ao Estadão.
Na edição de LivreMercado de setembro, que já foi distribuída, completamos 200 páginas de matérias desde aquele outubro. Ouvimos o delegado Armando Coelho Neto, de biografia e sensibilidade suficientes para discorrer sobre o caso Celso Daniel sem que os promotores criminais o relacionem com o que chamam de quadrilha. Sim, porque basta apresentar versão que contradite o rocambolesco enredo de crime político, ou crime de encomenda, para os promotores alçarem os opositores à condição de delinquentes.
Como ainda nutro a expectativa de que os promotores criminais são acima de tudo promotores de Justiça, não descarto a possibilidade de, mais dia, menos dia, oferecerem ao distinto público versão com o plasma da realidade dos fatos.
Houve série de interesses escusos que manipularam pontos importantíssimos das operações de investigação que, de alguma forma, levaram os promotores criminais a enganos. Talvez seja ingenuidade acreditar que voltem atrás, que admitam falhas, tantas foram as incorreções, mas não vejo por que a Justiça não deva prevalecer.
A credibilidade da Imprensa no caso Celso Daniel ganhou a forma de um buraco negro e profundo que, a dar razão às críticas de Paulo Henrique Amorim, coloca a mídia de maior porte sob suspeição também em tantas outras questões. A politização e a partidarização do noticiário transformaram o jornalismo em exercício de manipulação vergonhosa. Os leitores, ouvintes e telespectadores compram gato por lebre sem pestanejar, porque ainda não aprenderam a questionar. Preferem a reverência acrítica.
Estou sempre pronto para o contraditório inteligente e prospectivo. Os mal-educados que ideologizam tudo, descarto sem pestanejar, porque não tenho tempo a perder.
Na edição de outubro vou apresentar novos fatos do caso Celso Daniel. Para destruir de vez a tese de crime de encomenda. Não descansarei enquanto a verdade não for estabelecida na Justiça. Mesmo sabendo que, para a massa de consumidores de informações contaminadas, Sérgio Gomes é o mandante do crime. O intento de levar aos incautos dúvidas onde só havia certeza jamais será desativado, sei bem disso, mas não me importo. O dever profissional está acima de tudo. Inclusive de idiossincrasias.
Na edição de amanhã da newsletter LivreMercado Online, vamos reproduzir a entrevista com o delegado federal Armando Coelho Neto. É imperdível.
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